27 dezembro 2013

Está um frio de cão

Um briol que não se aguenta. Um gelo entranhado nas casas.
Devia ter trazido o portátil que aquece. Aquele que normalmente precisaria de uma almofada por baixo para não me aquecer as pernas demais. Só passaram umas horas e já estou com saudades do aquecimento central. Vou vestir mais uma camisola. E procurar um cobertor. Ou um saco de água quente. Estão mais dez graus que em Munique, mas em casa, menos quinze, por aí. Não há lareira. No país mais quente da Europa (dos mais quentes, vá), está um frio de rachar. Incrível.

25 dezembro 2013

22 dezembro 2013

Pânico numa casa de engenheiros

A internet foi abaixo. Sábado à noite. A menos de 24 horas de sermos invadidos por miudagem que não sabe viver sem wi-fi (os miúdos são o menos, os graúdos é que se sentem perdidos sem net).
O pânico passa pelas diferentes fases.
1- A net foi abaixo. Vai ver o router.
2 - Já fiz reset ao router. A net ainda não funciona. A luz está vermelha. E se o modem avariou? (Pânico moderado. Alerta amarelo.)
3- Qual é a password desta treta? (Alerta laranja. Todos os engenheiros de roda do modem/router e do computador a ele ligado por um cabo. Luzes extra ligadas, no canto das ligações ao exterior - telefone, modem - não há muita iluminação. Descobrimos pó de meses, nunca ninguém limpa o ninho de ratos que é aquele monte de cabos e caixas de electrónica. Neste momento, ninguém quer saber do pó.)
4- Entrei no router. O gajo não diz o que está mal. A luz da internet está vermelha mas todas as outras estão verdes. O gajo insiste que quer fazer um update de cada vez que alguém se liga ao dispositivo. Hmmm. (Alerta laranja. Tudo sentado no chão com cara de caso a olhar para o écran.)
5- Onde raios anda a password e username hipercomplicados do acesso à net? (Ir buscar papelada com quase 10 anos.) Isto continua a não funcionar. Quanto tempo é que um router/modem deveria durar (não é assim tão velho como isso)? É sábado à noite. Domingo está tudo fechado. Se for problema a resolver pela telekom, ninguém vai estar disponível durante quinze dias. As lojas só estão abertas segunda e terça de manhã. Para arranjar outro router/modem, identificar se é esse o problema, ir e voltar, vai ser o cabo dos trabalhos. (Alerta vermelho.)
6- E que tal fazer um reset de fábrica? (Ligar ao google pelo telefone, procurar como se faz.)
7- Copiar todos os settings para um documento. Reset ao router. Esperar. Panicar.
8- Nada parece funcionar. É tardíssimo. Desistir. (Alerta vermelho.) Desligar o computador.
9- Enquanto o computador desliga, a luz vermelha do router passa a verde. (Alerta amarelo?) Ligar todos os dispositivos outra vez, procurar sinal de vida da net.
10- Trocar a password do wi-fi. Voltar a verificar todos os dispositivos (alerta amarelo).
11- Funciona! Já podemos dormir descansados.
12- Olha! Aqui diz que é um problema comum deste router, o software mais recente tens problemas de instabilidade e a solução é mesmo fazer um reset de fábrica!
13- Sim, sim, já sei, e se fôssemos dormir? Ah, espera só mais um minuto, ainda tenho que imprimir aquela papelada que é precisa daqui a umas horas... (Pânico desinstalado.)

A calma que precede a tempestade

Meio dia sozinhos em casa. A partir do jantar, reboliço sem fim durante quinze dias. Esta altura do ano é uma animação.

19 dezembro 2013

Antro de perdição

Por causa dos miúdos dos meus amigos, passei pouco menos de uma hora numa loja de brinquedos. O que eu gosto de lojas de brinquedos. Entre Legos, artigos de papelaria (carimbos! cola! canetas e lápis de cores!), carros telecomandados, jogos vários, peluches, coisas para martelar, material mini da Bosch, bonecas do Monster High, e um puto a brincar com as cozinhas, eu estava a ver que não saía dali. A atracção por coisas divertidas e brilhantes é quase inexplicável, ao início, e depois transforma-se num entusiasmo incrível. Admirei as caixas de Lego todas, Lego Friends, City e Technic, ignorei os Mindstorms porque são caríssimos, imaginei utilizações para motores da lego ligados a uma peça rotativa. E, agora que penso nisso, não vi outros dos meus jogos de construção preferidos, os eitech. Hmmm que pena não ter que lá voltar. Também encontrei um dos meus jogos favoritos de miúda (chapéus voadores, o meu era da majora, mais alguém teve isso?), trouxe para oferecer, e resisti a trazer um tragabolas para jogar cá em casa. O tragabolas era aquele jogo que todos os meus amigos queriam ter, e que eu nunca tive quando miúda, por isso é difícil passar por um e não o trazer para casa. A verdade é que anda por aí uma versão de viagem (para 2 pessoas), e por isso é difícil justificar arranjar um de tamanho normal, mas caramba, o tragabolas cá em casa trabalha quase todas as noites, aqueles hipopótamos aqui não passam fome.
Consegui sair dali rapidamente, com um único saco de compras e o sentimento de missão cumprida. Agora ando aqui a magicar uma maneira de fazer uma garagem para os carrinhos de Lego com embalagens de cartão. Há dias em que tenho cinco anos. Ou oito, vá.

18 dezembro 2013

Coisas que aprendi com o stumbleupon

Mais do que tecnologia, ciência, computadores, gadgets, internet, psicologia (de pacote), eu gosto é de me rir. Ajuda se as piadas forem inteligentes, e tiverem um contexto que faça parte dos meus interesses - computadores, ciência, tecnologia. Mas quando tenho tempo para surfar ao acaso na net, eu quero é rir-me um bocado.

Temos bacalhau

O Natal já pode acontecer.
Falta ir buscar bolo-rei, e imaginar quantos ovos se gastam nesta altura do ano. Duas dúzias? Quatro? Arredonda-se para cima ou para baixo, que nesta terra as caixas grandes de ovos trazem uma dezena?

O Natal, pela primeira vez, vai ser em Munique. A logística da coisa envolve importação de produtos típicos como o bacalhau, e a passagem obrigatória no Mitte Meer para trazer o bolo rei que só eu e o meu pai comemos, mas que faz parte e tem que haver. A vantagem maior é não ter que meter presentes embrulhados numa mala de viagem, ou ter que os embrulhar no destino com papel chungoso - porque nunca chego a tempo de ir comprar papel que me agrade, e na terrinha não há cá (lá) lojas fancy. Pois, o embrulho não é importante, mas eu gosto de embrulhar presentes e o Natal tem piada pelas coisas todas de que se gosta, embrulhar presentes incluído. Eu por mim até embrulhava os presentes da família toda (menos os meus, claro, que também gosto de surpresas).

Portanto, da tradição, temos o bacalhau e o bolo rei, leite creme e o Molotof da minha mãe, e o que mais nos lembrarmos, muito tempo na cozinha a fazer petiscos, provar, beber e lavar louça, come il faut. Com um bocado de sorte saltamos a parte da discussão monumental (da qual no ano seguinte nos rimos) e encontro um baralho de cartas perdidas, para o clássico de sueca entre um par de sortudos e outro de azarados (os pares variam). E o melhor de tudo, tenho uns dias de férias, que estou mesmo a precisar. Está quase.

14 dezembro 2013

Estamos naquela altura do ano...

a que se chama Festivus. "A Festivus for the rest of us", a genial expressão do pai do George no Seinfeld, angustiado pelo facto de uns terem Natal, outros terem Hanukkah, e outros não terem uma festa por estes dias de celebrações do solstício. O pai do George era um pouco louco, ok, bastante louco,  e tinha ideias que não lembravam a ninguém e que tentava concretizar por todos os meios possíveis. O homem que deu ao mundo o "bro" (soutien para homem), era pródigo em ideias loucas que fazem todo o sentido - algumas até para o comum dos mortais. Como o Festivus.
Agora o Festivus até tem um website.
Feliz Festivus! :o)

13 dezembro 2013

Devia haver um segundo Natal, lá para o fim de Janeiro

Passo a explicar. Não é o Natal em si, ou as prendas, ou o que se come, ou o pinheiro, presépios e afins. São as luzes. Aqui na terra da Tia Ângela eles são muito poupadinhos. Só há candeeiros de um lado da rua, e funcionam a meio gás. Uma pessoa sai a meio da noite, lá pelas dezassete horas - por extenso para não haver mal entendidos - e está escuro. Agradece-se o facto de a cidade ter mais polícia por metro quadrado do que potenciais meliantes, tenta-se adaptar a visão para o modo toupeira, e ala para casa que é tarde. Em Dezembro, por causa do Natal, a malta não se importa de pagar mais um bocado de electricidade para iluminar as ruas. Não a cidade - que é isso, decorações de Natal, façam vocês que isso parece ser caro - mas os comércios e as famílias. Por estes dias vê-se mais que um palmo à frente do nariz por causa das luzes extra. Ora tendo em conta que o solstício é lá para o dia 21, sempre podiam manter as luzes mais um mesito depois disso. Sempre alumiavam o caminho ao pessoal que tiver que andar lá fora na escuridão do Inverno.

11 dezembro 2013

Por estes dias

Há muitas festas.
Tem-se visto o sol durante a tarde.
Comido muitos doces.
Alguém fez uns mini-brigadeiros com licor (ou algo alcoólico) deliciosos. Atropelei algumas pessoas para lhes chegar. Elas compreenderam. Eu reincidi. Eram mesmo bons.
Deitar tarde e levantar cedo mais vezes do que gostaria.

Problemas filosóficos: podemos transformar um avental numa questão de princípio? Porque é que os meninos usam um chapéu de chef e as meninas têm que usar avental? É de pequenino que se cultivam os princípios da igualdade de oportunidades, da escolha, e da carneirada. Depois dizem que é genético. Acho que me vou meter em sarilhos. Detesto aventais.

Preciso de férias.

03 dezembro 2013

Ursos

 Os ursos polares não são brancos. Têm pele escura e o pêlo é um tubo transparente que reflecte a luz. Como estão normalmente rodeados de branco... parecem brancos. (link - há mais, este é só um exemplo)

Provavelmente esta curiosidade só serve para irritar pessoas. Mas inesperadamente consegui utilizá-la a propósito disto. Que é por si um exemplo de como irritar pessoas.

Delegar

Os crescidos montam a árvore - porque é das artificiais, que as verdadeiras são um pesadelo cá em casa. A miúda põe as bolinhas. Quando encontrar a bonecada, logo se vê. A minha esperança é que quando for para desmontar ela ajude a guardar tudo outra vez. Um par de mãos extra, mesmo que pequeninas, dá muito jeito, e ainda mais com a motivação e entusiasmo que só uma miúda de 5 anos tem.

30 novembro 2013

Notas soltas, antes de fechar a loja

1. Passei horas a combater adware no computador - que não faço a mínima ideia de onde poderá ter vindo, nem como passou o antivírus e firewall, até porque nem me lembro de ter instalado software algum nesta máquina. Deu luta, mas perdeu.

2. Recebi uma encomenda embalada numa caixa de cartão com dimensões mais de 6 vezes do que seria necessário. Quando vi o pacote não consegui imaginar o que é que eu teria comprado que necessitava de uma embalagem tão grande - a resposta é nada, a embalagem deveria ser bem mais pequena.

3. Mudei o motor de pesquisa pré-definido para o duck duck go. Pode não ser tão bom como o google, mas por outro lado, é bem melhor. E dá para rir. Por falar em tracking, começa a ser difícil usar seja o que for na net sem um registo prévio. Não gosto.

4. Ia comprar um livro, e depois lembrei-me que devo tê-lo. A 2300km de distância. Em momentos como este, não me importava de ter a versão digital.

5. Os vídeos de matemática do youtube são uma seca. Lentos, levam demasiado tempo a explicar o assunto. Deve haver alguns bons, mas estão soterrados pela quantidade de conteúdo muito mau. As pessoas até podiam estar cheias de boas intenções. Infelizmente não tenho tempo para confirmar. Por outro lado, os vídeos da academia Khan são bastante mais rápidos e menos maçudos. Não encontrei melhor. Se dependesse da net para gostar de matemática, estava condenada. Felizmente a minha mãe tratou disso mal teve oportunidade. Obrigada mãe.

6. Para uns minutos de diversão, procurem a vaca invisível. É giro. Muuuuu!

29 novembro 2013

Bolachinhas



Fazer bolachinhas tem o seu quê de terapêutico. Não é o juntar os ingredientes, pesar, meter no tacho, mexer. É o brincar com a massa, um pouco como se fosse plasticina. Fazer bolinhas com as mãos, cuidando para que todas as bolinhas sejam aproximadamente do mesmo tamanho, espalmar as bolinhas para que se tornem discos, colocar os discos num tabuleiro, e recomeçar, até esgotar a massa. A massa para fazer bolachas dura sempre muito enquanto estou a moldar bolachinhas. Depois de feitas, no entanto são sempre poucas.
Quinze minutos no forno - bem menos que o tempo que demorei a transformar um monte de massa em discos - et voilá. Aquilo que me ocupava a mente enquanto fazia bolinhas pode não ter desaparecido, mas agora está bem acompanhado.

27 novembro 2013

Abaixo de zero

A vantagem de ter começado a nevar, e portanto, o Inverno, é que voltámos a ver o sol. Acho que já há três semanas que o céu estava permanentemente de um branco acinzentado. Os dias que parecem quase noite - nem realmente amanhece, nem realmente  está luz suficiente para parecer dia - afectam a qualidade de vida.

22 novembro 2013

Sinos a tocar


Ainda estamos em Novembro, mas estou como as lojas, cheia de vontade de montar a árvore de Natal, embrulhar os presentes, fazer bolachinhas. Vantagens das árvores artificiais - é só tirar da caixa, não é preciso esperar que comecem a vender as árvores verdadeiras. Assim sim, é quando eu quiser.
Outros pormenores que dificultam a tarefa são a dificuldade em embrulhar os presentes que ainda não foram comprados, embora alguns já estejam à espera de ser embrulhados desde Agosto. Quando eu era miúda uma das coisas que mais gostava de fazer era andar pela casa à procura dos presentes que já estavam escondidos pelos meus pais em qualquer lado. Pergunto-me se passa pela cabeça dos meus miúdos andar à caça das coisas que já estão guardadas à espera da altura certa.
As bolachinhas, claro, posso fazer as que quiser que os miúdos fazem-nas desaparecer em três tempos. Qual guardar em caixinhas e testar a ver quanto tempo realmente aguentam em boas condições de textura e sabor. Uma semana, no máximo, se fizer a receita a dobrar, porque os miúdos comem-nas todas. E os graúdos ajudam.
Com a cabeça no polvo (bhléc) e o bacalhau, bolo-rei e molotof da minha mãe. E rabanadas. Vai ser um longo mês à espera.

20 novembro 2013

Das preocupações

(inspirado pela Rita, o post que ela refere e o artigo do NYT referido, do qual só li a parte disponível a quem não se registou)

Acho que nunca se deixa completamente de ter preocupações. Aos 20, aos 30, aos 50, aos 70. Sim, mesmo aos 70 ainda se têm preocupações. Se a nossa vida corre bem, preocupamo-nos com os filhos. Ou com os netos. Ou com os pais. Ou com o resto da família.
Se temos um bom emprego, pensamos se deveríamos ser mais ambiciosos. Se até temos ainda alguma ambição, preocupamo-nos em descobrir onde chegar aonde queremos chegar. Se estamos reformados, preocupamo-nos em como passar o tempo.

O cabelo? Eu tenho um cabelo bom - de um modo geral posso acordar e sair de casa sem sequer me pentear, que vou com bom aspecto. Ou acho que vou com bom aspecto, o que pode não ser assim tão positivo. Mas não domino o secador. Eu não sei para que servem as escovas redondas e não entendo como é que alguém as consegue usar para secar o cabelo da parte de trás. O secador é um mistério. E eu já tenho mais que idade para conhecer o secador mesmo muito bem. Prática é que nem por isso - é raro usar o secador.

O creme dos olhos faz-me bolhinhas brancas na zona onde se deveria por o creme. Quando tenho algum, normalmente porque veio de oferta com alguma coisa, acabo por usar como creme das mãos ou para os lábios. E sim, tenho mais que idade para usar creme dos olhos.

Maquilhagem. Possivelmente devia usar. Na prática, uso umas três vezes por ano, em ocasiões muito especiais. Não há pachorra. Nem para base, nem rímel, nem sombra, nem blush, nem uma data de coisas que nem sei o que são, como ou onde colocar. E aquela cena do enrolador de pestanas parece um instrumento de tortura. E não me parece que faça nada.

Beber? Funciono um bocado ao contrário da maioria dos mortais, bebo pouco. Decidi há anos deixar de beber por razões sociais, e desde então sou mais feliz. Mesmo. Não bebo espumante, mesmo que seja meia noite e passagem de ano, porque não gosto. Não bebo vinho tinto, e posso provar vinho branco mas gosto de poucos. Fico "alegre" se beber um único copo de uma bebida alcoólica e não sei o que é uma ressaca. Nem tenciono descobrir. Mas gosto de um cocktail de vez em quando, ou um copito de vinho do Porto em ocasiões especiais.

Os meus joelhos não doem, mesmo quando deviam. Ahah. Em compensação tenho que fazer desporto de vez em quando para não ter dores de costas, consequência do meu estilo de vida sedentário. Também há uns massagistas que resolvem esse problema, e é uma bela maneira de acabar com dores, receber uma massagem, mas a maior parte do tempo, um bocadinho de desporto et voilá, fico como nova. A não ser que faça outra rotura de ligamentos. Hum.

Preocupações de emigra. Vou ficar aqui até quando? 5 anos? 10? Até me reformar? Quando é que me irei reformar? E os miúdos? Vão ficar aqui? Até que ponto é que são portugueses? Quão portugueses é que são? Quão alemães são? A primeira vez que tive uma conversa demorada com o meu chefe, quando vim para cá, ele explicou-me que os nossos filhos não serão nunca portugueses, alemães, austríacos, etc., mas sim cidadãos do mundo. Quer me agrade quer não, hoje, passados 11 anos, acho que o homem tinha razão. Preocupação de mãe é agora, mas que referências é que estes miúdos têm, e com quem é que se irão identificar quando chegarem aos 20, 30 anos? Quem será, e quão grande será o grupo de gente da idade deles que terá tido as mesmas vivências de infância, se é que há mais alguém, para além dos irmãos. Eu posso falar sobre o dartacão, verão azul, gelados fizz limão, as manifs contra a pga, as 3 cadeiras no 12ºano, etc. etc., em pé de igualdade com  milhares de pessoas. E eles?

Lixo. O caixote do lixo indiscriminado só é esvaziado de 15 em 15 dias. Para obrigar a malta a reciclar. Desde que comecei a separar as embalagens, papel e lixo biológico o lixo indiscriminado deixou de ser uma preocupação tão grande - em quinze dias fazemos mais lixo do que o que cabe num caixote. Agora a preocupação é quem é que leva o saco das embalagens ao ecoponto?

Getting ou having your shit together são expressões que acho que nunca percebi completamente. Não sei bem se se referem à globalidade dos aspectos da vida de uma pessoa, ou se apenas a algumas vertentes, dependentes da situação. Penso que as duas coisas, dependendo do contexto. Mas não conheço ninguém que me pareça estar com a vida completamente sob controlo, ou livre de preocupações. Enquanto estamos vivos, há sempre alguma coisa que nos há-de escapar, ou algo por que ansiamos, ou algo que nos preocupa. E isso é bom, é sinal que vivemos, não apenas sobrevivemos.

19 novembro 2013

Um ano à Sá Pinto

Faz um ano, mais coisa menos coisa, que dei cabo de um ligamento a jogar futebol. Nada demais, não rompeu completamente, e deu-me a oportunidade de fazer uma TAC que eu achei perfeitamente genial. Deitada naquela máquina com ar de ficção científica, com instruções para não me mexer durante 20 minutos, e um barulho que parecia que estavam ali a martelar ritmicamente ao meu ouvido, fiz o que faço melhor quando não tenho nada que fazer, que é dormir. No final, a parte que eu gostei mesmo, foi de ver as imagens das secções do meu joelho, com o veredicto do médico: era um esticamento do ligamento, e não ia precisar de operação. Três meses, pelo menos, sem jogar nem fazer ski - mesmo antes da época começar - e mês e meio com uma cena de metal à volta da perna, à cyborg.  Uma animação. E fisioterapia.
Passados três meses lá fui ver o homem outra vez, e não gostei do que ele me disse, que foi pouco ou nada. Sem se querer comprometer com afirmações do que é que poderia fazer ou quando, mandou-me uma conta choruda pelos dez minutos da consulta, e mandou-me voltar lá dali a uns tempos. Resolvi que não iria voltar a vê-lo.
Só em Junho me atrevi a voltar ao ténis de mesa - uma única vez, pois senti o joelho a queixar-se, embora não tenha piorado nada. Julho e Agosto dediquei-me à natação, e as primeiras duas semanas foi quando o joelho finalmente começou a ir ao lugar, senti bocados lá dentro a esticar e encaixar enquanto nadava. Sem nunca ter tido dores. Aliás, nem no momento da lesão tive dores algumas.
Hoje foi o dia em que finalmente voltei a jogar futebol. Cheia de medo de dar cabo do pobre joelho outra vez, corri metade do que costumava correr, senti o joelho a dizer "eh pá, não sei se estou preparado para isto", mas não tive dores e aguentei a um ritmo médio com algumas paragens à baliza.
Isto vai ao sítio. Já estava fartinha de só usar o ginásio.

18 novembro 2013

Foi segunda, hoje?

Para uma segunda ser um dia maravilhoso basta que esteja sol. E que isso seja um acontecimento porque a última vez que o tinha visto tenha sido há tanto tempo que já nem me consigo lembrar. Hoje processei alguma vitamina D, e nem me lembrei de tirar alguma foto para recordar nos próximos dias cinzentos.

E depois ajuda receber boas notícias logo de manhã, uma pessoa até se esquece que é segunda e dormiu pouco de noite. Esta segunda soube a terça.

15 novembro 2013

14 novembro 2013

Do fundo do baú

Há mais de três anos, a Susana escreveu um post intitulado "1 razão científica para nos dedicarmos à meditação taoísta". Na altura achei-o tão bom que o enviei por email para todas as pessoas que na minha opinião precisavam de dar uma boa gargalhada. Hoje voltei a lê-lo, e a rir-me quase tanto como da primeira vez - e da primeira vez só me ri mais porque o li repetidas vezes. A Susana escreve poucas vezes, mas quando escreve é de ir às lágrimas. Vou continuar a guardar este link, para aqueles dias em que tudo parece cinzento. Ou para me inspirar quando tiver problemas com alguma multinacional.

13 novembro 2013

Ganhar o dia

Às vezes é tão difícil lembrar-me de expressões portuguesas.

Da escuridão

São sete da tarde noite e já estou cheia de sono. Não é por muito madrugar. O sol pôs-se às 16:39, se bem que esta frase é um exagero poético, que eu não vi sol nenhum hoje. Não gosto do horário de Inverno, mesmo que este seja o horário "natural" e o adaptado seja o horário de Verão. Que me interessa se o sol "nasce" às 7h17 em vez de às 8h17, esta hora roubada ao fim do dia é a que me faz falta. E dá sono.

12 novembro 2013

Como frustrar um espertalhão

Um tipo arranja um vaso com uma planta e coloca-o no escritório. Pendurado no tecto. Com a planta a crescer para baixo.
Falar com o tipo no dito espaço como se aquele arranjo nem estivesse ali. Plantas penduradas ao contrário? A coisa mais normal do mundo. Encontram-se aqui, por exemplo. Um cacto morto, isso sim, é muito mais difícil de obter. Agora que penso nisto, aquele vaso pendurado ao contrário é perigoso. Um dia destes o tipo vai-lhe dar uma cabeçada. E corre o risco de ficar com uma planta a fazer de cabelo.

11 novembro 2013

Coisas doces com muito açúcar


Vi aqui, e tive que fazer. Mini bolachas com pepitas de chocolate (compradas), merengue italiano, e chocolate derretido em cima. Muito bom, para comer frio.
(Para quem nunca tinha usado um saco de pasteleiro nem um termómetro para comida na vida, nada mal.)

10 novembro 2013

Papel e cartão

A H&M enviou-me um catálogo. Eu devia estar bem disposta, afinal era fim de semana (que aqui entregam correio ao sábado), e em vez de o deitar directamente no lixo, quer dizer no caixote da reciclagem, sem sequer o levar para dentro de casa, abri o dito catálogo. Dei uma vista de olhos. Encontrei uma única peça de roupa que até poderia ter comprado. Fui à net, procurar a dita peça, com o intuito de a encomendar. Não havia. Estava esgotada na maior parte dos tamanhos, incluindo o meu, com tolerância de um tamanho abaixo e outro acima. Mas porque é que eu perdi tempo a ver o catálogo? Foi parar ao lixo. Caixote azul, reciclagem de papel. Eu nem gosto de compras à distância.

06 novembro 2013

A minha orquídea tem um bebé

Tenho uma orquídea que um dia começou a deitar folhas e raízes novas no caule, a uns 20cm de altura. Achei aquilo estranho, eu sou perita é em matar plantas, e fui perguntar ao meu amigo que percebe de flores. Diz que a orquídea está a ter um bebé, e mandou-me ir ao google ver vídeos para descobrir exactamente onde cortar, para transplantar o bebé para outro vaso. Calha bem, até tenho um vaso com coisas de orquídea lá dentro de uma que morreu recentemente.
Nunca tinha tido uma coisa destas - é espantoso. Eu, que matei um cacto de sede - aguentou uns anos mas até um cacto precisa de água de vez em quando - agora tenho orquídeas a reproduzir-se. Extraordinário.

04 novembro 2013

Aquelas tabletes da Milka às quais falta um quadrado

Se calhar estou a ver mal mas...
...agora há umas tabletes de chocolate com um quadrado em falta. No verso da embalagem, diz que se quiseres esse quadrado basta mandar uma mensagem para um determinado local, e eles enviam...
...na mesma prateleira do supermercado, há tabletes de chocolate completas, ao mesmo preço. Estão a ver qual é que comprei?

(Mas há alguém no seu perfeito juízo que compre uma tablete incompleta de propósito para depois pedir o quadrado em falta mais tarde? O que é que me está aqui a escapar? O chocolate não era suposto ser uma recompensa imediata? E quanto chocolate a Milka deixou de vender por causa disto? A julgar pela quantidade que ficou no supermercado...)

02 novembro 2013

Segurança

Hoje em dia para um único serviço pedem-me para criar tantas senhas, pins, perguntas de segurança, nome de utilizador, todos com uma data de regras que não fazem sentido lógico para a minha imaginação, que mal acabo de criar um perfil com as tais senhas, pins, perguntas e respostas de segurança, nome de utilizador, email, e sei lá mais o quê, já não me lembro de mais de metade dos dados que criei. Segurança perfeita, nem eu consigo entrar na conta.

23 outubro 2013

Quem é que disse que tinha de escolher?

Fartinha de usar sapatos rasos no trabalho, e analisando a frio o problema de usar saltos na rua - principalmente a dificuldade de andar em certos passeios e conduzir - decidi escolher algo diferente. Inspirada por um senhor* - na verdadeira acepção da palavra - recusei-me a escolher: agora tenho sapatos rasos no carro para conduzir e andar na rua, e uso os sapatos de salto no trabalho. O conforto e a alturidade necessária nesta terra de gente grande.


* ok, ok, este senhor de quem falo não usa sapatos de salto, que eu saiba, mas tem sapatos de conduzir, essa é que é a verdadeira inspiração.

Eu sou uma pessoa que fica feliz com pouco

Salada de frutos exóticos no menu do almoço. Cortada à minha frente. Fruta vinda especialmente do fornecedor que tem fruta madura absolutamente maravilhosa - para quem mora aqui, encontrar fruta amadurecida naturalmente, em vez de colhida verde e amadurecida num frigorífico sabe-se lá onde, é um verdadeiro achado, e no caso de frutas como papaia, manga, melão e melancia, quase impossível.
Já ganhei o dia.

22 outubro 2013

E agora para algo completamente diferente

A propósito dos cortes e tal, podíamos ter uma assembleia com um deputado de cada partido apenas. Quando fosse para votar alguma coisa, pesavam-se os votos de cada um consoante a percentagem de votos que tinha tido nas eleições. Teríamos o menor parlamento do mundo, e no fundo, ia dar ao mesmo. E deixava-se de falar em "disciplina de voto". Gastava-se menos em garrafinhas de água também.

19 outubro 2013

Ao virar da esquina



Ao passear pelas ruas de Barcelona, dei com um palácio com as portas abertas. Entrei, porque havia uma exposição que dizia que era grátis - eu não tinha muito tempo, não ia pagar para me entreter por meia hora - e acabei por ir ver outra. (O link é da exposição que efectivmente fui ver.) Por engano, por acidente, por acaso do destino, por uma sorte desgraçada. Afinal, em vez de ir espreitar a exposição de moda de Barcelona (não sei pormenores, estava fechada naquele dia), entrei pela porta de uma exposição de uma ilustradora catalã. Alegria, meus amigos, o que eu gosto de ilustrações e de desenhos, o que eu gostei daquelas histórias em três línguas - catalão, espanhol e inglês - o que eu me ri com a bruxa que encontrou uma moeda de ouro e decidiu casar-se, o que me emocionei, e me ri, com a história do nascimento das três gémeas, que divertida a história da girafa e seus amigos que decidiram tornar-se músicos e cantores. Que imaginação fantástica que levou uma artista a fazer malas, cozinhas de brincar de todos os tamanhos, pequenos teatros de marionetas, instrumentos musicais, tudo em cartão, um material mais que disponível. Lindo, maravilhoso, inspirado e inspirador, adorei. O que eu gostava de saber desenhar assim. A foto é de páginas de um caderno da autora, Roser Capdevilla. A ver, se estiverem por Barcelona até 27 de Abril do próximo ano.

18 outubro 2013

30º 60º 90º

Imaginam o que é dormir com uma máquina de lavar ao lado, sempre no ciclo de centrifugação? E se a máquina estiver constantemente a trabalhar, dia e noite, sem parar? E se forem várias máquinas ao mesmo tempo?

Fartinha de rogar pragas ao tipo que me escolheu o poiso para estas noites fora de casa. Não sei como é que alguém consegue dormir aqui. Nem sei como é que eu própria, habituada ao silêncio total, consigo.

16 outubro 2013

O karma é lixado

Hoje quase que morria engasgada com uma espinha de peixe que se me espetou na garganta. E nem sequer sei que peixe estava a comer. Venderam-mo como pescada mas era mais parecido com truta...
Era só o que me faltava, uma lápide a dizer que morri engasgada com um peixe de identidade desconhecida.

Um dia de Outono

Tem dias que não me importava nada de viver num sítio assim.


Everytime I go away

15 outubro 2013

Quem vai ao mar perde o lugar

Quien se fue a Sevilla, perdió su silla. Qui va à la chasse perd sa place. Pois se é para perder alguma coisa, que seja por ir ao mar...

12 outubro 2013

Admirável mundo novo

A Marie Claire UK traz de oferta um creme de mãos que vale mais tem um pvp superior ao da revista. Estou tentada a comprar o creme (que é dos meus favoritos) e deitar fora o brinde (a revista).

Eu pensava que eram os portugueses

Os espanhóis são os mestres do "fazer em cima do joelho". Deixar para a última hora. O cúmulo da descontracção.

08 outubro 2013

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Andava a ver o site da asos, numa de "ver montras", e mais uma vez pareceu-me que a maioria das modelos que eles usam são muito, mas mesmo muito, miúdas. Eu gosto muito da maneira como a asos apresenta os seus produtos: fotos que não parecem ter sido muito alteradas por fotoshop, e vídeo de passerele que dá para perceber se a roupa é demasiado curta, demasiado transparente, e como é que assenta... a uma miúda de catorze anos. Aqui é que a porca torce o rabo. Que eu não tenho 20 anos nem vontade de usar roupa roubada do armário de uma hipotética filha adolescente que também não tenho (ainda). Portanto, modelos magras, não tenho problemas, modelos com idade para ser minhas filhas, não pode ser. E aqui fico com a sensação que a asos está a excluir uma fatia muito grande do mercado: há mais gente com 30 anos ou mais do que gente com 30 anos ou menos e que não se importa de se identificar com a imagem de adolescente. Ou pré-adolescente. O que é pena, porque às vezes preciso de roupa nova e não tenho paciência ou tempo para ir às lojas, mas acabo por não conseguir comprar certas peças que me agradam porque estão ali a ser vestidas por uma miudita, que muitas vezes mal se consegue equilibrar em cima dos saltos que a mandaram usar.
 Ao indagar se haveria mais alguém com opinião sobre os modelos do site da asos - a internet é realmente uma fonte inesgotável de apontamentos sobre as coisas menos importantes que se possam imaginar - encontrei o awkward asos models. Este tumblr publica imagens de modelos da asos com o ar mais estranho - desde o permanentemente pensativo até ao adolescente com ar de sem-abrigo. Pronto, já é velhote e deixou de publicar, mas mesmo assim tem piada.

01 outubro 2013

Munique em grande velocidade

Para os amigos que vêm à cidade em turismo, tenho uma colecção de sítios onde os levar, consoante a disponibilidade de tempo e a previsão metereológica. E esta lista é só a dos sítios onde se pode ir com um bilhete de metro. Aqui fica, para consulta futura, mas sem fotos que não me apetece andar a vasculhar o meu vasto arquivo.
 
-  Castelo e parque de Nymphenburg (tem partes gratuitas, mas a visita dentro do castelo penso que se paga), é visita para umas horas, dependendo se se fazem as visitas guiadas; 
 - Zona pedonal: desde Karlsplatz até Marienplatz, passando pelo Viktualienmarkt. Em Marienplatz há diversos cafés/restaurantes com esplanadas, incluindo o Glockenspiel, no edifício em frente à câmara - fica no quarto andar e tem vista para (surpresa!) o Glockenspiel. A câmara (Rathaus) situa-se na Marienplatz, ao meio dia (também às 11h00 e às 17h00, mas estas horas não garanto) dá as horas com uns bonecos lá em cima que dão umas voltas enquanto tocam os sinos do glockenspiel. Ao lado do Viktualienmarkt há uma Victorian House de que eu gosto muito (casa de chá inglesa, têm scones e crumpets com lemon curd);
-  Passagem pela Ópera, e na Residenz que é ali ao lado; a Maximillianstrasse nessa zona é um must (é a rua hiper chique de Munique); 
 - Também vale a pena passear na zona que continua até isartor; a Hofbräuhaus fica por ali - é uma boa alternativa à Oktoberfest e está aberta todo o ano; 
- Englischer Garten com passagem na "onda" e na torre chinesa, possível paragem no biergarten;

- Museu BMW (têm visitas guiadas em inglês, mas convém telefonar a marcar porque costumam esgotar); 
- outros museus interessantes: as três pinacotecas (eu gosto da moderna), e o deutsches museum. As pinacotecas têm bilhetes mais baratos ao domingo. Há diversos museus de arte e temáticos, óptimos para passar dias chuvosos.

- Para quem gosta de igrejas: as mais famosas são a Frauenkirche (entre Karlsplatz e Marienplatz) e a Theatinerkirche perto de Odeonsplatz. Em Odeonsplatz há também um parque o Hofgarten, e na entrada costuma haver músicos ou outros artistas.

- Para quem já viu o centro todo e também foi ao Museu da BMW, há ainda o Olympiapark, com o estádio olímpico e a Olympiaturm, que oferece vistas panorâmicas lá do alto e ainda um restaurante que roda em volta da torre.

30 setembro 2013

O mundo a conspirar

A minha melhor amiga daqui vai-se mudar para longe. A minha amiga do coração, que partilha do meu sentido de humor, inteligente, leal, divertida, vai-se embora. Estou a dramatizar, a distância não é assim tanta, hora e meia de avião mais os tempos mortos (ir para o aeroporto, esperar pelo embarque, rezar para que não esteja overbooked, voar, esperar pela mala, viagem até ao destino final), mas vai-me custar tanto.
A minha amiga que me bate à porta quando precisa de ajuda, a minha amiga que me dá uma mão sem hesitar sempre que lhe peço, a minha amiga que conta histórias mirabolantes e tem ideias geniais, a minha amiga com um bom senso e sentido de justiça bem acima da média, a minha amiga-irmã que fica sempre do meu lado quando as coisas me correm menos bem.
Ela ainda não se foi e já estou cheia de saudades.

28 setembro 2013

A agonia da escolha

Preciso de enviar uma foto para acompanhar um resumo do meu CV. Não tenho nenhuma foto profissional, nem de fato, nem, em poucas palavras, uma que goste. Estou a pensar em mandar uma com o equipamento de motard vestido. Pelo menos deve ser original.

Atirar com o telefone

Alguém dizia que os adolescentes de hoje provavelmente sentem uma enorme frustração por não poderem desligar o telefone na cara de alguém com a violência dos tempos dos telefones à antiga.
Não se pode sentir a falta de algo que nunca se experienciou.

24 setembro 2013

Défice de atenção

Há uns tempos discutia com um amigo qual a duração ideal de um vídeo publicado na internet. Ele argumentava que seriam alguns minutos (uns 3? já nem me lembro). Na minha opinião, qualquer coisa com mais de 30 segundos tinha de ser verdadeiramente excepcional para captar a atenção. E se calhar, estes 30 segundos já são um exagero, metade devia ser suficiente.
Não sei se isto é apenas verdade para mim, e a minha amostra de pessoas disponíveis parecidas comigo, ou se será válido para a minha faixa etária e a faixa ligeiramente acima da minha (a geração X), famosa por ter um défice de atenção elevado.
No meu caso, tenho uma velocidade de leitura muito rápida, escrevo no computador quase à velocidade do discurso falado, falo também bastante depressa - principalmente na minha língua materna - e não gosto de perder tempo. Sou despachada, evito filas sempre que posso, tento optimizar o tempo de forma a desperdiçar o mínimo possível. Afinal de contas, a vida é curta. E quanto aos vídeos?
Ninguém fala tão depressa quanto eu leio, pelo menos de forma inteligível. Se o vídeo for daqueles de "conversa", se houver possibilidade de ler a transcrição, é isso mesmo que vou fazer. Além da questão do tempo, há a questão da maneira como a minha memória funciona: tenho muito mais facilidade em lembrar-me de informação escrita do que ouvida, principalmente se for informação técnica. Por outro lado, se houver bons gráficos num vídeo (ou quadro, ou apresentação), essa forma de escrita pode ajudar-me a reter a informação.
E os vídeos de lazer? Durante o dia tenho tendência a não ter tempo para eles. Se me enviarem um link muito bom guardo para mais tarde - e às vezes fica para dia de S.Nunca porque o tempo livre que tenho para vídeos é extremamente curto. Tudo o que for vídeo da net e abro tem 5 a 10 segundos para provar que vale a pena. Muitas vezes chego à conclusão que não devia ter perdido tempo com os vídeos que obrigam a aturar uns segundos de publicidade antes de começarem - muitas vezes perco mais tempo a ver a publicidade do que a efectivamente ver o tal vídeo me me mandaram.
Finalmente, a televisão e afins.
Eu não costumo ver filmes. Durante o dia não tenho duas horas livres, e à noite... devo estar cansada. Os filmes duram tanto tempo que eu adormeço a meio. Andei um mês para ver o Mon Oncle, e nunca o consegui ver de uma ponta à outra. Na televisão, então é uma desgraça, vejo um bocado e nunca mais apanho o resto. Sobra o cinema. Para o qual também tenho muito pouco tempo. Gosto muito, mas é um bocado como os livros, só há disponibilidade nas férias. Portanto, é uma hipótese bastante limitada.
Os meus vídeos favoritos, são séries. Em DVD, as séries completas para ver episódios uns atrás dos outros, ou não, consoante a vontade. Ando sempre à procura da próxima caixa que valha a pena. Episódios entre 20 e 45 minutos, idealmente.
Quanto aos vídeos na net, há quem tenha feito contas e diga que os vídeos visualizados na net no ano passado têm em média pouco mais de 5 minutos. (fonte) E que, talvez por causa de pessoas como eu, há cada vez mais serviços  de publicação de micro-vídeos. Por mim, óptimo. Já agora, para quando o nextflix sem restrições na Europa inteira? :D

Dos livros

Lia (leu, li), os livros da bibioteca todos. Bem, todos não. Lia (leu, li) todos os livros da secção infantil da biblioteca. Todos os que se podiam levar emprestados (levar para casa), aos cinco de cada vez, e no dia seguinte ia trocar por outros. Todos os que eram apenas para leitura na biblioteca, passara (passou, passei) manhãs infindas a ler um atrás do outro. Quando a biblioteca recebia livros novos era uma alegria, logo que estavam prontos a ser emprestados, para leitura no local ou fora, eram imediatamente devorados.
Lia (leu, li) aí uma metade dos livros da secção juvenil. Nunca leu (li) os livros classificados para gente crescida, ou por temas, embora continuasse a usar a biblioteca para estudar matemática com as amigas.
Depois da biblioteca, os livros passaram a ser companhia de férias. Livros grandes, pequenos, devorados a grande velocidade nas horas contadas do verão e do Natal. E às vezes livros de contos, antes de dormir, um conto por noite porque os livros de contos não se devem ler de uma ponta à outra como se não houvesse amanhã.
Quando vieram os miúdos, regressou (regressei) aos livros infantis. Desta vez a escolher o que se lê pelo conteúdo, pelo autor, pelas ilustrações. A preferir autores portugueses, personagens com nomes de miúdos que lhe (me) poderiam ter feito companhia na escola, realidades com que se (me) identifica (identifico). Livros que são como algodão doce, almofadas de penas, a cama quando se acorda de manhã e é fim de semana e faz sol.
Dos outros livros que lê (leio), pesados, com letras pequenas, que fazem ler para trás e para a frente, de tantas referências que têm, não se contam histórias.

20 setembro 2013

Das companhias low cost

Não sei como é que vou conseguir meter roupa para mais de uma semana dentro de uma única mala. Bagagem de mão. Com a dificuldade acrescida de que tem que ser roupa de trabalho. A cereja no cimo do bolo: vou precisar de roupa para o frio e para o calor. O pior de tudo vai ser escolher os sapatos.
Problemas de primeiro mundo, né.

18 setembro 2013

Por aqui também há eleições

Se pensam que encontraram tesourinhos deprimentes nos cartazes das eleições autárquicas, olhem só o cartaz que puseram a decorar a cidade de Munique:




Poste sim, poste não, um destes. Há ainda uma outra versão em cartaz gigante. Ando há 19 dias a olhar para estes rabos republicanos. A pergunta que eles fazem é "que rabo é que você vai escolher a seguir?" (rabo tem duplo sentido). As cores dos rabos: vermelho, verde, preto e amarelo correspondem respectivamente aos quatro maiores partidos políticos. Aquilo que realmente me pergunto é: onde é que arranjaram gente para fazer isto? Será que este cartaz é a prova que os alemães usam qualquer desculpa para tirar a roupa? Dois dos rabos parecem ser de mulher e outros dois de homem, estarei enganada? E finalmente, será que isto conquista votos?

(já não escrevia um post sobre rabos alemães há demasiado tempo)

17 setembro 2013

Genial - blog do dia

Por causa de uma pesquisa na net que nada tinha a ver com blogues, fui dar ao do Mauro Souza, e que achado este blogue se revelou. O Mauro é ilustrador, e os desenhos e ilustrações que publica no seu blog são geniais. Adoro as cores, o preto e branco, os bonecos, tudo. Estou capaz de desatar a comprar os livros infanto-juvenis que ele ilustrou só para me deliciar a ver as imagens. Vão lá ver, é lindo mesmo.

16 setembro 2013

Está bom é para trabalhar. Dentro de quatro paredes. E um tecto.

O verão acabou. Acabou no dia em que regressei de férias, no instante em que atravessei a fronteira geográfica que, no fundo, também é uma fronteira metereológica. Já não vejo o sol há uns dias, tempo demais. Para contrastar, alguém ligou as notícias na televisão, que eu tenho por hábito não ver, e apanhei o momento da previsão do estado do tempo. Calor, sol, e fogos florestais em Portugal. Cinzento e frio por aqui. O (supostamente inteligente) sistema de aquecimento central está naqueles dias em que não sabe se há-de decidir ligar-se ou não, se está mesmo a arrefecer ou se são só umas horas de tempo mais frio. Volto a ser visitante assídua dos sites de previsão do tempo. Amanhã, 12 graus de temperatura máxima. Acho que está na altura de acender uma fogueira a lareira.

11 setembro 2013

Não percebo

A cena de tirar fotos aos saltos. Em espaços públicos. Onde mais ninguém anda aos saltos. Sem nenhum motivo de alegria em particular. Não percebo isto de dar saltos para a fotografia. E depois, ficam ali a pular às meias horas, até que o fotógrafo apanhe uma do instante certo. Estranho.

03 setembro 2013

Aquele momento estranho

Ia desejar os parabéns ao rapaz que faz anos, e comecei pelo início:

"Parabéns."
As mensagens deste género começam sempre assim. Depois acrescentei,

"onde quer que estejas".
E pensei, isto soa estranho. O rapaz está vivo, ainda alguém pensa que lhe aconteceu alguma coisa.
Ia escrever também: "sei que isto soa esquisito, mas tanto quanto sei, estás no meio do mar".
Reconsiderei, isto parece ainda mais estranho - e caso de polícia. Ainda me vêm bater à porta a perguntar pelo rapaz, e eu nem vou poder dizer mais do que um "sei lá, deve estar no meio do mar - e nem sei qual."
Apaguei tudo. Escrevi apenas parabéns. Não se podem mandar mensagens personalizadas a marinheiros.

01 setembro 2013

O amor aos gelados

Há muitos anos atrás - na realidade já não me lembro há quantos, mas "muitos" é relativo, e para mim foi há uma ou duas vidas atrás que isto aconteceu - tinha por hábito comprar gelados no shopping. Isto no tempo em que os stands no meio dos corredores ou nas zonas de cruzamento eram novidade. Na lojinha dos gelados onde costumava ir, havia um rapaz que era sempre uma simpatia. Ou me fazia umas bolas maiores, ou me dava uma bola extra, já não me lembro bem, mas tinha sempre um gesto simpático que eu agradecia com um sorriso. Os sorrisos não custam nada e alegram o dia à maior parte das pessoas, pensava eu (e ainda penso). Hoje em dia não sei bem se aquilo era só simpatia ou se eu é que não percebi que o rapaz andava a ver se arranjava coragem para me perguntar se queria ir tomar um café com ele. Eu nestas coisas sempre fui um bocado inocente.
Durante este verão escolhi uma gelataria pelos gelados maravilhosos que tinham. Das primeiras vezes fui servida por um senhor que fazia umas bolas de gelado bem grandes - isto de aliar a quantidade à qualidade é um factor essencial - mas mais tarde calhava-me sempre uma rapariga nova. E não é que a rapariga, provavelmente compartilhando a minha apreciação por um bom gelado, de cada vez que eu lá ia me oferecia sempre um gelado novo para eu provar?
Por artes do destino e sortes de pneus furados, fui parar a uma outra terra que normalmente evito no verão, com tempo para gastar e pouco ou nada que fazer. Encontrei uma gelataria italiana onde só entrei porque estava vazia e eu precisava de paz, onde o empregado brasileiro me fez um batido de gelado e fruta a pedido, absolutamente perfeito. Quando percebeu o quanto eu aprecio gelados, tornei-me a cobaia dos sabores: provei gelados de tiramisu (maravilhoso, e eu nem gosto de tiramisu) e de figo. Fiquei com pena de não ter mais tempo morto ou a capacidade de encher a barriga de gelado porque se pudesse era ali mesmo que eu ficava a deliciar-me.
De onde deduzo que a única coisa que a malta dos gelados tem em mente é que as coisas boas devem ser partilhadas. E eu concordo.

31 agosto 2013

Memórias dos últimos dias

Os incêndios em Trás-os-Montes. Vi uns quatro ao longe, enormes, helicópteros a voar baixo transportando água fumo branco, fumo preto. Montes ardidos, o fogo a chegar perto das casas em alguns locais. Horrível. Um monte ardido, num fogo antigo, e um aspecto curioso: no meio do preto todo que tinha ficado para trás, um rectângulo de oliveiras relativamente novas que escapou. Perguntei a quem sabe, como é possível escapar um terreno no meio de tanta área ardida, e a resposta veio pronta: os olivais devem ser lavrados. Em sendo lavrados o fogo por ali não passa, pois não tem por onde arder. Pareceu-me sensato, e depois reparei que há imensos olivais novos na região. Pode ser que parte da solução para os incêndios esteja, ironicamente, na agricultura.

30 agosto 2013

Tenho que ir

Coisas que espero recordar daqui a dez meses, no caso de ter hipótese de voltar a ter umas férias tão compridas como estas:
1 - quando fizer a mala, não preciso de trazer a roupa de verão TODA. Metade chega. Roupa para uma semana, e uma muda de roupa quente, chega perfeitamente. Lá porque vou estar num sitio durante quase dois meses isso não quer dizer que tenha que trazer a casa toda atrás. E aquela t-shirt que já não uso há cinco anos, provavelmente já devia ter outro dono.
2 - a mesma coisa para a mala da miúda. No verão não é necessária assim tanta roupa. Se for preciso, lava-se, numas horas fica logo seca e pronta a usar.
3 - da próxima vez, fazer de conta que a mala do carro tem metade do tamanho. Estou sempre a dizer que antigamente os carros eram bem mais pequenos e chegavam para tudo. Quanto mais espaço se tem, mais tralha se anda a passear pelo mundo. Para nada.
4 - a ideia de trazer uma caixa (pequena) com os brinquedos da miúda foi genial. Já a colecção de DVDs a ver durante as férias precisa, claramente, de diminuir de tamanho para metade. Ou um terço.
5 - menos malas. Se planear trazer menos malas, talvez traga/leve menos tralha.
6 - ter em conta que uma coisa são as coisas que se trazem, outra é a esperança de que haja espaço na mala do carro para, ao partir, esvaziar o supermercado (sim, estou a exagerar - mas nos meus sonhos seria mesmo assim). E por falar em supermercado, ainda tenho que ir comprar tremoços. E sumol.

29 agosto 2013

Das compras e vendas online

Nunca fui muito amiga do ebay - a primeira experiência correu-me mal e nunca voltei a confiar nele - ainda assim, de vez em quando, vou espreitar o site, a ver como aquilo anda. Da última vez (penúltima, vá) pareceu-me que se tinha transformado num local onde muita gente expunha produtos de lojas ou grandes negócios que iam bem para lá da compra e venda entre pessoas normais, por assim dizer. Venho de mais uma espreitadela com a impressão de que o ebay dos leilões  deixou de existir. Os power sellers transformaram-se simplesmente em vendedores, o site numa grande montra profissional, para profissionais, e os tipos que se fartaram do carrinho telecomandado e o querem vender em segunda mão, demasiado difíceis de encontrar no meio da barafunda. 

28 agosto 2013

Uma sorte do caraças

Há dias em que as coisas correm menos bem, e os planos que tínhamos vão por água abaixo num minuto. Alteram-se os planos, espera-se que os problemas sejam resolvidos, aproveita-se a situação da melhor maneira possível, pratica-se um modo de ser zen que não nos é particularmente  familiar, e agradece-se ter-se uma miúda de 5 anos para quem a vida é sempre uma festa.
E há dias em que se planeia uma coisa, corre tudo mal, e no fim tudo se torna muito melhor que o plano original. Perdemo-nos no meio do nada, passamos o carro por uns quelhos onde sobram escassos centímetros de cada lado, bebemos das fontes à beira da estrada - nem sabia que ainda havia disso - chegamos tarde e mal, e cheios de fome, ao restaurante escondido noutro buraco e que ainda para mais não servia refeições - mas encontrámo-lo, caraças. Plano B, o café mais perto, só para sócios  e viajantes com ar derreado, ar fresco, sandes, bebidas e melão, gente simpaticíssima, e no fim, indicações como encontrar o paraíso. Sim, aquele mesmo que se encontra a decorar a parede do local que nos salvou de morrer de fome e sede. Seguimos caminho, paraíso encontrado, pequenos contratempos ultrapassados, e ficamos por ali a desfrutar enquanto nos apeteceu. No regresso, mais uma vez a incapacidade de seguir por uma estrada onde passassem dois carros - não sei se por inexistência dela ou apenas falta de sinalização - muitos montes, muito verde, alguns sustos com carros em direcção contrária. Muitas gargalhadas de felicidade, que bem que nos soube este dia de aventuras.

23 agosto 2013

Luas


Uma das vantagens de se passar muito tempo no mesmo sítio é olharmos para as coisas com mais atenção. Com os mesmos olhos, mas olhando de maneira diferente a cada dia, ou a cada noite. Por exemplo, a lua. Quando estou em casa a maior parte das vezes nem me lembro que há lua,e quando me lembro, o mais frequente é nem a poder ver. Pessimista talvez, realista quiçá, a verdade é que o céu nublado, aliado ao facto de as luzes da cidade impossibilitarem que se vejam as estrelas, fazem com que a minha curiosidade sobre o que se passa lá por cima acabe por se limitar ao anseio de que faça sol durante o dia. De noite, não vejo nada.
Da lua, que não vejo durante a maior parte do ano, reparei agora que aparece, ou nasce, em sítios diferentes e a horas diferentes consoante a fase da lua. A lua cheia aparenta ser maior, nasce mais tarde e mais para nordeste que um quarto crescente, por exemplo. Vi o luar a brilhar no mar, como que iluminando uma estrada de águas calmas, e desejei estar num barco ao largo, só para ver aquela luz de outro ângulo.


21 agosto 2013

Bonecos

 Não fui ver os Monstros ao cinema em Julho, e agora ando há semanas a ver se ele volta a aparecer, numa sessãozita que seja, nem que fosse tarde e a más horas, mas nada.
Recuso-me a ver os Smurfs enquanto não lhes chamarem Estrumfes outra vez. Não gostei muito do Cars pelo que não estou interessada no Planes. Se calhar estou enganada e estou a perder um grande filme, mas duvido.
Sim, eu no verão vou ao cinema. Tenho tempo, há sessões na hora de maior calor em que não se deve estar na praia, lá dentro está fresquinho. E gosto muito mais dos cinemas em Portugal, mesmo os mais antigos. Batem aos pontos o cinema onde vou em Munique. E parece-me que por cá mostram muitos mais filmes de animação - os meus preferidos.
O ponto alto deste verão foi o Gru. Um filme muito engraçado, ganhou muito em relação ao primeiro em grande parte por terem aumentado imenso o protagonismo dos minions, e a miúda mais velha é um must, quando crescer vai partir, literalmente, muitos corações eheh. Não me importava de ver outra vez, mas o mais certo é que o DVD acabe lá em casa pelo que o prognóstico é de repetições frequentes, pelo que não vale a pena gastar o dinheiro dos bilhetes de novo. E por falar em filmes de animação, não sei me está a escapar qualquer coisa mas parece-me que já não mostram versões originais no cinema. Alguém confirma? Eu adorava ver as versões originais com os meus amigos e as versões dobradas com os miúdos, mas não encontrei versões originais na minha pesquisa na net, nem nos cinemas do Algarve. Estranho.

20 agosto 2013

zzzz

Constipação de verão. Tosse seca, dor de garganta, dor de ouvidos. Primeiro esperei que passasse, depois, como não passou, lá fui a farmácia. Deram-me um anti-inflamatório e um xarope para a tosse.
Tomei as duas coisas, ri-me da caixa do xarope ("pode influenciar a condução de veículos ou maquinaria pesada"), e... dormi. Dormi de noite, dormi de dia, perguntei-me mas porque será que tenho tanto sono, e finalmente o meu cérebro adormecido atingiu. Não, não foi o nirvana.  Foi o xarope. Quando tiver insónias já sei como se resolve o problema. No entanto, enquanto puder vou evitar aquele líquido do demo, que tenho mais que fazer e não quero dormir o dia todo.

18 agosto 2013

Este se calhar é só para emigras...

...a aproveitar o facto de estar"no meu país" e o youtube me deixar ver tudo. Todos os links que os amigos deixam no facebook. Vídeos para testar se sei o nome de uma música qualquer. Links de blogues. Sugestões do próprio youtube.
Ainda me lembro do tempo em que a internet não tinha filtros regionais, nem detectava nem mudava língua nenhuma automaticamente, nem decidia por mim o que é que eu podia ver ou não. E não é memória de elefante, não. Antes fosse. Agora dou por mim a testar o que é que posso ou não aceder conforme o país em que me encontro. Qual a versão de big brother que está instalada dependendo do sítio ou modo de acesso. Se os sites detectam a língua consoante as definições do sistema operativo ou do país do ISP. Um dia achei que a internet era maravilhosa porque era livre. E foi.
(E fui também ver este, por causa deste meu post.)

17 agosto 2013

Aquela malta que...

...vai comer e fala de comida, acaba de comer e continua a falar de comida, por horas e horas, ad aeternum? Cansa. Enche.

10 agosto 2013

Moda

No ano passado comprei uma t-shirt que tem umas caveiras com cabelo estampadas, e uma tinha ainda um chapéu. E rosas, acho que tinha rosas. Só passados uns meses percebi que era uma referência a uma das bandas da minha adolescência, os Guns'N Roses. Bem, nem fui eu que reparei - eu só gostei da estampa - a minha irmã é que notou. É natural, afinal ela fartou-se de desenhar aquelas caveiras do tempo do Use your illusion (I e II).
Este verão comprei outra t-shirt com uma caveira na frente. Esta diz "In Bloom". Eu li aquilo e pensei "Nirvana". Pergunto-me quantas miúdas terão aquela t-shirt no armário e nunca ouviram o "In Bloom".

(inspirado pela São João)

(Por falar em São João, Rui, vai ver o Febre dos Fenos que é genial.)

07 agosto 2013

Pára tudo!

O wordpress dá para fazer follow de blogues por email. E para enviar os posts novos por email com a frequência desejada (imediatamente, a uma certa hora, uma vez por semana).

Descobri um blog novo

(ó tempo que isto não me acontecia)

O blog em si não é novo, é novo para mim que não o conhecia. Estava na barra lateral da Wallis e suscitou-me curiosidade suficiente para ir espreitá-lo. Chama-se Um casulo com varanda, e vai já para o meu feeder. Enquanto não publica posts novos (publicou um hoje, não estou aqui a queixar-me de nada!), leiam os arquivos, como eu. É uma delícia.

05 agosto 2013

De mal a pior, e de mal a melhor

Primeiro acabam-me com o reader, depois vejo-me obrigada a mudar para o feedly (o que eu resisti!), agora o feedly vai passar a ter uma versão "pro", por uns meros 5 euros (ou dólares?) por mês. De onde se deduz que provavelmente a versão grátis vai passar a ter anúncios, e outras coisas que estragarão o serviço que nunca chegou aos calcanhares do reader. Será porventura a altura ideal para procurar outras maneiras de ler os feeds - contaram-me que há uns serviços que os enviam por email que talvez sejam interessantes, ou quiçá, programar um leitor de feeds (não estou com vontade nenhuma) levezinho comme il faut. Enfim, suponho que seja assim que o mundo ande para a frente, e que a tecnologia evolui, umas coisas acabam-se para dar lugar a outras, não necessariamente por esta ordem de consequências.
Assim como assim estamos em Agosto e a blogosfera está de molho, pelo que não há grandes riscos de perder posts geniais por causa da salgalhada tecnológica. Mais tarde ou mais cedo isto há-de-se compôr.

Já agora, descobri - provavelmente tarde e mal - a infopédia, dicionário da Porto Editora que além do significado da palavra em português dá logo sinónimos em outras cinco línguas. Um achado. Priberam, já eras.

16 julho 2013

Silly season

Passa-se o ano inteiro dentro de quatro paredes - casa, trabalho, casa, trabalho - vê-se televisão e revistas no cabeleireiro ou na sala de espera dos médicos, e acha-se que sim, estamos gordas, gordíssimas, ainda para mais sabendo que agora as revistas até usam o photoshop para engordar as modelos que fotografam que é para o comum dos mortais não declarar guerra aberta à magreza extrema. Há sempre qualquer coisa que está mal, que não é perfeita, porque os nossos corpos têm vontades próprias e não dependem só do que comemos (e comemos sempre mal), da quantidade de água que bebemos (é sempre pouca), do exercício que fazemos (nunca chega), e, em suma, porque não nos parecemos assim tanto como as modelos das revistas ou as mulheres que aparecem na televisão (ok, aqui há excepções, não exageremos que na televisão vai aparecendo de tudo um pouco).
Chega Abril, Maio, meses das dietas loucas em tudo quanto é jornal e revista, nunca estamos bem estejamos como estivermos, e quando me começo a lembrar da malta que (sobre)vive à custa de bebidas verdes que eu nem morta meteria nos lábios penso que prefiro ser como sou e comer o que como, a andar para aí a comer cenas que não lembram ao diabo para ficar um pau de virar tripas. A sério, eu como sopa se a houver, salada e legumes, mas não me tirem as batatas, o arroz, a carne, o marisco, os ovos, o leite, os iogurtes, o queijo, os doces, um ou mais deste grupo, não, não me tirem a comida de que eu gosto. Não sinto necessidade nenhuma de pesar 50 quilos, obrigada, e prefiro carregar dois ou três quilitos a mais do que deixar de comer as coisas que me põem um sorriso na cara. Posso não ser magra, mas sou feliz. Feliz com um frango de churrasco à frente (adoro), uma torta de ovos, um café com açúcar, uma sopa de agriões, um bacalhau com batatas e legumes cozidos.
Vindo o verão, a praia, nunca estamos suficientemente morenas, e depois ficamos morenas demais, mas pensamos por uns instantes nos quilitos a mais, até que se chega lá. À praia. A praia é democrática, dá para toda a gente. Gordos, magros, novos e velhos, gulosos e virtuosos. E está cheia de portugueses, com a mesma genética que eu. É como se de repente tivesse aberto uma revista viva, com gente de todos os tamanhos, uns mais bonitos, outros menos, uns de formas mais abonadas, outros menos, uns mais resistentes ao sol, outros menos. E só posso sentir-me bem na minha pele, que vai ficando dourada do sol. Está tudo lindamente, estou lindamente, e agora vou mas é dar um mergulho, que a água hoje está completamente calma pois quase não há ondas. Por cá não há baleias, somos todos golfinhos.

15 julho 2013

Uma mala Chanel

Estava na praia a pensar na vida - a praia é um sítio genial, mesmo no pico do Verão e cheia de gente, dá para fazer imensas coisas para as quais normalmente não se tem tempo ou disposição. Pensar na vida, por exemplo, dormir umas sonecas durante o dia (mesmo que haja meia dúzia de miúdos aos berros), descontrair, deixar-se ir. Observar pessoas, desde as famílias de pais e filhos ou avós e netos, adolescentes com os amigos, pares de namorados de todas as idades, e vendedores de tudo e mais alguma coisa. A bem-regressada bola de berlim com creme já marchou várias vezes - uma pessoa resiste ao primeiro vendedor que passa, resiste ao segundo, e quando passa o terceiro ou o quarto desiste, afinal já fez uma caminhada ou nadou um bom bocado no mar, aquela bolinha vem mesmo a calhar. E, desta vez, uma novidade para mim, reparo que há vendedores de malas Luis Vuiton. (Podia ir ver se escrevi bem ou mal, mas não interessa, pois é evidente que malas das verdadeiras, cujos preços são superiores a dois ou três salários mínimos, não se vendem na praia.)
Primeira questão que me ocorre - qual a velocidade a que o tipo consegue correr quando avistar a polícia. É que enquanto andam a vender óculos de sol de plástico, a questão é se têm licença para vender na praia, há-de ser uma coisa, quando começam a vender produtos contrafeitos, o problema já é outro, provavelmente mais grave.
Lembro-me da história da mala Chanel. No Inverno, na altura do Natal, até me podia parecer razoável, a ideia de ter uma mala cara, boa, que dure uma vida. Com certeza que haverá situações em que seja completamente apropriado usar uma carteira de óptima qualidade, bonita, apresentável.
No entanto, a meio de Julho, a ideia de gastar uma enormidade numa carteira parece-me incrível. Mesmo que me saísse o euromilhões, duvido que fosse capaz de gastar tanto dinheiro numa coisa deste género, por muitas qualidades que a carteira possa ter. De cada vez que olho para as malas Luis Vuiton do mercador ambulante penso: o original equivale a quinze dias de férias com a família. Ou um carro em segunda mão. E ainda, mas quem é que anda com uma coisa tão valiosa na rua? (Depois lembro-me de Cannes, mas isso é outro mundo.)

13 julho 2013

Halibut

(Isto também se poderia intitular "porque é que ninguém me avisou".)

O Halibut - pomada com óxido de zinco, para as assaduras das fraldas nos bebés entre outros usos possíveis - cheira a peixe. Se calhar é daí que lhe vem o nome, embora o peixe que vem indicado nos ingredientes seja o bacalhau (óleo de fígado do dito) e não halibute.

(Se eu soubesse isto, não o tinha comprado.)

11 julho 2013

Conselho para a vida

Homem, indiano:
"I should have married the woman of my parents' dreams" (devia ter casado com a mulher dos sonhos dos meus pais)
- The best exotic Marigold hotel


Muito bom.

Estão verdes

Anda para aí um rapaz que tem uma mota Triumph, preta, linda que só ela. Pneus largos, mota larga, assento bem baixinho. Estava eu a passar e a babar com a mota, sai-me um "que mota tão gira, mas não dava para mim, parece-me mais pesada que a minha, de certeza que a deixava cair". O rapaz riu-se. Eu também me riria, se não tivesse mesmo deixado a minha mota cair duas vezes, duas, ambas as vezes  da posição de parada. Isto contado ninguém acredita, como me falhou o balanço e deixei a mota cair em câmara lenta, duas vezes. Duas. Uma para a esquerda, outra para a direita, para equilibrar. Entretanto mandei baixar o assento e não me voltou a acontecer, mas já passou imenso tempo e ainda me dói. Tadinha da mota, ainda tem uns riscos para que eu não me esqueça.

10 julho 2013

Raios

Sai uma pessoa da praia a horas recomendáveis, pouco depois do meio dia, para apanhar um escaldão logo a seguir. E como é que isto sucede, perguntam vocês, e como é que eu sei que não foi mas é na praia? Ora, no caminho a pé para casa (5 minutos, senhores!) parei para comprar laranjas. Parei, à sombra, uns minutinhos para comprar laranjas na rua (laranjas portuguesas, que o continente só estava a vender laranjas estrangeiras e eu acho mal e portanto não comprei), e quando cheguei a casa estava um bocadito vermelha no nariz. Pensava eu que era só o nariz, até que virei alvo de chacota por causa das minhas costas e frente. E eu pensei, raios, pus protector mas depois fui à água e tramei-me, deve ter saído e nem dei por nada, mas depois vi-me ao espelho, e o que é facto é que tenho a bela da marca do biquini e da t-shirt. Como não uso t-shirt na praia, concluo que aqueles 5 minutos a pé depois da praia da manhã são a parte mais perigosa do dia todo. A partir de hoje saio da praia a tempo de chegar a casa ao meio dia. Já não tenho idade para apanhar escaldões - que é nunca, mas sabem como era antigamente, quando não havia propriamente protector solar, nesses tempos apanhei realmente uns escaldões que nem quero que me lembre. Hoje fiquei um nadinha vermelha, amanhã quando acordar não vai ser nada, mas era escusado, fica-me de emenda.

09 julho 2013

Azul, azul e mais azul


O Inverno foi duro e cinzento, a primavera praticamente não existiu, o verão, para mim, começa agora. Faz-me falta o azul quando não o há por muito tempo.

07 julho 2013

E faz-se luz

Os meus pais andam a aprender inglês. Usam um programa de computador que lhes mostra coisas e vai dizendo as palavras que estão escritas no écran. Eu acho a ideia de uns velhotes com mais de 60 anos cada um andarem a aprender inglês absolutamente deliciosa. São uns queridos os meus pais. As coisas que eles fazem por causa das escolhas das filhas. Mas uma coisa é a ideia, outra coisa é a prática. Isto de aprender línguas, ainda para mais numa idade avançada (mais de 18 anos, diria eu ;)) não é nada fácil. E usando um programa de computador, em vez de ter aulas com um professor, poderá não ser a melhor ideia... ou talvez a dificuldade seja o facto de haver tantas maneiras de falar inglês correctas - porque em cada país de língua oficial inglesa, há vários sotaques regionais, e não se pode, na minha opinião, dizer que algum deles é "errado".
Estava eu a apreciar os meus pais na sua aula de inglês - e eles tão orgulhosos dos seus progressos (e eu deles) , quando comecei a ter dificuldade em entender o que estava a ser dito, no computador.
"Put the lettuce in the right order", entendi eu, mas afinal era "put the letters in the right order". Sim, porque é que alguém diria para ordenar a alface, eu também não estava a perceber o sentido. A minha mãe insistia que o meu pai dizia "sex" em vez de "six", e, ouvindo o programa, aquilo não era bem "six" que dizia... Mais uns exemplos, e fez-se luz. Pai, mãe, sois os maiores.


I've been so sad
Since you said my accent was bad
He's wearin' a frown
This Caledonian clown

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

Some days I stand
On your green and pleasant land
How dare I show face
When my diction is such a disgrace

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

You say that if I want to get ahead
The language I use should be left for dead
It doesn't please your ear
And though you tell it like a leg-pull
It seems you're still full of John Bull
You just refuse to hear

Oh what can I do
To be understood by you
Perhaps for some money
I could talk like a bee dripping honey.

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

You say that if I want to get ahead
The language I use should be left for dead
It doesn't please your ear
And though you tell it like a leg-pull
I think you're still full of John Bull
You just refuse to hear

06 julho 2013

04 julho 2013

Taxar as impressoras

Estou pasmada com esta notícia do DN (impressoras podem ser tributadas para direitos de autor). (press release aqui)

Tenho uma impressora em casa, ligada ao meu computador. Imprimo meia dúzia de folhas por ano, normalmente cartas oficiais, por exemplo para a seguradora, documentos privados criados em word ou excel por mim, e ocasionalmente bilhetes de avião. Pensando bem, o único documento que habitualmente imprimo e do qual não detenho o direito de autor é o ocasional bilhete de avião. No entanto não é esse tipo de documento que está em questão.

O tribunal europeu de justiça, na sequência de julgamentos em tribunais alemães, decidiu que os Estados membros poderão impôr taxas de direitos de autor sobre as impressoras ligadas a um computador. Cabe aos Estados decidir como e quanto, e se haverá excepções.
Em conversa com a jonasnuts no twitter, percebo que a ideia, em Portugal, é que muita gente fotocopia livros e como tal faria sentido cobrar direitos de autor sobre as impressoras. No entanto, tenho que argumentar que, se é essa a razão, então apenas se deveria taxar as fotocopiadoras industriais. Ninguém imprime em casa um livro, sai muitíssimo mais caro que fotocopiar e demora imenso tempo. Além do mais há na net serviços de impressão de pdf em formato livro que cobram pouquíssimo, comparando com o custo de impressão doméstico. 
O artigo fala em "imprimir uma página" como violação de direitos de autor. Penso que isto é um argumento falacioso, e que imprimir uma única página até poderá não infringir nenhum direito de autor, dependendo do documento em causa.
Não gosto de ser tratada como criminosa à partida, e ainda menos de ser tratada como criminosa independentemente de haver ou não provas de que não cometi o crime. Nem sequer se assume que somos inocentes até ser provada a culpa, qualquer pessoa que compre uma impressora é imediatamente culpado independentemente de nunca vir a ofender o direito de autor de ninguém.

E já agora, quem é que me vai pagar a minha parte dos direitos de autor, já que alguém (eu e outros) com toda a certeza irão imprimir documentos cujo direito de autor me pertence?

01 julho 2013

Um dia de sol na Baviera

Sentada a ver o mundo passar, a apanhar sol, deparo-me com esta cena. Um velhote a fumar na soleira da porta de um edifício com ar antigo, tectos muito altos, janelas enormes. Ao  lado da porta, um sinal indicativo das empresas que ali funcionam, mais os médicos de medicina interna. Acho sempre estranho ver pessoas a fumar à porta dos edifícios onde funcionam estabelecimentos de saúde.
Mais uns minutos, aparece um rapaz. Só o vi por trás,  e não estava nada à espera do que vi. Sabem daquela "moda" de andar com as calças no fundo do rabo? Normalmente as calças a cair vêm acompanhadas de boxers compridos por dentro. Estas tinham em falta esse componente essencial, pelo que fui brindada com uma tira de rabo tão larga que até se notava o redondo. E pronto, a minha mente de miúda de 15 anos achou que isto tinha que ser partilhado. Agora riam-se comigo. Acrescento que enquanto o rapaz passou em frente ao velhote, entrou pela porta do edifício e subiu as escadas interiores, o velhote ficou a segui-lo com o olhar o tempo todo. Portanto não sou só eu a depravada. Pronto, está bem, sou, o velhote olhava com um olhar altamente reprovador, mas no fundo se calhar até estava a admirar a paisagem, mas é...

30 junho 2013

Uma pessoa pensa que quando for mesmo crescida é que vai ser

Mas a idade não muda nada.
Andei a procrastinar o fim de semana todo. Aposto que lá para a meia-noite é que me vai dar para fazer o que tive mais de 48 horas para fazer.
Enquanto e não...vou fingindo que já comecei. Não sei a quem estou a tentar enganar.

28 junho 2013

Arco-íris

Escreve como se transcrevesse o discurso falado, cheio de entusiasmo impossível de encobrir. Escreve para os senhores cinzentos, de fatos cinzentos, que falam num tom de voz baixo e pausado, devagar, quase em silêncio, sem grandes emoções.
Pergunta-se se algum dia poderá tornar-se assim, grave e cinzenta, ou se o entusiasmo transbordante será suficientemente contagioso.
Cinzento, ou de todas as cores.
Números ou só palavras.

Escolhe a versão colorida. Não se pode fugir ao que se é. A escolha de cortar bocados para encaixar na reentrância não faz sentido. Decide conscientemente distribuir a energia que tem. Será pelo melhor.

25 junho 2013

A evolução do correio electrónico

Na linha do post anterior:

chatos
melgas
mosquitos
insectos irritates e/ou repelentes

por muito que tenham evoluído, ao ponto de serem capazes de enviar emails, estão destinados ao mata-moscas, melgas e mosquitos, que é o filtro do correio electrónico. "Enviar emails deste remetente directamente para a caixa de SPAM". Dois simples passos. Uns segundos perdidos. A qualidade de vida a aumentar rapidamente.

Isto, para os chatos conhecidos. Socialmente evito-os, e agora, electronicamente, morreram.
O nosso amigo MR, que já morreu, é que nos ensinou o truque há já muitos anos. Lixo electrónico vai para o caixote do lixo electrónico. A vida é curta (e a dele, foi), não se pode perder tempo com irritações que não valem nadinha.

24 junho 2013

Se eu fosse um animal

(da série blogosférica: perguntas parvas)

Se eu fosse um animal, seria:

Uma chita, porque corre muito depressa. Fiz mais de dois mil quilómetros no fim de semana e foi o máximo.

Um gato. Adoro dormir sestas ao sol, ou ao quentinho da lareira. Adoro sestas, em geral.

Uma formiga. Uma vez vi uma TED talk sobre formigas que me mudou a vida. As formigas vivem em colónias organizadas, mas metade delas não faz nadinha. Eu tanto sou uma das formigas trabalhadoras como uma das formigas que não fazem nada, quando posso. E o melhor de se dizer que "se eu fosse um animal, seria uma formiga", é que imediatamente as pessoas associam a qualidade de"trabalhadora". As outras formigas da colónia dormem à sombra da bananeira, mas ninguém liga. Toda a fama de se trabalhar, e todo o proveito de descansar. Maravilha.

Uma gaivota. As gaivotas voam, e vivem à beira-mar. Eu adorava viver à beira-mar, e voar era um bónus genial. Sempre poupava em viagens de avião.

Uma vaca. Daquelas que vivem no Alentejo, num monte com vista para o mar. Gostava de ser uma vaca, mas não uma vaca qualquer. Eu gosto do Alentejo, e adoro o mar, repito.

Um bicho carpinteiro. Apesar de os bichos carpinteiros não serem realmente animais de carne e osso, são do melhor para por a miudagem a mexer (e não só). Imaginem a energia de um bicho carpinteiro comparada com aquelas pilhas que duram e duram ;). Às vezes sou como um bicho carpinteiro.

Uma foca. As focas são curiosas acerca dos humanos, e aparentam ser amigáveis. Eu também gosto de observar pessoas, e regra geral sou simpática.

Um ouriço. Por vezes é necessário ter espinhos para se sobreviver.

Uma cegonha. As cegonhas são aves migratórias, que ano após ano, regressam sempre ao mesmo ninho. Também tenho os meus ninhos a que regresso a cada estação.

Um elefante. Porque há coisas que nunca esqueço. Podiam ser mais, não me importava. E aquela tromba deve dar jeito, principalmente no verão, a fazer de mangueira.

Um salmão. Também vou contra a corrente, por vezes

Um camelo.  Era capaz de passar dias sem beber água.

E o melhor de todos, é mesmo aquilo que sou, um ser humano com uma multitude de características, e a melhor de todas, o raciocínio. Que serve para tudo e mais alguma coisa, incluindo escrever posts parvos.

13 junho 2013





O mundo pode ruir à minha volta, que ainda assim o universo se organiza para que a minha vida leve um empurrão para cima, e com carácter de urgência. Em meu redor pode haver nuvens, onde eu estiver, o sol brilha.





09 junho 2013

Na terra das salsichas

Finalmente abri o paio que a minha mãe me mandou no Natal. Quer dizer, eu pensava que era paio, mas a etiqueta dizia salpicão. De Miranda. Era uma maravilha, tinha pouquíssimas partes brancas (também conhecidas por gorduras), durou uns instantes. Dei numa de boa samaritana, partilhei com os amigos, que teceram louvores à minha mãe e trataram de pedir que encomendasse mais. Podia abrir um import-export, os meus amigos não podem provar nada que venha de Portugal, querem logo que traga mais... :-)

Tivemos um dia de verão

Foi bom, pois foi, mas esqueci-me da máquina para registar o evento. Não se pode ter tudo (mas pode-se tentar).

08 junho 2013

Aqui não há feira do livro

Livros? Aquelas cenas que servem para equilibrar um móvel com uma perna curta, fazer fogueiras quando está frio, atirar a alguém que nos esteja a chatear muito, treinar andar muito direitinha, pisa-papeis de emergência, travão para portas, empilhados fazem de mesas improvisadas, pode-se secar folhas ou pétalas de flores dentro deles. Ocupar espaço nas estantes que de outra forma estariam vazias, base para copos ou para outros objectos, fazer peso. Trazer areia da praia. Guardar recibos, postais ou cartas. Isolamento.
Aposto que o McGyver teria muitas outras ideias de como usar um livro.

30 maio 2013

E agora, um pouco de história

Milhentos anos depois de terminar o curso, a dúvida:

Aquele professor que deixava o pessoal levar o que quisesse para o exame de cruzinhas (álgebra 1, os exercícios practicamente não tinham números, era tudo letras, o que para uma cadeira de matemática, é obra), será que ainda faz exames de consulta? Na altura, até o portátil podíamos levar, se tivéssemos um (só um cromo é que levou, na antiguidade os portáteis eram coisas muito caras e muito pouca gente tinha). Além do mais, nem que levássemos um, não saberíamos o que fazer com ele, pelo menos a maioria de nós. Naqueles tempos, os idos de  mil novecentos e troca o passo, ainda nem telemóveis havia (pelo menos dos que coubessem no bolso), e a coca-cola distribuiu pagers pela miudagem - eram uma coisa praticamente inútil mas todos tínhamos um, para o style. Mas o que não havia na altura, e agora há, é a possibilidade de terminar o exame e mandar um SMS com o resultado ao amigo na mesma sala, sem ninguém dar por nada.
Será que o professor ainda faz testes de consulta? E, se sim, que consulta será permitida?

Isto pode parecer algo desprovido de qualquer importância, à primeira vista. No entanto, para aquelas noites em que tenho sonhos-pesadelos em que volto a ter que fazer exames que já passei na pré-história, esta informação dava jeito.  É que da primeira vez não foi nada fácil, imaginem agora, tanto tempo depois, sem ter ido às aulas.
(A minha vida não é fácil, nem quando estou a dormir.)

(Estive a "ajudar" o rapaz com química pré-universitária, tem exame amanhã. Não sei nadinha daquilo. E eu tive química até ao 12º ano, e mais uma cadeira na faculdade, e era mesmo boa naquilo. Prevejo noites e noites sem dormir. Bem, sem dormir bem.)

29 maio 2013

Falso alarme

Alarme de incêndio num edifício público: toda a gente abandona o edifício.
Alarme de incêndio em casa: como é que se desliga essa porcaria? Abana um jornal por baixo do sensor a ver se passa. E tudo continua sentado como se nada se passasse.

26 maio 2013

Um caso escocês

De cada vez que cá venho, o tempo fica bom. Dizem que na Escócia está sempre a chover, que faz frio, que é meteorologicamente horrível. Não tenho visto nada disso. Não é Portugal, pois não, mas em Portugal o sol não se põe às dez da noite por estes dias. Podia dizer que este país faz tudo o que pode para me conquistar.



24 maio 2013

Curtas de férias II

Uma das coisas que mais me faz falta em férias é uma caneca do tamanho certo. Canecas há muitas, é verdade, mas eu habituei-me a beber uma certa quantidade de bebidas quentes (café, leite, chá) e se me trocam as canecas fica-me sempre a faltar um bocadinho. As canecas que apanho nos sítios onde tenho passado férias são, cada vez mais, canecas com 200ml de capacidade. 20cl. 5 canecas por litro de leite.
Tenho de me lembrar de meter uma caneca certa na mala de viagem para destinos onde não sei o que me vai calhar em termos de canecas. Há poucas coisas que me façam grande falta. Uma caneca de 330ml traz os meus pequenos almoços e lanches mais próximos da perfeição.

23 maio 2013

Curtas de férias I

Há um caminho longo e um caminho curto para a praia. O caminho curto atravessa ruas residenciais, a zona comercial, a estrada, e vai finalmente dar ao porto, que fica entre as praias. O caminho longo dá directamente para o campo. Atravessa pontes e tem vista sobre o mar desde o princípio ao fim. Descendo o monte, o caminho ladeado por árvores cheira maravilhosamente. Insectos gigantes da família dos mosquitos e melgas ameaçam atacar a cada instante. Agradeço mentalmente o facto de não estar calor e ter trazido casaco (e o cabelo comprido a tapar o pescoço e orelhas), e ando o mais depressa que posso até  chegar ao campo de golfe. Free at last, acabou-se a mosquitada. O golfe está  cheio de gente, pelo que não me atrevo a cortar caminho. Mais umas centenas de metros, e chegamos à praia. Quase deserta, como convém. Várias obras de engenharia civil depois, a barriga começa a dar horas. O regresso faz-se pelo caminho curto. Tão cedo não quero voltar a ver mosquitos gigantes.

17 maio 2013

O meu BILF

 Ah, pois, passei o dia todo a pensar nisto, e só quando fui ao meu feeder é que me lembrei.
José Bandeira. Já escreveu mais. Inteligente, culto até mais não, tira fotografias que obrigam a pensar, e desenha cartoons com humor e certeiros. Com um sentido de humor apurado, um contador de histórias que me prendem a atenção de cada vez que que as leio. E releio. E por ser tão diferente de mim, e tão interessante nessas diferenças, tem-me vindo a cativar ao longo dos anos. E ainda para mais seguia-o numa rede qualquer onde o avatar era a foto abaixo. Barba giríssima, um guitarra na mão, a preto e branco, um retrato sexy.
Tenho paixonetas assim por homens inteligentes capazes de uma boa e longa conversa. E a inteligência é a característica que mais me atrai num homem, logo seguida do sentido de humor. José Bandeira, do Bandeira ao Vento. Um senhor BILF.


Partidas e chegadas

Passo o ano a fazer (e desfazer) malas. As estatísticas confirmam-se: fazer malas, 5 minutos, desfazer, uma semana. O tempo que demoro a desfazer a mala, no regresso, pode diminuir ligeiramente se meter a roupa toda para lavar (técnica entretanto aperfeiçoada, tento nunca lavar a roupa fora de casa), ou aumentar se contar o tempo de levar a mala vazia para o lugar... Não é preguiça o meu problema, não, é uma vida muito atarefada... ahem...

feel good

Quantas vezes seguidas se pode ouvir o "indigo eyes"?
Para já, uma manhã inteira.

16 maio 2013

É hoje, é hoje!

Não posso andar de um lado para o outro sem me darem os parabéns :-).
O telefone não pára de tocar ou apitar com mensagens, e o email está constantemente a receber coisas novas.
Sei muito bem que muito disto é o "efeito facebook". O resto, são amigos, ou colegas com boa memória.
Posso estar cada vez mais velha (e sim, desta vez é que foi, estou oficialmente uma cota, eu nem sei como é que cheguei aos a esta idade tão depressa), mas isso também tem as suas coisas boas.
A minha pimpolha acordou tão excitada como se fosse o aniversário dela, e lá foi acordar o irmão para prepararem as minhas prendas. Tomámos um pequeno-almoço de fim-de-semana, abri as prendas, e fomos à nossa vida (trabalho, escola).
Muitos miminhos, como deve ser. Alguma coisa devo ter feito bem para merecer tanto carinho.

15 maio 2013

Rosa

Blazer rosa forte para a video conferência. A estrela do que seria, sem ele, uma imagem apenas branca, sem interesse nenhum. Para outros, garrafas no background. Há gente com sorte.

12 maio 2013

Das vantagens de fazer anos

Uma pessoa ganha coragem para não fazer o que não quer e admiti-lo descaradamente. Reuniões chatas? Queira desculpar, mas faço anos, não vou. Nem é que não possa, e nem digo que não posso. Não quero, mesmo, compreenda. A vida é demasiado curta para desperdiçar horas preciosas assim. Podia festejar assim todos os dias.

Segurança é...

Roupa cor de rosa fluorescente. Pode não combinar com absolutamente nada, pode ferir a vista, pode ser a coisa mais berrante que alguma vez se viu, mas isso tudo contribui para o título de roupa mais segura para andar na rua. Roupa com tão grande visibilidade só pode evitar acidentes. Ninguém dirá que não viu.

05 maio 2013

Coimbra

Estes estudantes andam muito a pé. E bebem muito. E cantam alto. A altas horas da noite.
(Não me estou a queixar.)

02 maio 2013

As avós como exemplo

Fui dar com esta TED talk sobre "o direito à compreensão".  São quinze minutos bem passados, a pensar sobre o que lemos em documentos que deveríamos compreender, porque no fim os assinamos.
A Sandra Fisher Martins fala sobre a linguagem dos documentos, e no fim escolhe a figura da avó para nos fazer pensar em como simplificar as coisas. Achei a ideia genial, embora não seja, para mim, nova. O importante é que fez clique com outras "avós" da minha vida.

O professor Daniel Bessa explicava economia recorrendo ao exemplo da sua avó ("na mercearia da minha avó era assim... " e continuava). Provavelmente ainda o faz. Era genial, porque imediatamente tornava um assunto complexo acessível fazendo o paralelismo com coisas que toda a gente compreendia.
Tenho um colega que usa a avó dele (mas podemos substituir por qualquer outra avó) como exemplo do que toda a gente deve saber em termos de tecnologia. Outras pessoas usam "um motorista de autocarro" ou "um licenciado em humanidades", mas a avó é imbatível.
Eu uso os velhotes (a partir de agora chamar-lhe-ei avós) como exemplo a seguir na escolha dos cafés com o melhor atendimento e os melhores bolos. Os avós merecem respeito porque já viveram muito, e sabem muitas coisas que se calhar nem nos passam pela cabeça.

Gosto desta TED, não só pela ideia principal de que é necessário simplificar a linguagem dos documentos, em particular dos documentos legais, mas também pela ideia de pensarmos na avó para o fazer.
E como é que se escreve como se fosse para a avó?
1. Começar pelo mais importante (ela tem mais que fazer, por isso vão directamente ao assunto, e escrevam com respeito e sem paternalismos)
2. Escrever com frases curtas.
3. Usar linguagem simples, nada de palavras complicadas.

Simples. Eu sou a primeira a violar estas regras todas quando tenho de escrever alguma coisa, mas vou tentar lembrar-me disto e melhorar. :-) Fazer de conta que estou a escrever para a minha avó.

01 maio 2013

A caixa do demo

A miúda recebeu uma caixa de materiais para fazer os seus próprios cartões 3D. Para além do facto de a caixa indicar uma idade aconselhada de 6 anos ou mais (ou seja, ou quem comprou foi generoso, ou tinha na ideia que ela guardasse a caixa para mais tarde - o que por si só evidencia a falta de compreensão da mente de uma miúda de 5 anos) aquilo envolve uma data de trabalho manual. Recortar, colar, pintar. Muito bonito, 'a primeira vista. O terror começa quando olho para os objectos a recortar: aquilo em vez de ser uma coisa com linhas direitas, uma ou outra linha mais curva, vá lá, rapidamente se transforma num circuito de saliências e reentrâncias minúsculas, que requerem a perícia, não de uma criança de 6 anos ou mais, mas de uma pessoa que ganhe a vida a fazer scrapbooks. Uma tesoura de pontas redondas não tem como recortar  tais pormenores, e uma tesoura normal pouco mais consegue fazer. O 3D não passa de obrigar a miúda a mãe  a recortar uma imagem grande, e depois pormenores mais pequenos da mesma imagem que a miúda (vá lá) irá colar a uma espécie de esponjinha minúscula com cola dos dois lados - perfeita para os dedinhos dela. Quando chego ao enésimo passarinho e respectivas penas salientes, já só me apetece mutilar o malvado pássaro, cortar o nariz 'a princesa, e queimar os corações em efeito de flor. O projecto de 4 cartões rapidamente se transforma em "um cartão por dia", que eu tenho dificuldades em usar a tesoura por mais de 5 minutos, quanto mais meias horas seguidinhas. Para que é que ela quer tanto cartão, ainda para mais, se era para o dia da mãe devia haver outro voluntário a recortar tanto desenho.
Estes monstros do marketing deviam ser obrigados a fazer cartões 3D com tesouras de pontas redondas antes de classificarem estas coisas como para maiores de 6. O que a caixa deveria dizer era  que é preciso um mestrado em trabalhos manuais ou belas artes para fazer aqueles belos cartões, caso contrário mais vale recortar bonecos de uma caixa de cereais e colá-los num papel branco. Sempre se estragava menos material e o que se poupava em nervos. Se alguma vez me lembrar de oferecer um kit de trabalhos manuais a um pequeno humano vai ser uma caixinha com simples papel branco, cola, tesoura, e lápis ou marcadores. Ao menos com isto não pode haver erros. E um conselho: recortem primeiro, pintem depois.