24 setembro 2016

Mas o que é que eu ando a fazer à minha vida

Como é que,  tendo a oportunidade de ir à praia por uma hora ou duas, num dia praticamente de verão, em que tudo o que teria de fazer seria calçar os chinelos e sair, me dá para ficar a vegetar no sofá. Ou estou a ficar muito velha muito depressa, ou isto de sair quase todas as noites é  mais cansativo do que eu pensava.

21 setembro 2016

Das vantagens de ver chick flicks

Fui ver o Bridget Jones.
Ri-me um bocado, achei algumas partes previsíveis, outra menos. Apreciei a falta de maquilhagem naquela malta toda, e a falta de photoshop do cinema europeu. Mas a ideia principal, aquela que me pôs a pensar, que trouxe comigo para casa e mal pude esperar para pôr em prática foi a seguinte revelação:
Dá para escrever no tablet com mais que um dedo de uma das mãos.

Adianto que neste momento domino a escrita a quatro ou cinco dedos, e que estou em vias de tentar aumentar este número. Infelizmente o corrector automático não ajuda nada.  Ainda assim, a minha velocidade de escrita neste aparelho que hoje em dia uso muito frequentemente, e no qual, até hoje, não gostava de escrever texto, aumentou consideravelmente. O futuro passa por aqui.

05 julho 2016

Truques do meu cérebro

Por mero acaso, páro na terra do meu avô para meter gasolina. A terra tem crescido bastante, estende-se para onde antes só havia campo.
Na bomba, um velhote com o filho atestam o depósito de uma carrinha. Faz-me lembrar o meu avô, a mesma estrutura de corpo, o mesmo modo de vestir, gestos semelhantes. Penso, com um sorriso,  que era engraçado se agora encontrasse o meu avô, que nunca teve carro, aqui mesmo, nesta estação de serviço. Como se isto fosse uma coincidência possível. O meu avô morreu há 13 anos e o meu cérebro recusa-se a acreditar nisso.

23 maio 2016

Do correr acelerado dos dias

Às vezes lembro-me que tenho um blogue. Mas, por estes dias, não tenho tempo.
Queria escrever como gostei de Berlim à segunda. À segunda vez, entenda-se. Da primeira gostei, mas era Inverno e estava escuro, e eu passei os dias a trabalhar e ao fim do dia estava demasiado cansada para mais do que comer e ir para a cama. Às nove da noite. Mas gostei da cidade grande, das luzes, das montras, de uns botins que tive mesmo que trazer e que já têm uma quilometragem invejável. À segunda, na primavera, com os dias grandes, a coisa mudou de figura. Tive uns dias geniais, muitos passeios, novos amigos, comida, e até fotos (algumas foram parar ao instagram, que é a única rede social para a qual vou tendo algum tempo). E até deu para mostrar aquela uma ou duas coisas que já conhecia e que têm de ser partilhadas, como a loja de chocolate Fassbender & Raush (e o fondue de chocolate).
Podia contar como a Baviera decidiu homenagear o meu 40. aniversário com um feriado, só porque eu mereço. Mas eu penso que, caramba, já tenho quarenta anos, como é que isto aconteceu tão depressa, e quase me esqueço que ao menos tive feriado para comemorar. E como em outros anos, fui festejando, e ainda ando a celebrar, para ver se me habituo ao número novo. Um dia destes começo a dizer que "no meu tempo", há uns quinhentos anos atrás... Já digo, na verdade. Às vezes uso o "no meu tempo" para tentar perceber se há um equivalente a esse tempo para malta de vinte anos. O que será o equivalente para gente jovem ao que era a internet para mim há vinte anos atrás. (Já perguntei ao meu rapaz, mas continuo sem uma boa resposta.) O que há hoje em dia que seja tão interessante como um telemóvel em 96 - pois, um smartphone, estou mesmo a ver... Mas será, mesmo, assim tão interessante? Se calhar sim, a miúda já me anda a fazer a cabeça para lhe dar um, e só aprendeu a ler há uns dias.
Tenho uma estagiária, por umas semanas. É genial, das melhores coisas de sempre. É óptimo trabalhar com ela. A miúda é o máximo, inteligente, organizada, engenhosa, empenhada, trabalhadora. Bem, podia continuar com a lista de elogios. Tenho-lhe ensinado umas coisas, e ela já me ensinou outras a mim. Win-win, mesmo, a miúda vai longe.
Estou a organizar uns dias em Lisboa. Depois de organizar a logística, empanquei no programa cultural. O problema não é falta de escolha, é a agonia da escolha. Um bocado como uma criança numa loja de brinquedos - bem melhor que uma loja de doces - o que fazer? E, em marcando umas coisas, e se depois não posso fazer outras que colidam nas datas? Por esta vida acelerada, o tempo é o limite. Bem que gostava de esticar os meus tempos um bocadinho.

06 maio 2016

Estar no centro da Europa é isto

Sem planos para um fim de semana prolongado, a meio do primeiro dia sem fazer nenhum. Dia de sol, mas pouco quente e ventoso. De manhã, o entretenimento é providenciado pelos casais de passarinhos vizinhos. À hora do almoço dá-me a fome. Em casa não há comida com que se possa fazer uma refeição. Ao fim do dia estou a jantar um rodízio de pizza no Norte de Itália. Nem sabia que havia rodízio de pizza. Está-se bem por aqui.

23 março 2016

Não é medo

Não é medo, é surpresa. É um fds, podia ter sido eu e a minha filha. Estive no aeroporto de Bruxelas no sábado, num vôo de ligação. Apanhei um vôo dali para o Porto, da Portugália, cheio de portugueses, lugares enormes (pude ir à casa de banho sem obrigar o vizinho a levantar-se, de tão espaçosos), famílias com crianças da idade da minha. A miúda jogou matraquilhos com os compatriotas da mesma faixa etária. Conversei com os pais deles. Esperámos pelo avião, aguentámos lá dentro um atraso de uma hora por causa de problemas nas malas. Por alguma razão, foi-nos dito que havia 20 malas a mais no porão, os passageiros tiveram que identificar as suas malas para deixar para trás as outras. Talvez tenha sido mesmo esse o motivo. Talvez isso tenha sido apenas a versão oficial.
Não é medo, é uma euforia estranha, a surpresa de ter tido a sorte de não ter sido no sábado. É o choque de que poderia ter sido nesse dia. É a lembrança daquelas famílias todas, porque são férias de Páscoa.
Apenas estive no aeroporto de Bruxelas duas vezes. Não é uma ligação frequente, é um hub que me calha na sorte raramente, quando preciso de fazer uma viagem mais esquisita. Não tenho nenhuma viagem marcada que passe por lá outra vez, por um acaso, não por escolha.
Aquela malta nem tinha bilhete. Não fez check-in, não mostrou identificação. Não me teriam apanhado, eu não saí da zona de segurança. Mas foi perto demais.
Se vou deixar de voar por ali? Não sei. Provavelmente não. Lembro-me de apanhar um avião em Boston antes do 11 de Setembro e pensar que os americanos eram muito mais flexíveis com as regras de segurança. Hoje, com tantas regras e proibições, os explosivos rebentam na zona que não é segura. O que virá a seguir. Identificação de todos os que entram num aeroporto, bilhete obrigatório para todos os que passam a porta de entrada? Proibir bagagens de qualquer tipo? Um polícia em cada esquina, claramente, não resolve o problema.
Sinto-me tão segura como me sentia no sábado. No ano passado (foi no ano passado?) um piloto suicidou-se e levou consigo um avião cheio de gente. Na semana seguinte voei - todos os passageiros deitavam uma olhadela ao cockpit antes de se dirigirem aos seus lugares.
Aviões, comboios, autocarros, metro. Meios de transporte que levam muita gente de cada vez, espaços fechados com uma grande concentração de pessoas, nenhum sítio é "seguro". A vida continua - como noutros lugares do mundo, mais habituados a estes fenómenos.
Há sítios onde não espero que nada de mal me aconteça, nunca. Mesmo nesses sítios, sei que a segurança é uma ilusão.

24 fevereiro 2016

Dante não teria pensado nisto

Há dias em que chegas ao aeroporto, passas o controlo de segurança e pensas que chegaste a um inferno. Um centro comercial a um domingo, cheio de famílias, crianças, jovens, gente de fato de treino, malta sentada por todas as cadeiras, restaurantes a abarrotar, miúdos aos gritos, adultos a pastelar e a impedir a passagem a quem tenha mais pressa. Apercebes-te que escolheste um mau dia para voar, é o começo de um período de férias qualquer, e as companhias low cost devem ter vôos extra. Como és muito zen, abstrais, comes o teu frango enquanto tentas perceber se agora o Nando's tem eggs benedict (tu adoras eggs benedit, mesmo que nunca os comas, pensar em gema de ovo a escorrer por um pãozinho com bacon bem estaladiço faz-te crescer água na boca), aproveitas o wi-fi enquanto esperas que a porta abra, e vais arquitetando um plano de escape. Tens baterias extra para o telemóvel, e um livro para ler. A viagem será curta, não será difícil sobreviver a um vôo completamente cheio. Finalmente, o embarque, entras, sentas-te no teu lugar, olhas a toda a volta. Encontras-te há uns minutos no avião e está uma chinfrineira descomunal. Atrás há bebés a chorar, à frente miúdos mal dispostos, atrás de ti dois miúdos que, suspeitas, irão passar o vôo a dar pontapés na tua cadeira, ao lado um miúdo a guinchar porque a mãe não o deixa fazer não-sei-o-quê e a mãe com ar de quem o vai deixar gritar a viagem toda só para que saibam que isto de ser mãe não é pêra doce. Uma hora dentro do avião e ele sem levantar vôo, um atraso qualquer por problemas técnicos. Desde que não tenha problemas depois de sair do chão, é na boa. Aprecias o cenário, a gritaria, as discussões, os bebés, os pais desesperados, os desgraçados dos viajantes desacompanhados que maldizem a sua sina, e pensas para ti própria, isto é o melhor contraceptivo de sempre. Felizmente para o futuro da tua espécie não desistes imediatamente de ter filhos. Sorris, e retiras os auscultadores com cancelamento de ruído da mochila. Quando chegares, serás a única pessoa do vôo inteiro a sair do avião com ar calmo e um sorriso nos lábios.



17 janeiro 2016

A melhor invenção desde a roda

Que é como quem diz, é para não dizerem que neste blog não se encontra nada que seja útil.

Imaginem que são como o Esquecido (que pode ser uma Esquecida, neste blog não se discrimina). O Esquecido nunca sabe onde deixou as coisas. De cada vez que está para sair de casa perde minutos infindos à procura das chaves. Ou da carteira. Ou do telemóvel. Num dia de sol, contem com uns minutos extra à procura dos óculos de sol. Normalmente consegue encontrar os sapatos, embora por vezes tenha dificuldade em encontar o casaco.
O Esquecido precisa de ajuda. Claro que mais ninguém sabe onde é que ele enfiou as coisas. Alguns de nós metem as chaves na carteira sistematicamente, ou guardam-nas numa taça, ou penduram-nas num prego, por exemplo. O Esquecido não tem método. Se não encontrar o telemóvel pode sempre mandar um toque de outro telefone, mas como fazer para encontrar as chaves. E quanto mais atrasado estiver, mais complicado é encontrar as coisas.
Se vivem com um esquecido, há esperança. Não estou a falar de hipnotismo, de cursos especiais, de nada que obrigue o Esquecido a alguma actividade fora do seu padrão habitual. Sabemos bem que o Esquecido nunca se irá habituar a pousar as chaves num recipiente apropriado quando chegar a casa, por muito que lhe chaguemos a paciência. Hoje em dia há soluções. Na verdade, esta solução existe há cerca de um ano, embora só recentemente tenha saído do estádio de crowdfunding.
Apresento-vos o tile. Na verdade o tile não é a única solução deste tipo, há pelo menos mais duas empresas que fazem algo parecido. Este quadradinho é o que experimentei. Coloca-se no porta-chaves, dentro da carteira ou junta-se ao que quer que seja que queremos encontrar - antes de perder o objecto - instala-se a app no telemóvel (de preferência não no telemóvel do Esquecido), et voilá. Quando não conseguir encontrar a carteira, tem duas opções. Uma é perguntar à app onde é que ela está. A outra é mandar o tile, que está dentro da carteira apitar - esta é a opção mais útil dentro de casa. A vossa vida nunca mais vai ser a mesma.




08 janeiro 2016

Não há resoluções. Nem listas.

Há momentos em que se vão alterando coisas. Em que se começam novos hábitos, novas tradições. Em que se decide, agora vou passar a fazer assim. E por vezes volta-se atrás, muda-se um hábito, troca-se por outro. E talvez, anos depois, se volte a trocar.
Mando um email de Natal. Não há postais para ninguém. Um email, a alguém que tenha mudado a minha vida para melhor ao longo do ano. Não importa se terá resposta ou não. Não vale a pena mandar postais. Este email é a coisa mais lamechas (mas muito curta, que não gosto de lamechices) que faço no ano inteiro.
Não decido passar a fazer desporto. Já faço. Às vezes farto-me por uns tempos, mas voto sempre. Posso é trocar um por outro. E voltar a trocar. Deixar o ginásio e passar a ir ao fitness, e vice-versa.
Não decido fazer dietas. As minhas dietas são forçadas, porque não gosto de muita coisa e recuso-me a comer - e tenho um fraquinho por doces e não tenciono abandoná-los. Recuso-me a comer beringela, courgete, e aipo, que infelizmente aparecem no meu prato frequentemente.
Não me lembro se li algum livro que pudesse recomendar. O último que acabei de ler foi uma enorme desilusão. Não me obrigou a consultar o dicionário uma única vez. Paupérrimo.
Converti-me ao instagram e descobri que a minha cor favorita afinal não é o vermelho, mas deve ser o azul e o amarelo.
O aquecimento central avariou. Esta terra, sem aquecimento, é um gelo que não se pode. Vou voltar para debaixo das mantas.



21 dezembro 2015

Mistério explicado

É moda. E a moda também chega à terrinha escondida no meio do nada

Os funcionários públicos

As maravilhas das terras pequenas. Saí de casa às 15h00, fui a pé à repartição, uns bons dez minutos a andar em passo rápido. O tempo suficiente para aquecer as pernas caminhando. Tirei a senha, o meu número tocou quase imediatamente, tratei do meu passaporte novo, negociei o prazo com a funcionária, ela sorriu e desejou-me bom Natal, saí enquanto chegava uma trupe de gente. Eram muitos, mas aposto que a maioria eram acompanhantes, talvez duas pessoas estivessem realmente interessadas nos serviços da repartição. Devem ter programado chegar pouco antes da hora do fecho. Saí. Às 15h30 já estava cá fora ao frio.

13 dezembro 2015

Já não andava de metro desde Berlin

Miúdas, teenagers inconscientes, de casaco de homem, uns 4 ou 5 tamanhos acima dos delas. Verdes, largos, compridos, com bolsos enormes, fazem-me lembrar casacos de ir à caça. Conversam sobre os jeans com rasgões, feitos por uma delas, collants pretos por baixo. Os rasgões são largos demais, como se faziam no início dos anos 90, antes de começarem a vendê-los com rasgões já feitos, que se desfaziam muito menos com o uso. Lembro-me de querer ter calças de ganga assim, com aquela idade, de não ter coragem para estragar um par com buracos, e da alegria que foi quando, acidentalmente, uma das minhas calças favoritas fez um buraquinho na perna, que rapidamente aumentou até ocupar meia perna, na horizontal.
Pergunto-me se terão comprado os cascos já assim, ou se os terão levado emprestados do pai ou avô. As miúdas são magritas, e estas coisas costumam ser, até certo ponto, genéticas, pelo que duvido que o pai ou avô tivessem casacos tão largos. O casaco do meu pai não me ficaria assim tão grande. Não há muito tempo as miúdas roubavam as camisolas aos namorados. Depois foi a vez das calças de ganga. Não há rapazes que usem casacos daqueles. Não há homens abaixo dos 50 anos a usar casacos daqueles. Nem sei se é moda ou rebeldia. De repente, fico com calor, tiro o meu próprio casaco.

10 dezembro 2015

Quando ficas à espera de uma prenda de Natal

Eu, adepta do marketing nas suas várias vertentes (produto, preço, promoção e publicidade), fico de mau humor quando, na minha opinião, o marketing corre mal.
Por exemplo, quando as ofertas para novos clientes são melhores que as condições oferecidas aos clientes fieis. O que acontece quase sempre. No mercado, a fidelidade não compensa.
A outra, é a promoção natalícia do tipo pague um leve dois. Se o segundo chega depois do Natal, lá para os idos de Março, a promoção perde o interesse. Carvão no sapatinho, era o que devia receber o autor de tão brilhante ideia.

Superman

Tenho um amigo que se acha um super-herói. E às vezes salva mesmo o mundo. Se todos fizermos o mesmo, um bocadinho de cada vez, isto vai lá,

08 novembro 2015

Uma rapariga prendada, umas mãos de fada

E quando pensavas que te tinhas livrado de vez da tortura que tinha sido a aula de trabalhos manuais no ciclo, a professora da tua filha pede-te para fazeres um fato para a festa de Natal. Usando materiais que provavelmente o resto do mundo tem em casa, mas tu não tens. Assumindo que sabes o que é uma agulha e linha, quiçá uma máquina de coser. Entras em choque, vês a tua vida a andar para trás em espiral a uma velocidade estonteante. De repente tens 10 anos e chegas a casa com lã enfiada num cartão num padrão ondulante, que supostamente se transformará, milagrosamente, numa carteira. Choras a tarde toda até que a tua mãe transforma a porcaria que tinhas começado a fazer numa carteira bonitinha. Só a parte de baixo, que tu tinhas começado, está imperfeita, a desfazer-se, mas ninguém vai recomeçar, pode ser que a professora não note.
Fazes um fast forward, e lembras-te do dia em que a tua própria filha chegou a casa com exactamente a mesma coisa da escola. Bem, quase a mesma coisa, no caso dela não dava a volta pelo que o resultado final era um rectângulo tecido colorido. Que ela tinha feito sozinha, na escola. Perfeitinho. O dia em que deste graças por a miúda sair à avó, ou ao pai, e suspiraste de alívio por saber que não terias que ajudar, ou fazer o trabalho por ela.
Quando pensavas que já te tinhas safado destas coisas para o resto da vida, chegam os teatros. As peças elaboradas, os ensaios, e a parte dura, que te vai calhar a ti: os fatos. Maldizes o facto de estares a milhares de quilómetros de distância da tua mãe, suspiras pelo dia em que a tecnologia tornará possível a impressão de roupa com um clique, e metes mãos ao trabalho. Dez minutos depois, a solução: uma loja de máscaras na internet.

15 outubro 2015

Das coisas que ficam por fazer

Enquanto não escrevo no blogue, acumulo milhas, fotografias, aventuras. Nem sempre há disposição para escrever.
Gosto muito da foto que aqui publico. Fui feliz ali,por uns dias, e ainda assim deixei coisas por fazer. Aqueles kayaks chamavam por mim, tanto que lá voltei, por eles, e ainda assim não consegui ter o tempo que precisava para passar um dia - que umas horas era pouco - num deles. Dei o passeio no google earth, imaginei quantas horas seriam necessárias para passar nos canais todos, para no final, ficar apenas com um passeio planeado mas por fazer. Fica para a próxima. Há sempre alguma coisa que fica para outra oportunidade.
Por esta vez, fiquei-me pelo seafood chowder, a água quentinha do Pacífico, os pássaros estranhos, as baleias à beira da praia, e tantas outras coisas. Até agora, achava que só quando ia a Portugal tinha férias a cem à hora, em que todos os bocadinhos do dia eram preenchidos com alguma coisa para fazer, sítios a visitar, pessoas com quem estar, e no fim ainda ficava com a sensação que não tinha feito tudo o que queria. Devo ter praticado tanto que extrapolei a experiência para onde quer que vá. Things to do, places to see. É a minha vida, ao sabor do vento, sem planos, muitos "logo se vê", e ainda assim sobram poucos minutos para me sentar, computador no colo a fazer nada. E acaba sempre por haver qualquer coisa que não tive tempo de fazer.

 



13 setembro 2015

Calcorreando o mundo

Almoço inter-geracional. A geração mais nova entretém-se com o telemóvel por uns momentos. As maravilhas da internet. A geração mais velha, conta como viajava antigamente. O que era chegar a um aeroporto de um país desconhecido, onde se fala uma língua diferente, e tentar seguir de comboio. A aventura que era comprar o bilhete, descobrir qual a plataforma seria a correcta. Descobrir, por sorte depois de chegar ao destino, que devia ter picado o bilhete. Receber as instruções todas por telefone, ainda em casa, sem hipótese de confirmar mais tarde, em cima da hora, quando as dúvidas ocorressem.
Lembro-me das primeiras vezes que viajei sozinha "para fora". Já havia internet, na faculdade, já se tinha acesso em casa também, com um modem analógico que se ligava pela linha telefónica. Antes de sair de casa imprimi o mapa do metro, as instruções para apanhar o comboio que ligava o aeroporto ao centro da cidade, o mapa da zona onde iria chegar, onde assinalei o caminho para o sítio onde ia dormir. Já devia ter telemóvel, um tijolo comparado com os de hoje, mas o custo das chamadas em roaming era proibitivo. E ainda assim, também entrei no comboio com o bilhete por picar. Quando me avisaram que tinha que picar o bilhete, já ia tarde para sair do comboio, picar o bilhete, e voltar a entrar. Arranjei uma solução: escrevi a data e a hora com uma caneta. Nunca soube se os revisores aceitariam o meu bilhete ou não: ninguém me perguntou por ele.
Mais tarde, fico por minha conta, sem boleia, e encontro marcado para mais tarde. Computador na mão, google maps numa janela, site dos transportes públicos no outro. Viajo virtualmente desde a minha cadeira até ao meu destino, decido a que horas quero ir. Nem me passa pela cabeça por um instante que me engane no caminho. Sei que irei direitinha aonde quero.
De manhã, tive um regresso ao passado. Uma viagem de carro, sem ter bem a certeza do caminho, em que a minha condutora decidiu por várias vezes parar para perguntar o caminho. Fosse eu sozinha a conduzir e teria desistido. Voltado atrás - ou procurar wifi - e pesquisado o caminho certo no telemóvel. O mais engraçado foi notar, ao chegar ao destino, a quantidade de gente que claramente estava meio perdida.