11 janeiro 2009

Ai o tempo e tal...

Pensava que era só no verão, por causa da falta de notícias, que os "jornalistas" se dedicavam à mais nobre das reportagens: a reportagem sobre o tempo. Afinal enganei-me. É que se há tema que nunca se esgota, é mesmo este.
Ontem à noite vi 7 minutos de um telejornal qualquer. Aqui se vê logo o meu erro, como é que isto foi acontecer, eu que nunca vejo as notícias, como é que que fui parar a um telejornal e não mudei logo de canal. Enfim, às vezes uma pessoa tem a televisão ligada e nem se apercebe do que está a acontecer lá dentro. 7 minutos completamente dedicados ao tempo. Talvez mais, depois mudei de canal. Parece que nevou em Portugal. Em sítios tão impressionantes como o Marão e outras serras, nevou. Aliás, é tão fora do comum, nem sei como é que no distrito de Vila Real existem 6 limpa neves. Os velhotes das zonas das montanhas foram entrevistados. Ah, e tal, está frio. Pois, há canalizações que gelam, e algumas até podem rebentar, mas isso, meus caros acontece todos os anos. A sério. E ninguém, para lá do Marão, se veste como se fosse "para a neve". Depois de Outubro, vejam lá, vêem-se as pessoas a respirar. Sabem o que isso quer dizer?
Quando eu andava na escola :) a neve era um acontecimento. Se nevasse bastante, e como não havia limpa neves, era provável que não houvesse aulas. O frio só, não bastava. Mas lembro-me perfeitamente de ir a pé para a escola, e patinar nuns terrenos alagados que o frio tinha gelado, de botas e tudo. De me entreter a escavacar poças de água congeladas. De a minha mãe tirar o gelo do pára-brisas com água morna. (se estivesse frio mesmo a sério, como em Munique, isso não seria possível) todas as manhãs, em todos os invernos. De enfiarmos gelo pelas camisolas adentro uns aos outros, no intervalo.
Se calhar até esteve um bocado de frio. É natural, é Inverno. Agasalhem-se melhor. Por aqui ouço sempre dizer que não há mau tempo, só roupa inadequada.
Mas agora a sério... em Novembro passei um fim de semana em Lisboa. Uma manhã acordei com uma locutora de rádio a dizer que estava frio. Saí à rua e estavam 18 graus e sol. Eu usava uma t-shirt e casaco. Os locais, andavam de camisa, camisola de lã e casaco.
E depois, isto dos alertas, é ridículo. Se as temperaturas descem abaixo dos 15 graus já aí vem um alerta amarelo. Se sobem acima dos 20, alerta amarelo. Se chove, alerta amarelo. Se chove um bocadinho mais, há logo inundações e alerta laranja. Gente, é só o tempo. É normal que no Inverno faça frio, é normal que chova, é normal que no Verão faça calor e haja alguns incêndios. Se vão começar a usar alertas em situações normais, vão ficar sem cores para as catástrofes.
Frio é um gajo ter que raspar o gelo do lado de dentro do carro. Respirar e sentir as vias respiratórias a enregelar, andar na rua e sentir os olhos a chorar, andar com a cara vermelha e a ponta do nariz como se fosse um cubo de gelo. E há bem pior que isto. Olhem os tipos a quem cortaram o gás que têm temperaturas bem mais baixas que esse país à beira-mar plantado. Em que alerta estarão? Ultra-vermelho?

8 comentários:

  1. E as fotografias que as pessoas enviam para os jornais e telejornais? Na grande maioria dos casos, uns meros farripos de neve...
    Adorei ver imensa gente de luvas em Lisboa, durante a fabulosa semana do Natal, uma autêntica primavera!

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  2. Eu também acho "divertida" toda a discussao a respeito do tempo frio em Portugal mas que realmente nao se compara ao frio de ca...
    Bom 2009!

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  3. O frio de Portugal não se compara ao frio da Alemanha, de facto. Mas o frio da Alemanha também não se compara ao frio da Rússia, assim como o frio do Brasil não se compara ao frio de Portugal e por aí fora.
    Eu já vivi na Alemanha e sei o que é frio. Também sei o que é achar rídiculos todos estes alertas e ter pena de quem anda de gorro e luvas com 12 graus, por serem "tristes".
    Mas muitas dessas pessoas que se queixam do frio de Portugal não conhecem outro tipo de frio. Não é costume nevar em certas partes do país, se neva, mesmo que sejam uns farripos de neve, é novidade, é uma sensação, as pessoas vão para a rua construir bonecos de neve imaginários. Além disso, cá, repito o que já disse à Snow no meu blog, as casas não estão aquecidas. Os portugueses não só não têm dinheiro para pagar o aquecimento central, como, na maior parte das vezes, nem sequer têm aquecimento central instalado nem possibilidades de o instalarem.
    Eu senti frio aos 0 graus, talvez por ser a barreira psicológica dos zero, em que já pode nevar e tal, mas também porque depois de um ano e meio de ter voltado da Alemanha, começo a esquecer-me de como é sair de casa com menos 15 de máxima durante 3 meses ou mais.
    A maior parte dos portugueses, como os meus pais, não sabe o que é isso. E não entendem quando eu digo que ainda não está frio. Mas para eles está e há que respeitar isso e recomendar que se agasalhem para não se constiparem...

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  4. Isso que vocês disseram é tudo verdade. Mas o que eu queria evidenciar são as reportagens que se andam a fazer em sítios onde faz sempre frio, como em Vila Real e o resto de Trás-os-Montes, onde a neve por si só não é um acontecimento, e onde as pessoas estão mais que habituadas ao frio.
    E se se sente frio, será mesmo preciso dizer às pessoas que vistam mais uma camisola? Será que elas não pensam nisso se não lhes disserem?

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  5. E em relação às casas, mal construidas, mal isoladas, sem aquecimento... não é um alerta amarelo, ou vermelho ou preto que vai resolver isso. A não ser que o alerta ponha os bombeiros (?) a levar o aquecimento à casa das pessoas, ou a levar as pessoas para locais mais aquecidos...

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  6. Se fossem só as notícias sobre o frio... Eu quase todos os dias exclamo algures a meio do telejornal: "mas isto é notícia??". Agora a moda é fazerem notícia da estreia de um programa desse canal. Acho vergonhoso e escandaloso fazerem publicidade ao próprio canal durante as notícias.

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  7. Pois... e as notícias de publicidade a outras coisas... tipo à serra da estrela, a certos hotéis, a jogos de computador, e filmes... sem nenhum sentido crítico sequer, parecem as páginas das revistas...

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  8. O pior de tudo são os directos, a propósito de coisa nenhuma e que duram, duram, duram... (estamos aqui à porta do tribunal, que já está fechado, também já não está ninguém aqui na rua, vou então resumir em directo a reportagem que acabaram de ver, porque é sempre mais emocionante falar sobre o assunto junto a uma porta fechada).

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