24 março 2008

20 março 2008

O primeiro dia

Com o primeiro dia de primavera veio o primeiro (e provavelmente último) dia de neve desde há muitas semanas - tantas que nem me lembro quando foi a última vez que nevou. E às seis da manhã já estava um vizinho a limpar o passeio em frente à casa dele, que é como quem diz, a raspar o chão com uma pá de metal*. Pergunto-me se o tipo acorda todos os dias àquela hora, ou se passou o inverno inteirinho à espera da oportunidade de acordar os vizinhos às 6 da matina.

*foi rápido, que a neve era pouca e estava molhada, por esta hora já derreteu tudo, aquilo eram mesmo saudades

Primavera

A primavera chegou. E pontualmente, com ela, um dia de neve. É o inverno a fazer de conta que existiu.

19 março 2008

As fotos da praxe

De bebés no banho. Todos as temos. Todos as odiamos profundamente. Todos desejamos que os nossos pais nunca tivessem posto as mãos numa máquina fotográfica. E depois, quando temos filhos, vingamo-nos neles, que não têm culpa nenhuma, rindo-nos da bela figurinha que eles fazem numa banheirinha de água quente, já zangados por antecipação, como se soubessem o que aí vem.

À minha bonequinha apenas prometo que não vou mostrar essas fotos a ninguém. Pelo menos a ninguém que ela não queira.

17 março 2008

Máximo. Qual máximo?

Hoje o petróleo está a (aproximadamente) 70 euros o barril.
112 dólares o barril nos EUA.
1 euro a (mais de) 1,59 dólares.
É fazer as contas.

Factos inúteis II

Quando era miúda, só havia dois canais de televisão. Quando ainda era muito pequena, lembro-me de só haver programação a partir do meio dia, e mais tarde, a partir das 10. E ao sábado dar o compacto da novela. E de nos levantarmos cedo para ver os desenhos animados - os bonecos, dizíamos nós. E quando acabava a programação infantil - em que um dos pontos altos era o Vasco Granja a mostrar animações checas e a fazer desenhos num quadro a partir de borrões - íamos para a rua, onde a malta se encontrava para brincar. Antes de qualquer brincadeira porém, era indispensável discutir os desenhos animados. Era uma espécie de análise, que resultava em nos rirmos mais que uma vez da mesma piada. Podia haver um programa de televisão assim. O pessoal telefonava para lá, e em vez de discutir política ou futebol, dizia "viram o Doogie Howser a mandar as duas fotos por telemóvel ao amigo, para o convencer a conduzir para uma cidade bué longe para engatar miúdas em vez de estudar para o exame?" E depois alguém diria que sim, e que tinha sido muito engraçado, uma pessoa a pensar que a foto seria das miúdas e afinal era do Doogie a quase "hipnotizar" o amigo. E depois alguém ia telefonar a perguntar "alguém viu o quarto episódio do House na TVI no outro dia? É que aquilo dá tão tarde que adormeci antes de mudar de canal e gravei o programa errado. E logo na TVI, que não repete..." E alguém havia de contar o resumo e as partes mais fixes, e recontar as melhores piadas par toda a gente se rir outra vez. E pronto. Mais uma ideia brilhante que ninguém vai aproveitar.

Factos inúteis I

Quem é que nunca adormeceu numa discoteca? E agora, quem é que nunca adormeceu numa discoteca sem estar bêbedo?

15 março 2008

Passaram-se

É o chamado "não regular bem da cabeça". Bora a Espanha fazer um piercing? É aproveitar quando forem fazer as compras do mês e meter gasolina...

(será que isto era notícia de 1 de Abril que saiu no dia errado? é que só pode...)

13 março 2008

Atraso

O you tube deve andar doido. Tinha postado (tentado postar) o vídeo abaixo há 5 dias atrás. Só hoje apareceu. Mais vale tarde do que nunca (?). Assim não dá para uma pessoa se motivar a meter vídeos no blogue. Logo no segundo, isto.

11 março 2008

Fui às compras

Já não posso ver cor-de-rosa à frente. Que falta de imaginação. Já o azul escuro não me desagrada de todo...

Os provedores são todos iguais

Com a minha ligação, devia ser possível ter 16Mbps de velocidade de acesso à internet (downloads). Segundo a telecom. Segundo o contrato, que só é possível terminar 24 meses depois de se ter iniciado. Segundo a assistência telefónica. Segundo a página do provedor.
Por curiosidade, hoje testei a velocidade da minha internet, até porque ontem tive imensas dificuldades de navegação durante a tarde. Às 9 da manhã tinha pouco mais de 2Mbps. Por agora, nem chega a 1Mbps (está entre os 700 e os 900Kbps). Queria mudar o contrato para um de 6Mbps - na esperança que a velocidade na realidade não mude muito. Para isso vai ser preciso convencer a telecom que os 16 mega prometidos não chegam cá. O site deles nem dá para testar a velocidade real da ligação. Com alguma sorte, amanhã por esta hora ou tenho mais de 10Mbps ou o contrato desce 10 euros por mês. Honestamente, preferia pagar menos. Não preciso de grande velocidade na net - se precisasse, já tinha notado antes do teste. 2Mbps é mais que razoável. O que chateia, é pagar 16Mbps e ter menos de 1Mbps, e ainda ter que dar voltas e mais voltas a exigir aquilo que prometem e me fazem pagar. Não há direito.

[Adenda] Já cheguei aos 15 Mega. Para isso tive que comprar um modem novo - mas também, o outro já tinha mais de cinco anos. Agora alguns sites descarregam mais rápido, outros nem por isso. De qualquer forma, o mínimo que exijo é aquilo que me prometem. Estou mais satisfeita.

09 março 2008

Bugiar

É o que me apetece dizer a algumas pessoas, que vão bugiar. A variante "vai pentear macacos para o Alentejo" também me soa bem. Infelizmente, se eu dissesse qualquer uma destas frases a quem o merece ouvir, não iriam surtir o efeito desejado. Há muito que mandar bocas a alguém numa língua que o visado não conhece perdeu a piada.

Futebol vs teatro

Estou cada vez mais convencida de que se os campos de futebol estivessem atapetados a cimento, em vez de relva, se perdiam os maiores actores do país.

07 março 2008

A minha escola

Andei na única escola no concelho (preparatória e secundária, que naquela altura ainda havia escolas primárias em todas as aldeias), perdida no meio do nada dos montes, numa altura em que ainda não havia rankings (agora que há, está lá para o meio da tabela, mas no sítio onde está não há concorrência, e os alunos vêm de todos os meios sociais que há naquela terra), para onde os professores não queriam ir, onde a maior parte dos professores vinham de longe, alugavam quartos e iam "a casa" nos fins de semana que podiam, e onde muitas vezes as aulas de várias disciplinas começavam várias semanas depois do início oficial do ano lectivo, quando os últimos professores eram colocados por mini-concurso (seja lá isso o que for). Os professores que já lá estavam há muitos anos - os da terra, que davam aulas de matemática, física, química, biologia, português, inglês - davam explicações, os que iam e vinham todos os anos, sempre gente nova, às vezes pouco mais velhos que os alunos mais velhos da escola, esses ou se entregavam à depressão (uma expressão que na altura não se ouvia, mas bem se via como eles andavam tristes e desanimados, uns porque não conseguiam fazer-se respeitar, outros talvez com saudades da família, dos amigos, e da vida num sítio onde realmente se passasse alguma coisa), outros saíam à noite frequentemente, para as poucas discotecas do sítio, e outros ainda, dedicavam-se a actividades extra-curriculares (na altura não só eram completamente facultativas como só existiam se houvesse um professor caridoso e dedicado que as organizasse, em termos de tempo, espaço, contactos com outras escolas quando era caso disso, e motivação dos alunos, e isto, claro, sem receber um tostão).

Apesar das dificuldades - pois não havia dinheiro para laboratórios bem equipados, a sala de computadores tinha um ou dois que raramente era usados (como é que se mete uma turma inteira numa sala que dá para meia dúzia de pessoas?) - todos os anos havia uma massa crítica de professores que se dedicavam a fazer com que a escola fosse mais do que o sítio onde se ia às aulas. Ou não ia, pois se no inverno nevasse era feriado garantido, já que nem os professores nem parte dos alunos conseguia chegar à escola, uma vez que as estradas ficavam logo intransitáveis, e no verão às vezes havia alunos mais interessados em ir apanhar sol e dar uns mergulhos do que em ficar fechados dentro de uma sala de aulas.

Durante o tempo em que lá andei, lembro-me de muito amor à camisola de vários professores. Desde a professora de matemática, efectiva, que lançou um jornal de matemática e nos incentivava a participar em actividades nessa área, e que num ano esteve doente e não dava aulas, mas cumpria o seu horário (estava lá sempre) na biblioteca, onde ajudava os alunos que lhe pediam (andavam sempre de roda dela). A professora de física, também efectiva, que organizava o dia da física, e nos levava a participar em actividades relacionadas com a disciplina, que mantinha a fama de ser má e estar sempre aos berros (e resultava, na aula dela ninguém se atrevia a perturbar), mas que era um amor de pessoa. Outro professor de matemática, efectivo, que dava treinos de basquet e ténis de mesa, um professor de educação física, efectivo, que treinava as equipas de futebol e estava encarregue do atletismo (encontrar atletas e levá-los a campeonatos, não sei se havia treinos). Um professor de biologia, efectivo, que também treinou a equipa de futebol feminino. Uma professora de educação física que só esteve lá um ano, treinava os rapazes em basquet de uma forma que eles nunca esquecerão: apesar de eu não lá estar (o treinador das raparigas era o professor de matemática) lembro-me bem de como eles falavam de que se se atrasassem tinham que dar mais umas corridas à volta do campo, se falhassem no treino de lançamentos, tinham que fazer 5 flexões, e mais coisas desse género, e a verdade é que eles adoravam a mulher (quanto mais me bates...). Um professor de electrotecnia que também só lá esteve um ano organizou um concurso que na altura era popular na televisão, em que utilizava material eléctrico que provavelmente pagou do seu bolso, outro professor de português que também só lá esteve um ano pôs a escola a editar um jornal conjunto (até aí quando havia jornal era sempre só de um dos anos lectivos ou até só de uma turma). As professoras de inglês organizavam viagens educativas a Inglaterra para os alunos do 11°ano, com passeios a museus, universidades e monumentos, e em que os alunos ficavam durante aqueles dias a viver com famílias inglesas, para praticar a língua o mais possível. E isto, só para falar de professores que eu conhecia bem, pois concerteza que outros havia que organizaram outras coisas com os seus alunos e que eu desconheço. E a cereja no cimo do bolo é que quando precisei de ajuda, fora das aulas, e que às vezes implicava os professores estarem disponíveis fora do seu horário de trabalho, para projectos que nem sequer tinham directamente nada a ver com a escola, sempre tive professores disponíveis a ajudar, e isto também foi verdade no caso de professores que não me davam (nem nunca deram) aulas a mim ou aos colegas que estavam integrados nesses projectos.

Nesta escola havia de tudo. Betinhos, queques, rufias, violência, facadas, ameaças de bomba, meninos bem, marrões, baldas, revoltados, metaleiros, tudo. Bons alunos, maus alunos, alunos médios. Rapazes giros (tão giros!), médios, e feios, altos, baixos, gordos (um ou dois, naquele tempo não havia gordos) médios e magros. Bons professores, maus professores, professores assim-assim. Contínuos chatos, que não nos deixavam usar o ginásio quando não tínhamos aulas, ou nos impediam de jogar a bola contra a parede do edifício da manutenção, nas traseiras da escola, ou que não nos deixavam ir buscar a bola ao telhado quando ela lá ia parar. E contínuos bons, que se preocupavam connosco, e nos davam o almoço se por algum motivo não tivéssemos conseguido almoçar nesse dia.

Enquanto os anos iam passado e eu estava nesta escola, nesta terra esquecida, achava que não tinha tido as oportunidades que os miúdos da minha idade que moravam em cidades grandes teriam. Só muito mais tarde me apercebi que tive quase todas as oportunidades que precisava, e acabei por fazer muito mais coisas do que quase todos os estudantes que conheci mais tarde, e que moravam em grandes cidades. A verdade é que apesar de tudo, ou por causa disto tudo (e muito mais), fui muito feliz na minha escola.

04 março 2008

Beijos na boca

Mete-me impressão ver pais a beijar os filhos na boca. Não fui assim habituada, nem faço isso com os meus filhos.
Mas faz-me ainda mais confusão que, num país onde é normalíssimo os pais beijarem os filhos na boca, tenham eles a idade que tiverem (ora vejam), sejam capazes de condenar crianças por assédio sexual. Será que eles se entendem a eles próprios?

02 março 2008

Ninguém me compreende

Isto:

"Era bem mais fácil escrever as doze palavras que me chateiam profundamente."

eram as doze palavras. Para aqueles que têm sentido de humor. Ou uma mente distorcida, como a minha.

As outras doze, divididas por três posts, era eu a ser uma pessoa quase normal.

12 palavras (3 de 3)

E ainda mais quatro palavras que me fazem crescer água na boca.

bola de berlim (ok, não é só uma palavra, mas quem é que disse que tinha que seguir as regras?)
pastel de tentúgal (idem)
éclair
nata (pastel de nata)

Estas quatro podiam ser condensadas em três: pastelaria das boas :)

12 palavras (2 de 3)

4 palavras que alegram o dia a qualquer um

grátis
pechincha
oferta
presente/prenda

Ia pôr saldos ou promoções, mas como nem sempre são bons negócios (pechinchas!), não entram aqui.

12 palavras (1 de 3)

4 palavras que ouvia à minha avó, e que hoje em dia me fazem lembrar dela, se as ouvir, o que é raríssimo (o que diz da minha posição geográfica ao longo do tempo)

chanatos/chanatas -> o mesmo que chinelos/chinelas
bulir -> não bulas no lume!
abalar -> estou de abalada -> vou-me embora
catancho

só tenho pena de já nem me lembrar de tantas outras que cada vez menos pessoas utilizam

01 março 2008

12 palavras

Em resposta ao desafio do sniper (tarde e mal, como de costume, que isto de correntes tem que ser feito com tempo que é coisa que por aqui escasseia, não o tempo em si, mas o tempo para os blogues) aqui vão as palavras que neste momento eu mais aprecio. Ou penso que aprecio.

Era bem mais fácil escrever as doze palavras que me chateiam profundamente.

Doze, não é? Já está. :P

Como na farmácia

Este inverno tem sido quentinho. Para inverno. Não chegou ao do ano passado (que pena), mas ainda assim, as temperaturas abaixo de zero têm sido coisa muito rara, e o próprio raspar do gelo do carro de manhã um desporto que quase nem foi praticado - e ainda bem, que das poucas vezes que tive que o fazer, a barriga metia-se no caminho e quase não chegava ao meio do vidro, que também precisa de ser limpo.
Entre dias de quase primavera - a maior parte - alguns dias de praticamente verão (melhores que alguns dias de verão, diria eu), de almoços na varanda em t-shirt e passeios em roupa de verão (enquanto as outras pessoas, as que não olham para o termómetro antes de sair, se passeavam com os casacões de inverno e suavam que nem porcos), hoje neva. Pouco, que já não há força para tentar convencer-nos de que é mesmo inverno. Sao os últimos suspiros, os esforços desesperados deste inverno fraquinho. Há um ano, mais ou menos, morreu um alpinista numa avalanche. Hoje está mau para andar nas montanhas, provavelmente mais pelo vento forte que pela neve. Como há um ano, está bom é para se ficar em casa, ao quentinho.