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11 maio 2014

Trava-língua

Na estação central de Munique, encontro o meu maior problema linguístico desde que me mudei para esta cidade. Para enquadrar a minha dificuldade, devo dizer que, apesar de viver na Alemanha, a língua que eu falo 90% do tempo é inglês. Depois vem o português e só depois o alemão.
Em Hauptbanhof há um quiosque "Brioche Dorée"(imagem aqui). Ora, o brioche dourado é uma cadeia, que se encontra por França - e desde há algum tempo em Munique, na estação central, também - que vende produtos de pastelaria/padaria/café. Tem algumas coisas de que eu gosto muito: macarrons, brioches, croissants, pain au chocolat, tartes de morango e tarte de limão merengada. Assim de repente, é o que me lembro que tem de melhor. Ora, a primeira vez na vida que eu entrei num Brioche Dorée foi em França - nem me lembro o que é que andava lá a fazer, se turismo, se trabalho, se qualquer outra coisa. E entrei em vários, onde comi bolos, pão, croissants. De todas as vezes, antes de passar pela porta, ensaiava mentalmente o diálogo. O que é que vou querer hoje? "Bonjour. Je voudrais une tarte aux fraises." "Je voudrais deux brioches." "Merci. Bonne journée, au revoir." Coisas assim, melhor ou pior, com mais ou menos erros, mas o importante era que eu ia conseguir comer exactamente aquilo que queria.
Chegamos a Hauptbanhof. Da primeira vez que vi que havia um brioche dourado na estação central, embora em versão quiosque em vez do café, o meu estômago saltou de contente. Brioches! Croissants! Macarrons! Fui logo ver o que tinha na montra, debatendo comigo própria por uns minuto o que é que eu ia experimentar, para começar. E em chegando ao momento de abrir a boca e falar, para pedir o que eu queria, só me saía francês. Pois estando ali todas as etiquetas à minha frente a gritar "tarte aux fraises", "macarrons pistache", "macarrons chocolat", "tarte au citron", como é que eu podia dizer "Ich hätte gern eine tarte aux fraises."? Pura e simplesmente, não saía. Pior, eu começo a fazer o meu pedido em francês, e o empregado não percebia nadinha. O que é irónico, afinal de contas, ele tinha as etiquetas com os nomes à frente dele o dia todo. Mas nada, lá tive que convencer os meus neurónios a trocar para alemão, pelo menos um bocadinho, e, com muito esforço, lá consegui.
Isto foi há alguns meses, pouco mais de um ano. Entretanto, por mais tempo que passe, de cada vez que vou ao Brioche Dorée já sei que me vou debater com as línguas. Por mais que me esforce, qualquer diálogo que não tenha sido previamente ensaiado em alemão na minha cabeça, vai sair em francês. Pelo menos, entretanto, os funcionários já dominam o "oui". E riem-se, quando lhes explico que isto de encomendar em alemão comida francesa, é mesmo difícil para mim.

01 maio 2013

A caixa do demo

A miúda recebeu uma caixa de materiais para fazer os seus próprios cartões 3D. Para além do facto de a caixa indicar uma idade aconselhada de 6 anos ou mais (ou seja, ou quem comprou foi generoso, ou tinha na ideia que ela guardasse a caixa para mais tarde - o que por si só evidencia a falta de compreensão da mente de uma miúda de 5 anos) aquilo envolve uma data de trabalho manual. Recortar, colar, pintar. Muito bonito, 'a primeira vista. O terror começa quando olho para os objectos a recortar: aquilo em vez de ser uma coisa com linhas direitas, uma ou outra linha mais curva, vá lá, rapidamente se transforma num circuito de saliências e reentrâncias minúsculas, que requerem a perícia, não de uma criança de 6 anos ou mais, mas de uma pessoa que ganhe a vida a fazer scrapbooks. Uma tesoura de pontas redondas não tem como recortar  tais pormenores, e uma tesoura normal pouco mais consegue fazer. O 3D não passa de obrigar a miúda a mãe  a recortar uma imagem grande, e depois pormenores mais pequenos da mesma imagem que a miúda (vá lá) irá colar a uma espécie de esponjinha minúscula com cola dos dois lados - perfeita para os dedinhos dela. Quando chego ao enésimo passarinho e respectivas penas salientes, já só me apetece mutilar o malvado pássaro, cortar o nariz 'a princesa, e queimar os corações em efeito de flor. O projecto de 4 cartões rapidamente se transforma em "um cartão por dia", que eu tenho dificuldades em usar a tesoura por mais de 5 minutos, quanto mais meias horas seguidinhas. Para que é que ela quer tanto cartão, ainda para mais, se era para o dia da mãe devia haver outro voluntário a recortar tanto desenho.
Estes monstros do marketing deviam ser obrigados a fazer cartões 3D com tesouras de pontas redondas antes de classificarem estas coisas como para maiores de 6. O que a caixa deveria dizer era  que é preciso um mestrado em trabalhos manuais ou belas artes para fazer aqueles belos cartões, caso contrário mais vale recortar bonecos de uma caixa de cereais e colá-los num papel branco. Sempre se estragava menos material e o que se poupava em nervos. Se alguma vez me lembrar de oferecer um kit de trabalhos manuais a um pequeno humano vai ser uma caixinha com simples papel branco, cola, tesoura, e lápis ou marcadores. Ao menos com isto não pode haver erros. E um conselho: recortem primeiro, pintem depois.

29 abril 2013

Rais parta o pólen

Como é possível, minha gente, isto foi Inverno até há uns dias e depois veio a Primavera toda de uma vez. Eu explico, de repente deixou de fazer frio, a mãe Natureza mandou o alerta a tudo quanto era ser vivo, e todas as plantas desataram a reproduzir-se que nem doidas. Ou seja, os poléns estão todos no ar, mais concentrados que se a Primavera tivesse chegado com mais calma, e qualquer pessoa que seja minimamente alérgica anda aflita. eu estou com uma comichão horrível no ouvido interno e nos fundinhos do nariz, sítios impossíveis de coçar. O céu entretanto voltou ao habitualíssimo cinzento, as temperaturas desceram para os 13 graus, mas chuva, nem vê-la. E enquanto não chover, continuarei a tentar coçar-me nestas zonas improváveis.

13 abril 2013

Estranho

Tenho imensa dificuldade em lembrar-me da idade das pessoas. Da minha, da dos membros da minha família, dos meus filhos. A maior parte das vezes se me perguntam a idade, ou a idade dos que me são próximos, engano-me. Posso enganar-me para trás ou para a frente, não é um erro sistemático dessa forma. Os meus miúdos ficam ofendidos, principalmente o mais velho quando digo que ele tem menos anos que na realidade. Não faço por mal, simplesmente são números que mudam frequentemente (uma vez por ano, para mim, não dá para acompanhar).

Faz uns dias, alguém me perguntou a idade para uma estatística. As idades estavam agrupadas, e eu fiz um esforço para acertar no grupo correcto (e consegui, para variar). O senhor que me tinha feito a pergunta ficou muito espantado, parece-me que não acreditou na resposta, olhando para mim, pensou que eu fosse mais nova. Respondi-lhe que também me custa a acreditar mas já sou velha (hihi). Na verdade, estou na margem entre um dos grupos de idade e o outro, e aquele em que me incluo ia até aos 50 anos, pelo que compreendo a confusão do senhor. Mas a verdade é que até eu fico surpreendida quando me lembro da minha idade verdadeira. Ou a dos meus miúdos, cada vez mais crescidos. O tempo passa tão depressa.

12 abril 2013

Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Almocei bolos de bacalhau com salada de feijão frade. O melhor almoço de cantina desde há mais de 10 anos, ou seja, desde que fiz as malas no Porto e as desfiz em Munique, sem data de regresso final. No fim fui agradecer à cozinheira, que me fez ganhar o dia (a semana, o mês?), e passar o recado que fizessem disto mais vezes.
Já não vou a Portugal desde o Natal. As saudades apertam, e nem os almoços dos conterrâneos nem a comida chegam para me fazer sentir melhor. É grave.

30 março 2013

'As compras

'A procura de um blazer.
Dei a volta a uma data de lojas em Munique. A única onde o corte me assentava, e não tinha os botões demasiado acima ou abaixo, era a Zara. 50 euros, mais ou menos, davam para comprar um blazer. (Não trouxe, porque a cor ou os ombros ou isto ou aquilo não era exactamente o que queria. Sou esquisita.) A procura continua. Entrei numa department store, encontrei uns blazers engraçadinhos. 200 euros, made in China. Fiquei revoltada. Por 200 euros não podiam mandar fazer a roupa na Europa?

24 fevereiro 2013

Procrastinar

Tenho que me sentar a estudar durante pelo menos quatro horas. Não me apetece. Tenho? Bem, ter, ter, não tenho, mas provavelmente e' boa ideia. Sei que quando começar não vai custar nada (a não ser quando terminar e me doer tudo de estar sentada e concentrada durante tanto tempo), o que custa e' sentar-me à secretária.
La fora esta' tudo branco. Quase monocromático. Não há sol. O meu joelho ainda não recuperou da lesão do ligamento cruzado, pelo que nem que quisesse, não posso esquiar. Não tenho nada que verdadeiramente me distraia ou razoes minimamente fortes para fazer algo que não seja sentar-me a estudar. A cadeira e' suficientemente confortável, sem o ser em demasia, pelo que nem essa e' uma desculpa aceitável para não ir.
Sobra o sofá confortável. O portátil no colo. Os vídeos que a malta põe no facebook. Os artigos de jornal no twitter. Os telefonemas para a família. Os blogues. O dia ser comprido.
Já vou. Vou já.

22 janeiro 2013

Cor de rosinha

A praguejar baixinho porque certas e determinadas lojas (C&A, H&M, S.Oliver e Esprit, pelo menos) só têm calças slim fit para menina. Tão slim, que às vezes mal passam nas pernas da miúda, que é uma magricela. Tão terrivelmente apertadas, fashion, e femininas, que me vejo obrigada a comprar calças "de rapaz". Na secção das meninas, nem no Inverno têm calças quentinhas, com forro, que dêm mais espaço para as meias calças (e as pernas, caramba, as pernas!). Quanto às partes de cima, é só parvoíce atrás de parvoíce. Mensagens como "just buy me flowers", "i <3 shopping", "ballet princess", e já vi bem pior que isto embora não me recorde exactamente da terminologia usada para aqui reproduzir. Algumas dessas mensagens impressas em t-shirts envergonhar-me-iam como mãe, e aposto que qualquer pessoa que saiba inglês e as leia na camisola de uma miúda que nem na escola anda perceberia como tudo isto é bizarro. Ninguém me manda comprar nas lojas mainstream, é certo, e se lá comprar há também os básicos (uma única cor) e a roupa de menino (porque eu é que decido, como compradora, se é de menino ou de menina), mas de cada vez que entro numa loja destas pergunto-me como é que em pleno século XXI ainda nos deixamos manipular, encaixar em gavetas completamente artificiais, como é que deixamos perpetuar estas espectativas e formatação de género desde a mais tenra idade. A minha menina pode não ser maria-rapaz. Mas também não cabe no estereotipo da "menina" tola, cor de rosa e fofinha em todas as ocasiões. É incrível que, em Munique, haja mulheres jovens com filhos que sejam acusadas de serem más mães,sofram do preconceito retrógrado que puxa as mulheres para baixo, porque cometeram o horrível pecado de trabalharem e deixarem os filhos nos infantários. Pecado esse não atenuado pelo facto de o trabalho ser em part-time, em muitos casos. Em pleno século XXI, há que critique uma médica que trabalha como médica e deixa os filhos na creche para poder ser médica. Mesmo que isso signifique deitar anos e anos de estudos e trabalho ao lixo, mesmo que isso signifique a infelicidade da mãe, e, consequentemente, a dos filhos. Eu sei que a roupa não é nada. Que as Barbies, os brinquedos "de menina" e "de menino" não são nada. Que há escolas onde as crianças até são incentivadas a experimentar tudo, bonecos, comboios, legos, livros, cozinhas, trabalhos manuais de todo o tipo, mesmo que depois os adultos que lá entram tenham atitudes antiquadas, sexistas e altamente reprováveis. Mas isto tudo junto tem que ser combatido. Eu não quero que a minha filha daqui a uns anos tenha que ouvir que o lugar dela é em casa, ou que algum dia lhe passe pela cabeça perder a sua independência ou não chegar a alcançar essa independência e tudo o que lhe está subjacente. É pena não haver mais gente a pensar na liberdade das suas filhas. E a agir no interesse dessa liberdade.

20 janeiro 2013

Hmmm

No último ano, reduzimos o consumo de electricidade em 10%. O preço, no entanto, vai aumentar 20%. Raios.

(Neste caso, a solução "se não consegues vencê-los junta-te a eles" deve passar por comprar a empresa de electricidade.)

26 dezembro 2012

Sorte

1. Corremos para apanhar o autocarro. Foi por pouco.
2. Esqueci-me da mochila no comboio.
3. Controlo de segurança no aeroporto. Apercebo-me de que me esqueci da mochila no comboio e entro em pânico. Costumo guardar os bilhetes de identidade e cartões de embarque na mochila. Felizmente, desta vez tinha-os na carteira, que ainda estava comigo. Uma sorte no meio do azar.
4. Contacto os serviços de perdidos e achados dos comboios (não havia tempo para voltar atrás). Dizem que vão procurar.
5. No avião. Passo a viagem a pensar na mochila. Computador, DVDs, prendas que tinha lá dentro. Pen USB e modem USB. Phones. Roupa de emergência para o caso de me perderem a mala. Documentos oficiais de difícil substituição. Faço uma lista do que me lembro que lá estava. Nunca tinha perdido uma mochila na vida, nunca tinha perdido nada tão importante. (OK, relativamente importante, não é o fim do mundo.)
6. Lisboa. Enquanto trocamos de avião, recebo uma chamada de Munique. Encontraram a mochila e perguntam se posso mandar alguém a buscá-la. Posso.
7. Porto. A mochila já foi resgatada. As prendas serão entregues depois do Natal. Não sei se o conteúdo está lá como o deixei, mas aposto que sim. Confirmo no ano novo.

Tenho uma sorte que nunca mais acaba. A sério.

06 outubro 2011

O interesse

Há uns anos, fiz um curso de quinze dias que deixou o professor pasmado. Ele comentava com quem o tinha convencido a dar aquele curso que nas suas aulas normais os alunos não estavam atentos (não seriam todos, acrescento eu), tinham pressa de ir embora, não manifestavam grande interesse pelo assunto. E ali estava ele, a mesma pessoa, com um grupo de alunos diferente, cada aluno com um background completamente diferente do do lado, de diferentes nacionalidades, e a situação era quase o reverso do que o que este professor estava habituado. A atenção era total, o interesse também, e quando o tempo terminava nenhum dos alunos arrumava as coisas para ir embora, antes continuava o trabalho que estava a fazer, ou a tirar as dúvidas que tinham surgido, e depois, muito lentamente, depois de serem relembrados várias vezes que a aula tinha acabado, lá arrumavam as tralhas e seguiam para o ponto seguinte do programa (o jantar!).
Até hoje estou convencida que a diferença era que todos estes alunos tinham escolhido aquele curso, aquele tema, porque à partida estavam interessados nele. Não porque os pais os tinham obrigado a ir para ali, não porque sentiam que aquilo era um passo necessário na vida (não era), não porque lhes fosse dar melhores perspectivas de emprego (mas talvez ajudasse), não por nenhuma razão externa excepto o gosto pelo tema. Era um curso extra curricular, numa língua estrangeira para todos, com gente que não conheciam, com promessas de festa à mistura, mas suficientemente técnico para suscitar interesse por si próprio. E durante aquelas semanas aprendemos uma data de coisas sobre as quais não tínhamos a mínima noção à partida, desfrutámos da aprendizagem, fomos a festas todas as noites, e fizemos um professor muito feliz.

04 setembro 2011

Para matar saudades

Para matar saudades, antes de dormir passo uns momentos a olhar para o Porto. A ponte D.Luís, a ribeira, três rabelos, o rio, as luzes da noite. A vista do meu quarto, à noite, com a persiana corrida, é essa. Comprei-a no Ikea há uns dias, e o melhor de tudo foi que no momento da descoberta ("Olha! Um quadro do Porto", dizia eu) um alemão muito excitado descobria-a também. E dizia à namorada (?) "É o Porto! É o Porto!", e pegou no quadro-foto e levou-o para a mãe dele. É bonito. A foto é bonita. E é bonito, da parte do Ikea, trazer um bocadinho de mim até cá.

22 novembro 2010

Proibido estacionar

Num feriado, chego a casa e a minha vizinha vem logo cumprimentar-me, e contar-me a novidade do dia. A polícia tinha passado pela nossa rua, e multado todos os carros que, como sempre, estavam estacionados meio em cima do passeio. Note-se que há uns anos atrás já tinha ocorrido a multa-porque-estava-demasiado-perto-do-muro, em que o polícia sacou de uma fita métrica para ver se um carro estava demasiado em cima do passeio e a seguir multou, um único carro. Desta vez, em pleno feriado, correu os carros todos que estavam na minha rua, pois toda a gente estaciona da mesma maneira, que a rua é relativamente estreita e assim pode-se circular melhor (e os peões também têm espaço, e os carrinhos de bebé, que isto é tudo gente de família e com muita consideração pelos outros ;)). Os vizinhos bem protestaram, que se estacionassem como deve ser não haveria espaço para os camiões do lixo e afins, mas o polícia disse que as regras são assim, assunto arrumado.
(Os meus vizinhos são fantásticos, protestam com a polícia. E avisam os outros para não caírem na mesma ratoeira.)

Um ou dois dias depois já os vizinhos se tinham organizado. Fui informada que devia estacionar do mesmo lado que todos os outros, para ser mais fácil passar. Podia ter pensado que isto é um atrevimento, que é preciso uma grande lata para ousar impedir-me de utilizar o meu direito de estacionar do lado que me apetecer, desde que seja permitido, mas a verdade é que fiquei impressionada com a organização dos meus vizinhos. É que foi tudo pensado ao pormenor. Escolheram o lado da estrada onde os camioes e carros das obras têm que parar durante a semana. Pensaram em todos. E nem foi preciso encomendarem um sinal de proibiçao de estacionar para o lado interdito. Já passou quase um mês e até agora devo ter visto uma única vez um carro estacionado do lado "errado". Devia ser visita de alguém.

(Os meus vizinhos são fantásticos. A sério.)


PS - O passeio é muito baixinho, do tipo em que geralmente até é permitido estacionar duas rodas.

29 setembro 2010

post de gaija ;)

Saí de casa a sentir-me gorda. Isto é raro, eu não sou gorda sou bem proporcionada ;), e costumo sentir-me apenas "normal" ou muito bem". Fantástica, em alguns dias. Mas há uns dias senti-me gorda (foi só um dia, calma). Pus um vestido (ao mesmo tempo que pensava "hmm está um bocadinho justo demais) e botas, que está um bocadinho frio, mais um casaco para usar de manhã e ao fim do dia, e nem pensei mais nisso de estar a sentir fosse o que fosse, que o dia é comprido mas há muito que fazer e pouco tempo para pensar noutras coisas. E no fim do dia, já cansada, a fazer compras com a pequenita pela mão, recebo uns elogios de desconhecidos (de ambos os sexos, genial!). Não é que instantaneamente me tivesse sentido magra, mas esqueci logo o assunto de vez. Estou muito bem, obrigada

11 setembro 2010

Em jeans, sapatilhas e t-shirt 1☺

Na floresta fizeram um parque de escalada. Não é que seja bem escalada aquilo que se faz, é mais andar com um arnês e cordas de segurança a saltar de árvore em árvore. De corda em corda. Agarrada pelas mãos, pelos pés, pelo que calha. A olhar cá para baixo a partir do cimo de uma árvore, a 17 metros de altura. A olhar para o chão, lá tão longe, enquanto se tenta agarrar aquele tubo que nos vai impedir de ficar pendurados pelo arnês, com ar de parvos, enquanto lá em baixo a vigilante observa com ar de "eu bem disse que isso não era para principiantes". Agarrada a um triângulo de metal e a deslizar por uma corda por uma distância interminável, a pensar "carago, que eu peso mais do que as minhas mãos e braços aguentam!". A passar pelo meio de pneus (ah, tão giro), por pontes tipo Indiana Jones, por outras que são constituídas por uma sequência de baloiços. Pondo um pé no meio de uma corda, bem agarrada dos lados, tudo a abanar, e a pensar na Helena o tempo todo ("aimeudeus"). Quase que dizia "no que é que me fui meter", e "como é que eu vou sair daqui", mas lá me safei sem grandes safanões no meu orgulho. ;-) E os skates entre as árvores?? Fantástico! :-) E descer da árvore como se não houvesse cordas nem nada, só a saltar de ramo em ramo, foi tão giro. A cereja no cimo do bolo foi o miúdo ter sido o herói do dia, ao ajudar a mãe e a dar dicas à senhora que ia à frente dele, que ia mesmo aflitinha... Um rapagão. :)
(E sim, estou com as mãos vermelhas, tenho uns cortezitos, uma perna deve ter acertado em qualquer coisa dura porque tenho um inchaço, doem-me os músculos das costas e dos braços, e os pés e as mãos. Mas estou contente como se tivesse 5 anos, e isso é fantástico.)

07 setembro 2010

E o burro é...

Para o que me havia de dar. Prometer um burro de peluche à miúda. Porquê, mas porquê?
Depois de procurar em diversas lojas (e nada), lá fui à Meca dos brinquedos em Munique, a loja de Karlsplatz da Obletter. É fantástica, têm tudo e mais alguma coisa, incluindo burros de peluche (ainda fiquei lá um bocado, fascinada com os fantoches de todos os tamanhos, e até um conde de contar tamanho gigante). Burros que não parecem burros, o burro do Shrek que não é nada fofinho e por isso não pode servir de almofada, burros com focinho de vaca, burros que parecem machos, burros com ar de cavalos cinzentos... Enfim. Lá encontrei um burro com ar de burro para a miúda, e fui à minha vida, não antes de perguntar se se pode trocar no caso de a miúda "já ter", que é um eufemismo para "não gostar".
O burro é um animal muito ignorado, deixem que vos diga, está aqui uma oportunidade de alguém o adoptar como mascote e vender rios de burros numa manobra genial de marketing que deveria ter ocorrido aquando do famoso "e o burro sou eu?". Mas pronto, eu acho que ainda dá. Para além de que há uns tempos corri as lojas todas duma terreola onde até alugavam burros para dar uma voltinha*, tudo porque achei que um amigo meu, que é um casmurro de primeira, devia receber um burro teimoso de presente, a ver se percebia a piada, mas nada, não encontrei nenhum burro. Havia tartarugas, girafas, hipopótamos, elefantes, tudo e mais alguma coisa, mas burros, só vivos, num pasto ali à beira. Um desperdício, que belo souvenir que dava, junto com um daqueles moinhos que se vendem em todo o lado... (por falar em moinhos, para quando um gerador eólico em tamanho pequeno, para levar para casa?)

*(isto pode soar um bocadinho esquisito, mas eu já tive um burro na família - o animal, não um familiar dotado de pouca inteligência - e sim, às vezes íamos dar uma voltinha no burro. Poucas vezes, que não se pode abusar dos animais, principalmente quando eles são assalariados, daqueles que recebem em géneros - fardos de palha, no caso, e só da boa que a palha seca o burro deixava-a para o dono)

31 agosto 2010

O velhote

Todos os dias, ele está lá. O velhote do cabelo grisalho e do fato-de-banho-cueca azul. Todos os dias ensina miúdos a nadar. A princípio pensei que fossem os netos, depois fiquei na dúvida. Umas vezes eram uns miúdos, outras vezes outras. Só o velhote era sempre o mesmo. Ele nem deve ser assim tão velho, velhos são os trapos, e eu começo a perder a noção do que é ser realmente velho. Deve ser velhice. A minha.
Um dia apercebi-me de uma mulher que dizia aos filhos para irem ter com o velhote, e eles irem, e o velhote ensinar os miúdos. Primeiro tentou explicar-lhes dentro de água. Depois, trouxe-os para o areal. Gesticulava muito, falava sem parar, e os miúdos, de vez em quando, respondiam-lhe noutra língua. Foi aí que me convenci que o velhote devia ser o professor de natação oficioso ali da praia, e até pensei em mandar-lhe os meus miúdos. Eles também poderiam responder-lhe numa das línguas que sabem, e o velhote continuaria a tentar fazer-lhes entender, na dele, como é que se faz. Mas não. Mais uns dias, que eu às vezes demoro a perceber bem as coisas, e reparei que sim, eram vários miúdos, mas eram sempre os mesmos. E até eram parecidos. Portanto aquilo deve ser tudo família, e andam uns para um lado, outros para outro, uns para uns países, outros para outros, e encontram-se todos ali na praia, para apanhar sol e pôr a conversa em dia, mesmo que em línguas diferentes. Um bocadinho como a minha família.

19 agosto 2010

Uns saem de casa na mota. Outros vestem o fato e vão para o trabalho de monociclo.
(Se não estivesse mais preocupada em olhar para o semáforo e não me deixar cair a mim nem à mota, era uma foto fantástica. O homem de fato no monociclo, não eu na mota.)

12 agosto 2010

Por baixo da roupa

Ia escrever um post sobre as coisas que não preciso (todas, nenhumas, provavelmente), mas depois olhei-me ao espelho. Hoje é dia de saia branca justa. E por isso experimentei, finalmente, umas cuecas novas. "As" cuecas novas, melhor dizendo. Aquelas que me custaram 3 vezes o preço das minhas favoritas, porque teoricamente não "marcam". O problema deve estar na definição de "marcar". Pois, não têm costuras. Mas continuam a ser cuecas, feitas de tecido com uma certa espessura, que ainda que seja milimétrica não é inexistente. Portanto, apesar de relativamente céptica, eu até acreditei que não se vissem as cuecas por debaixo da roupa. Ingenuidade da minha parte, claro, vi agora ao espelho, claro que se vê que tenho cuecas, que a saia é bem justa. E agora, aquilo que realmente interessa, mas o que é que importa seja a quem for que se veja que uso cuecas por baixo da saia (ou das calças)? Porquê esta obcessão por fingir que não se tem ali nada? E daqui para as praias do Algarve (pelo menos): mas porque é que este ano as mulheres andam a meter o fato de banho por dentro do rabo??? (é que é mesmo...) Desde quando é que passou a ser tão importante ter um cu bronzeado? (E porquê, mas porquê, e para quê? O que é que me anda a escapar?) E, caso o seja, porque é que não compram mas é umas tangas e pronto? (Eu sei que não me devia incomodar, que um rabo feio ou bonito me devia ser indiferente, mas nunca tinha visto tanto rabo ao léu na vida, e a maior parte preferia não ter visto. )

26 maio 2010

Para começar o dia...

Levei o miúdo à escola, como sempre. Deixei-o no sítio do costume, no acesso próximo, e preparava-me para arrancar quando uma data de miúdos começam a correr para a estrada, na direcção contrária à da escola. O meu primeiro pensamento foi o amoklauf que tinha sido anunciado há uns tempos no tampo de uma mesa da escola, com data e tudo, que não se tinha chegado a concretizar. (Na altura pensei que era brincadeira, alguém que não queria ter aulas nesse dia, como quando eu era miúda e alguém telefonava para a escola a avisar que havia uma bomba, provavelmente para não ter que fazer algum teste.) Já me estava a preparar para pegar no meu rapaz e levá-lo dali para fora rapidamente, quando me apercebi do que realmente se estava a passar. Um grupo de adolescentes mafarricos, cada um com uma pistola de água daquelas gigantes (tipo supersoaker) estavam a atirar a quem chegava. Uma partida portanto. E os miúdos tinham-se organizado, até tinham t-shirts para o evento e tudo. Ainda estou para ver o sentido de humor dos alemães para esta brincadeira. Eu achei graça...