03 agosto 2015

OCD (isto está mesmo limpo?)

Ofereceram-me uma máquina fotográfica especial. Eu que estava habituadíssima às compactas, de levar no bolso ou na carteira, de repente passei a ter nas mãos uma máquina mais pesada, acompanhada de um sem fim de traquitanas. Ele é uma bateria extra, um paninho para limpeza, outra lente, uma tampinha para isto, uma tampinha para aquilo, uma mala malinha para meter a tralha toda. A minha coisa favorita é o barulho que faz quando dispara. E desfocar o background se eu quiser. O meu ódio de estimação começa a ser a limpeza desta máquina do demo. Tudo começou com a primeira vez que troquei a lente. Ah e tal, isto até é fácil, e assim fico com uma imagem melhor do edifício lá ao longe. É o ficas. O que obtive foi uma quantidade enorme de imagens com o que parecem micróbios a flutuar. Uma placa de petri com uma imagem de fundo. E o pior de tudo é que só reparei mais tarde - centenas de fotos possivelmente giras depois. E a partir daí começou a obsessão da limpeza. Como é que se limpa esta cena? Paninho de microfibra não chega. É na lente? É no sensor? É por dentro ou por fora? Descubro a sujidade à noite, limpo como posso, de dia verifico, após fotos de teste (céu azul, era bom, era), que ainda há ali qualquer coisa. Desmonto, limpo, monto, novos testes. Ainda há ali uma micropartícula a estragar tudo. Desmonto outra vez, limpo, acho que estou a ver uma micro coisa, sopro em desespero de causa, monto, volto a testar, maldigo a minha sorte e a minha visão apurada, vou à net. Primeiro pesquisar como é que se limpa uma máquina destas. Depois de uma página com os cinco modos de limpar uma máquina fotográfica destas, que aconselha cinco tipos de produtos diferentes (e todos caríssimos), dos quais "soprar" apenas é indicado como altamente desaconselhável, e possivelmente suicida, encontro outra página que conta as desventuras dos utilizadores da minha máquina e de sucessivos envios para a marca para limpeza, por preços que quase dava para comprar uma máquina nova. E eu a ver a minha vida a andar para trás em alta velocidade. Do género "mas porque é que eu não me lembrei que se calhar isto de mudar de lentes era má ideia" e "mas como é que eu não procurei primeiro como é que se limpa esta treta antes sequer de abrir a embalagem". Tortura. Tanto que decido procurar o manual. O MANUAL. Apesar do que ouço em contrário, não conheço engenheiro que se preze que leia o manual. É preciso estar muito aflito e já ter tentado tudo. Uma máquina bem feita não precisa de manual. Bem, esta precisava, quanto mais não fosse para descobrir como é que se limpa, que a bem ver, não é propriamente uma questão de engenharia. A porcaria do manual tem mais de 400 páginas - está-se mesmo a ver porque é que nunca leio manuais - deve ser por isso que hoje em dia eles já nem vêm embalados com os aparelhos. Felizmente a versão electrónica dá para pesquisar, pelo que rapidamente dei com a página das limpezas. A má notícia é que preciso uma geringonça que eu, obviamente, não tenho. A boa notícia é que ao menos não tenho que "investir" nos outros quatro produtos de limpeza do outro site. A notícia frustrante é que a máquina tem limpeza automática, mas talvez fosse tarde demais, talvez seja apenas propaganda.
Daqui para a worten - porque a fotosport não me atendeu o telefone - que é uma loja grande e vende todo o tipo de cenas eléctricas. Bem, todas não, se precisar de um transístor, uma resistência ou um díodo não me safo ali, mas para material de fotografia, acreditei que tivessem o básico. De repente um kit de limpeza passou a ser básico para tirar fotografias. Lá passo vergonha em frente ao empregado - que eu não tinha tempo para pesquisar a loja toda à procura de material de limpeza. Não sei como se chama o que eu preciso, mas é uma coisa para soprar ar para o sensor. E não, não pode ser ar comprimido, é uma coisa manual. O que me valeu é que ele não se riu. Eu devia estar com um ar mesmo desesperado. Lá trouxe então um "fole" - não estou a gozar, é mesmo assim que se chama.
Limpei a parte de dentro, de fora, soprei, agora devidamente, tudo quanto era vidro, voltei a montar tudo, limpeza automática, e tirei fotos. Ainda havia coisas na imagem. Outra limpeza, e agora sim, parecia estar tudo bem. Finalmente.
Entretanto com esta história toda fiquei paranóica. Cada vez que toco na máquina tenho que verificar se há fantasmas na imagem. Pior, quando descarrego para o computador, vou procurar mais fantasmas. E finalmente, o écrãn do meu computador também não é a coisa mais limpa que possam imaginar. De modo que eu já vejo micro sujidade em tudo quanto é superfície. Ando com um paninho atrás sempre que vou ver "as fotos". Começo a ter medo de tudo neste processo. Desde o início, tirar as fotos com a máquina (e verificar que não há nada a estragar a imagem), verificar se a imagem não se altera entre o antes de carregar no botão e o depois (sinal de sujidade dentro da máquina), até ao depois, a procura obsessiva por pontos, ou riscos, ou anomalias na imagem primeiro no LCD da máquina, depois no computador. E tentar não ficar paranóica quando nesta última fase encontrar um pontinho no mesmo local em todas as imagens - afinal, pode ser apenas sujidade do écrãn do PC.
Acho que vou voltar à minha máquina compacta. Ao menos essa resiste a tudo.


21 julho 2015

Munique ao fim da tarde


Está um onda de calor impossível. Vinte e dois graus de mínimas à noite, trinta e vários durante o dia. Um sol quente, dias para passar dentro de água fria, ou de locais climatizados. Ouço mães às compras para os filhos, fartos de lojas, argumentar que não se vão despachar porque está muito calor fora de portas. Onde houver ar condicionado, está ligado no máximo.
Dias de gelados, muitos gelados, e batidos, e garrafas de água. Pessoas que sofrem insolações, desidratação, colapsam a meio do dia. Cenários estranhos no centro da Europa.
E em dias assim, mais um insólito. Passar por uma ponte e ver oito músicos pendurados. Sentados, empoleirados, a tocar trompetes e saxofones. Vestidos de preto. Ao fim do dia, trinta e dois graus, há quem se lembre de se vestir de preto e empoleirar-se ao sol numa ponte de metal a tocar umas musiquinhas. Só para a produção fotográfica, está bom de ver. Podia ter atravessado a ponte para tirar a foto do mesmo ângulo do fotógrafo deles, mas não me apeteceu. O insólito, para mim, era o conjunto todo. Contra-luz, uma banda de metais, um fotógrafo, um assistente, umas pessoas a passar. Fotografei com o telemóvel, não queria perfeição. Tomei todo o tempo que precisei à espera que os carros não atrapalhassem a foto. Uns minutos a clicar, sem ver nada no écran, a sorrir e a rir-me para dentro da minha figurinha, e da deles. E contente, por ter tempo para isto. Há coisas curiosas nesta cidade, mas nem todos os dias tenho uns minutos para as apreciar.

18 julho 2015

O tempo não dá para tudo


Às vezes tenho vinte e quatro horas num dos meus sítios. Ir, estar, voltar. Uma correria. E enquanto vou e volto, aproveito os minutos todos, não me escapa um segundo que seja. Quase nem durmo, nessas alturas. Uma hora para isto, uma hora para aquilo, meia hora para aqueloutro. Uns minutos para ver uma coisa que nunca tinha visto. Um almoço naquele sítio que já está lá há tanto tempo mas nunca tinha tido oportunidade de conhecer. Apanhar sol, sentir a brisa do mar. Comer um fizz limão. Experimentar uma gelataria nova, mesmo que que já seja o segundo gelado em poucas horas. Trocar de sapatos e de roupa porque quando se vive assim intensamente, uma muda de roupa não chega para um dia. E depois, à noite ainda dá para beber um copo. Mesmo que depois não se durma, afinal, está na hora de abalar outra vez.
Num destes dias, aprendi que às vezes têm que se limpar as lentes.

19 junho 2015

Um momento de quase perfeição

Há dias em que está tudo bem. Dias em que não custa acordar cedo, o corpo coopera, a temperatura é a certa mesmo que estejam 30 graus e esteja a trabalhar sem ar condicionado. Há dias em que o espírito da minha vida me acompanha de manhã até à noite, e me envolve num abraço apertado todo o dia. Há dias em que está tudo certo, as pessoas, as conversas, a comida, a roupa, os sapatos, o ambiente. Há dias em que até o que corre menos bem é maravilhoso, em que uns saltos agulha enfiados na calçada são apenas um motivo para sorrir. Dias em que estou aqui quase só para ajudar, e ao mesmo tempo recebo tão mais do que aquilo que dou. Há dias em que me lembro de todas as coisas que fazem parte de mim, e essas coisas estão todas à minha volta, por um dia. Há dias em que me lembro onde pertenço, onde sou gente, onde me conhecem e onde me reconheço. Há dias em que me lembro como é bom encontrar pessoas que conhecem os meus semelhantes mais próximos. Há coisas nesta lista que para o comum dos mortais fazem parte do dia a dia. Há outros que já não têm oportunidade de ter dias assim. (Nunca me hei-de esquecer daquele taxista em Munique que fugiu de Sarajevo durante a guerra e me contava que nunca mais poderia voltar ao seu país natal, de onde tinha escapado há uns vinte anos.)
Há dias maravilhosos, dias disto tudo. Dias em que se conseguem encaixar milhentas pequenas coisas que fazem parte das melhores partes de mim. Tão bons que se tornam melhores ainda por acordar cedo e deitar tarde, só para durarem mais.

farol, mar

08 junho 2015

Estou a passar demasiado tempo no ginásio

Acabam-se-me os podcasts. Ou troco o ginásio por outra coisa, ou passo a treinar apenas 15 minutos (dois homens a morder o cão, uma mixórdia, e as curtas dos momentos da manhã), ou então tenho que encontrar podcasts novos. Já experimentei o tubo de ensaio, que não sendo dos meus favoritos, sempre me dá mais uns três minutos e meio. No desespero, descobri que há podcasts de conselhos fiscais (TSF), sobre "a" economia, e imensas coisas de igrejas. Não encontrei os podcasts das aulas de português ou história, embora não tenha procurado muito, acho que não faço parte do público alvo. No fundo sou um nichinho de mercado, eu só queria coisas que me fizessem rir, e disso há pouco. Uns quinze minutos por dia. Cinco dias por semana. Fraquinho, fraquinho.


02 junho 2015

Quatro em um, e um bónus

No último dia de Maio, pela primeira vez, tomei o pequeno-almoço ao ar livre deste ano. O Verão tardou em chegar. Verão, como quem diz, que o Verão aqui, como o conheço, é uma alternância entre dias de 30 graus e sol seguidos de dias de 13 graus e chuva. A Primavera costuma ser mais quente e menos molhada, mas este ano recusou-se a dar um ar da sua graça.

Há vinte anos atrás, mais coisa menos coisa, achava que a CEE era das melhores ideias que os europeus tinham tido. E estava convencida que iriam continuar a trabalhar para que um dia a Europa fosse una. Uma moeda, um sistema fiscal, um sistema de saúde, um modo de vida. Sem fronteiras, sem invejas, sem acusações, um sistema de ajuda mútua. Uns podiam exportar a água que tinham em excesso, em Julho, época das inundações, para os outros que no mesmo mês sofriam com a seca e incêndios. Por assim dizer. Hoje em dia fala-se em saída da Grécia, que entrou antes de nós, e na saída da Grã-Bretanha, membro desde 1973.

Comi as primeiras cerejas do ano, vindas de Espanha. Maravilhosas. E os primeiros morangos do campo aqui perto de casa, os melhores que há, porque são colhidos maduros, e vendidos no mesmo dia. Adoro esta época do ano pelo mesmo motivo que gosto de bolos: é a época das coisas doces. Fruta madura de todo o género. Gelados de fruta fresca, salada de frutas, batidos.

Tudo muda. Aqueles que eram os meus chocolates (bombons) preferidos deixaram de o ser. Só os comia uma vez por ano, pelo meu aniversário, quando um amigo mos oferecia. São de uma loja artesanal que me fica completamente fora de mão, pelo que nunca lá entrei, embora saiba precisamente onde fica. Entretanto descobri uma outra lojinha de chocolate no centro da cidade, que me fica em caminho de muitas outras coisas, e que tem fila em qualquer altura do ano. Os bombons são excelentes, e têm um sabor mais forte, porque menos açucarados, Feliz ou infelizmente, também não é sítio por onde passe frequentemente, nem coisa de que me lembre todos os dias, porque senão  passava a rebolar em vez de andar. Mas um dia não são dias, e em doses moderadas, com certeza que não há nada que faça mal.

Para rematar, em jeito de bónus porque tenho andado de fugida. Se se encontrarem de férias, ou sem nada para ler, levem o crime num quarto fechado. É um bom policial norueguês, passado uns anos depois da segunda guerra, empolgante e envolvente. Só tem o defeito, para mim, de se esforçar demasiado em manter quase todas as pontas soltas por demasiado tempo, e no final, acabar por se perceber um pouco cedo demais exactamente como é que aquilo aconteceu. Catorze valores. Quinze, vá, porque a capa é bonita e vem com um pacote de chá.

22 maio 2015

A cozinhar como em 1993

Hoje em dia há tantos programas de culinária que já todos devíamos ter aprendido a cozinhar como um chef Michelin. Infelizmente, eu, pelo menos, acho que a cozinha se tem tornado complicadíssima. Por um lado, nunca gostei de cozinhar (eu é mais bolos, gelados e algumas sobremesas). Por outro, nem sequer gosto de uma grande parte dos ingredientes da cozinha moderna. Quando eu era miúda ninguém usava curgete, aipo, ou beterraba, beringela era apenas um vegetal com uma cor gira para desenhar e pintar, e as natas vinham de se ferver o leite que vinha do agricultor e só eram usadas para fazer mousse de chocolate. O leite não entrava na composição de pratos de almoço ou jantar - só nas sobremesas - e o mesmo se aplicava às natas e ao queijo.
Uma das minhas minha avós cultivava tremoços. Colhia-os na altura certa, cozia-os e punha-os em água com sal, que ia mudando todos os dias, até que estivessem curados. Eram tremoços enormes, e eu comi-os em quantidades industriais sempre que os havia. Lembro-me de encher um prato de sopa de tremoços e sentar-me em frente à televisão a comê-los como se fossem pipocas.
As minhas duas avós tinham azeitonas, que também curavam em casa - e de que nunca gostei. Só hoje em dia ganhei o gosto por um tipo de azeitonas, as verdes. Às vezes amigos meus sonham acordados com oliveiras, e terem as suas próprias azeitonas. Quando lhes explico o processo de cura das azeitonas, mesmo sem entrar em pormenores de talhas fechadas com azeitonas e água bolorenta - desistem da ideia. Há árvores que dão menos trabalho. Laranjeiras, por exemplo.
A culinária em si, é toda uma outra história. Eu sei que antigamente havia coisas muito complicadas. Lembro-me de ver a minha vizinha cortar o pescoço a uma galinha e depená-la. Uma canseira, para um animal que dá apenas uma refeição. E matar um coelho e tirar-lhe a pele? E estes eram animais do mais "biológico" que pode haver, viviam ao ar livre a maior parte do tempo, não levavam antibióticos e a comida era da horta, sempre que a houvesse. A ração era cara. Mas ovos, leite, legumes e fruta havia sempre com fartura, azeite, azeitonas, e enchidos eram coisas que faziam parte de qualquer despensa. Batatas, legumes, e carne eram básicos. Salada e sopa também. A sobremesa de todos os dias era a fruta da época - e a fruta era madura e saborosa.
Agora há receitas com três páginas A4 e letra miudinha. Há quem tenha paciência para estar na cozinha três horas a produzir obras primas. Eu desisto ao olhar para a lista de ingredientes.
Há  concursos de culinária onde miúdos de dez anos fazem coisas que eu quando muito apenas almejo comer. E programas onde se fazem sobremesas complicadíssimas.
Esta modernidade toda contribui para me convencer que a cozinha não é para mim. Para provar estou cá eu, para fazer... esqueçam.
Resta-me a RTP memória, e cozinheiros como o Chef Silva, para me fazer sentir melhor. Caramba, o Chef Silva cozinha coisas em frente à televisão que eu também seria capaz de fazer, e de comer. Faz sobremesas como as minhas. E a apresentação dos seus pratos, não é bem uma obra de arte - o que importa ali é o sabor. Vejam este bacalhau com broa no forno. Não leva nenhum ingrediente que a minha avó não tivesse disponível.
E felizmente, há a internet, o maior livro de receitas do mundo, com índice por ingredientes, nome do prato, ou até evento ou o que nos lembrarmos de escrever na barra de pesquisa, devidamente acompanhado da palavra "receita". E foi aí que encontrei um dos melhores bolos de chocolate de sempre, o chocolate blackout cake - que me demora 3 horas a fazer, e por isso só sai uma vez por festa, mas é maravilhoso e vale a pena. Também foi na net que descobri um outro bolo de chocolate que faço imensas vezes, este bolo de chocolate com amêndoa moída, que me demora uma meia hora e é sempre um sucesso.
De resto, cozinhar? Batatas cozidas (15 minutos desde que a água começa a ferver), massa (instruções na embalagem), sopa (3-4 ingredientes base, mais o sal e azeite), salada (lavar, secar, temperar), e carne temperada grelhada. Ou ovos - estrelados, cozidos, omeletes. A minha sorte é ter um cozinheiro de mão cheia em casa. Mas sem ele, também não morreria à fome.

20 maio 2015

olha a nova do google

Se experimentarem comentar em blogues com verificação de comentários por estes, dias, descobrem a nova maneira de identificar humanos. Agora em vez de adivinhar letras, têm um jogo daqueles que se dão a miúdos da pré-primária, do tipo: assinala todas as imagens da mesma família. Deve ser a maneira da google melhorar os seus algoritmos de pesquisa de imagens. Para já só me saiu a identificação de cervejas. Nas imagens havia café e vinho. O que virá a seguir.

A TAP e as greves

Por estas semanas sinto-me como se fosse a última pessoa que gosta da TAP. Ouço queixas daqui e dali: porque fazem greve, porque é caro, porque isto, porque aquilo. Andam apaixonados pela Ryanair, odeiam a TAP.
Eu gosto da TAP. Pode não ser a companhia perfeita (mas haverá alguma?), pode não ser a mais barata (depende, às vezes até é), pode não ter sempre os melhores horários. Sempre que posso, é com a TAP que vou. Voar com a TAP significa 10-12 horas de férias extra. É que desde que entro no avião em Munique, até que aterro no Porto (a maior parte das vezes), quando vou nesta companhia, já me sinto em casa. Já tenho Sumol e água do Luso. Os pequenos-almoços dos vôos da manhã são por mim reconhecíveis como pequenos-almoços.
Em mais de uma década a voar frequentemente entre Portugal e a Alemanha, houve alguns percalços. Apanhei uma greve no Natal uma vez, que me fez chegar ao destino duas horas mais tarde que o previsto. Na verdade, é tudo o que me lembro. As outras greves ou percalços que me aconteceram não tiveram nada a ver com a TAP.
Como tenho que trocar de avião em Lisboa, só vôo com eles quando a ligação é boa. Os últimos horários implicam tempos de espera em Lisboa de três horas ou mais, e isso para mim é demais. Mas quando o transbordo é entre uma hora a hora e meia, a TAP é a minha preferência. A não ser que possa viajar com a SATA - que é a única transportadora que faz Munique-Porto directo, e me reduz o tempo de viagem para 3 horas. Mas a SATA é o que era a TAP há 10-15 anos atrás. Os mesmos aviões, o mesmo conforto, o mesmo trantamento das crianças (maravilhosos), a mesma comida (boa). Quando vou com a SATA lembro-me de quando gostava de andar de avião, quando as refeições a bordo me sabiam bem.
Gosto da TAP. É a minha companhia número dois, quase só por esta questão do vôo directo. E gostava que continuasse por muitos e bons anos a fazer um bom serviço.

26 abril 2015

Faz-me falta uma amiga

Sabem aqueles desafios de tirar uma foto por dia? Tenho andado a fazer uma experiência do género. Por vários motivos, agora faço auto retratos. Dizem que nunca gostamos quando ouvimos a nossa voz gravada. Deve ser uma questão de hábito. Depois de me ouvir por horas e horas, apenas posso dizer que reconheço a minha voz. Quanto à imagem, a conversa é diferente. Eu não gosto de me ver fotografada. Perco a piada toda, a duas dimensões. Mesmo assim, vou tirando fotografias. À conta disto já descobri que vestir a primeira coisa que me vem à mão de manhã quando ainda estou meia a dormir pode não ser sempre a melhor das ideias. Mas também sei que não é por isso que vou escolher a roupa antes de ir dormir. Os auto-retratos podem servir para isso. Como não tenho uma amiga aqui à mão, uma daquelas amigas brutas que te diz as verdades sem lhe passar pela cabeça que podes não achar muita piada a certas verdades, tiro fotos. Brutais. Aquela camisola branca que eu adoro é um desastre com aquela saia azul e branca (a que fica um espetáculo com o top azul). Talvez a use com umas calças para a próxima. Os sapatos de vela podem ser muito confortáveis, mas ainda não sei se realmente ficam bem com alguma coisa.
Podia ver-me ao espelho. E acho que até vejo, mas não é a mesma coisa. Antes das dez da manhã não vejo bem, é um problema dos meus olhos, que ficam meios fechados até ao café. À hora do café finalmente acordo. E a essa hora não há tempo de olhar para espelhos, ou trocar de roupa.

As amigas que tenho por cá não ligam nada a essas coisas. E eu também não, a maior parte das vezes. No entanto, há alturas para tudo, incluindo recalibrar o guarda-roupa. Continuo a usar maquilhagem três vezes por ano. Nunca vi o fim a uma embalagem de base, um batom, uma sombra de olhos, um verniz. Mas tenho de me vestir todos os dias.


20 abril 2015

Troca palavras

Às vezes sai-me uma ou outra palavra em inglês no meio de conversas em português. Não é problema de tradução, de já não saber como se diz, de não me lembrar da palavra que queria dizer. Nada disso. Há palavras que me fogem pela boca sem que eu queira, escapam-se e pronto. Uns "if", uns "but" outras mais compridas e que me saem assim tão rapidamente como um "if" ou um "but". Não me consigo travar, fico chocadíssima comigo mesma ao mesmo tempo que me foge a palavra. Ainda consigo num microsegundo pensar se hei-de corrigir para o que realmente queria dizer, e no microsegundo seguinte decido fazer de conta que nem dei por nada, meia bola e força, continuo o discurso. É de falar depressa, com certeza. Pois se os até os anglicismos que se tornaram corriqueiros me continuam a arranhar os ouvidos. Não, não tenho dúvida nenhuma, é de pensar tão rapidamente em português como em inglês.

(Já o francês e o alemão só saem ponderados, por opção em utilizar uma determinada palavra que traduzida dificilmente tem o mesmo significado ou peso.)

15 abril 2015

Verão por dois dias

Dois dias de sol maravilhoso, quase verão, e no fim de semana vem o inverno outra vez. Não sei se sofra por antecipação, se por ter que trabalhar em dias assim.
Os alemães têm o "hitzfrei": quando está muito calor, as escolas fecham. Infelizmente não há hitzfrei para quem trabalha e não é professor, o que está mal, muito mal. Na minha terra tínhamos os dias de neve, se nevasse não havia escola, porque os autocarros e os carros dos professores que vinham de longe não passavam nas estradas.
Ao menos podemos tomar café na esplanada, ou almoçar ao sol.

06 abril 2015

Ai, o Porto

Uma semana de férias, volta a Portugal em 2000km. Mais coisa menos coisa. É sina de emigrante, o tempo nunca chega para tudo o que se quer fazer - não cheguei a ir à minha sapataria favorita, nem à minha esteticista amiga, não fui à loja de tecidos, nem ao meu pedaço de rio - e o pouco que se tem é vivido intensamente. Uma semana depois, preciso de férias das férias.
Trás-os-Montes, Porto, Coimbra, Lisboa, foi para o que deu. Sinto-me em casa em praticamente todo o lado em Portugal, mas por mais que os anos passem, por mais que a visite, Lisboa não é a minha praia. Do país inteiro, é o único sítio onde não tenho vontade nenhuma de viver. E, ironicamente, talvez seja a cidade onde mais provavelmente teria que viver se de repente decidisse arrumar a tralha e voltar.
O sol a brilhar o tempo todo, a família, os amigos que deu para ver, gente nova, dias maravilhosos. Um único dia que soube a férias, apenas a isso, sem correrias para lado nenhum, no meio dos meus montes (ai, também não fui ao meu café favorito no meio da serra, e não tive tempo de ir buscar um jesuíta à pastelaria, nem comer um bolo de côco dos da minha infância, que só há numa única padaria).
Uns dias no Porto, ao sol, a baixa, a Foz, os turistas. Tantas lojas novas, tantos cafés, bares e restaurantes novos, o Porto está tão diferente, para melhor, mais novo, renovado. Sim, também mais caro, aliás bem mais caro, está-se a tornar uma cidade de turistas. Ainda assim, ainda há espaço para todos, sem que nos sintamos invadidos. Para já, pelo menos. Isto em Março, Abril, talvez no verão a coisa mude completamente.
A baixa está resplandecente, os tripeiros, na mesma. Tão depressa de uma simpatia extrema, como de repente de uma sinceridade desarmante. Queria uns vestidos em tons de vermelho, para as minhas meninas das flores "vermelho não é cor para casamento!" anunciam-me alto e bom som. Oh minha gente, mas eu pedi a opinião sobre as cores a alguém? "Vermelho é uma cor muito agressiva, não pode ser!", e já agora, para que não sobrem dúvidas, "preto também não dá!". Na minha mente passeiam cadeiras pretas com laços vermelhos a enfeitar. Esta malta é incrível. O vermelho pode ser agressivo para alguns, mas é a minha cor preferida, o casamento é meu, eu é que sei. Engraçado, no entanto, que não apliquem a lógica até ao fim, pois se eu escolhi uma cor agressiva é provável que me esteja nas tintas para a opinião de terceiros. Não levo a mal, as pessoas falam antes de pensar, sem intenção de insultar ou magoar - ainda sei interpretar a diferença.
A foz, maravilhosa, como sempre, cheia de cor, cheiro a mar, ondas a bater nas rochas, continua a ser um dos meus sítios favoritos. Nada como sentar à beira mar a olhar para as ondas, sentir o sol no corpo... e apanhar um escaldão de inverno. Bolas, eu já devia saber, acontece-me sempre isto. Almoço na Casa Vasco, um sítio novo super simpático, comida pouco tradicional, sobremesa divinal. Tinha visto a dica no casal mistério, e não podia deixar escapar a oportunidade, estando ali tão perto. Já agora, a minha impressão: a minha tarte de maçã veio com gelado de morango e menta, ambos maravilhosos, e a limonada sem açúcar tinha um intenso sabor a limão. Podia parar lá só por estas duas coisas.
Tão pouco tempo, tão aproveitado. Ainda deu para escolher e comer laranjas do algarve, e trazer pão e miniaturas da pastelaria à beira de casa, tudo tão bom. No final, sempre a mesma pergunta, tenho mesmo de ir embora?


05 abril 2015

Dias de sol

Na minha terra, passeio de calções e t-shirt pela rua. Ficam todos a olhar com ar de espanto. Estão 24 graus. Eu uso o método científico para me vestir: acima dos 20 graus é t-shirt e pernas ao léu, com um casaco se me parecer necessário. Para lá do Marão, o ano divide-se em nove meses de inverno e três de inferno. Se o inferno ainda não chegou, deve ser inverno. Anda tudo de camisolas e sobretudo. Menos eu. Fui para fora, agora, quando venho, é só para ver a bola. É como se tivesse vindo do estrangeiro, o ar com que olham para mim. Quero lá saber. O sol está quentinho, e o céu azul. Paraíso.


17 março 2015

A baixa já não é o que era

Vou à baixa - a St.a Catarina cá do burgo - poucas vezes. Contam-se pelos dedos das mãos as visitas anuais. Não é porque fique longe e fora de mão, é porque a baixa é estranha. Para começar é sítio de turistas. Nota-se, a malta por ali tem um ar diferente, um vagar no passo, um olhar curioso. Os locais passam a correr, por necessidade da vida do dia a dia. Outros utilizam-na para se manifestar. Há sempre qualquer razão para protestar, megafone na mão, meia dúzia de pessoas que querem chamar a atenção, meia dúzia de polícias a olhar. Passo ao lado, não tenho tempo, a maior parte das vezes nem percebo o porquê destas manifs.
 Vou poucas vezes à baixa. Antes do Natal, quando tenho que tratar de burocracias ou ir ao médico. Quando posso, aproveito para dar umas voltas. Estranho sempre. Há anos que aqui moro, sinto que devia conhecer a baixa como a palma da mão. Saber de cor as lojas todas entre a Karlsplatz e a Marienplatz, dos dois lados da rua, transversais incluídas. Não sei. Não por falta de interesse, curiosidade ou atenção. A baixa de Munique é como uma cobra, troca de pele frequentemente. Ao longo dos anos apareceram e desapareceram as minhas lojas favoritas. Cada porta que trespassei tantas vezes com gosto, mais tarde ou mais cedo acaba por dar lugar a uma loja nova que não me interessa. Uma ou outra excepção, rara. De cada vez que preciso de uma coisa daquelas que só há na baixa, quando lá vou, descubro que já não há. Aquela loja onde podia ir comprar uma fatiota de emergência, com preços em conta, que não tinha 500 filiais pelo país? Desapareceu. A outra onde comprei a minha melhor escova de sempre, que perdi numa mudança, deixou de vender escovas de cabelo. O meu sítio favorito para pechinchas? Agora é uma loja de electrodomésticos.
Estranhamente, a única coisa que parece aguentar o teste do tempo é a restauração. Em alguns casos, incompreensivelmente.
Peço uma boleia. Que me venham buscar ali à beira da farmácia, onde há um parque de estacionamento. Havia um parque de estacionamento, da última vez que ali passei. Agora é uma porta enorme fechada, e uma pequena loja de arte ao lado (fraquinha, muito fraquinha). Não há referências. Depois destes anos todos, descubro finalmente onde fica a porta do Lenbachhaus. E um monumento que nunca tinha visto - só lá está há mais de sessenta anos.

10 março 2015

É só futebol - mas a vida também é assim

Lá porque normalmente não dou porrada, não quer dizer que não saiba dar. Lá por habitualmente não encostar em velocidade, não quer dizer que não alinhe num bom encosto. Lá porque não costumo bloquear o caminho ao adversário, não é porque não seja capaz de o fazer. E bem.
Pode ser só um jogo. Pode ser a menos que feijões. Mas eu vou até onde vocês quiserem ir.
(Mas cuidado, malta, não vale a pena irmos todos parar ao hospital. Já bem bastam as unhas negras e os hematomas semanais.)

(E os dias em que estamos completamente em sintonia? Passe - golo, passe - golo, canto bem apontado - golo. Há duplas incríveis. Sabe tão bem jogar assim.)

26 fevereiro 2015

Tarefa 1, check

Pronto, já está. Para celebrar o período prolongado em que não tive disposição mental para fazer outras coisas, estou a pensar em fazer uma aldeia para a criança. Com legos ou caixas de cartão. Ou as duas coisas. Bonecada não falta, estes potenciais aldeões estão ansiosos por se mudar. E isto tudo só para me ir esquecendo da segunda tarefa em fila de espera.

25 fevereiro 2015

Oferecem-se alvíssaras

Perdeu-se:

a minha capacidade de fazer multitasking

Oferecem-se alvíssaras a quem a encontrar e devolver, sã e salva.

Entretanto, as minhas desculpas, tenho uma tarefa complicada em mãos e não consigo pensar noutra coisa. Quando terminar essa, tenho uma segunda tarefa em lista de espera, mas tenho esperança de que não me tome demasiado tempo. Se entretanto recuperar o multitasking perdido, hei-de voltar a escrever. Como deve ser.

11 fevereiro 2015

Onde é que se vê daqui a 10 anos?

O meu Jon Stewart também vai abandonar o seu Daily Show. É a vida, parece, as coisas se dão em ciclos, e este ciclo está a terminar. Acho que isto explica aquela pergunta clássica das entrevistas, onde é que se vê daqui a 5 ou 10 anos. Jon Stewart faz o Daily Show há 15 anos. O meu Jon, fazia o seu há 10. Agora fará outras coisas, com certeza. E deixa espaço para que outros façam o daily show deles, e lhe imprimam formas novas de fazer humor com as notícias.
Há 10 anos eu não fazia a mínima ideia das coisas que hoje me fazem correr. Não sabia que ia passar serões a estudar, não sabia que me ia sentir insatisfeita com a minha capacidade de me exprimir. Se me tivessem perguntado qual o meu plano para hoje, de certeza que teria atirado ao lado. Muito ao lado. Há 10 anos não sabia o que sei hoje, e nem imaginava que fosse aprender tanta coisa. Há 10 anos não imaginava que 1% ou 0,1% de algo intangível pudesse ser tão importante, que quase pudesse senti-lo a escapar-me entre os dedos.
Há 10 anos fiz coisas que achava brilhantes e hoje acho apenas relativamente boas. As coisas que faço hoje em dia e que me parecem brilhantes, talvez daqui a uns anos passem a ser apenas boazinhas aos meus olhos com mais experiência.
Não consigo imaginar o que quero daqui a dez anos, não em concreto, apenas uns passinhos aqui e ali que me parecem fundamentais no imediato. Aqueles que, podendo ser os passos certos para trilhar um caminho que me leve a algum lado, podem também ser apenas os passos certos para me divertir enquanto não encontro destino.
Devia perguntar à malta mais velha, como é que é. Se passamos a vida a sentir-nos uns miúdos com muito para aprender, por mais que o tempo passe por nós. Se alguma vez passa aquela sensação de que podemos ser desmascarados a qualquer momento, mesmo que sejamos verdadeiros peritos num assunto. Como é que é quando se tem mais 40, 50, 60, e se troca de emprego, de vida, de cidade, de país. Como é que se recomeçam a construir laços. E se vale a pena.

Pensando bem, até sei a resposta a algumas destas perguntas. A felicidade vai-se construindo, sempre.


06 fevereiro 2015

Perder? Nem a feijões!

Imaginem o seguinte jogo de apostas, em que o objectivo é ganhar o máximo de pontos possível. Duas equipas, cada uma escolhe uma cor entre o vermelho e o preto. Se a equipa A escolher o vermelho e a B escolher vermelho, ganham ambas +3 pontos. Se a equipa A escolher preto e a B escolher preto, ficam ambas com -1 ponto. Se uma das equipas escolher vermelho e a outra escolher preto, a equipa que escolheu vermelho fica com -5 pontos e a que escolheu preto ganha +5 pontos.
Separam-se as equipas fisicamente para que escolham a sua estratégia antes de cada aposta. No total apostam dez vezes, em cada vez têm 5 minutos para escolher a próxima aposta.

À primeira vista, diria que a escolha lógica seria que, em cada turno, ambas as equipas apostassem sempre, sistematicamente, no vermelho. Assim ganhariam sempre 3 pontos.

No entanto, se a equipa A escolher vermelho e a B escolher preto, a equipa A perderá 5 pontos, e a B ganhará 5 pontos.

O resultado lógico será então que as equipas escolham sempre preto, por forma a minimizarem as perdas - assim ficam com -1 ponto em cada turno, mas não correm o risco de perder 10 pontos em relação à outra equipa. É de notar que se a equipa A escolher preto e a B escolher vermelho, a equipa A fica com +5 pontos, e a B com -5. Portanto, ao escolher preto, além de minimizar as perdas (o pior resultado é igualar a outra equipa), maximiza-se o lucro possível (se a outra equipa escolher vermelho, fica-se com 10 pontos de vantagem).

Depois desta análise fria e lógica, sobra ainda um pouco de natureza humana. Numa situação deste género, alguns de nós explicariam à sua equipa que o melhor a fazer seria tentar convencer a outra equipa a escolher sempre vermelho. Negociar que ambas as equipas apostassem sempre no vermelho, e assim maximizar o lucro total para ambas. Correndo o risco de ser atraiçoado - que a outra equipa concorde em apostar no vermelho, mas que na hora da verdade aposte no preto - e assim perder; ou, potencialmente, atraiçoar a outra equipa, apostando no preto apesar de ter concordado em apostar no vermelho.

O inexplicável ocorre quando a equipa A tenta negociar com a equipa B. A equipa B recusa-se a entrar em diálogo, porque quer ganhar. A equipa A explica à equipa B que, se não combinarem o que fazer, o único resultado lógico é ambas as equipas apostarem sempre no preto, e irem acumulando perdas ao longo do jogo. Ainda assim a equipa B recusa-se a ouvir, e de seguida aposta no vermelho. A equipa A, incrédula, faz a sua aposta no preto, e ganha 10 pontos de vantagem sobre a equipa B, à qual tinha acabado de explicar a sua estratégia.

Resultado final: pontos negativos para ambas as equipas, equipa A com mais 10 pontos que a equipa B.
Quem ganhou?
A equipa A terminou com mais pontos que a B, mas ambas as equipas terminaram com pontos negativos...
Análise dos comportamentos: a equipa B atribui a culpa à equipa A, por ser demasiado directa na abordagem negocial. A equipa A não compreende porque é que a equipa B, que queria ganhar a todo o custo, se recusou a negociar, e ainda para mais apostou no vermelho, pondo-se numa posição potencialmente perdedora.

Nunca vou ser gestora. Adivinhem lá qual era a minha equipa...

05 fevereiro 2015

A combinação de teclas do ano: Ctrl+Shift+T

Descobri esta no ano passado, juntamente com uma colecção de outras que, apesar de também parecerem muito úteis, claramente não eram suficientemente úteis para as memorizar. Volta e meia estou a ver uma coisa qualquer numa janela do browser, acho que cheguei ao fim, e fecho a janela (Ctrl+W). Ao fechar a janela, vejo pelo canto do olho um link para qualquer coisa que, a posteriori, queria ter lido. Ou então, fecho uma janela acidentalmente. Ctrl+Shit+T restaura automaticamente a última janela que fechámos. Sem ter que ir procurar ao histórico o endereço da página, sem ter que me lembrar como é que lá tinha ido parar inicialmente. Uso isto quase todos os dias. Pode ser que dê jeito a mais alguém.

26 janeiro 2015

05 janeiro 2015

É grave, doutor?

Devo estar doente, só pode. Lá fora esta um frio do catano, há neve, vejo um pouco de azul do céu por uma janela, por outra, branco, tudo branco, nuvens sem fim. Por email, recebo a notícia: está aí a primavera. Afinal estamos em fins de Março, mas só a H&M* é que sabe.

*se calhar só a alemã. Mas em Munique, está mais Inverno que em Portugal.


02 janeiro 2015

Nunca mais aprendo (ou a angústia de empacotar a tralha)

Na minha mala devia haver, sempre, uma segunda mala. Quando saio de casa, mala grande meia vazia, devia sempre levar uma segunda mala, vazia, para o regresso. E esta segunda mala devia fazer parte integral da primeira, encaixar na tampa ou em baixo, como aqueles sacos de compras que se dobram até parecer que apenas temos um pacote de lenços de papel extra na carteira. Não sei bem o que acontece durante as férias, mas o milagre da multiplicação ocorre sempre nesta altura: ao fazer a mala para o regresso, parece-me sempre que as minhas coisas triplicaram. A mala que veio vazia está agora a abarrotar, procuro um saco/mochila/mala que possa levar emprestado, e, mais uma vez, pergunto-me, como é que eu não me lembrei que isto me acontece sempre? Todas as vezes. Mal aterro em Portugal, é como se o conteúdo da minha mala expandisse, e de repente, fico sem um espacinho que seja para mais uma coisinha. Nem comprei nada para levar (lá se vai o meu plano de meter umas bolachas maria, um pacote de pensal chocolate, e um ou dois chouriços da minha terra), e já não cabe nem mais um alfinete. A minha mala vai é cheia de saudades, deve ser isso que me ocupa todo o espaço lá dentro.

30 dezembro 2014

Isto está a acontecer depressa demais

Amanhã é o último dia do ano. Pensava que ainda tinha mais um dia de 2014. O fim de ano está a aproximar-se em passo acelerado. Amanhã por esta hora estou a preparar-me para ir dormir a pensar que ainda faltam mais de 24 horas para a passagem de ano...

24 dezembro 2014

Embrulhos na diagonal

Eu vi este vídeo há uns tempos, e pensei, isto não é para mim. Eu nem com o vídeo acertava com isto.



Depois, numa loja, embrulharam-me uma caixa dessa maneira. Quer dizer, aproximadamente. Isto de embrulhar na diagonal até quase pode parecer simples no vídeo, e a menina que me fez o embrulho já tinha, com certeza, imensa prática, mas mesmo assim não foi tão simples como no vídeo. E eu olhava para aquela quantidade de papel, e fiquei ali tempos infindos na dúvida: explico que isto usa muito mais papel que a maneira tradicional de embrulhar presentes?

23 dezembro 2014

Há sempre uma primeira vez

Comprei uma prenda de Natal para mim própria. Não foi uma caixa de Lego.
(Agora que penso nisso, mas como é que isto é possível?! Espero que alguma alma caridosa colmate esta falha, e já agora, verifique que não estou gravemente doente. No pior dos casos, posso sempre roubar os Legos da minha filha. Temporariamente, claro.)

As melhores compras de Natal de sempre

Dois dias, na verdade, hora e meia vezes dois dias, na terrinha. Senhores, há lá nada melhor que sair de casa a pé, sabendo que a volta à vila (cidade, mas pronto, no meu tempo isto era uma vila) demora 10 minutos em passo acelerado como o meu, e que as paragens nas lojas são verdadeiros "pit stops", com probabilidade de sucesso elevada porque isto é a minha terra, e eu sei muito bem onde é que vou encontrar alguma coisa. Ontem despachei a primeira metade, hoje a segunda metade, algumas coisas vieram embrulhadas sem sequer pedir, porque, afinal de contas, é Natal, é tudo para embrulhar (não era). Ainda tenho mais de vinte e quatro horas para terminar embrulhos, por debaixo da árvore, e o que mais não me estiver a lembrar de momento.Até encontrei coisas em promoção, nunca visto por aqui. Apanhei fila numa única loja - onde comprei a prenda do meu pai - e só fiquei à espera porque há pessoas que são chatas como tudo com as prendas se lhes dá.
A parte com mais piada fica para quando tiver oportunidade de copiar para aqui uma fotografia, da série "Portugal no seu melhor", que me custou uma limpeza dos sapatos antes de chegar a casa. Sim, apesar de tudo, teve graça, que eu por estes dias ando bem disposta e tenho o meu sentido de humor no nível mais elevado - quase tudo me faz, pelo menos, sorrir.

16 dezembro 2014

Está quase

E se cá por baixo não se vê o sol, com certeza é apenas uma questão de altitude. Mais uns dias, as férias estão a chegar.


14 dezembro 2014

Os dias cinzentos

Três semanas disto. Branco sem neve, branco à frente do nariz todas as manhãs. Visibilidade quase nenhuma.

06 dezembro 2014

Sabor do ano

2014 foi o ano em que descobri o salted caramel. Caramelo e sal. E adorei, nas várias combinações possíveis. Em gelado (Häagen-Dazs por exemplo), em rebuçados (caramelos, várias marcas), no chocolate quente (Hotel Chocolat), e até no café (Starbucks nos States, o único que entrei noutro país não tinha).
Neste momento já marchava um chocolate quente com sabor a caramelo salgado. É pena aqui não haver.

04 dezembro 2014

Recuperando a magia

A miúda já tem 6 anos. Ainda não sabe ler, ainda não aprendeu as letras todas, mas isso não tem importância. Está na idade certa para sua primeira caça às prendas. Não é porque eu me tenha lembrado da tradição - perdida há uns dois ou três anos, quando achei que o rapaz já era crescido demais para estas coisas, que uma caça às prendas para um adolescente crescido ou dá demasiado trabalho ou é demasiado fácil. No outro dia ela é que se lembrou de me fazer uma caça ao tesouro. Fez uma data de folhinhas com desenhos, e mandou-me escrever as instruções. Escondeu os papelinhos dobrados, e mandou-me procurar. No final, o grande tesouro que fui encontrar, um desenho. Aos 6 anos, quase todas as coisas envolvem desenhos - na verdade, muitos deles giríssimos, emoldurados até passavam por arte, e olhem que não destoava nada nas paredes de certos museus (estou aqui a pensar no Pinakotheke der Moderne).
Como ao irmão, cedo lhe foi explicada a história do Pai Natal. A magia do Natal não obriga à existência de velhinhos de barbas e mentiras elaboradas. Pode escrever cartas ao Pai Natal na mesma, os miúdos hoje em dia são exímios na técnica de recortar catálogos e colar em papel. Sabe perfeitamente que lá porque recortou metade das coisas do catálogo não quer dizer que as vá receber. Afinal, o pai e a mãe (e o resto da família e amigos) não têm recursos ilimitados. Já o velhote de barbas... hum... E, se calhar, por isto mesmo, anda preocupada com as prendas de Natal que tem que fazer para a família. Desenhos para todos, pois claro. Ou telemóveis de papel. De onde lhe veio a ideia, não sei bem, mas acho óptimo. Até o peluche favorito tem direito a um desenho.
Pela minha parte, acho a caça às prendas simplesmente demasiado divertida. Dar a volta à casa à procura de mais pistas é muito mais interessante que retirar coisas de debaixo da árvore. Ou de um sapatinho. Ou de uma meia. E criar uma brincadeira destas para uma criança de seis anos é um prazer.

02 dezembro 2014

Yin-Yang

Hoje podia falar daquelas pessoas especiais, que não só lêem certo tipo de jornais, como também regurgitam o lixo que leram. Podia falar de como às vezes me parece muito má ideia continuar por aqui, em especial em dias como o de hoje, em que podia repetir as enormidades que ouvi só para  confirmar que há por aí mais gente com um pingo de razão e que consegue ver ligeiramente mais longe que o seu próprio umbigo. Podia dizer que esta crise que nunca mais acaba continua com potencial para dar para o torto nesta Europa de ricos que se acham donos da moral, e pobres culpados de tudo e mais alguma coisa.

Hoje vou esquecer-me das barbaridades do dia, fazer rewind e mandar um beijinho à TAP. Foram uns queridos, em fazerem greve e cancelarem o meu vôo de regresso só para eu poder ficar mais um dia em casa. Foi um bocadinho inconveniente, sim, mas souberam-me tão bem aquelas 23 horas extra de mim.

23 novembro 2014

Já cheira a Natal

Tenho horror a multidões. Não gosto de espaços com muita gente, de filas, de encontrões, de me sentir apertada, não gosto ter muitos desconhecidos demasiado perto de mim.
Por causa disto, ando aqui a brincar com uma ideia para as prendas de Natal. Podia comprar tudo na net, e evitar as lojas, o centro da cidade, os shoppings, as confusões. Seria simples, só que não tenho vontade nenhuma de o fazer. Nem sei bem porquê, mas não me apetece estar com o computador à frente a escolher coisas, esperar que venham, rezar para que o carteiro não fuja a toda a velocidade com a minha encomenda antes de eu ter tempo para lhe abrir a porta. (O carteiro toca sempre nas alturas mais inconvenientes.)
Há alguns Natais atrás, já nem sei bem quantos, deliciei-me a fazer algumas compras em vésperas do Natal, à última da hora, na minha terra. A paz, o sossego, as lojas quase vazias. O descanso. Sinto-me tão tentada a deixar tudo para os últimos dias, e dar uma ajudinha ao comércio tradicional... Não fora a minha ansiedade para deixar tudo e mais alguma coisa pronta antes do dia D, era mesmo isso que eu faria. Eu quero mesmo ir para casa, comer rabanadas da minha mãe, fazer bolos com as minhas irmãs, sair a meio do dia só com um casaco dos 0-10 graus, e passar no supermercado, nas lojas de roupa (meias para o pai, check), na loja de bijuteria (coisas para as amigas, check), na loja de prendas, daquelas que deixaram de existir noutros lugares (resto da malta, check), e talvez na loja de doces e enchidos tradicionais (quem faltar, check). E se precisar de alguma coisa - lojas das manas (pijamas - check); loja dos manos (atoalhados - check); loja da miúda que andou comigo na escola (roupa para a minha menina, check); loja da amiga da mãe (meias/boxers/camisolas para o meu rapagão, check), e por falar em mãe, estabelecimento comercial fabuloso para senhoras, da outra miúda que andou comigo na escola, check.
Tanta vontade de fazer isto. Dois dias e meio para o fazer. Compras nas calmas, mesmo antes do Natal, a pé. Sem pressa para ir embora, sem stress de estacionamento, dando-me ao luxo de passar brevemente em casa para pousar sacos se quiser. As pessoas a conversarem comigo porque me conhecem, e não apenas um quanto é, verde, código, verde. A minha piolha a ser estragada com mimos pelos meus conterrâneos.
Quanto mais penso nisto, mais certo me parece. E, se antigamente era impossível arranjar papel de embrulho e fitas giros na minha terra, hoje em dia é facílimo. O senhor que nos vendia bloquinhos e borrachinhas e canetas de cheiro abandonou a outra metade do seu negócio e agora vende todo o tipo de material de arts&crafts. Até os embrulhos vão ser giros, se seguir este plano.
Gosto tanto desta ideia.

21 novembro 2014

O youtube e os direitos de autor

Bem sei que volta e meia volto à carga, e é mesmo assim, o youtube persegue a minha vida, quer eu queira quer não. Ora são vídeos que não consigo ver, ora são vídeos que as televisões colocam no ar. Agora uma nova questão que já devia ter suscitado longos e apaixonados debates. Sabemos que quando alguém coloca no youtube um vídeo ou música do qual não detém o direito de autor, o youtube bloqueia o vídeo por questões legais. Por vezes chega ao extremo de o próprio autor ter colocado o vídeo nessa plataforma e ainda assim o youtube bloquear o acesso.
Mas a questão que coloco é da perspectiva oposta. Dada a quantidade de programas de televisão que parasitam o youtube, pois simplesmente se limitam a emitir vídeos dele retirados - não sei por que meio, porque os termos de utilização do youtube não permitem a cópia para o computador privado - com uns artistas da estação a comentar os tais vídeos, não há ninguém que se sinta também atingido no seu direito de autor? E o youtube, também não se queixa?

Fiz uma breve pesquisa sobre o assunto, e encontrei um exemplo caricato. Uns rapazes fizeram um vídeo - música e imagem originais - e colocaram no youtube. Alguém do programa do Jay Leno foi lá buscar o tal vídeo, que depois foi transmitido, sem autorização dos autores, durante o programa. Depois disso, o vídeo original passou a ser bloqueado pelo youtube, porque, no entender deles, o copyright tinha passado a pertencer à NBC. (Mais pormenores da história em An open letter to Jay Leno. O vídeo da polémica está aqui.)

Estou como o outro, mas como é que é possível?!

A resposta, em parte, está num algoritmo que corre automaticamente e inicialmente retirou este tal vídeo pelas questões citadas acima. No entanto, a utilização de vídeos por estações de televisão cai no uso comercial, provavelmente licenciada pelo youtube. Ainda assim, é no mínimo irónico, um controlo tão apertado do direito de autor da indústria do entretenimento, versus a utilização de material produzido pelo anónimo utilizador-autor. E, depois de uma olhadela cuidadosa aos termos e condições, mais um pormenor interessante.

"The above licenses granted by you in Content terminate when you remove or delete your Content from the Website"

Portanto, a eliminação do conteúdo leva ao fim da autorização dada ao youtube para utilizar e licenciar a terceiros o vosso conteúdo. O que, no caso dos programas de televisão, me faz colocar mais uma questão - o que é que acontece aos programas cuja emissão é repetida, quando utilizam vídeos colocados por terceiros no youtube, que entretanto os apagaram?

03 novembro 2014

Da organização

Há uns tempos, candidatei-me a um trabalho* que envolvia excelentes capacidades de organização. Enquanto avaliava os prós e os contras da candidatura, do trabalho, e dos requisitos, fui falar com alguém que já tinha estado na posição que eu almejava. Ah, e tal, é preciso uma grande capacidade de organização, saber onde como e quem vai estar num determinado sítio a falar de um determinado assunto, ou a escrever sobre ele, e tal. Enquanto o homem falava, eu ouvia, pensava na minha vida, e ainda lhe disse, se ele soubesse da missa a metade não enfatizaria tanto a tal capacidade de organização, para ele um palavrão, para mim, uma espécie de amigo. Ou amiga.
Por outros motivos que não vêm ao caso nesta história, decidi que aquilo não era para mim naquele momento, e segui a minha vida com outros projectos e outros desafios. Diverti-me a fazer outras coisas no trabalho, e deixei os grandes desafios organizatórios para a vida privada - digamos que os meus calendários anuais são um tratado. Agora, que tenho uma tarefa gigante entre mãos, lembro-me do homem e das suas advertências. Até gostava de lhe explicar o que é que para mim é relativamente complicado, tirar meças com ele, só para ver a cara dele.


(*perdoem a liberdade literária da expressão, a história toda dava um livro)

31 outubro 2014

O problema das ideias mesmo boas

(daquelas ideias de engenharia)
O problema daquelas ideias tão boas, e tão inovadoras, que por mais pesquisas que faças no google, não há nada que te ajude a concretizar, é que no momento de chamar a cavalaria, isto é, pedir ajuda aos amigos, tens que abdicar do factor surpresa. Não se pode ter tudo, dizem, mas caramba, há que tentar.
(as coisas que eu faço por uma boa gargalhada)

Só posso contar que envolve coisas a espalhar-se para o ar. E o problema é como tornar atirar coisas para o ar uma coisa elegante. Já pensei em todo o tipo de artefactos, incluindo coisas com ar comprimido. Há-de haver melhor que isso.

22 outubro 2014

Um dia, os deuses saem do Olimpo

E vêem visitar os mortais.
No meu caso, a o dono da mão que escreve textos que me fazem cócegas no cérebro, objectos da minha paixão assolapada (os textos, não o dono). O perigo de encontrar um senhor assim, descobrir que ele é de carne e osso, é esse mesmo, pois de carne e osso somos todos. Mas, caramba. Inteligência, sentido de humor, capacidade de análise, cultura... um mero mortal sente-se assim, pequenino. E depois, descobrimos que o autor da nossa paixão platónica até sabe que existimos, e até já leu alguma coisa nossa, e isso lhe suscita elogios. Aí crescemos meio milímetro, continuamos a sentir-nos pequenos, mas muito felizes.
Há homens inteligentes que não usam barba. Embora possam ser indefinidos no resto - nem bonitos nem feios, nem altos nem baixos, nem gordos nem magros. A minha parte favorita não se vê, está enfiada dentro da caixa craniana. E é absolutamente fabulosa, e inspiradora. Quando for grande quero ser assim.

21 outubro 2014

O meu reino por um fotógrafo

Um dia uma amiga dá-nos a conhecer um fotógrafo como o Carlos Delicado. Uns dias depois, estamos apaixonadas pelo trabalho do fotógrafo (a sério, espreitem o facebook deste senhor, é de derreter o coração mais empedernido, como o meu), e a desesperar por não conseguir encontrar igual... ou parecido.  Mais tarde, o pânico total, o parecido está tão disponível quanto o original - ou seja, não está.
Vou ali chorar para um canto. É capaz de demorar um bocadinho.

15 outubro 2014

A parte má dos ratos sem fio...

...é quando ficamos sem pilhas. Experimentem fazer mais do que ligar e desligar o computador sem rato. Eu só sei alt+F4 e depois usar as setas. É quase mais difícil fazer seja o que for no computador sem rato - não estou a falar de portáteis - do que encontrar pilhas novas em casa.

08 outubro 2014

Não é para qualquer um

Uma coisa é adormecer  ver um filme. Acontece a qualquer um, mais tarde ou mais cedo. Eu costumo adormecer a ver DVDs. É tiro e queda. Mal ponho o filme, eu sei que vou adormecer. Não importa a hora do dia. Manhã, tarde ou noite, a combinação sofá mais filme, dá uma bela soneca. Isto é tão frequente que desenvolvi uma técnica para não ter que ver sempre apenas o início do filme. Quando começo a fechar o olho, reparo em que parte do filme está (o leitor indica há quantas horas e minutos o filme começou). Na vez seguinte é só recomeçar a ver a partir do meu marcador mental.
Ultimamente este problema agudizou-se. Eu só costumava adormecer a ver filmes. Ou documentários. Programas longos, digamos. Mas agora até a ver séries adormeço. Mesmo aquelas em que os episódios duram vinte minutos. Mesmo a lembrar-me em que sítio adormeci e a recomeçar a partir daí, já adormeci três vezes a ver o mesmo episódio da teoria do Big Bang. E não são micro sestas, eu adormeço a ver isto a seguir ao jantar e quando acordo vou para a cama. Vamos lá ver se é hoje que acabo aquele episódio que já ando a ver desde o início da semana...

03 outubro 2014

D'oh!

Uma pessoa compra uns vestidos giros, não por futilidade, mas porque andar na rua sem roupa é proibido, e afinal até estavam com um bom preço, e depois, vai a ver, e a pechincha sai-lhe muito cara. Como, perguntam vocês, admiradoras de liquidações substanciais (nada cá de 10 ou 15% de desconto, tem que ser pelo menos 50% ou não vale como pechincha). Não reparei na etiqueta. A do preço? Não. A das instruções de lavagem. Limpeza a seco.

Tão brilhante como um dia de sol

Em Munique, Porsches são mato. Há tantos, que ninguém liga. Pretos, cinzentos, amarelos. Na minha rua, os carros mais extravagantes são um bugatti azul (de um azul estranho, e que tem uma distância do chassi ao chão que é menos que a altura da minha mão. Eu testei.). E um lamborghini roxo, e  outro de um verde alface metalizado. Mas a minha rua é especial, há um mecânico aqui perto onde vão parar carros de luxo para arranjar ou para transformações bizarras - é um mistério - e por isso tenho acesso visual privilegiado aos carros mais invulgares da cidade.
Este, encontrei-o na Califórnia. Não é um Porsche com uma pintura muito elaborada, é um Porsche espelhado.

02 outubro 2014

Admirável mundo novo

Há sítios onde a gente vai trabalhar de havaianas (ou similar). Onde quase ninguém usa fatos. Onde o sol brilha quase sempre. Onde há bicicletas à disposição para circular de edifício em edifício.
Há dias em que se descobre mais um sítio onde se podia ser feliz.

01 outubro 2014

Setembro versão ping pong

Um mês. Cinco países. Três passagens de avião, ida e volta. Outra viagem de ida e volta, na mota, pelas estradas de montanha. Esta para não passar vergonha (outra vez) na inspecção, quando o mecânico vir que a azulinha só se mexeu meia dúzia de quilómetros em dois anos.
Passeios à beira mar, Atlântico e Pacífico.
Poucas noites em casa. Cada noite em sua cama.
Um miúdo a começar a universidade (como é que isto aconteceu?). Uma miúda a entrar para a escola (foi um instante!). Trabalho, muito trabalho. Antes assim. Isto agora acalma, um bocadinho. Na confusão dos dias, das semanas, já só me orientava com o calendário. Bendito smartfone.

04 setembro 2014

Selfies

Apanhei um colega a tirar uma selfie a meio do dia. Perguntei-lhe se queria que lhe tirasse uma foto com o telemóvel dele. Não foi preciso. Ele estava só a provar que estava no trabalho. Acho que foi uma das conversas mais estranhas de sempre.

02 setembro 2014

O regresso

Perguntam-me, incrédulos, se vi o Verão. Pois não vi outra coisa, até que voltei.
A miúda pergunta se já é Inverno. Não, ainda é Verão. O Verão então deve ter trocado com o Outono. Pois, se calhar.
O amigo espanhol pergunta-me como estou. Estamos iguais, amigo, os anos começam a pesar e esta tradição de regressar directamente do verão como o conhecemos para o frio e chuva, é cada vez mais desagradável. Sim, daqui a umas semanas esquecemo-nos. Uma pessoa embrenha-se no trabalho e nas rotinas e o resto fica em segundo plano durante uns meses.
Almocei truta com batatas fritas. Nunca gostei de truta. Tinha muitas espinhas, quase me engasguei. Nem comi sobremesa, fruta ou o que fosse.
Despachei uma data de pendentes. Várias pilhas deles. Lembrei-me que tenho um blogue.

29 agosto 2014

Está quase

Mais uns dias, e o único azul que vou ver é nos olhos das pessoas à minha volta.
Como dizia um emigrante num programa da SIC no outro dia, o que custa mais é a primeira semana. A mim, duas coisas. A mais imediata, o levantar cedo. A outra é o almoço.

11 agosto 2014

Não prima pela beleza

Deu com muita gente em doida, e por causa dele estou a ler um livro genial. Daqueles que deviam ser obrigatórios para toda a gente. Na minha humilde opinião de fanática por números. O que eu gostava de conseguir viver de ar, e passar o resto da vida a resolver problemas matemáticos. (Ainda tentei, numa vida passada. Era feliz, mas muito magrinha.)

Pierre de Fermat.jpg
"Pierre de Fermat" by This file is lacking author information. - http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/PictDisplay/Fermat.html. Licensed under Public domain via Wikimedia Commons.


27 julho 2014

A minha praia



Encaro as férias como morar temporariamente noutro sítio - porque não gosto de mudanças. Ficar mais que alguns dias num lugar tem que ter uma aparência de permanência. Crio rapidamente hábitos, gosto da familiariedade. Não sinto necessidade de estar sempre a experimentar coisas novas. Sei que gosto muito do meu café com leite, sumo de laranja e torrada de manhã, não quero trocar por salmão fumado, champanhe  e tostas. Ou outra coisa qualquer. Se experimentar um restaurante novo e gostar, volto lá vezes sem conta. Gosto da minha praia. Conheço muitas outras, já fui frequentadora habitual, ano após ano, de mais que uma, ao longo da costa, mas agora, esta é a minha. Escolhida por mim, mesmo nos anos em que ia de férias para outros lados, era a esta que eu vinha parar uma e outra vez. Há coisas a que não há como escapar.
Dou um passeio ao longo de outras praias, observo a quantidade de gente, os comportamentos dos frequentadores, as ondas, as rochas, o tipo de pedras e conchinhas, se e quando tem algas. A minha praia é melhor, fico por lá. Sei quem é o nadador salvador, converso com a senhora do bar, conheço todos os vendedores de bolas de berlim e os seus pregões e forma de andar. Os vizinhos das manhãs, são sempre os mesmos, ano após ano. Reformados, compraram apartamentos à beira-mar, e voltam à terra deles só quando precisam de tratar de alguma burocracia. Ou então de uma consulta, sintoma do estado do país, quando se têm que fazer 300 quilómetros para ir ao médico. Abro a tabela de marés religiosamente, gosto de estar a par das marés, alta e baixa, e das alturas respectivas. Interesso-me pela previsão da actividade piscícola. Sei até onde vai a água quando a maré alta chega aos 3,4m e que, quando chega aos 3,9m, quase não há espaço para toalhas. Quando a maré baixa até aos 0,4m as rochas estão o mais descobertas possível, e isto acontece, no máximo dois dias por mês. Pela lua cheia os peixes ficam doidos, andam em cardumes quase à superfície, vêem-se-lhes as bocas a tentar apanhar não sei bem quê. Os maiores, mais sagazes, nadam mais fundo. As gaivotas deliciam-se com a pescaria fácil. As mais jovens comem até não conseguirem levantar vôo.
Há falésias lindas, em risco de cair, sinais que indicam perigo, olimpicamente ignorados por algumas pessoas. Numa zona, fazem quase um círculo, onde adolescentes jogam vólei ao fim da tarde. Noutra zona, as falésias desenham uma baía, cortam as ondas, criam uma zona de calmaria, quase um lago. Aí ancoram veleiros e barcos a motor dias inteiros, tornando-se parte da paisagem.
Na época balnear, os serviços de praia fecham às sete da tarde. Na verdade, tudo tem horário, e nem é preciso relógio para saber as horas na minha praia. Perto do meio dia a maioria das pessoas vai embora. Pelas quatro chegam outras. Há poucos que venham de manhã e regressem à tarde. Alguns chegam pelo meio dia e abalam pelas quatro ou cinco horas. Pelas seis, a praia começa a esvaziar, e às sete já fica muito pouca gente. Depois das sete, por vezes, aparece um ou outro cão, apesar de proibido. Às oito e meia, quando a praia já está toda à sombra e o sol prestes a pôr-se, vão embora os últimos entusiastas. Amanhã há mais.

25 julho 2014

hummm

A miúda está a passar as melhores férias de sempre - tem a amiga com ela.
Já a mãe, não consegue perceber porque é que isto é muito mais cansativo que as férias normais. Tem dias em que se lembra do trabalho com nostalgia. Não fora a chuva - eu gosto do meu verão sem ela - arrumava a tralha e ia embora.

21 julho 2014

A admirar a curvatura da terra

Daqui até ao horizonte, há terra e mar. Ao fundo, a curvatura azul, uma linha de horizonte quase perfeitamente definida. Compreende-se que os antigos pensassem que depois não havia nada, apenas um abismo, morte certa, uma enorme cascata talvez. Barcos de pesca e veleiros, andorinhas e gaivotas. Queria apanhar o barco para aquele ponto entre o céu e a terra, lá ao fundo, certa que nunca o alcançarei. No entanto, em cobrindo esta distância que vai daqui a esse ponto, chegarei a um sítio onde o horizonte em volta é um círculo perfeito. Um perfeito círculo azul.

19 julho 2014

Como as cerejas

Morreu João Ubaldo Ribeiro, membro da Academia Brasileira de Letras. O Globo, publica aqui a sua última crónica, intitulada "o correto uso do papel higiênico". Ia escrever que era sobre o papel higiénico, mas detive-me, nada mais longe da realidade. É sim um grito contra o controlo e limitação das liberdades individuais. Não vou fingir que sei quem foi João Ubaldo Ribeiro. Provavelmente, hoje foi a primeira vez que li alguma coisa escrita por ele. Felizmente, quando um escritor morre, os seus escritos não se vão com ele. Por isso, hoje pode ter sido o primeiro dia em que li palavras escritas por este senhor, mas não será, com certeza, o último. O que eu gostei de uns parágrafos desta crónica. Do jogo de palavras, da sonoridade, da revolta expressa na hipotética regulamentação do uso do papel higiénico. E mais que isso, há tantos anos que não ouvia ou lia a palavra piparote. Palavra esta que me levou à minha infância imediatamente, à música de José Barata Moura, "o rabanete saltitão". Não encontrei nenhum vídeo no youtube, apenas a letra, que ainda sabia de cor ("...veio um burro aos trambolhões e mandou-lhe um piparote...").
Voltando à crónica, o outro ponto alto, de regresso à infância, é quando o autor utiliza oito adjectivos para caracterizar o espírito desta mania de controlar e limitar as liberdades individuais. E ao ler essa lista de adjectivos saltam-me à memória dois ou três livros da colecção que está no quarto da minha filha. A musicalidade que tem a leitura de uma boa quantidade de adjectivos seguidos, a graça que traz a um texto.
Esta crónica, escrita para adultos, desperta a criança que há em mim. Há pouca gente a escrever assim.

16 julho 2014

A mosca na sopa

Fui ver um apartamento de férias para alugar. Não era para mim. A senhora da imobiliária combinou tudo tintim por tintim, e mais tarde, quando o interessado telefonou, já não se lembrava de nada. Nem de onde era o apartamento, nem para quando, nem que eu lá tinha ido. "São tantos, eu já não me lembro, tenho que ir ver os meus apontamentos." Mais tarde, referi o interessado à minha visita. Que lembrasse a senhora da imobiliária do meu acompanhante, que falou pelos cotovelos. Reconhecimento instantâneo. Não é que funcionou?

13 julho 2014

Quantas vezes toca o carteiro

Em Munique, há vários serviços de entrega de correspondência. Por isso mesmo, há vários carteiros, cada qual com as suas tarefas, e as suas manias.
O que traz cartas costuma passa normalmente de manhã, antes de eu ir trabalhar. Vem na sua bicicleta amarela com um espaço gigante para a correspondência na frente e um apoio para a bicicleta se aguentar de pé quando ele sai para meter as cartas na caixa do correio. Não toca à campainha, e não costuma dar sequer os bons dias se uma pessoa se cruza com ele à porta. Mesmo nos dias de sol.
Durante o dia, se houver encomendas a receber, um dos outros aparece. Pode ser a qualquer hora, de segunda a sábado, uma carrinha da DHL ou outras, conforme. A maior parte destes condutores-carteiros devem ser parentes do Speedy Gonzalez. Até conduzem relativamente devagar, embora estacionem sempre mesmo em frente à porta onde vão fazer a entrega, mesmo que seja em segunda fila e estejam a empatar o trânsito. Mas não tocam duas vezes à campainha. Tocam uma vez (alguns desconfio que nem tocam), e começam logo a preencher o aviso para se ir recolher a encomenda à estação.
Agora imaginem que estão em casa, e é sábado de manhã. Ainda estão na cama porque a semana de trabalho foi comprida, cansativa, e se calhar ontem ainda tiveram um jantar de amigos, ou foram a um concerto, ou para os copos. Toca a campainha. A primeira reacção é "que se lixe, vão chatear outro", porque ainda estão ensonados e só pensam nas testemunhas de jeová que têm por hábito bater à porta nas alturas mais inconvenientes. Mas passados uns segundos lembram-se daquela coisa que encomendaram e pela qual têm estado ansiosamente à espera. E saltam da cama porque as filas na estação de correios são sempre tão longas, e os correios são longe, e depois só a partir de segunda é que poderiam ir buscar a encomenda. Ao saltar da cama, olham para o que trazem (ou não) vestido. Correm para o roupão, embrulham-se a ele, e dirigem-se a toda a velocidade para a porta. Um aviso de encomenda é uma coisa que um carteiro experiente preenche em muito poucos segundos. Eles nem sequer se preocupam em escrever correctamente o nome do destinatário, põem a hora e está a andar. Chegam à porta, trancada, gritam "espere aí!", procuram a chave, abrem a porta, e saem, descalços e tudo. Ufa. Uma ida aos correios evitada. Voltam para dentro e olham-se ao espelho. É por isto que é só nos filmes que as mulheres abrem a porta ao carteiro em lingerie .

11 julho 2014

Optimismo é

Ver a repetição do Brasil-Alemanha, e voltar a torcer pelo Brasil.
(Mas como é que o Brasil não marcou uns 4 ou 5 golos???)

07 julho 2014

Se eu morrer, espero não ter deixado a diversão para o fim

Quando andava na primária, a professora dava-nos os testes (as provas!) de matemática e meio físico ao mesmo tempo. Metade da turma (classe!) fazia o de matemática, a outra metade fazia o de meio físico, assim na mesma mesa (carteira!) que dava para dois alunos podiam-se fazer dois testes simultaneamente sem haver grandes riscos de copianço. Que era coisa que nem passava pela cabeça daquelas criancinhas inocentíssimas, mesmo os mais mafarricos, a ideia de alguma vez copiar só apareceu muito mais tarde, sob influência de ter muita gente debaixo do mesmo tecto, no ciclo preparatório, isto se não foi já no ensino secundário.
Na primária, dizia eu, tínhamos que escolher entre fazer primeiro a prova de meio físico ou de matemática, e isto em acordo com o nosso colega de carteira, que faria a outra prova. Eu e a minha colega nunca tínhamos discussões sobre o assunto. Ambas gostávamos mais de matemática, e menos de meio físico, mas tínhamos atitudes diametralmente opostas sobre o que deveria vir primeiro. Eu preferia começar pela matemática, a minha colega pelo meio físico. Para mim vinha primeiro o prazer, para ela, vinha primeiro a chatice (ia escrever obrigação, mas na verdade, ambas as provas eram uma obrigação, não havia como escapar a nenhuma delas).

Mais tarde, numas férias de verão daquelas mesmo antes de me começar a interessar por rapazes (se bem que isto nem venha ao caso), a minha família combinou com uma família amiga irmos juntos para o Algarve. Em chegando lá, eu e a filha destes amigos demos um passeio de reconhecimento e catalogámos minuciosamente todas as coisas que queríamos fazer durante as férias. Tínhamos combinado fazer uma coisa da lista por dia. Infelizmente para mim, logo num dos primeiros dias fiquei doente, e em vez de ir riscando os items já completados da lista de diversões, passei o resto das férias no hospital ou na cama, fechada debaixo de tecto. Jurei que nunca mais deixava nada divertido para amanhã.

Entretanto, com a idade adulta, vou riscando cada vez mais as coisas que não gosto ou não me interesso das listas de coisas a fazer - sendo que este tipo de coisas só aparece como sugestão de outras pessoas. A vida é curta para desperdiçar com coisas que não valem a pena.

06 julho 2014

É o caraças pá

O que é que se faz quando a via verde não apita nas SCUT?
1- Pânico
2- Pesadelos
3- Esperar que algum serviço de atendimento abra (dia e meio), para perguntar
4- Pesquisas na net - resultado inconclusivo
5- aaaaaaaaaaaaaaaaaarghhhhhhhhhhhhhh
6- Culpar o governo pelo estado da Nação
7- Tirar conclusões sobre o país, perguntar-se mas como é que isto é possível - sendo que "isto" cobre múltiplas situações, como o estado as coisas,  o país não estar às moscas, a falta de justiça, o como é possível viver com o jugo da culpa de tudo e mais alguma coisa sempre às costas (sim, culpa de ter eleito ou não ter votado nesta gente ou noutra, culpa porque aconteça o que acontecer a filosofia é de que se é culpado até prova em contrário, e mesmo aí, ainda haverá dúvidas, culpa de o dispositivo que comprámos e apitou noutros locais, de repente ter decidido não funcionar e a injustiça que é comprarmos uma porcaria de um aparelho que quando não funciona, sem aviso, nos caia em cima o custo da portagem mais taxas de tudo e mais alguma coisa. E taxas sobre a venda de porcarias que nos deviam facilitar a vida e acabam por nos dar ainda mais dores de cabeça? Nada.
8- Variar entre as alternativas 1 a 7.

28 junho 2014

É a história da minha vida

A miúda sabia que tinha que ir. Estava na hora, não valia a pena demorar, pedinchar, choramingar, entreter. Deixei-a naquilo, por um bocado. Depois disse-lhe: vá, pára de engonhar, estão à tua espera e à minha também.
Quem ouviu, riu-se. Compreendo, pelo factor supresa, além de que a palavra tem alguma graça onomatopeica. Na verdade, também não é algo que se diga muitas vezes. Engonhar, aplicava-se ali tão bem, era a palavra perfeita. Se esta causa sorrisos, o que teria causado um "chapar a reca". Ora aí está uma expressão que até a mim me faz rir, de tão raras vezes que ainda faz parte do vocabulário.

17 junho 2014

Saudades do VHS

DVD novo, uma série qualquer. A meio, um dos discos empanca. Tenta repetir, tenta voltar atrás. Parou. Desliga e volta a ligar. Eject (podia ser eejit desta vez, seria apropriado). Recomeça. Chega à frente, onde é que a gente ia. Pronto, desta vez decidiu funcionar. As memórias devem ser traiçoeiras. Não me lembro de um VHS alguma vez simplesmente decidir deixar de funcionar a meio. Ou de algum problema que não se resolvesse com fita cola. O que é que faria o McGyver?

13 junho 2014

Lista

1. O feedly já está a funcionar outra vez. Fiz um update à barra lateral para o próximo azar que aconteça, e bem que precisava, estava por lá uma lista imensa de links para lugar nenhum. Lembrei-me que já ando nisto dos blogues há uns 10 anos, e alguns dos meus favoritos, também. Por falar em 10 anos, à conta de não perder tempo no feedly, fiz uma limpeza ao disco onde guardo fotos, e cheguei há conclusão que há 10 anos atrás era bem gira. Uma vez ouvi alguém dizer que nunca vamos ficar mais bonitos do que o que somos hoje, e, provavelmente, é bem verdade. (Mas assim de repente, a minha avó com 84 anos tem uma pele bem macia, e não me parece nada mais feia que quando eu era pequena.)

2. Esta semana de trabalho foi curta, e a próxima também vai ser - na quinta, mais um feriado, olarila, e vem mesmo a calhar. Ainda assim, tive tanta coisa para fazer que hoje ao chegar do trabalho só pensava que estava a precisar de um dia de férias - e só passado um bom bocado é que me lembrei que amanhã é sábado, pelo que não tenho que meter férias nenhumas, e respirei de alívio.

3. Ouvi falar em transformadas de Laplace e entrei em quase pânico por praticamente não me lembrar como funcionam, nem ter um livro à mão para consultar. Esta geração de miúdos, engenheiros no forno, não usa livros, tem os apontamentos todos no computador, depois perguntam coisas e esperam que uma pessoa vá automaticamente à secção do cérebro correcta, limpe as teias de aranha em menos que nada, e comece a debitar a matéria. Nada mais longe da verdade. Nas últimas férias encontrei uns apontamentos meus da faculdade, velhinhos velhinhos, mas perfeitamente legíveis, comecei a folhear, constatei que alguns deles eram de uma das minhas cadeiras favoritas (e do meu professor favorito), e não me lembrava de nada daquilo - embora ainda tenha na memória, a maneira como o professor dava as aulas, os acetatos as transparências, a primeira aula em que nos falou do primeiro computador, o eniac, e da arpanet, e outras coisas mais. Microprocessadores e programação a tão baixo nível que eu já nem me lembrava que aquilo sequer existia, quanto mais como se faz. Às vezes apetecia-me voltar para a faculdade e fazer o curso outra vez. Ou pelo menos, uma parte dele. (E depois passa-me que isto de trabalhar também tem as suas vantagens, e sempre posso comprar os livros e relembrar tudo o que me apetecer.) Suponho que também seja para isso que servem os filhos, para fazerem perguntas das boas, e nós podermos dizer que devíamos saber a resposta, mas como já não nos lembramos, vamos ter que investigar também, e depois ficamos todos a saber.

09 junho 2014

A melhor coisa da Alemanha, ou, pelo menos, da Baviera

Nesta altura do ano, são os morangos. Apanhados nos campos, em redor da cidade (mas a pagantes, não há cá borlas para ninguém), ou então comprados num quiosques especiais que só vendem produtos da época, na época - morangos por estes dias, espargos até há pouco tempo, em breve virão as framboesas e os mirtilos.
Os outros morangos, os dos supermercados, já há muito que chegaram de Espanha, vermelhos, vermelhos e verdes, grandes, rijos, com pouco ou nenhum sabor. Suspeito que Huelva fornece morangos à Europa toda. Os espanhóis chamam fresas aos morangos, mas a estes gigantes andaluzes chamam freson.
Gosto muito destes morangos bávaros, doces e saborosos, apanhados apenas quando estão maduros. Os pés retiram-se puxando e rodando, com o polegar e indicador. Sabem, surpreendentemente, a morango, e o espanto é a sensação que se tem quando se come um, que é a de se sentir que isto, sim, sabe a morango, tudo o resto é uma reles imitação. Apanhados hoje, para vender hoje, dizem no quiosque. Enquanto durarem, não se come outra fruta cá por casa. Deliciosos.

Da comida e do calor

Vamos no terceiro dia com 30 graus. Sol, calor, sossego, porque calhou num fim de semana, prolongado ainda para mais. Pela terceira vez, a dúvida, o que é que se come ao almoço com este calor? Não me apetece comer nada, mas tenho fome. O fogão é Satanás encarnado (hihi), não quero comida quente. Apetecia-me pão com chouriço - não sei porquê - mas a única maneira de comer uma iguaria destas é fazê-lo e isso, além de envolver utilizar o forno, o que é impensável, implica paciência que eu não tenho. Adoro pão com chouriço, que cá não há, e nem me importo de o fazer, mas o pão precisa sempre de tempo em repouso para levedar, e isso não tenho em abundância. Eu queria pão com chouriço, mas era já, não daqui a três horas.
Portanto sobram as alternativas: gelado, iogurte, fruta, salada. Salada nem pensar, almoço salada quase todos os dias, estou farta de salada. Mesmo que vá a um restaurante o problema mantém-se e as alternativas não são melhores. O que vale é que há uns italianos ao fundo da rua, por assim dizer, que têm gelados e batidos. E piza, e massa, também. Pão com chouriço é que nada.

07 junho 2014

O que não se sabe

Convivo diariamente com gente que, de cada vez que há uma discussão sobre um assunto qualquer, ou só abre a boca para dizer seja o que for se tiver mesmo a certeza, ou fica caladinha até poder ir confirmar, e mais tarde dá a sua opinião. Pergunto-me se as pessoas normais ainda discutem entusiasticamente algum assunto que possa ser rapidamente resolvido com uma pesquisa no google. Ainda que o google não seja o supra-sumo das certezas, nesta era de telefones inteligentes, em que andamos todos (ou quase) de internet no bolso, haverá ainda discussões que não sejam rapidamente rematadas com "a resposta é isto", seguida da solução. Admito que haja questões sem solução nenhuma, para as quais qualquer motor de pesquisa apenas possa juntar mais uns pontos de vista, mas para as outras (quando é que Portugal ganhou à Alemanha da última vez), ainda há quem pense que ganhou uma discussão só porque falou mais alto, ou mais tempo?

Não posso estar no campo

Descobri que sou alérgica ao trabalho. Manual. No jardim. Há lá coisas que crescem e picam braços, e pernas. Umas são plantas, outras animais pequenos, que quase nem se vêem, mas que se sentem. As pernas e os braços ficam vermelhos, com pintas e riscos, e fazem comichão.
Dentro de casa, as orquídeas apanharam bicho. Ainda andam a ver quem ganha, se as flores, se os bichos. O parasita é minúsculo mas com patinhas a espreitar, branco, e deixa uma espécie de pó pelas folhas. Vou aguardar a ver quem ganha. Aposto no bicho.

04 junho 2014

Almas gémeas

Por amor aos filhos (à filha) por pouco que me metia em algo pior que uma aula de trabalhos manuais. Um "façam lá isto, é fácil, só precisam de arame, e mais isto, e aquilo, e aqueloutro, e com um bocado de azar também agulha e linha para tornar as coisas ainda mais complicadas". Eu já estava a ver a vidinha a andar para trás, agora sem professores para me darem a pior nota de sempre, quando alguém, com certeza com o mesmo terror que eu, nos safou a todos. Eu faço muitas coisas bem com as mãos, por exemplo  escrever no computador, mas trabalhos manuais é que nem pensar. Felizmente há quem faça as coisas por nós, e as venda por preços que, sinceramente, me parecem equivalentes ao custo do material. Gente dotada de mãozinhas de ouro, parabéns, mas alguns de nós não nasceram assim prendados.

03 junho 2014

E a boa notícia do dia

Na segunda é feriado. Fim de semana prolongado, yay. A minha semana, de repente, tornou-se espetacular.

Da liberdade

Tenho uma regra de ouro, não discutir com gente estúpida. É aquela coisa do arrastarem-te até ao nível deles e ganharem-te por terem muita experiência.
Ainda assim, hoje encontrei um anormal que andava a evitar há anos. E quando ele se saiu com uma asneira, não pude ficar calada. Se ninguém diz nada, e eu estou ali, vai ouvir, nem que seja só para que fique a saber que há mais opiniões. É aquela coisa de a liberdade dos outros terminar onde a minha começa (e vice-versa), que nos ensinam na escola, mas pelos vistos não faz parte do programa noutros países. Parece-me que o homem não é estúpido - o desfecho teria sido diferente. Mas, apre, que a intolerância, com muita missinha em cima, é difícil de aturar.

30 maio 2014

O paraíso também é isto

(da série "o interior esquecido e ostracizado")

Sair à rua à hora do almoço, atravessar a "cidade" a pé. Poucos carros, ouve-se bem a gente nas conversas no meio da rua, todos se cumprimentam. Mais à frente uns homens falam sobre um outro, alguns palavrões a colorir a linguagem. Tenho uma teoria que ando a testar, de qualquer rua dá sempre para ver os montes. Azuis, os montes são azuis ao longe, e há muito monte por onde escolher.
O jardim - é "o jardim", não um jardim - está cheio de flores, sente-se o aroma ao passar, e só depois se repara nas flores. O jardim tem muito mais área cimentada que jardim propriamente dito, mas tem bancos, e há sempre quem aproveite para se sentar um bocadinho.
As lojas fecham daqui a bocadinho, para todos almoçarem, reabrem pelas duas e meia. Antigamente só os cafés e os restaurantes ficavam abertos ao meio dia, hoje em dia fazem-lhes companhia as lojas chinesas que vieram substituir a loja dos trezentos, e o supermercados das cadeias nacionais. E a farmácia de serviço.
Queria atravessar a rua, mas o semáforo está vermelho e um GNR mesmo colado a ele. É melhor esperar, embora o sinta como a coisa errada a fazer. Aquele cruzamento não devia ter semáforos, umas passadeiras e um sinal de stop, como havia dantes, serviam bem e não gastavam electricidade. Um ou outro carro vão passando, deslocados, perdidos, surpreendidos pelos sinais de controlo.
Quase só se ouve gente e pássaros. Nos ninhos, os jovens passarinhos chamam pelos pais, para que não se esqueçam de lhes trazer que comer.
Depois do almoço, dorme-se a sesta.

23 maio 2014

Podcasts

Deve haver podcasts há uns 10 anos, mais coisa menos coisa. Nunca atinei com eles, os de áudio, tenho dificuldades em concentrar-me no som quando estou no computador, e nunca aderi aos produtos da maçã. Até que chegou o dia. Com os telefones inteligentes, de repente passei a ter um pequeno computador nas mãos a toda a hora, com acesso à net permanente (viva a flat rate), e inúmeras possibilidades à distância da imaginação - ou da pesquisa nos tops da loja de apps.
Nas últimas férias na pátria, andava eu sem telefone esperto mas de rádio ligado, a apanhar os bocadinhos cómicos das rádios todas, e ouço alguém a dizer que de manhã estava sempre a mudar de rádio para apanhar as rubricas todas. Aquelas do homem que mordeu o cão, mixórdia de temáticas, nilton, e os outros rapazes que já não me lembro o nome. E depois, não sei bem porque motivo, cheguei a casa, e lembrei-me que isto dos podcasts era engraçado, se desse para ouvir estes bocadinhos de rádio, à hora que me desse jeito, tantos quantos fosse possível ouvir enquanto tivesse tempo livre. Instalei tudo, mandei o telefone fazer downloads, e manter a lista do que já ouvi, que o tempo é curto para repetições, e agora os podcasts acompanham-me a fazer as coisas mais estranhas. No carro, no ginásio, nos tempos mortos. Só me falta lembrar-me de andar com os auscultadores para a lista dos não ouvidos diminuir, em vez de aumentar. Há quem ouça música enquanto corre. Eu ouço podcasts no ginásio.

20 maio 2014

Newsletter

A educadora bem intencionada manda dois ou três emails por mês a contar o plano para as semanas seguintes. Se vão falar de animais, ou fazer experiências com ovos, se vão dar um passeio e é necessário levar lanche. A mensagem vem sempre em Word. Encriptada numa fonte qualquer, daquelas que imitam a letra manuscrita, até na ilegibilidade. Podia ser wingdings que ia dar ao mesmo. Um ano lectivo disto. De todas as vezes, antes de conseguir ler os documentos, tive que mudar para Arial. Porque é que ninguém lhe diz?


(Eu sei, eu sei, podia ser eu... mas só a vejo logo de manhã e ainda vou a dormir, a essa hora não sou capaz de pensar em nada. A não ser em como estava quentinha no vale dos lençóis.)

Não sou uma rapariga da cidade

Não sendo uma rapariga da aldeia - não sou amiga da bicharada, e as plantas não se dão bem comigo - descubro, ao fim de tantos anos, que também não sou uma rapariga da cidade.
Hoje esteve um dia de sol. Um dia quente, quase verão, t-shirt e saia, miúdas de calções, pernas ao léu. Munique inteira saiu à rua, em êxtase, e também com medo que isto dure pouco, já que terminou agora mesmo mais de uma semana de tempo cinzento e frio. Munique tem 1,4 milhões de habitantes. E muitos turistas - prato do dia: irlandeses, austríacos, e mix de asiáticos. Todos na rua, ao mesmo tempo. Sendo Munique uma cidade com uma área relativamente grande, ainda assim, isto dá muita gente por metro quadrado. Muita gente a atropelar-se na fila para os gelados (a sério, e nem faz sentido, os gelados são bons nas gelatarias quase todas). As esplanadas cheias. O rio, ou melhor, a praia de seixos ao longo do rio, também.
Falta-me a paz e sossego. Chego ao fim do dia de trabalho cansada, e já não me apetece fazer nada. Os dias são curtos, e há sempre alguém a querer alguma coisa. Podia dizer que preciso de férias, mas o que eu queria mesmo é de uma densidade populacional inferior a 100 habitantes por quilómetro quadrado.

18 maio 2014

Às vezes é preciso ostracizar a família

Apanhei a minha mãe ao telefone, para me dar os parabéns. O meu pai, que andava perto mas não o suficiente para eu ouvir, ia metendo a sua colherada à distância, e perguntava se eu já sabia o que é a minha prenda. Prenda essa que só vou ter nas mãos daqui a uns dias.
Há pessoas que gostam de surpresas. E há o meu pai, que não só abomina surpresas, mas também não consegue conceber que se surpreenda alguém, em tempo algum. E eu, embora não seja a maior fã de surpresas, gosto de só saber o que são as minhas prendas quando as tenho na mão, depois de as desembrulhar.Vou ter que evitar o meu pai até esse momento. E arranjar uns tampões para os ouvidos para os últimos minutos.

Dos miúdos

As primeiras palavras são uma fofura.
Quando eles começam a conhecer os números, genial.
A identificação das letras e as primeiras palavras escritas, um ponto alto.
Aprendem a escrever o nome, maravilha.
Vão para a escola, que grandes.
E depois uma sucessão de coisas mais ou menos ao mesmo nível, intercaladas com um e outro momento genial, que é quando vamos descobrindo a que é que eles são mesmo bons, até ao dia. Aquele que, não sei bem porquê, nunca me tinha apercebido que um dia, com certeza, iria chegar. O momento alto na vida de uma mãe geek.
O dia em que nos sentamos à mesa a discutir programação. De software.
(O puto escreveu - codificou - um jogo. Daqueles básicos e viciantes. Precisava de ajuda com a lista dos highscores. Tanta baba...)

11 maio 2014

Trava-língua

Na estação central de Munique, encontro o meu maior problema linguístico desde que me mudei para esta cidade. Para enquadrar a minha dificuldade, devo dizer que, apesar de viver na Alemanha, a língua que eu falo 90% do tempo é inglês. Depois vem o português e só depois o alemão.
Em Hauptbanhof há um quiosque "Brioche Dorée"(imagem aqui). Ora, o brioche dourado é uma cadeia, que se encontra por França - e desde há algum tempo em Munique, na estação central, também - que vende produtos de pastelaria/padaria/café. Tem algumas coisas de que eu gosto muito: macarrons, brioches, croissants, pain au chocolat, tartes de morango e tarte de limão merengada. Assim de repente, é o que me lembro que tem de melhor. Ora, a primeira vez na vida que eu entrei num Brioche Dorée foi em França - nem me lembro o que é que andava lá a fazer, se turismo, se trabalho, se qualquer outra coisa. E entrei em vários, onde comi bolos, pão, croissants. De todas as vezes, antes de passar pela porta, ensaiava mentalmente o diálogo. O que é que vou querer hoje? "Bonjour. Je voudrais une tarte aux fraises." "Je voudrais deux brioches." "Merci. Bonne journée, au revoir." Coisas assim, melhor ou pior, com mais ou menos erros, mas o importante era que eu ia conseguir comer exactamente aquilo que queria.
Chegamos a Hauptbanhof. Da primeira vez que vi que havia um brioche dourado na estação central, embora em versão quiosque em vez do café, o meu estômago saltou de contente. Brioches! Croissants! Macarrons! Fui logo ver o que tinha na montra, debatendo comigo própria por uns minuto o que é que eu ia experimentar, para começar. E em chegando ao momento de abrir a boca e falar, para pedir o que eu queria, só me saía francês. Pois estando ali todas as etiquetas à minha frente a gritar "tarte aux fraises", "macarrons pistache", "macarrons chocolat", "tarte au citron", como é que eu podia dizer "Ich hätte gern eine tarte aux fraises."? Pura e simplesmente, não saía. Pior, eu começo a fazer o meu pedido em francês, e o empregado não percebia nadinha. O que é irónico, afinal de contas, ele tinha as etiquetas com os nomes à frente dele o dia todo. Mas nada, lá tive que convencer os meus neurónios a trocar para alemão, pelo menos um bocadinho, e, com muito esforço, lá consegui.
Isto foi há alguns meses, pouco mais de um ano. Entretanto, por mais tempo que passe, de cada vez que vou ao Brioche Dorée já sei que me vou debater com as línguas. Por mais que me esforce, qualquer diálogo que não tenha sido previamente ensaiado em alemão na minha cabeça, vai sair em francês. Pelo menos, entretanto, os funcionários já dominam o "oui". E riem-se, quando lhes explico que isto de encomendar em alemão comida francesa, é mesmo difícil para mim.

04 maio 2014

Não gosto nada de planear esta parte das viagens

Naquela meia hora que intercede verificar preços de bilhetes de avião para determinadas datas, ver se bate tudo certo para toda a gente chegar ao mesmo sítio no mesmo dia, da maneira mais poupadinha possível (como se poupar se conjugasse com viagens de avião), o preço de todos os troços aumenta entre 10 e 100%.  Nem a limpar o histório, mudar de browser ou de computador a coisa melhorou, ou agora o aumento de preço na segunda tentativa está indexada ao IP, ou simplesmente só havia um ou dois bilhetes àqueles preços e entretanto alguém os comprou. O stress que isto dá, méne. Agora vou precisar de umas semanas para recuperar do choque, para depois planear tudo o resto. Que os bilhetes são só o primeiro passo.

Uma pessoa pensa que à medida que os putos crescem a coisa se vai simplificando, mas na verdade, enquanto umas partes se tornam extremamente simples, outras partes vão-se tornando extremamente complicadas.