Por estas semanas sinto-me como se fosse a última pessoa que gosta da TAP. Ouço queixas daqui e dali: porque fazem greve, porque é caro, porque isto, porque aquilo. Andam apaixonados pela Ryanair, odeiam a TAP.
Eu gosto da TAP. Pode não ser a companhia perfeita (mas haverá alguma?), pode não ser a mais barata (depende, às vezes até é), pode não ter sempre os melhores horários. Sempre que posso, é com a TAP que vou. Voar com a TAP significa 10-12 horas de férias extra. É que desde que entro no avião em Munique, até que aterro no Porto (a maior parte das vezes), quando vou nesta companhia, já me sinto em casa. Já tenho Sumol e água do Luso. Os pequenos-almoços dos vôos da manhã são por mim reconhecíveis como pequenos-almoços.
Em mais de uma década a voar frequentemente entre Portugal e a Alemanha, houve alguns percalços. Apanhei uma greve no Natal uma vez, que me fez chegar ao destino duas horas mais tarde que o previsto. Na verdade, é tudo o que me lembro. As outras greves ou percalços que me aconteceram não tiveram nada a ver com a TAP.
Como tenho que trocar de avião em Lisboa, só vôo com eles quando a ligação é boa. Os últimos horários implicam tempos de espera em Lisboa de três horas ou mais, e isso para mim é demais. Mas quando o transbordo é entre uma hora a hora e meia, a TAP é a minha preferência. A não ser que possa viajar com a SATA - que é a única transportadora que faz Munique-Porto directo, e me reduz o tempo de viagem para 3 horas. Mas a SATA é o que era a TAP há 10-15 anos atrás. Os mesmos aviões, o mesmo conforto, o mesmo trantamento das crianças (maravilhosos), a mesma comida (boa). Quando vou com a SATA lembro-me de quando gostava de andar de avião, quando as refeições a bordo me sabiam bem.
Gosto da TAP. É a minha companhia número dois, quase só por esta questão do vôo directo. E gostava que continuasse por muitos e bons anos a fazer um bom serviço.
20 maio 2015
26 abril 2015
Faz-me falta uma amiga
Sabem aqueles desafios de tirar uma foto por dia? Tenho andado a fazer uma experiência do género. Por vários motivos, agora faço auto retratos. Dizem que nunca gostamos quando ouvimos a nossa voz gravada. Deve ser uma questão de hábito. Depois de me ouvir por horas e horas, apenas posso dizer que reconheço a minha voz. Quanto à imagem, a conversa é diferente. Eu não gosto de me ver fotografada. Perco a piada toda, a duas dimensões. Mesmo assim, vou tirando fotografias. À conta disto já descobri que vestir a primeira coisa que me vem à mão de manhã quando ainda estou meia a dormir pode não ser sempre a melhor das ideias. Mas também sei que não é por isso que vou escolher a roupa antes de ir dormir. Os auto-retratos podem servir para isso. Como não tenho uma amiga aqui à mão, uma daquelas amigas brutas que te diz as verdades sem lhe passar pela cabeça que podes não achar muita piada a certas verdades, tiro fotos. Brutais. Aquela camisola branca que eu adoro é um desastre com aquela saia azul e branca (a que fica um espetáculo com o top azul). Talvez a use com umas calças para a próxima. Os sapatos de vela podem ser muito confortáveis, mas ainda não sei se realmente ficam bem com alguma coisa.
Podia ver-me ao espelho. E acho que até vejo, mas não é a mesma coisa. Antes das dez da manhã não vejo bem, é um problema dos meus olhos, que ficam meios fechados até ao café. À hora do café finalmente acordo. E a essa hora não há tempo de olhar para espelhos, ou trocar de roupa.
As amigas que tenho por cá não ligam nada a essas coisas. E eu também não, a maior parte das vezes. No entanto, há alturas para tudo, incluindo recalibrar o guarda-roupa. Continuo a usar maquilhagem três vezes por ano. Nunca vi o fim a uma embalagem de base, um batom, uma sombra de olhos, um verniz. Mas tenho de me vestir todos os dias.
Podia ver-me ao espelho. E acho que até vejo, mas não é a mesma coisa. Antes das dez da manhã não vejo bem, é um problema dos meus olhos, que ficam meios fechados até ao café. À hora do café finalmente acordo. E a essa hora não há tempo de olhar para espelhos, ou trocar de roupa.
As amigas que tenho por cá não ligam nada a essas coisas. E eu também não, a maior parte das vezes. No entanto, há alturas para tudo, incluindo recalibrar o guarda-roupa. Continuo a usar maquilhagem três vezes por ano. Nunca vi o fim a uma embalagem de base, um batom, uma sombra de olhos, um verniz. Mas tenho de me vestir todos os dias.
20 abril 2015
Troca palavras
Às vezes sai-me uma ou outra palavra em inglês no meio de conversas em português. Não é problema de tradução, de já não saber como se diz, de não me lembrar da palavra que queria dizer. Nada disso. Há palavras que me fogem pela boca sem que eu queira, escapam-se e pronto. Uns "if", uns "but" outras mais compridas e que me saem assim tão rapidamente como um "if" ou um "but". Não me consigo travar, fico chocadíssima comigo mesma ao mesmo tempo que me foge a palavra. Ainda consigo num microsegundo pensar se hei-de corrigir para o que realmente queria dizer, e no microsegundo seguinte decido fazer de conta que nem dei por nada, meia bola e força, continuo o discurso. É de falar depressa, com certeza. Pois se os até os anglicismos que se tornaram corriqueiros me continuam a arranhar os ouvidos. Não, não tenho dúvida nenhuma, é de pensar tão rapidamente em português como em inglês.
(Já o francês e o alemão só saem ponderados, por opção em utilizar uma determinada palavra que traduzida dificilmente tem o mesmo significado ou peso.)
(Já o francês e o alemão só saem ponderados, por opção em utilizar uma determinada palavra que traduzida dificilmente tem o mesmo significado ou peso.)
15 abril 2015
Verão por dois dias
Dois dias de sol maravilhoso, quase verão, e no fim de semana vem o inverno outra vez. Não sei se sofra por antecipação, se por ter que trabalhar em dias assim.
Os alemães têm o "hitzfrei": quando está muito calor, as escolas fecham. Infelizmente não há hitzfrei para quem trabalha e não é professor, o que está mal, muito mal. Na minha terra tínhamos os dias de neve, se nevasse não havia escola, porque os autocarros e os carros dos professores que vinham de longe não passavam nas estradas.
Ao menos podemos tomar café na esplanada, ou almoçar ao sol.
Os alemães têm o "hitzfrei": quando está muito calor, as escolas fecham. Infelizmente não há hitzfrei para quem trabalha e não é professor, o que está mal, muito mal. Na minha terra tínhamos os dias de neve, se nevasse não havia escola, porque os autocarros e os carros dos professores que vinham de longe não passavam nas estradas.
Ao menos podemos tomar café na esplanada, ou almoçar ao sol.
06 abril 2015
Ai, o Porto
Uma semana de férias, volta a Portugal em 2000km. Mais coisa menos coisa. É sina de emigrante, o tempo nunca chega para tudo o que se quer fazer - não cheguei a ir à minha sapataria favorita, nem à minha esteticista amiga, não fui à loja de tecidos, nem ao meu pedaço de rio - e o pouco que se tem é vivido intensamente. Uma semana depois, preciso de férias das férias.
Trás-os-Montes, Porto, Coimbra, Lisboa, foi para o que deu. Sinto-me em casa em praticamente todo o lado em Portugal, mas por mais que os anos passem, por mais que a visite, Lisboa não é a minha praia. Do país inteiro, é o único sítio onde não tenho vontade nenhuma de viver. E, ironicamente, talvez seja a cidade onde mais provavelmente teria que viver se de repente decidisse arrumar a tralha e voltar.
O sol a brilhar o tempo todo, a família, os amigos que deu para ver, gente nova, dias maravilhosos. Um único dia que soube a férias, apenas a isso, sem correrias para lado nenhum, no meio dos meus montes (ai, também não fui ao meu café favorito no meio da serra, e não tive tempo de ir buscar um jesuíta à pastelaria, nem comer um bolo de côco dos da minha infância, que só há numa única padaria).
Uns dias no Porto, ao sol, a baixa, a Foz, os turistas. Tantas lojas novas, tantos cafés, bares e restaurantes novos, o Porto está tão diferente, para melhor, mais novo, renovado. Sim, também mais caro, aliás bem mais caro, está-se a tornar uma cidade de turistas. Ainda assim, ainda há espaço para todos, sem que nos sintamos invadidos. Para já, pelo menos. Isto em Março, Abril, talvez no verão a coisa mude completamente.
A baixa está resplandecente, os tripeiros, na mesma. Tão depressa de uma simpatia extrema, como de repente de uma sinceridade desarmante. Queria uns vestidos em tons de vermelho, para as minhas meninas das flores "vermelho não é cor para casamento!" anunciam-me alto e bom som. Oh minha gente, mas eu pedi a opinião sobre as cores a alguém? "Vermelho é uma cor muito agressiva, não pode ser!", e já agora, para que não sobrem dúvidas, "preto também não dá!". Na minha mente passeiam cadeiras pretas com laços vermelhos a enfeitar. Esta malta é incrível. O vermelho pode ser agressivo para alguns, mas é a minha cor preferida, o casamento é meu, eu é que sei. Engraçado, no entanto, que não apliquem a lógica até ao fim, pois se eu escolhi uma cor agressiva é provável que me esteja nas tintas para a opinião de terceiros. Não levo a mal, as pessoas falam antes de pensar, sem intenção de insultar ou magoar - ainda sei interpretar a diferença.
A foz, maravilhosa, como sempre, cheia de cor, cheiro a mar, ondas a bater nas rochas, continua a ser um dos meus sítios favoritos. Nada como sentar à beira mar a olhar para as ondas, sentir o sol no corpo... e apanhar um escaldão de inverno. Bolas, eu já devia saber, acontece-me sempre isto. Almoço na Casa Vasco, um sítio novo super simpático, comida pouco tradicional, sobremesa divinal. Tinha visto a dica no casal mistério, e não podia deixar escapar a oportunidade, estando ali tão perto. Já agora, a minha impressão: a minha tarte de maçã veio com gelado de morango e menta, ambos maravilhosos, e a limonada sem açúcar tinha um intenso sabor a limão. Podia parar lá só por estas duas coisas.
Tão pouco tempo, tão aproveitado. Ainda deu para escolher e comer laranjas do algarve, e trazer pão e miniaturas da pastelaria à beira de casa, tudo tão bom. No final, sempre a mesma pergunta, tenho mesmo de ir embora?
Trás-os-Montes, Porto, Coimbra, Lisboa, foi para o que deu. Sinto-me em casa em praticamente todo o lado em Portugal, mas por mais que os anos passem, por mais que a visite, Lisboa não é a minha praia. Do país inteiro, é o único sítio onde não tenho vontade nenhuma de viver. E, ironicamente, talvez seja a cidade onde mais provavelmente teria que viver se de repente decidisse arrumar a tralha e voltar.
O sol a brilhar o tempo todo, a família, os amigos que deu para ver, gente nova, dias maravilhosos. Um único dia que soube a férias, apenas a isso, sem correrias para lado nenhum, no meio dos meus montes (ai, também não fui ao meu café favorito no meio da serra, e não tive tempo de ir buscar um jesuíta à pastelaria, nem comer um bolo de côco dos da minha infância, que só há numa única padaria).
Uns dias no Porto, ao sol, a baixa, a Foz, os turistas. Tantas lojas novas, tantos cafés, bares e restaurantes novos, o Porto está tão diferente, para melhor, mais novo, renovado. Sim, também mais caro, aliás bem mais caro, está-se a tornar uma cidade de turistas. Ainda assim, ainda há espaço para todos, sem que nos sintamos invadidos. Para já, pelo menos. Isto em Março, Abril, talvez no verão a coisa mude completamente.
A baixa está resplandecente, os tripeiros, na mesma. Tão depressa de uma simpatia extrema, como de repente de uma sinceridade desarmante. Queria uns vestidos em tons de vermelho, para as minhas meninas das flores "vermelho não é cor para casamento!" anunciam-me alto e bom som. Oh minha gente, mas eu pedi a opinião sobre as cores a alguém? "Vermelho é uma cor muito agressiva, não pode ser!", e já agora, para que não sobrem dúvidas, "preto também não dá!". Na minha mente passeiam cadeiras pretas com laços vermelhos a enfeitar. Esta malta é incrível. O vermelho pode ser agressivo para alguns, mas é a minha cor preferida, o casamento é meu, eu é que sei. Engraçado, no entanto, que não apliquem a lógica até ao fim, pois se eu escolhi uma cor agressiva é provável que me esteja nas tintas para a opinião de terceiros. Não levo a mal, as pessoas falam antes de pensar, sem intenção de insultar ou magoar - ainda sei interpretar a diferença.
A foz, maravilhosa, como sempre, cheia de cor, cheiro a mar, ondas a bater nas rochas, continua a ser um dos meus sítios favoritos. Nada como sentar à beira mar a olhar para as ondas, sentir o sol no corpo... e apanhar um escaldão de inverno. Bolas, eu já devia saber, acontece-me sempre isto. Almoço na Casa Vasco, um sítio novo super simpático, comida pouco tradicional, sobremesa divinal. Tinha visto a dica no casal mistério, e não podia deixar escapar a oportunidade, estando ali tão perto. Já agora, a minha impressão: a minha tarte de maçã veio com gelado de morango e menta, ambos maravilhosos, e a limonada sem açúcar tinha um intenso sabor a limão. Podia parar lá só por estas duas coisas.
Tão pouco tempo, tão aproveitado. Ainda deu para escolher e comer laranjas do algarve, e trazer pão e miniaturas da pastelaria à beira de casa, tudo tão bom. No final, sempre a mesma pergunta, tenho mesmo de ir embora?
05 abril 2015
Dias de sol
Na minha terra, passeio de calções e t-shirt pela rua. Ficam todos a olhar com ar de espanto. Estão 24 graus. Eu uso o método científico para me vestir: acima dos 20 graus é t-shirt e pernas ao léu, com um casaco se me parecer necessário. Para lá do Marão, o ano divide-se em nove meses de inverno e três de inferno. Se o inferno ainda não chegou, deve ser inverno. Anda tudo de camisolas e sobretudo. Menos eu. Fui para fora, agora, quando venho, é só para ver a bola. É como se tivesse vindo do estrangeiro, o ar com que olham para mim. Quero lá saber. O sol está quentinho, e o céu azul. Paraíso.
17 março 2015
A baixa já não é o que era
Vou à baixa - a St.a Catarina cá do burgo - poucas vezes. Contam-se pelos dedos das mãos as visitas anuais. Não é porque fique longe e fora de mão, é porque a baixa é estranha. Para começar é sítio de turistas. Nota-se, a malta por ali tem um ar diferente, um vagar no passo, um olhar curioso. Os locais passam a correr, por necessidade da vida do dia a dia. Outros utilizam-na para se manifestar. Há sempre qualquer razão para protestar, megafone na mão, meia dúzia de pessoas que querem chamar a atenção, meia dúzia de polícias a olhar. Passo ao lado, não tenho tempo, a maior parte das vezes nem percebo o porquê destas manifs.
Vou poucas vezes à baixa. Antes do Natal, quando tenho que tratar de burocracias ou ir ao médico. Quando posso, aproveito para dar umas voltas. Estranho sempre. Há anos que aqui moro, sinto que devia conhecer a baixa como a palma da mão. Saber de cor as lojas todas entre a Karlsplatz e a Marienplatz, dos dois lados da rua, transversais incluídas. Não sei. Não por falta de interesse, curiosidade ou atenção. A baixa de Munique é como uma cobra, troca de pele frequentemente. Ao longo dos anos apareceram e desapareceram as minhas lojas favoritas. Cada porta que trespassei tantas vezes com gosto, mais tarde ou mais cedo acaba por dar lugar a uma loja nova que não me interessa. Uma ou outra excepção, rara. De cada vez que preciso de uma coisa daquelas que só há na baixa, quando lá vou, descubro que já não há. Aquela loja onde podia ir comprar uma fatiota de emergência, com preços em conta, que não tinha 500 filiais pelo país? Desapareceu. A outra onde comprei a minha melhor escova de sempre, que perdi numa mudança, deixou de vender escovas de cabelo. O meu sítio favorito para pechinchas? Agora é uma loja de electrodomésticos.
Estranhamente, a única coisa que parece aguentar o teste do tempo é a restauração. Em alguns casos, incompreensivelmente.
Peço uma boleia. Que me venham buscar ali à beira da farmácia, onde há um parque de estacionamento. Havia um parque de estacionamento, da última vez que ali passei. Agora é uma porta enorme fechada, e uma pequena loja de arte ao lado (fraquinha, muito fraquinha). Não há referências. Depois destes anos todos, descubro finalmente onde fica a porta do Lenbachhaus. E um monumento que nunca tinha visto - só lá está há mais de sessenta anos.
Vou poucas vezes à baixa. Antes do Natal, quando tenho que tratar de burocracias ou ir ao médico. Quando posso, aproveito para dar umas voltas. Estranho sempre. Há anos que aqui moro, sinto que devia conhecer a baixa como a palma da mão. Saber de cor as lojas todas entre a Karlsplatz e a Marienplatz, dos dois lados da rua, transversais incluídas. Não sei. Não por falta de interesse, curiosidade ou atenção. A baixa de Munique é como uma cobra, troca de pele frequentemente. Ao longo dos anos apareceram e desapareceram as minhas lojas favoritas. Cada porta que trespassei tantas vezes com gosto, mais tarde ou mais cedo acaba por dar lugar a uma loja nova que não me interessa. Uma ou outra excepção, rara. De cada vez que preciso de uma coisa daquelas que só há na baixa, quando lá vou, descubro que já não há. Aquela loja onde podia ir comprar uma fatiota de emergência, com preços em conta, que não tinha 500 filiais pelo país? Desapareceu. A outra onde comprei a minha melhor escova de sempre, que perdi numa mudança, deixou de vender escovas de cabelo. O meu sítio favorito para pechinchas? Agora é uma loja de electrodomésticos.
Estranhamente, a única coisa que parece aguentar o teste do tempo é a restauração. Em alguns casos, incompreensivelmente.
Peço uma boleia. Que me venham buscar ali à beira da farmácia, onde há um parque de estacionamento. Havia um parque de estacionamento, da última vez que ali passei. Agora é uma porta enorme fechada, e uma pequena loja de arte ao lado (fraquinha, muito fraquinha). Não há referências. Depois destes anos todos, descubro finalmente onde fica a porta do Lenbachhaus. E um monumento que nunca tinha visto - só lá está há mais de sessenta anos.
10 março 2015
É só futebol - mas a vida também é assim
Lá porque normalmente não dou porrada, não quer dizer que não saiba dar. Lá por habitualmente não encostar em velocidade, não quer dizer que não alinhe num bom encosto. Lá porque não costumo bloquear o caminho ao adversário, não é porque não seja capaz de o fazer. E bem.
Pode ser só um jogo. Pode ser a menos que feijões. Mas eu vou até onde vocês quiserem ir.
(Mas cuidado, malta, não vale a pena irmos todos parar ao hospital. Já bem bastam as unhas negras e os hematomas semanais.)
(E os dias em que estamos completamente em sintonia? Passe - golo, passe - golo, canto bem apontado - golo. Há duplas incríveis. Sabe tão bem jogar assim.)
Pode ser só um jogo. Pode ser a menos que feijões. Mas eu vou até onde vocês quiserem ir.
(Mas cuidado, malta, não vale a pena irmos todos parar ao hospital. Já bem bastam as unhas negras e os hematomas semanais.)
(E os dias em que estamos completamente em sintonia? Passe - golo, passe - golo, canto bem apontado - golo. Há duplas incríveis. Sabe tão bem jogar assim.)
26 fevereiro 2015
Tarefa 1, check
Pronto, já está. Para celebrar o período prolongado em que não tive disposição mental para fazer outras coisas, estou a pensar em fazer uma aldeia para a criança. Com legos ou caixas de cartão. Ou as duas coisas. Bonecada não falta, estes potenciais aldeões estão ansiosos por se mudar. E isto tudo só para me ir esquecendo da segunda tarefa em fila de espera.
25 fevereiro 2015
Oferecem-se alvíssaras
Perdeu-se:
a minha capacidade de fazer multitasking
Oferecem-se alvíssaras a quem a encontrar e devolver, sã e salva.
Entretanto, as minhas desculpas, tenho uma tarefa complicada em mãos e não consigo pensar noutra coisa. Quando terminar essa, tenho uma segunda tarefa em lista de espera, mas tenho esperança de que não me tome demasiado tempo. Se entretanto recuperar o multitasking perdido, hei-de voltar a escrever. Como deve ser.
a minha capacidade de fazer multitasking
Oferecem-se alvíssaras a quem a encontrar e devolver, sã e salva.
Entretanto, as minhas desculpas, tenho uma tarefa complicada em mãos e não consigo pensar noutra coisa. Quando terminar essa, tenho uma segunda tarefa em lista de espera, mas tenho esperança de que não me tome demasiado tempo. Se entretanto recuperar o multitasking perdido, hei-de voltar a escrever. Como deve ser.
11 fevereiro 2015
Onde é que se vê daqui a 10 anos?
O meu Jon Stewart também vai abandonar o seu Daily Show. É a vida, parece, as coisas se dão em ciclos, e este ciclo está a terminar. Acho que isto explica aquela pergunta clássica das entrevistas, onde é que se vê daqui a 5 ou 10 anos. Jon Stewart faz o Daily Show há 15 anos. O meu Jon, fazia o seu há 10. Agora fará outras coisas, com certeza. E deixa espaço para que outros façam o daily show deles, e lhe imprimam formas novas de fazer humor com as notícias.
Há 10 anos eu não fazia a mínima ideia das coisas que hoje me fazem correr. Não sabia que ia passar serões a estudar, não sabia que me ia sentir insatisfeita com a minha capacidade de me exprimir. Se me tivessem perguntado qual o meu plano para hoje, de certeza que teria atirado ao lado. Muito ao lado. Há 10 anos não sabia o que sei hoje, e nem imaginava que fosse aprender tanta coisa. Há 10 anos não imaginava que 1% ou 0,1% de algo intangível pudesse ser tão importante, que quase pudesse senti-lo a escapar-me entre os dedos.
Há 10 anos fiz coisas que achava brilhantes e hoje acho apenas relativamente boas. As coisas que faço hoje em dia e que me parecem brilhantes, talvez daqui a uns anos passem a ser apenas boazinhas aos meus olhos com mais experiência.
Não consigo imaginar o que quero daqui a dez anos, não em concreto, apenas uns passinhos aqui e ali que me parecem fundamentais no imediato. Aqueles que, podendo ser os passos certos para trilhar um caminho que me leve a algum lado, podem também ser apenas os passos certos para me divertir enquanto não encontro destino.
Devia perguntar à malta mais velha, como é que é. Se passamos a vida a sentir-nos uns miúdos com muito para aprender, por mais que o tempo passe por nós. Se alguma vez passa aquela sensação de que podemos ser desmascarados a qualquer momento, mesmo que sejamos verdadeiros peritos num assunto. Como é que é quando se tem mais 40, 50, 60, e se troca de emprego, de vida, de cidade, de país. Como é que se recomeçam a construir laços. E se vale a pena.
Pensando bem, até sei a resposta a algumas destas perguntas. A felicidade vai-se construindo, sempre.
Há 10 anos eu não fazia a mínima ideia das coisas que hoje me fazem correr. Não sabia que ia passar serões a estudar, não sabia que me ia sentir insatisfeita com a minha capacidade de me exprimir. Se me tivessem perguntado qual o meu plano para hoje, de certeza que teria atirado ao lado. Muito ao lado. Há 10 anos não sabia o que sei hoje, e nem imaginava que fosse aprender tanta coisa. Há 10 anos não imaginava que 1% ou 0,1% de algo intangível pudesse ser tão importante, que quase pudesse senti-lo a escapar-me entre os dedos.
Há 10 anos fiz coisas que achava brilhantes e hoje acho apenas relativamente boas. As coisas que faço hoje em dia e que me parecem brilhantes, talvez daqui a uns anos passem a ser apenas boazinhas aos meus olhos com mais experiência.
Não consigo imaginar o que quero daqui a dez anos, não em concreto, apenas uns passinhos aqui e ali que me parecem fundamentais no imediato. Aqueles que, podendo ser os passos certos para trilhar um caminho que me leve a algum lado, podem também ser apenas os passos certos para me divertir enquanto não encontro destino.
Devia perguntar à malta mais velha, como é que é. Se passamos a vida a sentir-nos uns miúdos com muito para aprender, por mais que o tempo passe por nós. Se alguma vez passa aquela sensação de que podemos ser desmascarados a qualquer momento, mesmo que sejamos verdadeiros peritos num assunto. Como é que é quando se tem mais 40, 50, 60, e se troca de emprego, de vida, de cidade, de país. Como é que se recomeçam a construir laços. E se vale a pena.
Pensando bem, até sei a resposta a algumas destas perguntas. A felicidade vai-se construindo, sempre.
06 fevereiro 2015
Perder? Nem a feijões!
Imaginem o seguinte jogo de apostas, em que o objectivo é ganhar o máximo de pontos possível. Duas equipas, cada uma escolhe uma cor entre o vermelho e o preto. Se a equipa A escolher o vermelho e a B escolher vermelho, ganham ambas +3 pontos. Se a equipa A escolher preto e a B escolher preto, ficam ambas com -1 ponto. Se uma das equipas escolher vermelho e a outra escolher preto, a equipa que escolheu vermelho fica com -5 pontos e a que escolheu preto ganha +5 pontos.
Separam-se as equipas fisicamente para que escolham a sua estratégia antes de cada aposta. No total apostam dez vezes, em cada vez têm 5 minutos para escolher a próxima aposta.
À primeira vista, diria que a escolha lógica seria que, em cada turno, ambas as equipas apostassem sempre, sistematicamente, no vermelho. Assim ganhariam sempre 3 pontos.
No entanto, se a equipa A escolher vermelho e a B escolher preto, a equipa A perderá 5 pontos, e a B ganhará 5 pontos.
O resultado lógico será então que as equipas escolham sempre preto, por forma a minimizarem as perdas - assim ficam com -1 ponto em cada turno, mas não correm o risco de perder 10 pontos em relação à outra equipa. É de notar que se a equipa A escolher preto e a B escolher vermelho, a equipa A fica com +5 pontos, e a B com -5. Portanto, ao escolher preto, além de minimizar as perdas (o pior resultado é igualar a outra equipa), maximiza-se o lucro possível (se a outra equipa escolher vermelho, fica-se com 10 pontos de vantagem).
Depois desta análise fria e lógica, sobra ainda um pouco de natureza humana. Numa situação deste género, alguns de nós explicariam à sua equipa que o melhor a fazer seria tentar convencer a outra equipa a escolher sempre vermelho. Negociar que ambas as equipas apostassem sempre no vermelho, e assim maximizar o lucro total para ambas. Correndo o risco de ser atraiçoado - que a outra equipa concorde em apostar no vermelho, mas que na hora da verdade aposte no preto - e assim perder; ou, potencialmente, atraiçoar a outra equipa, apostando no preto apesar de ter concordado em apostar no vermelho.
O inexplicável ocorre quando a equipa A tenta negociar com a equipa B. A equipa B recusa-se a entrar em diálogo, porque quer ganhar. A equipa A explica à equipa B que, se não combinarem o que fazer, o único resultado lógico é ambas as equipas apostarem sempre no preto, e irem acumulando perdas ao longo do jogo. Ainda assim a equipa B recusa-se a ouvir, e de seguida aposta no vermelho. A equipa A, incrédula, faz a sua aposta no preto, e ganha 10 pontos de vantagem sobre a equipa B, à qual tinha acabado de explicar a sua estratégia.
Resultado final: pontos negativos para ambas as equipas, equipa A com mais 10 pontos que a equipa B.
Quem ganhou?
A equipa A terminou com mais pontos que a B, mas ambas as equipas terminaram com pontos negativos...
Análise dos comportamentos: a equipa B atribui a culpa à equipa A, por ser demasiado directa na abordagem negocial. A equipa A não compreende porque é que a equipa B, que queria ganhar a todo o custo, se recusou a negociar, e ainda para mais apostou no vermelho, pondo-se numa posição potencialmente perdedora.
Nunca vou ser gestora. Adivinhem lá qual era a minha equipa...
Separam-se as equipas fisicamente para que escolham a sua estratégia antes de cada aposta. No total apostam dez vezes, em cada vez têm 5 minutos para escolher a próxima aposta.
À primeira vista, diria que a escolha lógica seria que, em cada turno, ambas as equipas apostassem sempre, sistematicamente, no vermelho. Assim ganhariam sempre 3 pontos.
No entanto, se a equipa A escolher vermelho e a B escolher preto, a equipa A perderá 5 pontos, e a B ganhará 5 pontos.
O resultado lógico será então que as equipas escolham sempre preto, por forma a minimizarem as perdas - assim ficam com -1 ponto em cada turno, mas não correm o risco de perder 10 pontos em relação à outra equipa. É de notar que se a equipa A escolher preto e a B escolher vermelho, a equipa A fica com +5 pontos, e a B com -5. Portanto, ao escolher preto, além de minimizar as perdas (o pior resultado é igualar a outra equipa), maximiza-se o lucro possível (se a outra equipa escolher vermelho, fica-se com 10 pontos de vantagem).
Depois desta análise fria e lógica, sobra ainda um pouco de natureza humana. Numa situação deste género, alguns de nós explicariam à sua equipa que o melhor a fazer seria tentar convencer a outra equipa a escolher sempre vermelho. Negociar que ambas as equipas apostassem sempre no vermelho, e assim maximizar o lucro total para ambas. Correndo o risco de ser atraiçoado - que a outra equipa concorde em apostar no vermelho, mas que na hora da verdade aposte no preto - e assim perder; ou, potencialmente, atraiçoar a outra equipa, apostando no preto apesar de ter concordado em apostar no vermelho.
O inexplicável ocorre quando a equipa A tenta negociar com a equipa B. A equipa B recusa-se a entrar em diálogo, porque quer ganhar. A equipa A explica à equipa B que, se não combinarem o que fazer, o único resultado lógico é ambas as equipas apostarem sempre no preto, e irem acumulando perdas ao longo do jogo. Ainda assim a equipa B recusa-se a ouvir, e de seguida aposta no vermelho. A equipa A, incrédula, faz a sua aposta no preto, e ganha 10 pontos de vantagem sobre a equipa B, à qual tinha acabado de explicar a sua estratégia.
Resultado final: pontos negativos para ambas as equipas, equipa A com mais 10 pontos que a equipa B.
Quem ganhou?
A equipa A terminou com mais pontos que a B, mas ambas as equipas terminaram com pontos negativos...
Análise dos comportamentos: a equipa B atribui a culpa à equipa A, por ser demasiado directa na abordagem negocial. A equipa A não compreende porque é que a equipa B, que queria ganhar a todo o custo, se recusou a negociar, e ainda para mais apostou no vermelho, pondo-se numa posição potencialmente perdedora.
Nunca vou ser gestora. Adivinhem lá qual era a minha equipa...
05 fevereiro 2015
A combinação de teclas do ano: Ctrl+Shift+T
Descobri esta no ano passado, juntamente com uma colecção de outras que, apesar de também parecerem muito úteis, claramente não eram suficientemente úteis para as memorizar. Volta e meia estou a ver uma coisa qualquer numa janela do browser, acho que cheguei ao fim, e fecho a janela (Ctrl+W). Ao fechar a janela, vejo pelo canto do olho um link para qualquer coisa que, a posteriori, queria ter lido. Ou então, fecho uma janela acidentalmente. Ctrl+Shit+T restaura automaticamente a última janela que fechámos. Sem ter que ir procurar ao histórico o endereço da página, sem ter que me lembrar como é que lá tinha ido parar inicialmente. Uso isto quase todos os dias. Pode ser que dê jeito a mais alguém.
26 janeiro 2015
05 janeiro 2015
É grave, doutor?
Devo estar doente, só pode. Lá fora esta um frio do catano, há neve, vejo um pouco de azul do céu por uma janela, por outra, branco, tudo branco, nuvens sem fim. Por email, recebo a notícia: está aí a primavera. Afinal estamos em fins de Março, mas só a H&M* é que sabe.
*se calhar só a alemã. Mas em Munique, está mais Inverno que em Portugal.
*se calhar só a alemã. Mas em Munique, está mais Inverno que em Portugal.
02 janeiro 2015
Nunca mais aprendo (ou a angústia de empacotar a tralha)
Na minha mala devia haver, sempre, uma segunda mala. Quando saio de casa, mala grande meia vazia, devia sempre levar uma segunda mala, vazia, para o regresso. E esta segunda mala devia fazer parte integral da primeira, encaixar na tampa ou em baixo, como aqueles sacos de compras que se dobram até parecer que apenas temos um pacote de lenços de papel extra na carteira. Não sei bem o que acontece durante as férias, mas o milagre da multiplicação ocorre sempre nesta altura: ao fazer a mala para o regresso, parece-me sempre que as minhas coisas triplicaram. A mala que veio vazia está agora a abarrotar, procuro um saco/mochila/mala que possa levar emprestado, e, mais uma vez, pergunto-me, como é que eu não me lembrei que isto me acontece sempre? Todas as vezes. Mal aterro em Portugal, é como se o conteúdo da minha mala expandisse, e de repente, fico sem um espacinho que seja para mais uma coisinha. Nem comprei nada para levar (lá se vai o meu plano de meter umas bolachas maria, um pacote de pensal chocolate, e um ou dois chouriços da minha terra), e já não cabe nem mais um alfinete. A minha mala vai é cheia de saudades, deve ser isso que me ocupa todo o espaço lá dentro.
01 janeiro 2015
30 dezembro 2014
Isto está a acontecer depressa demais
Amanhã é o último dia do ano. Pensava que ainda tinha mais um dia de 2014. O fim de ano está a aproximar-se em passo acelerado. Amanhã por esta hora estou a preparar-me para ir dormir a pensar que ainda faltam mais de 24 horas para a passagem de ano...
24 dezembro 2014
Embrulhos na diagonal
Eu vi este vídeo há uns tempos, e pensei, isto não é para mim. Eu nem com o vídeo acertava com isto.
Depois, numa loja, embrulharam-me uma caixa dessa maneira. Quer dizer, aproximadamente. Isto de embrulhar na diagonal até quase pode parecer simples no vídeo, e a menina que me fez o embrulho já tinha, com certeza, imensa prática, mas mesmo assim não foi tão simples como no vídeo. E eu olhava para aquela quantidade de papel, e fiquei ali tempos infindos na dúvida: explico que isto usa muito mais papel que a maneira tradicional de embrulhar presentes?
Depois, numa loja, embrulharam-me uma caixa dessa maneira. Quer dizer, aproximadamente. Isto de embrulhar na diagonal até quase pode parecer simples no vídeo, e a menina que me fez o embrulho já tinha, com certeza, imensa prática, mas mesmo assim não foi tão simples como no vídeo. E eu olhava para aquela quantidade de papel, e fiquei ali tempos infindos na dúvida: explico que isto usa muito mais papel que a maneira tradicional de embrulhar presentes?
23 dezembro 2014
Há sempre uma primeira vez
Comprei uma prenda de Natal para mim própria. Não foi uma caixa de Lego.
(Agora que penso nisso, mas como é que isto é possível?! Espero que alguma alma caridosa colmate esta falha, e já agora, verifique que não estou gravemente doente. No pior dos casos, posso sempre roubar os Legos da minha filha. Temporariamente, claro.)
(Agora que penso nisso, mas como é que isto é possível?! Espero que alguma alma caridosa colmate esta falha, e já agora, verifique que não estou gravemente doente. No pior dos casos, posso sempre roubar os Legos da minha filha. Temporariamente, claro.)
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