02 janeiro 2015
Nunca mais aprendo (ou a angústia de empacotar a tralha)
Na minha mala devia haver, sempre, uma segunda mala. Quando saio de casa, mala grande meia vazia, devia sempre levar uma segunda mala, vazia, para o regresso. E esta segunda mala devia fazer parte integral da primeira, encaixar na tampa ou em baixo, como aqueles sacos de compras que se dobram até parecer que apenas temos um pacote de lenços de papel extra na carteira. Não sei bem o que acontece durante as férias, mas o milagre da multiplicação ocorre sempre nesta altura: ao fazer a mala para o regresso, parece-me sempre que as minhas coisas triplicaram. A mala que veio vazia está agora a abarrotar, procuro um saco/mochila/mala que possa levar emprestado, e, mais uma vez, pergunto-me, como é que eu não me lembrei que isto me acontece sempre? Todas as vezes. Mal aterro em Portugal, é como se o conteúdo da minha mala expandisse, e de repente, fico sem um espacinho que seja para mais uma coisinha. Nem comprei nada para levar (lá se vai o meu plano de meter umas bolachas maria, um pacote de pensal chocolate, e um ou dois chouriços da minha terra), e já não cabe nem mais um alfinete. A minha mala vai é cheia de saudades, deve ser isso que me ocupa todo o espaço lá dentro.
01 janeiro 2015
30 dezembro 2014
Isto está a acontecer depressa demais
Amanhã é o último dia do ano. Pensava que ainda tinha mais um dia de 2014. O fim de ano está a aproximar-se em passo acelerado. Amanhã por esta hora estou a preparar-me para ir dormir a pensar que ainda faltam mais de 24 horas para a passagem de ano...
24 dezembro 2014
Embrulhos na diagonal
Eu vi este vídeo há uns tempos, e pensei, isto não é para mim. Eu nem com o vídeo acertava com isto.
Depois, numa loja, embrulharam-me uma caixa dessa maneira. Quer dizer, aproximadamente. Isto de embrulhar na diagonal até quase pode parecer simples no vídeo, e a menina que me fez o embrulho já tinha, com certeza, imensa prática, mas mesmo assim não foi tão simples como no vídeo. E eu olhava para aquela quantidade de papel, e fiquei ali tempos infindos na dúvida: explico que isto usa muito mais papel que a maneira tradicional de embrulhar presentes?
Depois, numa loja, embrulharam-me uma caixa dessa maneira. Quer dizer, aproximadamente. Isto de embrulhar na diagonal até quase pode parecer simples no vídeo, e a menina que me fez o embrulho já tinha, com certeza, imensa prática, mas mesmo assim não foi tão simples como no vídeo. E eu olhava para aquela quantidade de papel, e fiquei ali tempos infindos na dúvida: explico que isto usa muito mais papel que a maneira tradicional de embrulhar presentes?
23 dezembro 2014
Há sempre uma primeira vez
Comprei uma prenda de Natal para mim própria. Não foi uma caixa de Lego.
(Agora que penso nisso, mas como é que isto é possível?! Espero que alguma alma caridosa colmate esta falha, e já agora, verifique que não estou gravemente doente. No pior dos casos, posso sempre roubar os Legos da minha filha. Temporariamente, claro.)
(Agora que penso nisso, mas como é que isto é possível?! Espero que alguma alma caridosa colmate esta falha, e já agora, verifique que não estou gravemente doente. No pior dos casos, posso sempre roubar os Legos da minha filha. Temporariamente, claro.)
As melhores compras de Natal de sempre
Dois dias, na verdade, hora e meia vezes dois dias, na terrinha. Senhores, há lá nada melhor que sair de casa a pé, sabendo que a volta à vila (cidade, mas pronto, no meu tempo isto era uma vila) demora 10 minutos em passo acelerado como o meu, e que as paragens nas lojas são verdadeiros "pit stops", com probabilidade de sucesso elevada porque isto é a minha terra, e eu sei muito bem onde é que vou encontrar alguma coisa. Ontem despachei a primeira metade, hoje a segunda metade, algumas coisas vieram embrulhadas sem sequer pedir, porque, afinal de contas, é Natal, é tudo para embrulhar (não era). Ainda tenho mais de vinte e quatro horas para terminar embrulhos, por debaixo da árvore, e o que mais não me estiver a lembrar de momento.Até encontrei coisas em promoção, nunca visto por aqui. Apanhei fila numa única loja - onde comprei a prenda do meu pai - e só fiquei à espera porque há pessoas que são chatas como tudo com as prendas se lhes dá.
A parte com mais piada fica para quando tiver oportunidade de copiar para aqui uma fotografia, da série "Portugal no seu melhor", que me custou uma limpeza dos sapatos antes de chegar a casa. Sim, apesar de tudo, teve graça, que eu por estes dias ando bem disposta e tenho o meu sentido de humor no nível mais elevado - quase tudo me faz, pelo menos, sorrir.
A parte com mais piada fica para quando tiver oportunidade de copiar para aqui uma fotografia, da série "Portugal no seu melhor", que me custou uma limpeza dos sapatos antes de chegar a casa. Sim, apesar de tudo, teve graça, que eu por estes dias ando bem disposta e tenho o meu sentido de humor no nível mais elevado - quase tudo me faz, pelo menos, sorrir.
16 dezembro 2014
Está quase
E se cá por baixo não se vê o sol, com certeza é apenas uma questão de altitude. Mais uns dias, as férias estão a chegar.
14 dezembro 2014
Os dias cinzentos
Três semanas disto. Branco sem neve, branco à frente do nariz todas as manhãs. Visibilidade quase nenhuma.
06 dezembro 2014
Sabor do ano
2014 foi o ano em que descobri o salted caramel. Caramelo e sal. E adorei, nas várias combinações possíveis. Em gelado (Häagen-Dazs por exemplo), em rebuçados (caramelos, várias marcas), no chocolate quente (Hotel Chocolat), e até no café (Starbucks nos States, o único que entrei noutro país não tinha).
Neste momento já marchava um chocolate quente com sabor a caramelo salgado. É pena aqui não haver.
Neste momento já marchava um chocolate quente com sabor a caramelo salgado. É pena aqui não haver.
04 dezembro 2014
Recuperando a magia
A miúda já tem 6 anos. Ainda não sabe ler, ainda não aprendeu as letras todas, mas isso não tem importância. Está na idade certa para sua primeira caça às prendas. Não é porque eu me tenha lembrado da tradição - perdida há uns dois ou três anos, quando achei que o rapaz já era crescido demais para estas coisas, que uma caça às prendas para um adolescente crescido ou dá demasiado trabalho ou é demasiado fácil. No outro dia ela é que se lembrou de me fazer uma caça ao tesouro. Fez uma data de folhinhas com desenhos, e mandou-me escrever as instruções. Escondeu os papelinhos dobrados, e mandou-me procurar. No final, o grande tesouro que fui encontrar, um desenho. Aos 6 anos, quase todas as coisas envolvem desenhos - na verdade, muitos deles giríssimos, emoldurados até passavam por arte, e olhem que não destoava nada nas paredes de certos museus (estou aqui a pensar no Pinakotheke der Moderne).
Como ao irmão, cedo lhe foi explicada a história do Pai Natal. A magia do Natal não obriga à existência de velhinhos de barbas e mentiras elaboradas. Pode escrever cartas ao Pai Natal na mesma, os miúdos hoje em dia são exímios na técnica de recortar catálogos e colar em papel. Sabe perfeitamente que lá porque recortou metade das coisas do catálogo não quer dizer que as vá receber. Afinal, o pai e a mãe (e o resto da família e amigos) não têm recursos ilimitados. Já o velhote de barbas... hum... E, se calhar, por isto mesmo, anda preocupada com as prendas de Natal que tem que fazer para a família. Desenhos para todos, pois claro. Ou telemóveis de papel. De onde lhe veio a ideia, não sei bem, mas acho óptimo. Até o peluche favorito tem direito a um desenho.
Pela minha parte, acho a caça às prendas simplesmente demasiado divertida. Dar a volta à casa à procura de mais pistas é muito mais interessante que retirar coisas de debaixo da árvore. Ou de um sapatinho. Ou de uma meia. E criar uma brincadeira destas para uma criança de seis anos é um prazer.
Como ao irmão, cedo lhe foi explicada a história do Pai Natal. A magia do Natal não obriga à existência de velhinhos de barbas e mentiras elaboradas. Pode escrever cartas ao Pai Natal na mesma, os miúdos hoje em dia são exímios na técnica de recortar catálogos e colar em papel. Sabe perfeitamente que lá porque recortou metade das coisas do catálogo não quer dizer que as vá receber. Afinal, o pai e a mãe (e o resto da família e amigos) não têm recursos ilimitados. Já o velhote de barbas... hum... E, se calhar, por isto mesmo, anda preocupada com as prendas de Natal que tem que fazer para a família. Desenhos para todos, pois claro. Ou telemóveis de papel. De onde lhe veio a ideia, não sei bem, mas acho óptimo. Até o peluche favorito tem direito a um desenho.
Pela minha parte, acho a caça às prendas simplesmente demasiado divertida. Dar a volta à casa à procura de mais pistas é muito mais interessante que retirar coisas de debaixo da árvore. Ou de um sapatinho. Ou de uma meia. E criar uma brincadeira destas para uma criança de seis anos é um prazer.
02 dezembro 2014
Yin-Yang
Hoje podia falar daquelas pessoas especiais, que não só lêem certo tipo de jornais, como também regurgitam o lixo que leram. Podia falar de como às vezes me parece muito má ideia continuar por aqui, em especial em dias como o de hoje, em que podia repetir as enormidades que ouvi só para confirmar que há por aí mais gente com um pingo de razão e que consegue ver ligeiramente mais longe que o seu próprio umbigo. Podia dizer que esta crise que nunca mais acaba continua com potencial para dar para o torto nesta Europa de ricos que se acham donos da moral, e pobres culpados de tudo e mais alguma coisa.
Hoje vou esquecer-me das barbaridades do dia, fazer rewind e mandar um beijinho à TAP. Foram uns queridos, em fazerem greve e cancelarem o meu vôo de regresso só para eu poder ficar mais um dia em casa. Foi um bocadinho inconveniente, sim, mas souberam-me tão bem aquelas 23 horas extra de mim.
Hoje vou esquecer-me das barbaridades do dia, fazer rewind e mandar um beijinho à TAP. Foram uns queridos, em fazerem greve e cancelarem o meu vôo de regresso só para eu poder ficar mais um dia em casa. Foi um bocadinho inconveniente, sim, mas souberam-me tão bem aquelas 23 horas extra de mim.
23 novembro 2014
Já cheira a Natal
Tenho horror a multidões. Não gosto de espaços com muita gente, de filas, de encontrões, de me sentir apertada, não gosto ter muitos desconhecidos demasiado perto de mim.
Por causa disto, ando aqui a brincar com uma ideia para as prendas de Natal. Podia comprar tudo na net, e evitar as lojas, o centro da cidade, os shoppings, as confusões. Seria simples, só que não tenho vontade nenhuma de o fazer. Nem sei bem porquê, mas não me apetece estar com o computador à frente a escolher coisas, esperar que venham, rezar para que o carteiro não fuja a toda a velocidade com a minha encomenda antes de eu ter tempo para lhe abrir a porta. (O carteiro toca sempre nas alturas mais inconvenientes.)
Há alguns Natais atrás, já nem sei bem quantos, deliciei-me a fazer algumas compras em vésperas do Natal, à última da hora, na minha terra. A paz, o sossego, as lojas quase vazias. O descanso. Sinto-me tão tentada a deixar tudo para os últimos dias, e dar uma ajudinha ao comércio tradicional... Não fora a minha ansiedade para deixar tudo e mais alguma coisa pronta antes do dia D, era mesmo isso que eu faria. Eu quero mesmo ir para casa, comer rabanadas da minha mãe, fazer bolos com as minhas irmãs, sair a meio do dia só com um casaco dos 0-10 graus, e passar no supermercado, nas lojas de roupa (meias para o pai, check), na loja de bijuteria (coisas para as amigas, check), na loja de prendas, daquelas que deixaram de existir noutros lugares (resto da malta, check), e talvez na loja de doces e enchidos tradicionais (quem faltar, check). E se precisar de alguma coisa - lojas das manas (pijamas - check); loja dos manos (atoalhados - check); loja da miúda que andou comigo na escola (roupa para a minha menina, check); loja da amiga da mãe (meias/boxers/camisolas para o meu rapagão, check), e por falar em mãe, estabelecimento comercial fabuloso para senhoras, da outra miúda que andou comigo na escola, check.
Tanta vontade de fazer isto. Dois dias e meio para o fazer. Compras nas calmas, mesmo antes do Natal, a pé. Sem pressa para ir embora, sem stress de estacionamento, dando-me ao luxo de passar brevemente em casa para pousar sacos se quiser. As pessoas a conversarem comigo porque me conhecem, e não apenas um quanto é, verde, código, verde. A minha piolha a ser estragada com mimos pelos meus conterrâneos.
Quanto mais penso nisto, mais certo me parece. E, se antigamente era impossível arranjar papel de embrulho e fitas giros na minha terra, hoje em dia é facílimo. O senhor que nos vendia bloquinhos e borrachinhas e canetas de cheiro abandonou a outra metade do seu negócio e agora vende todo o tipo de material de arts&crafts. Até os embrulhos vão ser giros, se seguir este plano.
Gosto tanto desta ideia.
Por causa disto, ando aqui a brincar com uma ideia para as prendas de Natal. Podia comprar tudo na net, e evitar as lojas, o centro da cidade, os shoppings, as confusões. Seria simples, só que não tenho vontade nenhuma de o fazer. Nem sei bem porquê, mas não me apetece estar com o computador à frente a escolher coisas, esperar que venham, rezar para que o carteiro não fuja a toda a velocidade com a minha encomenda antes de eu ter tempo para lhe abrir a porta. (O carteiro toca sempre nas alturas mais inconvenientes.)
Há alguns Natais atrás, já nem sei bem quantos, deliciei-me a fazer algumas compras em vésperas do Natal, à última da hora, na minha terra. A paz, o sossego, as lojas quase vazias. O descanso. Sinto-me tão tentada a deixar tudo para os últimos dias, e dar uma ajudinha ao comércio tradicional... Não fora a minha ansiedade para deixar tudo e mais alguma coisa pronta antes do dia D, era mesmo isso que eu faria. Eu quero mesmo ir para casa, comer rabanadas da minha mãe, fazer bolos com as minhas irmãs, sair a meio do dia só com um casaco dos 0-10 graus, e passar no supermercado, nas lojas de roupa (meias para o pai, check), na loja de bijuteria (coisas para as amigas, check), na loja de prendas, daquelas que deixaram de existir noutros lugares (resto da malta, check), e talvez na loja de doces e enchidos tradicionais (quem faltar, check). E se precisar de alguma coisa - lojas das manas (pijamas - check); loja dos manos (atoalhados - check); loja da miúda que andou comigo na escola (roupa para a minha menina, check); loja da amiga da mãe (meias/boxers/camisolas para o meu rapagão, check), e por falar em mãe, estabelecimento comercial fabuloso para senhoras, da outra miúda que andou comigo na escola, check.
Tanta vontade de fazer isto. Dois dias e meio para o fazer. Compras nas calmas, mesmo antes do Natal, a pé. Sem pressa para ir embora, sem stress de estacionamento, dando-me ao luxo de passar brevemente em casa para pousar sacos se quiser. As pessoas a conversarem comigo porque me conhecem, e não apenas um quanto é, verde, código, verde. A minha piolha a ser estragada com mimos pelos meus conterrâneos.
Quanto mais penso nisto, mais certo me parece. E, se antigamente era impossível arranjar papel de embrulho e fitas giros na minha terra, hoje em dia é facílimo. O senhor que nos vendia bloquinhos e borrachinhas e canetas de cheiro abandonou a outra metade do seu negócio e agora vende todo o tipo de material de arts&crafts. Até os embrulhos vão ser giros, se seguir este plano.
Gosto tanto desta ideia.
21 novembro 2014
O youtube e os direitos de autor
Bem sei que volta e meia volto à carga, e é mesmo assim, o youtube
persegue a minha vida, quer eu queira quer não. Ora são vídeos que não
consigo ver, ora são vídeos que as televisões colocam no ar. Agora uma
nova questão que já devia ter suscitado longos e apaixonados debates.
Sabemos que quando alguém coloca no youtube um vídeo ou música do qual
não detém o direito de autor, o youtube bloqueia o vídeo por questões
legais. Por vezes chega ao extremo de o próprio autor ter colocado o
vídeo nessa plataforma e ainda assim o youtube bloquear o acesso.
Mas a questão que coloco é da perspectiva oposta. Dada a quantidade de programas de televisão que parasitam o youtube, pois simplesmente se limitam a emitir vídeos dele retirados - não sei por que meio, porque os termos de utilização do youtube não permitem a cópia para o computador privado - com uns artistas da estação a comentar os tais vídeos, não há ninguém que se sinta também atingido no seu direito de autor? E o youtube, também não se queixa?
Fiz uma breve pesquisa sobre o assunto, e encontrei um exemplo caricato. Uns rapazes fizeram um vídeo - música e imagem originais - e colocaram no youtube. Alguém do programa do Jay Leno foi lá buscar o tal vídeo, que depois foi transmitido, sem autorização dos autores, durante o programa. Depois disso, o vídeo original passou a ser bloqueado pelo youtube, porque, no entender deles, o copyright tinha passado a pertencer à NBC. (Mais pormenores da história em An open letter to Jay Leno. O vídeo da polémica está aqui.)
Estou como o outro, mas como é que é possível?!
A resposta, em parte, está num algoritmo que corre automaticamente e inicialmente retirou este tal vídeo pelas questões citadas acima. No entanto, a utilização de vídeos por estações de televisão cai no uso comercial, provavelmente licenciada pelo youtube. Ainda assim, é no mínimo irónico, um controlo tão apertado do direito de autor da indústria do entretenimento, versus a utilização de material produzido pelo anónimo utilizador-autor. E, depois de uma olhadela cuidadosa aos termos e condições, mais um pormenor interessante.
"The above licenses granted by you in Content terminate when you remove or delete your Content from the Website"
Portanto, a eliminação do conteúdo leva ao fim da autorização dada ao youtube para utilizar e licenciar a terceiros o vosso conteúdo. O que, no caso dos programas de televisão, me faz colocar mais uma questão - o que é que acontece aos programas cuja emissão é repetida, quando utilizam vídeos colocados por terceiros no youtube, que entretanto os apagaram?
Mas a questão que coloco é da perspectiva oposta. Dada a quantidade de programas de televisão que parasitam o youtube, pois simplesmente se limitam a emitir vídeos dele retirados - não sei por que meio, porque os termos de utilização do youtube não permitem a cópia para o computador privado - com uns artistas da estação a comentar os tais vídeos, não há ninguém que se sinta também atingido no seu direito de autor? E o youtube, também não se queixa?
Fiz uma breve pesquisa sobre o assunto, e encontrei um exemplo caricato. Uns rapazes fizeram um vídeo - música e imagem originais - e colocaram no youtube. Alguém do programa do Jay Leno foi lá buscar o tal vídeo, que depois foi transmitido, sem autorização dos autores, durante o programa. Depois disso, o vídeo original passou a ser bloqueado pelo youtube, porque, no entender deles, o copyright tinha passado a pertencer à NBC. (Mais pormenores da história em An open letter to Jay Leno. O vídeo da polémica está aqui.)
Estou como o outro, mas como é que é possível?!
A resposta, em parte, está num algoritmo que corre automaticamente e inicialmente retirou este tal vídeo pelas questões citadas acima. No entanto, a utilização de vídeos por estações de televisão cai no uso comercial, provavelmente licenciada pelo youtube. Ainda assim, é no mínimo irónico, um controlo tão apertado do direito de autor da indústria do entretenimento, versus a utilização de material produzido pelo anónimo utilizador-autor. E, depois de uma olhadela cuidadosa aos termos e condições, mais um pormenor interessante.
"The above licenses granted by you in Content terminate when you remove or delete your Content from the Website"
Portanto, a eliminação do conteúdo leva ao fim da autorização dada ao youtube para utilizar e licenciar a terceiros o vosso conteúdo. O que, no caso dos programas de televisão, me faz colocar mais uma questão - o que é que acontece aos programas cuja emissão é repetida, quando utilizam vídeos colocados por terceiros no youtube, que entretanto os apagaram?
03 novembro 2014
Da organização
Há uns tempos, candidatei-me a um trabalho* que envolvia excelentes capacidades de organização. Enquanto avaliava os prós e os contras da candidatura, do trabalho, e dos requisitos, fui falar com alguém que já tinha estado na posição que eu almejava. Ah, e tal, é preciso uma grande capacidade de organização, saber onde como e quem vai estar num determinado sítio a falar de um determinado assunto, ou a escrever sobre ele, e tal. Enquanto o homem falava, eu ouvia, pensava na minha vida, e ainda lhe disse, se ele soubesse da missa a metade não enfatizaria tanto a tal capacidade de organização, para ele um palavrão, para mim, uma espécie de amigo. Ou amiga.
Por outros motivos que não vêm ao caso nesta história, decidi que aquilo não era para mim naquele momento, e segui a minha vida com outros projectos e outros desafios. Diverti-me a fazer outras coisas no trabalho, e deixei os grandes desafios organizatórios para a vida privada - digamos que os meus calendários anuais são um tratado. Agora, que tenho uma tarefa gigante entre mãos, lembro-me do homem e das suas advertências. Até gostava de lhe explicar o que é que para mim é relativamente complicado, tirar meças com ele, só para ver a cara dele.
(*perdoem a liberdade literária da expressão, a história toda dava um livro)
Por outros motivos que não vêm ao caso nesta história, decidi que aquilo não era para mim naquele momento, e segui a minha vida com outros projectos e outros desafios. Diverti-me a fazer outras coisas no trabalho, e deixei os grandes desafios organizatórios para a vida privada - digamos que os meus calendários anuais são um tratado. Agora, que tenho uma tarefa gigante entre mãos, lembro-me do homem e das suas advertências. Até gostava de lhe explicar o que é que para mim é relativamente complicado, tirar meças com ele, só para ver a cara dele.
(*perdoem a liberdade literária da expressão, a história toda dava um livro)
31 outubro 2014
O problema das ideias mesmo boas
(daquelas ideias de engenharia)
O problema daquelas ideias tão boas, e tão inovadoras, que por mais pesquisas que faças no google, não há nada que te ajude a concretizar, é que no momento de chamar a cavalaria, isto é, pedir ajuda aos amigos, tens que abdicar do factor surpresa. Não se pode ter tudo, dizem, mas caramba, há que tentar.
(as coisas que eu faço por uma boa gargalhada)
Só posso contar que envolve coisas a espalhar-se para o ar. E o problema é como tornar atirar coisas para o ar uma coisa elegante. Já pensei em todo o tipo de artefactos, incluindo coisas com ar comprimido. Há-de haver melhor que isso.
O problema daquelas ideias tão boas, e tão inovadoras, que por mais pesquisas que faças no google, não há nada que te ajude a concretizar, é que no momento de chamar a cavalaria, isto é, pedir ajuda aos amigos, tens que abdicar do factor surpresa. Não se pode ter tudo, dizem, mas caramba, há que tentar.
(as coisas que eu faço por uma boa gargalhada)
Só posso contar que envolve coisas a espalhar-se para o ar. E o problema é como tornar atirar coisas para o ar uma coisa elegante. Já pensei em todo o tipo de artefactos, incluindo coisas com ar comprimido. Há-de haver melhor que isso.
22 outubro 2014
Um dia, os deuses saem do Olimpo
E vêem visitar os mortais.
No meu caso, a o dono da mão que escreve textos que me fazem cócegas no cérebro, objectos da minha paixão assolapada (os textos, não o dono). O perigo de encontrar um senhor assim, descobrir que ele é de carne e osso, é esse mesmo, pois de carne e osso somos todos. Mas, caramba. Inteligência, sentido de humor, capacidade de análise, cultura... um mero mortal sente-se assim, pequenino. E depois, descobrimos que o autor da nossa paixão platónica até sabe que existimos, e até já leu alguma coisa nossa, e isso lhe suscita elogios. Aí crescemos meio milímetro, continuamos a sentir-nos pequenos, mas muito felizes.
Há homens inteligentes que não usam barba. Embora possam ser indefinidos no resto - nem bonitos nem feios, nem altos nem baixos, nem gordos nem magros. A minha parte favorita não se vê, está enfiada dentro da caixa craniana. E é absolutamente fabulosa, e inspiradora. Quando for grande quero ser assim.
No meu caso, a o dono da mão que escreve textos que me fazem cócegas no cérebro, objectos da minha paixão assolapada (os textos, não o dono). O perigo de encontrar um senhor assim, descobrir que ele é de carne e osso, é esse mesmo, pois de carne e osso somos todos. Mas, caramba. Inteligência, sentido de humor, capacidade de análise, cultura... um mero mortal sente-se assim, pequenino. E depois, descobrimos que o autor da nossa paixão platónica até sabe que existimos, e até já leu alguma coisa nossa, e isso lhe suscita elogios. Aí crescemos meio milímetro, continuamos a sentir-nos pequenos, mas muito felizes.
Há homens inteligentes que não usam barba. Embora possam ser indefinidos no resto - nem bonitos nem feios, nem altos nem baixos, nem gordos nem magros. A minha parte favorita não se vê, está enfiada dentro da caixa craniana. E é absolutamente fabulosa, e inspiradora. Quando for grande quero ser assim.
21 outubro 2014
O meu reino por um fotógrafo
Um dia uma amiga dá-nos a conhecer um fotógrafo como o Carlos Delicado. Uns dias depois, estamos apaixonadas pelo trabalho do fotógrafo (a sério, espreitem o facebook deste senhor, é de derreter o coração mais empedernido, como o meu), e a desesperar por não conseguir encontrar igual... ou parecido. Mais tarde, o pânico total, o parecido está tão disponível quanto o original - ou seja, não está.
Vou ali chorar para um canto. É capaz de demorar um bocadinho.
Vou ali chorar para um canto. É capaz de demorar um bocadinho.
15 outubro 2014
A parte má dos ratos sem fio...
...é quando ficamos sem pilhas. Experimentem fazer mais do que ligar e desligar o computador sem rato. Eu só sei alt+F4 e depois usar as setas. É quase mais difícil fazer seja o que for no computador sem rato - não estou a falar de portáteis - do que encontrar pilhas novas em casa.
08 outubro 2014
Não é para qualquer um
Uma coisa é adormecer ver um filme. Acontece a qualquer um, mais tarde ou mais cedo. Eu costumo adormecer a ver DVDs. É tiro e queda. Mal ponho o filme, eu sei que vou adormecer. Não importa a hora do dia. Manhã, tarde ou noite, a combinação sofá mais filme, dá uma bela soneca. Isto é tão frequente que desenvolvi uma técnica para não ter que ver sempre apenas o início do filme. Quando começo a fechar o olho, reparo em que parte do filme está (o leitor indica há quantas horas e minutos o filme começou). Na vez seguinte é só recomeçar a ver a partir do meu marcador mental.
Ultimamente este problema agudizou-se. Eu só costumava adormecer a ver filmes. Ou documentários. Programas longos, digamos. Mas agora até a ver séries adormeço. Mesmo aquelas em que os episódios duram vinte minutos. Mesmo a lembrar-me em que sítio adormeci e a recomeçar a partir daí, já adormeci três vezes a ver o mesmo episódio da teoria do Big Bang. E não são micro sestas, eu adormeço a ver isto a seguir ao jantar e quando acordo vou para a cama. Vamos lá ver se é hoje que acabo aquele episódio que já ando a ver desde o início da semana...
Ultimamente este problema agudizou-se. Eu só costumava adormecer a ver filmes. Ou documentários. Programas longos, digamos. Mas agora até a ver séries adormeço. Mesmo aquelas em que os episódios duram vinte minutos. Mesmo a lembrar-me em que sítio adormeci e a recomeçar a partir daí, já adormeci três vezes a ver o mesmo episódio da teoria do Big Bang. E não são micro sestas, eu adormeço a ver isto a seguir ao jantar e quando acordo vou para a cama. Vamos lá ver se é hoje que acabo aquele episódio que já ando a ver desde o início da semana...
03 outubro 2014
D'oh!
Uma pessoa compra uns vestidos giros, não por futilidade, mas porque andar na rua sem roupa é proibido, e afinal até estavam com um bom preço, e depois, vai a ver, e a pechincha sai-lhe muito cara. Como, perguntam vocês, admiradoras de liquidações substanciais (nada cá de 10 ou 15% de desconto, tem que ser pelo menos 50% ou não vale como pechincha). Não reparei na etiqueta. A do preço? Não. A das instruções de lavagem. Limpeza a seco.
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