27 julho 2014
A minha praia
Encaro as férias como morar temporariamente noutro sítio - porque não gosto de mudanças. Ficar mais que alguns dias num lugar tem que ter uma aparência de permanência. Crio rapidamente hábitos, gosto da familiariedade. Não sinto necessidade de estar sempre a experimentar coisas novas. Sei que gosto muito do meu café com leite, sumo de laranja e torrada de manhã, não quero trocar por salmão fumado, champanhe e tostas. Ou outra coisa qualquer. Se experimentar um restaurante novo e gostar, volto lá vezes sem conta. Gosto da minha praia. Conheço muitas outras, já fui frequentadora habitual, ano após ano, de mais que uma, ao longo da costa, mas agora, esta é a minha. Escolhida por mim, mesmo nos anos em que ia de férias para outros lados, era a esta que eu vinha parar uma e outra vez. Há coisas a que não há como escapar.
Dou um passeio ao longo de outras praias, observo a quantidade de gente, os comportamentos dos frequentadores, as ondas, as rochas, o tipo de pedras e conchinhas, se e quando tem algas. A minha praia é melhor, fico por lá. Sei quem é o nadador salvador, converso com a senhora do bar, conheço todos os vendedores de bolas de berlim e os seus pregões e forma de andar. Os vizinhos das manhãs, são sempre os mesmos, ano após ano. Reformados, compraram apartamentos à beira-mar, e voltam à terra deles só quando precisam de tratar de alguma burocracia. Ou então de uma consulta, sintoma do estado do país, quando se têm que fazer 300 quilómetros para ir ao médico. Abro a tabela de marés religiosamente, gosto de estar a par das marés, alta e baixa, e das alturas respectivas. Interesso-me pela previsão da actividade piscícola. Sei até onde vai a água quando a maré alta chega aos 3,4m e que, quando chega aos 3,9m, quase não há espaço para toalhas. Quando a maré baixa até aos 0,4m as rochas estão o mais descobertas possível, e isto acontece, no máximo dois dias por mês. Pela lua cheia os peixes ficam doidos, andam em cardumes quase à superfície, vêem-se-lhes as bocas a tentar apanhar não sei bem quê. Os maiores, mais sagazes, nadam mais fundo. As gaivotas deliciam-se com a pescaria fácil. As mais jovens comem até não conseguirem levantar vôo.
Há falésias lindas, em risco de cair, sinais que indicam perigo, olimpicamente ignorados por algumas pessoas. Numa zona, fazem quase um círculo, onde adolescentes jogam vólei ao fim da tarde. Noutra zona, as falésias desenham uma baía, cortam as ondas, criam uma zona de calmaria, quase um lago. Aí ancoram veleiros e barcos a motor dias inteiros, tornando-se parte da paisagem.
Na época balnear, os serviços de praia fecham às sete da tarde. Na verdade, tudo tem horário, e nem é preciso relógio para saber as horas na minha praia. Perto do meio dia a maioria das pessoas vai embora. Pelas quatro chegam outras. Há poucos que venham de manhã e regressem à tarde. Alguns chegam pelo meio dia e abalam pelas quatro ou cinco horas. Pelas seis, a praia começa a esvaziar, e às sete já fica muito pouca gente. Depois das sete, por vezes, aparece um ou outro cão, apesar de proibido. Às oito e meia, quando a praia já está toda à sombra e o sol prestes a pôr-se, vão embora os últimos entusiastas. Amanhã há mais.
25 julho 2014
hummm
A miúda está a passar as melhores férias de sempre - tem a amiga com ela.
Já a mãe, não consegue perceber porque é que isto é muito mais cansativo que as férias normais. Tem dias em que se lembra do trabalho com nostalgia. Não fora a chuva - eu gosto do meu verão sem ela - arrumava a tralha e ia embora.
Já a mãe, não consegue perceber porque é que isto é muito mais cansativo que as férias normais. Tem dias em que se lembra do trabalho com nostalgia. Não fora a chuva - eu gosto do meu verão sem ela - arrumava a tralha e ia embora.
21 julho 2014
A admirar a curvatura da terra
Daqui até ao horizonte, há terra e mar. Ao fundo, a curvatura azul, uma linha de horizonte quase perfeitamente definida. Compreende-se que os antigos pensassem que depois não havia nada, apenas um abismo, morte certa, uma enorme cascata talvez. Barcos de pesca e veleiros, andorinhas e gaivotas. Queria apanhar o barco para aquele ponto entre o céu e a terra, lá ao fundo, certa que nunca o alcançarei. No entanto, em cobrindo esta distância que vai daqui a esse ponto, chegarei a um sítio onde o horizonte em volta é um círculo perfeito. Um perfeito círculo azul.
19 julho 2014
Como as cerejas
Morreu João Ubaldo Ribeiro, membro da Academia Brasileira de Letras. O Globo, publica aqui a sua última crónica, intitulada "o correto uso do papel higiênico". Ia escrever que era sobre o papel higiénico, mas detive-me, nada mais longe da realidade. É sim um grito contra o controlo e limitação das liberdades individuais. Não vou fingir que sei quem foi João Ubaldo Ribeiro. Provavelmente, hoje foi a primeira vez que li alguma coisa escrita por ele. Felizmente, quando um escritor morre, os seus escritos não se vão com ele. Por isso, hoje pode ter sido o primeiro dia em que li palavras escritas por este senhor, mas não será, com certeza, o último. O que eu gostei de uns parágrafos desta crónica. Do jogo de palavras, da sonoridade, da revolta expressa na hipotética regulamentação do uso do papel higiénico. E mais que isso, há tantos anos que não ouvia ou lia a palavra piparote. Palavra esta que me levou à minha infância imediatamente, à música de José Barata Moura, "o rabanete saltitão". Não encontrei nenhum vídeo no youtube, apenas a letra, que ainda sabia de cor ("...veio um burro aos trambolhões e mandou-lhe um piparote...").
Voltando à crónica, o outro ponto alto, de regresso à infância, é quando o autor utiliza oito adjectivos para caracterizar o espírito desta mania de controlar e limitar as liberdades individuais. E ao ler essa lista de adjectivos saltam-me à memória dois ou três livros da colecção que está no quarto da minha filha. A musicalidade que tem a leitura de uma boa quantidade de adjectivos seguidos, a graça que traz a um texto.
Esta crónica, escrita para adultos, desperta a criança que há em mim. Há pouca gente a escrever assim.
Voltando à crónica, o outro ponto alto, de regresso à infância, é quando o autor utiliza oito adjectivos para caracterizar o espírito desta mania de controlar e limitar as liberdades individuais. E ao ler essa lista de adjectivos saltam-me à memória dois ou três livros da colecção que está no quarto da minha filha. A musicalidade que tem a leitura de uma boa quantidade de adjectivos seguidos, a graça que traz a um texto.
Esta crónica, escrita para adultos, desperta a criança que há em mim. Há pouca gente a escrever assim.
16 julho 2014
A mosca na sopa
Fui ver um apartamento de férias para alugar. Não era para mim. A senhora da imobiliária combinou tudo tintim por tintim, e mais tarde, quando o interessado telefonou, já não se lembrava de nada. Nem de onde era o apartamento, nem para quando, nem que eu lá tinha ido. "São tantos, eu já não me lembro, tenho que ir ver os meus apontamentos." Mais tarde, referi o interessado à minha visita. Que lembrasse a senhora da imobiliária do meu acompanhante, que falou pelos cotovelos. Reconhecimento instantâneo. Não é que funcionou?
13 julho 2014
Quantas vezes toca o carteiro
Em Munique, há vários serviços de entrega de correspondência. Por isso mesmo, há vários carteiros, cada qual com as suas tarefas, e as suas manias.
O que traz cartas costuma passa normalmente de manhã, antes de eu ir trabalhar. Vem na sua bicicleta amarela com um espaço gigante para a correspondência na frente e um apoio para a bicicleta se aguentar de pé quando ele sai para meter as cartas na caixa do correio. Não toca à campainha, e não costuma dar sequer os bons dias se uma pessoa se cruza com ele à porta. Mesmo nos dias de sol.
Durante o dia, se houver encomendas a receber, um dos outros aparece. Pode ser a qualquer hora, de segunda a sábado, uma carrinha da DHL ou outras, conforme. A maior parte destes condutores-carteiros devem ser parentes do Speedy Gonzalez. Até conduzem relativamente devagar, embora estacionem sempre mesmo em frente à porta onde vão fazer a entrega, mesmo que seja em segunda fila e estejam a empatar o trânsito. Mas não tocam duas vezes à campainha. Tocam uma vez (alguns desconfio que nem tocam), e começam logo a preencher o aviso para se ir recolher a encomenda à estação.
Agora imaginem que estão em casa, e é sábado de manhã. Ainda estão na cama porque a semana de trabalho foi comprida, cansativa, e se calhar ontem ainda tiveram um jantar de amigos, ou foram a um concerto, ou para os copos. Toca a campainha. A primeira reacção é "que se lixe, vão chatear outro", porque ainda estão ensonados e só pensam nas testemunhas de jeová que têm por hábito bater à porta nas alturas mais inconvenientes. Mas passados uns segundos lembram-se daquela coisa que encomendaram e pela qual têm estado ansiosamente à espera. E saltam da cama porque as filas na estação de correios são sempre tão longas, e os correios são longe, e depois só a partir de segunda é que poderiam ir buscar a encomenda. Ao saltar da cama, olham para o que trazem (ou não) vestido. Correm para o roupão, embrulham-se a ele, e dirigem-se a toda a velocidade para a porta. Um aviso de encomenda é uma coisa que um carteiro experiente preenche em muito poucos segundos. Eles nem sequer se preocupam em escrever correctamente o nome do destinatário, põem a hora e está a andar. Chegam à porta, trancada, gritam "espere aí!", procuram a chave, abrem a porta, e saem, descalços e tudo. Ufa. Uma ida aos correios evitada. Voltam para dentro e olham-se ao espelho. É por isto que é só nos filmes que as mulheres abrem a porta ao carteiro em lingerie .
O que traz cartas costuma passa normalmente de manhã, antes de eu ir trabalhar. Vem na sua bicicleta amarela com um espaço gigante para a correspondência na frente e um apoio para a bicicleta se aguentar de pé quando ele sai para meter as cartas na caixa do correio. Não toca à campainha, e não costuma dar sequer os bons dias se uma pessoa se cruza com ele à porta. Mesmo nos dias de sol.
Durante o dia, se houver encomendas a receber, um dos outros aparece. Pode ser a qualquer hora, de segunda a sábado, uma carrinha da DHL ou outras, conforme. A maior parte destes condutores-carteiros devem ser parentes do Speedy Gonzalez. Até conduzem relativamente devagar, embora estacionem sempre mesmo em frente à porta onde vão fazer a entrega, mesmo que seja em segunda fila e estejam a empatar o trânsito. Mas não tocam duas vezes à campainha. Tocam uma vez (alguns desconfio que nem tocam), e começam logo a preencher o aviso para se ir recolher a encomenda à estação.
Agora imaginem que estão em casa, e é sábado de manhã. Ainda estão na cama porque a semana de trabalho foi comprida, cansativa, e se calhar ontem ainda tiveram um jantar de amigos, ou foram a um concerto, ou para os copos. Toca a campainha. A primeira reacção é "que se lixe, vão chatear outro", porque ainda estão ensonados e só pensam nas testemunhas de jeová que têm por hábito bater à porta nas alturas mais inconvenientes. Mas passados uns segundos lembram-se daquela coisa que encomendaram e pela qual têm estado ansiosamente à espera. E saltam da cama porque as filas na estação de correios são sempre tão longas, e os correios são longe, e depois só a partir de segunda é que poderiam ir buscar a encomenda. Ao saltar da cama, olham para o que trazem (ou não) vestido. Correm para o roupão, embrulham-se a ele, e dirigem-se a toda a velocidade para a porta. Um aviso de encomenda é uma coisa que um carteiro experiente preenche em muito poucos segundos. Eles nem sequer se preocupam em escrever correctamente o nome do destinatário, põem a hora e está a andar. Chegam à porta, trancada, gritam "espere aí!", procuram a chave, abrem a porta, e saem, descalços e tudo. Ufa. Uma ida aos correios evitada. Voltam para dentro e olham-se ao espelho. É por isto que é só nos filmes que as mulheres abrem a porta ao carteiro em lingerie .
11 julho 2014
Optimismo é
Ver a repetição do Brasil-Alemanha, e voltar a torcer pelo Brasil.
(Mas como é que o Brasil não marcou uns 4 ou 5 golos???)
(Mas como é que o Brasil não marcou uns 4 ou 5 golos???)
07 julho 2014
Se eu morrer, espero não ter deixado a diversão para o fim
Quando andava na primária, a professora dava-nos os testes (as provas!) de matemática e meio físico ao mesmo tempo. Metade da turma (classe!) fazia o de matemática, a outra metade fazia o de meio físico, assim na mesma mesa (carteira!) que dava para dois alunos podiam-se fazer dois testes simultaneamente sem haver grandes riscos de copianço. Que era coisa que nem passava pela cabeça daquelas criancinhas inocentíssimas, mesmo os mais mafarricos, a ideia de alguma vez copiar só apareceu muito mais tarde, sob influência de ter muita gente debaixo do mesmo tecto, no ciclo preparatório, isto se não foi já no ensino secundário.
Na primária, dizia eu, tínhamos que escolher entre fazer primeiro a prova de meio físico ou de matemática, e isto em acordo com o nosso colega de carteira, que faria a outra prova. Eu e a minha colega nunca tínhamos discussões sobre o assunto. Ambas gostávamos mais de matemática, e menos de meio físico, mas tínhamos atitudes diametralmente opostas sobre o que deveria vir primeiro. Eu preferia começar pela matemática, a minha colega pelo meio físico. Para mim vinha primeiro o prazer, para ela, vinha primeiro a chatice (ia escrever obrigação, mas na verdade, ambas as provas eram uma obrigação, não havia como escapar a nenhuma delas).
Mais tarde, numas férias de verão daquelas mesmo antes de me começar a interessar por rapazes (se bem que isto nem venha ao caso), a minha família combinou com uma família amiga irmos juntos para o Algarve. Em chegando lá, eu e a filha destes amigos demos um passeio de reconhecimento e catalogámos minuciosamente todas as coisas que queríamos fazer durante as férias. Tínhamos combinado fazer uma coisa da lista por dia. Infelizmente para mim, logo num dos primeiros dias fiquei doente, e em vez de ir riscando os items já completados da lista de diversões, passei o resto das férias no hospital ou na cama, fechada debaixo de tecto. Jurei que nunca mais deixava nada divertido para amanhã.
Entretanto, com a idade adulta, vou riscando cada vez mais as coisas que não gosto ou não me interesso das listas de coisas a fazer - sendo que este tipo de coisas só aparece como sugestão de outras pessoas. A vida é curta para desperdiçar com coisas que não valem a pena.
Na primária, dizia eu, tínhamos que escolher entre fazer primeiro a prova de meio físico ou de matemática, e isto em acordo com o nosso colega de carteira, que faria a outra prova. Eu e a minha colega nunca tínhamos discussões sobre o assunto. Ambas gostávamos mais de matemática, e menos de meio físico, mas tínhamos atitudes diametralmente opostas sobre o que deveria vir primeiro. Eu preferia começar pela matemática, a minha colega pelo meio físico. Para mim vinha primeiro o prazer, para ela, vinha primeiro a chatice (ia escrever obrigação, mas na verdade, ambas as provas eram uma obrigação, não havia como escapar a nenhuma delas).
Mais tarde, numas férias de verão daquelas mesmo antes de me começar a interessar por rapazes (se bem que isto nem venha ao caso), a minha família combinou com uma família amiga irmos juntos para o Algarve. Em chegando lá, eu e a filha destes amigos demos um passeio de reconhecimento e catalogámos minuciosamente todas as coisas que queríamos fazer durante as férias. Tínhamos combinado fazer uma coisa da lista por dia. Infelizmente para mim, logo num dos primeiros dias fiquei doente, e em vez de ir riscando os items já completados da lista de diversões, passei o resto das férias no hospital ou na cama, fechada debaixo de tecto. Jurei que nunca mais deixava nada divertido para amanhã.
Entretanto, com a idade adulta, vou riscando cada vez mais as coisas que não gosto ou não me interesso das listas de coisas a fazer - sendo que este tipo de coisas só aparece como sugestão de outras pessoas. A vida é curta para desperdiçar com coisas que não valem a pena.
06 julho 2014
É o caraças pá
O que é que se faz quando a via verde não apita nas SCUT?
1- Pânico
2- Pesadelos
3- Esperar que algum serviço de atendimento abra (dia e meio), para perguntar
4- Pesquisas na net - resultado inconclusivo
5- aaaaaaaaaaaaaaaaaarghhhhhhhhhhhhhh
6- Culpar o governo pelo estado da Nação
7- Tirar conclusões sobre o país, perguntar-se mas como é que isto é possível - sendo que "isto" cobre múltiplas situações, como o estado as coisas, o país não estar às moscas, a falta de justiça, o como é possível viver com o jugo da culpa de tudo e mais alguma coisa sempre às costas (sim, culpa de ter eleito ou não ter votado nesta gente ou noutra, culpa porque aconteça o que acontecer a filosofia é de que se é culpado até prova em contrário, e mesmo aí, ainda haverá dúvidas, culpa de o dispositivo que comprámos e apitou noutros locais, de repente ter decidido não funcionar e a injustiça que é comprarmos uma porcaria de um aparelho que quando não funciona, sem aviso, nos caia em cima o custo da portagem mais taxas de tudo e mais alguma coisa. E taxas sobre a venda de porcarias que nos deviam facilitar a vida e acabam por nos dar ainda mais dores de cabeça? Nada.
8- Variar entre as alternativas 1 a 7.
1- Pânico
2- Pesadelos
3- Esperar que algum serviço de atendimento abra (dia e meio), para perguntar
4- Pesquisas na net - resultado inconclusivo
5- aaaaaaaaaaaaaaaaaarghhhhhhhhhhhhhh
6- Culpar o governo pelo estado da Nação
7- Tirar conclusões sobre o país, perguntar-se mas como é que isto é possível - sendo que "isto" cobre múltiplas situações, como o estado as coisas, o país não estar às moscas, a falta de justiça, o como é possível viver com o jugo da culpa de tudo e mais alguma coisa sempre às costas (sim, culpa de ter eleito ou não ter votado nesta gente ou noutra, culpa porque aconteça o que acontecer a filosofia é de que se é culpado até prova em contrário, e mesmo aí, ainda haverá dúvidas, culpa de o dispositivo que comprámos e apitou noutros locais, de repente ter decidido não funcionar e a injustiça que é comprarmos uma porcaria de um aparelho que quando não funciona, sem aviso, nos caia em cima o custo da portagem mais taxas de tudo e mais alguma coisa. E taxas sobre a venda de porcarias que nos deviam facilitar a vida e acabam por nos dar ainda mais dores de cabeça? Nada.
8- Variar entre as alternativas 1 a 7.
28 junho 2014
É a história da minha vida
A miúda sabia que tinha que ir. Estava na hora, não valia a pena demorar, pedinchar, choramingar, entreter. Deixei-a naquilo, por um bocado. Depois disse-lhe: vá, pára de engonhar, estão à tua espera e à minha também.
Quem ouviu, riu-se. Compreendo, pelo factor supresa, além de que a palavra tem alguma graça onomatopeica. Na verdade, também não é algo que se diga muitas vezes. Engonhar, aplicava-se ali tão bem, era a palavra perfeita. Se esta causa sorrisos, o que teria causado um "chapar a reca". Ora aí está uma expressão que até a mim me faz rir, de tão raras vezes que ainda faz parte do vocabulário.
Quem ouviu, riu-se. Compreendo, pelo factor supresa, além de que a palavra tem alguma graça onomatopeica. Na verdade, também não é algo que se diga muitas vezes. Engonhar, aplicava-se ali tão bem, era a palavra perfeita. Se esta causa sorrisos, o que teria causado um "chapar a reca". Ora aí está uma expressão que até a mim me faz rir, de tão raras vezes que ainda faz parte do vocabulário.
17 junho 2014
Saudades do VHS
DVD novo, uma série qualquer. A meio, um dos discos empanca. Tenta repetir, tenta voltar atrás. Parou. Desliga e volta a ligar. Eject (podia ser eejit desta vez, seria apropriado). Recomeça. Chega à frente, onde é que a gente ia. Pronto, desta vez decidiu funcionar. As memórias devem ser traiçoeiras. Não me lembro de um VHS alguma vez simplesmente decidir deixar de funcionar a meio. Ou de algum problema que não se resolvesse com fita cola. O que é que faria o McGyver?
13 junho 2014
Lista
1. O feedly já está a funcionar outra vez. Fiz um update à barra lateral para o próximo azar que aconteça, e bem que precisava, estava por lá uma lista imensa de links para lugar nenhum. Lembrei-me que já ando nisto dos blogues há uns 10 anos, e alguns dos meus favoritos, também. Por falar em 10 anos, à conta de não perder tempo no feedly, fiz uma limpeza ao disco onde guardo fotos, e cheguei há conclusão que há 10 anos atrás era bem gira. Uma vez ouvi alguém dizer que nunca vamos ficar mais bonitos do que o que somos hoje, e, provavelmente, é bem verdade. (Mas assim de repente, a minha avó com 84 anos tem uma pele bem macia, e não me parece nada mais feia que quando eu era pequena.)
2. Esta semana de trabalho foi curta, e a próxima também vai ser - na quinta, mais um feriado, olarila, e vem mesmo a calhar. Ainda assim, tive tanta coisa para fazer que hoje ao chegar do trabalho só pensava que estava a precisar de um dia de férias - e só passado um bom bocado é que me lembrei que amanhã é sábado, pelo que não tenho que meter férias nenhumas, e respirei de alívio.
3. Ouvi falar em transformadas de Laplace e entrei em quase pânico por praticamente não me lembrar como funcionam, nem ter um livro à mão para consultar. Esta geração de miúdos, engenheiros no forno, não usa livros, tem os apontamentos todos no computador, depois perguntam coisas e esperam que uma pessoa vá automaticamente à secção do cérebro correcta, limpe as teias de aranha em menos que nada, e comece a debitar a matéria. Nada mais longe da verdade. Nas últimas férias encontrei uns apontamentos meus da faculdade, velhinhos velhinhos, mas perfeitamente legíveis, comecei a folhear, constatei que alguns deles eram de uma das minhas cadeiras favoritas (e do meu professor favorito), e não me lembrava de nada daquilo - embora ainda tenha na memória, a maneira como o professor dava as aulas,os acetatos as transparências, a primeira aula em que nos falou do primeiro computador, o eniac, e da arpanet, e outras coisas mais. Microprocessadores e programação a tão baixo nível que eu já nem me lembrava que aquilo sequer existia, quanto mais como se faz. Às vezes apetecia-me voltar para a faculdade e fazer o curso outra vez. Ou pelo menos, uma parte dele. (E depois passa-me que isto de trabalhar também tem as suas vantagens, e sempre posso comprar os livros e relembrar tudo o que me apetecer.) Suponho que também seja para isso que servem os filhos, para fazerem perguntas das boas, e nós podermos dizer que devíamos saber a resposta, mas como já não nos lembramos, vamos ter que investigar também, e depois ficamos todos a saber.
2. Esta semana de trabalho foi curta, e a próxima também vai ser - na quinta, mais um feriado, olarila, e vem mesmo a calhar. Ainda assim, tive tanta coisa para fazer que hoje ao chegar do trabalho só pensava que estava a precisar de um dia de férias - e só passado um bom bocado é que me lembrei que amanhã é sábado, pelo que não tenho que meter férias nenhumas, e respirei de alívio.
3. Ouvi falar em transformadas de Laplace e entrei em quase pânico por praticamente não me lembrar como funcionam, nem ter um livro à mão para consultar. Esta geração de miúdos, engenheiros no forno, não usa livros, tem os apontamentos todos no computador, depois perguntam coisas e esperam que uma pessoa vá automaticamente à secção do cérebro correcta, limpe as teias de aranha em menos que nada, e comece a debitar a matéria. Nada mais longe da verdade. Nas últimas férias encontrei uns apontamentos meus da faculdade, velhinhos velhinhos, mas perfeitamente legíveis, comecei a folhear, constatei que alguns deles eram de uma das minhas cadeiras favoritas (e do meu professor favorito), e não me lembrava de nada daquilo - embora ainda tenha na memória, a maneira como o professor dava as aulas,
12 junho 2014
09 junho 2014
A melhor coisa da Alemanha, ou, pelo menos, da Baviera
Nesta altura do ano, são os morangos. Apanhados nos campos, em redor da cidade (mas a pagantes, não há cá borlas para ninguém), ou então comprados num quiosques especiais que só vendem produtos da época, na época - morangos por estes dias, espargos até há pouco tempo, em breve virão as framboesas e os mirtilos.
Os outros morangos, os dos supermercados, já há muito que chegaram de Espanha, vermelhos, vermelhos e verdes, grandes, rijos, com pouco ou nenhum sabor. Suspeito que Huelva fornece morangos à Europa toda. Os espanhóis chamam fresas aos morangos, mas a estes gigantes andaluzes chamam freson.
Gosto muito destes morangos bávaros, doces e saborosos, apanhados apenas quando estão maduros. Os pés retiram-se puxando e rodando, com o polegar e indicador. Sabem, surpreendentemente, a morango, e o espanto é a sensação que se tem quando se come um, que é a de se sentir que isto, sim, sabe a morango, tudo o resto é uma reles imitação. Apanhados hoje, para vender hoje, dizem no quiosque. Enquanto durarem, não se come outra fruta cá por casa. Deliciosos.
Os outros morangos, os dos supermercados, já há muito que chegaram de Espanha, vermelhos, vermelhos e verdes, grandes, rijos, com pouco ou nenhum sabor. Suspeito que Huelva fornece morangos à Europa toda. Os espanhóis chamam fresas aos morangos, mas a estes gigantes andaluzes chamam freson.
Gosto muito destes morangos bávaros, doces e saborosos, apanhados apenas quando estão maduros. Os pés retiram-se puxando e rodando, com o polegar e indicador. Sabem, surpreendentemente, a morango, e o espanto é a sensação que se tem quando se come um, que é a de se sentir que isto, sim, sabe a morango, tudo o resto é uma reles imitação. Apanhados hoje, para vender hoje, dizem no quiosque. Enquanto durarem, não se come outra fruta cá por casa. Deliciosos.
Da comida e do calor
Vamos no terceiro dia com 30 graus. Sol, calor, sossego, porque calhou num fim de semana, prolongado ainda para mais. Pela terceira vez, a dúvida, o que é que se come ao almoço com este calor? Não me apetece comer nada, mas tenho fome. O fogão é Satanás encarnado (hihi), não quero comida quente. Apetecia-me pão com chouriço - não sei porquê - mas a única maneira de comer uma iguaria destas é fazê-lo e isso, além de envolver utilizar o forno, o que é impensável, implica paciência que eu não tenho. Adoro pão com chouriço, que cá não há, e nem me importo de o fazer, mas o pão precisa sempre de tempo em repouso para levedar, e isso não tenho em abundância. Eu queria pão com chouriço, mas era já, não daqui a três horas.
Portanto sobram as alternativas: gelado, iogurte, fruta, salada. Salada nem pensar, almoço salada quase todos os dias, estou farta de salada. Mesmo que vá a um restaurante o problema mantém-se e as alternativas não são melhores. O que vale é que há uns italianos ao fundo da rua, por assim dizer, que têm gelados e batidos. E piza, e massa, também. Pão com chouriço é que nada.
Portanto sobram as alternativas: gelado, iogurte, fruta, salada. Salada nem pensar, almoço salada quase todos os dias, estou farta de salada. Mesmo que vá a um restaurante o problema mantém-se e as alternativas não são melhores. O que vale é que há uns italianos ao fundo da rua, por assim dizer, que têm gelados e batidos. E piza, e massa, também. Pão com chouriço é que nada.
07 junho 2014
O que não se sabe
Convivo diariamente com gente que, de cada vez que há uma discussão sobre um assunto qualquer, ou só abre a boca para dizer seja o que for se tiver mesmo a certeza, ou fica caladinha até poder ir confirmar, e mais tarde dá a sua opinião. Pergunto-me se as pessoas normais ainda discutem entusiasticamente algum assunto que possa ser rapidamente resolvido com uma pesquisa no google. Ainda que o google não seja o supra-sumo das certezas, nesta era de telefones inteligentes, em que andamos todos (ou quase) de internet no bolso, haverá ainda discussões que não sejam rapidamente rematadas com "a resposta é isto", seguida da solução. Admito que haja questões sem solução nenhuma, para as quais qualquer motor de pesquisa apenas possa juntar mais uns pontos de vista, mas para as outras (quando é que Portugal ganhou à Alemanha da última vez), ainda há quem pense que ganhou uma discussão só porque falou mais alto, ou mais tempo?
Não posso estar no campo
Descobri que sou alérgica ao trabalho. Manual. No jardim. Há lá coisas que crescem e picam braços, e pernas. Umas são plantas, outras animais pequenos, que quase nem se vêem, mas que se sentem. As pernas e os braços ficam vermelhos, com pintas e riscos, e fazem comichão.
Dentro de casa, as orquídeas apanharam bicho. Ainda andam a ver quem ganha, se as flores, se os bichos. O parasita é minúsculo mas com patinhas a espreitar, branco, e deixa uma espécie de pó pelas folhas. Vou aguardar a ver quem ganha. Aposto no bicho.
Dentro de casa, as orquídeas apanharam bicho. Ainda andam a ver quem ganha, se as flores, se os bichos. O parasita é minúsculo mas com patinhas a espreitar, branco, e deixa uma espécie de pó pelas folhas. Vou aguardar a ver quem ganha. Aposto no bicho.
04 junho 2014
Almas gémeas
Por amor aos filhos (à filha) por pouco que me metia em algo pior que uma aula de trabalhos manuais. Um "façam lá isto, é fácil, só precisam de arame, e mais isto, e aquilo, e aqueloutro, e com um bocado de azar também agulha e linha para tornar as coisas ainda mais complicadas". Eu já estava a ver a vidinha a andar para trás, agora sem professores para me darem a pior nota de sempre, quando alguém, com certeza com o mesmo terror que eu, nos safou a todos. Eu faço muitas coisas bem com as mãos, por exemplo escrever no computador, mas trabalhos manuais é que nem pensar. Felizmente há quem faça as coisas por nós, e as venda por preços que, sinceramente, me parecem equivalentes ao custo do material. Gente dotada de mãozinhas de ouro, parabéns, mas alguns de nós não nasceram assim prendados.
03 junho 2014
E a boa notícia do dia
Na segunda é feriado. Fim de semana prolongado, yay. A minha semana, de repente, tornou-se espetacular.
Da liberdade
Tenho uma regra de ouro, não discutir com gente estúpida. É aquela coisa do arrastarem-te até ao nível deles e ganharem-te por terem muita experiência.
Ainda assim, hoje encontrei um anormal que andava a evitar há anos. E quando ele se saiu com uma asneira, não pude ficar calada. Se ninguém diz nada, e eu estou ali, vai ouvir, nem que seja só para que fique a saber que há mais opiniões. É aquela coisa de a liberdade dos outros terminar onde a minha começa (e vice-versa), que nos ensinam na escola, mas pelos vistos não faz parte do programa noutros países. Parece-me que o homem não é estúpido - o desfecho teria sido diferente. Mas, apre, que a intolerância, com muita missinha em cima, é difícil de aturar.
Ainda assim, hoje encontrei um anormal que andava a evitar há anos. E quando ele se saiu com uma asneira, não pude ficar calada. Se ninguém diz nada, e eu estou ali, vai ouvir, nem que seja só para que fique a saber que há mais opiniões. É aquela coisa de a liberdade dos outros terminar onde a minha começa (e vice-versa), que nos ensinam na escola, mas pelos vistos não faz parte do programa noutros países. Parece-me que o homem não é estúpido - o desfecho teria sido diferente. Mas, apre, que a intolerância, com muita missinha em cima, é difícil de aturar.
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