28 junho 2014

É a história da minha vida

A miúda sabia que tinha que ir. Estava na hora, não valia a pena demorar, pedinchar, choramingar, entreter. Deixei-a naquilo, por um bocado. Depois disse-lhe: vá, pára de engonhar, estão à tua espera e à minha também.
Quem ouviu, riu-se. Compreendo, pelo factor supresa, além de que a palavra tem alguma graça onomatopeica. Na verdade, também não é algo que se diga muitas vezes. Engonhar, aplicava-se ali tão bem, era a palavra perfeita. Se esta causa sorrisos, o que teria causado um "chapar a reca". Ora aí está uma expressão que até a mim me faz rir, de tão raras vezes que ainda faz parte do vocabulário.

17 junho 2014

Saudades do VHS

DVD novo, uma série qualquer. A meio, um dos discos empanca. Tenta repetir, tenta voltar atrás. Parou. Desliga e volta a ligar. Eject (podia ser eejit desta vez, seria apropriado). Recomeça. Chega à frente, onde é que a gente ia. Pronto, desta vez decidiu funcionar. As memórias devem ser traiçoeiras. Não me lembro de um VHS alguma vez simplesmente decidir deixar de funcionar a meio. Ou de algum problema que não se resolvesse com fita cola. O que é que faria o McGyver?

13 junho 2014

Lista

1. O feedly já está a funcionar outra vez. Fiz um update à barra lateral para o próximo azar que aconteça, e bem que precisava, estava por lá uma lista imensa de links para lugar nenhum. Lembrei-me que já ando nisto dos blogues há uns 10 anos, e alguns dos meus favoritos, também. Por falar em 10 anos, à conta de não perder tempo no feedly, fiz uma limpeza ao disco onde guardo fotos, e cheguei há conclusão que há 10 anos atrás era bem gira. Uma vez ouvi alguém dizer que nunca vamos ficar mais bonitos do que o que somos hoje, e, provavelmente, é bem verdade. (Mas assim de repente, a minha avó com 84 anos tem uma pele bem macia, e não me parece nada mais feia que quando eu era pequena.)

2. Esta semana de trabalho foi curta, e a próxima também vai ser - na quinta, mais um feriado, olarila, e vem mesmo a calhar. Ainda assim, tive tanta coisa para fazer que hoje ao chegar do trabalho só pensava que estava a precisar de um dia de férias - e só passado um bom bocado é que me lembrei que amanhã é sábado, pelo que não tenho que meter férias nenhumas, e respirei de alívio.

3. Ouvi falar em transformadas de Laplace e entrei em quase pânico por praticamente não me lembrar como funcionam, nem ter um livro à mão para consultar. Esta geração de miúdos, engenheiros no forno, não usa livros, tem os apontamentos todos no computador, depois perguntam coisas e esperam que uma pessoa vá automaticamente à secção do cérebro correcta, limpe as teias de aranha em menos que nada, e comece a debitar a matéria. Nada mais longe da verdade. Nas últimas férias encontrei uns apontamentos meus da faculdade, velhinhos velhinhos, mas perfeitamente legíveis, comecei a folhear, constatei que alguns deles eram de uma das minhas cadeiras favoritas (e do meu professor favorito), e não me lembrava de nada daquilo - embora ainda tenha na memória, a maneira como o professor dava as aulas, os acetatos as transparências, a primeira aula em que nos falou do primeiro computador, o eniac, e da arpanet, e outras coisas mais. Microprocessadores e programação a tão baixo nível que eu já nem me lembrava que aquilo sequer existia, quanto mais como se faz. Às vezes apetecia-me voltar para a faculdade e fazer o curso outra vez. Ou pelo menos, uma parte dele. (E depois passa-me que isto de trabalhar também tem as suas vantagens, e sempre posso comprar os livros e relembrar tudo o que me apetecer.) Suponho que também seja para isso que servem os filhos, para fazerem perguntas das boas, e nós podermos dizer que devíamos saber a resposta, mas como já não nos lembramos, vamos ter que investigar também, e depois ficamos todos a saber.

09 junho 2014

A melhor coisa da Alemanha, ou, pelo menos, da Baviera

Nesta altura do ano, são os morangos. Apanhados nos campos, em redor da cidade (mas a pagantes, não há cá borlas para ninguém), ou então comprados num quiosques especiais que só vendem produtos da época, na época - morangos por estes dias, espargos até há pouco tempo, em breve virão as framboesas e os mirtilos.
Os outros morangos, os dos supermercados, já há muito que chegaram de Espanha, vermelhos, vermelhos e verdes, grandes, rijos, com pouco ou nenhum sabor. Suspeito que Huelva fornece morangos à Europa toda. Os espanhóis chamam fresas aos morangos, mas a estes gigantes andaluzes chamam freson.
Gosto muito destes morangos bávaros, doces e saborosos, apanhados apenas quando estão maduros. Os pés retiram-se puxando e rodando, com o polegar e indicador. Sabem, surpreendentemente, a morango, e o espanto é a sensação que se tem quando se come um, que é a de se sentir que isto, sim, sabe a morango, tudo o resto é uma reles imitação. Apanhados hoje, para vender hoje, dizem no quiosque. Enquanto durarem, não se come outra fruta cá por casa. Deliciosos.

Da comida e do calor

Vamos no terceiro dia com 30 graus. Sol, calor, sossego, porque calhou num fim de semana, prolongado ainda para mais. Pela terceira vez, a dúvida, o que é que se come ao almoço com este calor? Não me apetece comer nada, mas tenho fome. O fogão é Satanás encarnado (hihi), não quero comida quente. Apetecia-me pão com chouriço - não sei porquê - mas a única maneira de comer uma iguaria destas é fazê-lo e isso, além de envolver utilizar o forno, o que é impensável, implica paciência que eu não tenho. Adoro pão com chouriço, que cá não há, e nem me importo de o fazer, mas o pão precisa sempre de tempo em repouso para levedar, e isso não tenho em abundância. Eu queria pão com chouriço, mas era já, não daqui a três horas.
Portanto sobram as alternativas: gelado, iogurte, fruta, salada. Salada nem pensar, almoço salada quase todos os dias, estou farta de salada. Mesmo que vá a um restaurante o problema mantém-se e as alternativas não são melhores. O que vale é que há uns italianos ao fundo da rua, por assim dizer, que têm gelados e batidos. E piza, e massa, também. Pão com chouriço é que nada.

07 junho 2014

O que não se sabe

Convivo diariamente com gente que, de cada vez que há uma discussão sobre um assunto qualquer, ou só abre a boca para dizer seja o que for se tiver mesmo a certeza, ou fica caladinha até poder ir confirmar, e mais tarde dá a sua opinião. Pergunto-me se as pessoas normais ainda discutem entusiasticamente algum assunto que possa ser rapidamente resolvido com uma pesquisa no google. Ainda que o google não seja o supra-sumo das certezas, nesta era de telefones inteligentes, em que andamos todos (ou quase) de internet no bolso, haverá ainda discussões que não sejam rapidamente rematadas com "a resposta é isto", seguida da solução. Admito que haja questões sem solução nenhuma, para as quais qualquer motor de pesquisa apenas possa juntar mais uns pontos de vista, mas para as outras (quando é que Portugal ganhou à Alemanha da última vez), ainda há quem pense que ganhou uma discussão só porque falou mais alto, ou mais tempo?

Não posso estar no campo

Descobri que sou alérgica ao trabalho. Manual. No jardim. Há lá coisas que crescem e picam braços, e pernas. Umas são plantas, outras animais pequenos, que quase nem se vêem, mas que se sentem. As pernas e os braços ficam vermelhos, com pintas e riscos, e fazem comichão.
Dentro de casa, as orquídeas apanharam bicho. Ainda andam a ver quem ganha, se as flores, se os bichos. O parasita é minúsculo mas com patinhas a espreitar, branco, e deixa uma espécie de pó pelas folhas. Vou aguardar a ver quem ganha. Aposto no bicho.

04 junho 2014

Almas gémeas

Por amor aos filhos (à filha) por pouco que me metia em algo pior que uma aula de trabalhos manuais. Um "façam lá isto, é fácil, só precisam de arame, e mais isto, e aquilo, e aqueloutro, e com um bocado de azar também agulha e linha para tornar as coisas ainda mais complicadas". Eu já estava a ver a vidinha a andar para trás, agora sem professores para me darem a pior nota de sempre, quando alguém, com certeza com o mesmo terror que eu, nos safou a todos. Eu faço muitas coisas bem com as mãos, por exemplo  escrever no computador, mas trabalhos manuais é que nem pensar. Felizmente há quem faça as coisas por nós, e as venda por preços que, sinceramente, me parecem equivalentes ao custo do material. Gente dotada de mãozinhas de ouro, parabéns, mas alguns de nós não nasceram assim prendados.

03 junho 2014

E a boa notícia do dia

Na segunda é feriado. Fim de semana prolongado, yay. A minha semana, de repente, tornou-se espetacular.

Da liberdade

Tenho uma regra de ouro, não discutir com gente estúpida. É aquela coisa do arrastarem-te até ao nível deles e ganharem-te por terem muita experiência.
Ainda assim, hoje encontrei um anormal que andava a evitar há anos. E quando ele se saiu com uma asneira, não pude ficar calada. Se ninguém diz nada, e eu estou ali, vai ouvir, nem que seja só para que fique a saber que há mais opiniões. É aquela coisa de a liberdade dos outros terminar onde a minha começa (e vice-versa), que nos ensinam na escola, mas pelos vistos não faz parte do programa noutros países. Parece-me que o homem não é estúpido - o desfecho teria sido diferente. Mas, apre, que a intolerância, com muita missinha em cima, é difícil de aturar.

30 maio 2014

O paraíso também é isto

(da série "o interior esquecido e ostracizado")

Sair à rua à hora do almoço, atravessar a "cidade" a pé. Poucos carros, ouve-se bem a gente nas conversas no meio da rua, todos se cumprimentam. Mais à frente uns homens falam sobre um outro, alguns palavrões a colorir a linguagem. Tenho uma teoria que ando a testar, de qualquer rua dá sempre para ver os montes. Azuis, os montes são azuis ao longe, e há muito monte por onde escolher.
O jardim - é "o jardim", não um jardim - está cheio de flores, sente-se o aroma ao passar, e só depois se repara nas flores. O jardim tem muito mais área cimentada que jardim propriamente dito, mas tem bancos, e há sempre quem aproveite para se sentar um bocadinho.
As lojas fecham daqui a bocadinho, para todos almoçarem, reabrem pelas duas e meia. Antigamente só os cafés e os restaurantes ficavam abertos ao meio dia, hoje em dia fazem-lhes companhia as lojas chinesas que vieram substituir a loja dos trezentos, e o supermercados das cadeias nacionais. E a farmácia de serviço.
Queria atravessar a rua, mas o semáforo está vermelho e um GNR mesmo colado a ele. É melhor esperar, embora o sinta como a coisa errada a fazer. Aquele cruzamento não devia ter semáforos, umas passadeiras e um sinal de stop, como havia dantes, serviam bem e não gastavam electricidade. Um ou outro carro vão passando, deslocados, perdidos, surpreendidos pelos sinais de controlo.
Quase só se ouve gente e pássaros. Nos ninhos, os jovens passarinhos chamam pelos pais, para que não se esqueçam de lhes trazer que comer.
Depois do almoço, dorme-se a sesta.

23 maio 2014

Podcasts

Deve haver podcasts há uns 10 anos, mais coisa menos coisa. Nunca atinei com eles, os de áudio, tenho dificuldades em concentrar-me no som quando estou no computador, e nunca aderi aos produtos da maçã. Até que chegou o dia. Com os telefones inteligentes, de repente passei a ter um pequeno computador nas mãos a toda a hora, com acesso à net permanente (viva a flat rate), e inúmeras possibilidades à distância da imaginação - ou da pesquisa nos tops da loja de apps.
Nas últimas férias na pátria, andava eu sem telefone esperto mas de rádio ligado, a apanhar os bocadinhos cómicos das rádios todas, e ouço alguém a dizer que de manhã estava sempre a mudar de rádio para apanhar as rubricas todas. Aquelas do homem que mordeu o cão, mixórdia de temáticas, nilton, e os outros rapazes que já não me lembro o nome. E depois, não sei bem porque motivo, cheguei a casa, e lembrei-me que isto dos podcasts era engraçado, se desse para ouvir estes bocadinhos de rádio, à hora que me desse jeito, tantos quantos fosse possível ouvir enquanto tivesse tempo livre. Instalei tudo, mandei o telefone fazer downloads, e manter a lista do que já ouvi, que o tempo é curto para repetições, e agora os podcasts acompanham-me a fazer as coisas mais estranhas. No carro, no ginásio, nos tempos mortos. Só me falta lembrar-me de andar com os auscultadores para a lista dos não ouvidos diminuir, em vez de aumentar. Há quem ouça música enquanto corre. Eu ouço podcasts no ginásio.

20 maio 2014

Newsletter

A educadora bem intencionada manda dois ou três emails por mês a contar o plano para as semanas seguintes. Se vão falar de animais, ou fazer experiências com ovos, se vão dar um passeio e é necessário levar lanche. A mensagem vem sempre em Word. Encriptada numa fonte qualquer, daquelas que imitam a letra manuscrita, até na ilegibilidade. Podia ser wingdings que ia dar ao mesmo. Um ano lectivo disto. De todas as vezes, antes de conseguir ler os documentos, tive que mudar para Arial. Porque é que ninguém lhe diz?


(Eu sei, eu sei, podia ser eu... mas só a vejo logo de manhã e ainda vou a dormir, a essa hora não sou capaz de pensar em nada. A não ser em como estava quentinha no vale dos lençóis.)

Não sou uma rapariga da cidade

Não sendo uma rapariga da aldeia - não sou amiga da bicharada, e as plantas não se dão bem comigo - descubro, ao fim de tantos anos, que também não sou uma rapariga da cidade.
Hoje esteve um dia de sol. Um dia quente, quase verão, t-shirt e saia, miúdas de calções, pernas ao léu. Munique inteira saiu à rua, em êxtase, e também com medo que isto dure pouco, já que terminou agora mesmo mais de uma semana de tempo cinzento e frio. Munique tem 1,4 milhões de habitantes. E muitos turistas - prato do dia: irlandeses, austríacos, e mix de asiáticos. Todos na rua, ao mesmo tempo. Sendo Munique uma cidade com uma área relativamente grande, ainda assim, isto dá muita gente por metro quadrado. Muita gente a atropelar-se na fila para os gelados (a sério, e nem faz sentido, os gelados são bons nas gelatarias quase todas). As esplanadas cheias. O rio, ou melhor, a praia de seixos ao longo do rio, também.
Falta-me a paz e sossego. Chego ao fim do dia de trabalho cansada, e já não me apetece fazer nada. Os dias são curtos, e há sempre alguém a querer alguma coisa. Podia dizer que preciso de férias, mas o que eu queria mesmo é de uma densidade populacional inferior a 100 habitantes por quilómetro quadrado.

18 maio 2014

Às vezes é preciso ostracizar a família

Apanhei a minha mãe ao telefone, para me dar os parabéns. O meu pai, que andava perto mas não o suficiente para eu ouvir, ia metendo a sua colherada à distância, e perguntava se eu já sabia o que é a minha prenda. Prenda essa que só vou ter nas mãos daqui a uns dias.
Há pessoas que gostam de surpresas. E há o meu pai, que não só abomina surpresas, mas também não consegue conceber que se surpreenda alguém, em tempo algum. E eu, embora não seja a maior fã de surpresas, gosto de só saber o que são as minhas prendas quando as tenho na mão, depois de as desembrulhar.Vou ter que evitar o meu pai até esse momento. E arranjar uns tampões para os ouvidos para os últimos minutos.

Dos miúdos

As primeiras palavras são uma fofura.
Quando eles começam a conhecer os números, genial.
A identificação das letras e as primeiras palavras escritas, um ponto alto.
Aprendem a escrever o nome, maravilha.
Vão para a escola, que grandes.
E depois uma sucessão de coisas mais ou menos ao mesmo nível, intercaladas com um e outro momento genial, que é quando vamos descobrindo a que é que eles são mesmo bons, até ao dia. Aquele que, não sei bem porquê, nunca me tinha apercebido que um dia, com certeza, iria chegar. O momento alto na vida de uma mãe geek.
O dia em que nos sentamos à mesa a discutir programação. De software.
(O puto escreveu - codificou - um jogo. Daqueles básicos e viciantes. Precisava de ajuda com a lista dos highscores. Tanta baba...)

11 maio 2014

Trava-língua

Na estação central de Munique, encontro o meu maior problema linguístico desde que me mudei para esta cidade. Para enquadrar a minha dificuldade, devo dizer que, apesar de viver na Alemanha, a língua que eu falo 90% do tempo é inglês. Depois vem o português e só depois o alemão.
Em Hauptbanhof há um quiosque "Brioche Dorée"(imagem aqui). Ora, o brioche dourado é uma cadeia, que se encontra por França - e desde há algum tempo em Munique, na estação central, também - que vende produtos de pastelaria/padaria/café. Tem algumas coisas de que eu gosto muito: macarrons, brioches, croissants, pain au chocolat, tartes de morango e tarte de limão merengada. Assim de repente, é o que me lembro que tem de melhor. Ora, a primeira vez na vida que eu entrei num Brioche Dorée foi em França - nem me lembro o que é que andava lá a fazer, se turismo, se trabalho, se qualquer outra coisa. E entrei em vários, onde comi bolos, pão, croissants. De todas as vezes, antes de passar pela porta, ensaiava mentalmente o diálogo. O que é que vou querer hoje? "Bonjour. Je voudrais une tarte aux fraises." "Je voudrais deux brioches." "Merci. Bonne journée, au revoir." Coisas assim, melhor ou pior, com mais ou menos erros, mas o importante era que eu ia conseguir comer exactamente aquilo que queria.
Chegamos a Hauptbanhof. Da primeira vez que vi que havia um brioche dourado na estação central, embora em versão quiosque em vez do café, o meu estômago saltou de contente. Brioches! Croissants! Macarrons! Fui logo ver o que tinha na montra, debatendo comigo própria por uns minuto o que é que eu ia experimentar, para começar. E em chegando ao momento de abrir a boca e falar, para pedir o que eu queria, só me saía francês. Pois estando ali todas as etiquetas à minha frente a gritar "tarte aux fraises", "macarrons pistache", "macarrons chocolat", "tarte au citron", como é que eu podia dizer "Ich hätte gern eine tarte aux fraises."? Pura e simplesmente, não saía. Pior, eu começo a fazer o meu pedido em francês, e o empregado não percebia nadinha. O que é irónico, afinal de contas, ele tinha as etiquetas com os nomes à frente dele o dia todo. Mas nada, lá tive que convencer os meus neurónios a trocar para alemão, pelo menos um bocadinho, e, com muito esforço, lá consegui.
Isto foi há alguns meses, pouco mais de um ano. Entretanto, por mais tempo que passe, de cada vez que vou ao Brioche Dorée já sei que me vou debater com as línguas. Por mais que me esforce, qualquer diálogo que não tenha sido previamente ensaiado em alemão na minha cabeça, vai sair em francês. Pelo menos, entretanto, os funcionários já dominam o "oui". E riem-se, quando lhes explico que isto de encomendar em alemão comida francesa, é mesmo difícil para mim.

04 maio 2014

Não gosto nada de planear esta parte das viagens

Naquela meia hora que intercede verificar preços de bilhetes de avião para determinadas datas, ver se bate tudo certo para toda a gente chegar ao mesmo sítio no mesmo dia, da maneira mais poupadinha possível (como se poupar se conjugasse com viagens de avião), o preço de todos os troços aumenta entre 10 e 100%.  Nem a limpar o histório, mudar de browser ou de computador a coisa melhorou, ou agora o aumento de preço na segunda tentativa está indexada ao IP, ou simplesmente só havia um ou dois bilhetes àqueles preços e entretanto alguém os comprou. O stress que isto dá, méne. Agora vou precisar de umas semanas para recuperar do choque, para depois planear tudo o resto. Que os bilhetes são só o primeiro passo.

Uma pessoa pensa que à medida que os putos crescem a coisa se vai simplificando, mas na verdade, enquanto umas partes se tornam extremamente simples, outras partes vão-se tornando extremamente complicadas.