09 março 2014
Eu sei que há livros e tal
Os canais de documentários deviam ter algo como um bbc vida selvagem para eu adormecer, e as séries pseudo-cómicas deviam dispensar os risos entalados que me perturbam a paz. De modos que acabo, com os miúdos na cama e portanto sem desculpa plausível, a ver os desenhos animados. Do cartoon network que é o único que não tem publicidade (vá, tem, mas muito pouca), e não aumenta o som durante o intervalo, que é algo para acordar a minha pessoa. E infelizmente deixou de transmitir apenas em inglês - alguns personagens ficaram com umas vozes esganiçadas que também não funcionam como soporífero. Há quem vá dormir para a cama por mais cedo que seja, mas eu estou convencida que perco a nacionalidade se me for deitar antes da meia-noite, e prefiro dormir um bocadinho no sofá.
02 março 2014
Tudo é um jogo
28 fevereiro 2014
Para quem gosta de séries que não encaixam na fórmula de sempre
27 fevereiro 2014
Não encontrando o cão, caçando com gato
Fui à gaveta dos monos, no meu cérebro, onde guardo informações relativamente inúteis mas que nunca se sabe quando poderei voltar a precisar delas. Encontrei o "algoritmo para saber as horas" desenvolvido quando andava na faculdade, precisava de saber as horas muitas vezes ao dia - para chegar aos sítios convenientemente atrasada ou simplesmente para saber quanto mais tinha que aguentar até a aula acabar - e o meu relógio avariou. Na altura só tinha um. Desenvolvi uma especial habilidade para espreitar o relógio de pulso do humano mais próximo, e um sexto sentido para identificar relógios de parede e outros relógios de maior ou menor dimensão em locais públicos, e ainda a aptidão para rapidamente me aperceber das horas através de reflexos em superfícies espelhadas.
Munida do algoritmo, relaxei. Podia não ter um relógio de pulso (analógico), mas havia de me desenrascar. E lá consegui, relógios de pulso dos vizinhos mais próximos devidamente identificados para utilização futura, todos os relógios de parede visíveis referenciados, e no fim até consegui acordar utilizando apenas o meu relógio interno, uns minutos antes do alarme tocar. Que o meu relógio interno funciona, mas nunca fiando.
Assim que deixei de precisar do relógio de pulso analógico, voltei a por o "algoritmo para saber as horas" na gaveta das coisas relativamente inúteis. Mal terminei essa tarefa, encontrei um. A funcionar. Com pilhas. Giro. A rir-se de mim, ao pé do telefone. Sacana.
Livre Livre!
Tenho um calo no dedo. Mas estou contente. Já posso arrumar as resmas de papel.
22 fevereiro 2014
19 fevereiro 2014
O rio mais famoso do Egipto
Eu nunca me apercebi que a minha mãe se preocupasse com a linha. E se calhar é por isso que nem sequer penso em dietas, gosto do meu corpo e de mim. Se podia perder uns quilitos? Podia. Mas também os podia ganhar. E desde que possa continuar a jogar futebol, e não tenha problemas de saúde, o que como não será nunca uma obsessão. Vejo gente à minha volta a fazer dietas de todos os tipos e nem sequer parecem contentes. Perdem peso, mas não ganham felicidade. Eu era lá capaz de comer tanta verdura. Eu é que algum dia passava, um dia que fosse, sem hidratos de carbono. Eu podia lá ser feliz a passar fome.
18 fevereiro 2014
A coisa mais romântica de sempre
A coisa mais romântica de sempre, para a pessoa menos romântica do mundo, é perguntar, perguntar, perguntar sempre, até que um dia a pergunta é feita a sério. Sim, percebemos que dessa vez é que é, pelas borboletas no estômago e o arrepio na espinha. E pronto.
10 fevereiro 2014
O Inverno do meu contentamento
Nas estâncias de ski há alguma neve, muito à conta das máquinas que produzem neve artificial (blhéc), é melhor que nada. Nos picos há sempre neve, nem que esteja congelada ao ponto de parecer gelo, o que não é para todos.
Mas na cidade, tem sido o melhor Inverno de sempre. Alguns dias cinzentos, sim, alguns, poucos, dias de chuva, muitos dias de sol. Temperaturas quase sempre nos graus positivos, quase Primavera para esta zona. Nada daquela porcaria castanha em que se transforma a neve depois do manto branco inicial. (Ainda) nem tirei as camisolas mais quentes do armário, tenho andado sempre de t-shirt e casaco. E os gorros também têm ficado esquecidos na gaveta.
A cereja em cima do bolo seria poder aproveitar este Inverno tão ameno passando o máximo tempo possível fora de quatro paredes. Não se pode ter tudo, parece-me, mas também não me queixo, mesmo do lado de dentro da janela gosto de ver o sol e saber que posso ir lá fora sem congelar o nariz. E, em podendo escolher, prefiro trabalhar com o sol a bater-me na cara.
01 fevereiro 2014
Era uma corrida, sff
O meu vizinho entretanto anda a preparar uma partida relativamente inofensiva. Trocar o papel higiénico na casa de banho por um que não tem ponta e é impossível de rasgar (acho que é este aqui). Felizmente as casas de banho são antiquadas (homens para um lado, senhoras para outro), e como tal estou a salvo, mas agora que já pensei nisto melhor não sei se é uma partida engraçada ou de mau gosto. Alguém devia avisar a rapaziada para levar o jornal quando for usar a sanita.
30 janeiro 2014
Eu fui à praxe
Eu vi a "minha" praxe ao longe das primeiras vezes, e achei aquilo uma brincadeira divertidíssima, e depois também quis entrar. Eu era para não me ter lá ido meter, mas isso foi antes de saber como era na minha faculdade.
E as primeiras coisas que eram anunciadas aos caloiros era que ali não se ia pintar a cara a ninguém, nem fazer a malta andar de fraldas ou parvoíces dessas. Isso era para as outras praxes. A minha praxe foi uma festa. Pronto, nem tanto, teve tardes em que foi uma seca - um ou dois veteranos a falar durante muito tempo, e algumas coisas eram interessantes e outras menos- mas também teve tardes e noites de morrer a rir. Tive aulas fantasma - em que um dos mais velhos nos apareceu a fazer de professor e nos deu uma lista de bibliografia que nunca mais acabava (o Pisconov, o famoso livro de matemática, era seguido do Piscodez, obviamente - para quem não era caloiro - inventado). Rimo-nos muito, muitas vezes, eu se calhar mais do que os outros. Fizemos casco-paper, latada (com latas, e sem mais adereços), noitadas, sessões solenes, cantorias, jantaradas, almoços nas cantinas e nas tascas da cidade, e sim, fomos felizes juntos. O pessoal do segundo ano estava proibido de praxar - para não haver excessos - e a praxe mais organizada, dia sim dia sim durante muitas semanas, estava entregue a alguns alunos do terceiro ano. Os veteranos apareciam para fazer número, mandar bocas, discursar, ensinar algumas coisas pois. Em público, quando se praxava primeiro fazia-se uma parede de capas pretas, para que os estranhos não assistissem . Ok, dentro do possível. Mas ninguém foi mandado comer porcarias, ou teve que rastejar pelo chão. E os "doutores" levavam-nos às aulas. E depois iam-nos buscar. :o)
Nunca me senti obrigada a ir à praxe, e tive pena dos dias em que não pude ir. Nunca me senti maltratada, ou humilhada. E parcialmente terá sido porque era caloira, e as caloiras eram tratadas com mais cuidado, ninguém nos punha um dedo em cima. Vantagens da faculdade estar cheinha de homens. Se calhar a parte mais chocante da minha praxe foi a quantidade de asneiras que dissemos... mas eu sou transmontana, e na minha terra usa-se uma linguagem ainda mais colorida do que a que ouvi na praxe.
Havia um grupo de três colegas que nunca foram à praxe. E usaram traje, e foram ao cortejo e à queima. E não, não eram iguais aos outros. Não é que não tivessem amigos. Ninguém os tratava mal. Davam-se bem com um número menor de pessoas, penso que era aí que residia a maior diferença. Demoraram mais tempo a criar laços. Bom ou mau, não sei, eu até me dava com eles, mas não era como com os outros, com que tinha rido e partilhado horas e horas a fazer as mesmas coisas. Nunca, nos anos todos em que convivemos quase diariamente, aqueles três se tornaram tão próximos como alguns outros que estiveram na praxe comigo. Provavelmente foram dos poucos alunos do meu curso que não tiveram explicações de desenho técnico com um "doutor" que adorava a cadeira e ajudou praticamente todos os caloiros a compreender a matéria.
A minha melhor amiga de sempre conheci-a na praxe. Ficávamos uma ao lado da outra, literalmente e figurativamente, e assim continuamos, tantos anos depois, mesmo que em países diferentes.
Se a praxe é uma coisa boa? Para mim foi. O que é certo é que desde sempre que ouço relatos de coisas terríveis que aconteceram em praxes, e felizmente nunca tive uma experiência que se assemelhasse. Nem ao que aparece nos jornais, nem ao que se vê nas ruas. Nunca me pintaram a cara. Nunca me puseram um dedo em cima. Nunca me tentaram obrigar a fazer nada. O medo que eu tinha à praxe passou quando vi a praxe ao vivo na minha faculdade, e transformou-se num prazer. Sim, eu gostei da praxe. E porquê?
23 janeiro 2014
Há dias em que é divertido
Às vezes escrevo, e depois arrependo-me
10 janeiro 2014
Até me assustei
08 janeiro 2014
Oficialmente, velha. Na terceira idade. Ou meia-idade vá. Mental, que é ainda pior.
Se por um lado me parece que isto é um indício claro que estou a ficar velha, por outro lado, pode ser exactamente o seu contrário. A minha criança interior também não pensa em ficar a pé até a manhã chegar, a noite é para dormir sob pena de ficar rabugenta ou não conseguir acordar a horas no dia seguinte. Tem dias que nem o despertador me consegue arrancar do sono. Eu só conseguiria tirar uma foto do nascer do sol se deixasse a máquina programada para o fazer sozinha.
Começa bem
07 janeiro 2014
Não sei se foi de a Merkel ter partido a bacia ou por ter morrido o Eusébio
05 janeiro 2014
A luz dos dias
04 janeiro 2014
Não era em Maio?
Está a trovejar. Em Janeiro. Eu bem tinha dito que estava calor. (Quinze graus em Janeiro é calor. )
Maioridade
Vim à terra e não me apeteceu andar às compras. Não como dantes. Não preciso de roupa mesmo que seja confeccionada em Portugal, não tenho vontade de experimentar sapatos mesmo que me desse jeito substituir um par preto que já não anda a cem por cento. Deve ser isto, ser finalmente adulta. Isto e sentir-me bem e não ter vontade de fugir quando vou na rua com a minha mãe e encontramos colegas dela, apreciar a terra pequena onde não há nem fazem falta autocarros para ir de uma ponta à outra. Quinze minutos a pé a andar bem não custam nada, mesmo que depois dos segundos ou terceiros quinze minutos haja músculos que se queixem por não estarem habituados a tanto andar. Nunca se sai de casa só uma vez, é tudo tão perto que cada vez que se pensa "preciso disto" vai-se logo tratar do assunto pondo, literalmente, os pés ao caminho.
Ganhei um novo apreço pelo comércio tradicional, onde pergunto onde estão as coisas e logo as encontro sem ter que dar mil voltas (e o pvp tabelado e os descontos que os lojistas fazem quase sempre), onde se leva algo para casa a ver se serve e no dia seguinte se passa outra vez a pagar ou devolver. A confiança nas pessoas, no comércio, já nem me lembrava que é assim.