27 dezembro 2013

Está um frio de cão

Um briol que não se aguenta. Um gelo entranhado nas casas.
Devia ter trazido o portátil que aquece. Aquele que normalmente precisaria de uma almofada por baixo para não me aquecer as pernas demais. Só passaram umas horas e já estou com saudades do aquecimento central. Vou vestir mais uma camisola. E procurar um cobertor. Ou um saco de água quente. Estão mais dez graus que em Munique, mas em casa, menos quinze, por aí. Não há lareira. No país mais quente da Europa (dos mais quentes, vá), está um frio de rachar. Incrível.

25 dezembro 2013

22 dezembro 2013

Pânico numa casa de engenheiros

A internet foi abaixo. Sábado à noite. A menos de 24 horas de sermos invadidos por miudagem que não sabe viver sem wi-fi (os miúdos são o menos, os graúdos é que se sentem perdidos sem net).
O pânico passa pelas diferentes fases.
1- A net foi abaixo. Vai ver o router.
2 - Já fiz reset ao router. A net ainda não funciona. A luz está vermelha. E se o modem avariou? (Pânico moderado. Alerta amarelo.)
3- Qual é a password desta treta? (Alerta laranja. Todos os engenheiros de roda do modem/router e do computador a ele ligado por um cabo. Luzes extra ligadas, no canto das ligações ao exterior - telefone, modem - não há muita iluminação. Descobrimos pó de meses, nunca ninguém limpa o ninho de ratos que é aquele monte de cabos e caixas de electrónica. Neste momento, ninguém quer saber do pó.)
4- Entrei no router. O gajo não diz o que está mal. A luz da internet está vermelha mas todas as outras estão verdes. O gajo insiste que quer fazer um update de cada vez que alguém se liga ao dispositivo. Hmmm. (Alerta laranja. Tudo sentado no chão com cara de caso a olhar para o écran.)
5- Onde raios anda a password e username hipercomplicados do acesso à net? (Ir buscar papelada com quase 10 anos.) Isto continua a não funcionar. Quanto tempo é que um router/modem deveria durar (não é assim tão velho como isso)? É sábado à noite. Domingo está tudo fechado. Se for problema a resolver pela telekom, ninguém vai estar disponível durante quinze dias. As lojas só estão abertas segunda e terça de manhã. Para arranjar outro router/modem, identificar se é esse o problema, ir e voltar, vai ser o cabo dos trabalhos. (Alerta vermelho.)
6- E que tal fazer um reset de fábrica? (Ligar ao google pelo telefone, procurar como se faz.)
7- Copiar todos os settings para um documento. Reset ao router. Esperar. Panicar.
8- Nada parece funcionar. É tardíssimo. Desistir. (Alerta vermelho.) Desligar o computador.
9- Enquanto o computador desliga, a luz vermelha do router passa a verde. (Alerta amarelo?) Ligar todos os dispositivos outra vez, procurar sinal de vida da net.
10- Trocar a password do wi-fi. Voltar a verificar todos os dispositivos (alerta amarelo).
11- Funciona! Já podemos dormir descansados.
12- Olha! Aqui diz que é um problema comum deste router, o software mais recente tens problemas de instabilidade e a solução é mesmo fazer um reset de fábrica!
13- Sim, sim, já sei, e se fôssemos dormir? Ah, espera só mais um minuto, ainda tenho que imprimir aquela papelada que é precisa daqui a umas horas... (Pânico desinstalado.)

A calma que precede a tempestade

Meio dia sozinhos em casa. A partir do jantar, reboliço sem fim durante quinze dias. Esta altura do ano é uma animação.

19 dezembro 2013

Antro de perdição

Por causa dos miúdos dos meus amigos, passei pouco menos de uma hora numa loja de brinquedos. O que eu gosto de lojas de brinquedos. Entre Legos, artigos de papelaria (carimbos! cola! canetas e lápis de cores!), carros telecomandados, jogos vários, peluches, coisas para martelar, material mini da Bosch, bonecas do Monster High, e um puto a brincar com as cozinhas, eu estava a ver que não saía dali. A atracção por coisas divertidas e brilhantes é quase inexplicável, ao início, e depois transforma-se num entusiasmo incrível. Admirei as caixas de Lego todas, Lego Friends, City e Technic, ignorei os Mindstorms porque são caríssimos, imaginei utilizações para motores da lego ligados a uma peça rotativa. E, agora que penso nisso, não vi outros dos meus jogos de construção preferidos, os eitech. Hmmm que pena não ter que lá voltar. Também encontrei um dos meus jogos favoritos de miúda (chapéus voadores, o meu era da majora, mais alguém teve isso?), trouxe para oferecer, e resisti a trazer um tragabolas para jogar cá em casa. O tragabolas era aquele jogo que todos os meus amigos queriam ter, e que eu nunca tive quando miúda, por isso é difícil passar por um e não o trazer para casa. A verdade é que anda por aí uma versão de viagem (para 2 pessoas), e por isso é difícil justificar arranjar um de tamanho normal, mas caramba, o tragabolas cá em casa trabalha quase todas as noites, aqueles hipopótamos aqui não passam fome.
Consegui sair dali rapidamente, com um único saco de compras e o sentimento de missão cumprida. Agora ando aqui a magicar uma maneira de fazer uma garagem para os carrinhos de Lego com embalagens de cartão. Há dias em que tenho cinco anos. Ou oito, vá.

18 dezembro 2013

Coisas que aprendi com o stumbleupon

Mais do que tecnologia, ciência, computadores, gadgets, internet, psicologia (de pacote), eu gosto é de me rir. Ajuda se as piadas forem inteligentes, e tiverem um contexto que faça parte dos meus interesses - computadores, ciência, tecnologia. Mas quando tenho tempo para surfar ao acaso na net, eu quero é rir-me um bocado.

Temos bacalhau

O Natal já pode acontecer.
Falta ir buscar bolo-rei, e imaginar quantos ovos se gastam nesta altura do ano. Duas dúzias? Quatro? Arredonda-se para cima ou para baixo, que nesta terra as caixas grandes de ovos trazem uma dezena?

O Natal, pela primeira vez, vai ser em Munique. A logística da coisa envolve importação de produtos típicos como o bacalhau, e a passagem obrigatória no Mitte Meer para trazer o bolo rei que só eu e o meu pai comemos, mas que faz parte e tem que haver. A vantagem maior é não ter que meter presentes embrulhados numa mala de viagem, ou ter que os embrulhar no destino com papel chungoso - porque nunca chego a tempo de ir comprar papel que me agrade, e na terrinha não há cá (lá) lojas fancy. Pois, o embrulho não é importante, mas eu gosto de embrulhar presentes e o Natal tem piada pelas coisas todas de que se gosta, embrulhar presentes incluído. Eu por mim até embrulhava os presentes da família toda (menos os meus, claro, que também gosto de surpresas).

Portanto, da tradição, temos o bacalhau e o bolo rei, leite creme e o Molotof da minha mãe, e o que mais nos lembrarmos, muito tempo na cozinha a fazer petiscos, provar, beber e lavar louça, come il faut. Com um bocado de sorte saltamos a parte da discussão monumental (da qual no ano seguinte nos rimos) e encontro um baralho de cartas perdidas, para o clássico de sueca entre um par de sortudos e outro de azarados (os pares variam). E o melhor de tudo, tenho uns dias de férias, que estou mesmo a precisar. Está quase.

14 dezembro 2013

Estamos naquela altura do ano...

a que se chama Festivus. "A Festivus for the rest of us", a genial expressão do pai do George no Seinfeld, angustiado pelo facto de uns terem Natal, outros terem Hanukkah, e outros não terem uma festa por estes dias de celebrações do solstício. O pai do George era um pouco louco, ok, bastante louco,  e tinha ideias que não lembravam a ninguém e que tentava concretizar por todos os meios possíveis. O homem que deu ao mundo o "bro" (soutien para homem), era pródigo em ideias loucas que fazem todo o sentido - algumas até para o comum dos mortais. Como o Festivus.
Agora o Festivus até tem um website.
Feliz Festivus! :o)

13 dezembro 2013

Devia haver um segundo Natal, lá para o fim de Janeiro

Passo a explicar. Não é o Natal em si, ou as prendas, ou o que se come, ou o pinheiro, presépios e afins. São as luzes. Aqui na terra da Tia Ângela eles são muito poupadinhos. Só há candeeiros de um lado da rua, e funcionam a meio gás. Uma pessoa sai a meio da noite, lá pelas dezassete horas - por extenso para não haver mal entendidos - e está escuro. Agradece-se o facto de a cidade ter mais polícia por metro quadrado do que potenciais meliantes, tenta-se adaptar a visão para o modo toupeira, e ala para casa que é tarde. Em Dezembro, por causa do Natal, a malta não se importa de pagar mais um bocado de electricidade para iluminar as ruas. Não a cidade - que é isso, decorações de Natal, façam vocês que isso parece ser caro - mas os comércios e as famílias. Por estes dias vê-se mais que um palmo à frente do nariz por causa das luzes extra. Ora tendo em conta que o solstício é lá para o dia 21, sempre podiam manter as luzes mais um mesito depois disso. Sempre alumiavam o caminho ao pessoal que tiver que andar lá fora na escuridão do Inverno.

11 dezembro 2013

Por estes dias

Há muitas festas.
Tem-se visto o sol durante a tarde.
Comido muitos doces.
Alguém fez uns mini-brigadeiros com licor (ou algo alcoólico) deliciosos. Atropelei algumas pessoas para lhes chegar. Elas compreenderam. Eu reincidi. Eram mesmo bons.
Deitar tarde e levantar cedo mais vezes do que gostaria.

Problemas filosóficos: podemos transformar um avental numa questão de princípio? Porque é que os meninos usam um chapéu de chef e as meninas têm que usar avental? É de pequenino que se cultivam os princípios da igualdade de oportunidades, da escolha, e da carneirada. Depois dizem que é genético. Acho que me vou meter em sarilhos. Detesto aventais.

Preciso de férias.

03 dezembro 2013

Ursos

 Os ursos polares não são brancos. Têm pele escura e o pêlo é um tubo transparente que reflecte a luz. Como estão normalmente rodeados de branco... parecem brancos. (link - há mais, este é só um exemplo)

Provavelmente esta curiosidade só serve para irritar pessoas. Mas inesperadamente consegui utilizá-la a propósito disto. Que é por si um exemplo de como irritar pessoas.

Delegar

Os crescidos montam a árvore - porque é das artificiais, que as verdadeiras são um pesadelo cá em casa. A miúda põe as bolinhas. Quando encontrar a bonecada, logo se vê. A minha esperança é que quando for para desmontar ela ajude a guardar tudo outra vez. Um par de mãos extra, mesmo que pequeninas, dá muito jeito, e ainda mais com a motivação e entusiasmo que só uma miúda de 5 anos tem.

30 novembro 2013

Notas soltas, antes de fechar a loja

1. Passei horas a combater adware no computador - que não faço a mínima ideia de onde poderá ter vindo, nem como passou o antivírus e firewall, até porque nem me lembro de ter instalado software algum nesta máquina. Deu luta, mas perdeu.

2. Recebi uma encomenda embalada numa caixa de cartão com dimensões mais de 6 vezes do que seria necessário. Quando vi o pacote não consegui imaginar o que é que eu teria comprado que necessitava de uma embalagem tão grande - a resposta é nada, a embalagem deveria ser bem mais pequena.

3. Mudei o motor de pesquisa pré-definido para o duck duck go. Pode não ser tão bom como o google, mas por outro lado, é bem melhor. E dá para rir. Por falar em tracking, começa a ser difícil usar seja o que for na net sem um registo prévio. Não gosto.

4. Ia comprar um livro, e depois lembrei-me que devo tê-lo. A 2300km de distância. Em momentos como este, não me importava de ter a versão digital.

5. Os vídeos de matemática do youtube são uma seca. Lentos, levam demasiado tempo a explicar o assunto. Deve haver alguns bons, mas estão soterrados pela quantidade de conteúdo muito mau. As pessoas até podiam estar cheias de boas intenções. Infelizmente não tenho tempo para confirmar. Por outro lado, os vídeos da academia Khan são bastante mais rápidos e menos maçudos. Não encontrei melhor. Se dependesse da net para gostar de matemática, estava condenada. Felizmente a minha mãe tratou disso mal teve oportunidade. Obrigada mãe.

6. Para uns minutos de diversão, procurem a vaca invisível. É giro. Muuuuu!

29 novembro 2013

Bolachinhas



Fazer bolachinhas tem o seu quê de terapêutico. Não é o juntar os ingredientes, pesar, meter no tacho, mexer. É o brincar com a massa, um pouco como se fosse plasticina. Fazer bolinhas com as mãos, cuidando para que todas as bolinhas sejam aproximadamente do mesmo tamanho, espalmar as bolinhas para que se tornem discos, colocar os discos num tabuleiro, e recomeçar, até esgotar a massa. A massa para fazer bolachas dura sempre muito enquanto estou a moldar bolachinhas. Depois de feitas, no entanto são sempre poucas.
Quinze minutos no forno - bem menos que o tempo que demorei a transformar um monte de massa em discos - et voilá. Aquilo que me ocupava a mente enquanto fazia bolinhas pode não ter desaparecido, mas agora está bem acompanhado.

27 novembro 2013

Abaixo de zero

A vantagem de ter começado a nevar, e portanto, o Inverno, é que voltámos a ver o sol. Acho que já há três semanas que o céu estava permanentemente de um branco acinzentado. Os dias que parecem quase noite - nem realmente amanhece, nem realmente  está luz suficiente para parecer dia - afectam a qualidade de vida.

22 novembro 2013

Sinos a tocar


Ainda estamos em Novembro, mas estou como as lojas, cheia de vontade de montar a árvore de Natal, embrulhar os presentes, fazer bolachinhas. Vantagens das árvores artificiais - é só tirar da caixa, não é preciso esperar que comecem a vender as árvores verdadeiras. Assim sim, é quando eu quiser.
Outros pormenores que dificultam a tarefa são a dificuldade em embrulhar os presentes que ainda não foram comprados, embora alguns já estejam à espera de ser embrulhados desde Agosto. Quando eu era miúda uma das coisas que mais gostava de fazer era andar pela casa à procura dos presentes que já estavam escondidos pelos meus pais em qualquer lado. Pergunto-me se passa pela cabeça dos meus miúdos andar à caça das coisas que já estão guardadas à espera da altura certa.
As bolachinhas, claro, posso fazer as que quiser que os miúdos fazem-nas desaparecer em três tempos. Qual guardar em caixinhas e testar a ver quanto tempo realmente aguentam em boas condições de textura e sabor. Uma semana, no máximo, se fizer a receita a dobrar, porque os miúdos comem-nas todas. E os graúdos ajudam.
Com a cabeça no polvo (bhléc) e o bacalhau, bolo-rei e molotof da minha mãe. E rabanadas. Vai ser um longo mês à espera.

20 novembro 2013

Das preocupações

(inspirado pela Rita, o post que ela refere e o artigo do NYT referido, do qual só li a parte disponível a quem não se registou)

Acho que nunca se deixa completamente de ter preocupações. Aos 20, aos 30, aos 50, aos 70. Sim, mesmo aos 70 ainda se têm preocupações. Se a nossa vida corre bem, preocupamo-nos com os filhos. Ou com os netos. Ou com os pais. Ou com o resto da família.
Se temos um bom emprego, pensamos se deveríamos ser mais ambiciosos. Se até temos ainda alguma ambição, preocupamo-nos em descobrir onde chegar aonde queremos chegar. Se estamos reformados, preocupamo-nos em como passar o tempo.

O cabelo? Eu tenho um cabelo bom - de um modo geral posso acordar e sair de casa sem sequer me pentear, que vou com bom aspecto. Ou acho que vou com bom aspecto, o que pode não ser assim tão positivo. Mas não domino o secador. Eu não sei para que servem as escovas redondas e não entendo como é que alguém as consegue usar para secar o cabelo da parte de trás. O secador é um mistério. E eu já tenho mais que idade para conhecer o secador mesmo muito bem. Prática é que nem por isso - é raro usar o secador.

O creme dos olhos faz-me bolhinhas brancas na zona onde se deveria por o creme. Quando tenho algum, normalmente porque veio de oferta com alguma coisa, acabo por usar como creme das mãos ou para os lábios. E sim, tenho mais que idade para usar creme dos olhos.

Maquilhagem. Possivelmente devia usar. Na prática, uso umas três vezes por ano, em ocasiões muito especiais. Não há pachorra. Nem para base, nem rímel, nem sombra, nem blush, nem uma data de coisas que nem sei o que são, como ou onde colocar. E aquela cena do enrolador de pestanas parece um instrumento de tortura. E não me parece que faça nada.

Beber? Funciono um bocado ao contrário da maioria dos mortais, bebo pouco. Decidi há anos deixar de beber por razões sociais, e desde então sou mais feliz. Mesmo. Não bebo espumante, mesmo que seja meia noite e passagem de ano, porque não gosto. Não bebo vinho tinto, e posso provar vinho branco mas gosto de poucos. Fico "alegre" se beber um único copo de uma bebida alcoólica e não sei o que é uma ressaca. Nem tenciono descobrir. Mas gosto de um cocktail de vez em quando, ou um copito de vinho do Porto em ocasiões especiais.

Os meus joelhos não doem, mesmo quando deviam. Ahah. Em compensação tenho que fazer desporto de vez em quando para não ter dores de costas, consequência do meu estilo de vida sedentário. Também há uns massagistas que resolvem esse problema, e é uma bela maneira de acabar com dores, receber uma massagem, mas a maior parte do tempo, um bocadinho de desporto et voilá, fico como nova. A não ser que faça outra rotura de ligamentos. Hum.

Preocupações de emigra. Vou ficar aqui até quando? 5 anos? 10? Até me reformar? Quando é que me irei reformar? E os miúdos? Vão ficar aqui? Até que ponto é que são portugueses? Quão portugueses é que são? Quão alemães são? A primeira vez que tive uma conversa demorada com o meu chefe, quando vim para cá, ele explicou-me que os nossos filhos não serão nunca portugueses, alemães, austríacos, etc., mas sim cidadãos do mundo. Quer me agrade quer não, hoje, passados 11 anos, acho que o homem tinha razão. Preocupação de mãe é agora, mas que referências é que estes miúdos têm, e com quem é que se irão identificar quando chegarem aos 20, 30 anos? Quem será, e quão grande será o grupo de gente da idade deles que terá tido as mesmas vivências de infância, se é que há mais alguém, para além dos irmãos. Eu posso falar sobre o dartacão, verão azul, gelados fizz limão, as manifs contra a pga, as 3 cadeiras no 12ºano, etc. etc., em pé de igualdade com  milhares de pessoas. E eles?

Lixo. O caixote do lixo indiscriminado só é esvaziado de 15 em 15 dias. Para obrigar a malta a reciclar. Desde que comecei a separar as embalagens, papel e lixo biológico o lixo indiscriminado deixou de ser uma preocupação tão grande - em quinze dias fazemos mais lixo do que o que cabe num caixote. Agora a preocupação é quem é que leva o saco das embalagens ao ecoponto?

Getting ou having your shit together são expressões que acho que nunca percebi completamente. Não sei bem se se referem à globalidade dos aspectos da vida de uma pessoa, ou se apenas a algumas vertentes, dependentes da situação. Penso que as duas coisas, dependendo do contexto. Mas não conheço ninguém que me pareça estar com a vida completamente sob controlo, ou livre de preocupações. Enquanto estamos vivos, há sempre alguma coisa que nos há-de escapar, ou algo por que ansiamos, ou algo que nos preocupa. E isso é bom, é sinal que vivemos, não apenas sobrevivemos.

19 novembro 2013

Um ano à Sá Pinto

Faz um ano, mais coisa menos coisa, que dei cabo de um ligamento a jogar futebol. Nada demais, não rompeu completamente, e deu-me a oportunidade de fazer uma TAC que eu achei perfeitamente genial. Deitada naquela máquina com ar de ficção científica, com instruções para não me mexer durante 20 minutos, e um barulho que parecia que estavam ali a martelar ritmicamente ao meu ouvido, fiz o que faço melhor quando não tenho nada que fazer, que é dormir. No final, a parte que eu gostei mesmo, foi de ver as imagens das secções do meu joelho, com o veredicto do médico: era um esticamento do ligamento, e não ia precisar de operação. Três meses, pelo menos, sem jogar nem fazer ski - mesmo antes da época começar - e mês e meio com uma cena de metal à volta da perna, à cyborg.  Uma animação. E fisioterapia.
Passados três meses lá fui ver o homem outra vez, e não gostei do que ele me disse, que foi pouco ou nada. Sem se querer comprometer com afirmações do que é que poderia fazer ou quando, mandou-me uma conta choruda pelos dez minutos da consulta, e mandou-me voltar lá dali a uns tempos. Resolvi que não iria voltar a vê-lo.
Só em Junho me atrevi a voltar ao ténis de mesa - uma única vez, pois senti o joelho a queixar-se, embora não tenha piorado nada. Julho e Agosto dediquei-me à natação, e as primeiras duas semanas foi quando o joelho finalmente começou a ir ao lugar, senti bocados lá dentro a esticar e encaixar enquanto nadava. Sem nunca ter tido dores. Aliás, nem no momento da lesão tive dores algumas.
Hoje foi o dia em que finalmente voltei a jogar futebol. Cheia de medo de dar cabo do pobre joelho outra vez, corri metade do que costumava correr, senti o joelho a dizer "eh pá, não sei se estou preparado para isto", mas não tive dores e aguentei a um ritmo médio com algumas paragens à baliza.
Isto vai ao sítio. Já estava fartinha de só usar o ginásio.