31 agosto 2013

Memórias dos últimos dias

Os incêndios em Trás-os-Montes. Vi uns quatro ao longe, enormes, helicópteros a voar baixo transportando água fumo branco, fumo preto. Montes ardidos, o fogo a chegar perto das casas em alguns locais. Horrível. Um monte ardido, num fogo antigo, e um aspecto curioso: no meio do preto todo que tinha ficado para trás, um rectângulo de oliveiras relativamente novas que escapou. Perguntei a quem sabe, como é possível escapar um terreno no meio de tanta área ardida, e a resposta veio pronta: os olivais devem ser lavrados. Em sendo lavrados o fogo por ali não passa, pois não tem por onde arder. Pareceu-me sensato, e depois reparei que há imensos olivais novos na região. Pode ser que parte da solução para os incêndios esteja, ironicamente, na agricultura.

30 agosto 2013

Tenho que ir

Coisas que espero recordar daqui a dez meses, no caso de ter hipótese de voltar a ter umas férias tão compridas como estas:
1 - quando fizer a mala, não preciso de trazer a roupa de verão TODA. Metade chega. Roupa para uma semana, e uma muda de roupa quente, chega perfeitamente. Lá porque vou estar num sitio durante quase dois meses isso não quer dizer que tenha que trazer a casa toda atrás. E aquela t-shirt que já não uso há cinco anos, provavelmente já devia ter outro dono.
2 - a mesma coisa para a mala da miúda. No verão não é necessária assim tanta roupa. Se for preciso, lava-se, numas horas fica logo seca e pronta a usar.
3 - da próxima vez, fazer de conta que a mala do carro tem metade do tamanho. Estou sempre a dizer que antigamente os carros eram bem mais pequenos e chegavam para tudo. Quanto mais espaço se tem, mais tralha se anda a passear pelo mundo. Para nada.
4 - a ideia de trazer uma caixa (pequena) com os brinquedos da miúda foi genial. Já a colecção de DVDs a ver durante as férias precisa, claramente, de diminuir de tamanho para metade. Ou um terço.
5 - menos malas. Se planear trazer menos malas, talvez traga/leve menos tralha.
6 - ter em conta que uma coisa são as coisas que se trazem, outra é a esperança de que haja espaço na mala do carro para, ao partir, esvaziar o supermercado (sim, estou a exagerar - mas nos meus sonhos seria mesmo assim). E por falar em supermercado, ainda tenho que ir comprar tremoços. E sumol.

29 agosto 2013

Das compras e vendas online

Nunca fui muito amiga do ebay - a primeira experiência correu-me mal e nunca voltei a confiar nele - ainda assim, de vez em quando, vou espreitar o site, a ver como aquilo anda. Da última vez (penúltima, vá) pareceu-me que se tinha transformado num local onde muita gente expunha produtos de lojas ou grandes negócios que iam bem para lá da compra e venda entre pessoas normais, por assim dizer. Venho de mais uma espreitadela com a impressão de que o ebay dos leilões  deixou de existir. Os power sellers transformaram-se simplesmente em vendedores, o site numa grande montra profissional, para profissionais, e os tipos que se fartaram do carrinho telecomandado e o querem vender em segunda mão, demasiado difíceis de encontrar no meio da barafunda. 

28 agosto 2013

Uma sorte do caraças

Há dias em que as coisas correm menos bem, e os planos que tínhamos vão por água abaixo num minuto. Alteram-se os planos, espera-se que os problemas sejam resolvidos, aproveita-se a situação da melhor maneira possível, pratica-se um modo de ser zen que não nos é particularmente  familiar, e agradece-se ter-se uma miúda de 5 anos para quem a vida é sempre uma festa.
E há dias em que se planeia uma coisa, corre tudo mal, e no fim tudo se torna muito melhor que o plano original. Perdemo-nos no meio do nada, passamos o carro por uns quelhos onde sobram escassos centímetros de cada lado, bebemos das fontes à beira da estrada - nem sabia que ainda havia disso - chegamos tarde e mal, e cheios de fome, ao restaurante escondido noutro buraco e que ainda para mais não servia refeições - mas encontrámo-lo, caraças. Plano B, o café mais perto, só para sócios  e viajantes com ar derreado, ar fresco, sandes, bebidas e melão, gente simpaticíssima, e no fim, indicações como encontrar o paraíso. Sim, aquele mesmo que se encontra a decorar a parede do local que nos salvou de morrer de fome e sede. Seguimos caminho, paraíso encontrado, pequenos contratempos ultrapassados, e ficamos por ali a desfrutar enquanto nos apeteceu. No regresso, mais uma vez a incapacidade de seguir por uma estrada onde passassem dois carros - não sei se por inexistência dela ou apenas falta de sinalização - muitos montes, muito verde, alguns sustos com carros em direcção contrária. Muitas gargalhadas de felicidade, que bem que nos soube este dia de aventuras.

23 agosto 2013

Luas


Uma das vantagens de se passar muito tempo no mesmo sítio é olharmos para as coisas com mais atenção. Com os mesmos olhos, mas olhando de maneira diferente a cada dia, ou a cada noite. Por exemplo, a lua. Quando estou em casa a maior parte das vezes nem me lembro que há lua,e quando me lembro, o mais frequente é nem a poder ver. Pessimista talvez, realista quiçá, a verdade é que o céu nublado, aliado ao facto de as luzes da cidade impossibilitarem que se vejam as estrelas, fazem com que a minha curiosidade sobre o que se passa lá por cima acabe por se limitar ao anseio de que faça sol durante o dia. De noite, não vejo nada.
Da lua, que não vejo durante a maior parte do ano, reparei agora que aparece, ou nasce, em sítios diferentes e a horas diferentes consoante a fase da lua. A lua cheia aparenta ser maior, nasce mais tarde e mais para nordeste que um quarto crescente, por exemplo. Vi o luar a brilhar no mar, como que iluminando uma estrada de águas calmas, e desejei estar num barco ao largo, só para ver aquela luz de outro ângulo.


21 agosto 2013

Bonecos

 Não fui ver os Monstros ao cinema em Julho, e agora ando há semanas a ver se ele volta a aparecer, numa sessãozita que seja, nem que fosse tarde e a más horas, mas nada.
Recuso-me a ver os Smurfs enquanto não lhes chamarem Estrumfes outra vez. Não gostei muito do Cars pelo que não estou interessada no Planes. Se calhar estou enganada e estou a perder um grande filme, mas duvido.
Sim, eu no verão vou ao cinema. Tenho tempo, há sessões na hora de maior calor em que não se deve estar na praia, lá dentro está fresquinho. E gosto muito mais dos cinemas em Portugal, mesmo os mais antigos. Batem aos pontos o cinema onde vou em Munique. E parece-me que por cá mostram muitos mais filmes de animação - os meus preferidos.
O ponto alto deste verão foi o Gru. Um filme muito engraçado, ganhou muito em relação ao primeiro em grande parte por terem aumentado imenso o protagonismo dos minions, e a miúda mais velha é um must, quando crescer vai partir, literalmente, muitos corações eheh. Não me importava de ver outra vez, mas o mais certo é que o DVD acabe lá em casa pelo que o prognóstico é de repetições frequentes, pelo que não vale a pena gastar o dinheiro dos bilhetes de novo. E por falar em filmes de animação, não sei me está a escapar qualquer coisa mas parece-me que já não mostram versões originais no cinema. Alguém confirma? Eu adorava ver as versões originais com os meus amigos e as versões dobradas com os miúdos, mas não encontrei versões originais na minha pesquisa na net, nem nos cinemas do Algarve. Estranho.

20 agosto 2013

zzzz

Constipação de verão. Tosse seca, dor de garganta, dor de ouvidos. Primeiro esperei que passasse, depois, como não passou, lá fui a farmácia. Deram-me um anti-inflamatório e um xarope para a tosse.
Tomei as duas coisas, ri-me da caixa do xarope ("pode influenciar a condução de veículos ou maquinaria pesada"), e... dormi. Dormi de noite, dormi de dia, perguntei-me mas porque será que tenho tanto sono, e finalmente o meu cérebro adormecido atingiu. Não, não foi o nirvana.  Foi o xarope. Quando tiver insónias já sei como se resolve o problema. No entanto, enquanto puder vou evitar aquele líquido do demo, que tenho mais que fazer e não quero dormir o dia todo.

18 agosto 2013

Este se calhar é só para emigras...

...a aproveitar o facto de estar"no meu país" e o youtube me deixar ver tudo. Todos os links que os amigos deixam no facebook. Vídeos para testar se sei o nome de uma música qualquer. Links de blogues. Sugestões do próprio youtube.
Ainda me lembro do tempo em que a internet não tinha filtros regionais, nem detectava nem mudava língua nenhuma automaticamente, nem decidia por mim o que é que eu podia ver ou não. E não é memória de elefante, não. Antes fosse. Agora dou por mim a testar o que é que posso ou não aceder conforme o país em que me encontro. Qual a versão de big brother que está instalada dependendo do sítio ou modo de acesso. Se os sites detectam a língua consoante as definições do sistema operativo ou do país do ISP. Um dia achei que a internet era maravilhosa porque era livre. E foi.
(E fui também ver este, por causa deste meu post.)

17 agosto 2013

Aquela malta que...

...vai comer e fala de comida, acaba de comer e continua a falar de comida, por horas e horas, ad aeternum? Cansa. Enche.

10 agosto 2013

Moda

No ano passado comprei uma t-shirt que tem umas caveiras com cabelo estampadas, e uma tinha ainda um chapéu. E rosas, acho que tinha rosas. Só passados uns meses percebi que era uma referência a uma das bandas da minha adolescência, os Guns'N Roses. Bem, nem fui eu que reparei - eu só gostei da estampa - a minha irmã é que notou. É natural, afinal ela fartou-se de desenhar aquelas caveiras do tempo do Use your illusion (I e II).
Este verão comprei outra t-shirt com uma caveira na frente. Esta diz "In Bloom". Eu li aquilo e pensei "Nirvana". Pergunto-me quantas miúdas terão aquela t-shirt no armário e nunca ouviram o "In Bloom".

(inspirado pela São João)

(Por falar em São João, Rui, vai ver o Febre dos Fenos que é genial.)

07 agosto 2013

Pára tudo!

O wordpress dá para fazer follow de blogues por email. E para enviar os posts novos por email com a frequência desejada (imediatamente, a uma certa hora, uma vez por semana).

Descobri um blog novo

(ó tempo que isto não me acontecia)

O blog em si não é novo, é novo para mim que não o conhecia. Estava na barra lateral da Wallis e suscitou-me curiosidade suficiente para ir espreitá-lo. Chama-se Um casulo com varanda, e vai já para o meu feeder. Enquanto não publica posts novos (publicou um hoje, não estou aqui a queixar-me de nada!), leiam os arquivos, como eu. É uma delícia.

05 agosto 2013

De mal a pior, e de mal a melhor

Primeiro acabam-me com o reader, depois vejo-me obrigada a mudar para o feedly (o que eu resisti!), agora o feedly vai passar a ter uma versão "pro", por uns meros 5 euros (ou dólares?) por mês. De onde se deduz que provavelmente a versão grátis vai passar a ter anúncios, e outras coisas que estragarão o serviço que nunca chegou aos calcanhares do reader. Será porventura a altura ideal para procurar outras maneiras de ler os feeds - contaram-me que há uns serviços que os enviam por email que talvez sejam interessantes, ou quiçá, programar um leitor de feeds (não estou com vontade nenhuma) levezinho comme il faut. Enfim, suponho que seja assim que o mundo ande para a frente, e que a tecnologia evolui, umas coisas acabam-se para dar lugar a outras, não necessariamente por esta ordem de consequências.
Assim como assim estamos em Agosto e a blogosfera está de molho, pelo que não há grandes riscos de perder posts geniais por causa da salgalhada tecnológica. Mais tarde ou mais cedo isto há-de-se compôr.

Já agora, descobri - provavelmente tarde e mal - a infopédia, dicionário da Porto Editora que além do significado da palavra em português dá logo sinónimos em outras cinco línguas. Um achado. Priberam, já eras.

16 julho 2013

Silly season

Passa-se o ano inteiro dentro de quatro paredes - casa, trabalho, casa, trabalho - vê-se televisão e revistas no cabeleireiro ou na sala de espera dos médicos, e acha-se que sim, estamos gordas, gordíssimas, ainda para mais sabendo que agora as revistas até usam o photoshop para engordar as modelos que fotografam que é para o comum dos mortais não declarar guerra aberta à magreza extrema. Há sempre qualquer coisa que está mal, que não é perfeita, porque os nossos corpos têm vontades próprias e não dependem só do que comemos (e comemos sempre mal), da quantidade de água que bebemos (é sempre pouca), do exercício que fazemos (nunca chega), e, em suma, porque não nos parecemos assim tanto como as modelos das revistas ou as mulheres que aparecem na televisão (ok, aqui há excepções, não exageremos que na televisão vai aparecendo de tudo um pouco).
Chega Abril, Maio, meses das dietas loucas em tudo quanto é jornal e revista, nunca estamos bem estejamos como estivermos, e quando me começo a lembrar da malta que (sobre)vive à custa de bebidas verdes que eu nem morta meteria nos lábios penso que prefiro ser como sou e comer o que como, a andar para aí a comer cenas que não lembram ao diabo para ficar um pau de virar tripas. A sério, eu como sopa se a houver, salada e legumes, mas não me tirem as batatas, o arroz, a carne, o marisco, os ovos, o leite, os iogurtes, o queijo, os doces, um ou mais deste grupo, não, não me tirem a comida de que eu gosto. Não sinto necessidade nenhuma de pesar 50 quilos, obrigada, e prefiro carregar dois ou três quilitos a mais do que deixar de comer as coisas que me põem um sorriso na cara. Posso não ser magra, mas sou feliz. Feliz com um frango de churrasco à frente (adoro), uma torta de ovos, um café com açúcar, uma sopa de agriões, um bacalhau com batatas e legumes cozidos.
Vindo o verão, a praia, nunca estamos suficientemente morenas, e depois ficamos morenas demais, mas pensamos por uns instantes nos quilitos a mais, até que se chega lá. À praia. A praia é democrática, dá para toda a gente. Gordos, magros, novos e velhos, gulosos e virtuosos. E está cheia de portugueses, com a mesma genética que eu. É como se de repente tivesse aberto uma revista viva, com gente de todos os tamanhos, uns mais bonitos, outros menos, uns de formas mais abonadas, outros menos, uns mais resistentes ao sol, outros menos. E só posso sentir-me bem na minha pele, que vai ficando dourada do sol. Está tudo lindamente, estou lindamente, e agora vou mas é dar um mergulho, que a água hoje está completamente calma pois quase não há ondas. Por cá não há baleias, somos todos golfinhos.

15 julho 2013

Uma mala Chanel

Estava na praia a pensar na vida - a praia é um sítio genial, mesmo no pico do Verão e cheia de gente, dá para fazer imensas coisas para as quais normalmente não se tem tempo ou disposição. Pensar na vida, por exemplo, dormir umas sonecas durante o dia (mesmo que haja meia dúzia de miúdos aos berros), descontrair, deixar-se ir. Observar pessoas, desde as famílias de pais e filhos ou avós e netos, adolescentes com os amigos, pares de namorados de todas as idades, e vendedores de tudo e mais alguma coisa. A bem-regressada bola de berlim com creme já marchou várias vezes - uma pessoa resiste ao primeiro vendedor que passa, resiste ao segundo, e quando passa o terceiro ou o quarto desiste, afinal já fez uma caminhada ou nadou um bom bocado no mar, aquela bolinha vem mesmo a calhar. E, desta vez, uma novidade para mim, reparo que há vendedores de malas Luis Vuiton. (Podia ir ver se escrevi bem ou mal, mas não interessa, pois é evidente que malas das verdadeiras, cujos preços são superiores a dois ou três salários mínimos, não se vendem na praia.)
Primeira questão que me ocorre - qual a velocidade a que o tipo consegue correr quando avistar a polícia. É que enquanto andam a vender óculos de sol de plástico, a questão é se têm licença para vender na praia, há-de ser uma coisa, quando começam a vender produtos contrafeitos, o problema já é outro, provavelmente mais grave.
Lembro-me da história da mala Chanel. No Inverno, na altura do Natal, até me podia parecer razoável, a ideia de ter uma mala cara, boa, que dure uma vida. Com certeza que haverá situações em que seja completamente apropriado usar uma carteira de óptima qualidade, bonita, apresentável.
No entanto, a meio de Julho, a ideia de gastar uma enormidade numa carteira parece-me incrível. Mesmo que me saísse o euromilhões, duvido que fosse capaz de gastar tanto dinheiro numa coisa deste género, por muitas qualidades que a carteira possa ter. De cada vez que olho para as malas Luis Vuiton do mercador ambulante penso: o original equivale a quinze dias de férias com a família. Ou um carro em segunda mão. E ainda, mas quem é que anda com uma coisa tão valiosa na rua? (Depois lembro-me de Cannes, mas isso é outro mundo.)

13 julho 2013

Halibut

(Isto também se poderia intitular "porque é que ninguém me avisou".)

O Halibut - pomada com óxido de zinco, para as assaduras das fraldas nos bebés entre outros usos possíveis - cheira a peixe. Se calhar é daí que lhe vem o nome, embora o peixe que vem indicado nos ingredientes seja o bacalhau (óleo de fígado do dito) e não halibute.

(Se eu soubesse isto, não o tinha comprado.)

11 julho 2013

Conselho para a vida

Homem, indiano:
"I should have married the woman of my parents' dreams" (devia ter casado com a mulher dos sonhos dos meus pais)
- The best exotic Marigold hotel


Muito bom.

Estão verdes

Anda para aí um rapaz que tem uma mota Triumph, preta, linda que só ela. Pneus largos, mota larga, assento bem baixinho. Estava eu a passar e a babar com a mota, sai-me um "que mota tão gira, mas não dava para mim, parece-me mais pesada que a minha, de certeza que a deixava cair". O rapaz riu-se. Eu também me riria, se não tivesse mesmo deixado a minha mota cair duas vezes, duas, ambas as vezes  da posição de parada. Isto contado ninguém acredita, como me falhou o balanço e deixei a mota cair em câmara lenta, duas vezes. Duas. Uma para a esquerda, outra para a direita, para equilibrar. Entretanto mandei baixar o assento e não me voltou a acontecer, mas já passou imenso tempo e ainda me dói. Tadinha da mota, ainda tem uns riscos para que eu não me esqueça.