10 julho 2013

Raios

Sai uma pessoa da praia a horas recomendáveis, pouco depois do meio dia, para apanhar um escaldão logo a seguir. E como é que isto sucede, perguntam vocês, e como é que eu sei que não foi mas é na praia? Ora, no caminho a pé para casa (5 minutos, senhores!) parei para comprar laranjas. Parei, à sombra, uns minutinhos para comprar laranjas na rua (laranjas portuguesas, que o continente só estava a vender laranjas estrangeiras e eu acho mal e portanto não comprei), e quando cheguei a casa estava um bocadito vermelha no nariz. Pensava eu que era só o nariz, até que virei alvo de chacota por causa das minhas costas e frente. E eu pensei, raios, pus protector mas depois fui à água e tramei-me, deve ter saído e nem dei por nada, mas depois vi-me ao espelho, e o que é facto é que tenho a bela da marca do biquini e da t-shirt. Como não uso t-shirt na praia, concluo que aqueles 5 minutos a pé depois da praia da manhã são a parte mais perigosa do dia todo. A partir de hoje saio da praia a tempo de chegar a casa ao meio dia. Já não tenho idade para apanhar escaldões - que é nunca, mas sabem como era antigamente, quando não havia propriamente protector solar, nesses tempos apanhei realmente uns escaldões que nem quero que me lembre. Hoje fiquei um nadinha vermelha, amanhã quando acordar não vai ser nada, mas era escusado, fica-me de emenda.

09 julho 2013

Azul, azul e mais azul


O Inverno foi duro e cinzento, a primavera praticamente não existiu, o verão, para mim, começa agora. Faz-me falta o azul quando não o há por muito tempo.

07 julho 2013

E faz-se luz

Os meus pais andam a aprender inglês. Usam um programa de computador que lhes mostra coisas e vai dizendo as palavras que estão escritas no écran. Eu acho a ideia de uns velhotes com mais de 60 anos cada um andarem a aprender inglês absolutamente deliciosa. São uns queridos os meus pais. As coisas que eles fazem por causa das escolhas das filhas. Mas uma coisa é a ideia, outra coisa é a prática. Isto de aprender línguas, ainda para mais numa idade avançada (mais de 18 anos, diria eu ;)) não é nada fácil. E usando um programa de computador, em vez de ter aulas com um professor, poderá não ser a melhor ideia... ou talvez a dificuldade seja o facto de haver tantas maneiras de falar inglês correctas - porque em cada país de língua oficial inglesa, há vários sotaques regionais, e não se pode, na minha opinião, dizer que algum deles é "errado".
Estava eu a apreciar os meus pais na sua aula de inglês - e eles tão orgulhosos dos seus progressos (e eu deles) , quando comecei a ter dificuldade em entender o que estava a ser dito, no computador.
"Put the lettuce in the right order", entendi eu, mas afinal era "put the letters in the right order". Sim, porque é que alguém diria para ordenar a alface, eu também não estava a perceber o sentido. A minha mãe insistia que o meu pai dizia "sex" em vez de "six", e, ouvindo o programa, aquilo não era bem "six" que dizia... Mais uns exemplos, e fez-se luz. Pai, mãe, sois os maiores.


I've been so sad
Since you said my accent was bad
He's wearin' a frown
This Caledonian clown

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

Some days I stand
On your green and pleasant land
How dare I show face
When my diction is such a disgrace

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

You say that if I want to get ahead
The language I use should be left for dead
It doesn't please your ear
And though you tell it like a leg-pull
It seems you're still full of John Bull
You just refuse to hear

Oh what can I do
To be understood by you
Perhaps for some money
I could talk like a bee dripping honey.

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

You say that if I want to get ahead
The language I use should be left for dead
It doesn't please your ear
And though you tell it like a leg-pull
I think you're still full of John Bull
You just refuse to hear

06 julho 2013

04 julho 2013

Taxar as impressoras

Estou pasmada com esta notícia do DN (impressoras podem ser tributadas para direitos de autor). (press release aqui)

Tenho uma impressora em casa, ligada ao meu computador. Imprimo meia dúzia de folhas por ano, normalmente cartas oficiais, por exemplo para a seguradora, documentos privados criados em word ou excel por mim, e ocasionalmente bilhetes de avião. Pensando bem, o único documento que habitualmente imprimo e do qual não detenho o direito de autor é o ocasional bilhete de avião. No entanto não é esse tipo de documento que está em questão.

O tribunal europeu de justiça, na sequência de julgamentos em tribunais alemães, decidiu que os Estados membros poderão impôr taxas de direitos de autor sobre as impressoras ligadas a um computador. Cabe aos Estados decidir como e quanto, e se haverá excepções.
Em conversa com a jonasnuts no twitter, percebo que a ideia, em Portugal, é que muita gente fotocopia livros e como tal faria sentido cobrar direitos de autor sobre as impressoras. No entanto, tenho que argumentar que, se é essa a razão, então apenas se deveria taxar as fotocopiadoras industriais. Ninguém imprime em casa um livro, sai muitíssimo mais caro que fotocopiar e demora imenso tempo. Além do mais há na net serviços de impressão de pdf em formato livro que cobram pouquíssimo, comparando com o custo de impressão doméstico. 
O artigo fala em "imprimir uma página" como violação de direitos de autor. Penso que isto é um argumento falacioso, e que imprimir uma única página até poderá não infringir nenhum direito de autor, dependendo do documento em causa.
Não gosto de ser tratada como criminosa à partida, e ainda menos de ser tratada como criminosa independentemente de haver ou não provas de que não cometi o crime. Nem sequer se assume que somos inocentes até ser provada a culpa, qualquer pessoa que compre uma impressora é imediatamente culpado independentemente de nunca vir a ofender o direito de autor de ninguém.

E já agora, quem é que me vai pagar a minha parte dos direitos de autor, já que alguém (eu e outros) com toda a certeza irão imprimir documentos cujo direito de autor me pertence?

01 julho 2013

Um dia de sol na Baviera

Sentada a ver o mundo passar, a apanhar sol, deparo-me com esta cena. Um velhote a fumar na soleira da porta de um edifício com ar antigo, tectos muito altos, janelas enormes. Ao  lado da porta, um sinal indicativo das empresas que ali funcionam, mais os médicos de medicina interna. Acho sempre estranho ver pessoas a fumar à porta dos edifícios onde funcionam estabelecimentos de saúde.
Mais uns minutos, aparece um rapaz. Só o vi por trás,  e não estava nada à espera do que vi. Sabem daquela "moda" de andar com as calças no fundo do rabo? Normalmente as calças a cair vêm acompanhadas de boxers compridos por dentro. Estas tinham em falta esse componente essencial, pelo que fui brindada com uma tira de rabo tão larga que até se notava o redondo. E pronto, a minha mente de miúda de 15 anos achou que isto tinha que ser partilhado. Agora riam-se comigo. Acrescento que enquanto o rapaz passou em frente ao velhote, entrou pela porta do edifício e subiu as escadas interiores, o velhote ficou a segui-lo com o olhar o tempo todo. Portanto não sou só eu a depravada. Pronto, está bem, sou, o velhote olhava com um olhar altamente reprovador, mas no fundo se calhar até estava a admirar a paisagem, mas é...

30 junho 2013

Uma pessoa pensa que quando for mesmo crescida é que vai ser

Mas a idade não muda nada.
Andei a procrastinar o fim de semana todo. Aposto que lá para a meia-noite é que me vai dar para fazer o que tive mais de 48 horas para fazer.
Enquanto e não...vou fingindo que já comecei. Não sei a quem estou a tentar enganar.

28 junho 2013

Arco-íris

Escreve como se transcrevesse o discurso falado, cheio de entusiasmo impossível de encobrir. Escreve para os senhores cinzentos, de fatos cinzentos, que falam num tom de voz baixo e pausado, devagar, quase em silêncio, sem grandes emoções.
Pergunta-se se algum dia poderá tornar-se assim, grave e cinzenta, ou se o entusiasmo transbordante será suficientemente contagioso.
Cinzento, ou de todas as cores.
Números ou só palavras.

Escolhe a versão colorida. Não se pode fugir ao que se é. A escolha de cortar bocados para encaixar na reentrância não faz sentido. Decide conscientemente distribuir a energia que tem. Será pelo melhor.

25 junho 2013

A evolução do correio electrónico

Na linha do post anterior:

chatos
melgas
mosquitos
insectos irritates e/ou repelentes

por muito que tenham evoluído, ao ponto de serem capazes de enviar emails, estão destinados ao mata-moscas, melgas e mosquitos, que é o filtro do correio electrónico. "Enviar emails deste remetente directamente para a caixa de SPAM". Dois simples passos. Uns segundos perdidos. A qualidade de vida a aumentar rapidamente.

Isto, para os chatos conhecidos. Socialmente evito-os, e agora, electronicamente, morreram.
O nosso amigo MR, que já morreu, é que nos ensinou o truque há já muitos anos. Lixo electrónico vai para o caixote do lixo electrónico. A vida é curta (e a dele, foi), não se pode perder tempo com irritações que não valem nadinha.

24 junho 2013

Se eu fosse um animal

(da série blogosférica: perguntas parvas)

Se eu fosse um animal, seria:

Uma chita, porque corre muito depressa. Fiz mais de dois mil quilómetros no fim de semana e foi o máximo.

Um gato. Adoro dormir sestas ao sol, ou ao quentinho da lareira. Adoro sestas, em geral.

Uma formiga. Uma vez vi uma TED talk sobre formigas que me mudou a vida. As formigas vivem em colónias organizadas, mas metade delas não faz nadinha. Eu tanto sou uma das formigas trabalhadoras como uma das formigas que não fazem nada, quando posso. E o melhor de se dizer que "se eu fosse um animal, seria uma formiga", é que imediatamente as pessoas associam a qualidade de"trabalhadora". As outras formigas da colónia dormem à sombra da bananeira, mas ninguém liga. Toda a fama de se trabalhar, e todo o proveito de descansar. Maravilha.

Uma gaivota. As gaivotas voam, e vivem à beira-mar. Eu adorava viver à beira-mar, e voar era um bónus genial. Sempre poupava em viagens de avião.

Uma vaca. Daquelas que vivem no Alentejo, num monte com vista para o mar. Gostava de ser uma vaca, mas não uma vaca qualquer. Eu gosto do Alentejo, e adoro o mar, repito.

Um bicho carpinteiro. Apesar de os bichos carpinteiros não serem realmente animais de carne e osso, são do melhor para por a miudagem a mexer (e não só). Imaginem a energia de um bicho carpinteiro comparada com aquelas pilhas que duram e duram ;). Às vezes sou como um bicho carpinteiro.

Uma foca. As focas são curiosas acerca dos humanos, e aparentam ser amigáveis. Eu também gosto de observar pessoas, e regra geral sou simpática.

Um ouriço. Por vezes é necessário ter espinhos para se sobreviver.

Uma cegonha. As cegonhas são aves migratórias, que ano após ano, regressam sempre ao mesmo ninho. Também tenho os meus ninhos a que regresso a cada estação.

Um elefante. Porque há coisas que nunca esqueço. Podiam ser mais, não me importava. E aquela tromba deve dar jeito, principalmente no verão, a fazer de mangueira.

Um salmão. Também vou contra a corrente, por vezes

Um camelo.  Era capaz de passar dias sem beber água.

E o melhor de todos, é mesmo aquilo que sou, um ser humano com uma multitude de características, e a melhor de todas, o raciocínio. Que serve para tudo e mais alguma coisa, incluindo escrever posts parvos.

13 junho 2013





O mundo pode ruir à minha volta, que ainda assim o universo se organiza para que a minha vida leve um empurrão para cima, e com carácter de urgência. Em meu redor pode haver nuvens, onde eu estiver, o sol brilha.





09 junho 2013

Na terra das salsichas

Finalmente abri o paio que a minha mãe me mandou no Natal. Quer dizer, eu pensava que era paio, mas a etiqueta dizia salpicão. De Miranda. Era uma maravilha, tinha pouquíssimas partes brancas (também conhecidas por gorduras), durou uns instantes. Dei numa de boa samaritana, partilhei com os amigos, que teceram louvores à minha mãe e trataram de pedir que encomendasse mais. Podia abrir um import-export, os meus amigos não podem provar nada que venha de Portugal, querem logo que traga mais... :-)

Tivemos um dia de verão

Foi bom, pois foi, mas esqueci-me da máquina para registar o evento. Não se pode ter tudo (mas pode-se tentar).

08 junho 2013

Aqui não há feira do livro

Livros? Aquelas cenas que servem para equilibrar um móvel com uma perna curta, fazer fogueiras quando está frio, atirar a alguém que nos esteja a chatear muito, treinar andar muito direitinha, pisa-papeis de emergência, travão para portas, empilhados fazem de mesas improvisadas, pode-se secar folhas ou pétalas de flores dentro deles. Ocupar espaço nas estantes que de outra forma estariam vazias, base para copos ou para outros objectos, fazer peso. Trazer areia da praia. Guardar recibos, postais ou cartas. Isolamento.
Aposto que o McGyver teria muitas outras ideias de como usar um livro.

30 maio 2013

E agora, um pouco de história

Milhentos anos depois de terminar o curso, a dúvida:

Aquele professor que deixava o pessoal levar o que quisesse para o exame de cruzinhas (álgebra 1, os exercícios practicamente não tinham números, era tudo letras, o que para uma cadeira de matemática, é obra), será que ainda faz exames de consulta? Na altura, até o portátil podíamos levar, se tivéssemos um (só um cromo é que levou, na antiguidade os portáteis eram coisas muito caras e muito pouca gente tinha). Além do mais, nem que levássemos um, não saberíamos o que fazer com ele, pelo menos a maioria de nós. Naqueles tempos, os idos de  mil novecentos e troca o passo, ainda nem telemóveis havia (pelo menos dos que coubessem no bolso), e a coca-cola distribuiu pagers pela miudagem - eram uma coisa praticamente inútil mas todos tínhamos um, para o style. Mas o que não havia na altura, e agora há, é a possibilidade de terminar o exame e mandar um SMS com o resultado ao amigo na mesma sala, sem ninguém dar por nada.
Será que o professor ainda faz testes de consulta? E, se sim, que consulta será permitida?

Isto pode parecer algo desprovido de qualquer importância, à primeira vista. No entanto, para aquelas noites em que tenho sonhos-pesadelos em que volto a ter que fazer exames que já passei na pré-história, esta informação dava jeito.  É que da primeira vez não foi nada fácil, imaginem agora, tanto tempo depois, sem ter ido às aulas.
(A minha vida não é fácil, nem quando estou a dormir.)

(Estive a "ajudar" o rapaz com química pré-universitária, tem exame amanhã. Não sei nadinha daquilo. E eu tive química até ao 12º ano, e mais uma cadeira na faculdade, e era mesmo boa naquilo. Prevejo noites e noites sem dormir. Bem, sem dormir bem.)

29 maio 2013

Falso alarme

Alarme de incêndio num edifício público: toda a gente abandona o edifício.
Alarme de incêndio em casa: como é que se desliga essa porcaria? Abana um jornal por baixo do sensor a ver se passa. E tudo continua sentado como se nada se passasse.

26 maio 2013

Um caso escocês

De cada vez que cá venho, o tempo fica bom. Dizem que na Escócia está sempre a chover, que faz frio, que é meteorologicamente horrível. Não tenho visto nada disso. Não é Portugal, pois não, mas em Portugal o sol não se põe às dez da noite por estes dias. Podia dizer que este país faz tudo o que pode para me conquistar.



24 maio 2013

Curtas de férias II

Uma das coisas que mais me faz falta em férias é uma caneca do tamanho certo. Canecas há muitas, é verdade, mas eu habituei-me a beber uma certa quantidade de bebidas quentes (café, leite, chá) e se me trocam as canecas fica-me sempre a faltar um bocadinho. As canecas que apanho nos sítios onde tenho passado férias são, cada vez mais, canecas com 200ml de capacidade. 20cl. 5 canecas por litro de leite.
Tenho de me lembrar de meter uma caneca certa na mala de viagem para destinos onde não sei o que me vai calhar em termos de canecas. Há poucas coisas que me façam grande falta. Uma caneca de 330ml traz os meus pequenos almoços e lanches mais próximos da perfeição.

23 maio 2013

Curtas de férias I

Há um caminho longo e um caminho curto para a praia. O caminho curto atravessa ruas residenciais, a zona comercial, a estrada, e vai finalmente dar ao porto, que fica entre as praias. O caminho longo dá directamente para o campo. Atravessa pontes e tem vista sobre o mar desde o princípio ao fim. Descendo o monte, o caminho ladeado por árvores cheira maravilhosamente. Insectos gigantes da família dos mosquitos e melgas ameaçam atacar a cada instante. Agradeço mentalmente o facto de não estar calor e ter trazido casaco (e o cabelo comprido a tapar o pescoço e orelhas), e ando o mais depressa que posso até  chegar ao campo de golfe. Free at last, acabou-se a mosquitada. O golfe está  cheio de gente, pelo que não me atrevo a cortar caminho. Mais umas centenas de metros, e chegamos à praia. Quase deserta, como convém. Várias obras de engenharia civil depois, a barriga começa a dar horas. O regresso faz-se pelo caminho curto. Tão cedo não quero voltar a ver mosquitos gigantes.

17 maio 2013

O meu BILF

 Ah, pois, passei o dia todo a pensar nisto, e só quando fui ao meu feeder é que me lembrei.
José Bandeira. Já escreveu mais. Inteligente, culto até mais não, tira fotografias que obrigam a pensar, e desenha cartoons com humor e certeiros. Com um sentido de humor apurado, um contador de histórias que me prendem a atenção de cada vez que que as leio. E releio. E por ser tão diferente de mim, e tão interessante nessas diferenças, tem-me vindo a cativar ao longo dos anos. E ainda para mais seguia-o numa rede qualquer onde o avatar era a foto abaixo. Barba giríssima, um guitarra na mão, a preto e branco, um retrato sexy.
Tenho paixonetas assim por homens inteligentes capazes de uma boa e longa conversa. E a inteligência é a característica que mais me atrai num homem, logo seguida do sentido de humor. José Bandeira, do Bandeira ao Vento. Um senhor BILF.