Há uns dias fui jogar futebol com as miúdas, como fazemos quase todas as semanas. O entusiasmo do costume, golos, corridas mais rápidas e outras mais lentas, agora troca que eu vou 'a baliza um bocado, a diversão de sempre.
Isto das miúdas e' uma figura de estilo, sou eu a esquecer-me que somos grandes e temos empregos sérios, e algumas de nos também têm filhos e tudo. Umas velhas, portanto, a jogar futebol como se tivessem 6 anos. 10 anos, vá.
Andava eu toda contente por ali e deixei o entusiasmo levar a melhor. Veio uma bola mais alta e eu achei que tinha que saltar para lhe dar uma cabeçada antes que a adversária mais perto la' chegasse, que ela ate' era mais alta que eu e tudo. Ao tentar saltar o mais alto possivel, algo no meu joelho estalou. Não bati em nada nem em ninguém, mas ao saltar algo, provavelmente um ligamento, achou que aquilo era esforço a mais e fez um barulho esquisito. Ao cair, coloquei todo o meu peso na outra perna, a ver se não piorava a coisa. Não doía, mas não consegui apoiar-me naquela perna durante meia hora. Entretanto o joelho inchou um bocadinho, e' como se tivesse algum liquido ao lado da rotula e também um pouco na parte de trás do joelho. Já não ando a coxear, mas ainda não consigo correr, que o joelho ainda não aguenta certo tipo de movimentos. 30 anos a jogar futebol e nunca tinha tido um acidente que fosse. Tirando aquela entorse há uns 12 anos.
E o pior e' que nem cheguei à bola.
23 novembro 2012
19 novembro 2012
Dorie às Sextas
(sim, eu sei, mais uma pausa)
Isto aqui é só para não me esquecer, porque de futuro posso vir a precisar. Ora onde é que eu vi as pastilhas de chocolate amargo (e também havia de outros tipos)? Foi na Hussel. Quando me der para fazer a receita desta semana, porque eu gosto muito de doces, fazê-los e comê-los, já sei onde é que posso ir buscar este ingrediente. Merengue de chocolate e farinha de amêndoa, já estou a suspirar... :-)
[o meu eu futuro agradece]
Isto aqui é só para não me esquecer, porque de futuro posso vir a precisar. Ora onde é que eu vi as pastilhas de chocolate amargo (e também havia de outros tipos)? Foi na Hussel. Quando me der para fazer a receita desta semana, porque eu gosto muito de doces, fazê-los e comê-los, já sei onde é que posso ir buscar este ingrediente. Merengue de chocolate e farinha de amêndoa, já estou a suspirar... :-)
[o meu eu futuro agradece]
10 anos...
Calhou ver uns excertos da sic notícias. No écran, o Pacheco Pereira. Depois, o Marcelo. Envelheceram 10 anos desde a última vez que os vi. É natural, provavelmente já não os via há 10 anos. Por outro lado, é surpreendente, como é que isto aconteceu tão depressa. Puxa, o pior ainda é que eu própria envelheci 10 anos nos últimos 10 anos. Ainda agora era uma miúda. A maior parte do tempo esqueço-me que já não sou.
O tempo é o que fazemos dele
Quanto mais coisas tenho para fazer, maior é a quantidade de pausas que faço. Quanto mais interrupções voluntárias e meio do que ando a fazer, mais coisas saem feitas ao fim do dia. Por esta ordem de ideias, devia fazer pausas de 5 em 5 minutos... O céu é o limite.
12 novembro 2012
O velho e o burro
Isto de ir ao facebook tem consequências. No caso, tanta gente a falar do vídeo do professor Marcelo, que lá tive que ir ver do que se estava a falar. Não vou dizer nada em relação ao vídeo, que acho que fala por si. No entanto, as imagens recordaram-me de outra coisa. Há uns 8 ou 9 anos atrás, apareceu-me nas mãos um livro alemão que pretendia ensinar a língua de Camões neste país. Se bem me recordo era da Langenscheidt, uma das maiores editoras de cá. Na capa tinha uma imagem de um burro e um velho, com certeza tirada em Portugal quando ainda havia burros. Lembro-me de conversas por causa dessa imagem, pois muitos alemães associavam a Portugal um atraso que não tínhamos, porque pura e simplesmente não conheciam o país. Alguns pensavam que nem estradas decentes tínhamos (e nessa altura já o país tinha sido atravessado em todos os sentidos por autoestradas e IPs pagos em grande parte pela CEE).
Sinceramente, não me parece que factos (como os feriados, na Baviera 13) e imagens (como um dos meus sítios favoritos no meio dos "meus" montes em Portugal, pespegado em outdoors na cidade de Munique) façam alguma diferença. Não é por aí. Mas é triste que não haja uma cabeça capaz de desenvolver um argumento sólido, que não haja um governo capaz de por em primeiro lugar, sempre, o interesse da Nação. O que é que esta malta aprendeu, e onde, pergunto-me, que não tem capacidade para fazer melhor.
Sinceramente, não me parece que factos (como os feriados, na Baviera 13) e imagens (como um dos meus sítios favoritos no meio dos "meus" montes em Portugal, pespegado em outdoors na cidade de Munique) façam alguma diferença. Não é por aí. Mas é triste que não haja uma cabeça capaz de desenvolver um argumento sólido, que não haja um governo capaz de por em primeiro lugar, sempre, o interesse da Nação. O que é que esta malta aprendeu, e onde, pergunto-me, que não tem capacidade para fazer melhor.
11 novembro 2012
To chocolate cake or not to chocolate cake...
Tenho andado a adiar escrever porque queria meter aqui uma foto, mas entretanto a foto não vem cá parar sozinha e eu tenho muita preguiça para ir buscar a maquina, tirar o cartão de memoria, copiar para o computador, dar um jeitinho na imagem, e postar, finalmente, a dita. E como já lá vai uma semana, concluo que isto e' uma das tarefas que vai ficar para dia de S. Nunca ao fim da tarde, que esse dia e' que vai ser o mais produtivo da vida inteira.
Entretanto a minha atencao virou-se para este bolo de chocolate (Chocolate blackout cake), e por muito que gostasse de poder adiar o teste, vai ter que ser hoje. Já so' penso em bolo de chocolate com creme de chocolate e po' de bolachas de chocolate por cima, e isso nao e' saudável (eheheh). A vantagem de hoje ser domingo e' que há tempo para o fazer (ontem certifiquei-me de que havia todos os ingredientes, que hoje não posso ir a correr ate' 'a loja, quer dizer, poder posso mas só se quiser bater com o nariz na porta), e, por outro lado, como amanha e' segunda posso sempre levar as sobras para os colegas de trabalho, que nao se cansam de se voluntariar para estas minhas experiencias. Posso sempre fingir que estou a celebrar 10 anos de Alemanha, 10 anos deste emprego, 10 anos a aturar alguns malucos e 10 anos em que fiz alguns bons amigos. A verdade e' que hoje só consigo pensar em fazer este bolo de chocolate, e as reflexoes dos tais 10 anos, que e' tanto, mas tanto tempo, ficarao para outro dia. Hoje e' um dia de outono chuvoso, cheio de nuvens, perfeito para bolo de chocolate e lareira. First things first.
Entretanto a minha atencao virou-se para este bolo de chocolate (Chocolate blackout cake), e por muito que gostasse de poder adiar o teste, vai ter que ser hoje. Já so' penso em bolo de chocolate com creme de chocolate e po' de bolachas de chocolate por cima, e isso nao e' saudável (eheheh). A vantagem de hoje ser domingo e' que há tempo para o fazer (ontem certifiquei-me de que havia todos os ingredientes, que hoje não posso ir a correr ate' 'a loja, quer dizer, poder posso mas só se quiser bater com o nariz na porta), e, por outro lado, como amanha e' segunda posso sempre levar as sobras para os colegas de trabalho, que nao se cansam de se voluntariar para estas minhas experiencias. Posso sempre fingir que estou a celebrar 10 anos de Alemanha, 10 anos deste emprego, 10 anos a aturar alguns malucos e 10 anos em que fiz alguns bons amigos. A verdade e' que hoje só consigo pensar em fazer este bolo de chocolate, e as reflexoes dos tais 10 anos, que e' tanto, mas tanto tempo, ficarao para outro dia. Hoje e' um dia de outono chuvoso, cheio de nuvens, perfeito para bolo de chocolate e lareira. First things first.
02 novembro 2012
Postal de Edimburgo
Os escoceses têm sobremesas geniais. Ainda não entrei num restaurante que não tivesse pelo menos uma sobremesa de chocolate com chocolate e mais chocolate. Tipicamente bolo de chocolate com creme de chocolate e molho de chocolate, por vezes acompanhado de gelado de baunilha ou outras coisas. E um morango para enfeitar.
A cidade e' muito bonita. E' como de fosse feita de castelos e mais castelos, encostados uns aos outros. Há casas e mais casas com torreões e muitos outros detalhes arquitectónicos. Eu que nem ligo a estas coisas, acho delicioso.
Os edifícios, pelo menos no centro, têm todos ar de terem vários séculos. Por dentro podem ter sido modernizados ate' quase parecerem edifícios de outra cidade europeia qualquer, mas depois chega-se a um recanto e lá estão as escadas de madeira antigas, vitrais como já não se fazem, painéis de madeira nas paredes com reentrâncias tipo janelas, entalhes e outros elementos. E isto pode ser dentro de uma loja, um café ou um restaurante. A cidade foi construida em vários níveis/andares, e isso aparece em aspectos como pontes no meio de uma rua que de um lado têm um jardim dois níveis abaixo, e do outro a rua continua normalmente, mas uns metros à frente, do outro lado da rua onde deveria haver mais casas há um buraco onde se vê uma descida de outra rua diversos níveis abaixo. Estive num restaurante que funciona em quatro pisos, em que tanto o piso mais alto como o piso mais baixo têm acesso ao nível da rua... duas ruas diferentes, claro. Como a casa de banho era num andar intermédio, havia pessoas meias perdidas que já não sabiam para que andar voltar.
Na zona residencial, as casas são impressionantes. Um pé direito que nunca mais acaba, janelas imponentes, fachada de pedra. Lindas. Alinhadas nas ruas largas, a pedra clara ao sol ou 'a chuva, muito arrumadinhas, bonitas, limpinhas. Idílico.
Há autocarros de dois andares. Para os turistas servem um duplo propósito, enquanto nos levam de um lado para o outro aproveitamos para ver a cidade de um ponto mais elevado.
No centro há imensas lojas de kilts para turistas, com gaitas de foles eletrónicas a tocar 'a porta. Além de kilts baratos vendem todo o tipo de souvenirs. O mais interessante e' que se conseguem encontrar coisas diferentes das lojas de recuerdos do resto do mundo (já alguem reparou que aqueles moinhos de porcelana que vendem na Madeira sao os mesmos que vendem na Holanda?).
Há whisky rooms (bares de whisky), restaurantes de todo o tipo de cozinha, pela rua vêem-se homens de kilt que andam na vida deles, para alem dos que o usam por necessidade profissional.
Ainda não me sentei no Elephant House, local famoso por ter sido onde pelo menos parte do Harry foi escrito, embora tenha passado 'a porta diversas vezes. Mas esta' sempre apinhado, e eu não tenho paciência para esperar. O italiano do outro lado da rua serve um café decente, e é ligeiramente mais fácil encontrar lugar para sentar.
A biblioteca publica (da cidade) e' um must. Madeira castanha escura, secretarias antigas e respectivas cadeiras, wi-fi, estantes de madeira escura cheias de livros de tudo e mais alguma coisa. Computadores, algumas cadeiras confortaveis, tectos muito altos. Do outro lado da rua, encontra-se a biblioteca nacional. Menos interessante se o que procuras e' wi-fi. ;)
Muitos museus. Um deles anuncia que a entrada e' grátis, bem como as visitas guiadas. O paraíso para turistas com pouco dinheiro.
Um grande cinema com ar de centro comercial colocou um anuncio gigante nos vidros exteriores. Não me recordo o que e' que estão a promover, embora tenha estado em frente diversas vezes, mas tem 4 rapazes da equipa de rugby escocesa em tronco nu em tamanho gigante. Seja o que for que estejam a publicitar, e' um belo anúncio. Podiam usa'-lo para promover o país pelo mundo inteiro.
O transito e' engraçado. As pessoas atravessam a rua quando o sinal para os peões esta' vermelho, e' as vezes parece que ficam perigosamente perto de serem atropeladas.
Os supermercados são muito grandes, e o modelo de vendas funciona muito 'a base do leve dois pague um, e coisas semelhantes. Ontem comprei duas coisas para oferecer, e tive que trazer uma terceira, pois o terceiro produto seria grátis. Não se preocupem, não se estraga nada :).
Amanha e' dia de danças escocesas. Vou a uma Kaylee (Ceilid).Vou tentar não me distrair muito com os kilts a esvoaçar enquanto aquela malta dança (hihihi).
A cidade e' muito bonita. E' como de fosse feita de castelos e mais castelos, encostados uns aos outros. Há casas e mais casas com torreões e muitos outros detalhes arquitectónicos. Eu que nem ligo a estas coisas, acho delicioso.
Os edifícios, pelo menos no centro, têm todos ar de terem vários séculos. Por dentro podem ter sido modernizados ate' quase parecerem edifícios de outra cidade europeia qualquer, mas depois chega-se a um recanto e lá estão as escadas de madeira antigas, vitrais como já não se fazem, painéis de madeira nas paredes com reentrâncias tipo janelas, entalhes e outros elementos. E isto pode ser dentro de uma loja, um café ou um restaurante. A cidade foi construida em vários níveis/andares, e isso aparece em aspectos como pontes no meio de uma rua que de um lado têm um jardim dois níveis abaixo, e do outro a rua continua normalmente, mas uns metros à frente, do outro lado da rua onde deveria haver mais casas há um buraco onde se vê uma descida de outra rua diversos níveis abaixo. Estive num restaurante que funciona em quatro pisos, em que tanto o piso mais alto como o piso mais baixo têm acesso ao nível da rua... duas ruas diferentes, claro. Como a casa de banho era num andar intermédio, havia pessoas meias perdidas que já não sabiam para que andar voltar.
Na zona residencial, as casas são impressionantes. Um pé direito que nunca mais acaba, janelas imponentes, fachada de pedra. Lindas. Alinhadas nas ruas largas, a pedra clara ao sol ou 'a chuva, muito arrumadinhas, bonitas, limpinhas. Idílico.
Há autocarros de dois andares. Para os turistas servem um duplo propósito, enquanto nos levam de um lado para o outro aproveitamos para ver a cidade de um ponto mais elevado.
No centro há imensas lojas de kilts para turistas, com gaitas de foles eletrónicas a tocar 'a porta. Além de kilts baratos vendem todo o tipo de souvenirs. O mais interessante e' que se conseguem encontrar coisas diferentes das lojas de recuerdos do resto do mundo (já alguem reparou que aqueles moinhos de porcelana que vendem na Madeira sao os mesmos que vendem na Holanda?).
Há whisky rooms (bares de whisky), restaurantes de todo o tipo de cozinha, pela rua vêem-se homens de kilt que andam na vida deles, para alem dos que o usam por necessidade profissional.
Ainda não me sentei no Elephant House, local famoso por ter sido onde pelo menos parte do Harry foi escrito, embora tenha passado 'a porta diversas vezes. Mas esta' sempre apinhado, e eu não tenho paciência para esperar. O italiano do outro lado da rua serve um café decente, e é ligeiramente mais fácil encontrar lugar para sentar.
A biblioteca publica (da cidade) e' um must. Madeira castanha escura, secretarias antigas e respectivas cadeiras, wi-fi, estantes de madeira escura cheias de livros de tudo e mais alguma coisa. Computadores, algumas cadeiras confortaveis, tectos muito altos. Do outro lado da rua, encontra-se a biblioteca nacional. Menos interessante se o que procuras e' wi-fi. ;)
Muitos museus. Um deles anuncia que a entrada e' grátis, bem como as visitas guiadas. O paraíso para turistas com pouco dinheiro.
Um grande cinema com ar de centro comercial colocou um anuncio gigante nos vidros exteriores. Não me recordo o que e' que estão a promover, embora tenha estado em frente diversas vezes, mas tem 4 rapazes da equipa de rugby escocesa em tronco nu em tamanho gigante. Seja o que for que estejam a publicitar, e' um belo anúncio. Podiam usa'-lo para promover o país pelo mundo inteiro.
O transito e' engraçado. As pessoas atravessam a rua quando o sinal para os peões esta' vermelho, e' as vezes parece que ficam perigosamente perto de serem atropeladas.
Os supermercados são muito grandes, e o modelo de vendas funciona muito 'a base do leve dois pague um, e coisas semelhantes. Ontem comprei duas coisas para oferecer, e tive que trazer uma terceira, pois o terceiro produto seria grátis. Não se preocupem, não se estraga nada :).
Amanha e' dia de danças escocesas. Vou a uma Kaylee (Ceilid).Vou tentar não me distrair muito com os kilts a esvoaçar enquanto aquela malta dança (hihihi).
28 outubro 2012
Digo isto todas as vezes que uso o youtube
Isto (o youtube) já passava a ser um serviço subscrito, eventualmente pago ou a viver à custa de publicidade, em que o copyright não seria um issue. De cada vez que tento ver um vídeo que alguém linkou e tem uma musica qualquer, 90% das vezes diz-me que não, que na Alemanha o detentor do copyright não deixa. Youtube sucks big time. Dêem lá a volta a isso, que como está não é progresso, é regresso ao passado. Queremos viver no futuro!
Depois do Outono, vem o Inverno
Umas vezes mais tarde, outras vezes mais cedo. Desta vez, veio cedo.
Ontem acordei com chuva. Virei-me para o outro lado e continuei a dormir. Hoje acordei e estava uma claridade fora do comum. Espreitei pela janela e vi isto. Tudo branco. Pensei "bolas, vou ter que limpar o passeio", virei-me para o lado e continuei a dormir. Isto é o que faz a diferença entre um emigrante recente e um emigrante que já cá está há tanto tempo que, apesar de continuar a não ser um nativo, já faz parte da mobília. Alguém que tenha vindo mais recentemente vê neve e alegra-se. Alegra-se apenas. A neve em Portugal é algo relativamente raro. Quando neva, pára tudo. Aqui não. A neve pode abafar os sons, pode haver um pouco menos de gente nas ruas, mas a vida continua como se não fosse nada. E passada a fase inicial do branco bonito, a cidade que se cobriu de branco torna-se suja, a neve torna-se castanha ou preta, suja, molhada, incomodativa.
Ontem acordei com chuva. Virei-me para o outro lado e continuei a dormir. Hoje acordei e estava uma claridade fora do comum. Espreitei pela janela e vi isto. Tudo branco. Pensei "bolas, vou ter que limpar o passeio", virei-me para o lado e continuei a dormir. Isto é o que faz a diferença entre um emigrante recente e um emigrante que já cá está há tanto tempo que, apesar de continuar a não ser um nativo, já faz parte da mobília. Alguém que tenha vindo mais recentemente vê neve e alegra-se. Alegra-se apenas. A neve em Portugal é algo relativamente raro. Quando neva, pára tudo. Aqui não. A neve pode abafar os sons, pode haver um pouco menos de gente nas ruas, mas a vida continua como se não fosse nada. E passada a fase inicial do branco bonito, a cidade que se cobriu de branco torna-se suja, a neve torna-se castanha ou preta, suja, molhada, incomodativa.
27 outubro 2012
Tenho um vestido novo
Só me apetece dançar com ele. E calha bem, foi para isso mesmo que o comprei. E chegou mesmo a tempo.
23 outubro 2012
Regresso à adolescência
No verão tive um ataque de acne na cara. Borbulhas como nunca me tinham aparecido na vida, umas atrás das outras, inchadas, vermelhas, quase um cenário de filme de terror (ou de filme de adolescente em que eu seria a nerd). Na altura fui à farmácia de um dos hipers, onde a técnica me disse que aquilo era mas é uma alergia solar. Eu pensava que seria alergia ao protector solar e queria comprar um hipoalergénico, mas ela aconselhou-me uns comprimidos para a alergia solar, e eu fui na conversa, até eram mais baratos que o protector XPTO e tudo. Resultado, nicles. Andei 4 meses a pensar que tinha uma alergia, e a trocar de creme da cara a ver se melhorava, a parar de por creme, enfim, tentei uma data de coisas e a minha cara continuava em erupção contínua.
Ontem, finalmente, entrei na drogaria para comprar fosse o que fosse que tivesse ácido salicílico para resolver o que cada vez mais me parecia um problema de acne. Clearasil super rápido acção em 4 horas, foi o que trouxe. Mais barato que os comprimidos anti alergia, mais barato que qualquer creme anti não sei quê contra as alergias e peles sensíveis e sei lá o que mais. Coloquei uma vez à noite, outra de manhã e notei logo uma diferença enorme.
Quer eu queira quer não queira, sou uma adolescente. Ou pelo menos, é o que pensa a minha pele. Antes isto que uma alergia ao sol.
Ontem, finalmente, entrei na drogaria para comprar fosse o que fosse que tivesse ácido salicílico para resolver o que cada vez mais me parecia um problema de acne. Clearasil super rápido acção em 4 horas, foi o que trouxe. Mais barato que os comprimidos anti alergia, mais barato que qualquer creme anti não sei quê contra as alergias e peles sensíveis e sei lá o que mais. Coloquei uma vez à noite, outra de manhã e notei logo uma diferença enorme.
Quer eu queira quer não queira, sou uma adolescente. Ou pelo menos, é o que pensa a minha pele. Antes isto que uma alergia ao sol.
21 outubro 2012
Eu ainda sou do tempo...
...em que só havia telefones com fio, e se punham no hall da casa. E nem toda a gente tinha telefone. E nas aldeias só o café tinha um, que era serventia de todos (a pagar, claro).
E depois vieram os telemóveis. que eram grandes e pesados mas tinham um écran mínimo e só davam para fazer chamadas e mandar mensagens. E antes disso ainda houve os bips (pagers), mas duraram pouco porque ninguém gostava deles.
Saudades? Nenhumas. Os telefones fixos sem fios são geniais e só pecam por fazerem menos coisas que um telemóvel actual. Os telemóveis ultrapassaram a fase em que os amigos comparavam a ver quem tinha o mais pequeno, e agora e a ver quem tem o maior... écran.
E depois vieram os telemóveis. que eram grandes e pesados mas tinham um écran mínimo e só davam para fazer chamadas e mandar mensagens. E antes disso ainda houve os bips (pagers), mas duraram pouco porque ninguém gostava deles.
Saudades? Nenhumas. Os telefones fixos sem fios são geniais e só pecam por fazerem menos coisas que um telemóvel actual. Os telemóveis ultrapassaram a fase em que os amigos comparavam a ver quem tinha o mais pequeno, e agora e a ver quem tem o maior... écran.
A procura de uma lista de compras
para o telefone. Aquilo até tem um bloco notas, mas não me apetece utilizá-lo. O continente é que era, lembro-me que tinham umas listas em papel geniais, ordenadas por secção e tudo. Por cá nunca vi nada disso. Bastava fazer a mesma coisa para app, não tem nada que saber...
19 outubro 2012
Este Outono
Eu não gosto lá muito do Outono. Lembro-me de gostar muito de Setembro, do regresso às aulas, livros novos, artigos de papelaria nos supermercados, do ar de novidade que o acompanha, mas o início de Setembro ainda é Verão. O Outono é mais para Outubro, quando o ar começa a esfriar rapidamente, os casacos saem do armário, as sandálias são arrumadas até ao fim da Primavera, a época da chuva começa, e às vezes até caem as primeiras neves. Não gosto do frio. Gosto de me esticar ao sol como um gato, pronta a dormir uma soneca, gosto de me sentar numa esplanada com uma bebida à frente a apanhar raios de sol, gosto quando o meu cabelo fica tão quente que quase podia estrelar um ovo em cima dele. Gosto quando está tão quente que sinto uma gota de suor a escorrer pela perna nua abaixo, mesmo que não esteja tão quente que possa estar à sombra sem sentir frio.
Até gosto de acender a lareira, castanhas assadas, abóboras e muitas outras coisas que vêm com o Outono, mas do frio que o acompanha, não gosto nada.
E como não gosto do Outono, tinha que registar que este está a ser o melhor Outono de sempre. Há semanas que praticamente não chove, o sol brilha, à tarde está quentinho e pode-se passear na rua com t-shirt. As esplanadas estão apetecíveis, os italianos ainda vendem gelados, e o ambiente é de um verão tardio. As folhas caem, a luz do sol nas árvores de cores laranja ou avermelhada é fabulosa, o céu está 90% azul. Havia de ser sempre assim, o Outono.
Até gosto de acender a lareira, castanhas assadas, abóboras e muitas outras coisas que vêm com o Outono, mas do frio que o acompanha, não gosto nada.
E como não gosto do Outono, tinha que registar que este está a ser o melhor Outono de sempre. Há semanas que praticamente não chove, o sol brilha, à tarde está quentinho e pode-se passear na rua com t-shirt. As esplanadas estão apetecíveis, os italianos ainda vendem gelados, e o ambiente é de um verão tardio. As folhas caem, a luz do sol nas árvores de cores laranja ou avermelhada é fabulosa, o céu está 90% azul. Havia de ser sempre assim, o Outono.
13 outubro 2012
No supermercado
Faço compras à pressa, como sempre, uma corrida contra o tempo, que tenho mais que fazer e num instante a companhia se farta de andar por ali. Na zona da fruta, a minha preferida, demoro um bocadinho mais. Há melões, meloas, melancia, aposto que nem um deles viu o sol, amadurecidos à força num frigorífico ou armazém, com sorte saberão a agua com um leve travo à fruta que se estará a comer. Deixo-os ficar. Morangos, os últimos do ano, caros, alvos das minhas suspeitas, os morangos de pré-época são sempre muito melhores que os pós-época, não obrigada, prefiro esperar pelos de março ou abril. Laranjas, maçãs, bananas, nozes, uvas. E castanhas. Trago algumas, para assar ao lume, meia dúzia a seguir ao jantar, Lá fora está frio, castanhas assadas vão bem com frio, aquecem as mãos e o estômago.
Despacho o resto das compras e dirijo-me a caixa. A funcionária passa os produtos pelo scanner, uns atrás dos outro, até que chega às castanhas. Não se lembra do código, procura nas listas, finalmente desiste, e pergunta à colega. A resposta vem pronta: o código, e a localização do mesmo na lista. Está nos produtos exóticos. Castanhas, exóticas???
Despacho o resto das compras e dirijo-me a caixa. A funcionária passa os produtos pelo scanner, uns atrás dos outro, até que chega às castanhas. Não se lembra do código, procura nas listas, finalmente desiste, e pergunta à colega. A resposta vem pronta: o código, e a localização do mesmo na lista. Está nos produtos exóticos. Castanhas, exóticas???
09 outubro 2012
Admirável mundo novo
A miúda de 4 anos a explicar ao miúdo de 16 como é que se usa o tablet. Genial. A navegar pelos diferentes menus, a escolher as diversas apps, desde desenhar, jogar, ler livros, escolher vídeos no youtube ou os promocionais da app store, e "escrever uma carta". Eu sempre disse que estas coisas com touchscreen foram criadas para crianças muito pequenas.
08 outubro 2012
Uma sorte desgraçada
Quando precisava de estar no meu melhor, saio de casa e reparo que tenho um rasgão na parte de baixo da traseira da saia. Tarde demais para voltar atrás, faço figas para que não se note muito, e siga para bingo. Nota-se. Faço figas para que a maior parte da gente que vou ver seja portadora de um cromossoma Y, e aquilo passe despercebido. Confirma-se, homens por todo o lado. Raios para a saia. Passo a maior parte do dia sentada. Quando me levanto, tento que ninguém fique nas minhas costas. Extremamente bem educada, é isso que eu sou. ;-)
O dia termina. Finalmente chego a casa, tiro a saia, vejo finalmente o tamanho do rasgão. Um centímetro, quase dois, Não tem salvação. Uma saia a menos, e um dia que podia ter corrido melhor. No entanto, congratulo-me. Não foi assim tão mau. Consegui esquecer-me do desastre a maior parte do tempo. Nos próximos dias vou tentar lembrar-me de comprar um estojo de costura de emergência para ter no trabalho. Não que saiba coser, não sei, mas numa situação como esta tinha dado um jeitinho. Pensando melhor, vou mas é guardar uma roupa de emergência no trabalho. Muito mais fácil.
O dia termina. Finalmente chego a casa, tiro a saia, vejo finalmente o tamanho do rasgão. Um centímetro, quase dois, Não tem salvação. Uma saia a menos, e um dia que podia ter corrido melhor. No entanto, congratulo-me. Não foi assim tão mau. Consegui esquecer-me do desastre a maior parte do tempo. Nos próximos dias vou tentar lembrar-me de comprar um estojo de costura de emergência para ter no trabalho. Não que saiba coser, não sei, mas numa situação como esta tinha dado um jeitinho. Pensando melhor, vou mas é guardar uma roupa de emergência no trabalho. Muito mais fácil.
01 outubro 2012
Como isto anda
Apeteceu-me fazer biscoitos. Encontrei estes, de cacau e amendoim, e como não tinha amendoim substituí por amêndoa laminada. Ficaram bons, mas fofos (para biscoitos). Se fizer outra vez tenciono torrar a amêndoa ou amendoim na frigideira antes de juntar 'a massa.
Hoje, agora que já desapareceu metade dos biscoitos (dois deles quebrados em pedacinhos e misturados em sorvete de limão, uma delícia), encontrei os amendoins numa gaveta. Ups, fica para a próxima.
Hoje, agora que já desapareceu metade dos biscoitos (dois deles quebrados em pedacinhos e misturados em sorvete de limão, uma delícia), encontrei os amendoins numa gaveta. Ups, fica para a próxima.
27 setembro 2012
A fotografia
Eu acho que vi este abraço em directo numa das tvs (TVI informação, se não estou em erro). Posso estar enganada, mas pareceu-me ter visto num canto do écran enquanto o comentador falava de números, descontentamento, multidão, tomates.
Esta fotografia é linda. A miúda é linda, o policia é lindo.
Esta é a fotografia daquela manifestação gigantesca. Esta será, provavelmente, a fotografia do ano. Daqui a muito tempo, quando já ninguém se lembrar, esta será a fotografia que marcou um momento, que tem o potencial para marcar a historia. Ou não.
Adriana, Sérgio, da minha parte, obrigada.
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