Um gajo passa o fim de semana a ler a Economist, a absorver as entrelinhas e a panicar com o fim do euro. Com tanta desgraca anunciada, vai trabalhar vestida com a primeira coisa que veio 'a mao, que por ironia do destino e' uma t-shirt com um grande smiley amarelo sorridente a piscar o olho, e calcas de ganga so' porque nao teve pachorra para procurar algo de jeito durante 5 minutos. Para completar o look? sapatilhas, Nike, giras, velhas (mas bem conservadas), de verao, azuis. E sem pensar muito, porque ha' tanto que fazer e o mais provavel e' ficar fechada sozinha entre quatro paredes a maior parte do dia. E depois, enquanto acalmava do panico do fim de semana (o fim do euro! o fim do euro! o fim da livre circulacao como a conhecemos! o fim da melhor coisa que a europa nos deu!), uma emergencia oficial, e tive que ir a correr apagar o fogo no que ja' me parecia uma m**** de t-shirt de andar por casa e jeans rafados (os meus favoritos!) e sapatilhas que nunca deveriam ter cruzado a porta do trabalho, explicar ao chefe o problema e apontar a solucao (raios para a preguiça matinal, porcaria da t-shirt tinha que estar no cimo da pilha das t-shirts lavadas), resolver o problema e voltar a enfiar-me entre quatro paredes.
E quando comecava finalmente a acalmar do panico (o fim do euro!), a pensar que se calhar os americanos estavam era a exagerar, que apesar do falhanco da emissao de divida alema na semana passada, da italia, da grecia, e dos sucessivos ataques dos mercados a esta aquela e aqueloutra niquice e mais a que se lembrarem a seguir, que caramba, o euro (o euro!) iria sobreviver, porque o euro e' a melhor coisa que veio com a uniao europeia (tanta coisa boa que veio por arrasto com euro), isto.
Vou ali correr em circulos como uma galinha tonta, porque se o euro acaba eu nao sei o que fazer. Bem sei que nao e' o fim do mundo, nem nada que se pareça. Mas sem euro, que raio de coisa e' esta uniao europeia?
28 novembro 2011
24 novembro 2011
É o catano... (mais um post da série "o Louco no autocarro")
A mim apetece-me fazer greve hoje mesmo. Não trabalho em Portugal e não me cortaram os "subsídios" (que nunca tive desde que vim para cá). As prendas de Natal saem do orçamento dos meses de Novembro e Dezembro, a não ser que me antecipe nas compras, o que acontece menos vezes do que gostaria. As lojas estão a abarrotar de gente desde início de Novembro, fenómeno que este ano se antecipou por um mês, pelo que deduzo que por aqui a crise é uma coisa que só acontece aos outros e que serve como desculpa para desancar, principalmente, os gregos. Ainda me lembro das letras garrafais com que se anunciava no verão haver 10000 empregos por preencher na cidade de Munique. As mesmas que usam agora para anunciar, uma e outra vez, que os gregos são calaceiros.
Cresci a ouvi dizer "quem está mal muda-se", e sempre detestei essa expressão. Se quem está mal se mudar, todos perdem. Perde quem se muda, porque vá para onde for irá ficar sempre, eventualmente, mal, e passará a vida a mudar-se, porque nada é perfeito. Perde quem fica, pois apesar de aparentemente ficar a ganhar com a partida do chato, perde a oportunidade de evoluir e melhorar. Ainda assim, ouve-se demasiadas vezes dizer que quem está mal é que deve mudar.
Aqui não é dia de greve. No meu trabalho ninguém está a fazer greve por motivo nenhum. E ainda assim, apetecia-me fazer greve, para protestar. Porque depois de me queixar 5 vezes (só contando as queixas oficiais), estou convencida que ninguém vai fazer nada. Porque acho que tenho razão (tenho a certeza que tenho razão), e porque se deixam passar isto, deixarão passar outras coisas igualmente graves. Felizmente há outra maneira de protestar, que adopta a máxima "se não os podes vencer junta-te a eles". A ideia é juntar-me a eles com mais meia dúzia de pessoas para depois usar a força da maioria - a democracia é uma coisa fantástica.
Mas enquanto espero e não, como forma de protesto, só me apetece fazer greve.
Cresci a ouvi dizer "quem está mal muda-se", e sempre detestei essa expressão. Se quem está mal se mudar, todos perdem. Perde quem se muda, porque vá para onde for irá ficar sempre, eventualmente, mal, e passará a vida a mudar-se, porque nada é perfeito. Perde quem fica, pois apesar de aparentemente ficar a ganhar com a partida do chato, perde a oportunidade de evoluir e melhorar. Ainda assim, ouve-se demasiadas vezes dizer que quem está mal é que deve mudar.
Aqui não é dia de greve. No meu trabalho ninguém está a fazer greve por motivo nenhum. E ainda assim, apetecia-me fazer greve, para protestar. Porque depois de me queixar 5 vezes (só contando as queixas oficiais), estou convencida que ninguém vai fazer nada. Porque acho que tenho razão (tenho a certeza que tenho razão), e porque se deixam passar isto, deixarão passar outras coisas igualmente graves. Felizmente há outra maneira de protestar, que adopta a máxima "se não os podes vencer junta-te a eles". A ideia é juntar-me a eles com mais meia dúzia de pessoas para depois usar a força da maioria - a democracia é uma coisa fantástica.
Mas enquanto espero e não, como forma de protesto, só me apetece fazer greve.
18 novembro 2011
O louco no autocarro II
Enquanto a blogosfera, facebook, e internet em geral se incendeiam por causa de um video sobre cultura geral, eu que ate acho o debate interessantissimo e um bom sinal - caramba, parece que finalmente se comecou a entender que nem tudo o que parece e', e que ha' cada vez mais gente que usa a cabeca para pensar - ocupo-me com um tema que me incomoda mais. Agora passo as horas vagas (minutos, que eu nao tenho assim tanto tempo livre), a investigar a dignidade no trabalho. Algo que os americanos chamariam de assedio, mas que na europa se chama dignidade. Algo que nos EUA bastaria uma pequena chamada de atencao para ser corrigido, e que por aqui... enfim... Acho que vou esgotar o meu credito de queixas oficiais neste tema, mas nao me calo. E se uma queixa (ja' vao em quatro) nao resolver o problema, agarrar-me-ei ao lema "se nao consegues vence-los junta-te a eles" e farei os possiveis por dar cabo do sistema por dentro. Podem-me chamar ignorante tanto quanto quiserem, nao perdem pela demora. Posso ser a unica maluquinha que se queixa, nao porque ninguem esteja de acordo comigo, mas porque mais ninguem tem tomates, mas alguem tem que o fazer e esta nao vou deixar passar.
14 novembro 2011
Surpresa
Este ano estive em Madrid. Entre tapas e passeios, acabei por passar na Porta do Sol, onde se manifestavam centenas de pessoas. Note-se que isto foi meses depois dos protestos dos indignados, numa altura em que havia dezenas de mini grupos que protestavam contra as mais variadas coisas. Tanta gente, e tao variados os protestos que nem dava para perceber bem o que e' que levava tanta gente ali. Cada grupo tinha montada a sua tenda ou barraca, uns usavam fotos, outros grafitis, outros estavam simplesmente ali. De todas as tendas, havia uma que se destacava. Tinha uma zona de donativos, outra zona para outra coisa qualquer, e la dentro estavam meia duzia de pessoas que pareciam bem organizadas, embora nao tivessem muito que fazer (mas isso, tambem nas outras barracas). Acreditem ou nao, era a tenda dos anarquistas. Clara, objectiva, directa. Organizada.
11 novembro 2011
O louco no autocarro I
A propósito da notícia de hoje "grupo de feministas fecha rua de prostituição" (na Suíça).
Já era tempo de as mulheres perceberem que é estúpido "protestar" tirando a roupa. Se chama a atenção? Sim. No entanto chama a atenção para o facto de estarem de mamas ao léu, e não para o que quer que estejam a tentar fazer. Não lhes passará pela cabeça que haja quem continue a fazer seja o que for (usar peles de animais, prostituição,...) que as levou a tirar a roupa, só para que continue a haver protestos destes?
E, já agora, que "feminismo" é este que, para combater a objectificação da mulher, a objectifica?
Se não conseguires identificar o louco no autocarro é porque o louco és tu. Serei eu a louca?
Já era tempo de as mulheres perceberem que é estúpido "protestar" tirando a roupa. Se chama a atenção? Sim. No entanto chama a atenção para o facto de estarem de mamas ao léu, e não para o que quer que estejam a tentar fazer. Não lhes passará pela cabeça que haja quem continue a fazer seja o que for (usar peles de animais, prostituição,...) que as levou a tirar a roupa, só para que continue a haver protestos destes?
E, já agora, que "feminismo" é este que, para combater a objectificação da mulher, a objectifica?
Se não conseguires identificar o louco no autocarro é porque o louco és tu. Serei eu a louca?
07 novembro 2011
Desanimada
Depois de ler este artigo, defendi violentamente os gregos. Que devem ser um povo trabalhador (como o nosso), que tem gente que trabalha arduamente, que e' mal governado por elites que só estão interessadas em si próprias. Achei indecente que chamem preguiçosos aos gregos, imoral que chamem "salvar os gregos" a emprestar-lhes dinheiro a juros de usura, ridículo que algum povo se ache dono dos gregos e que fale deles como se fossem escoria.
Ate que um grego me fez o relato da situação. Que afinal os gregos estão prontos para que os alemães venham por ordem na casa, que uns funcionários públicos bávaros venham e tomem conta do pais. Que 70% dos gregos são preguiçosos, mas que os trabalhadores das empresas privadas trabalham muito e são de louvar. (Pelos vistos 30% ou menos dos gregos trabalham para o sector privado).
Quase desisti ali mesmo, naquele instante. Se nem um grego defende os gregos...
Mas pensando melhor, se calhar aquele era um dos gregos que levou a Grécia aonde hoje ela esta.
Ate que um grego me fez o relato da situação. Que afinal os gregos estão prontos para que os alemães venham por ordem na casa, que uns funcionários públicos bávaros venham e tomem conta do pais. Que 70% dos gregos são preguiçosos, mas que os trabalhadores das empresas privadas trabalham muito e são de louvar. (Pelos vistos 30% ou menos dos gregos trabalham para o sector privado).
Quase desisti ali mesmo, naquele instante. Se nem um grego defende os gregos...
Mas pensando melhor, se calhar aquele era um dos gregos que levou a Grécia aonde hoje ela esta.
14 outubro 2011
Mais quê?
Ontem almocei com um amigo da faculdade que está por cá de férias. Férias que devia ter gozado em 2010, mas que por causa do trabalho (em Portugal, não cá) teve que adiar. E que me explicou que trabalha 10 a 12 horas por dia, no mínimo, e que apesar de estar de férias, logo às 8 da manhã tinha recebido um telefonema de trabalho que atendeu e que prontamente resolveu o problema de quem o acordou àquela hora. Engraçado, ontem à noite, um senhor engravatado ter ido à televisão dizer que os horários de trabalho têm que aumentar. Mais quê, já agora?
Querida Pátria
(ou: pobres e mal agradecidos?)
Não te queixes do calor. Já cancelaram os fundos para o aquecimento.
06 outubro 2011
O interesse
Há uns anos, fiz um curso de quinze dias que deixou o professor pasmado. Ele comentava com quem o tinha convencido a dar aquele curso que nas suas aulas normais os alunos não estavam atentos (não seriam todos, acrescento eu), tinham pressa de ir embora, não manifestavam grande interesse pelo assunto. E ali estava ele, a mesma pessoa, com um grupo de alunos diferente, cada aluno com um background completamente diferente do do lado, de diferentes nacionalidades, e a situação era quase o reverso do que o que este professor estava habituado. A atenção era total, o interesse também, e quando o tempo terminava nenhum dos alunos arrumava as coisas para ir embora, antes continuava o trabalho que estava a fazer, ou a tirar as dúvidas que tinham surgido, e depois, muito lentamente, depois de serem relembrados várias vezes que a aula tinha acabado, lá arrumavam as tralhas e seguiam para o ponto seguinte do programa (o jantar!).
Até hoje estou convencida que a diferença era que todos estes alunos tinham escolhido aquele curso, aquele tema, porque à partida estavam interessados nele. Não porque os pais os tinham obrigado a ir para ali, não porque sentiam que aquilo era um passo necessário na vida (não era), não porque lhes fosse dar melhores perspectivas de emprego (mas talvez ajudasse), não por nenhuma razão externa excepto o gosto pelo tema. Era um curso extra curricular, numa língua estrangeira para todos, com gente que não conheciam, com promessas de festa à mistura, mas suficientemente técnico para suscitar interesse por si próprio. E durante aquelas semanas aprendemos uma data de coisas sobre as quais não tínhamos a mínima noção à partida, desfrutámos da aprendizagem, fomos a festas todas as noites, e fizemos um professor muito feliz.
Até hoje estou convencida que a diferença era que todos estes alunos tinham escolhido aquele curso, aquele tema, porque à partida estavam interessados nele. Não porque os pais os tinham obrigado a ir para ali, não porque sentiam que aquilo era um passo necessário na vida (não era), não porque lhes fosse dar melhores perspectivas de emprego (mas talvez ajudasse), não por nenhuma razão externa excepto o gosto pelo tema. Era um curso extra curricular, numa língua estrangeira para todos, com gente que não conheciam, com promessas de festa à mistura, mas suficientemente técnico para suscitar interesse por si próprio. E durante aquelas semanas aprendemos uma data de coisas sobre as quais não tínhamos a mínima noção à partida, desfrutámos da aprendizagem, fomos a festas todas as noites, e fizemos um professor muito feliz.
02 outubro 2011
A apanhar maçãs
Ter uma macieira carregadinha de maçãs a dar sopa é a desculpa perfeita para subir a uma árvore pela primeira vez desde anos, e fingir que se tem um propósito para além de simplesmente trepar por ali acima. Na realidade, a fruta foi apanhada recorrendo a um utensílio que até agora desconhecia, uma espécie de pau telescópico com um aro redondo com dentes a sair por um lado e um saquinho do outro, mas ainda consegui apanhar duas empoleirada lá em cima. Esta árvore não foi podada de modo a facilitar a subida de humanos, disse eu, e desci dali com as duas maçãs a justificar o comportamento de macaco. Quatro baldes depois, pergunto-me, o que é que se faz com tanta maçã?
(Só me lembro de uma coisa, levar para o trabalho e anunciar que há maçãs biológicas para quem quiser, rir-me do termo bio, porque nada é mais biológico que maçãs que cresceram numa árvore que não só não viu produtos químicos como não foi regada nem podada...)
Já agora, alguém conhece uma boa receita de tarte de maçã? :)
(Só me lembro de uma coisa, levar para o trabalho e anunciar que há maçãs biológicas para quem quiser, rir-me do termo bio, porque nada é mais biológico que maçãs que cresceram numa árvore que não só não viu produtos químicos como não foi regada nem podada...)
Já agora, alguém conhece uma boa receita de tarte de maçã? :)
18 setembro 2011
Sobre conduzir do outro lado da estrada
De vez em quando a mão direita vai direitinha `a porta do carro, porque e' ali que costuma estar a alavanca das mudanças. Ir pelo lado esquerdo da estrada não e' tão mau, porque o cérebro lembra-se que o condutor costuma estar no centro da estrada e o lugar do condutor mudou. As rotundas felizmente tem placas triangulares antes e depois, o que acaba por facilitar. 400 yards e' já ali, seja la' quanto isso for. Mas o mais esquisito são os mini-sinais a indicar as velocidades máximas nas estradas fora das localidades.
A conduzir devagarinho, just in case. Mas uma coisa e' certa, isto e' divertido.
A conduzir devagarinho, just in case. Mas uma coisa e' certa, isto e' divertido.
17 setembro 2011
Para o que me havia de dar
Estou que nem posso, pelo que a história é curta. Fui à cabeleireira (odeio, odeio). Disse uma frase da qual me vou arrepender nas próximas semanas todas as vezes que me olhar ao espelho. Parece-me que vou passar a usar chapéu. Incluindo debaixo de tecto. Sugestões?
04 setembro 2011
Para matar saudades
Para matar saudades, antes de dormir passo uns momentos a olhar para o Porto. A ponte D.Luís, a ribeira, três rabelos, o rio, as luzes da noite. A vista do meu quarto, à noite, com a persiana corrida, é essa. Comprei-a no Ikea há uns dias, e o melhor de tudo foi que no momento da descoberta ("Olha! Um quadro do Porto", dizia eu) um alemão muito excitado descobria-a também. E dizia à namorada (?) "É o Porto! É o Porto!", e pegou no quadro-foto e levou-o para a mãe dele. É bonito. A foto é bonita. E é bonito, da parte do Ikea, trazer um bocadinho de mim até cá.
31 agosto 2011
Então é assim ;)
Ainda ontem estava na praia, a ouvir os mais ou menos imaginativos vendedores de bolas de berlim, a recordar os pregões dos vendedores de jornais (correio da manhã! diário de notícias! o jogo!) que devo ter ouvido pela última vez há uns 20 anos ou mais (ai a velhice!), a apanhar sol a horas que não se deve e ler (ver) mais revistas do que é aconselhável, e agora estou aqui.
Podia fazer um resumo.
Contar a história do Anderson, o vendedor de bolas de berlim fabulástico que anima(va) a praia todos os dias com as suas cantorias, pregões, bolas de berlim (com creme, sem creme e de chocolate), e que regularmente era brindado com uma salva de palmas. O Anderson que até tem um clube de fãs no facebook (procurem por bolinhas light), e que ao meio dia anunciava que se ia embora, quem quisesse dormir que aproveitasse pois ele regressaria às quatro para acordar todo o mundo. E depois, podia recordar os vendedores de bolas de berlim de outras praias, os que dizem que a ASAE não os deixa vender bolas com creme... (bola sem creme, para mim não é nada) Anderson, és o maior. Tão bom que enquanto outros vendedores se arrastam pela praia e vendem uma bolinha aqui, outra ali, o Anderson despacha duas malas térmicas em três tempos, e ainda tem uns miúdos que lhe vêm trocar malas vazias por outras cheias, que isto de vender bolas de berlim é para quem sabe e tem amor à arte (a arte deve ser a da cantoria). Desde o "amanhã de manhã", o "de quem será o filho" e outros êxitos adaptados à temática bolas de berlim, o pregão "quem comeu, comeu, quem não comeu, perdeu" vão ficar gravados na memória por uns tempos... Ainda agora me vim embora e já estou com saudades das minhas bolinhas light que não engordam... LOL (não faço ideia o que é que as tornava light, mas lá que eram uma maravilha e não engordei... :P)
Podia falar da desgraçada da crise, e das tantas medidas que andam a ser anunciadas diariamente e dizer que com tanto pau, não sei como é que o pessoal se aguenta, mesmo com sol e praia. De onde deduzo que devia ter evitado os jornais, que olhos que não lêem notícias dessas, coração que não sente...
Podia discorrer sobre o maldito acordo ortográfico, por causa do qual não reconheço palavras e por vezes nem descubro a acentuação (como é que se lêem certas palavras) para depois poder perceber que palavra é que é. E também podia dizer que há jornalistas que escrevem tão mal, e ninguém os corrige, com acordo ou sem acordo, que me custa a compreender como é que continuam a trabalhar para publicações em que a rainha deveria ser a palavra escrita. Deve ser a crise, às tantas pagam-lhes pouco ou nada e os pobres ficam sem tempo ou motivação para não assassinar a língua.
Também podia só dizer que não devia ser permitido usar o photoshop em fotografias de catálogos. Estou piursa porque uma carteira que apareceu em meia dúzia de revistas e na net vinha habilmente fotografada e photoshopada, ao ponto de as cores serem mais claras e brilhantes... quem a vê ao vivo quase nem a reconhece. E se fosse caso único...
No entanto estou com uma dor de cabeça que não posso, deve ser a aclimatização ao outono repentino... isto das viagens de avião tem as suas desvantagens. Como tal, não vou escrever nada. Isto há-de tudo passar.
Podia fazer um resumo.
Contar a história do Anderson, o vendedor de bolas de berlim fabulástico que anima(va) a praia todos os dias com as suas cantorias, pregões, bolas de berlim (com creme, sem creme e de chocolate), e que regularmente era brindado com uma salva de palmas. O Anderson que até tem um clube de fãs no facebook (procurem por bolinhas light), e que ao meio dia anunciava que se ia embora, quem quisesse dormir que aproveitasse pois ele regressaria às quatro para acordar todo o mundo. E depois, podia recordar os vendedores de bolas de berlim de outras praias, os que dizem que a ASAE não os deixa vender bolas com creme... (bola sem creme, para mim não é nada) Anderson, és o maior. Tão bom que enquanto outros vendedores se arrastam pela praia e vendem uma bolinha aqui, outra ali, o Anderson despacha duas malas térmicas em três tempos, e ainda tem uns miúdos que lhe vêm trocar malas vazias por outras cheias, que isto de vender bolas de berlim é para quem sabe e tem amor à arte (a arte deve ser a da cantoria). Desde o "amanhã de manhã", o "de quem será o filho" e outros êxitos adaptados à temática bolas de berlim, o pregão "quem comeu, comeu, quem não comeu, perdeu" vão ficar gravados na memória por uns tempos... Ainda agora me vim embora e já estou com saudades das minhas bolinhas light que não engordam... LOL (não faço ideia o que é que as tornava light, mas lá que eram uma maravilha e não engordei... :P)
Podia falar da desgraçada da crise, e das tantas medidas que andam a ser anunciadas diariamente e dizer que com tanto pau, não sei como é que o pessoal se aguenta, mesmo com sol e praia. De onde deduzo que devia ter evitado os jornais, que olhos que não lêem notícias dessas, coração que não sente...
Podia discorrer sobre o maldito acordo ortográfico, por causa do qual não reconheço palavras e por vezes nem descubro a acentuação (como é que se lêem certas palavras) para depois poder perceber que palavra é que é. E também podia dizer que há jornalistas que escrevem tão mal, e ninguém os corrige, com acordo ou sem acordo, que me custa a compreender como é que continuam a trabalhar para publicações em que a rainha deveria ser a palavra escrita. Deve ser a crise, às tantas pagam-lhes pouco ou nada e os pobres ficam sem tempo ou motivação para não assassinar a língua.
Também podia só dizer que não devia ser permitido usar o photoshop em fotografias de catálogos. Estou piursa porque uma carteira que apareceu em meia dúzia de revistas e na net vinha habilmente fotografada e photoshopada, ao ponto de as cores serem mais claras e brilhantes... quem a vê ao vivo quase nem a reconhece. E se fosse caso único...
No entanto estou com uma dor de cabeça que não posso, deve ser a aclimatização ao outono repentino... isto das viagens de avião tem as suas desvantagens. Como tal, não vou escrever nada. Isto há-de tudo passar.
11 agosto 2011
Isto anda lindo
Acordei e fui à procura das toalhas novas que comprei. Não me conseguia lembrar onde é que as teria guardado. Mais tarde, a realidade atingiu-me, as toalhas tinham sido compradas durante a noite. Em sonhos.
28 julho 2011
Investimentos
Devo ter um chip errado. Escreve-se por aí que a roupa é um investimento. Eu até gostava de ver alguém dizer isto sem se rir. Que comprou as calças XPTO como um investimento, porque aquilo, está-se mesmo a ver, com as lavagens e o uso só vai valorizar. Um investimento com retorno garantido. Mas se calhar estou a interpretar mal o termo investimento. Se calhar o investimento é na economia: do género alguém paga um salário a alguém, que usa esse salário para comprar coisas cujo valor irá rapidamente baixar após a compra, mas quem recebe o dinheiro ao menos pode pagar aos funcionários, e à fábrica, e a renda, e sabe-se lá mais o quê. Sim, um investimento na economia em geral. Deve ser isso.
E eu que achava que um investimento era algo em que depositávamos a confiança de que mais tarde recebêssemos mais (de preferência) do que o que tínhamos investido. Suponho que este seja o efeito imediato do rating da Moodys, já que tudo é lixo e não há confiança nos investimentos mais tradicionais, o melhor é mas é gastar o dinheirinho porque assim ao menos ficamos na mão com algo que se veja. Nem que sejam umas calças que desbotam na primeira lavagem.
E eu que achava que um investimento era algo em que depositávamos a confiança de que mais tarde recebêssemos mais (de preferência) do que o que tínhamos investido. Suponho que este seja o efeito imediato do rating da Moodys, já que tudo é lixo e não há confiança nos investimentos mais tradicionais, o melhor é mas é gastar o dinheirinho porque assim ao menos ficamos na mão com algo que se veja. Nem que sejam umas calças que desbotam na primeira lavagem.
Silly season
Comprei um vestido giríssimo no fim de saldos (uma pechincha, mesmo) e tive que tirar o verniz das unhas menos de 24 horas depois de mo terem colocado porque comecei a roer as unhas. Ou então era o verniz que não valia nada. Se estivesse calor, isto seria mais silly ainda... Tenho saudades do verão!!!
Dorian
Estas férias devo ter lido o número mínimo de livro de sempre. Acabei o "The Road", porque era emprestado e já o tinha à meses na casa de banho. Sou demasiado rápida na casa de banho e aquilo não chegava ao fim lendo duas páginas de cada vez. Verdade seja dita, também não estava a achar grande coisa até que cheguei a cerca de um terço do livro, que é quando finalmente começa a acontecer alguma coisa. Não foi mau, acaba relativamente mal (não gostei, mas também acho que não havia alternativa melhor), e não recomendo vivamente - só moderadamente, mais, se tiverem alguém que empreste :P.
E depois li "The picture of Dorian Gray", em inglês porque foi assim que o encontrei na FNAC a um preço pequenino. Fabuloso do princípio ao fim, tirando umas 3 páginas que me pareceram estar ali a encher chouriços (pode-se dizer isto do Oscar Wilde? imagino que sim, é a minha sincera opinião...) e que acabei por ler na diagonal. Mas sim, fabulosa, a história, a maneira como é contada, a obcessão pela beleza e o tormento interior do rapaz. Em certas ocasiões, à medida que a história se desenrola vê-se mesmo o que vai acontecer a seguir, como naqueles filmes em que já sabemos que o mau vem aí e a rapariga devia era já estar a fugir porta fora, mas ainda assim, excelente. Fabuloso. Ainda não consegui pegar noutro livro porque aquele ainda me ocupa os pensamentos. E ainda para mais, sei de um retrato que podia ser a versão final do de Dorian Gray. Spooky...
E depois li "The picture of Dorian Gray", em inglês porque foi assim que o encontrei na FNAC a um preço pequenino. Fabuloso do princípio ao fim, tirando umas 3 páginas que me pareceram estar ali a encher chouriços (pode-se dizer isto do Oscar Wilde? imagino que sim, é a minha sincera opinião...) e que acabei por ler na diagonal. Mas sim, fabulosa, a história, a maneira como é contada, a obcessão pela beleza e o tormento interior do rapaz. Em certas ocasiões, à medida que a história se desenrola vê-se mesmo o que vai acontecer a seguir, como naqueles filmes em que já sabemos que o mau vem aí e a rapariga devia era já estar a fugir porta fora, mas ainda assim, excelente. Fabuloso. Ainda não consegui pegar noutro livro porque aquele ainda me ocupa os pensamentos. E ainda para mais, sei de um retrato que podia ser a versão final do de Dorian Gray. Spooky...
05 julho 2011
Em campo
No campo nunca dói nada. Um murro no pescoço, um remate com força nas canelas, caneladas, quedas, boladas no nariz. Não foi nada, nunca é nada. Mais tarde, quando ninguém vir, é que se sente a dor, o inchaço, as nódoas negras. Ainda assim, volto sempre para mais.
19 junho 2011
O-O
Há uns anitos que tenho um netbook cujo sistema operativo é Linux. Eu de Linux percebo pouco, muito pouco, mas quando comprei o bichinho os 50 euros a menos, comparativamente à mesma máquina com o sistema operativo das janelas ;), para além da rapidez ao iniciar e fechar o computador, pesaram. (E só depois me lembrei de outras vantagens, como o não precisar de anti-vírus e o facto de, ao longo dos meses e anos de uso, a máquina nunca ter ficado mais lenta, o nunca ter apanhado um trojan que me obrigasse a formatar o disco e me fizesse perder horas e paciência.) Uso o meu computadorzinho principalmente para ir à net a partir do sofá, quando estou em viagens, mas também para trabalhar, só porque é tao mais rápido que os laptops do trabalho, uma velocidade estonteante em comparaçao.
E depois há a desvantagem, que tem a sua graça e lado positivo também. É o não peceber nada. É de cada vez que preciso de uma coisa qualquer andar às aranhas. Ao início muitas vezes - que me lembre, para configurar o teclado (sistema operativo em inglês, mas teclado alemão que ele não descobriu sozinho, e ainda assim fiquei toda contente por ter a escolha, que o windows não me teria dado), para instalar o skype, para fazer upgrade para o firefox 3 (vinha instalado o 2).
Já há imenso tempo que não tinha que fazer nada de especial - era usar e pronto. O firefox updatava-se sozinho (LOL, sim, actualizava-se sozinho). Até agora. Com o Firefox 4 clicar no botão não chegou. Pelo que voltei a andar às aranhas, a pesquisar no google, a procurar nos fóruns. Desta vez foi um bocadinho mais rápido. Porque já sei o mais básico (Alt+F2 e escrever xterm para abrir um terminal), que nos primeiros dias não sabia. Porque sei que o "macles" é dos sítios com mais informação e mais fiável - não sei onde está, mas a minha pesquisa no google há-de encontrá-lo na primeira página de resultados.
E o mais engraçado é que quase me sinto geek a escrever linhas como
wget -N http://kojipkgs.fedoraproject.org/packages/gcc/4.3.2/7/i386/libstdc++-4.3.2-7.i386.rpm
Quase, porque nem sei bem o que aquilo significa. (mas faço uma ideia). E a sensação dura uns meros segundos porque ainda há pouco tinha passado praticamente uma hora a tentar configurar os MMS do meu telemóvel marado e nao consegui. Not geek enough... No fundo, aquilo que me prende a este computadorzito, que começa a ser grande para o hardware que tem lá dentro (os modelos mais modernos são quase o mesmo, mas significativamente mais magrinhos) é mesmo este lado de geek. Se o trocasse por outro, estaria a trocar o meu Linux (já alterado para mim), por um windows, com a obrigatoriedade de usar um anti-vírus, as chatices das línguas, o progressivo arrastamento da máquina ao longo do tempo que se usa, o software que instalaria e o que se instalaria a si mesmo. E, da mesma maneira que tenho algumas saudades do MS-DOS, dos terminais de texto com écran preto e letras verdes onde via o mail com o pine, um dia terei saudades desta sensação de poder fazer uma coisa que nem toda a gente é capaz. Também a tenho com outras coisas na minha vida (tantas, na verdade), mas esta é especial.
E já que o motivo que me levou a fazer este post foi o update para o firefox 4 no meu acer aspire one com linux, se alguém cá vier parar ao engano, pode seguir este link que o macles tem a solução do problema.
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