É o máximo quando o universo conspira para me facilitar a vida. Às vezes esqueço-me disso.
(Estou tão contente. Como se me tivesse saído a sorte grande e nem tivesse jogado.)
31 maio 2010
30 maio 2010
Maratona
Há uns dias passei pelo SET (sony entertainment television) e estava a dar um episódio antigo do sexo e a cidade. E, por causa disso, peguei na minha caixa e comecei a ver (rever) os episódios todos, um por um, um a seguir ao outro, só com intervalos para comer e ir à casa de banho. E dormir... Bem, só ainda vou no fim da segunda série, mas já deu para perceber uma coisa: o Mr. Big não tem nada de giro. Mas é grande, digamos que tem ombros largos, deve dar uns abraços fantásticos, e tem um sorriso de derreter corações. E quando está com o coração partido ouve Sinatra, em vez de chorar. Sinatra. :)
O tempo passa, as pessoas mudam, as opiniões modificam-se. Ainda assim, há coisas que ficam sempre na mesma. Continuo a derreter-me com um sorriso, daqueles em que até os olhos se riem.
O tempo passa, as pessoas mudam, as opiniões modificam-se. Ainda assim, há coisas que ficam sempre na mesma. Continuo a derreter-me com um sorriso, daqueles em que até os olhos se riem.
29 maio 2010
O sexo... ;)
Andava cheia de vontade de ir ver o sexo e a cidade, mas não fui na quarta (era a estreia) e na quinta li a crítica ao filme no Guardian e fiquei desanimada. Por um lado, pensei, que crédito posso dar a um homem que vai ver este filme e só diz mal... se fosse uma mulher, era capaz de acreditar mais depressa que o filme é uma banhada... Por outro... bem... o homem tinha ido ver o filme, estava mais informado que eu.
Acabei por ir hoje (voltei há bocadinho ;)) e tenho a dizer que gostei, muito. Gostei das piadas, das roupas, das conversas de gaja. E achei graça a ver o cinema como nunca o tinha visto: deviam estar ali 10 mulheres para cada homem, ou mais... Sem dizer mais, gaijas que me lêem, se gostaram da série ou do filme anterior, vão ver, que vale a pena. E levem as amigas.
Acabei por ir hoje (voltei há bocadinho ;)) e tenho a dizer que gostei, muito. Gostei das piadas, das roupas, das conversas de gaja. E achei graça a ver o cinema como nunca o tinha visto: deviam estar ali 10 mulheres para cada homem, ou mais... Sem dizer mais, gaijas que me lêem, se gostaram da série ou do filme anterior, vão ver, que vale a pena. E levem as amigas.
26 maio 2010
Já é um começo...
Queria arrumar a minha vida mas só consegui arrumar uma secretária. E nem mexi nas gavetas.
É desta que perco os (poucos) leitores que (ainda) cá vêm vinham
"Leio" a Vogue alemã no cabeleireiro, quando lá vou. Na verdade só olho para as fotografias. Chocam-me os preços das coisas que lá vêm, quando diz o preço, faz-me sentir um alien. A parte que mais gosto são os anúncios. (A última que vi tinha lá um de duas páginas de uma marca de roupa que infelizmente me esqueci e incluia a foto de um vestido lindíssimo que fiquei de ir ver à net - que eu combino coisas destas comigo mesma. Infelizmente esqueci-me do nome da marca, pelo que a publicidade não foi assim tão eficiente.)
2 em 1
Transformei um quase cinto (duas tiras de pele entrançadas com umas bolinhas azuis nas pontas) que vinha numa saia num quase colar para usar com a dita. Perfeito. Onde é que eu ia arranjar um colar que desse tão bem com a saia? :P E aquele azul das bolinhas que é quase igual ao do top. Fantástico.
Para começar o dia...
Levei o miúdo à escola, como sempre. Deixei-o no sítio do costume, no acesso próximo, e preparava-me para arrancar quando uma data de miúdos começam a correr para a estrada, na direcção contrária à da escola. O meu primeiro pensamento foi o amoklauf que tinha sido anunciado há uns tempos no tampo de uma mesa da escola, com data e tudo, que não se tinha chegado a concretizar. (Na altura pensei que era brincadeira, alguém que não queria ter aulas nesse dia, como quando eu era miúda e alguém telefonava para a escola a avisar que havia uma bomba, provavelmente para não ter que fazer algum teste.) Já me estava a preparar para pegar no meu rapaz e levá-lo dali para fora rapidamente, quando me apercebi do que realmente se estava a passar. Um grupo de adolescentes mafarricos, cada um com uma pistola de água daquelas gigantes (tipo supersoaker) estavam a atirar a quem chegava. Uma partida portanto. E os miúdos tinham-se organizado, até tinham t-shirts para o evento e tudo. Ainda estou para ver o sentido de humor dos alemães para esta brincadeira. Eu achei graça...
20 maio 2010
A aventura da carta de mota III
O exame
No dia do exame tive que conduzir a mota até à DGV mais próxima (acho eu que era a DGV, mas se calhar tem outro nome...) que ainda fica a uns quilómetros. Mais um passeio na estrada nacional, desta vez mais longe que eu já tinha ido, e, pela primeira vez, com chuva a cair. Alguma vez tinha que acontecer. Por cima do meu equipamento normal lá pus um impermeável gigantesco, mais para não ficar com frio pois as minhas roupas de motard são à prova de água. No caminho aconteceu-me logo o primeiro susto: ao virar para uma ponte, em que a visibilidade era reduzida por haver muitas árvores, aparece-me um carro em direcção contrária mas que vinha em metade da minha faixa... a sorte é que eu vinha bastante enconstada à direita, senão tinha-me acertado e eu nem teria tempo de reagir. O maluco do condutor tinha o corpo do lado do passageiro, pareceu-me que estaria a tirar uma sandes do porta-luvas ou algo semelhante...
Quando chegámos à cidade lá fui dar o passeio da praxe, ruas residenciais, ruas movimentadas, cruzamentos, rotundas, subidas, descidas. E os malfadados oitos. No início do passeio em ruas planas ou pouco inclinadas, no fim numa subida acentuada. Foi um desastre. À primeira tentativa caí. À segunda - que eu não desisto facilmente, quando estava a terminar a curva aproximei-me demais do passeio, acelerei com a intençao de não cair, e quando dei por ela tinha subido o passeio, fui contra um muro, parti a mota e caí no chão. Não me aleijei, mas fiquei com a confiança bastante abalada. A mota ficou sem o pisca de um lado e um dos apoios dos pés também partiu, quase nem dava para meter as mudanças. Tive que levar a mota a uma oficina por que da maneira que estava nem sequer poderia fazer o exame. Acabei por não almoçar decentemente, e fiquei sentada no passeio enquanto me arranjavam a mota, a deitar contas à vida e a pensar como é que isto podia ser, que miséria, a única coisa que eu não consigo fazer e que me vai fazer chumbar no exame. E ia dizendo para os meus botões que a única hipótese que tinha de me safar seria se, por algum milagre, o examinador me mandasse fazer os oitos numa rua sem inclinação...
Sentada naquele passeio com um olhar miserável, a atrair olhares de pena de quem passava e pessoas a perguntar se tinha caído da mota (sim caí, mas não me aleijei), lá me acalmei, e convenci-me que não era o fim do mundo e que se não passasse desta teria que treinar mais, pois mais tarde ou mais cedo havia de ser capaz de fazer os oitos na perfeição, fosse onde fosse.
Quando a mota já estava pronta lá fui para o local do exame, comi uma tosta à pressa (belo almoço!) e fui à chamada. Todos os candidatos que estavam à espera tinham como equipamento... um capacete. Ainda mandaram umas bocas por eu estar completamente equipada, mas eu ri-me e disse que se caísse ao menos não me ia magoar (e pensei, com as vezes que eu já caí da mota, se não fossem as protecções já tinha partido alguma coisa e desistido disto para todo o sempre).
O meu exame ia ser o segundo, e por isso pude ir ter ao ponto de encontro, que era fora da cidade, na mota, nas calmas. Foi um passeio bom, deu para andar um bocado mais depressa que o costume (70-80km/h é uma velocidade genial ;)), e enquanto rodava naquela estrada pensava que aquilo era o motivo pelo qual eu queria tirar a carta de mota. Acalmei, deixei de me preocupar com o resultado do exame, e decidi desfrutar o passeio, tanto aquele como o de regresso, quando o examinador estivesse atrás de mim a julgar todos os meus movimentos em cima da burra. (ah, ouvi esta na oficina e achei tanta graça...)
Quando o examinador chegou ao ponto de encontro com o outro rapaz em cima da mota (vinha todo contente, sabia que só podia ter passado), o homem olha para mim, com calças, casaco, botas, luvas e capacete, e olha para o rapaz, e diz-lhe, eu admiro um candidato que vem para o exame assim vestido. (Ganhei logo ali uns pontos, pareceu-me.) E depois começa a contar alguns dos seus próprios acidentes de mota, sem equipamento, com muita tolice à mistura, e a sorte de lhes ter sobrevivido, embora às vezes com marcas para a vida, e eu ali a pensar no que é que me fui meter, ainda me espeto contra qualquer coisa e me arrependo desta ideia louca para o resto da minha vida...
O exame começou com umas perguntinhas sobre a mota - como é que se faz o pisca, como é que se ligam os máximos, o que indicam as luzes e os instrumentos no painel da mota. Foi a parte fácil. Depois lá me sentei, liguei a mota, e conduzi de volta à cidade (fantástica, esta parte) a uns 80km/h para o homem não morrer de tédio e com cuidado para não ir demasiado encostada à esquerda e com muita atenção ao tráfego. Em chegando à cidade mandou-me virar à esquerda, à direita, entrar em diversas rotundas e sair das várias maneiras possíveis, tive que parar nas passadeiras e safar-me de umas confusões de trânsito normais para quem está habituado a conduzir um automóvel. Depois de muito passeio em cidade, o examinador lá me manda para uma zona residencial, uma rua larga, mas inclinada e diz-me "agora faça aí os oitos". E eu só pensei pronto, é agora que me lixo, não tenho hipótese, será que vale a pena sequer tentar... Estava mesmo nervosa, mas lá me decidi a tentar, consegui fazer uns oitos, o homem ficou satisfeito e mandou-me continuar e eu nem conseguia acreditar que tinha conseguido, estava toda a tremer... mas a mota essa, ia segura. :) Suponho que já ter tido feito umas viragens à esquerda e à direita mais apertadas em subidas antes dos oitos tenha ajudado a o examinador não me ter mandado fazer oitos num sítio mais difícil. A verdade é que eu consigo dominar a mota a baixas velocidades e situações mais complicadas, mas os oitos em subida dão cabo de mim, é trauma de ter caído tantas vezes.
Depois disto ainda dei mais uns passeios, muitas curvas à esquerda, à direita, subidas, descidas, e depois regressámos ao parque da DGV. O examinador desejou-me felicidades, eu interpretei isso como um "passou" e considerei-o uma prenda de anos. O instrutor de condução também deve ter ficado todo contente, já que assim não tem que me dar mais aulas e não lhe volto a partir a mota. :D
Mais uma vez, acho que tive uma sorte do catano, e depois do que me aconteceu só sei que vou ter muito cuidadinho. Tive que trazer a mota de volta à escola de condução, mais uns quilómetros em estrada nacional e debaixo de chuva, e apreciei tanto o passeio, mais uma vez, que só decidi não comprar uma mota nova muito cara. É que se voltar a cair não quero ficar muito triste por causa da mota... Por agora o plano é esperar pela carta definitiva, arranjar uma motinha para principiantes e praticar muito, de preferência com a companhia de motards com muita experiência.
Quando chegámos à cidade lá fui dar o passeio da praxe, ruas residenciais, ruas movimentadas, cruzamentos, rotundas, subidas, descidas. E os malfadados oitos. No início do passeio em ruas planas ou pouco inclinadas, no fim numa subida acentuada. Foi um desastre. À primeira tentativa caí. À segunda - que eu não desisto facilmente, quando estava a terminar a curva aproximei-me demais do passeio, acelerei com a intençao de não cair, e quando dei por ela tinha subido o passeio, fui contra um muro, parti a mota e caí no chão. Não me aleijei, mas fiquei com a confiança bastante abalada. A mota ficou sem o pisca de um lado e um dos apoios dos pés também partiu, quase nem dava para meter as mudanças. Tive que levar a mota a uma oficina por que da maneira que estava nem sequer poderia fazer o exame. Acabei por não almoçar decentemente, e fiquei sentada no passeio enquanto me arranjavam a mota, a deitar contas à vida e a pensar como é que isto podia ser, que miséria, a única coisa que eu não consigo fazer e que me vai fazer chumbar no exame. E ia dizendo para os meus botões que a única hipótese que tinha de me safar seria se, por algum milagre, o examinador me mandasse fazer os oitos numa rua sem inclinação...
Sentada naquele passeio com um olhar miserável, a atrair olhares de pena de quem passava e pessoas a perguntar se tinha caído da mota (sim caí, mas não me aleijei), lá me acalmei, e convenci-me que não era o fim do mundo e que se não passasse desta teria que treinar mais, pois mais tarde ou mais cedo havia de ser capaz de fazer os oitos na perfeição, fosse onde fosse.
Quando a mota já estava pronta lá fui para o local do exame, comi uma tosta à pressa (belo almoço!) e fui à chamada. Todos os candidatos que estavam à espera tinham como equipamento... um capacete. Ainda mandaram umas bocas por eu estar completamente equipada, mas eu ri-me e disse que se caísse ao menos não me ia magoar (e pensei, com as vezes que eu já caí da mota, se não fossem as protecções já tinha partido alguma coisa e desistido disto para todo o sempre).
O meu exame ia ser o segundo, e por isso pude ir ter ao ponto de encontro, que era fora da cidade, na mota, nas calmas. Foi um passeio bom, deu para andar um bocado mais depressa que o costume (70-80km/h é uma velocidade genial ;)), e enquanto rodava naquela estrada pensava que aquilo era o motivo pelo qual eu queria tirar a carta de mota. Acalmei, deixei de me preocupar com o resultado do exame, e decidi desfrutar o passeio, tanto aquele como o de regresso, quando o examinador estivesse atrás de mim a julgar todos os meus movimentos em cima da burra. (ah, ouvi esta na oficina e achei tanta graça...)
Quando o examinador chegou ao ponto de encontro com o outro rapaz em cima da mota (vinha todo contente, sabia que só podia ter passado), o homem olha para mim, com calças, casaco, botas, luvas e capacete, e olha para o rapaz, e diz-lhe, eu admiro um candidato que vem para o exame assim vestido. (Ganhei logo ali uns pontos, pareceu-me.) E depois começa a contar alguns dos seus próprios acidentes de mota, sem equipamento, com muita tolice à mistura, e a sorte de lhes ter sobrevivido, embora às vezes com marcas para a vida, e eu ali a pensar no que é que me fui meter, ainda me espeto contra qualquer coisa e me arrependo desta ideia louca para o resto da minha vida...
O exame começou com umas perguntinhas sobre a mota - como é que se faz o pisca, como é que se ligam os máximos, o que indicam as luzes e os instrumentos no painel da mota. Foi a parte fácil. Depois lá me sentei, liguei a mota, e conduzi de volta à cidade (fantástica, esta parte) a uns 80km/h para o homem não morrer de tédio e com cuidado para não ir demasiado encostada à esquerda e com muita atenção ao tráfego. Em chegando à cidade mandou-me virar à esquerda, à direita, entrar em diversas rotundas e sair das várias maneiras possíveis, tive que parar nas passadeiras e safar-me de umas confusões de trânsito normais para quem está habituado a conduzir um automóvel. Depois de muito passeio em cidade, o examinador lá me manda para uma zona residencial, uma rua larga, mas inclinada e diz-me "agora faça aí os oitos". E eu só pensei pronto, é agora que me lixo, não tenho hipótese, será que vale a pena sequer tentar... Estava mesmo nervosa, mas lá me decidi a tentar, consegui fazer uns oitos, o homem ficou satisfeito e mandou-me continuar e eu nem conseguia acreditar que tinha conseguido, estava toda a tremer... mas a mota essa, ia segura. :) Suponho que já ter tido feito umas viragens à esquerda e à direita mais apertadas em subidas antes dos oitos tenha ajudado a o examinador não me ter mandado fazer oitos num sítio mais difícil. A verdade é que eu consigo dominar a mota a baixas velocidades e situações mais complicadas, mas os oitos em subida dão cabo de mim, é trauma de ter caído tantas vezes.
Depois disto ainda dei mais uns passeios, muitas curvas à esquerda, à direita, subidas, descidas, e depois regressámos ao parque da DGV. O examinador desejou-me felicidades, eu interpretei isso como um "passou" e considerei-o uma prenda de anos. O instrutor de condução também deve ter ficado todo contente, já que assim não tem que me dar mais aulas e não lhe volto a partir a mota. :D
Mais uma vez, acho que tive uma sorte do catano, e depois do que me aconteceu só sei que vou ter muito cuidadinho. Tive que trazer a mota de volta à escola de condução, mais uns quilómetros em estrada nacional e debaixo de chuva, e apreciei tanto o passeio, mais uma vez, que só decidi não comprar uma mota nova muito cara. É que se voltar a cair não quero ficar muito triste por causa da mota... Por agora o plano é esperar pela carta definitiva, arranjar uma motinha para principiantes e praticar muito, de preferência com a companhia de motards com muita experiência.
A aventura da carta de mota II
As aulas práticas
É preciso ter em conta que, há pouco mais de um mês, eu nem sequer sabia onde é que era o acelarador e pensava que a manete da esquerda também era para travar (é a embraiagem). E não fazia ideia que há um botão para ligar, um para paragens de emergência, e que é preciso desfazer os piscas. A minha primeira aula foi aprender a arrancar a mota. Fantástico, consegui andar uns metros, deixei a mota ir abaixo uma vez, e deixei-a cair uma vez (subida em curva). Achei aquilo o máximo. Mais umas aulitas e já pude dar uns passeios fora da cidade, assustar-me com os cães (tanto cão à solta nas aldeias, e cães pastores enormes a tomar conta das ovelhas...), tentar não passar por cima da bosta de vaca para não escorregar... Andei em sítios e estradas onde nunca antes tinha estado, vi paisagens lindíssimas, e parecia-me que 40 km/h era mesmo rápido...
Depois vieram os 8s. Para quem não sabe, o exame de condução consiste num passeio :) em cidade, fora da cidade, e em fazer oitos com a mota numa rua à escolha do examinador. É proibido pôr o pé no chão e cair... Suponho que a ideia seja perceber se o candidato tem capacidade para se desenrascar em situações mais complicadas como curvas apertadas, porque de resto, não estou a ver-me nunca a vida a escolher uma rua menos movimentada para me por para ali a desenhar oitos com a mota... Quero a mota para passear, não para fazer gincanas.
Depois de algum treino lá aprendi a fazer os sacanas dos oitos numa rua de uma zona residencial. O problema veio quando me disseram para os fazer numa rua inclinada... É que a primeira vez que tentei caí, assustei-me, e a partir daí bloqueei e raramente conseguia.
Depois vieram os 8s. Para quem não sabe, o exame de condução consiste num passeio :) em cidade, fora da cidade, e em fazer oitos com a mota numa rua à escolha do examinador. É proibido pôr o pé no chão e cair... Suponho que a ideia seja perceber se o candidato tem capacidade para se desenrascar em situações mais complicadas como curvas apertadas, porque de resto, não estou a ver-me nunca a vida a escolher uma rua menos movimentada para me por para ali a desenhar oitos com a mota... Quero a mota para passear, não para fazer gincanas.
Depois de algum treino lá aprendi a fazer os sacanas dos oitos numa rua de uma zona residencial. O problema veio quando me disseram para os fazer numa rua inclinada... É que a primeira vez que tentei caí, assustei-me, e a partir daí bloqueei e raramente conseguia.
A aventura da carta de mota I
Há coisas giras nesta vida. Uma delas é andar de mota. Sentir o vento, desfrutar a paisagem, estar só na estrada, e ir cantarolando o que vier à cabeça. (E prestar atenção aos cães, que se se enfiam no meio das rodas é tombo certo, e aos buracos na estrada, e aos obstáculos, e aos objectos não identificados e potencialmente escorregadios.) Fazer isto durante umas horas numa estrada nacional deserta tem quase o mesmo efeito que olhar para o mar sentada na areia quando a praia está deserta - com a diferença que depois posso ficar um bocado dorida de estar sempre na mesma posição.
Sempre quis ter carta de mota. Quando era miúda não me deixaram, e agora lá me decidi a deixar de adiar. E tinha que ser depressinha, que já não há tempo a perder. Em quinze dias preparei-me para o exame teórico, e fui tendo umas aulas práticas. Fiz os testes todos que havia na escola, fiz os testes todos do site do IMT, e quando vi o exame à minha frente mal podia acreditar que, das 10 perguntas, não tinha a certeza da resposta a 4 (que nunca tinha visto antes). Durante os 10 minutos do exame vi e revi as respostas, mudei uma no último minuto, e nos 20 minutos seguintes que estive à espera do resultado perguntei-me um milhão de vezes onde é que teria ido parar a minha sorte, como é que podia ser, eu não passar. Isto não podia ser, eu safo-me sempre, que é que eu iria fazer agora. Peguei no livro (sim, também tinha lido o livro todo), confirmei uma das perguntas (das 3 que tinha dúvidas), procurei e não encontrei a resposta às outras, amaldiçoei quem fez o livro e os testes, e quando recebi o resultado do exame... perguntei-me como é que eu tinha duvidado da minha sorte. Tinha acertado todas.
Sempre quis ter carta de mota. Quando era miúda não me deixaram, e agora lá me decidi a deixar de adiar. E tinha que ser depressinha, que já não há tempo a perder. Em quinze dias preparei-me para o exame teórico, e fui tendo umas aulas práticas. Fiz os testes todos que havia na escola, fiz os testes todos do site do IMT, e quando vi o exame à minha frente mal podia acreditar que, das 10 perguntas, não tinha a certeza da resposta a 4 (que nunca tinha visto antes). Durante os 10 minutos do exame vi e revi as respostas, mudei uma no último minuto, e nos 20 minutos seguintes que estive à espera do resultado perguntei-me um milhão de vezes onde é que teria ido parar a minha sorte, como é que podia ser, eu não passar. Isto não podia ser, eu safo-me sempre, que é que eu iria fazer agora. Peguei no livro (sim, também tinha lido o livro todo), confirmei uma das perguntas (das 3 que tinha dúvidas), procurei e não encontrei a resposta às outras, amaldiçoei quem fez o livro e os testes, e quando recebi o resultado do exame... perguntei-me como é que eu tinha duvidado da minha sorte. Tinha acertado todas.
18 maio 2010
Aquela coisa do dia perfeito*
Na verdade, não preciso de muito para que um dia seja perfeito. Todos os meus dias têm partes perfeitas, era questão de juntar as partes durante um dia inteiro. Tipo acordar com sol, ir às compras com as minhas irmãs, almoçar com um amigo, ir ao cinema com o miúdo, jantar e ir para os copos com a minha melhor amiga. Ou então, um dia de verão (os dias de verão são todos quase perfeitos ou perfeitos), daqueles em que passo o dia na praia a fazer bodyboard, a ler e a dormir, almoço qualquer coisa leve naquele sítio onde têm uma cama de rede à disposição, e ao jantar vou a um daqueles restaurantes que servem delícias como ameijoas e atum fresco com tomate e ainda têm sobremesas deliciosas como leite-creme. Ou então ir ao karaoke com as minhas manas, companheiras da maior parte das coisas mais divertidas que fiz (e faço) na vida.
E, hoje em dia, um dia perfeito pode ser um dia em que nem esteja assim tanto sol e nem esteja assim tanto calor, e eu vá dar um passeio de mota (sim, já tenho a carta, foi uma aventura).
Um dia perfeito pode ser um sábado ou um domingo (com pequenos-almoços preguiçosos a dar para o brunch, sempre, que eu crio hábitos quando gosto muito das coisas), e também pode ser durante a semana, de férias (quando todos os dias são igualmente importantes e têm quase o mesmo significado) ou de trabalho (eu gosto do trabalho por razões semelhantes a ter gostado da escola).
(por causa disto. e disto)
E, hoje em dia, um dia perfeito pode ser um dia em que nem esteja assim tanto sol e nem esteja assim tanto calor, e eu vá dar um passeio de mota (sim, já tenho a carta, foi uma aventura).
Um dia perfeito pode ser um sábado ou um domingo (com pequenos-almoços preguiçosos a dar para o brunch, sempre, que eu crio hábitos quando gosto muito das coisas), e também pode ser durante a semana, de férias (quando todos os dias são igualmente importantes e têm quase o mesmo significado) ou de trabalho (eu gosto do trabalho por razões semelhantes a ter gostado da escola).
(por causa disto. e disto)
17 maio 2010
Experimente o pão de ló em miniatura. Pode levar à confiança que são uma maravilha, eu até guardei ali uma caixa para levar para casa. Ah menina, e experimente esse sumo, que é novo, e vai ver que não se arrepende. Leve, que se não gostar é só trazê-lo cá que eu devolvo-lhe o dinheiro do meu bolso. Olhe que só estou a dizer isso porque sei que é mesmo bom, a menina vai gostar.
Só por isto, vale a pena ir ao Porto.
Só por isto, vale a pena ir ao Porto.
06 maio 2010
Há coisas fantásticas
Há uns tempos atrás (parece ter sido há séculos) alguém me convenceu que quando tivesse a minha menina, nunca mais ia voltar a ter o corpo que tinha. O que até pode ser verdade. Se calhar isto foi dito com a melhor das intenções - um "resigna-te, nunca mais vais andar com a barriga à mostra ou as pernas ao léu" - e a verdade é que, por uns tempos, resultou. Tive a minha menina, mudei o guarda-roupa, convenci-me que não ficava bem com a roupa que antes usava. E continuei a falar com pessoas que me explicaram que, depois de ter filhos, não só estava "fora do mercado" como nem valia a pena imaginar que algum dia algum homem se pudesse interessar por uma mulher... digamos, usada. Eu até achei o comentário estranho (mas em que mundo é que esta gente vive?), a desistência da parte de quem o disse, resignação, impotência, sei lá, mas ainda assim, contestei. Que não é nada assim, lá porque temos filhos não morremos, não deixamos de ser giras, não deixamos de ser pessoas, não deixamos de ser fantásticas. Pelo menos pela parte que me toca. Que depois de ter o primeiro ainda continuei a ser abordada por estranhos na rua, por menos estranhos no trabalho, que continuei a ouvir os assobios ou os comentários de alguns homens quando passava na rua. Mas pronto, se calhar esta gente tem razão, depois do segundo filho, é o fim.
Se alguém algum dia vos disser isto, gajas que me lêem, não acreditem. A vida só acaba para quem se recusa a vivê-la. As pessoas só deixam de ser atraentes se se fecharem em si mesmas. E não é por ter tido meia dúzia de filhos que já não se pode usar uma mini-saia ou um top mais decotado. Ser mãe não implica deixar de ser sexy. Não implica ter apenas os miúdos na cabeça (e nos braços) o tempo todo. Sim, eles ocupam-nos o tempo e os pensamentos, e a nossa vida funciona à volta deles, nem poderia ser de outra maneira. Mas não deixamos de ser, primeiro que tudo, seres humanos. Quem pensam, riem, sentem, exactamente como antes de terem umas criaturinhas para tomar conta, educar, amar.
(Demorou a voltar a sentir-me como antes. Fantástica. Mas agora é assim que me sinto. E isso reflecte-se nas outras pessoas.)
Se alguém algum dia vos disser isto, gajas que me lêem, não acreditem. A vida só acaba para quem se recusa a vivê-la. As pessoas só deixam de ser atraentes se se fecharem em si mesmas. E não é por ter tido meia dúzia de filhos que já não se pode usar uma mini-saia ou um top mais decotado. Ser mãe não implica deixar de ser sexy. Não implica ter apenas os miúdos na cabeça (e nos braços) o tempo todo. Sim, eles ocupam-nos o tempo e os pensamentos, e a nossa vida funciona à volta deles, nem poderia ser de outra maneira. Mas não deixamos de ser, primeiro que tudo, seres humanos. Quem pensam, riem, sentem, exactamente como antes de terem umas criaturinhas para tomar conta, educar, amar.
(Demorou a voltar a sentir-me como antes. Fantástica. Mas agora é assim que me sinto. E isso reflecte-se nas outras pessoas.)
30 abril 2010
vrrrrrummmm
Já andava a adiar tirar a carta de mota há demasiados anos. Mais do que os que tinha quando pedi aos meus pais que me comprassem uma e eles disseram "mas estás maluca! nem penses!". Parece-me que ponderei tempo suficiente. Anunciei à família o que ia fazer, e mais uma vez perguntaram-me se estou maluca. Bem, não mais que há uma data de anos atrás.
E lá fui. As aulas de código foram fantásticas, a começar pelo dia em que o instrutor me perguntou como é que era a regra da prioridade nas rotundas quando eu tirei a carta, há um milhão de anos atrás, e logo um rapazote se sai com um "é pá, eu tinha acabado de nascer nessa altura". O que, sendo verdade, chateia. Pronto, sou oficialmente um dinossauro. Mas eu ao menos já tenho a carta, e as motas que aquele atrevidote quer poder conduzir eu já posso, sem ter que passar nenhum exame. Toma lá.
O exame teórico foi um bocado chato. Assim tipo de eu ficar na dúvida em 4 perguntas (em 10, e só se pode errar uma), sair de lá uma pilha de nervos e a perguntar-me o que é que aconteceu à minha sorte, como é que pode ser, mas eu safo-me sempre!, não estou preparada para não passar, e no fim do filme, descobrir que tinha acertado tudo. (Como é que eu pude duvidar da minha sorte fenomenal, mil perdões.)
As aulas práticas, o andar de mota propriamente dito, é fenomenal. Depois de ultrapassadas as primeiras dificuldades - não é que as manetes não são as duas travões?! e aquela cena de trocar as mudanças com o pé e ter o neutro entre a primeira e a segunda não está com nada! - andar de mota é absolutamente fantástico. E nem é preciso ir muito depressa para se ter uma sensação de liberdade (sim! liberdade), desfrutar da paisagem (sem deixar de olhar para a estrada, que eu tenho medo de escorregar em areia ou outra coisa qualquer e não tenciono cair e aleijar-me) e simplesmente sentir o vento no corpo (não é na cara, que o capacete vai fechado, até para evitar que entrem mosquitos :D).
Difícil, difícil, é fazer os oitos. O exame tem uma parte em que tenho que descrever oitos na estrada, verificar se vem alguém e não por o pé no chão... A dificuldade está em -ironia das ironias -ter que se fazer isto muito devagar, porque o espaço para o fazer é curto. Com uma mota pequena (125cc, 100kg) não tenho problemas, com uma mota a sério - a que vou usar no exame - a coisa já pia mais fino.É que eu não sou assim muito grande, e a mota pesa 200Kg. Se virar o guiador um bocadinho demais o centro de gravidade desloca-se para um sítio onde já não tenho forma de o contrariar - e a mota cai-me em cima. Pois. E caiu, já, duas vezes. Uma das quais foi direitinha em cima do meu pé, que ficou preso debaixo do depósito de combustível, e sem que me fosse possível sair daquela situação sem ajuda. Felizmente estava equipada - fato, capacete, botas, luvas - e em vez de partir o pé, não senti nada. :D Fiquei intacta, só o meu orgulho é que ficou um bocadinho ferido, mas já passou. Eu hei-de conseguir lembrar-me de não virar tanto a mota. E nessa altura vai ser só passeios. :D
E lá fui. As aulas de código foram fantásticas, a começar pelo dia em que o instrutor me perguntou como é que era a regra da prioridade nas rotundas quando eu tirei a carta, há um milhão de anos atrás, e logo um rapazote se sai com um "é pá, eu tinha acabado de nascer nessa altura". O que, sendo verdade, chateia. Pronto, sou oficialmente um dinossauro. Mas eu ao menos já tenho a carta, e as motas que aquele atrevidote quer poder conduzir eu já posso, sem ter que passar nenhum exame. Toma lá.
O exame teórico foi um bocado chato. Assim tipo de eu ficar na dúvida em 4 perguntas (em 10, e só se pode errar uma), sair de lá uma pilha de nervos e a perguntar-me o que é que aconteceu à minha sorte, como é que pode ser, mas eu safo-me sempre!, não estou preparada para não passar, e no fim do filme, descobrir que tinha acertado tudo. (Como é que eu pude duvidar da minha sorte fenomenal, mil perdões.)
As aulas práticas, o andar de mota propriamente dito, é fenomenal. Depois de ultrapassadas as primeiras dificuldades - não é que as manetes não são as duas travões?! e aquela cena de trocar as mudanças com o pé e ter o neutro entre a primeira e a segunda não está com nada! - andar de mota é absolutamente fantástico. E nem é preciso ir muito depressa para se ter uma sensação de liberdade (sim! liberdade), desfrutar da paisagem (sem deixar de olhar para a estrada, que eu tenho medo de escorregar em areia ou outra coisa qualquer e não tenciono cair e aleijar-me) e simplesmente sentir o vento no corpo (não é na cara, que o capacete vai fechado, até para evitar que entrem mosquitos :D).
Difícil, difícil, é fazer os oitos. O exame tem uma parte em que tenho que descrever oitos na estrada, verificar se vem alguém e não por o pé no chão... A dificuldade está em -ironia das ironias -ter que se fazer isto muito devagar, porque o espaço para o fazer é curto. Com uma mota pequena (125cc, 100kg) não tenho problemas, com uma mota a sério - a que vou usar no exame - a coisa já pia mais fino.É que eu não sou assim muito grande, e a mota pesa 200Kg. Se virar o guiador um bocadinho demais o centro de gravidade desloca-se para um sítio onde já não tenho forma de o contrariar - e a mota cai-me em cima. Pois. E caiu, já, duas vezes. Uma das quais foi direitinha em cima do meu pé, que ficou preso debaixo do depósito de combustível, e sem que me fosse possível sair daquela situação sem ajuda. Felizmente estava equipada - fato, capacete, botas, luvas - e em vez de partir o pé, não senti nada. :D Fiquei intacta, só o meu orgulho é que ficou um bocadinho ferido, mas já passou. Eu hei-de conseguir lembrar-me de não virar tanto a mota. E nessa altura vai ser só passeios. :D
21 abril 2010
Puxa
Já ando a escrever blogues há 6 anos. Dei agora por ela. Desde 19 de Abril de 2004. Embora ultimamente escreva cada vez menos - acho que a escrita me sai de forma inversamente proporcional às complicações da minha vida - continuo a achar isto dos blogues fantástico. E em retrospectiva, acho imensa graça a poder rever como me senti em alguma altura. Não é que escreva como se isto fosse um diário, que não o é. Mas tenho coisas nos arquivos que ainda hoje me fazem rir. E outras, crípticas, que já não consigo decifrar. Tenho a impressão que um dia destes volto ao ritmo antigo. E daí talvez não, que quando a minha vida voltar a acelerar posso não ter tempo para parar e escrever sobre o que me passa pela cabeça.
16 abril 2010
Perspectivas
Não perdi o voo de ligação, apesar da porta já ter fechado e o avião estar prestes a sair. Infelizmente não se pode dizer o mesmo da bagagem. Eu cheguei, as malas não.
Por causa da confusão na porta, o funcionário ficou com os meus bilhetes, que substituiu por outros. A chatice é que os bilhetes tinham lá coladas as etiquetas da bagagem. Nunca as tinha perdido antes. Tinha logo que acontecer quando as malas não apanharam o mesmo avião que eu...
Apesar de tudo, a funcionária em Munique conseguiu localizar as malas perdidas (todas as 6!) sem que houvesse dúvidas que aquelas eram mesmo as minhas. Atribuíram-me um número para poder ver na internet por onde andavam, e prometeram entregá-las em breve. E cumpriram, menos de 24 horas depois tinha um rapaz simpático à minha porta com as minhas coisas todas. Fantástico.
Eu acho que tive uma sorte desgraçada. Além de tudo, apenas perdi cerca de 30 minutos no aeroporto a reclamar, e despachei-me antes do voo de ligação seguinte chegar (portanto, saldo positivo). E não tive que carregar as malas até casa eheheh. :)
Por causa da confusão na porta, o funcionário ficou com os meus bilhetes, que substituiu por outros. A chatice é que os bilhetes tinham lá coladas as etiquetas da bagagem. Nunca as tinha perdido antes. Tinha logo que acontecer quando as malas não apanharam o mesmo avião que eu...
Apesar de tudo, a funcionária em Munique conseguiu localizar as malas perdidas (todas as 6!) sem que houvesse dúvidas que aquelas eram mesmo as minhas. Atribuíram-me um número para poder ver na internet por onde andavam, e prometeram entregá-las em breve. E cumpriram, menos de 24 horas depois tinha um rapaz simpático à minha porta com as minhas coisas todas. Fantástico.
Eu acho que tive uma sorte desgraçada. Além de tudo, apenas perdi cerca de 30 minutos no aeroporto a reclamar, e despachei-me antes do voo de ligação seguinte chegar (portanto, saldo positivo). E não tive que carregar as malas até casa eheheh. :)
11 abril 2010
Sabes que estás em Portugal...
...quando, no dia a seguir ao jogo (um qualquer, não interessa qual é sempre a mesma coisa desde que se fale de futebol), o único assunto que se discute é o jogo. Há quanto tempo não ouvia disto.
Ou então eu é que tenho amigos estrangeiros muito esquisitos que não ligam a bolas redondas e gajos em calções.
Ou então eu é que tenho amigos estrangeiros muito esquisitos que não ligam a bolas redondas e gajos em calções.
21 março 2010
Sabemos que a loja é mesmo boa quando...
Ora anda uma pessoa sossegadinha às compras, a pensar nas camisolas que precisa e calças que já não servem e coisas assim, lá escolhe umas coisitas para experimentar, e quando chega ao provador, vê o casaco perfeito pousado em cima de uma mesa, daquelas onde o pessoal deixa a roupa que não quer, para que alguém depois arrume no lugar. O casaco era feito do material certo, tinha o tamanho (que não estava fácil de encontrar) certo, a cor perfeita para combinar com quase tudo o que já se encontrava no roupeiro em casa... E quando a pessoa resolve experimentar o casaco, leva as mãos ao bolso e encontra um maço de tabaco e um isqueiro. E rapidamente volta a pôr o casaco onde estava, que pelos vistos os casacos perfeitos já têm dono. ;)
14 março 2010
vrrummm...
Fui comprar o equipamento para a mota. (A tal que ainda não tenho.) Eu quero andar de mota mas parece que toda a gente tem acidentes, pelo que de repente tomei consciência de que não se pode andar com roupa normal e um simples capacete num brinquedo destes, porque de vez em quando cai-se. Ou a mota cai em cima de nós. O mínimo obrigatório (capacete) não chega. Casaco, calças, protectores, luvas, botas. Se um dia cair, quero poder levantar-me logo a seguir.
A loja era o máximo. Todos os vendedores são motoqueiros. Alguns há 20 anos, outros menos. Todos já tiveram acidentes, e continuaram a andar de mota, pelo que alguma coisa andam a fazer bem ;). Os melhores conselhos vieram das gajas :D, porque afinal os problemas que eu tenho são os mesmos que elas têm. E comprei umas botas com sola mais grossa, para ficar mais alta, que às vezes pode fazer a diferença entre ficar de pé ou deixar-me cair. É que as motas são umas maquinas pesadotas. Na loja tinham a mota que eu tenciono comprar, pelo que deu para experimentar o equipamento em cima dela. Para ver se os protectores ficam no sítio certo (nem todas as calças são feitas para pernas com o comprimento das minhas ;)) e se o casaco não aperta demais nos braços. Foi fixe. E saí de lá cheia de pressa para tirar a carta (já falta pouco) e dar umas voltas por aí.
Melhores histórias? O rapaz que foi andar de mota para o Alasca por 3 semanas. 2/3 do tempo debaixo de chuva, e ainda assim veio todo contente. O rapaz que teve um acidente e deu cabo da mota, mas saiu ileso. A mulher que anda de mota há 20 anos e teve alguns acidentes, e ainda está aí para as curvas. A miúda que ficou toda excitada com o fato que eu comprei (sim, é tão fixe) e que foi logo buscar as luvas que ficam melhor (sim, com os protectores nos sítios certos) e que ela também vai comprar. ;) Ah, e eu, que já tinha ido a várias lojas só para ver, fiquei mesmo impressionada com a quantidade de mulheres que ali andavam às compras - capacetes, calças, botas. E ao mesmo tempo, percebo, nas outras lojas não havia quase nada para senhoras...
(não tenciono cair. não tenciono andar a velocidades malucas. só dar uns passeios. ainda assim, acredito que mais vale prevenir que remediar...)
A loja era o máximo. Todos os vendedores são motoqueiros. Alguns há 20 anos, outros menos. Todos já tiveram acidentes, e continuaram a andar de mota, pelo que alguma coisa andam a fazer bem ;). Os melhores conselhos vieram das gajas :D, porque afinal os problemas que eu tenho são os mesmos que elas têm. E comprei umas botas com sola mais grossa, para ficar mais alta, que às vezes pode fazer a diferença entre ficar de pé ou deixar-me cair. É que as motas são umas maquinas pesadotas. Na loja tinham a mota que eu tenciono comprar, pelo que deu para experimentar o equipamento em cima dela. Para ver se os protectores ficam no sítio certo (nem todas as calças são feitas para pernas com o comprimento das minhas ;)) e se o casaco não aperta demais nos braços. Foi fixe. E saí de lá cheia de pressa para tirar a carta (já falta pouco) e dar umas voltas por aí.
Melhores histórias? O rapaz que foi andar de mota para o Alasca por 3 semanas. 2/3 do tempo debaixo de chuva, e ainda assim veio todo contente. O rapaz que teve um acidente e deu cabo da mota, mas saiu ileso. A mulher que anda de mota há 20 anos e teve alguns acidentes, e ainda está aí para as curvas. A miúda que ficou toda excitada com o fato que eu comprei (sim, é tão fixe) e que foi logo buscar as luvas que ficam melhor (sim, com os protectores nos sítios certos) e que ela também vai comprar. ;) Ah, e eu, que já tinha ido a várias lojas só para ver, fiquei mesmo impressionada com a quantidade de mulheres que ali andavam às compras - capacetes, calças, botas. E ao mesmo tempo, percebo, nas outras lojas não havia quase nada para senhoras...
(não tenciono cair. não tenciono andar a velocidades malucas. só dar uns passeios. ainda assim, acredito que mais vale prevenir que remediar...)
12 março 2010
06 março 2010
Isto anda assim... ;)
Não vou por aí!
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
27 fevereiro 2010
24 fevereiro 2010
17 fevereiro 2010
Há livros tao bons, tão bons...
...que toda a gente tenta oferecer ao meu miúdo. Como o diário de um banana. Vi o livro em Portugal em Novembro, e trouxe-lho (os, são dois). Ele leu, eu li, e ambos aprovámos. Há lá nada melhor que o diário de um adolescente atormentado pelo irmão mais velho. Os livros são tão bons que no natal recebeu-os outra vez, duas vezes, duas vezes tive que ir trocar os mesmos livros que eu já tinha comprado. Great minds think alike. Ou então a minha família tem poucas ideias. ;)
14 fevereiro 2010
Música a rodos
Já ouviram falar no youtube music discovery? Está aqui. Basicamente, uma pessoa escolhe uma música ou um grupo e aquilo cria uma playlist baseada nessa música ou grupo. Dá um jeitão, por exemplo quando queremos ouvir a música X mas não estamos com tempo ou inspiração para escolher a seguinte. Aconselho vivamente.
13 fevereiro 2010
31 janeiro 2010
Morrer Lentamente
"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!”
Pablo Neruda
(entretanto já vi outras traduções, um pouco diferentes. não tem importância. a mensagem é a mesma)
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!”
Pablo Neruda
(entretanto já vi outras traduções, um pouco diferentes. não tem importância. a mensagem é a mesma)
30 janeiro 2010
smoke in the eyes
E um dia o acaso empurra-nos para uma sala com um gira-discos a tocar, bebidas e aperitivos e uns gajos a contar histórias engraçadas umas atrás das outras, e rimos até nos doer a cara de tanto rir, e nem importa o fumo dos cubanos nem o frio que vem da janela. E quando acaba ficamos a pensar que se calhar devíamos ter continuado com a galhofa por mais um bocado.
21 janeiro 2010
vrrrrrrrrumm
Não hei-de morrer sem tirar a carta de mota. Das grandes, a sério. (Parece que agora posso conduzir motas até 125cc, só soube depois de decidir tirar a carta, de modos que para o fazer, lá terei que me aventurar com as grandalhonas.)
Antes que chegue a crise de meia idade. Para não virem cá depois dizer - ah e tal, tu estás é com uma crise de meia idade. Nha nha nha nha nha.
(sempre quis conduzir uma mota. sempre cravei boleias aos amigos que tinham mota. e sempre tive - e tenho - medo de ter um acidente de mota. vou ter cuidado. para já é só mesmo a carta.)
Antes que chegue a crise de meia idade. Para não virem cá depois dizer - ah e tal, tu estás é com uma crise de meia idade. Nha nha nha nha nha.
(sempre quis conduzir uma mota. sempre cravei boleias aos amigos que tinham mota. e sempre tive - e tenho - medo de ter um acidente de mota. vou ter cuidado. para já é só mesmo a carta.)
19 janeiro 2010
13 janeiro 2010
O que eu queria
era um livro que me fizesse rir.
Quando era miúda, ria-me enquanto lia na biblioteca vazia, para além da bibliotecária, que olhava para mim com cara de má. Mas ria-me na mesma.
Mais tarde ria-me na rua, com um livro na mão enquanto ia aqui ou ali.
Em Munique, ria-me no comboio no caminho para o trabalho, apesar dos olhares reprovadores de outros passageiros. E nas salas de espera dos médicos, de livro na mão, enquanto aguardava a minha vez.
Já não leio um livro que me faça rir há algum tempo. Vou ter que gamar o novo do Menino Nicolau que dei ao meu filho. (Há lá nada melhor que o menino Nicolau. E daquela vez que o Nicolau e os amigos foram jogar futebol contra uma equipa de meninos de outra escola e perderam, e os pais ficaram tão chateados com a falta de habilidade dos miúdos que depois jogaram uns contra os outros? Tão fixe...)
Quando era miúda, ria-me enquanto lia na biblioteca vazia, para além da bibliotecária, que olhava para mim com cara de má. Mas ria-me na mesma.
Mais tarde ria-me na rua, com um livro na mão enquanto ia aqui ou ali.
Em Munique, ria-me no comboio no caminho para o trabalho, apesar dos olhares reprovadores de outros passageiros. E nas salas de espera dos médicos, de livro na mão, enquanto aguardava a minha vez.
Já não leio um livro que me faça rir há algum tempo. Vou ter que gamar o novo do Menino Nicolau que dei ao meu filho. (Há lá nada melhor que o menino Nicolau. E daquela vez que o Nicolau e os amigos foram jogar futebol contra uma equipa de meninos de outra escola e perderam, e os pais ficaram tão chateados com a falta de habilidade dos miúdos que depois jogaram uns contra os outros? Tão fixe...)
12 janeiro 2010
O que eu queria mesmo estar a fazer era...
Fazer tricot (%&"*@#%* eu??? chiça, nem morta). Pseudo-roupa para as bonecas da miúda.
Tocar guitarra/aprender a tocar guitarra. Não necessariamente por esta ordem.
Ler. Bem confortável, de livro na mão, a cabeça na vida de outra gente que não existe.
Sentar-me no sofá ao sol. Ou deitar-me numa espreguiçadeira ao sol - no quentinho.
Sentar-me em frente a uma lareira, durante horas, com um pauzinho na mão para ir queimando aos poucos. Brincar com o fogo.
Tocar guitarra/aprender a tocar guitarra. Não necessariamente por esta ordem.
Ler. Bem confortável, de livro na mão, a cabeça na vida de outra gente que não existe.
Sentar-me no sofá ao sol. Ou deitar-me numa espreguiçadeira ao sol - no quentinho.
Sentar-me em frente a uma lareira, durante horas, com um pauzinho na mão para ir queimando aos poucos. Brincar com o fogo.
07 janeiro 2010
Balanço ;)
2009 foi um ano do caraças.
Em 2009 aprendi (re-aprendi) que a vida não se planeia, acontece.
Em 2009 tive que reavaliar os meus amigos. Reclassificar os muito amigos, menos amigos, pouco mais que conhecidos, pessoas com quem vivi e aprendi muito, mas com quem já não tenho nada em comum para além de memórias e um carinho especial. Aprendi que as pessoas mudam, e não mudam à mesma velocidade nem na mesma direcção, nem pelos mesmos motivos. E porventura nem se apercebem de que mudaram.
Em 2009 passei a ver as coisas com olhos novos. E nasceu em mim uma necessidade de "voltar às raízes". Nao de me mudar, mas de conhecer e reconhecer os sítios e as pessoas que significam muito para mim.
Em 2009 aprendi coisas sobre mim que ainda não me tinha apercebido. Coisas boas. E lembrei-me que vale a pena parar para pensar.
Em 2009 lembrei-me que a vida é para ser vivida, e não adiada.
2009 foi um grande ano. Não foram só rosas, que teria sido o costume, mas foi aquilo que eu precisava que fosse. Um daqueles anos em que há coisas fantásticas, mas ao mesmo tempo se dá com a cabeça na parede e percebemos que isso dói.
Um grande 2010 para todos.
Em 2009 aprendi (re-aprendi) que a vida não se planeia, acontece.
Em 2009 tive que reavaliar os meus amigos. Reclassificar os muito amigos, menos amigos, pouco mais que conhecidos, pessoas com quem vivi e aprendi muito, mas com quem já não tenho nada em comum para além de memórias e um carinho especial. Aprendi que as pessoas mudam, e não mudam à mesma velocidade nem na mesma direcção, nem pelos mesmos motivos. E porventura nem se apercebem de que mudaram.
Em 2009 passei a ver as coisas com olhos novos. E nasceu em mim uma necessidade de "voltar às raízes". Nao de me mudar, mas de conhecer e reconhecer os sítios e as pessoas que significam muito para mim.
Em 2009 aprendi coisas sobre mim que ainda não me tinha apercebido. Coisas boas. E lembrei-me que vale a pena parar para pensar.
Em 2009 lembrei-me que a vida é para ser vivida, e não adiada.
2009 foi um grande ano. Não foram só rosas, que teria sido o costume, mas foi aquilo que eu precisava que fosse. Um daqueles anos em que há coisas fantásticas, mas ao mesmo tempo se dá com a cabeça na parede e percebemos que isso dói.
Um grande 2010 para todos.
23 dezembro 2009
17 dezembro 2009
16 dezembro 2009
Na fila do supermercado... (outra vez)
Bem, desta vez não foi bem no supermercado. Fui à Saturn (equivalente ao Media Markt) buscar umas coisas para distribuir, tipo pai Natal, e quando cheguei à caixa (era o meu dia de sorte a loja estava pouco cheia e as caixas sem filas) vinha tão bem disposta que me sai um "Hello!" com um grande sorriso, em inglês e tudo. E o rapaz da caixa, olhou para mim e disse olá, registou os produtos, foi simpático quando eu tive uma dúvida sobre os preços, e ficou a olhar para mim mesmerizado, com um sorriso à toa, e dificuldades em falar. Era capaz de apostar (aposto) que se apaixonou ali mesmo, nuns escassos segundos. Sim, era um miúdo cheio de acne, que provavelmente nem tem idade para tirar a carta. Só eles é que se conseguem apaixonar em segundos e ficar completamente abananados e à rasca daquela maneira. Tão querido.
(só quando cheguei a casa é que me apercebi da cena completa. ainda estava tão bem disposta, de ter tido um dia em cheio, que achei o máximo. teenagers...)
(só quando cheguei a casa é que me apercebi da cena completa. ainda estava tão bem disposta, de ter tido um dia em cheio, que achei o máximo. teenagers...)
12 dezembro 2009
Na fila do supermercado
Um dia destes fui ao supermercado comprar chá (pensava eu). Claro que entre a prateleira do chá e todas as outras por onde tive que passar acabei por encontrar outras coisas que me faziam falta (pão! e o resto já não me recordo), e quando cheguei à caixa tinha mais de meia dúzia de coisas nas mãos. Quando estava quase a chegar a minha vez, reparei que atrás de mim se encontrava uma senhora já com alguma idade, que trazia nas mãos apenas pão, e que me pareceu já ter o dinheiro contado e tudo. Naturalmente (para mim) olhei para ela e perguntei se não queria passar à frente. Ela ficou sensibilizada (é muito simpático da sua parte), comovida até, diria, mas não aceitou. Para mim, era uma questão de educação, se calhar não tanto pela idade da senhora mas porque trazia tão pouco que a mim não me faria diferença nenhuma esperar um minuto enquanto ela se despachava. Mas confesso que fiquei um pouco baralhada por ela não ter querido passar à frente. E pensando bem, acho que nunca vi ninguém, por cá, ter um gesto semelhante.
08 dezembro 2009
Eu não devia ver anúncios...
A minha miúda tem um peluche do IKEA que é um panda. Não lho ia trazer, mas ela agarrou-se a ele e repetiu "panda" tantas vezes que achei que o esforço devia ser recompensado. Gosta tanto do panda, que no outro dia lembrei-me de lhe por a televisão no canal dos miúdos que tem o dito como estrela principal. Foi a loucura. De cada vez que dava a canção de natal havia dança e risota em casa. :)
Até aqui, tudo normal... o problema é que nesta altura do ano os anúncios a brinquedos não páram. É um atrás do outro. E são giros. Tanto os anúncios como os brinquedos. O rapaz lá de casa ficou logo a saber o que é que quer de prenda de Natal. E eu, que só ia fazer uns livrinhos para a miúda com desenhos das palavras que ela já conhece em Português e mais umas novas para ela aprender, tramei-me. Descobri uma boneca muito gira. Que traz um microfone e canta músicas infantis - o atirei o pau ao gato, por exemplo. Eu quero essa boneca. A dificuldade está em encontrá-la. Não posso propriamente ir ao Continente ou ao Toys R Us. Nos sites portugueses não a encontrei. E só descobri que a boneca se chama pop star melody aqui. Estou tramada.
Até aqui, tudo normal... o problema é que nesta altura do ano os anúncios a brinquedos não páram. É um atrás do outro. E são giros. Tanto os anúncios como os brinquedos. O rapaz lá de casa ficou logo a saber o que é que quer de prenda de Natal. E eu, que só ia fazer uns livrinhos para a miúda com desenhos das palavras que ela já conhece em Português e mais umas novas para ela aprender, tramei-me. Descobri uma boneca muito gira. Que traz um microfone e canta músicas infantis - o atirei o pau ao gato, por exemplo. Eu quero essa boneca. A dificuldade está em encontrá-la. Não posso propriamente ir ao Continente ou ao Toys R Us. Nos sites portugueses não a encontrei. E só descobri que a boneca se chama pop star melody aqui. Estou tramada.
30 novembro 2009
Em Macau
A viciar-me em chá de jasmim e bolinhos de amêndoa. Já comi um pastel de nata e não estava nada mau. Acho imensa piada aos produtos de farmácia chineses - comprei uma "cena" com não sei o quê de dragão para as dores nos pés - na verdade aquilo é basicamente óleo de eucalipto, menta e cânfora, mas eles chamam-lhe de dragão.Como queiram. Comprei uns marcadores florescentes para o meu filho, com cheirinho e tudo (bem, esta parte se calhar vai estragar tudo), por 2 patacas cada. Uma pataca são uns 10 cêntimos.
Os táxis são baratíssimos (onde é que um gajo vai a algum lado por menos de dois euros? só aqui!), embora os condutores nem sempre falem inglês ou entendam o que se quer. Viva o cartão do hotel e os mapas, que é o que me vale para poder andar de um lado para o outro.
No centro é um mar de gente, anda tudo às compras pelas ruas estreitas, as pessoas acotovelam-se, até parece que está tudo em saldos. Vendem carne de porco numa espécie de tablete grande, não faço ideia como é que tratam aquilo mas andavam a oferecer pessoas para provar. Não provei nada na rua, com alguma pena, sei lá o que me pode acontecer (eu bem vi os remédios chineses contra a indisposição). Ainda assim, arrisquei o pastel de nata, esse tinha mesmo que comer. :)
O hotel tem internet a uma boa velocidade, o que é porreiro porque vim sozinha e por isso tenho muito mais tempo livro do que teria noutras circunstâncias. Infelizmente a diferença horária é de 7 horas para a frente em relação à Alemanha, o que significa que durante a semana é praticamente impossível falar com a família, pois quando eles estão livres, eu estou a dormir, e vice versa. No entanto, como tenho net, tenho feito uns vídeos que lhes mando por mail, para verem o que ando a fazer. Muito à frente. :)
Os táxis são baratíssimos (onde é que um gajo vai a algum lado por menos de dois euros? só aqui!), embora os condutores nem sempre falem inglês ou entendam o que se quer. Viva o cartão do hotel e os mapas, que é o que me vale para poder andar de um lado para o outro.
No centro é um mar de gente, anda tudo às compras pelas ruas estreitas, as pessoas acotovelam-se, até parece que está tudo em saldos. Vendem carne de porco numa espécie de tablete grande, não faço ideia como é que tratam aquilo mas andavam a oferecer pessoas para provar. Não provei nada na rua, com alguma pena, sei lá o que me pode acontecer (eu bem vi os remédios chineses contra a indisposição). Ainda assim, arrisquei o pastel de nata, esse tinha mesmo que comer. :)
O hotel tem internet a uma boa velocidade, o que é porreiro porque vim sozinha e por isso tenho muito mais tempo livro do que teria noutras circunstâncias. Infelizmente a diferença horária é de 7 horas para a frente em relação à Alemanha, o que significa que durante a semana é praticamente impossível falar com a família, pois quando eles estão livres, eu estou a dormir, e vice versa. No entanto, como tenho net, tenho feito uns vídeos que lhes mando por mail, para verem o que ando a fazer. Muito à frente. :)
28 novembro 2009
no aeroporto
uma tossezinha leve, mesmo muito levezinha, uma única vez, e logo um bando de chineses entrou em pânico. hmmm
25 novembro 2009
Canja de Galinha
Passar o dia a chá e torradas, dormir bem mais que o normal, e já me sinto muito melhor. Ainda não a 100%, mas melhor. A canja de galinha ainda vou ter que a fazer (é já a seguir), e ela é que vai acabar de vez com esta constipação chata.
No entanto, pensando bem, não ter passado o dia de um lado para o outro e a falar como de costume, é capaz de ter contribuído bastante para diminuir a tosse e até o nariz a correr. Se calhar à próxima vez que apanhe uma em primeiro lugar fecho-me num sítio qualquer e desligo os telefones, e talvez consiga curá-la sem ter que ficar em casa.
No entanto, pensando bem, não ter passado o dia de um lado para o outro e a falar como de costume, é capaz de ter contribuído bastante para diminuir a tosse e até o nariz a correr. Se calhar à próxima vez que apanhe uma em primeiro lugar fecho-me num sítio qualquer e desligo os telefones, e talvez consiga curá-la sem ter que ficar em casa.
24 novembro 2009
Logo agora é que tinha de encolher...*
A uns dias de me enfiar num avião com destino ao outro lado do mundo apanhei uma constipação. Ou melhor, há quinze dias que ando com uma constipação a assombrar-me, a zombar de mim como quem diz tu vais para a Ásia, mas corres o risco de pôr lá os pés e seres recambiada imediatamente de volta à Europa.
A culpa é de Portugal, do Porto mais concretamente, que desde que lá fui que não paro de tossir. O belo do nariz tem agora vida própria (é melhor ficar por aqui), e a cara anda congestionada, e penso para comigo, umas vinte vezes por hora, espero não piorar, isto não pode piorar, agora não.
Estou tramada.
*mais alguém se lembra dos desenhos animados da avozinha que encolhia?
A culpa é de Portugal, do Porto mais concretamente, que desde que lá fui que não paro de tossir. O belo do nariz tem agora vida própria (é melhor ficar por aqui), e a cara anda congestionada, e penso para comigo, umas vinte vezes por hora, espero não piorar, isto não pode piorar, agora não.
Estou tramada.
*mais alguém se lembra dos desenhos animados da avozinha que encolhia?
21 novembro 2009
Perfeitos, perfeitos
Podia estar aqui a preocupar-me com a fome no mundo, mas não, preocupo-me com sapatos. Às vezes é assim, tanta coisa que podia estar a fazer, tanta coisa que podia estar a pensar, tanta coisa útil que passo a ignorar porque agora é altura de pensar em sapatos. Até nem tenho tantos sapatos como isso. Pelo menos estou convencida disso. E agora queria uns sapatos. Ando a sonhar com sapatos vermelhos, de plataforma e salto, biqueira redonda. Envernizados, eventualmente, ou com algum tipo de brilho, porque senão como é que se vão ver os sapatos que me andam a povoar os sonhos.
Já vi vários candidatos a sapatos dos meus sonhos. Satisfaziam todos os requisitos, menos a cor. Como é que isto pode ser, haver os sapatos dos meus sonhos em preto, azul, roxo, combinações de cinzento e rosa a dar para o roxo, imitação de pele em tons cinzentos ou roxos, mas não num simples vermelho?
Pelos vistos o vermelho não é para toda a gente. Mas é a minha cor preferida. E hei-de encontrar os sapatos vermelhos perfeitos. Nem que seja numa loja em segunda mão. Ou no ebay. Ou roubados a uma amiga.
Já vi vários candidatos a sapatos dos meus sonhos. Satisfaziam todos os requisitos, menos a cor. Como é que isto pode ser, haver os sapatos dos meus sonhos em preto, azul, roxo, combinações de cinzento e rosa a dar para o roxo, imitação de pele em tons cinzentos ou roxos, mas não num simples vermelho?
Pelos vistos o vermelho não é para toda a gente. Mas é a minha cor preferida. E hei-de encontrar os sapatos vermelhos perfeitos. Nem que seja numa loja em segunda mão. Ou no ebay. Ou roubados a uma amiga.
16 novembro 2009
A foto que eu queria
Há turistas (deve haver) que vão à terra dos meus avós. Se pesquisar no google pelo nome dessa terrinha, ele sugere-me hotéis na localidade. Hotéis. Hoje o que eu queria era fotos de lá. Mas não umas fotos quaisquer. Não as fotos da igreja, do pelourinho, da Câmara Municipal, das piscinas. Nem sequer a foto da fogueira do Natal (ou será que é do ano novo), nem as fotos da procissão que fazem na Páscoa. Eu queria era a foto do que costuma ficar do outro lado da câmara, mas sem as pessoas. A foto da casa dos meus avós, enquanto ainda lá está. E já agora, a foto das estradas empedradas, se é que ainda as há, e a foto das escadas do vizinho, e, já agora, a foto do relógio da torre. E a da figueira que ficava por cima do poço, e ainda lá deve estar. E a foto do burro, que já morreu, e das coisas que estavam na casa dos meus avós enquanto eles lá viveram. Hoje queria mesmo poder ver isto tudo.
11 novembro 2009
Dilema
No sábado levanto-me cedo e vou à H&M ou fico a dormir?
(Aposto no fico a dormir. Não há curiosidade nem paciência para histerismos. Se os sapatos ainda lá estiverem na segunda pode ser que traga uns para casa. Se não... bah. Não valem o esforço.)
(Aposto no fico a dormir. Não há curiosidade nem paciência para histerismos. Se os sapatos ainda lá estiverem na segunda pode ser que traga uns para casa. Se não... bah. Não valem o esforço.)
10 novembro 2009
Ai... o Porto
O Porto já não é o que era. E, ao mesmo tempo, ainda o é.
Andei no "metro" pela primeira vez. Começou logo bem, tinha perguntado a uma senhora o caminho e ela não me largou enquanto não me ajudou a comprar o bilhete certo para o sítio onde eu queria ir. E ainda me explicou, tintim por tintim, como é que funcionava, quando é que aquilo andava debaixo da terra, e onde é que teria que estar atenta. Uma simpatia - e eu nem tinha perguntado nada. São estas coisas que dificilmente se encontram noutros sítios e que apaixonam uma pessoa logo à chegada.
Depois, a viagem. Logo num dia em que tinha apanhado por cá dois alemães a discutir porque um deles estava à conversa ao telemóvel num transporte público, em tom de voz completamente normal, e o outro se sentiu muito incomodado pelo barulho. No "metro" as pessoas falam ao telemóvel de maneira a que toda a gente ouça. E falam umas com as outras, vá lá, alto. Combinam o jantar - quem é que leva o quê, o que é que se vai comer, quem faz o arroz. (- Vai ser arroz de ervilhas! - Não, arroz de legumes! - Então fazes tu! - Pois faço!) E eu fico com água na boca, a pensar nas castanhas e na jeropiga, e até no arroz, de ervilhas ou de legumes, tanto me dá. (E o homem do arroz de legumes a insistir: "Eu sei fazer tudo! Só a massa de pizza é que o não-sei-quantos faz melhor que eu, mas é só porque trabalhou numa pizaria!)
O casal de gente "forte", a contar um ao outro como se sentiam injustiçados por comentários maldosos. Fortes, mas trabalhadores. Fortes sim, esforçados e empenhados, e a fazer pela vida, que quando a coisa fica preta gente assim vai buscar as forças todas e enfrenta o que vier de peito aberto sem se queixar. Cantando e rindo. Bem, não os ouvi cantar, mas a boa disposição não lhes faltava.
A chuva. Tudo cinzento. Os vendedores de rua, com guarda-chuvas grandes ("É a 5! É a 5, menina!"), que saudades dos providenciais vendedores que aparecem quando mais se precisa deles. Cá já apanhei muitas molhas, por falta de guarda-chuva e de vendedores de rua.
Santa Catarina quase vazia, pedintes e sem abrigo os únicos que ainda por ali resistiam. (E a senhora que veio falar comigo e me partiu a alma aos bocadinhos. E o rapaz novo encostado a uma parede, com um papelão escrito em mau português, que dizia ser alemão e querer ficar em Portugal, mas precisava de 40 euros para o passaporte.) E no fim, os Aliados - cinzentos, molhados, desconfortáveis, um belo ponto de encontro.
Andei no "metro" pela primeira vez. Começou logo bem, tinha perguntado a uma senhora o caminho e ela não me largou enquanto não me ajudou a comprar o bilhete certo para o sítio onde eu queria ir. E ainda me explicou, tintim por tintim, como é que funcionava, quando é que aquilo andava debaixo da terra, e onde é que teria que estar atenta. Uma simpatia - e eu nem tinha perguntado nada. São estas coisas que dificilmente se encontram noutros sítios e que apaixonam uma pessoa logo à chegada.
Depois, a viagem. Logo num dia em que tinha apanhado por cá dois alemães a discutir porque um deles estava à conversa ao telemóvel num transporte público, em tom de voz completamente normal, e o outro se sentiu muito incomodado pelo barulho. No "metro" as pessoas falam ao telemóvel de maneira a que toda a gente ouça. E falam umas com as outras, vá lá, alto. Combinam o jantar - quem é que leva o quê, o que é que se vai comer, quem faz o arroz. (- Vai ser arroz de ervilhas! - Não, arroz de legumes! - Então fazes tu! - Pois faço!) E eu fico com água na boca, a pensar nas castanhas e na jeropiga, e até no arroz, de ervilhas ou de legumes, tanto me dá. (E o homem do arroz de legumes a insistir: "Eu sei fazer tudo! Só a massa de pizza é que o não-sei-quantos faz melhor que eu, mas é só porque trabalhou numa pizaria!)
O casal de gente "forte", a contar um ao outro como se sentiam injustiçados por comentários maldosos. Fortes, mas trabalhadores. Fortes sim, esforçados e empenhados, e a fazer pela vida, que quando a coisa fica preta gente assim vai buscar as forças todas e enfrenta o que vier de peito aberto sem se queixar. Cantando e rindo. Bem, não os ouvi cantar, mas a boa disposição não lhes faltava.
A chuva. Tudo cinzento. Os vendedores de rua, com guarda-chuvas grandes ("É a 5! É a 5, menina!"), que saudades dos providenciais vendedores que aparecem quando mais se precisa deles. Cá já apanhei muitas molhas, por falta de guarda-chuva e de vendedores de rua.
Santa Catarina quase vazia, pedintes e sem abrigo os únicos que ainda por ali resistiam. (E a senhora que veio falar comigo e me partiu a alma aos bocadinhos. E o rapaz novo encostado a uma parede, com um papelão escrito em mau português, que dizia ser alemão e querer ficar em Portugal, mas precisava de 40 euros para o passaporte.) E no fim, os Aliados - cinzentos, molhados, desconfortáveis, um belo ponto de encontro.
04 novembro 2009
O quadro
Isto de mudar de casa tem graça. Eu gosto imenso, é uma oportunidade de reorganizar tudo, até o modo como se vive, aquilo para que se olha durante o dia, aquilo que nos salta à vista à noite. E desta vez, algo mais. O súbito acréscimo de paredes brancas faz com que finalmente tenha hipótese de pendurar o que me apetecer nas paredes. Não tendo quase nada, há que começar da maneira mais simples - a típica visita ao IKEA. Eu gosto do IKEA, apesar de achar que o sucesso deles é também o maior defeito. Afinal qual é a graça de entrar na casa de alguém e poder dizer "olha, vi essa mesa/cadeira/estante/coisa" no IKEA. Uniformização à parte, a gente deixa passar pelo simples prazer que é encontrar ideias giras e poder implementá-las na nossa casa. Como as 5 molduras de acrílico ligadas na vertical, e com alguns postais convenientemente colocados mesmo ao lado, em grupos de 5, para uma pessoa poder escolher ao mesmo tempo que pensa "para agora ficam estes, depois ponho umas fotos giras".
Andava eu no IKEA à procura de impressões para colocar numa moldura, quando encontrei uma que achei gira lá para um canto na minha casa. Havia duas versões: vermelho ou azul. Gostei do vermelho - o azul não funciona para mim - e lá deitei a mão à única versão dessa cor. Imediatamente a seguir aparece-me uma senhora de moldura na mão que queria... bem, ela queria mesmo era o desenho que eu tinha acabado de apanhar, mas resignou-se a pedir para a deixar ver se era do formato que se adequava à moldura que ela tinha na mão. E eu deixei - claro que deixei - enquanto ia pensando, olha, tiveste azar, que cena mais parva até parece que isto vale alguma coisa, e fui deitando o olho à prateleira dos azuis. Lá no meio encontrei outro vermelho, disse à senhora que podia ficar com o primeiro, e fui à minha vida.
Quando cheguei a casa, qual não foi o meu espanto quando me apercebi do que realmente tinha trazido. Pois o IKEA é generoso e não quer os seus clientes a disputar imagens em dois tons, de modo que toda a gente leva para casa o azul (de um lado do cartão que usam para o papel não amarrotar) e o vermelho (do outro). Imagino como a outra senhora se deve ter sentido quando percebeu o mesmo.
Andava eu no IKEA à procura de impressões para colocar numa moldura, quando encontrei uma que achei gira lá para um canto na minha casa. Havia duas versões: vermelho ou azul. Gostei do vermelho - o azul não funciona para mim - e lá deitei a mão à única versão dessa cor. Imediatamente a seguir aparece-me uma senhora de moldura na mão que queria... bem, ela queria mesmo era o desenho que eu tinha acabado de apanhar, mas resignou-se a pedir para a deixar ver se era do formato que se adequava à moldura que ela tinha na mão. E eu deixei - claro que deixei - enquanto ia pensando, olha, tiveste azar, que cena mais parva até parece que isto vale alguma coisa, e fui deitando o olho à prateleira dos azuis. Lá no meio encontrei outro vermelho, disse à senhora que podia ficar com o primeiro, e fui à minha vida.
Quando cheguei a casa, qual não foi o meu espanto quando me apercebi do que realmente tinha trazido. Pois o IKEA é generoso e não quer os seus clientes a disputar imagens em dois tons, de modo que toda a gente leva para casa o azul (de um lado do cartão que usam para o papel não amarrotar) e o vermelho (do outro). Imagino como a outra senhora se deve ter sentido quando percebeu o mesmo.
03 novembro 2009
não me falem em comida
a não ser que saibam o que são azedas. eu contava onde apanho as minhas (entre duas árvores enormes em trás-os-montes) mas não posso, que não há azedas à venda em lado nenhum e nem sequer sei outro nome noutra língua qualquer para elas. as azedas são preciosas, apanhadas quando as há, onde as há (uns caminhos que não lembram ao diabo, felizmente). o meu sonho é plantar azedas no jardim (quando um dia tiver jardim) ou na varanda, e que elas não morram, que se reproduzam ao ponto de eu as poder comer sempre que tiver vontade. azedas com batatas cozidas e o melhor azeite do mundo. e um bifinho com molho a acompanhar. quem não sabe o que isto é não percebe nada de cozinha.
(e omoletes com acelgas? há quanto tempo não como uma destas...)
(e omoletes com acelgas? há quanto tempo não como uma destas...)
30 outubro 2009
Note to self
Se fizeres as coisas à tua maneira, fá-las-ás bem.
Se mostrares aquilo que te entusiasma, entusiasmarás os outros e a ti mesma.
Se te conheceres, poderás dar o melhor de ti.
Se mostrares aquilo que te entusiasma, entusiasmarás os outros e a ti mesma.
Se te conheceres, poderás dar o melhor de ti.
27 outubro 2009
Sou capaz de me habituar a isto
Esta moda dos sapatos de salto e plataforma tem uma certa graça. Por um lado, os sapatos são giros (e as botas! as botas!), por outro lado, com menos dificuldade de equilíbrio, uma gaja sobe 10 centímetro num instante. É giro ver o mundo de outra perspectiva.
Tenho uns botins novos com um salto assim. Uns 9 ou 10 centímetros debaixo do calcanhar, um centímetro e pico à frente. Comprei-os porque os achei super giros (e há imenso tempo que queria uns botins), mas nunca pensei que os fosse usar tanto. Atrevo-me a dizer que os acho muitíssimo confortáveis. A sério. Tanto que, se até agora os tinha usado para experimentar, a ver como se andava um dia inteiro neles, como é que andaria neles (mais ou menos desengonçada), cheguei ao cúmulo de ter que os usar porque tinha ficado sem meias, e não gosto de usar collants com sapatos normais. Agora não. Ando de botins porque são giros e confortáveis. E porque estou a gostar de ter mais 10 centímetros de altura.
Tenho uns botins novos com um salto assim. Uns 9 ou 10 centímetros debaixo do calcanhar, um centímetro e pico à frente. Comprei-os porque os achei super giros (e há imenso tempo que queria uns botins), mas nunca pensei que os fosse usar tanto. Atrevo-me a dizer que os acho muitíssimo confortáveis. A sério. Tanto que, se até agora os tinha usado para experimentar, a ver como se andava um dia inteiro neles, como é que andaria neles (mais ou menos desengonçada), cheguei ao cúmulo de ter que os usar porque tinha ficado sem meias, e não gosto de usar collants com sapatos normais. Agora não. Ando de botins porque são giros e confortáveis. E porque estou a gostar de ter mais 10 centímetros de altura.
24 outubro 2009
Sobre o Governo
O post mais engraçado que eu vi é este: uma aventura no governo. A piada está aqui (bem visto, muito bem visto) - como é que se pode ter a Isabel Alçada sem ter a Ana Maria Magalhães? (Elas existem uma sem a outra?;))
Curioso...
A imagem que me ficou gravada durante um passeio, ontem. Três velhotas, bem vestidas, a babar (em sentido figurado) para cima de uma montra onde se exibiam, entre outros, sapatos de griffe. (Já nem me lembro qual, Valentino ou outra do género). Pelo aspecto frágil delas, a questão que me ficou foi como será que se equilibram naqueles saltos de 10 cm.
22 outubro 2009
Têm-me dado uns ataques de parvoíce. Às vezes é uma vontade incontrolável de rir, outras vezes ando por aí aos saltos. É de andar estupidamente contente e bem disposta. Como se tivesse oito anos outra vez. Às vezes parece que as coisas não podiam correr melhor (podem sempre). Por isso, se postar alguma coisa que não devia, dêem um desconto. Neste momento é tudo cor de rosa forte.
20 outubro 2009
Um português, um francês e um inglês...
Fica aqui uma coisa light, que ando sem vida para isto. Com uma nota de rodapé, esta foi das anedotas que ouvi quando era pequenina e nunca mais me esqueci. E ainda me rio quando me lembro dela.
Um português um francês e um inglês iam num avião. Já a viagem durava algum tempo, o inglês estica o braço para fora da janela, e diz:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Londres.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Pus o braço de fora e toquei no Big Ben.
O francês, não querendo ficar para trás, deixa passar algum tempo e depois anuncia:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Paris.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Deitei o braço de fora, e toquei na Torre Eiffel.
O português começa a coçar a cabeça, muito pensativo, e passado algum tempo diz:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Lisboa.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Pus o braço de fora e roubaram-me o relógio.
Um português um francês e um inglês iam num avião. Já a viagem durava algum tempo, o inglês estica o braço para fora da janela, e diz:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Londres.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Pus o braço de fora e toquei no Big Ben.
O francês, não querendo ficar para trás, deixa passar algum tempo e depois anuncia:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Paris.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Deitei o braço de fora, e toquei na Torre Eiffel.
O português começa a coçar a cabeça, muito pensativo, e passado algum tempo diz:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Lisboa.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Pus o braço de fora e roubaram-me o relógio.
18 outubro 2009
Muito engraçado
Eu não escrevo (quase) nada ultimamente. Ando muito ocupada - muito mais que o costume. Mas ainda dou a volta aos blogues (mais ou menos). E encontro umas coisas giras. Por exemplo esta história da Susana, que me pôs aqui a rir à gargalhada. Até fiquei com umas lágrimas nos olhos. Pronto, e agora que já fiz a minha boa acção do dia, posso ir dormir.
14 outubro 2009
Maitê
Está meio mundo indignado com algo que aconteceu há dois anos. Dois anos é muito tempo. (Quer dizer - há dois anos que está no youtube, e aparentemente foi para o ar pela primeira vez há quatro. Quatro anos!!!) Já acabou o prazo para a indignação, o perder a cabeça, ficar furioso, e depois acalmar, pensar melhor, dizer "para o que lhe havia de dar", abanar a cabeça e seguir em frente. (Sim, que não é caso para tanta conversa, tanta cabeça perdida e tanto orgulho ofendido.) Já passou. Pronto, pronto.
10 outubro 2009
difícil difícil...
...é pôr uma pen de internet a funcionar em Linux - sendo que a pen é do Aldi (alemão), o netbook tem todo o software em inglês e o Linux nunca é plug and play. Ainda assim, depois de horas a pesquisar fóruns alemães (com uma confiança na minha interpretação a menos de 100%), e mais uma ou duas pesquisas em inglês, quem acabou por me resolver o problema (quer dizer, resolveu a parte final do problema, que as configurações eu já tinha apanhado nos fóruns alemães) de pôr a pen a funcionar no meu Linux, foi um português, com as dicas para pôr a funcionar a net para a rede da TMN. O meu grande bem haja ao utilizador fometeo, do linux.org - acreditem ou não vinha classificado como newbie. Se ele é um newbie em Linux, eu devo ser um "unborn" ou algo do género.
(Estou tão contente! Andava a preparar-me psicologicamente para isto há séculos! A quem interessar, de momento a internet pré-paga mais barata na Alemanha é a do Aldi, seguida da da Tchibo. A do Aldi só é tão rápida como a da Tchibo em algumas cidades - Munique incluída. E a pen do Aldi, que é igual à da Tchibo, não está bloqueada. Eu que nunca vou ao Aldi tinha que deixar aqui a publicidade descarada. Desta vez eles merecem.)
(post escrito a partir do netbook, com a uma luz azul contínua a ser emitida pela pen - parece que é sinal de que a net está a uma velocidade aceitável. Melhor que isto só verde e azul - pode ser que um dia consiga visualizar essa combinação. :))
(Estou tão contente! Andava a preparar-me psicologicamente para isto há séculos! A quem interessar, de momento a internet pré-paga mais barata na Alemanha é a do Aldi, seguida da da Tchibo. A do Aldi só é tão rápida como a da Tchibo em algumas cidades - Munique incluída. E a pen do Aldi, que é igual à da Tchibo, não está bloqueada. Eu que nunca vou ao Aldi tinha que deixar aqui a publicidade descarada. Desta vez eles merecem.)
(post escrito a partir do netbook, com a uma luz azul contínua a ser emitida pela pen - parece que é sinal de que a net está a uma velocidade aceitável. Melhor que isto só verde e azul - pode ser que um dia consiga visualizar essa combinação. :))
09 outubro 2009
Genial
Ide lá ver a história fantástica do casal de velhos apaixonados.
Que me fez lembrar de outra, a minha sem graça nenhuma, dos velhotes do parque de campismo. Ano após ano, os velhotes ocupavam o mesmo espaço no parque de campismo. Tinham uma caravana em frente à qual se cozinhava e onde comiam as refeições. Em redor da árvore em frente tinham plantado coentros que utilizavam na confecção dos pratos. Já não me lembro assim muito bem destes velhos. Só dos comentários que ouvia acerca deles. Porque era o velho que cozinhava. Porque depois das refeições era o velho que fazia o café enquanto a velha continuava refastelada na cadeirinha. Até a louça, devia ser o velho que a lavava, enquanto a velha, sem desculpa nenhuma aparente, lia o jornal ou um livro qualquer. Os homens (os outros velhos) viam isto e revoltavam-se com o velho que fazia tudo para a sua velha, que não fazia nada que se visse. Eu achava-lhes graça. E uma coisa é certa, nunca vi estes dois discutir.
Que me fez lembrar de outra, a minha sem graça nenhuma, dos velhotes do parque de campismo. Ano após ano, os velhotes ocupavam o mesmo espaço no parque de campismo. Tinham uma caravana em frente à qual se cozinhava e onde comiam as refeições. Em redor da árvore em frente tinham plantado coentros que utilizavam na confecção dos pratos. Já não me lembro assim muito bem destes velhos. Só dos comentários que ouvia acerca deles. Porque era o velho que cozinhava. Porque depois das refeições era o velho que fazia o café enquanto a velha continuava refastelada na cadeirinha. Até a louça, devia ser o velho que a lavava, enquanto a velha, sem desculpa nenhuma aparente, lia o jornal ou um livro qualquer. Os homens (os outros velhos) viam isto e revoltavam-se com o velho que fazia tudo para a sua velha, que não fazia nada que se visse. Eu achava-lhes graça. E uma coisa é certa, nunca vi estes dois discutir.
Obama ganha prémio Nobel da paz
Desta eu não estava à espera. (notícia aqui)
(Além de giro, com sentido de humor, capaz de matar moscas com as próprias mãos, e de saber dançar, ganha o prémio Nobel. O que virá a seguir.)
(Além de giro, com sentido de humor, capaz de matar moscas com as próprias mãos, e de saber dançar, ganha o prémio Nobel. O que virá a seguir.)
08 outubro 2009
20 horas
O que é que se pode fazer em 20 horas? E em 20 horas em aviões com uns intervalos em aeroportos?
Dormir. Ler um livro até me fartar de ler. Ler o jornal que dão, mas que na realidade não me interessa muito. Fazer figas para que o filme que passam não seja muito mau. Fazer uns sudokus ou kakuros. Jogar no portátil. Fazer de conta que vou comprar alguma coisa duty free. Com alguma sorte, dormir mais um bocado. Ler o guia de viagens. E dar voltas ao(s) aeroporto(s) até os seguranças começarem a desconfiar dos meus bichos carpinteiros.
Outras sugestões?
Dormir. Ler um livro até me fartar de ler. Ler o jornal que dão, mas que na realidade não me interessa muito. Fazer figas para que o filme que passam não seja muito mau. Fazer uns sudokus ou kakuros. Jogar no portátil. Fazer de conta que vou comprar alguma coisa duty free. Com alguma sorte, dormir mais um bocado. Ler o guia de viagens. E dar voltas ao(s) aeroporto(s) até os seguranças começarem a desconfiar dos meus bichos carpinteiros.
Outras sugestões?
06 outubro 2009
ai pode?
O meu mais que tudo tem um ipod. Ofereceram-lho no Natal, e ele gostou tanto que até agora não o tinha sequer aberto. A sorte dele é que eu estou sempre pronta a ajudar, e finalmente decidi-me a experimentar o brinquedo. Infelizmente o resultado não foi bem o que eu estava à espera. Para começar, aquilo não funciona da maneira que eu estou habituada ou seja, "drag and drop", nada. Tive que instalar o itunes (tadinho do meu pc que foi invadido), que não é nada meigo e com a ajuda do firefox pôs o computador a arrastar-se (responsabilidade dividida irmãmente, só que o firefox já lá estava e o itunes ainda não tinha tido tempo para me tornar sua fã). Ainda nem tinha começado a ouvir música e já ia em três pontos negativos para o ipod/itunes. Sendo que o terceiro é não ter carregador - suponho que se carregue ligando aquilo ao computador, mas, quarto ponto negativo, o cabo/ligação não é standard.
Para piorar a coisa (as coisas podem sempre piorar) cometi o erro de deixar o itunes configurar-se e escolher as músicas a passar para o ipod. Devo ter carregado num botão com ar de inocente mas que se provou fatídico. O "problema" é que eu tenho mais de 20 Giga de música no PC (e ainda nem tive tempo para copiar todos os CDs que tenho para lá) mas o ipod só tem 8 giga. É um daqueles pequeninos, levezinhos, que parecem estar prontos a desaparecer a qualquer momento (isto à primeira vista pode parecer uma vantagem, mas eu não gostei muito - estou habituada a mexer em coisas mais... palpáveis, vá lá). Adiante. O itunes escolheu, sem me perguntar nada, 8 giga dos 20 que tinha à disposição. E eu não gostei da escolha (já o meu mais que tudo não se manifestou, a sua maior dúvida foi "como é que se desliga isto?" - dúvida essa à qual eu também não soube responder - nunca fui de ler livros de instruções). Tentei começar por apagar algumas das músicas que já estavam no ipod, mas sem sucesso. Sou capaz de apostar que deve ser simplicíssimo (yeah right) mas não encontrei maneira de o fazer. De modos que passei ao ponto seguinte, desconectar o ipod do pc, tendo o cuidado de passar pela casa da partida, que é como quem diz, fazer "eject", e começar a ouvir música. A audição era boa (quer dizer, nada a apontar), mas escolher o que ouvir provou ser relativamente mais complicado. Devo estar mal habituada com o meu leitor de mp3 "normal", em que escolho a directoria (já tenho tudo arrumadinho por álbuns mais uma directoria com singles à solta), porque quando cheguei ao ipod e tentei escolher aquilo tornou-se ligeiramente complicado. Além de que, por algum motivo, alguns álbuns não ficaram direitos - aquela cena não percebeu que o artista X cujos ficheiros de música contêm além do seu nome, um número (o número da faixa) e o título da música, pertencem a uma obra única. E ao tentar escolher a música por género, apercebi-me da disparidade enorme de "géneros" de música - tanta que eu hesitaria em utilizar um rótulo para algo que junta tão poucas músicas no mesmo.
Para finalizar, que isto não pode ser só dizer mal, o que eu tinha gostado no ipod do meu amigo que tinha estado a experimentar havia uns dias, era o software que escolhe o que ouvir com base nas preferências do utilizador e tipo de música. Isso pareceu-me uma ideia genial e gostava de experimentá-la a sério. Tão boa que tinha colocado o ipod-não-sei-quantos com 160giga de disco na minha lista de mp3 a considerar para substituir o meu pequenito de 20 giga onde já não cabe tudo o que eu quero ouvir. No entanto, depois desta experiência com um brinquedo alheio (não tão alheio quanto isso, o que é dele é meu, e tal), não me parece. É pena, porque parecia ter potencial. Mas pelos vistos o ipod não foi inventado para mim.
Ao menos os auscultadores eram standard, o que significa que posso utilizá-los para outra coisa qualquer.
Para piorar a coisa (as coisas podem sempre piorar) cometi o erro de deixar o itunes configurar-se e escolher as músicas a passar para o ipod. Devo ter carregado num botão com ar de inocente mas que se provou fatídico. O "problema" é que eu tenho mais de 20 Giga de música no PC (e ainda nem tive tempo para copiar todos os CDs que tenho para lá) mas o ipod só tem 8 giga. É um daqueles pequeninos, levezinhos, que parecem estar prontos a desaparecer a qualquer momento (isto à primeira vista pode parecer uma vantagem, mas eu não gostei muito - estou habituada a mexer em coisas mais... palpáveis, vá lá). Adiante. O itunes escolheu, sem me perguntar nada, 8 giga dos 20 que tinha à disposição. E eu não gostei da escolha (já o meu mais que tudo não se manifestou, a sua maior dúvida foi "como é que se desliga isto?" - dúvida essa à qual eu também não soube responder - nunca fui de ler livros de instruções). Tentei começar por apagar algumas das músicas que já estavam no ipod, mas sem sucesso. Sou capaz de apostar que deve ser simplicíssimo (yeah right) mas não encontrei maneira de o fazer. De modos que passei ao ponto seguinte, desconectar o ipod do pc, tendo o cuidado de passar pela casa da partida, que é como quem diz, fazer "eject", e começar a ouvir música. A audição era boa (quer dizer, nada a apontar), mas escolher o que ouvir provou ser relativamente mais complicado. Devo estar mal habituada com o meu leitor de mp3 "normal", em que escolho a directoria (já tenho tudo arrumadinho por álbuns mais uma directoria com singles à solta), porque quando cheguei ao ipod e tentei escolher aquilo tornou-se ligeiramente complicado. Além de que, por algum motivo, alguns álbuns não ficaram direitos - aquela cena não percebeu que o artista X cujos ficheiros de música contêm além do seu nome, um número (o número da faixa) e o título da música, pertencem a uma obra única. E ao tentar escolher a música por género, apercebi-me da disparidade enorme de "géneros" de música - tanta que eu hesitaria em utilizar um rótulo para algo que junta tão poucas músicas no mesmo.
Para finalizar, que isto não pode ser só dizer mal, o que eu tinha gostado no ipod do meu amigo que tinha estado a experimentar havia uns dias, era o software que escolhe o que ouvir com base nas preferências do utilizador e tipo de música. Isso pareceu-me uma ideia genial e gostava de experimentá-la a sério. Tão boa que tinha colocado o ipod-não-sei-quantos com 160giga de disco na minha lista de mp3 a considerar para substituir o meu pequenito de 20 giga onde já não cabe tudo o que eu quero ouvir. No entanto, depois desta experiência com um brinquedo alheio (não tão alheio quanto isso, o que é dele é meu, e tal), não me parece. É pena, porque parecia ter potencial. Mas pelos vistos o ipod não foi inventado para mim.
Ao menos os auscultadores eram standard, o que significa que posso utilizá-los para outra coisa qualquer.
05 outubro 2009
Pezinhos
Sapatinhos muito giros, de boa qualidade (pelo menos os que comprei), e nada caros. Para as meninas e meninos mais lindos. A loja é na net, o serviço é cinco estrelas e até os emails são pessoais, e não automáticos. Fiquei cliente.
(não, isto não é publicidade. nem o seria se eu dissesse que me entusiasmei e comprei demasiados sapatos do mesmo número. como não me pagaram para dizer isto, e só estou a espalhar a notícia por puro altruísmo - por mero interesse, vá lá, não quero que uma loja tão boa vá à falência antes que a minha miúda deixe de poder usar sapatos destes...)
(não, isto não é publicidade. nem o seria se eu dissesse que me entusiasmei e comprei demasiados sapatos do mesmo número. como não me pagaram para dizer isto, e só estou a espalhar a notícia por puro altruísmo - por mero interesse, vá lá, não quero que uma loja tão boa vá à falência antes que a minha miúda deixe de poder usar sapatos destes...)
Not fair
Gajo alto, feio, gordo. Vestido de fato, e ainda assim desmazelado. Perfume fantástico. Não combina. (E daí, ao menos tinha uma coisa boa. Até dava vontade de o seguir, só para inalar aquele cheirinho maravilhoso por mais uns momentos.)
Dilema
Queria um stick USB para surfar a net (ainda mais, sim). As operadoras que os vendem, pré ou pós pagos, com contrato ou sem ele, todas dizem que as condições de venda expiram a 12 de Outubro, daqui a uma semana. Só queria adivinhar se daqui a uma semana os preços sobem, descem ou ficam iguais. Entretanto, fico indecisa. Coisa rara.
(apostaria no "descem", pelo que estou a pesar a minha impaciência quanto à espera versus a minha paciência para poupar uns trocos...)
(apostaria no "descem", pelo que estou a pesar a minha impaciência quanto à espera versus a minha paciência para poupar uns trocos...)
03 outubro 2009
O melhor leite creme do mundo
Receita do Chefe Silva (doze gemas para um litro de leite).
Ovos das galinhas mais felizes da Alemanha (as da minha sogra).
A companhia da família fanática por leite creme.
(A ver se o acabamos antes dos meus pais chegarem, que eles têm problemas de colesterol e nós não queremos que lhes aconteça nada de mal. Mas pelo que sobrou, não deve ser difícil.)
O leite creme da minha avó, do qual não me lembro mas que a minha irmã jura a pés juntos que lhe foi transmitido pela mesma e que embora ela tenha esquecido a receita ainda se recorda como era a coisa mais fantástica do mundo dos leites creme, não podia ser melhor que este. Ou talvez ligeiramente melhor, já que era ela que o fazia, e como se sabe aquilo que as avós fazem tem um sabor ainda melhor que algo exactamente igual feito por outra pessoa.
[Adenda, a 06.01.2013, porque vem muita gente parar a este post e eu não estou aqui para enganar ninguém]
A receita do melhor leite creme do mundo, na minha opinião e adaptada da original do chefe Silva:
1 l de leite
1 pau de canela
1 casca de limão
300 g de açúcar
2 colheres de sopa bem cheias de maizena
12 gemas
açúcar para polvilhar
Ferver o leite com o pau de canela e a casca de limão. Depois de ferver, retirar do lume. Tirar a casca de limão e o pau de canela do leite.
Misturar o açúcar com a maizena e depois com as gemas, mexendo bem. Juntar o leite aos poucos, e sem parar de mexer. Levar a mistura ao lume, até borbulhar.
Nessa altura retirar do lume, e servir imediatamente em de preferência em recipientes individuais que possam ir ao forno. Depois de frios, polvilhar com açúcar e queimar com um ferro quente ou um maçarico (eu prefiro o maçarico).
É essencial usar ovos bons (com gema mais para o laranja que para o amarelo). Eu prefiro de galinhas criadas em casa, ou, na falta delas, ovos de galinhas alimentadas a milho. Em não havendo, prefiro ovos de galinhas que podem andar à solta (bodenhaltung, na Alemanha) aos biológicos (que na minha opinião são de qualidade inferior).
Bom apetite!
Ovos das galinhas mais felizes da Alemanha (as da minha sogra).
A companhia da família fanática por leite creme.
(A ver se o acabamos antes dos meus pais chegarem, que eles têm problemas de colesterol e nós não queremos que lhes aconteça nada de mal. Mas pelo que sobrou, não deve ser difícil.)
O leite creme da minha avó, do qual não me lembro mas que a minha irmã jura a pés juntos que lhe foi transmitido pela mesma e que embora ela tenha esquecido a receita ainda se recorda como era a coisa mais fantástica do mundo dos leites creme, não podia ser melhor que este. Ou talvez ligeiramente melhor, já que era ela que o fazia, e como se sabe aquilo que as avós fazem tem um sabor ainda melhor que algo exactamente igual feito por outra pessoa.
[Adenda, a 06.01.2013, porque vem muita gente parar a este post e eu não estou aqui para enganar ninguém]
A receita do melhor leite creme do mundo, na minha opinião e adaptada da original do chefe Silva:
1 l de leite
1 pau de canela
1 casca de limão
300 g de açúcar
2 colheres de sopa bem cheias de maizena
12 gemas
açúcar para polvilhar
Ferver o leite com o pau de canela e a casca de limão. Depois de ferver, retirar do lume. Tirar a casca de limão e o pau de canela do leite.
Misturar o açúcar com a maizena e depois com as gemas, mexendo bem. Juntar o leite aos poucos, e sem parar de mexer. Levar a mistura ao lume, até borbulhar.
Nessa altura retirar do lume, e servir imediatamente em de preferência em recipientes individuais que possam ir ao forno. Depois de frios, polvilhar com açúcar e queimar com um ferro quente ou um maçarico (eu prefiro o maçarico).
É essencial usar ovos bons (com gema mais para o laranja que para o amarelo). Eu prefiro de galinhas criadas em casa, ou, na falta delas, ovos de galinhas alimentadas a milho. Em não havendo, prefiro ovos de galinhas que podem andar à solta (bodenhaltung, na Alemanha) aos biológicos (que na minha opinião são de qualidade inferior).
Bom apetite!
02 outubro 2009
"o último dos queixais, que nasce nos adultos"
Há uns 13 anos, mais coisa menos coisa, que ando à procura do dentista ideal. De todos quantos corri, o meu favorito - desde há 17 anos - está demasiado longe, o que não dá jeito nenhum, principalmente em caso de emergência. (Aquela massa que ele me pôs num dente em 1993 e supostamente duraria uns 10 anos ainda cá está, alive and kicking, não se nota diferença de cor para o dente, e nunca em tempo algum houve outro dentista com a mesma habilidade para não pôr chumbos em dentes cariados. Além do mais, em 1993 era ele um jovem recém dentista, giro e simpático, o que é sempre abonatório em situações mais incómodas como estar de boca aberta e sem poder falar.) Já fugi de pelo menos 4 dentistas que me queriam arrancar os dentes do siso - confesso que fugi mais depressa das primeiras vezes, pois nessa altura ainda nem se via uma pontinha desses malfadados molares, mas ainda assim, a frase "temos que tirar esses sisos" era sentença certa de que nunca mais veria quem a proferisse.
Durante este tempo, os dentitos lá começaram a espreitar pelas gengivas. Os de cima, sem grandes problemas, alegres e bem dispostos, podem não servir para grande coisa mas também não estorvam. Os de baixo, malandros, meios escondidos, tentam a todo o custo aparecer em todo o seu esplendor, mas não têm espaço. Empurram então os outros dentes, moem-me a gengiva, chegam até a aleijar. Fazem-me render às evidências, e a procurar um artista que me diga que tem que mos arrancar, que depois de ter passado 3 dias a ibuprofeno qualquer um desiste. Se não consegues vencê-los, extrai-os.
E aqui começa mais uma odisseia. E começa mal. O dentista que me recomendaram (um a quem eu ainda não tive o ensejo de fugir) tem uma daquelas recepcionistas que não percebe o conceito de "urgente". Perguntou-me se ia fazer um check-up. Não, não vou. Check-up só se for da constituição física do senhor doutor. Não, o meu problema é que ando há 3 dias a tomar analgésicos por causa dos malditos molares. Ah pronto, então se é só isso pode vir daqui a 3 semanas. Sacana. Se o dentista não for São Pedro em pessoa, ou então um Brad Pitt com mãos de artista, vou lá uma vez e não volto. Dentistas há muitos.
Durante este tempo, os dentitos lá começaram a espreitar pelas gengivas. Os de cima, sem grandes problemas, alegres e bem dispostos, podem não servir para grande coisa mas também não estorvam. Os de baixo, malandros, meios escondidos, tentam a todo o custo aparecer em todo o seu esplendor, mas não têm espaço. Empurram então os outros dentes, moem-me a gengiva, chegam até a aleijar. Fazem-me render às evidências, e a procurar um artista que me diga que tem que mos arrancar, que depois de ter passado 3 dias a ibuprofeno qualquer um desiste. Se não consegues vencê-los, extrai-os.
E aqui começa mais uma odisseia. E começa mal. O dentista que me recomendaram (um a quem eu ainda não tive o ensejo de fugir) tem uma daquelas recepcionistas que não percebe o conceito de "urgente". Perguntou-me se ia fazer um check-up. Não, não vou. Check-up só se for da constituição física do senhor doutor. Não, o meu problema é que ando há 3 dias a tomar analgésicos por causa dos malditos molares. Ah pronto, então se é só isso pode vir daqui a 3 semanas. Sacana. Se o dentista não for São Pedro em pessoa, ou então um Brad Pitt com mãos de artista, vou lá uma vez e não volto. Dentistas há muitos.
28 setembro 2009
12 horas
Quão difícil pode ser comprar um bilhete de avião? À partida, pouco. Para alguém que já planeou tantas viagens como eu, para mim e para outros, custa a acreditar que possa ser uma tarefa complicada. Desta vez, foi. Uma data de sites que não deixavam efectuar o clique final da compra (incluindo o da Air China), e teimaram em funcionar mal, até que, depois de muita persistência, quando já me começava a render à evidência que talvez tivesse que voar para Hong Kong e depois ir de ferry para Macau, ou então ir a uma agência de viagens que fizesse esta pesquisa toda por mim, lá consegui. Aleluia. Macau here I go. (A não ser que precise de um visto e não mo dêem. Batam aí na madeira, se fazem favor.)
(Já agora, um grande obrigado ao tripadvisor que através da expedia - que não me deixava fazer o que eu queria - acabou por me resolver o problema.)
(Já agora, um grande obrigado ao tripadvisor que através da expedia - que não me deixava fazer o que eu queria - acabou por me resolver o problema.)
Pergunto-me
O que será necessário para que alguém deixe de se importar com os resultados de eleições.
Complicado...
Vou a Macau. Ou melhor, estou a planear a ir. Quer dizer... inscrevi-me numa conferência que se irá realizar em Macau. (ponto 1, check) Teoricamente, para visitar Macau não preciso de visto, já que sou portuguesa, só que o avião fará escala em Pequim. Será que faz falta um visto só para sair de um avião e entrar noutro? Eu diria que não, mas não sei o que é que as autoridades chinesas pensam sobre o assunto. (ponto 2, ?) Tenho que verificar onde anda o passaporte e quando é que termina a sua validade, mas penso que deve estar em ordem. (ponto 3, ?) Já tentei comprar o bilhete de avião na internet, mas depois de ter escrito todos os dados e clicado no botão que torna a coisa oficial recebi uma mensagem de erro. Sim, é mesmo nessa altura que os clientes querem perceber que houve um erro. Entretanto telefonei para a agência (vá lá, ao menos tinham telefone) e disseram-me que o bilhete não tinha sido emitido e que me dariam novidades por email nas próximas duas horas. Não gosto disto. (ponto 4, alerta amarelo) Ainda me falta marcar o hotel, mas só me atrevo a fazê-lo depois de ter o bilhete de avião. Tal como só tentei obter o bilhete de avião depois de me confirmarem a participação na conferência. Só por causa dos azares, que ainda não acredito completamente que vou a Macau. Tão longe. Mais 6 horas que aqui (e por isso quase impossível de contactar a embaixada portuguesa de lá, só se for entre as 9 e as 10 - antes das 10, que tentei às 10h01 e já não deu). (ponto 5, suspenso).
25 setembro 2009
Um brilho nos olhos
A minha parte favorita nas pessoas, quase todas as pessoas (ia escrever todas mas nunca se sabe, não gosto de absolutismos, nem mesmo os meus), é o brilhozinho que trazem nos olhos. O entusiasmo que lhes causa seja o que for (e aqui lembro-me de uma ou duas coisas tenebrosas que aparecem nas notícias e pergunto-me se essa gente também traria esse brilho nos olhos, e foi por isso que não generalizei completamente). Desde o entusiasta do origami, que aborrece os outros quando se excede nas explicações do quão complicado pode ser fazer um Gandalf de papel (sem um único corte!) mas depois mostra fotografias de objectos extraordinários feitos com uma folha de papel e ainda oferece um morcego preto ao amigo, ao fanático por máquinas de café, extraordinariamente útil quando a nossa avaria, porque é provavelmente a única pessoa num raio de 500km que sabe procurar o problema, onde comprar as partes que avariaram, e trazer a comatosa máquina de volta à vida.
Quando conhemos alguém por vezes damo-nos ao trabalho de perguntar quais são os seus hobbies - e ainda assim frequentemente não fazemos a mínima ideia daquilo que faz vibrar pessoas com quem convivemos diariamente mesmo que por anos a fio. Aquele tipo que se senta a poucos metros de nós e trabalhou num jornal aos 18 anos, e desenha órgãos humanos a carvão (ia dizer a lápis, eheh), o que será que lhe traz um sorriso até à alma? E aqueloutro, o mestre dos projectos inovadores, que escreveu um livro sobre tapetes só porque um dia lhe deu para estudar o assunto nos tempos livres, que construiu uma máquina de pintar quadros e depois se virou para a pintura monocromática usando uma técnica com centenas de anos de que ninguém se lembra. O que será que faz brilhar os olhos daquela mulher que se veste de forma estranha e tem um sorriso triste como se carregasse o mundo nos ombros, o que será que lhe alivia o peso, ainda que momentaneamente.
Haverá algo mais contagiante que uma alma a sorrir, espelhada no brilho dos olhos de cada um de nós?
Quando conhemos alguém por vezes damo-nos ao trabalho de perguntar quais são os seus hobbies - e ainda assim frequentemente não fazemos a mínima ideia daquilo que faz vibrar pessoas com quem convivemos diariamente mesmo que por anos a fio. Aquele tipo que se senta a poucos metros de nós e trabalhou num jornal aos 18 anos, e desenha órgãos humanos a carvão (ia dizer a lápis, eheh), o que será que lhe traz um sorriso até à alma? E aqueloutro, o mestre dos projectos inovadores, que escreveu um livro sobre tapetes só porque um dia lhe deu para estudar o assunto nos tempos livres, que construiu uma máquina de pintar quadros e depois se virou para a pintura monocromática usando uma técnica com centenas de anos de que ninguém se lembra. O que será que faz brilhar os olhos daquela mulher que se veste de forma estranha e tem um sorriso triste como se carregasse o mundo nos ombros, o que será que lhe alivia o peso, ainda que momentaneamente.
Haverá algo mais contagiante que uma alma a sorrir, espelhada no brilho dos olhos de cada um de nós?
Fora de contexto
Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...
e depois de ouvir o homem dizer isto uma data de vezes com uma certa cadência, deu-me uma vontade incontrolável de rir.
(ainda me rio, de pensar nisto)
Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...
e depois de ouvir o homem dizer isto uma data de vezes com uma certa cadência, deu-me uma vontade incontrolável de rir.
(ainda me rio, de pensar nisto)
24 setembro 2009
facebook 1-2-3
O blogue está mais ou menos em standby porque entretanto me dediquei ao facebook. No entanto rapidamente me apercebi que uma coisa é o facebook, outra é o blogue, e escrever para os amigos e família não é a mesma coisa que escrever para um público largamente desconhecido. No blogue há uma liberdade que não há no facebook - são as vantagens do quase anonimato. E no facebook há uma liberdade que não há no blogue - são as vantagens de escrever para quem nos conhece a vida com algum pormenor. O que é talvez estranho é a certeza que tenho que nunca escreveria os meus postes favoritos no facebook - privados como são, ideais para lançar aos leitores que não me conhecem, impossíveis de partilhar de uma vez com todos os "amigos do facebook".
É engraçado como se pode compartimentar a vida assim, uns para um lado, outros para outro, uns sentimentos para aqui e outros para ali. A galhofa está bem para qualquer sítio e para qualquer lugar, a lamechice, quando a há, só pode ser partilhada com muito poucas pessoas de cada vez, ou com um monte de desconhecidos (embora alguns não tão desconhecidos como isso). E outras coisas, para mais tarde recordar se entretanto o blogger não desaparecer ou eu fizer uma cópia do arquivo, ficam aqui, sossegadinhas, quietinhas, preciosas e intocadas como aquilo que se guarda num baú e só se revê muitos anos depois - quando se muda de casa ou reorganiza as tralhas.
É engraçado como se pode compartimentar a vida assim, uns para um lado, outros para outro, uns sentimentos para aqui e outros para ali. A galhofa está bem para qualquer sítio e para qualquer lugar, a lamechice, quando a há, só pode ser partilhada com muito poucas pessoas de cada vez, ou com um monte de desconhecidos (embora alguns não tão desconhecidos como isso). E outras coisas, para mais tarde recordar se entretanto o blogger não desaparecer ou eu fizer uma cópia do arquivo, ficam aqui, sossegadinhas, quietinhas, preciosas e intocadas como aquilo que se guarda num baú e só se revê muitos anos depois - quando se muda de casa ou reorganiza as tralhas.
21 setembro 2009
Emergência
O miúdo cresceu 5 centímetros em dois meses. Mais coisa menos coisa. Enquanto andava de calções não se notava, mas agora todas as calças lhe ficam curtas. Mesmo as que lhe comprei em Junho, porque as anteriores também tinham deixado de servir.
E os pés? Não sei como, aumentou 3 números num ano sem dizer nada a ninguém. Tem os pés ligeiramente maiores que os meus. E desconfio que não vai ficar por aqui...
(Uma pessoa vê isto, e pensa para consigo, puxa, não tarda nada o puto não cabe na cama. E, se calhar por isso, a última moda entre os miúdos da idade dele é irem aobruxo médico para obterem uma estimativa da sua altura em adultos.)
E os pés? Não sei como, aumentou 3 números num ano sem dizer nada a ninguém. Tem os pés ligeiramente maiores que os meus. E desconfio que não vai ficar por aqui...
(Uma pessoa vê isto, e pensa para consigo, puxa, não tarda nada o puto não cabe na cama. E, se calhar por isso, a última moda entre os miúdos da idade dele é irem ao
18 setembro 2009
para mais tarde recordar
(um ano e meio da minha bonequinha)
Entre as sete e meia e as oito da noite, depois do jantar dela, levo-a para o quarto. mudo-lhe a fralda, visto-lhe o pijama, mostro-lhe a cama. E pergunto-lhe se quer ir dormir. Ela atira-se aos lençóis, eu tapo-a, e ali fica, sossegadinha e sem chorar, até ao dia seguinte, quando for hora de se levantar.
(não sei de que é os outros pais se queixam. os filhos são fáceis. os bebés ainda mais.)
Entre as sete e meia e as oito da noite, depois do jantar dela, levo-a para o quarto. mudo-lhe a fralda, visto-lhe o pijama, mostro-lhe a cama. E pergunto-lhe se quer ir dormir. Ela atira-se aos lençóis, eu tapo-a, e ali fica, sossegadinha e sem chorar, até ao dia seguinte, quando for hora de se levantar.
(não sei de que é os outros pais se queixam. os filhos são fáceis. os bebés ainda mais.)
17 setembro 2009
Segredos
A desvantagem de organizar uma festa surpresa para alguém, é que essa pessoa pode decidir organizar outra festa.
(e agora temos duas festas para a mesma pessoa, com organização diferente, e local diferente, a menos de 24 horas uma da outra. mais vale festejar muito do que não festejar de todo.)
(e agora temos duas festas para a mesma pessoa, com organização diferente, e local diferente, a menos de 24 horas uma da outra. mais vale festejar muito do que não festejar de todo.)
16 setembro 2009
Prendas parvas
(ou melhor, mais uma ideia brilhante)
E se eu empacotasse todos os bonecos dos Kinder Surpresa que se escondiam nos recantos mais improváveis da minha casa (e agora foram encontrados com a mudança), embrulhasse, e desse de prenda a alguém? Era giro, não era?
(também os podia pôr em filinha a indicar o caminho numa daquelas brincadeiras do Natal para os miúdos)
E se eu empacotasse todos os bonecos dos Kinder Surpresa que se escondiam nos recantos mais improváveis da minha casa (e agora foram encontrados com a mudança), embrulhasse, e desse de prenda a alguém? Era giro, não era?
(também os podia pôr em filinha a indicar o caminho numa daquelas brincadeiras do Natal para os miúdos)
Os gatos
Eu até nem ligo muito a política, acho graça aos gatos, e já dei muitas gargalhadas à conta do esmiuçar dos sufrágios. E isto só com dois programas. Só me parece que as entrevistas têm um ritmo muito lento, o que é uma pena. Falta de prática, talvez.
Depois de ver, não só me parece uma ideia brilhante do ponto de vista televisivo, mesmo sendo copiada do Daily Show, como também é muito prometedor o espírito com que os dois políticos entrevistados até agora encararam as suas participações. É bonito ver um político a rir-se numa entrevista, a sorrir quando lhe são postas as perguntas que toda a gente gostava de ouvir - as tais que são apelidadas de parvas, mas às quais não é dada uma resposta séria. Os políticos portugueses até conseguem entrar na brincadeira. E material para a primeira parte - o gozo com a campanha - não falta. Aos gatos - e ao RAP, provavelmente a pessoa mais sexy em estúdio, mesmo quando acompanhado do primeiro ministro - tiro o meu chapéu. Uma coisa é certa, se este programa fosse para durar, duvido muito que os políticos continuassem a aparecer com sorrisos tão abertos.
Depois de ver, não só me parece uma ideia brilhante do ponto de vista televisivo, mesmo sendo copiada do Daily Show, como também é muito prometedor o espírito com que os dois políticos entrevistados até agora encararam as suas participações. É bonito ver um político a rir-se numa entrevista, a sorrir quando lhe são postas as perguntas que toda a gente gostava de ouvir - as tais que são apelidadas de parvas, mas às quais não é dada uma resposta séria. Os políticos portugueses até conseguem entrar na brincadeira. E material para a primeira parte - o gozo com a campanha - não falta. Aos gatos - e ao RAP, provavelmente a pessoa mais sexy em estúdio, mesmo quando acompanhado do primeiro ministro - tiro o meu chapéu. Uma coisa é certa, se este programa fosse para durar, duvido muito que os políticos continuassem a aparecer com sorrisos tão abertos.
15 setembro 2009
Os miúdos são tão giros
Anuncio ao meu mais velho (ah, nunca tinha dito isto, mais velho, como se fosse realmente velho, ou pelo menos muito crescido) que lhe vou meter o dinheiro que tem guardado no banco. E ele concorda, que ponha tudo no banco (ele já há muito que percebeu a história dos juros), mas que lhe deixe 10 cêntimos. 10 cêntimos? Sim, está a dever ao amigo.
14 setembro 2009
A coisa mais engraçada dos últimos dias
O debate Sócrates - Ferreira Leite. Aquilo parecia ter sido ensaiado/escrito pelos Gato Fedorento. Em vários momentos fez-me lembrar sketches antigos deles. Tendo em conta que foi o único debate que vi, pode não ter sido o melhor. Mas achei-o hilariante.
09 setembro 2009
Será pedir muito?
Estou a meio da tarefa de reformar o meu guarda-roupa. O primeiro passo é (tem sido) deitar fora (ou dar, se estiverem em bom estado) coisas que não me servem, que não gosto, que nunca uso, que usei uma vez há anos e depois nunca mais (certo tipo de vestidos, por exemplo). O segundo passo é criar um guarda roupa funcional, sem coisas a mais, de roupa para o dia a dia, que sirva para trabalhar e para estar em casa. E substituir a roupa de desporto, que a que tenho também está à beira da reforma. Sim, que isto de ter tido uma bebé fez com que há mais de dois anos e meio eu não faça compras de roupa para mim a sério. Portanto, out with the old, in with the new.
Não ter vindo a alterar o que visto de uma forma gradual, como é (era) costume, leva-me a ter uma perspectiva... científica, vá lá, da coisa. Ou seja, primeiro vejo o que existe, em catálogos, revistas, e, porque não, nas montras, decido que tipo de looks me interessam mais, e depois irei à procura do que quero. Com um pequenino problema. As revistas e catálogos só têm miúdas esqueléticas a fazer de cabides. A elas pode-lhes ficar lindamente uma camisola às riscas horizontais compridas por cima de umas leggings, mas aposto que a 95% das mulheres não. Não seria tempo de começarem a fazer catálogos (e revistas, se não for pedir muito) com modelos de tamanhos variáveis? Assim gente para usar um tamanho 36, em vez do 32? Apetecia-me passar o dia sentada em frente aos provadores a ver outras mulheres experimentar a roupa em vez de ter que ser eu a experimentar tudo a ver o que ficará bem...
Não ter vindo a alterar o que visto de uma forma gradual, como é (era) costume, leva-me a ter uma perspectiva... científica, vá lá, da coisa. Ou seja, primeiro vejo o que existe, em catálogos, revistas, e, porque não, nas montras, decido que tipo de looks me interessam mais, e depois irei à procura do que quero. Com um pequenino problema. As revistas e catálogos só têm miúdas esqueléticas a fazer de cabides. A elas pode-lhes ficar lindamente uma camisola às riscas horizontais compridas por cima de umas leggings, mas aposto que a 95% das mulheres não. Não seria tempo de começarem a fazer catálogos (e revistas, se não for pedir muito) com modelos de tamanhos variáveis? Assim gente para usar um tamanho 36, em vez do 32? Apetecia-me passar o dia sentada em frente aos provadores a ver outras mulheres experimentar a roupa em vez de ter que ser eu a experimentar tudo a ver o que ficará bem...
08 setembro 2009
Mais vale tarde do que nunca
Eu sei que tinha prometido umas fotografias de um certo café em Munique... finalmente, levei a máquina. Que é como quem diz, o telemóvel. Carregado. Faltam as fotos das montras e as que tirei não têm grande qualidade, mas... a minha vida não é isto, foi o melhor que se arranjou e com muita boa vontade. :)
De resto, os bolos recomendam-se, em especial os brownies...
De resto, os bolos recomendam-se, em especial os brownies...
Bois de Rose
Uma das coisas mais bonitas (entre tantas) que vi nas montras, durante as férias, foi uma escultura em pau rosa, pequena, que representava um monte de livros empilhados. Havia variações do tema, umas esculturas tinham um homenzinho encostado aos livros, noutras o homenzinho estava a descansar em cima da pilha, e outras ainda consistiam apenas nos livros. Gostava de ter trazido uma para casa, mas achei-as estupidamente caras. Fiquei tão chocada quando vi o preço quem já nem me lembrei de tirar uma fotografia. E agora, ao recordar aquelas esculturas, tarde demais, vem-me à ideia que podia ter pedido uma de prenda. :) Para compensar os aneis que não uso e que são muitíssimo mais caros.
07 setembro 2009
(aos saltos de contente)
Eu vou ao Porto! Eu vou ao Porto! Eu vou ao Porto!
(é só daqui a quase dois meses, pelo que ainda vou ter que dar muitos pulos até lá.)
(é só daqui a quase dois meses, pelo que ainda vou ter que dar muitos pulos até lá.)
04 setembro 2009
I ♥ amazon
Livros por um cêntimo, portes de envio 3 euros. Haverá mais barato que isto (sem descolar da cadeira?)
(no marketplace da amazon)
(no marketplace da amazon)
03 setembro 2009
Dúvida
To facebook or not to facebook.
Acho que o primeiro "convite" que recebi foi há anos. Bem, há um ano, pelo menos. E muitos outros se seguiram. E eu, que tinha experimentado o Hi5 e achado aquilo uma porcaria, recusei sempre, educadamente como a minha mãe me ensinou. Mas agora (547 convites depois) estou na dúvida. Aquela confusão dos Terms & Conditions há uns tempos tinha sido uma desculpa tão boa...
Acho que o primeiro "convite" que recebi foi há anos. Bem, há um ano, pelo menos. E muitos outros se seguiram. E eu, que tinha experimentado o Hi5 e achado aquilo uma porcaria, recusei sempre, educadamente como a minha mãe me ensinou. Mas agora (547 convites depois) estou na dúvida. Aquela confusão dos Terms & Conditions há uns tempos tinha sido uma desculpa tão boa...
Batalhas no escritório

Encontrei no Jansenista, e achei uma ideia fantástica. Também há o calendário para 2010. E eu já mandei vir um da amazon. Ainda não sei para quem vai ser. Mas haverá aviões a voar onde ele for parar. :)
Speedy Gonzalez
O rapaz do correio tinha por hábito entrar e sair a correr. Olá - entrega as encomendas - retira o correio a enviar - adeus. Tudo em menos de 5 segundos. Não gostava deste rapaz do correio. Era demasiado rápido, nem sequer dava tempo para responder com um bom dia ou esboçar um sorriso. Era tão frustrante que já fugia dele, evitava a hora da entrega e recolha do correio.
Um dia o rapaz do correio abrandou. Deu tempo para receber um bom dia. E tempo para ouvir a resposta ao seu adeus. Ainda assim não teve direito ao sorriso da praxe que todos os outros rapazes do correio recebiam. O espanto tinha sido demasiado.
Um dia o rapaz do correio abrandou. Deu tempo para receber um bom dia. E tempo para ouvir a resposta ao seu adeus. Ainda assim não teve direito ao sorriso da praxe que todos os outros rapazes do correio recebiam. O espanto tinha sido demasiado.
02 setembro 2009
Deixem-me trabalhar
3 dias a mudar coisas, limpar, arrumar, pôr móveis num sítio, mudar de ideias e trocar tudo. Já não me aguento mais em casa.
01 setembro 2009
Mudanças
Mudei de casa uma data de vezes até hoje. Em média, de três em três anos, mais coisa menos coisa. E ainda continuo a achar mudar de casa divertidíssimo. É um bocado mais complicado não ter os pais a tratar de tudo (e a limpar, e a arrumar, e a tratar das burocracias), e o fim da mudança fica sempre mais longe (da última vez demorei um ano até terminar de desencaixotar tudo). Mas adoro tornar um conjunto de divisões na minha casa. Transformar quatro paredes brancas na minha sala, ou no meu quarto. Fazer experiências com a mobília. Trocar as lâmpadas e (mandar) colocar candeeiros. Já mudei tantas vezes de casa, que uma das mudanças mais giras até hoje tinha sido quando mudámos para uma casa do outro lado da rua, teria eu uns dez anos. (É assim que situo certos acontecimentos na minha vida, estão ancorados à casa onde vivia na altura.) Mas hoje, mudei de casa outra vez, e desta vez foi ainda mais especial. Mudar para o apartamento de baixo não acontece a toda a gente. Nem sequer a todas as empresas de mudanças. (Aos nossos homens fortes e musculados (e giros! e novos! e simpáticos!) que andaram a carregar a mobília nunca lhes tinha calhado.) Não é preciso camião. Nem bloquear a rua. E teve piada ver coisas a descer de uma varanda para a outra. E a piéce de resistance... A Telekom quase que nos tramou. No apartamento novo nao tenho nem internet nem telefone até sexta, se tudo correr bem. Felizmente estamos na era do wireless. O telefone continua a emitir lá em cima, e agora é utilizado cá em baixo. A internet a mesma coisa. Ah! Ah!
(Estou que nem posso. E pensar que tive pena de não ir à aeróbica. Doem-me os músculos todos.)
(Estou que nem posso. E pensar que tive pena de não ir à aeróbica. Doem-me os músculos todos.)
31 agosto 2009
Cura de emagrecimento
Passar o dia a subir e a descer escadas. E a carregar coisas pesadas. Se isto não chegar para abater os gramas que ganhei durante as férias, eles cá ficarão para sempre.
Das vantagens das bibliotecas
não é preciso andar com os livros de um lado para o outro. e as bibliotecas de praia? uma ideia maravilhosa.
Dos livros
Passei uma boa parte da infância enfiada na biblioteca. Comecei pela biblioteca itinerante da Gulbenkian - a carrinha cinzenta que passava de vez em quando - passei pelo que foi a biblioteca municipal (a que não emprestava livros, só permitia a sua leitura no local) e depois mudei-me para o que se tornou a mistura das duas (daquela estante não se podem levar livros para casa, das outras podem-se levar 5 de cada vez). Passei ali muitas manhãs, e muitas tardes, a ler os livros mais pequenos, levava sempre 5 para casa e nas férias de verão e nas outras todos os dias ia trocar por mais uma dose. Lia os meus e a maior parte dos que as minhas irmãs requisitavam, e quando os livros vinham já muito manuseados, às vezes colava-lhes as capas ou uma ou outra folha solta com fita cola. Nunca escrevi nos livros, e que me lembre, não era costume eles virem rabiscados.
Quando ia aos meus avós, tanto de um lado da família como do outro, uma das actividades que levava a cabo enquanto os adultos se abstraíam da minha presença (vá lá, quando eu desaparecia da vista deles sem que eles notassem) era investigar as casas. Na casa dos meus avós paternos rebuscava os quartos e as estantes à procura de tesouros (havia tantos!) e encontrava bichos em álcool, um microscópio, um pífaro que rapidamente desapareceu (hoje desconfio que foi o meu pai, farto de o ouvir, que lhe deu sumiço), livros e mais livros, e componentes eléctricos que na altura não sabia identificar. Na casa dos meus avós maternos rebuscava o quarto da minha tia, que tinha um poster dos ABBA na parede, e gostava de ir ao sótão, onde havia imensas teias de aranhas, alguns buracos na madeira do soalho, e a luz do sol entrava pelas frestas das telhas. A minha avó dizia para não ir lá para cima, que havia ratos, mas eu não só nunca tinha visto nenhum como não tinha medo - suponho que, nessa altura, se algum dia tivesse encontrado um rato ainda o transformava em animal de estimação ou então torturava-o para que aprendesse a voar. E nesta casa não me lembro dos livros, mas lembro-me de encontrar dezenas de revistas juvenis do tempo do antigo regime, que eu li de uma ponta à outra (bem, quase), que tinham histórias por capítulos e me faziam ansiar pelo exemplar que faltava lá no meio.
Quando fui viver para o Porto, já com 18 anos, terminou a minha infância - pelo menos a parte que eu me dava ao luxo de ser infantil 95% do tempo. Não voltei a frequentar bibliotecas por prazer, apenas por necessidade, não voltei a rir às gargalhadas sob o olhar severo da bibliotecária (que nunca acreditou que eu lia os livros que levava para casa, e nem lhe passou pela cabeça que eu também lesse os outros que as minhas irmãs traziam com elas), nem voltei a ler livros velhos em casa de familiares, e a coisa mais parecida com ler livros que passaram de mão em mão era partilhar os livros que comprava com as minhas irmãs e, de vez em quando, pedir um emprestado às amigas.
E depois...
...fui de férias. Encontrei uma estante com livros a chamar por mim. Livros deixados por outros viajantes, uns novos, provavelmente lidos apenas uma vez, outros semi-novos, e outros velhos, de folhas soltas e fita cola a prender a capa. E redescobri o prazer de ler um livro que já foi folheado uma e outra vez, de ler uma história que nitidamente já deu prazer a outras pessoas, de tocar aquelas páginas que já tinham sido tocadas por muitos outros dedos. Tenho saudades da "minha" bibilioteca, que funcionava num edifício antigo, de rés-do-chão e primeiro andar, das escadas que rangiam, do soalho de manteiga, do boneco da máquina de bolas-surpresa na loja do outro lado da estrada que dizia, em espanhol, "holla, como te llamas? quiero ser como tu. a ver se puedes divinar" todo o dia, sem se cansar, sem me incomodar.
(os meus vizinhos têm uma biblioteca imensa na cave. vou começar a levar livros emprestados.)
Quando ia aos meus avós, tanto de um lado da família como do outro, uma das actividades que levava a cabo enquanto os adultos se abstraíam da minha presença (vá lá, quando eu desaparecia da vista deles sem que eles notassem) era investigar as casas. Na casa dos meus avós paternos rebuscava os quartos e as estantes à procura de tesouros (havia tantos!) e encontrava bichos em álcool, um microscópio, um pífaro que rapidamente desapareceu (hoje desconfio que foi o meu pai, farto de o ouvir, que lhe deu sumiço), livros e mais livros, e componentes eléctricos que na altura não sabia identificar. Na casa dos meus avós maternos rebuscava o quarto da minha tia, que tinha um poster dos ABBA na parede, e gostava de ir ao sótão, onde havia imensas teias de aranhas, alguns buracos na madeira do soalho, e a luz do sol entrava pelas frestas das telhas. A minha avó dizia para não ir lá para cima, que havia ratos, mas eu não só nunca tinha visto nenhum como não tinha medo - suponho que, nessa altura, se algum dia tivesse encontrado um rato ainda o transformava em animal de estimação ou então torturava-o para que aprendesse a voar. E nesta casa não me lembro dos livros, mas lembro-me de encontrar dezenas de revistas juvenis do tempo do antigo regime, que eu li de uma ponta à outra (bem, quase), que tinham histórias por capítulos e me faziam ansiar pelo exemplar que faltava lá no meio.
Quando fui viver para o Porto, já com 18 anos, terminou a minha infância - pelo menos a parte que eu me dava ao luxo de ser infantil 95% do tempo. Não voltei a frequentar bibliotecas por prazer, apenas por necessidade, não voltei a rir às gargalhadas sob o olhar severo da bibliotecária (que nunca acreditou que eu lia os livros que levava para casa, e nem lhe passou pela cabeça que eu também lesse os outros que as minhas irmãs traziam com elas), nem voltei a ler livros velhos em casa de familiares, e a coisa mais parecida com ler livros que passaram de mão em mão era partilhar os livros que comprava com as minhas irmãs e, de vez em quando, pedir um emprestado às amigas.
E depois...
...fui de férias. Encontrei uma estante com livros a chamar por mim. Livros deixados por outros viajantes, uns novos, provavelmente lidos apenas uma vez, outros semi-novos, e outros velhos, de folhas soltas e fita cola a prender a capa. E redescobri o prazer de ler um livro que já foi folheado uma e outra vez, de ler uma história que nitidamente já deu prazer a outras pessoas, de tocar aquelas páginas que já tinham sido tocadas por muitos outros dedos. Tenho saudades da "minha" bibilioteca, que funcionava num edifício antigo, de rés-do-chão e primeiro andar, das escadas que rangiam, do soalho de manteiga, do boneco da máquina de bolas-surpresa na loja do outro lado da estrada que dizia, em espanhol, "holla, como te llamas? quiero ser como tu. a ver se puedes divinar" todo o dia, sem se cansar, sem me incomodar.
(os meus vizinhos têm uma biblioteca imensa na cave. vou começar a levar livros emprestados.)
Entre caixotes
(vazios, que esta mudança vai ser a mais hilariante de sempre, adianto que o tema é "para baixo todos os santos ajudam")
O blogue vai ter que prosseguir em modo post curto. Quase ao estilo do twitter, mas sem ter que me limitar, a não ser pela velocidade dos meus dedos (que é grande, aviso já que os meus dedos a teclar são como um corredor de automóveis fórmula 1). Por um lado, os postes serão curtos porque estou com falta de tempo, roubando uns minutos aqui e ali para vir à net, como uma viciada, por outro lado haverá postes porque simplesmente tenho que escrever.
[Actualização: se as regras são minhas, posso quebrá-las, não é? dizem que a excepção faz a regra, mas eu já estou na dúvida do que será a regra e do que será a excepção.]
O blogue vai ter que prosseguir em modo post curto. Quase ao estilo do twitter, mas sem ter que me limitar, a não ser pela velocidade dos meus dedos (que é grande, aviso já que os meus dedos a teclar são como um corredor de automóveis fórmula 1). Por um lado, os postes serão curtos porque estou com falta de tempo, roubando uns minutos aqui e ali para vir à net, como uma viciada, por outro lado haverá postes porque simplesmente tenho que escrever.
[Actualização: se as regras são minhas, posso quebrá-las, não é? dizem que a excepção faz a regra, mas eu já estou na dúvida do que será a regra e do que será a excepção.]
30 agosto 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)


