26 maio 2010
Já é um começo...
Queria arrumar a minha vida mas só consegui arrumar uma secretária. E nem mexi nas gavetas.
É desta que perco os (poucos) leitores que (ainda) cá vêm vinham
"Leio" a Vogue alemã no cabeleireiro, quando lá vou. Na verdade só olho para as fotografias. Chocam-me os preços das coisas que lá vêm, quando diz o preço, faz-me sentir um alien. A parte que mais gosto são os anúncios. (A última que vi tinha lá um de duas páginas de uma marca de roupa que infelizmente me esqueci e incluia a foto de um vestido lindíssimo que fiquei de ir ver à net - que eu combino coisas destas comigo mesma. Infelizmente esqueci-me do nome da marca, pelo que a publicidade não foi assim tão eficiente.)
2 em 1
Transformei um quase cinto (duas tiras de pele entrançadas com umas bolinhas azuis nas pontas) que vinha numa saia num quase colar para usar com a dita. Perfeito. Onde é que eu ia arranjar um colar que desse tão bem com a saia? :P E aquele azul das bolinhas que é quase igual ao do top. Fantástico.
Para começar o dia...
Levei o miúdo à escola, como sempre. Deixei-o no sítio do costume, no acesso próximo, e preparava-me para arrancar quando uma data de miúdos começam a correr para a estrada, na direcção contrária à da escola. O meu primeiro pensamento foi o amoklauf que tinha sido anunciado há uns tempos no tampo de uma mesa da escola, com data e tudo, que não se tinha chegado a concretizar. (Na altura pensei que era brincadeira, alguém que não queria ter aulas nesse dia, como quando eu era miúda e alguém telefonava para a escola a avisar que havia uma bomba, provavelmente para não ter que fazer algum teste.) Já me estava a preparar para pegar no meu rapaz e levá-lo dali para fora rapidamente, quando me apercebi do que realmente se estava a passar. Um grupo de adolescentes mafarricos, cada um com uma pistola de água daquelas gigantes (tipo supersoaker) estavam a atirar a quem chegava. Uma partida portanto. E os miúdos tinham-se organizado, até tinham t-shirts para o evento e tudo. Ainda estou para ver o sentido de humor dos alemães para esta brincadeira. Eu achei graça...
20 maio 2010
A aventura da carta de mota III
O exame
No dia do exame tive que conduzir a mota até à DGV mais próxima (acho eu que era a DGV, mas se calhar tem outro nome...) que ainda fica a uns quilómetros. Mais um passeio na estrada nacional, desta vez mais longe que eu já tinha ido, e, pela primeira vez, com chuva a cair. Alguma vez tinha que acontecer. Por cima do meu equipamento normal lá pus um impermeável gigantesco, mais para não ficar com frio pois as minhas roupas de motard são à prova de água. No caminho aconteceu-me logo o primeiro susto: ao virar para uma ponte, em que a visibilidade era reduzida por haver muitas árvores, aparece-me um carro em direcção contrária mas que vinha em metade da minha faixa... a sorte é que eu vinha bastante enconstada à direita, senão tinha-me acertado e eu nem teria tempo de reagir. O maluco do condutor tinha o corpo do lado do passageiro, pareceu-me que estaria a tirar uma sandes do porta-luvas ou algo semelhante...
Quando chegámos à cidade lá fui dar o passeio da praxe, ruas residenciais, ruas movimentadas, cruzamentos, rotundas, subidas, descidas. E os malfadados oitos. No início do passeio em ruas planas ou pouco inclinadas, no fim numa subida acentuada. Foi um desastre. À primeira tentativa caí. À segunda - que eu não desisto facilmente, quando estava a terminar a curva aproximei-me demais do passeio, acelerei com a intençao de não cair, e quando dei por ela tinha subido o passeio, fui contra um muro, parti a mota e caí no chão. Não me aleijei, mas fiquei com a confiança bastante abalada. A mota ficou sem o pisca de um lado e um dos apoios dos pés também partiu, quase nem dava para meter as mudanças. Tive que levar a mota a uma oficina por que da maneira que estava nem sequer poderia fazer o exame. Acabei por não almoçar decentemente, e fiquei sentada no passeio enquanto me arranjavam a mota, a deitar contas à vida e a pensar como é que isto podia ser, que miséria, a única coisa que eu não consigo fazer e que me vai fazer chumbar no exame. E ia dizendo para os meus botões que a única hipótese que tinha de me safar seria se, por algum milagre, o examinador me mandasse fazer os oitos numa rua sem inclinação...
Sentada naquele passeio com um olhar miserável, a atrair olhares de pena de quem passava e pessoas a perguntar se tinha caído da mota (sim caí, mas não me aleijei), lá me acalmei, e convenci-me que não era o fim do mundo e que se não passasse desta teria que treinar mais, pois mais tarde ou mais cedo havia de ser capaz de fazer os oitos na perfeição, fosse onde fosse.
Quando a mota já estava pronta lá fui para o local do exame, comi uma tosta à pressa (belo almoço!) e fui à chamada. Todos os candidatos que estavam à espera tinham como equipamento... um capacete. Ainda mandaram umas bocas por eu estar completamente equipada, mas eu ri-me e disse que se caísse ao menos não me ia magoar (e pensei, com as vezes que eu já caí da mota, se não fossem as protecções já tinha partido alguma coisa e desistido disto para todo o sempre).
O meu exame ia ser o segundo, e por isso pude ir ter ao ponto de encontro, que era fora da cidade, na mota, nas calmas. Foi um passeio bom, deu para andar um bocado mais depressa que o costume (70-80km/h é uma velocidade genial ;)), e enquanto rodava naquela estrada pensava que aquilo era o motivo pelo qual eu queria tirar a carta de mota. Acalmei, deixei de me preocupar com o resultado do exame, e decidi desfrutar o passeio, tanto aquele como o de regresso, quando o examinador estivesse atrás de mim a julgar todos os meus movimentos em cima da burra. (ah, ouvi esta na oficina e achei tanta graça...)
Quando o examinador chegou ao ponto de encontro com o outro rapaz em cima da mota (vinha todo contente, sabia que só podia ter passado), o homem olha para mim, com calças, casaco, botas, luvas e capacete, e olha para o rapaz, e diz-lhe, eu admiro um candidato que vem para o exame assim vestido. (Ganhei logo ali uns pontos, pareceu-me.) E depois começa a contar alguns dos seus próprios acidentes de mota, sem equipamento, com muita tolice à mistura, e a sorte de lhes ter sobrevivido, embora às vezes com marcas para a vida, e eu ali a pensar no que é que me fui meter, ainda me espeto contra qualquer coisa e me arrependo desta ideia louca para o resto da minha vida...
O exame começou com umas perguntinhas sobre a mota - como é que se faz o pisca, como é que se ligam os máximos, o que indicam as luzes e os instrumentos no painel da mota. Foi a parte fácil. Depois lá me sentei, liguei a mota, e conduzi de volta à cidade (fantástica, esta parte) a uns 80km/h para o homem não morrer de tédio e com cuidado para não ir demasiado encostada à esquerda e com muita atenção ao tráfego. Em chegando à cidade mandou-me virar à esquerda, à direita, entrar em diversas rotundas e sair das várias maneiras possíveis, tive que parar nas passadeiras e safar-me de umas confusões de trânsito normais para quem está habituado a conduzir um automóvel. Depois de muito passeio em cidade, o examinador lá me manda para uma zona residencial, uma rua larga, mas inclinada e diz-me "agora faça aí os oitos". E eu só pensei pronto, é agora que me lixo, não tenho hipótese, será que vale a pena sequer tentar... Estava mesmo nervosa, mas lá me decidi a tentar, consegui fazer uns oitos, o homem ficou satisfeito e mandou-me continuar e eu nem conseguia acreditar que tinha conseguido, estava toda a tremer... mas a mota essa, ia segura. :) Suponho que já ter tido feito umas viragens à esquerda e à direita mais apertadas em subidas antes dos oitos tenha ajudado a o examinador não me ter mandado fazer oitos num sítio mais difícil. A verdade é que eu consigo dominar a mota a baixas velocidades e situações mais complicadas, mas os oitos em subida dão cabo de mim, é trauma de ter caído tantas vezes.
Depois disto ainda dei mais uns passeios, muitas curvas à esquerda, à direita, subidas, descidas, e depois regressámos ao parque da DGV. O examinador desejou-me felicidades, eu interpretei isso como um "passou" e considerei-o uma prenda de anos. O instrutor de condução também deve ter ficado todo contente, já que assim não tem que me dar mais aulas e não lhe volto a partir a mota. :D
Mais uma vez, acho que tive uma sorte do catano, e depois do que me aconteceu só sei que vou ter muito cuidadinho. Tive que trazer a mota de volta à escola de condução, mais uns quilómetros em estrada nacional e debaixo de chuva, e apreciei tanto o passeio, mais uma vez, que só decidi não comprar uma mota nova muito cara. É que se voltar a cair não quero ficar muito triste por causa da mota... Por agora o plano é esperar pela carta definitiva, arranjar uma motinha para principiantes e praticar muito, de preferência com a companhia de motards com muita experiência.
Quando chegámos à cidade lá fui dar o passeio da praxe, ruas residenciais, ruas movimentadas, cruzamentos, rotundas, subidas, descidas. E os malfadados oitos. No início do passeio em ruas planas ou pouco inclinadas, no fim numa subida acentuada. Foi um desastre. À primeira tentativa caí. À segunda - que eu não desisto facilmente, quando estava a terminar a curva aproximei-me demais do passeio, acelerei com a intençao de não cair, e quando dei por ela tinha subido o passeio, fui contra um muro, parti a mota e caí no chão. Não me aleijei, mas fiquei com a confiança bastante abalada. A mota ficou sem o pisca de um lado e um dos apoios dos pés também partiu, quase nem dava para meter as mudanças. Tive que levar a mota a uma oficina por que da maneira que estava nem sequer poderia fazer o exame. Acabei por não almoçar decentemente, e fiquei sentada no passeio enquanto me arranjavam a mota, a deitar contas à vida e a pensar como é que isto podia ser, que miséria, a única coisa que eu não consigo fazer e que me vai fazer chumbar no exame. E ia dizendo para os meus botões que a única hipótese que tinha de me safar seria se, por algum milagre, o examinador me mandasse fazer os oitos numa rua sem inclinação...
Sentada naquele passeio com um olhar miserável, a atrair olhares de pena de quem passava e pessoas a perguntar se tinha caído da mota (sim caí, mas não me aleijei), lá me acalmei, e convenci-me que não era o fim do mundo e que se não passasse desta teria que treinar mais, pois mais tarde ou mais cedo havia de ser capaz de fazer os oitos na perfeição, fosse onde fosse.
Quando a mota já estava pronta lá fui para o local do exame, comi uma tosta à pressa (belo almoço!) e fui à chamada. Todos os candidatos que estavam à espera tinham como equipamento... um capacete. Ainda mandaram umas bocas por eu estar completamente equipada, mas eu ri-me e disse que se caísse ao menos não me ia magoar (e pensei, com as vezes que eu já caí da mota, se não fossem as protecções já tinha partido alguma coisa e desistido disto para todo o sempre).
O meu exame ia ser o segundo, e por isso pude ir ter ao ponto de encontro, que era fora da cidade, na mota, nas calmas. Foi um passeio bom, deu para andar um bocado mais depressa que o costume (70-80km/h é uma velocidade genial ;)), e enquanto rodava naquela estrada pensava que aquilo era o motivo pelo qual eu queria tirar a carta de mota. Acalmei, deixei de me preocupar com o resultado do exame, e decidi desfrutar o passeio, tanto aquele como o de regresso, quando o examinador estivesse atrás de mim a julgar todos os meus movimentos em cima da burra. (ah, ouvi esta na oficina e achei tanta graça...)
Quando o examinador chegou ao ponto de encontro com o outro rapaz em cima da mota (vinha todo contente, sabia que só podia ter passado), o homem olha para mim, com calças, casaco, botas, luvas e capacete, e olha para o rapaz, e diz-lhe, eu admiro um candidato que vem para o exame assim vestido. (Ganhei logo ali uns pontos, pareceu-me.) E depois começa a contar alguns dos seus próprios acidentes de mota, sem equipamento, com muita tolice à mistura, e a sorte de lhes ter sobrevivido, embora às vezes com marcas para a vida, e eu ali a pensar no que é que me fui meter, ainda me espeto contra qualquer coisa e me arrependo desta ideia louca para o resto da minha vida...
O exame começou com umas perguntinhas sobre a mota - como é que se faz o pisca, como é que se ligam os máximos, o que indicam as luzes e os instrumentos no painel da mota. Foi a parte fácil. Depois lá me sentei, liguei a mota, e conduzi de volta à cidade (fantástica, esta parte) a uns 80km/h para o homem não morrer de tédio e com cuidado para não ir demasiado encostada à esquerda e com muita atenção ao tráfego. Em chegando à cidade mandou-me virar à esquerda, à direita, entrar em diversas rotundas e sair das várias maneiras possíveis, tive que parar nas passadeiras e safar-me de umas confusões de trânsito normais para quem está habituado a conduzir um automóvel. Depois de muito passeio em cidade, o examinador lá me manda para uma zona residencial, uma rua larga, mas inclinada e diz-me "agora faça aí os oitos". E eu só pensei pronto, é agora que me lixo, não tenho hipótese, será que vale a pena sequer tentar... Estava mesmo nervosa, mas lá me decidi a tentar, consegui fazer uns oitos, o homem ficou satisfeito e mandou-me continuar e eu nem conseguia acreditar que tinha conseguido, estava toda a tremer... mas a mota essa, ia segura. :) Suponho que já ter tido feito umas viragens à esquerda e à direita mais apertadas em subidas antes dos oitos tenha ajudado a o examinador não me ter mandado fazer oitos num sítio mais difícil. A verdade é que eu consigo dominar a mota a baixas velocidades e situações mais complicadas, mas os oitos em subida dão cabo de mim, é trauma de ter caído tantas vezes.
Depois disto ainda dei mais uns passeios, muitas curvas à esquerda, à direita, subidas, descidas, e depois regressámos ao parque da DGV. O examinador desejou-me felicidades, eu interpretei isso como um "passou" e considerei-o uma prenda de anos. O instrutor de condução também deve ter ficado todo contente, já que assim não tem que me dar mais aulas e não lhe volto a partir a mota. :D
Mais uma vez, acho que tive uma sorte do catano, e depois do que me aconteceu só sei que vou ter muito cuidadinho. Tive que trazer a mota de volta à escola de condução, mais uns quilómetros em estrada nacional e debaixo de chuva, e apreciei tanto o passeio, mais uma vez, que só decidi não comprar uma mota nova muito cara. É que se voltar a cair não quero ficar muito triste por causa da mota... Por agora o plano é esperar pela carta definitiva, arranjar uma motinha para principiantes e praticar muito, de preferência com a companhia de motards com muita experiência.
A aventura da carta de mota II
As aulas práticas
É preciso ter em conta que, há pouco mais de um mês, eu nem sequer sabia onde é que era o acelarador e pensava que a manete da esquerda também era para travar (é a embraiagem). E não fazia ideia que há um botão para ligar, um para paragens de emergência, e que é preciso desfazer os piscas. A minha primeira aula foi aprender a arrancar a mota. Fantástico, consegui andar uns metros, deixei a mota ir abaixo uma vez, e deixei-a cair uma vez (subida em curva). Achei aquilo o máximo. Mais umas aulitas e já pude dar uns passeios fora da cidade, assustar-me com os cães (tanto cão à solta nas aldeias, e cães pastores enormes a tomar conta das ovelhas...), tentar não passar por cima da bosta de vaca para não escorregar... Andei em sítios e estradas onde nunca antes tinha estado, vi paisagens lindíssimas, e parecia-me que 40 km/h era mesmo rápido...
Depois vieram os 8s. Para quem não sabe, o exame de condução consiste num passeio :) em cidade, fora da cidade, e em fazer oitos com a mota numa rua à escolha do examinador. É proibido pôr o pé no chão e cair... Suponho que a ideia seja perceber se o candidato tem capacidade para se desenrascar em situações mais complicadas como curvas apertadas, porque de resto, não estou a ver-me nunca a vida a escolher uma rua menos movimentada para me por para ali a desenhar oitos com a mota... Quero a mota para passear, não para fazer gincanas.
Depois de algum treino lá aprendi a fazer os sacanas dos oitos numa rua de uma zona residencial. O problema veio quando me disseram para os fazer numa rua inclinada... É que a primeira vez que tentei caí, assustei-me, e a partir daí bloqueei e raramente conseguia.
Depois vieram os 8s. Para quem não sabe, o exame de condução consiste num passeio :) em cidade, fora da cidade, e em fazer oitos com a mota numa rua à escolha do examinador. É proibido pôr o pé no chão e cair... Suponho que a ideia seja perceber se o candidato tem capacidade para se desenrascar em situações mais complicadas como curvas apertadas, porque de resto, não estou a ver-me nunca a vida a escolher uma rua menos movimentada para me por para ali a desenhar oitos com a mota... Quero a mota para passear, não para fazer gincanas.
Depois de algum treino lá aprendi a fazer os sacanas dos oitos numa rua de uma zona residencial. O problema veio quando me disseram para os fazer numa rua inclinada... É que a primeira vez que tentei caí, assustei-me, e a partir daí bloqueei e raramente conseguia.
A aventura da carta de mota I
Há coisas giras nesta vida. Uma delas é andar de mota. Sentir o vento, desfrutar a paisagem, estar só na estrada, e ir cantarolando o que vier à cabeça. (E prestar atenção aos cães, que se se enfiam no meio das rodas é tombo certo, e aos buracos na estrada, e aos obstáculos, e aos objectos não identificados e potencialmente escorregadios.) Fazer isto durante umas horas numa estrada nacional deserta tem quase o mesmo efeito que olhar para o mar sentada na areia quando a praia está deserta - com a diferença que depois posso ficar um bocado dorida de estar sempre na mesma posição.
Sempre quis ter carta de mota. Quando era miúda não me deixaram, e agora lá me decidi a deixar de adiar. E tinha que ser depressinha, que já não há tempo a perder. Em quinze dias preparei-me para o exame teórico, e fui tendo umas aulas práticas. Fiz os testes todos que havia na escola, fiz os testes todos do site do IMT, e quando vi o exame à minha frente mal podia acreditar que, das 10 perguntas, não tinha a certeza da resposta a 4 (que nunca tinha visto antes). Durante os 10 minutos do exame vi e revi as respostas, mudei uma no último minuto, e nos 20 minutos seguintes que estive à espera do resultado perguntei-me um milhão de vezes onde é que teria ido parar a minha sorte, como é que podia ser, eu não passar. Isto não podia ser, eu safo-me sempre, que é que eu iria fazer agora. Peguei no livro (sim, também tinha lido o livro todo), confirmei uma das perguntas (das 3 que tinha dúvidas), procurei e não encontrei a resposta às outras, amaldiçoei quem fez o livro e os testes, e quando recebi o resultado do exame... perguntei-me como é que eu tinha duvidado da minha sorte. Tinha acertado todas.
Sempre quis ter carta de mota. Quando era miúda não me deixaram, e agora lá me decidi a deixar de adiar. E tinha que ser depressinha, que já não há tempo a perder. Em quinze dias preparei-me para o exame teórico, e fui tendo umas aulas práticas. Fiz os testes todos que havia na escola, fiz os testes todos do site do IMT, e quando vi o exame à minha frente mal podia acreditar que, das 10 perguntas, não tinha a certeza da resposta a 4 (que nunca tinha visto antes). Durante os 10 minutos do exame vi e revi as respostas, mudei uma no último minuto, e nos 20 minutos seguintes que estive à espera do resultado perguntei-me um milhão de vezes onde é que teria ido parar a minha sorte, como é que podia ser, eu não passar. Isto não podia ser, eu safo-me sempre, que é que eu iria fazer agora. Peguei no livro (sim, também tinha lido o livro todo), confirmei uma das perguntas (das 3 que tinha dúvidas), procurei e não encontrei a resposta às outras, amaldiçoei quem fez o livro e os testes, e quando recebi o resultado do exame... perguntei-me como é que eu tinha duvidado da minha sorte. Tinha acertado todas.
18 maio 2010
Aquela coisa do dia perfeito*
Na verdade, não preciso de muito para que um dia seja perfeito. Todos os meus dias têm partes perfeitas, era questão de juntar as partes durante um dia inteiro. Tipo acordar com sol, ir às compras com as minhas irmãs, almoçar com um amigo, ir ao cinema com o miúdo, jantar e ir para os copos com a minha melhor amiga. Ou então, um dia de verão (os dias de verão são todos quase perfeitos ou perfeitos), daqueles em que passo o dia na praia a fazer bodyboard, a ler e a dormir, almoço qualquer coisa leve naquele sítio onde têm uma cama de rede à disposição, e ao jantar vou a um daqueles restaurantes que servem delícias como ameijoas e atum fresco com tomate e ainda têm sobremesas deliciosas como leite-creme. Ou então ir ao karaoke com as minhas manas, companheiras da maior parte das coisas mais divertidas que fiz (e faço) na vida.
E, hoje em dia, um dia perfeito pode ser um dia em que nem esteja assim tanto sol e nem esteja assim tanto calor, e eu vá dar um passeio de mota (sim, já tenho a carta, foi uma aventura).
Um dia perfeito pode ser um sábado ou um domingo (com pequenos-almoços preguiçosos a dar para o brunch, sempre, que eu crio hábitos quando gosto muito das coisas), e também pode ser durante a semana, de férias (quando todos os dias são igualmente importantes e têm quase o mesmo significado) ou de trabalho (eu gosto do trabalho por razões semelhantes a ter gostado da escola).
(por causa disto. e disto)
E, hoje em dia, um dia perfeito pode ser um dia em que nem esteja assim tanto sol e nem esteja assim tanto calor, e eu vá dar um passeio de mota (sim, já tenho a carta, foi uma aventura).
Um dia perfeito pode ser um sábado ou um domingo (com pequenos-almoços preguiçosos a dar para o brunch, sempre, que eu crio hábitos quando gosto muito das coisas), e também pode ser durante a semana, de férias (quando todos os dias são igualmente importantes e têm quase o mesmo significado) ou de trabalho (eu gosto do trabalho por razões semelhantes a ter gostado da escola).
(por causa disto. e disto)
17 maio 2010
Experimente o pão de ló em miniatura. Pode levar à confiança que são uma maravilha, eu até guardei ali uma caixa para levar para casa. Ah menina, e experimente esse sumo, que é novo, e vai ver que não se arrepende. Leve, que se não gostar é só trazê-lo cá que eu devolvo-lhe o dinheiro do meu bolso. Olhe que só estou a dizer isso porque sei que é mesmo bom, a menina vai gostar.
Só por isto, vale a pena ir ao Porto.
Só por isto, vale a pena ir ao Porto.
06 maio 2010
Há coisas fantásticas
Há uns tempos atrás (parece ter sido há séculos) alguém me convenceu que quando tivesse a minha menina, nunca mais ia voltar a ter o corpo que tinha. O que até pode ser verdade. Se calhar isto foi dito com a melhor das intenções - um "resigna-te, nunca mais vais andar com a barriga à mostra ou as pernas ao léu" - e a verdade é que, por uns tempos, resultou. Tive a minha menina, mudei o guarda-roupa, convenci-me que não ficava bem com a roupa que antes usava. E continuei a falar com pessoas que me explicaram que, depois de ter filhos, não só estava "fora do mercado" como nem valia a pena imaginar que algum dia algum homem se pudesse interessar por uma mulher... digamos, usada. Eu até achei o comentário estranho (mas em que mundo é que esta gente vive?), a desistência da parte de quem o disse, resignação, impotência, sei lá, mas ainda assim, contestei. Que não é nada assim, lá porque temos filhos não morremos, não deixamos de ser giras, não deixamos de ser pessoas, não deixamos de ser fantásticas. Pelo menos pela parte que me toca. Que depois de ter o primeiro ainda continuei a ser abordada por estranhos na rua, por menos estranhos no trabalho, que continuei a ouvir os assobios ou os comentários de alguns homens quando passava na rua. Mas pronto, se calhar esta gente tem razão, depois do segundo filho, é o fim.
Se alguém algum dia vos disser isto, gajas que me lêem, não acreditem. A vida só acaba para quem se recusa a vivê-la. As pessoas só deixam de ser atraentes se se fecharem em si mesmas. E não é por ter tido meia dúzia de filhos que já não se pode usar uma mini-saia ou um top mais decotado. Ser mãe não implica deixar de ser sexy. Não implica ter apenas os miúdos na cabeça (e nos braços) o tempo todo. Sim, eles ocupam-nos o tempo e os pensamentos, e a nossa vida funciona à volta deles, nem poderia ser de outra maneira. Mas não deixamos de ser, primeiro que tudo, seres humanos. Quem pensam, riem, sentem, exactamente como antes de terem umas criaturinhas para tomar conta, educar, amar.
(Demorou a voltar a sentir-me como antes. Fantástica. Mas agora é assim que me sinto. E isso reflecte-se nas outras pessoas.)
Se alguém algum dia vos disser isto, gajas que me lêem, não acreditem. A vida só acaba para quem se recusa a vivê-la. As pessoas só deixam de ser atraentes se se fecharem em si mesmas. E não é por ter tido meia dúzia de filhos que já não se pode usar uma mini-saia ou um top mais decotado. Ser mãe não implica deixar de ser sexy. Não implica ter apenas os miúdos na cabeça (e nos braços) o tempo todo. Sim, eles ocupam-nos o tempo e os pensamentos, e a nossa vida funciona à volta deles, nem poderia ser de outra maneira. Mas não deixamos de ser, primeiro que tudo, seres humanos. Quem pensam, riem, sentem, exactamente como antes de terem umas criaturinhas para tomar conta, educar, amar.
(Demorou a voltar a sentir-me como antes. Fantástica. Mas agora é assim que me sinto. E isso reflecte-se nas outras pessoas.)
30 abril 2010
vrrrrrummmm
Já andava a adiar tirar a carta de mota há demasiados anos. Mais do que os que tinha quando pedi aos meus pais que me comprassem uma e eles disseram "mas estás maluca! nem penses!". Parece-me que ponderei tempo suficiente. Anunciei à família o que ia fazer, e mais uma vez perguntaram-me se estou maluca. Bem, não mais que há uma data de anos atrás.
E lá fui. As aulas de código foram fantásticas, a começar pelo dia em que o instrutor me perguntou como é que era a regra da prioridade nas rotundas quando eu tirei a carta, há um milhão de anos atrás, e logo um rapazote se sai com um "é pá, eu tinha acabado de nascer nessa altura". O que, sendo verdade, chateia. Pronto, sou oficialmente um dinossauro. Mas eu ao menos já tenho a carta, e as motas que aquele atrevidote quer poder conduzir eu já posso, sem ter que passar nenhum exame. Toma lá.
O exame teórico foi um bocado chato. Assim tipo de eu ficar na dúvida em 4 perguntas (em 10, e só se pode errar uma), sair de lá uma pilha de nervos e a perguntar-me o que é que aconteceu à minha sorte, como é que pode ser, mas eu safo-me sempre!, não estou preparada para não passar, e no fim do filme, descobrir que tinha acertado tudo. (Como é que eu pude duvidar da minha sorte fenomenal, mil perdões.)
As aulas práticas, o andar de mota propriamente dito, é fenomenal. Depois de ultrapassadas as primeiras dificuldades - não é que as manetes não são as duas travões?! e aquela cena de trocar as mudanças com o pé e ter o neutro entre a primeira e a segunda não está com nada! - andar de mota é absolutamente fantástico. E nem é preciso ir muito depressa para se ter uma sensação de liberdade (sim! liberdade), desfrutar da paisagem (sem deixar de olhar para a estrada, que eu tenho medo de escorregar em areia ou outra coisa qualquer e não tenciono cair e aleijar-me) e simplesmente sentir o vento no corpo (não é na cara, que o capacete vai fechado, até para evitar que entrem mosquitos :D).
Difícil, difícil, é fazer os oitos. O exame tem uma parte em que tenho que descrever oitos na estrada, verificar se vem alguém e não por o pé no chão... A dificuldade está em -ironia das ironias -ter que se fazer isto muito devagar, porque o espaço para o fazer é curto. Com uma mota pequena (125cc, 100kg) não tenho problemas, com uma mota a sério - a que vou usar no exame - a coisa já pia mais fino.É que eu não sou assim muito grande, e a mota pesa 200Kg. Se virar o guiador um bocadinho demais o centro de gravidade desloca-se para um sítio onde já não tenho forma de o contrariar - e a mota cai-me em cima. Pois. E caiu, já, duas vezes. Uma das quais foi direitinha em cima do meu pé, que ficou preso debaixo do depósito de combustível, e sem que me fosse possível sair daquela situação sem ajuda. Felizmente estava equipada - fato, capacete, botas, luvas - e em vez de partir o pé, não senti nada. :D Fiquei intacta, só o meu orgulho é que ficou um bocadinho ferido, mas já passou. Eu hei-de conseguir lembrar-me de não virar tanto a mota. E nessa altura vai ser só passeios. :D
E lá fui. As aulas de código foram fantásticas, a começar pelo dia em que o instrutor me perguntou como é que era a regra da prioridade nas rotundas quando eu tirei a carta, há um milhão de anos atrás, e logo um rapazote se sai com um "é pá, eu tinha acabado de nascer nessa altura". O que, sendo verdade, chateia. Pronto, sou oficialmente um dinossauro. Mas eu ao menos já tenho a carta, e as motas que aquele atrevidote quer poder conduzir eu já posso, sem ter que passar nenhum exame. Toma lá.
O exame teórico foi um bocado chato. Assim tipo de eu ficar na dúvida em 4 perguntas (em 10, e só se pode errar uma), sair de lá uma pilha de nervos e a perguntar-me o que é que aconteceu à minha sorte, como é que pode ser, mas eu safo-me sempre!, não estou preparada para não passar, e no fim do filme, descobrir que tinha acertado tudo. (Como é que eu pude duvidar da minha sorte fenomenal, mil perdões.)
As aulas práticas, o andar de mota propriamente dito, é fenomenal. Depois de ultrapassadas as primeiras dificuldades - não é que as manetes não são as duas travões?! e aquela cena de trocar as mudanças com o pé e ter o neutro entre a primeira e a segunda não está com nada! - andar de mota é absolutamente fantástico. E nem é preciso ir muito depressa para se ter uma sensação de liberdade (sim! liberdade), desfrutar da paisagem (sem deixar de olhar para a estrada, que eu tenho medo de escorregar em areia ou outra coisa qualquer e não tenciono cair e aleijar-me) e simplesmente sentir o vento no corpo (não é na cara, que o capacete vai fechado, até para evitar que entrem mosquitos :D).
Difícil, difícil, é fazer os oitos. O exame tem uma parte em que tenho que descrever oitos na estrada, verificar se vem alguém e não por o pé no chão... A dificuldade está em -ironia das ironias -ter que se fazer isto muito devagar, porque o espaço para o fazer é curto. Com uma mota pequena (125cc, 100kg) não tenho problemas, com uma mota a sério - a que vou usar no exame - a coisa já pia mais fino.É que eu não sou assim muito grande, e a mota pesa 200Kg. Se virar o guiador um bocadinho demais o centro de gravidade desloca-se para um sítio onde já não tenho forma de o contrariar - e a mota cai-me em cima. Pois. E caiu, já, duas vezes. Uma das quais foi direitinha em cima do meu pé, que ficou preso debaixo do depósito de combustível, e sem que me fosse possível sair daquela situação sem ajuda. Felizmente estava equipada - fato, capacete, botas, luvas - e em vez de partir o pé, não senti nada. :D Fiquei intacta, só o meu orgulho é que ficou um bocadinho ferido, mas já passou. Eu hei-de conseguir lembrar-me de não virar tanto a mota. E nessa altura vai ser só passeios. :D
21 abril 2010
Puxa
Já ando a escrever blogues há 6 anos. Dei agora por ela. Desde 19 de Abril de 2004. Embora ultimamente escreva cada vez menos - acho que a escrita me sai de forma inversamente proporcional às complicações da minha vida - continuo a achar isto dos blogues fantástico. E em retrospectiva, acho imensa graça a poder rever como me senti em alguma altura. Não é que escreva como se isto fosse um diário, que não o é. Mas tenho coisas nos arquivos que ainda hoje me fazem rir. E outras, crípticas, que já não consigo decifrar. Tenho a impressão que um dia destes volto ao ritmo antigo. E daí talvez não, que quando a minha vida voltar a acelerar posso não ter tempo para parar e escrever sobre o que me passa pela cabeça.
16 abril 2010
Perspectivas
Não perdi o voo de ligação, apesar da porta já ter fechado e o avião estar prestes a sair. Infelizmente não se pode dizer o mesmo da bagagem. Eu cheguei, as malas não.
Por causa da confusão na porta, o funcionário ficou com os meus bilhetes, que substituiu por outros. A chatice é que os bilhetes tinham lá coladas as etiquetas da bagagem. Nunca as tinha perdido antes. Tinha logo que acontecer quando as malas não apanharam o mesmo avião que eu...
Apesar de tudo, a funcionária em Munique conseguiu localizar as malas perdidas (todas as 6!) sem que houvesse dúvidas que aquelas eram mesmo as minhas. Atribuíram-me um número para poder ver na internet por onde andavam, e prometeram entregá-las em breve. E cumpriram, menos de 24 horas depois tinha um rapaz simpático à minha porta com as minhas coisas todas. Fantástico.
Eu acho que tive uma sorte desgraçada. Além de tudo, apenas perdi cerca de 30 minutos no aeroporto a reclamar, e despachei-me antes do voo de ligação seguinte chegar (portanto, saldo positivo). E não tive que carregar as malas até casa eheheh. :)
Por causa da confusão na porta, o funcionário ficou com os meus bilhetes, que substituiu por outros. A chatice é que os bilhetes tinham lá coladas as etiquetas da bagagem. Nunca as tinha perdido antes. Tinha logo que acontecer quando as malas não apanharam o mesmo avião que eu...
Apesar de tudo, a funcionária em Munique conseguiu localizar as malas perdidas (todas as 6!) sem que houvesse dúvidas que aquelas eram mesmo as minhas. Atribuíram-me um número para poder ver na internet por onde andavam, e prometeram entregá-las em breve. E cumpriram, menos de 24 horas depois tinha um rapaz simpático à minha porta com as minhas coisas todas. Fantástico.
Eu acho que tive uma sorte desgraçada. Além de tudo, apenas perdi cerca de 30 minutos no aeroporto a reclamar, e despachei-me antes do voo de ligação seguinte chegar (portanto, saldo positivo). E não tive que carregar as malas até casa eheheh. :)
11 abril 2010
Sabes que estás em Portugal...
...quando, no dia a seguir ao jogo (um qualquer, não interessa qual é sempre a mesma coisa desde que se fale de futebol), o único assunto que se discute é o jogo. Há quanto tempo não ouvia disto.
Ou então eu é que tenho amigos estrangeiros muito esquisitos que não ligam a bolas redondas e gajos em calções.
Ou então eu é que tenho amigos estrangeiros muito esquisitos que não ligam a bolas redondas e gajos em calções.
21 março 2010
Sabemos que a loja é mesmo boa quando...
Ora anda uma pessoa sossegadinha às compras, a pensar nas camisolas que precisa e calças que já não servem e coisas assim, lá escolhe umas coisitas para experimentar, e quando chega ao provador, vê o casaco perfeito pousado em cima de uma mesa, daquelas onde o pessoal deixa a roupa que não quer, para que alguém depois arrume no lugar. O casaco era feito do material certo, tinha o tamanho (que não estava fácil de encontrar) certo, a cor perfeita para combinar com quase tudo o que já se encontrava no roupeiro em casa... E quando a pessoa resolve experimentar o casaco, leva as mãos ao bolso e encontra um maço de tabaco e um isqueiro. E rapidamente volta a pôr o casaco onde estava, que pelos vistos os casacos perfeitos já têm dono. ;)
14 março 2010
vrrummm...
Fui comprar o equipamento para a mota. (A tal que ainda não tenho.) Eu quero andar de mota mas parece que toda a gente tem acidentes, pelo que de repente tomei consciência de que não se pode andar com roupa normal e um simples capacete num brinquedo destes, porque de vez em quando cai-se. Ou a mota cai em cima de nós. O mínimo obrigatório (capacete) não chega. Casaco, calças, protectores, luvas, botas. Se um dia cair, quero poder levantar-me logo a seguir.
A loja era o máximo. Todos os vendedores são motoqueiros. Alguns há 20 anos, outros menos. Todos já tiveram acidentes, e continuaram a andar de mota, pelo que alguma coisa andam a fazer bem ;). Os melhores conselhos vieram das gajas :D, porque afinal os problemas que eu tenho são os mesmos que elas têm. E comprei umas botas com sola mais grossa, para ficar mais alta, que às vezes pode fazer a diferença entre ficar de pé ou deixar-me cair. É que as motas são umas maquinas pesadotas. Na loja tinham a mota que eu tenciono comprar, pelo que deu para experimentar o equipamento em cima dela. Para ver se os protectores ficam no sítio certo (nem todas as calças são feitas para pernas com o comprimento das minhas ;)) e se o casaco não aperta demais nos braços. Foi fixe. E saí de lá cheia de pressa para tirar a carta (já falta pouco) e dar umas voltas por aí.
Melhores histórias? O rapaz que foi andar de mota para o Alasca por 3 semanas. 2/3 do tempo debaixo de chuva, e ainda assim veio todo contente. O rapaz que teve um acidente e deu cabo da mota, mas saiu ileso. A mulher que anda de mota há 20 anos e teve alguns acidentes, e ainda está aí para as curvas. A miúda que ficou toda excitada com o fato que eu comprei (sim, é tão fixe) e que foi logo buscar as luvas que ficam melhor (sim, com os protectores nos sítios certos) e que ela também vai comprar. ;) Ah, e eu, que já tinha ido a várias lojas só para ver, fiquei mesmo impressionada com a quantidade de mulheres que ali andavam às compras - capacetes, calças, botas. E ao mesmo tempo, percebo, nas outras lojas não havia quase nada para senhoras...
(não tenciono cair. não tenciono andar a velocidades malucas. só dar uns passeios. ainda assim, acredito que mais vale prevenir que remediar...)
A loja era o máximo. Todos os vendedores são motoqueiros. Alguns há 20 anos, outros menos. Todos já tiveram acidentes, e continuaram a andar de mota, pelo que alguma coisa andam a fazer bem ;). Os melhores conselhos vieram das gajas :D, porque afinal os problemas que eu tenho são os mesmos que elas têm. E comprei umas botas com sola mais grossa, para ficar mais alta, que às vezes pode fazer a diferença entre ficar de pé ou deixar-me cair. É que as motas são umas maquinas pesadotas. Na loja tinham a mota que eu tenciono comprar, pelo que deu para experimentar o equipamento em cima dela. Para ver se os protectores ficam no sítio certo (nem todas as calças são feitas para pernas com o comprimento das minhas ;)) e se o casaco não aperta demais nos braços. Foi fixe. E saí de lá cheia de pressa para tirar a carta (já falta pouco) e dar umas voltas por aí.
Melhores histórias? O rapaz que foi andar de mota para o Alasca por 3 semanas. 2/3 do tempo debaixo de chuva, e ainda assim veio todo contente. O rapaz que teve um acidente e deu cabo da mota, mas saiu ileso. A mulher que anda de mota há 20 anos e teve alguns acidentes, e ainda está aí para as curvas. A miúda que ficou toda excitada com o fato que eu comprei (sim, é tão fixe) e que foi logo buscar as luvas que ficam melhor (sim, com os protectores nos sítios certos) e que ela também vai comprar. ;) Ah, e eu, que já tinha ido a várias lojas só para ver, fiquei mesmo impressionada com a quantidade de mulheres que ali andavam às compras - capacetes, calças, botas. E ao mesmo tempo, percebo, nas outras lojas não havia quase nada para senhoras...
(não tenciono cair. não tenciono andar a velocidades malucas. só dar uns passeios. ainda assim, acredito que mais vale prevenir que remediar...)
12 março 2010
06 março 2010
Isto anda assim... ;)
Não vou por aí!
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
27 fevereiro 2010
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