Na verdade, não preciso de muito para que um dia seja perfeito. Todos os meus dias têm partes perfeitas, era questão de juntar as partes durante um dia inteiro. Tipo acordar com sol, ir às compras com as minhas irmãs, almoçar com um amigo, ir ao cinema com o miúdo, jantar e ir para os copos com a minha melhor amiga. Ou então, um dia de verão (os dias de verão são todos quase perfeitos ou perfeitos), daqueles em que passo o dia na praia a fazer bodyboard, a ler e a dormir, almoço qualquer coisa leve naquele sítio onde têm uma cama de rede à disposição, e ao jantar vou a um daqueles restaurantes que servem delícias como ameijoas e atum fresco com tomate e ainda têm sobremesas deliciosas como leite-creme. Ou então ir ao karaoke com as minhas manas, companheiras da maior parte das coisas mais divertidas que fiz (e faço) na vida.
E, hoje em dia, um dia perfeito pode ser um dia em que nem esteja assim tanto sol e nem esteja assim tanto calor, e eu vá dar um passeio de mota (sim, já tenho a carta, foi uma aventura).
Um dia perfeito pode ser um sábado ou um domingo (com pequenos-almoços preguiçosos a dar para o brunch, sempre, que eu crio hábitos quando gosto muito das coisas), e também pode ser durante a semana, de férias (quando todos os dias são igualmente importantes e têm quase o mesmo significado) ou de trabalho (eu gosto do trabalho por razões semelhantes a ter gostado da escola).
(por causa disto. e disto)
18 maio 2010
17 maio 2010
Experimente o pão de ló em miniatura. Pode levar à confiança que são uma maravilha, eu até guardei ali uma caixa para levar para casa. Ah menina, e experimente esse sumo, que é novo, e vai ver que não se arrepende. Leve, que se não gostar é só trazê-lo cá que eu devolvo-lhe o dinheiro do meu bolso. Olhe que só estou a dizer isso porque sei que é mesmo bom, a menina vai gostar.
Só por isto, vale a pena ir ao Porto.
Só por isto, vale a pena ir ao Porto.
06 maio 2010
Há coisas fantásticas
Há uns tempos atrás (parece ter sido há séculos) alguém me convenceu que quando tivesse a minha menina, nunca mais ia voltar a ter o corpo que tinha. O que até pode ser verdade. Se calhar isto foi dito com a melhor das intenções - um "resigna-te, nunca mais vais andar com a barriga à mostra ou as pernas ao léu" - e a verdade é que, por uns tempos, resultou. Tive a minha menina, mudei o guarda-roupa, convenci-me que não ficava bem com a roupa que antes usava. E continuei a falar com pessoas que me explicaram que, depois de ter filhos, não só estava "fora do mercado" como nem valia a pena imaginar que algum dia algum homem se pudesse interessar por uma mulher... digamos, usada. Eu até achei o comentário estranho (mas em que mundo é que esta gente vive?), a desistência da parte de quem o disse, resignação, impotência, sei lá, mas ainda assim, contestei. Que não é nada assim, lá porque temos filhos não morremos, não deixamos de ser giras, não deixamos de ser pessoas, não deixamos de ser fantásticas. Pelo menos pela parte que me toca. Que depois de ter o primeiro ainda continuei a ser abordada por estranhos na rua, por menos estranhos no trabalho, que continuei a ouvir os assobios ou os comentários de alguns homens quando passava na rua. Mas pronto, se calhar esta gente tem razão, depois do segundo filho, é o fim.
Se alguém algum dia vos disser isto, gajas que me lêem, não acreditem. A vida só acaba para quem se recusa a vivê-la. As pessoas só deixam de ser atraentes se se fecharem em si mesmas. E não é por ter tido meia dúzia de filhos que já não se pode usar uma mini-saia ou um top mais decotado. Ser mãe não implica deixar de ser sexy. Não implica ter apenas os miúdos na cabeça (e nos braços) o tempo todo. Sim, eles ocupam-nos o tempo e os pensamentos, e a nossa vida funciona à volta deles, nem poderia ser de outra maneira. Mas não deixamos de ser, primeiro que tudo, seres humanos. Quem pensam, riem, sentem, exactamente como antes de terem umas criaturinhas para tomar conta, educar, amar.
(Demorou a voltar a sentir-me como antes. Fantástica. Mas agora é assim que me sinto. E isso reflecte-se nas outras pessoas.)
Se alguém algum dia vos disser isto, gajas que me lêem, não acreditem. A vida só acaba para quem se recusa a vivê-la. As pessoas só deixam de ser atraentes se se fecharem em si mesmas. E não é por ter tido meia dúzia de filhos que já não se pode usar uma mini-saia ou um top mais decotado. Ser mãe não implica deixar de ser sexy. Não implica ter apenas os miúdos na cabeça (e nos braços) o tempo todo. Sim, eles ocupam-nos o tempo e os pensamentos, e a nossa vida funciona à volta deles, nem poderia ser de outra maneira. Mas não deixamos de ser, primeiro que tudo, seres humanos. Quem pensam, riem, sentem, exactamente como antes de terem umas criaturinhas para tomar conta, educar, amar.
(Demorou a voltar a sentir-me como antes. Fantástica. Mas agora é assim que me sinto. E isso reflecte-se nas outras pessoas.)
30 abril 2010
vrrrrrummmm
Já andava a adiar tirar a carta de mota há demasiados anos. Mais do que os que tinha quando pedi aos meus pais que me comprassem uma e eles disseram "mas estás maluca! nem penses!". Parece-me que ponderei tempo suficiente. Anunciei à família o que ia fazer, e mais uma vez perguntaram-me se estou maluca. Bem, não mais que há uma data de anos atrás.
E lá fui. As aulas de código foram fantásticas, a começar pelo dia em que o instrutor me perguntou como é que era a regra da prioridade nas rotundas quando eu tirei a carta, há um milhão de anos atrás, e logo um rapazote se sai com um "é pá, eu tinha acabado de nascer nessa altura". O que, sendo verdade, chateia. Pronto, sou oficialmente um dinossauro. Mas eu ao menos já tenho a carta, e as motas que aquele atrevidote quer poder conduzir eu já posso, sem ter que passar nenhum exame. Toma lá.
O exame teórico foi um bocado chato. Assim tipo de eu ficar na dúvida em 4 perguntas (em 10, e só se pode errar uma), sair de lá uma pilha de nervos e a perguntar-me o que é que aconteceu à minha sorte, como é que pode ser, mas eu safo-me sempre!, não estou preparada para não passar, e no fim do filme, descobrir que tinha acertado tudo. (Como é que eu pude duvidar da minha sorte fenomenal, mil perdões.)
As aulas práticas, o andar de mota propriamente dito, é fenomenal. Depois de ultrapassadas as primeiras dificuldades - não é que as manetes não são as duas travões?! e aquela cena de trocar as mudanças com o pé e ter o neutro entre a primeira e a segunda não está com nada! - andar de mota é absolutamente fantástico. E nem é preciso ir muito depressa para se ter uma sensação de liberdade (sim! liberdade), desfrutar da paisagem (sem deixar de olhar para a estrada, que eu tenho medo de escorregar em areia ou outra coisa qualquer e não tenciono cair e aleijar-me) e simplesmente sentir o vento no corpo (não é na cara, que o capacete vai fechado, até para evitar que entrem mosquitos :D).
Difícil, difícil, é fazer os oitos. O exame tem uma parte em que tenho que descrever oitos na estrada, verificar se vem alguém e não por o pé no chão... A dificuldade está em -ironia das ironias -ter que se fazer isto muito devagar, porque o espaço para o fazer é curto. Com uma mota pequena (125cc, 100kg) não tenho problemas, com uma mota a sério - a que vou usar no exame - a coisa já pia mais fino.É que eu não sou assim muito grande, e a mota pesa 200Kg. Se virar o guiador um bocadinho demais o centro de gravidade desloca-se para um sítio onde já não tenho forma de o contrariar - e a mota cai-me em cima. Pois. E caiu, já, duas vezes. Uma das quais foi direitinha em cima do meu pé, que ficou preso debaixo do depósito de combustível, e sem que me fosse possível sair daquela situação sem ajuda. Felizmente estava equipada - fato, capacete, botas, luvas - e em vez de partir o pé, não senti nada. :D Fiquei intacta, só o meu orgulho é que ficou um bocadinho ferido, mas já passou. Eu hei-de conseguir lembrar-me de não virar tanto a mota. E nessa altura vai ser só passeios. :D
E lá fui. As aulas de código foram fantásticas, a começar pelo dia em que o instrutor me perguntou como é que era a regra da prioridade nas rotundas quando eu tirei a carta, há um milhão de anos atrás, e logo um rapazote se sai com um "é pá, eu tinha acabado de nascer nessa altura". O que, sendo verdade, chateia. Pronto, sou oficialmente um dinossauro. Mas eu ao menos já tenho a carta, e as motas que aquele atrevidote quer poder conduzir eu já posso, sem ter que passar nenhum exame. Toma lá.
O exame teórico foi um bocado chato. Assim tipo de eu ficar na dúvida em 4 perguntas (em 10, e só se pode errar uma), sair de lá uma pilha de nervos e a perguntar-me o que é que aconteceu à minha sorte, como é que pode ser, mas eu safo-me sempre!, não estou preparada para não passar, e no fim do filme, descobrir que tinha acertado tudo. (Como é que eu pude duvidar da minha sorte fenomenal, mil perdões.)
As aulas práticas, o andar de mota propriamente dito, é fenomenal. Depois de ultrapassadas as primeiras dificuldades - não é que as manetes não são as duas travões?! e aquela cena de trocar as mudanças com o pé e ter o neutro entre a primeira e a segunda não está com nada! - andar de mota é absolutamente fantástico. E nem é preciso ir muito depressa para se ter uma sensação de liberdade (sim! liberdade), desfrutar da paisagem (sem deixar de olhar para a estrada, que eu tenho medo de escorregar em areia ou outra coisa qualquer e não tenciono cair e aleijar-me) e simplesmente sentir o vento no corpo (não é na cara, que o capacete vai fechado, até para evitar que entrem mosquitos :D).
Difícil, difícil, é fazer os oitos. O exame tem uma parte em que tenho que descrever oitos na estrada, verificar se vem alguém e não por o pé no chão... A dificuldade está em -ironia das ironias -ter que se fazer isto muito devagar, porque o espaço para o fazer é curto. Com uma mota pequena (125cc, 100kg) não tenho problemas, com uma mota a sério - a que vou usar no exame - a coisa já pia mais fino.É que eu não sou assim muito grande, e a mota pesa 200Kg. Se virar o guiador um bocadinho demais o centro de gravidade desloca-se para um sítio onde já não tenho forma de o contrariar - e a mota cai-me em cima. Pois. E caiu, já, duas vezes. Uma das quais foi direitinha em cima do meu pé, que ficou preso debaixo do depósito de combustível, e sem que me fosse possível sair daquela situação sem ajuda. Felizmente estava equipada - fato, capacete, botas, luvas - e em vez de partir o pé, não senti nada. :D Fiquei intacta, só o meu orgulho é que ficou um bocadinho ferido, mas já passou. Eu hei-de conseguir lembrar-me de não virar tanto a mota. E nessa altura vai ser só passeios. :D
21 abril 2010
Puxa
Já ando a escrever blogues há 6 anos. Dei agora por ela. Desde 19 de Abril de 2004. Embora ultimamente escreva cada vez menos - acho que a escrita me sai de forma inversamente proporcional às complicações da minha vida - continuo a achar isto dos blogues fantástico. E em retrospectiva, acho imensa graça a poder rever como me senti em alguma altura. Não é que escreva como se isto fosse um diário, que não o é. Mas tenho coisas nos arquivos que ainda hoje me fazem rir. E outras, crípticas, que já não consigo decifrar. Tenho a impressão que um dia destes volto ao ritmo antigo. E daí talvez não, que quando a minha vida voltar a acelerar posso não ter tempo para parar e escrever sobre o que me passa pela cabeça.
16 abril 2010
Perspectivas
Não perdi o voo de ligação, apesar da porta já ter fechado e o avião estar prestes a sair. Infelizmente não se pode dizer o mesmo da bagagem. Eu cheguei, as malas não.
Por causa da confusão na porta, o funcionário ficou com os meus bilhetes, que substituiu por outros. A chatice é que os bilhetes tinham lá coladas as etiquetas da bagagem. Nunca as tinha perdido antes. Tinha logo que acontecer quando as malas não apanharam o mesmo avião que eu...
Apesar de tudo, a funcionária em Munique conseguiu localizar as malas perdidas (todas as 6!) sem que houvesse dúvidas que aquelas eram mesmo as minhas. Atribuíram-me um número para poder ver na internet por onde andavam, e prometeram entregá-las em breve. E cumpriram, menos de 24 horas depois tinha um rapaz simpático à minha porta com as minhas coisas todas. Fantástico.
Eu acho que tive uma sorte desgraçada. Além de tudo, apenas perdi cerca de 30 minutos no aeroporto a reclamar, e despachei-me antes do voo de ligação seguinte chegar (portanto, saldo positivo). E não tive que carregar as malas até casa eheheh. :)
Por causa da confusão na porta, o funcionário ficou com os meus bilhetes, que substituiu por outros. A chatice é que os bilhetes tinham lá coladas as etiquetas da bagagem. Nunca as tinha perdido antes. Tinha logo que acontecer quando as malas não apanharam o mesmo avião que eu...
Apesar de tudo, a funcionária em Munique conseguiu localizar as malas perdidas (todas as 6!) sem que houvesse dúvidas que aquelas eram mesmo as minhas. Atribuíram-me um número para poder ver na internet por onde andavam, e prometeram entregá-las em breve. E cumpriram, menos de 24 horas depois tinha um rapaz simpático à minha porta com as minhas coisas todas. Fantástico.
Eu acho que tive uma sorte desgraçada. Além de tudo, apenas perdi cerca de 30 minutos no aeroporto a reclamar, e despachei-me antes do voo de ligação seguinte chegar (portanto, saldo positivo). E não tive que carregar as malas até casa eheheh. :)
11 abril 2010
Sabes que estás em Portugal...
...quando, no dia a seguir ao jogo (um qualquer, não interessa qual é sempre a mesma coisa desde que se fale de futebol), o único assunto que se discute é o jogo. Há quanto tempo não ouvia disto.
Ou então eu é que tenho amigos estrangeiros muito esquisitos que não ligam a bolas redondas e gajos em calções.
Ou então eu é que tenho amigos estrangeiros muito esquisitos que não ligam a bolas redondas e gajos em calções.
21 março 2010
Sabemos que a loja é mesmo boa quando...
Ora anda uma pessoa sossegadinha às compras, a pensar nas camisolas que precisa e calças que já não servem e coisas assim, lá escolhe umas coisitas para experimentar, e quando chega ao provador, vê o casaco perfeito pousado em cima de uma mesa, daquelas onde o pessoal deixa a roupa que não quer, para que alguém depois arrume no lugar. O casaco era feito do material certo, tinha o tamanho (que não estava fácil de encontrar) certo, a cor perfeita para combinar com quase tudo o que já se encontrava no roupeiro em casa... E quando a pessoa resolve experimentar o casaco, leva as mãos ao bolso e encontra um maço de tabaco e um isqueiro. E rapidamente volta a pôr o casaco onde estava, que pelos vistos os casacos perfeitos já têm dono. ;)
14 março 2010
vrrummm...
Fui comprar o equipamento para a mota. (A tal que ainda não tenho.) Eu quero andar de mota mas parece que toda a gente tem acidentes, pelo que de repente tomei consciência de que não se pode andar com roupa normal e um simples capacete num brinquedo destes, porque de vez em quando cai-se. Ou a mota cai em cima de nós. O mínimo obrigatório (capacete) não chega. Casaco, calças, protectores, luvas, botas. Se um dia cair, quero poder levantar-me logo a seguir.
A loja era o máximo. Todos os vendedores são motoqueiros. Alguns há 20 anos, outros menos. Todos já tiveram acidentes, e continuaram a andar de mota, pelo que alguma coisa andam a fazer bem ;). Os melhores conselhos vieram das gajas :D, porque afinal os problemas que eu tenho são os mesmos que elas têm. E comprei umas botas com sola mais grossa, para ficar mais alta, que às vezes pode fazer a diferença entre ficar de pé ou deixar-me cair. É que as motas são umas maquinas pesadotas. Na loja tinham a mota que eu tenciono comprar, pelo que deu para experimentar o equipamento em cima dela. Para ver se os protectores ficam no sítio certo (nem todas as calças são feitas para pernas com o comprimento das minhas ;)) e se o casaco não aperta demais nos braços. Foi fixe. E saí de lá cheia de pressa para tirar a carta (já falta pouco) e dar umas voltas por aí.
Melhores histórias? O rapaz que foi andar de mota para o Alasca por 3 semanas. 2/3 do tempo debaixo de chuva, e ainda assim veio todo contente. O rapaz que teve um acidente e deu cabo da mota, mas saiu ileso. A mulher que anda de mota há 20 anos e teve alguns acidentes, e ainda está aí para as curvas. A miúda que ficou toda excitada com o fato que eu comprei (sim, é tão fixe) e que foi logo buscar as luvas que ficam melhor (sim, com os protectores nos sítios certos) e que ela também vai comprar. ;) Ah, e eu, que já tinha ido a várias lojas só para ver, fiquei mesmo impressionada com a quantidade de mulheres que ali andavam às compras - capacetes, calças, botas. E ao mesmo tempo, percebo, nas outras lojas não havia quase nada para senhoras...
(não tenciono cair. não tenciono andar a velocidades malucas. só dar uns passeios. ainda assim, acredito que mais vale prevenir que remediar...)
A loja era o máximo. Todos os vendedores são motoqueiros. Alguns há 20 anos, outros menos. Todos já tiveram acidentes, e continuaram a andar de mota, pelo que alguma coisa andam a fazer bem ;). Os melhores conselhos vieram das gajas :D, porque afinal os problemas que eu tenho são os mesmos que elas têm. E comprei umas botas com sola mais grossa, para ficar mais alta, que às vezes pode fazer a diferença entre ficar de pé ou deixar-me cair. É que as motas são umas maquinas pesadotas. Na loja tinham a mota que eu tenciono comprar, pelo que deu para experimentar o equipamento em cima dela. Para ver se os protectores ficam no sítio certo (nem todas as calças são feitas para pernas com o comprimento das minhas ;)) e se o casaco não aperta demais nos braços. Foi fixe. E saí de lá cheia de pressa para tirar a carta (já falta pouco) e dar umas voltas por aí.
Melhores histórias? O rapaz que foi andar de mota para o Alasca por 3 semanas. 2/3 do tempo debaixo de chuva, e ainda assim veio todo contente. O rapaz que teve um acidente e deu cabo da mota, mas saiu ileso. A mulher que anda de mota há 20 anos e teve alguns acidentes, e ainda está aí para as curvas. A miúda que ficou toda excitada com o fato que eu comprei (sim, é tão fixe) e que foi logo buscar as luvas que ficam melhor (sim, com os protectores nos sítios certos) e que ela também vai comprar. ;) Ah, e eu, que já tinha ido a várias lojas só para ver, fiquei mesmo impressionada com a quantidade de mulheres que ali andavam às compras - capacetes, calças, botas. E ao mesmo tempo, percebo, nas outras lojas não havia quase nada para senhoras...
(não tenciono cair. não tenciono andar a velocidades malucas. só dar uns passeios. ainda assim, acredito que mais vale prevenir que remediar...)
12 março 2010
06 março 2010
Isto anda assim... ;)
Não vou por aí!
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
27 fevereiro 2010
24 fevereiro 2010
17 fevereiro 2010
Há livros tao bons, tão bons...
...que toda a gente tenta oferecer ao meu miúdo. Como o diário de um banana. Vi o livro em Portugal em Novembro, e trouxe-lho (os, são dois). Ele leu, eu li, e ambos aprovámos. Há lá nada melhor que o diário de um adolescente atormentado pelo irmão mais velho. Os livros são tão bons que no natal recebeu-os outra vez, duas vezes, duas vezes tive que ir trocar os mesmos livros que eu já tinha comprado. Great minds think alike. Ou então a minha família tem poucas ideias. ;)
14 fevereiro 2010
Música a rodos
Já ouviram falar no youtube music discovery? Está aqui. Basicamente, uma pessoa escolhe uma música ou um grupo e aquilo cria uma playlist baseada nessa música ou grupo. Dá um jeitão, por exemplo quando queremos ouvir a música X mas não estamos com tempo ou inspiração para escolher a seguinte. Aconselho vivamente.
13 fevereiro 2010
31 janeiro 2010
Morrer Lentamente
"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!”
Pablo Neruda
(entretanto já vi outras traduções, um pouco diferentes. não tem importância. a mensagem é a mesma)
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!”
Pablo Neruda
(entretanto já vi outras traduções, um pouco diferentes. não tem importância. a mensagem é a mesma)
30 janeiro 2010
smoke in the eyes
E um dia o acaso empurra-nos para uma sala com um gira-discos a tocar, bebidas e aperitivos e uns gajos a contar histórias engraçadas umas atrás das outras, e rimos até nos doer a cara de tanto rir, e nem importa o fumo dos cubanos nem o frio que vem da janela. E quando acaba ficamos a pensar que se calhar devíamos ter continuado com a galhofa por mais um bocado.
21 janeiro 2010
vrrrrrrrrumm
Não hei-de morrer sem tirar a carta de mota. Das grandes, a sério. (Parece que agora posso conduzir motas até 125cc, só soube depois de decidir tirar a carta, de modos que para o fazer, lá terei que me aventurar com as grandalhonas.)
Antes que chegue a crise de meia idade. Para não virem cá depois dizer - ah e tal, tu estás é com uma crise de meia idade. Nha nha nha nha nha.
(sempre quis conduzir uma mota. sempre cravei boleias aos amigos que tinham mota. e sempre tive - e tenho - medo de ter um acidente de mota. vou ter cuidado. para já é só mesmo a carta.)
Antes que chegue a crise de meia idade. Para não virem cá depois dizer - ah e tal, tu estás é com uma crise de meia idade. Nha nha nha nha nha.
(sempre quis conduzir uma mota. sempre cravei boleias aos amigos que tinham mota. e sempre tive - e tenho - medo de ter um acidente de mota. vou ter cuidado. para já é só mesmo a carta.)
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