22 outubro 2009

Têm-me dado uns ataques de parvoíce. Às vezes é uma vontade incontrolável de rir, outras vezes ando por aí aos saltos. É de andar estupidamente contente e bem disposta. Como se tivesse oito anos outra vez. Às vezes parece que as coisas não podiam correr melhor (podem sempre). Por isso, se postar alguma coisa que não devia, dêem um desconto. Neste momento é tudo cor de rosa forte.

20 outubro 2009

Um português, um francês e um inglês...

Fica aqui uma coisa light, que ando sem vida para isto. Com uma nota de rodapé, esta foi das anedotas que ouvi quando era pequenina e nunca mais me esqueci. E ainda me rio quando me lembro dela.

Um português um francês e um inglês iam num avião. Já a viagem durava algum tempo, o inglês estica o braço para fora da janela, e diz:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Londres.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Pus o braço de fora e toquei no Big Ben.
O francês, não querendo ficar para trás, deixa passar algum tempo e depois anuncia:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Paris.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Deitei o braço de fora, e toquei na Torre Eiffel.
O português começa a coçar a cabeça, muito pensativo, e passado algum tempo diz:
- Meus amigos, estamos a sobrevoar Lisboa.
- Como é que sabes? - perguntam os outros.
- Pus o braço de fora e roubaram-me o relógio.

18 outubro 2009

Muito engraçado

Eu não escrevo (quase) nada ultimamente. Ando muito ocupada - muito mais que o costume. Mas ainda dou a volta aos blogues (mais ou menos). E encontro umas coisas giras. Por exemplo esta história da Susana, que me pôs aqui a rir à gargalhada. Até fiquei com umas lágrimas nos olhos. Pronto, e agora que já fiz a minha boa acção do dia, posso ir dormir.

14 outubro 2009

Maitê

Está meio mundo indignado com algo que aconteceu há dois anos. Dois anos é muito tempo. (Quer dizer - há dois anos que está no youtube, e aparentemente foi para o ar pela primeira vez há quatro. Quatro anos!!!) Já acabou o prazo para a indignação, o perder a cabeça, ficar furioso, e depois acalmar, pensar melhor, dizer "para o que lhe havia de dar", abanar a cabeça e seguir em frente. (Sim, que não é caso para tanta conversa, tanta cabeça perdida e tanto orgulho ofendido.) Já passou. Pronto, pronto.

10 outubro 2009

difícil difícil...

...é pôr uma pen de internet a funcionar em Linux - sendo que a pen é do Aldi (alemão), o netbook tem todo o software em inglês e o Linux nunca é plug and play. Ainda assim, depois de horas a pesquisar fóruns alemães (com uma confiança na minha interpretação a menos de 100%), e mais uma ou duas pesquisas em inglês, quem acabou por me resolver o problema (quer dizer, resolveu a parte final do problema, que as configurações eu já tinha apanhado nos fóruns alemães) de pôr a pen a funcionar no meu Linux, foi um português, com as dicas para pôr a funcionar a net para a rede da TMN. O meu grande bem haja ao utilizador fometeo, do linux.org - acreditem ou não vinha classificado como newbie. Se ele é um newbie em Linux, eu devo ser um "unborn" ou algo do género.

(Estou tão contente! Andava a preparar-me psicologicamente para isto há séculos! A quem interessar, de momento a internet pré-paga mais barata na Alemanha é a do Aldi, seguida da da Tchibo. A do Aldi só é tão rápida como a da Tchibo em algumas cidades - Munique incluída. E a pen do Aldi, que é igual à da Tchibo, não está bloqueada. Eu que nunca vou ao Aldi tinha que deixar aqui a publicidade descarada. Desta vez eles merecem.)

(post escrito a partir do netbook, com a uma luz azul contínua a ser emitida pela pen - parece que é sinal de que a net está a uma velocidade aceitável. Melhor que isto só verde e azul - pode ser que um dia consiga visualizar essa combinação. :))

09 outubro 2009

Genial

Ide lá ver a história fantástica do casal de velhos apaixonados.

Que me fez lembrar de outra, a minha sem graça nenhuma, dos velhotes do parque de campismo. Ano após ano, os velhotes ocupavam o mesmo espaço no parque de campismo. Tinham uma caravana em frente à qual se cozinhava e onde comiam as refeições. Em redor da árvore em frente tinham plantado coentros que utilizavam na confecção dos pratos. Já não me lembro assim muito bem destes velhos. Só dos comentários que ouvia acerca deles. Porque era o velho que cozinhava. Porque depois das refeições era o velho que fazia o café enquanto a velha continuava refastelada na cadeirinha. Até a louça, devia ser o velho que a lavava, enquanto a velha, sem desculpa nenhuma aparente, lia o jornal ou um livro qualquer. Os homens (os outros velhos) viam isto e revoltavam-se com o velho que fazia tudo para a sua velha, que não fazia nada que se visse. Eu achava-lhes graça. E uma coisa é certa, nunca vi estes dois discutir.

Obama ganha prémio Nobel da paz

Desta eu não estava à espera. (notícia aqui)

(Além de giro, com sentido de humor, capaz de matar moscas com as próprias mãos, e de saber dançar, ganha o prémio Nobel. O que virá a seguir.)

08 outubro 2009

20 horas

O que é que se pode fazer em 20 horas? E em 20 horas em aviões com uns intervalos em aeroportos?
Dormir. Ler um livro até me fartar de ler. Ler o jornal que dão, mas que na realidade não me interessa muito. Fazer figas para que o filme que passam não seja muito mau. Fazer uns sudokus ou kakuros. Jogar no portátil. Fazer de conta que vou comprar alguma coisa duty free. Com alguma sorte, dormir mais um bocado. Ler o guia de viagens. E dar voltas ao(s) aeroporto(s) até os seguranças começarem a desconfiar dos meus bichos carpinteiros.
Outras sugestões?

06 outubro 2009

ai pode?

O meu mais que tudo tem um ipod. Ofereceram-lho no Natal, e ele gostou tanto que até agora não o tinha sequer aberto. A sorte dele é que eu estou sempre pronta a ajudar, e finalmente decidi-me a experimentar o brinquedo. Infelizmente o resultado não foi bem o que eu estava à espera. Para começar, aquilo não funciona da maneira que eu estou habituada ou seja, "drag and drop", nada. Tive que instalar o itunes (tadinho do meu pc que foi invadido), que não é nada meigo e com a ajuda do firefox pôs o computador a arrastar-se (responsabilidade dividida irmãmente, só que o firefox já lá estava e o itunes ainda não tinha tido tempo para me tornar sua fã). Ainda nem tinha começado a ouvir música e já ia em três pontos negativos para o ipod/itunes. Sendo que o terceiro é não ter carregador - suponho que se carregue ligando aquilo ao computador, mas, quarto ponto negativo, o cabo/ligação não é standard.
Para piorar a coisa (as coisas podem sempre piorar) cometi o erro de deixar o itunes configurar-se e escolher as músicas a passar para o ipod. Devo ter carregado num botão com ar de inocente mas que se provou fatídico. O "problema" é que eu tenho mais de 20 Giga de música no PC (e ainda nem tive tempo para copiar todos os CDs que tenho para lá) mas o ipod só tem 8 giga. É um daqueles pequeninos, levezinhos, que parecem estar prontos a desaparecer a qualquer momento (isto à primeira vista pode parecer uma vantagem, mas eu não gostei muito - estou habituada a mexer em coisas mais... palpáveis, vá lá). Adiante. O itunes escolheu, sem me perguntar nada, 8 giga dos 20 que tinha à disposição. E eu não gostei da escolha (já o meu mais que tudo não se manifestou, a sua maior dúvida foi "como é que se desliga isto?" - dúvida essa à qual eu também não soube responder - nunca fui de ler livros de instruções). Tentei começar por apagar algumas das músicas que já estavam no ipod, mas sem sucesso. Sou capaz de apostar que deve ser simplicíssimo (yeah right) mas não encontrei maneira de o fazer. De modos que passei ao ponto seguinte, desconectar o ipod do pc, tendo o cuidado de passar pela casa da partida, que é como quem diz, fazer "eject", e começar a ouvir música. A audição era boa (quer dizer, nada a apontar), mas escolher o que ouvir provou ser relativamente mais complicado. Devo estar mal habituada com o meu leitor de mp3 "normal", em que escolho a directoria (já tenho tudo arrumadinho por álbuns mais uma directoria com singles à solta), porque quando cheguei ao ipod e tentei escolher aquilo tornou-se ligeiramente complicado. Além de que, por algum motivo, alguns álbuns não ficaram direitos - aquela cena não percebeu que o artista X cujos ficheiros de música contêm além do seu nome, um número (o número da faixa) e o título da música, pertencem a uma obra única. E ao tentar escolher a música por género, apercebi-me da disparidade enorme de "géneros" de música - tanta que eu hesitaria em utilizar um rótulo para algo que junta tão poucas músicas no mesmo.
Para finalizar, que isto não pode ser só dizer mal, o que eu tinha gostado no ipod do meu amigo que tinha estado a experimentar havia uns dias, era o software que escolhe o que ouvir com base nas preferências do utilizador e tipo de música. Isso pareceu-me uma ideia genial e gostava de experimentá-la a sério. Tão boa que tinha colocado o ipod-não-sei-quantos com 160giga de disco na minha lista de mp3 a considerar para substituir o meu pequenito de 20 giga onde já não cabe tudo o que eu quero ouvir. No entanto, depois desta experiência com um brinquedo alheio (não tão alheio quanto isso, o que é dele é meu, e tal), não me parece. É pena, porque parecia ter potencial. Mas pelos vistos o ipod não foi inventado para mim.

Ao menos os auscultadores eram standard, o que significa que posso utilizá-los para outra coisa qualquer.

05 outubro 2009

Pezinhos

Sapatinhos muito giros, de boa qualidade (pelo menos os que comprei), e nada caros. Para as meninas e meninos mais lindos. A loja é na net, o serviço é cinco estrelas e até os emails são pessoais, e não automáticos. Fiquei cliente.

(não, isto não é publicidade. nem o seria se eu dissesse que me entusiasmei e comprei demasiados sapatos do mesmo número. como não me pagaram para dizer isto, e só estou a espalhar a notícia por puro altruísmo - por mero interesse, vá lá, não quero que uma loja tão boa vá à falência antes que a minha miúda deixe de poder usar sapatos destes...)

Not fair

Gajo alto, feio, gordo. Vestido de fato, e ainda assim desmazelado. Perfume fantástico. Não combina. (E daí, ao menos tinha uma coisa boa. Até dava vontade de o seguir, só para inalar aquele cheirinho maravilhoso por mais uns momentos.)

Dilema

Queria um stick USB para surfar a net (ainda mais, sim). As operadoras que os vendem, pré ou pós pagos, com contrato ou sem ele, todas dizem que as condições de venda expiram a 12 de Outubro, daqui a uma semana. Só queria adivinhar se daqui a uma semana os preços sobem, descem ou ficam iguais. Entretanto, fico indecisa. Coisa rara.
(apostaria no "descem", pelo que estou a pesar a minha impaciência quanto à espera versus a minha paciência para poupar uns trocos...)

03 outubro 2009

O melhor leite creme do mundo

Receita do Chefe Silva (doze gemas para um litro de leite).
Ovos das galinhas mais felizes da Alemanha (as da minha sogra).
A companhia da família fanática por leite creme.
(A ver se o acabamos antes dos meus pais chegarem, que eles têm problemas de colesterol e nós não queremos que lhes aconteça nada de mal. Mas pelo que sobrou, não deve ser difícil.)

O leite creme da minha avó, do qual não me lembro mas que a minha irmã jura a pés juntos que lhe foi transmitido pela mesma e que embora ela tenha esquecido a receita ainda se recorda como era a coisa mais fantástica do mundo dos leites creme, não podia ser melhor que este. Ou talvez ligeiramente melhor, já que era ela que o fazia, e como se sabe aquilo que as avós fazem tem um sabor ainda melhor que algo exactamente igual feito por outra pessoa.

[Adenda, a 06.01.2013, porque vem muita gente parar a este post e eu não estou aqui para enganar ninguém]

A receita do melhor leite creme do mundo, na minha opinião e adaptada da original do chefe Silva:
 
1 l de leite
1 pau de canela
1 casca de limão
300 g de açúcar

2 colheres de sopa bem cheias de maizena
12 gemas
açúcar para polvilhar

Ferver o leite com o pau de canela e a casca de limão. Depois de ferver,  retirar do lume. Tirar
a casca de limão e o pau de canela do leite.
Misturar o açúcar com a maizena e depois com as gemas, mexendo bem. Juntar o leite  aos poucos, e sem parar de mexer. Levar a mistura ao lume, até borbulhar.
Nessa altura retirar do lume, e servir imediatamente em de preferência em recipientes individuais que possam ir ao forno. Depois de frios, polvilhar com açúcar e queimar com um ferro quente ou um maçarico (eu prefiro o maçarico).
 

É essencial usar ovos bons (com gema mais para o laranja que para o amarelo). Eu prefiro de galinhas criadas em casa, ou, na falta delas, ovos de galinhas alimentadas a milho. Em não havendo, prefiro ovos de galinhas que podem andar à solta (bodenhaltung, na Alemanha) aos biológicos (que na minha opinião são de qualidade inferior).

Bom apetite!

02 outubro 2009

"o último dos queixais, que nasce nos adultos"

Há uns 13 anos, mais coisa menos coisa, que ando à procura do dentista ideal. De todos quantos corri, o meu favorito - desde há 17 anos - está demasiado longe, o que não dá jeito nenhum, principalmente em caso de emergência. (Aquela massa que ele me pôs num dente em 1993 e supostamente duraria uns 10 anos ainda cá está, alive and kicking, não se nota diferença de cor para o dente, e nunca em tempo algum houve outro dentista com a mesma habilidade para não pôr chumbos em dentes cariados. Além do mais, em 1993 era ele um jovem recém dentista, giro e simpático, o que é sempre abonatório em situações mais incómodas como estar de boca aberta e sem poder falar.) Já fugi de pelo menos 4 dentistas que me queriam arrancar os dentes do siso - confesso que fugi mais depressa das primeiras vezes, pois nessa altura ainda nem se via uma pontinha desses malfadados molares, mas ainda assim, a frase "temos que tirar esses sisos" era sentença certa de que nunca mais veria quem a proferisse.
Durante este tempo, os dentitos lá começaram a espreitar pelas gengivas. Os de cima, sem grandes problemas, alegres e bem dispostos, podem não servir para grande coisa mas também não estorvam. Os de baixo, malandros, meios escondidos, tentam a todo o custo aparecer em todo o seu esplendor, mas não têm espaço. Empurram então os outros dentes, moem-me a gengiva, chegam até a aleijar. Fazem-me render às evidências, e a procurar um artista que me diga que tem que mos arrancar, que depois de ter passado 3 dias a ibuprofeno qualquer um desiste. Se não consegues vencê-los, extrai-os.
E aqui começa mais uma odisseia. E começa mal. O dentista que me recomendaram (um a quem eu ainda não tive o ensejo de fugir) tem uma daquelas recepcionistas que não percebe o conceito de "urgente". Perguntou-me se ia fazer um check-up. Não, não vou. Check-up só se for da constituição física do senhor doutor. Não, o meu problema é que ando há 3 dias a tomar analgésicos por causa dos malditos molares. Ah pronto, então se é só isso pode vir daqui a 3 semanas. Sacana. Se o dentista não for São Pedro em pessoa, ou então um Brad Pitt com mãos de artista, vou lá uma vez e não volto. Dentistas há muitos.

28 setembro 2009

12 horas

Quão difícil pode ser comprar um bilhete de avião? À partida, pouco. Para alguém que já planeou tantas viagens como eu, para mim e para outros, custa a acreditar que possa ser uma tarefa complicada. Desta vez, foi. Uma data de sites que não deixavam efectuar o clique final da compra (incluindo o da Air China), e teimaram em funcionar mal, até que, depois de muita persistência, quando já me começava a render à evidência que talvez tivesse que voar para Hong Kong e depois ir de ferry para Macau, ou então ir a uma agência de viagens que fizesse esta pesquisa toda por mim, lá consegui. Aleluia. Macau here I go. (A não ser que precise de um visto e não mo dêem. Batam aí na madeira, se fazem favor.)

(Já agora, um grande obrigado ao tripadvisor que através da expedia - que não me deixava fazer o que eu queria - acabou por me resolver o problema.)

Pergunto-me

O que será necessário para que alguém deixe de se importar com os resultados de eleições.

Complicado...

Vou a Macau. Ou melhor, estou a planear a ir. Quer dizer... inscrevi-me numa conferência que se irá realizar em Macau. (ponto 1, check) Teoricamente, para visitar Macau não preciso de visto, já que sou portuguesa, só que o avião fará escala em Pequim. Será que faz falta um visto só para sair de um avião e entrar noutro? Eu diria que não, mas não sei o que é que as autoridades chinesas pensam sobre o assunto. (ponto 2, ?) Tenho que verificar onde anda o passaporte e quando é que termina a sua validade, mas penso que deve estar em ordem. (ponto 3, ?) Já tentei comprar o bilhete de avião na internet, mas depois de ter escrito todos os dados e clicado no botão que torna a coisa oficial recebi uma mensagem de erro. Sim, é mesmo nessa altura que os clientes querem perceber que houve um erro. Entretanto telefonei para a agência (vá lá, ao menos tinham telefone) e disseram-me que o bilhete não tinha sido emitido e que me dariam novidades por email nas próximas duas horas. Não gosto disto. (ponto 4, alerta amarelo) Ainda me falta marcar o hotel, mas só me atrevo a fazê-lo depois de ter o bilhete de avião. Tal como só tentei obter o bilhete de avião depois de me confirmarem a participação na conferência. Só por causa dos azares, que ainda não acredito completamente que vou a Macau. Tão longe. Mais 6 horas que aqui (e por isso quase impossível de contactar a embaixada portuguesa de lá, só se for entre as 9 e as 10 - antes das 10, que tentei às 10h01 e já não deu). (ponto 5, suspenso).

25 setembro 2009

Um brilho nos olhos

A minha parte favorita nas pessoas, quase todas as pessoas (ia escrever todas mas nunca se sabe, não gosto de absolutismos, nem mesmo os meus), é o brilhozinho que trazem nos olhos. O entusiasmo que lhes causa seja o que for (e aqui lembro-me de uma ou duas coisas tenebrosas que aparecem nas notícias e pergunto-me se essa gente também traria esse brilho nos olhos, e foi por isso que não generalizei completamente). Desde o entusiasta do origami, que aborrece os outros quando se excede nas explicações do quão complicado pode ser fazer um Gandalf de papel (sem um único corte!) mas depois mostra fotografias de objectos extraordinários feitos com uma folha de papel e ainda oferece um morcego preto ao amigo, ao fanático por máquinas de café, extraordinariamente útil quando a nossa avaria, porque é provavelmente a única pessoa num raio de 500km que sabe procurar o problema, onde comprar as partes que avariaram, e trazer a comatosa máquina de volta à vida.
Quando conhemos alguém por vezes damo-nos ao trabalho de perguntar quais são os seus hobbies - e ainda assim frequentemente não fazemos a mínima ideia daquilo que faz vibrar pessoas com quem convivemos diariamente mesmo que por anos a fio. Aquele tipo que se senta a poucos metros de nós e trabalhou num jornal aos 18 anos, e desenha órgãos humanos a carvão (ia dizer a lápis, eheh), o que será que lhe traz um sorriso até à alma? E aqueloutro, o mestre dos projectos inovadores, que escreveu um livro sobre tapetes só porque um dia lhe deu para estudar o assunto nos tempos livres, que construiu uma máquina de pintar quadros e depois se virou para a pintura monocromática usando uma técnica com centenas de anos de que ninguém se lembra. O que será que faz brilhar os olhos daquela mulher que se veste de forma estranha e tem um sorriso triste como se carregasse o mundo nos ombros, o que será que lhe alivia o peso, ainda que momentaneamente.
Haverá algo mais contagiante que uma alma a sorrir, espelhada no brilho dos olhos de cada um de nós?

Fora de contexto

Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...

e depois de ouvir o homem dizer isto uma data de vezes com uma certa cadência, deu-me uma vontade incontrolável de rir.
(ainda me rio, de pensar nisto)

24 setembro 2009

facebook 1-2-3

O blogue está mais ou menos em standby porque entretanto me dediquei ao facebook. No entanto rapidamente me apercebi que uma coisa é o facebook, outra é o blogue, e escrever para os amigos e família não é a mesma coisa que escrever para um público largamente desconhecido. No blogue há uma liberdade que não há no facebook - são as vantagens do quase anonimato. E no facebook há uma liberdade que não há no blogue - são as vantagens de escrever para quem nos conhece a vida com algum pormenor. O que é talvez estranho é a certeza que tenho que nunca escreveria os meus postes favoritos no facebook - privados como são, ideais para lançar aos leitores que não me conhecem, impossíveis de partilhar de uma vez com todos os "amigos do facebook".
É engraçado como se pode compartimentar a vida assim, uns para um lado, outros para outro, uns sentimentos para aqui e outros para ali. A galhofa está bem para qualquer sítio e para qualquer lugar, a lamechice, quando a há, só pode ser partilhada com muito poucas pessoas de cada vez, ou com um monte de desconhecidos (embora alguns não tão desconhecidos como isso). E outras coisas, para mais tarde recordar se entretanto o blogger não desaparecer ou eu fizer uma cópia do arquivo, ficam aqui, sossegadinhas, quietinhas, preciosas e intocadas como aquilo que se guarda num baú e só se revê muitos anos depois - quando se muda de casa ou reorganiza as tralhas.