05 outubro 2009

Pezinhos

Sapatinhos muito giros, de boa qualidade (pelo menos os que comprei), e nada caros. Para as meninas e meninos mais lindos. A loja é na net, o serviço é cinco estrelas e até os emails são pessoais, e não automáticos. Fiquei cliente.

(não, isto não é publicidade. nem o seria se eu dissesse que me entusiasmei e comprei demasiados sapatos do mesmo número. como não me pagaram para dizer isto, e só estou a espalhar a notícia por puro altruísmo - por mero interesse, vá lá, não quero que uma loja tão boa vá à falência antes que a minha miúda deixe de poder usar sapatos destes...)

Not fair

Gajo alto, feio, gordo. Vestido de fato, e ainda assim desmazelado. Perfume fantástico. Não combina. (E daí, ao menos tinha uma coisa boa. Até dava vontade de o seguir, só para inalar aquele cheirinho maravilhoso por mais uns momentos.)

Dilema

Queria um stick USB para surfar a net (ainda mais, sim). As operadoras que os vendem, pré ou pós pagos, com contrato ou sem ele, todas dizem que as condições de venda expiram a 12 de Outubro, daqui a uma semana. Só queria adivinhar se daqui a uma semana os preços sobem, descem ou ficam iguais. Entretanto, fico indecisa. Coisa rara.
(apostaria no "descem", pelo que estou a pesar a minha impaciência quanto à espera versus a minha paciência para poupar uns trocos...)

03 outubro 2009

O melhor leite creme do mundo

Receita do Chefe Silva (doze gemas para um litro de leite).
Ovos das galinhas mais felizes da Alemanha (as da minha sogra).
A companhia da família fanática por leite creme.
(A ver se o acabamos antes dos meus pais chegarem, que eles têm problemas de colesterol e nós não queremos que lhes aconteça nada de mal. Mas pelo que sobrou, não deve ser difícil.)

O leite creme da minha avó, do qual não me lembro mas que a minha irmã jura a pés juntos que lhe foi transmitido pela mesma e que embora ela tenha esquecido a receita ainda se recorda como era a coisa mais fantástica do mundo dos leites creme, não podia ser melhor que este. Ou talvez ligeiramente melhor, já que era ela que o fazia, e como se sabe aquilo que as avós fazem tem um sabor ainda melhor que algo exactamente igual feito por outra pessoa.

[Adenda, a 06.01.2013, porque vem muita gente parar a este post e eu não estou aqui para enganar ninguém]

A receita do melhor leite creme do mundo, na minha opinião e adaptada da original do chefe Silva:
 
1 l de leite
1 pau de canela
1 casca de limão
300 g de açúcar

2 colheres de sopa bem cheias de maizena
12 gemas
açúcar para polvilhar

Ferver o leite com o pau de canela e a casca de limão. Depois de ferver,  retirar do lume. Tirar
a casca de limão e o pau de canela do leite.
Misturar o açúcar com a maizena e depois com as gemas, mexendo bem. Juntar o leite  aos poucos, e sem parar de mexer. Levar a mistura ao lume, até borbulhar.
Nessa altura retirar do lume, e servir imediatamente em de preferência em recipientes individuais que possam ir ao forno. Depois de frios, polvilhar com açúcar e queimar com um ferro quente ou um maçarico (eu prefiro o maçarico).
 

É essencial usar ovos bons (com gema mais para o laranja que para o amarelo). Eu prefiro de galinhas criadas em casa, ou, na falta delas, ovos de galinhas alimentadas a milho. Em não havendo, prefiro ovos de galinhas que podem andar à solta (bodenhaltung, na Alemanha) aos biológicos (que na minha opinião são de qualidade inferior).

Bom apetite!

02 outubro 2009

"o último dos queixais, que nasce nos adultos"

Há uns 13 anos, mais coisa menos coisa, que ando à procura do dentista ideal. De todos quantos corri, o meu favorito - desde há 17 anos - está demasiado longe, o que não dá jeito nenhum, principalmente em caso de emergência. (Aquela massa que ele me pôs num dente em 1993 e supostamente duraria uns 10 anos ainda cá está, alive and kicking, não se nota diferença de cor para o dente, e nunca em tempo algum houve outro dentista com a mesma habilidade para não pôr chumbos em dentes cariados. Além do mais, em 1993 era ele um jovem recém dentista, giro e simpático, o que é sempre abonatório em situações mais incómodas como estar de boca aberta e sem poder falar.) Já fugi de pelo menos 4 dentistas que me queriam arrancar os dentes do siso - confesso que fugi mais depressa das primeiras vezes, pois nessa altura ainda nem se via uma pontinha desses malfadados molares, mas ainda assim, a frase "temos que tirar esses sisos" era sentença certa de que nunca mais veria quem a proferisse.
Durante este tempo, os dentitos lá começaram a espreitar pelas gengivas. Os de cima, sem grandes problemas, alegres e bem dispostos, podem não servir para grande coisa mas também não estorvam. Os de baixo, malandros, meios escondidos, tentam a todo o custo aparecer em todo o seu esplendor, mas não têm espaço. Empurram então os outros dentes, moem-me a gengiva, chegam até a aleijar. Fazem-me render às evidências, e a procurar um artista que me diga que tem que mos arrancar, que depois de ter passado 3 dias a ibuprofeno qualquer um desiste. Se não consegues vencê-los, extrai-os.
E aqui começa mais uma odisseia. E começa mal. O dentista que me recomendaram (um a quem eu ainda não tive o ensejo de fugir) tem uma daquelas recepcionistas que não percebe o conceito de "urgente". Perguntou-me se ia fazer um check-up. Não, não vou. Check-up só se for da constituição física do senhor doutor. Não, o meu problema é que ando há 3 dias a tomar analgésicos por causa dos malditos molares. Ah pronto, então se é só isso pode vir daqui a 3 semanas. Sacana. Se o dentista não for São Pedro em pessoa, ou então um Brad Pitt com mãos de artista, vou lá uma vez e não volto. Dentistas há muitos.

28 setembro 2009

12 horas

Quão difícil pode ser comprar um bilhete de avião? À partida, pouco. Para alguém que já planeou tantas viagens como eu, para mim e para outros, custa a acreditar que possa ser uma tarefa complicada. Desta vez, foi. Uma data de sites que não deixavam efectuar o clique final da compra (incluindo o da Air China), e teimaram em funcionar mal, até que, depois de muita persistência, quando já me começava a render à evidência que talvez tivesse que voar para Hong Kong e depois ir de ferry para Macau, ou então ir a uma agência de viagens que fizesse esta pesquisa toda por mim, lá consegui. Aleluia. Macau here I go. (A não ser que precise de um visto e não mo dêem. Batam aí na madeira, se fazem favor.)

(Já agora, um grande obrigado ao tripadvisor que através da expedia - que não me deixava fazer o que eu queria - acabou por me resolver o problema.)

Pergunto-me

O que será necessário para que alguém deixe de se importar com os resultados de eleições.

Complicado...

Vou a Macau. Ou melhor, estou a planear a ir. Quer dizer... inscrevi-me numa conferência que se irá realizar em Macau. (ponto 1, check) Teoricamente, para visitar Macau não preciso de visto, já que sou portuguesa, só que o avião fará escala em Pequim. Será que faz falta um visto só para sair de um avião e entrar noutro? Eu diria que não, mas não sei o que é que as autoridades chinesas pensam sobre o assunto. (ponto 2, ?) Tenho que verificar onde anda o passaporte e quando é que termina a sua validade, mas penso que deve estar em ordem. (ponto 3, ?) Já tentei comprar o bilhete de avião na internet, mas depois de ter escrito todos os dados e clicado no botão que torna a coisa oficial recebi uma mensagem de erro. Sim, é mesmo nessa altura que os clientes querem perceber que houve um erro. Entretanto telefonei para a agência (vá lá, ao menos tinham telefone) e disseram-me que o bilhete não tinha sido emitido e que me dariam novidades por email nas próximas duas horas. Não gosto disto. (ponto 4, alerta amarelo) Ainda me falta marcar o hotel, mas só me atrevo a fazê-lo depois de ter o bilhete de avião. Tal como só tentei obter o bilhete de avião depois de me confirmarem a participação na conferência. Só por causa dos azares, que ainda não acredito completamente que vou a Macau. Tão longe. Mais 6 horas que aqui (e por isso quase impossível de contactar a embaixada portuguesa de lá, só se for entre as 9 e as 10 - antes das 10, que tentei às 10h01 e já não deu). (ponto 5, suspenso).

25 setembro 2009

Um brilho nos olhos

A minha parte favorita nas pessoas, quase todas as pessoas (ia escrever todas mas nunca se sabe, não gosto de absolutismos, nem mesmo os meus), é o brilhozinho que trazem nos olhos. O entusiasmo que lhes causa seja o que for (e aqui lembro-me de uma ou duas coisas tenebrosas que aparecem nas notícias e pergunto-me se essa gente também traria esse brilho nos olhos, e foi por isso que não generalizei completamente). Desde o entusiasta do origami, que aborrece os outros quando se excede nas explicações do quão complicado pode ser fazer um Gandalf de papel (sem um único corte!) mas depois mostra fotografias de objectos extraordinários feitos com uma folha de papel e ainda oferece um morcego preto ao amigo, ao fanático por máquinas de café, extraordinariamente útil quando a nossa avaria, porque é provavelmente a única pessoa num raio de 500km que sabe procurar o problema, onde comprar as partes que avariaram, e trazer a comatosa máquina de volta à vida.
Quando conhemos alguém por vezes damo-nos ao trabalho de perguntar quais são os seus hobbies - e ainda assim frequentemente não fazemos a mínima ideia daquilo que faz vibrar pessoas com quem convivemos diariamente mesmo que por anos a fio. Aquele tipo que se senta a poucos metros de nós e trabalhou num jornal aos 18 anos, e desenha órgãos humanos a carvão (ia dizer a lápis, eheh), o que será que lhe traz um sorriso até à alma? E aqueloutro, o mestre dos projectos inovadores, que escreveu um livro sobre tapetes só porque um dia lhe deu para estudar o assunto nos tempos livres, que construiu uma máquina de pintar quadros e depois se virou para a pintura monocromática usando uma técnica com centenas de anos de que ninguém se lembra. O que será que faz brilhar os olhos daquela mulher que se veste de forma estranha e tem um sorriso triste como se carregasse o mundo nos ombros, o que será que lhe alivia o peso, ainda que momentaneamente.
Haverá algo mais contagiante que uma alma a sorrir, espelhada no brilho dos olhos de cada um de nós?

Fora de contexto

Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...
Gut...gut...sehr gut...

e depois de ouvir o homem dizer isto uma data de vezes com uma certa cadência, deu-me uma vontade incontrolável de rir.
(ainda me rio, de pensar nisto)

24 setembro 2009

facebook 1-2-3

O blogue está mais ou menos em standby porque entretanto me dediquei ao facebook. No entanto rapidamente me apercebi que uma coisa é o facebook, outra é o blogue, e escrever para os amigos e família não é a mesma coisa que escrever para um público largamente desconhecido. No blogue há uma liberdade que não há no facebook - são as vantagens do quase anonimato. E no facebook há uma liberdade que não há no blogue - são as vantagens de escrever para quem nos conhece a vida com algum pormenor. O que é talvez estranho é a certeza que tenho que nunca escreveria os meus postes favoritos no facebook - privados como são, ideais para lançar aos leitores que não me conhecem, impossíveis de partilhar de uma vez com todos os "amigos do facebook".
É engraçado como se pode compartimentar a vida assim, uns para um lado, outros para outro, uns sentimentos para aqui e outros para ali. A galhofa está bem para qualquer sítio e para qualquer lugar, a lamechice, quando a há, só pode ser partilhada com muito poucas pessoas de cada vez, ou com um monte de desconhecidos (embora alguns não tão desconhecidos como isso). E outras coisas, para mais tarde recordar se entretanto o blogger não desaparecer ou eu fizer uma cópia do arquivo, ficam aqui, sossegadinhas, quietinhas, preciosas e intocadas como aquilo que se guarda num baú e só se revê muitos anos depois - quando se muda de casa ou reorganiza as tralhas.

21 setembro 2009

Emergência

O miúdo cresceu 5 centímetros em dois meses. Mais coisa menos coisa. Enquanto andava de calções não se notava, mas agora todas as calças lhe ficam curtas. Mesmo as que lhe comprei em Junho, porque as anteriores também tinham deixado de servir.
E os pés? Não sei como, aumentou 3 números num ano sem dizer nada a ninguém. Tem os pés ligeiramente maiores que os meus. E desconfio que não vai ficar por aqui...
(Uma pessoa vê isto, e pensa para consigo, puxa, não tarda nada o puto não cabe na cama. E, se calhar por isso, a última moda entre os miúdos da idade dele é irem ao bruxo médico para obterem uma estimativa da sua altura em adultos.)

18 setembro 2009

para mais tarde recordar

(um ano e meio da minha bonequinha)

Entre as sete e meia e as oito da noite, depois do jantar dela, levo-a para o quarto. mudo-lhe a fralda, visto-lhe o pijama, mostro-lhe a cama. E pergunto-lhe se quer ir dormir. Ela atira-se aos lençóis, eu tapo-a, e ali fica, sossegadinha e sem chorar, até ao dia seguinte, quando for hora de se levantar.

(não sei de que é os outros pais se queixam. os filhos são fáceis. os bebés ainda mais.)

17 setembro 2009

Segredos

A desvantagem de organizar uma festa surpresa para alguém, é que essa pessoa pode decidir organizar outra festa.

(e agora temos duas festas para a mesma pessoa, com organização diferente, e local diferente, a menos de 24 horas uma da outra. mais vale festejar muito do que não festejar de todo.)

16 setembro 2009

Prendas parvas

(ou melhor, mais uma ideia brilhante)

E se eu empacotasse todos os bonecos dos Kinder Surpresa que se escondiam nos recantos mais improváveis da minha casa (e agora foram encontrados com a mudança), embrulhasse, e desse de prenda a alguém? Era giro, não era?
(também os podia pôr em filinha a indicar o caminho numa daquelas brincadeiras do Natal para os miúdos)

Os gatos

Eu até nem ligo muito a política, acho graça aos gatos, e já dei muitas gargalhadas à conta do esmiuçar dos sufrágios. E isto só com dois programas. Só me parece que as entrevistas têm um ritmo muito lento, o que é uma pena. Falta de prática, talvez.
Depois de ver, não só me parece uma ideia brilhante do ponto de vista televisivo, mesmo sendo copiada do Daily Show, como também é muito prometedor o espírito com que os dois políticos entrevistados até agora encararam as suas participações. É bonito ver um político a rir-se numa entrevista, a sorrir quando lhe são postas as perguntas que toda a gente gostava de ouvir - as tais que são apelidadas de parvas, mas às quais não é dada uma resposta séria. Os políticos portugueses até conseguem entrar na brincadeira. E material para a primeira parte - o gozo com a campanha - não falta. Aos gatos - e ao RAP, provavelmente a pessoa mais sexy em estúdio, mesmo quando acompanhado do primeiro ministro - tiro o meu chapéu. Uma coisa é certa, se este programa fosse para durar, duvido muito que os políticos continuassem a aparecer com sorrisos tão abertos.

15 setembro 2009

Os miúdos são tão giros

Anuncio ao meu mais velho (ah, nunca tinha dito isto, mais velho, como se fosse realmente velho, ou pelo menos muito crescido) que lhe vou meter o dinheiro que tem guardado no banco. E ele concorda, que ponha tudo no banco (ele já há muito que percebeu a história dos juros), mas que lhe deixe 10 cêntimos. 10 cêntimos? Sim, está a dever ao amigo.

14 setembro 2009

A coisa mais engraçada dos últimos dias

O debate Sócrates - Ferreira Leite. Aquilo parecia ter sido ensaiado/escrito pelos Gato Fedorento. Em vários momentos fez-me lembrar sketches antigos deles. Tendo em conta que foi o único debate que vi, pode não ter sido o melhor. Mas achei-o hilariante.

09 setembro 2009

Será pedir muito?

Estou a meio da tarefa de reformar o meu guarda-roupa. O primeiro passo é (tem sido) deitar fora (ou dar, se estiverem em bom estado) coisas que não me servem, que não gosto, que nunca uso, que usei uma vez há anos e depois nunca mais (certo tipo de vestidos, por exemplo). O segundo passo é criar um guarda roupa funcional, sem coisas a mais, de roupa para o dia a dia, que sirva para trabalhar e para estar em casa. E substituir a roupa de desporto, que a que tenho também está à beira da reforma. Sim, que isto de ter tido uma bebé fez com que há mais de dois anos e meio eu não faça compras de roupa para mim a sério. Portanto, out with the old, in with the new.
Não ter vindo a alterar o que visto de uma forma gradual, como é (era) costume, leva-me a ter uma perspectiva... científica, vá lá, da coisa. Ou seja, primeiro vejo o que existe, em catálogos, revistas, e, porque não, nas montras, decido que tipo de looks me interessam mais, e depois irei à procura do que quero. Com um pequenino problema. As revistas e catálogos só têm miúdas esqueléticas a fazer de cabides. A elas pode-lhes ficar lindamente uma camisola às riscas horizontais compridas por cima de umas leggings, mas aposto que a 95% das mulheres não. Não seria tempo de começarem a fazer catálogos (e revistas, se não for pedir muito) com modelos de tamanhos variáveis? Assim gente para usar um tamanho 36, em vez do 32? Apetecia-me passar o dia sentada em frente aos provadores a ver outras mulheres experimentar a roupa em vez de ter que ser eu a experimentar tudo a ver o que ficará bem...
Há nove meses que tenho um número de telemóvel alemão. Há nove meses que tenho um número que não consigo decorar. Escrevo-o em tudo quanto é sítio - tenho papelinhos na carteira, na secretária, na agenda, no caderno de endereços - e quando preciso de o dar a alguém... dou antes um toque.

08 setembro 2009

Blogue do dia

O Jansenista. Todos os dias fotografias fabulosas.

Mais vale tarde do que nunca

Eu sei que tinha prometido umas fotografias de um certo café em Munique... finalmente, levei a máquina. Que é como quem diz, o telemóvel. Carregado. Faltam as fotos das montras e as que tirei não têm grande qualidade, mas... a minha vida não é isto, foi o melhor que se arranjou e com muita boa vontade. :)
De resto, os bolos recomendam-se, em especial os brownies...

Bois de Rose

Uma das coisas mais bonitas (entre tantas) que vi nas montras, durante as férias, foi uma escultura em pau rosa, pequena, que representava um monte de livros empilhados. Havia variações do tema, umas esculturas tinham um homenzinho encostado aos livros, noutras o homenzinho estava a descansar em cima da pilha, e outras ainda consistiam apenas nos livros. Gostava de ter trazido uma para casa, mas achei-as estupidamente caras. Fiquei tão chocada quando vi o preço quem já nem me lembrei de tirar uma fotografia. E agora, ao recordar aquelas esculturas, tarde demais, vem-me à ideia que podia ter pedido uma de prenda. :) Para compensar os aneis que não uso e que são muitíssimo mais caros.

07 setembro 2009

(aos saltos de contente)

Eu vou ao Porto! Eu vou ao Porto! Eu vou ao Porto!

(é só daqui a quase dois meses, pelo que ainda vou ter que dar muitos pulos até lá.)

04 setembro 2009

I ♥ amazon

Livros por um cêntimo, portes de envio 3 euros. Haverá mais barato que isto (sem descolar da cadeira?)

(no marketplace da amazon)

03 setembro 2009

Dúvida

To facebook or not to facebook.
Acho que o primeiro "convite" que recebi foi há anos. Bem, há um ano, pelo menos. E muitos outros se seguiram. E eu, que tinha experimentado o Hi5 e achado aquilo uma porcaria, recusei sempre, educadamente como a minha mãe me ensinou. Mas agora (547 convites depois) estou na dúvida. Aquela confusão dos Terms & Conditions há uns tempos tinha sido uma desculpa tão boa...

Batalhas no escritório


Encontrei no Jansenista, e achei uma ideia fantástica. Também há o calendário para 2010. E eu já mandei vir um da amazon. Ainda não sei para quem vai ser. Mas haverá aviões a voar onde ele for parar. :)

Speedy Gonzalez

O rapaz do correio tinha por hábito entrar e sair a correr. Olá - entrega as encomendas - retira o correio a enviar - adeus. Tudo em menos de 5 segundos. Não gostava deste rapaz do correio. Era demasiado rápido, nem sequer dava tempo para responder com um bom dia ou esboçar um sorriso. Era tão frustrante que já fugia dele, evitava a hora da entrega e recolha do correio.
Um dia o rapaz do correio abrandou. Deu tempo para receber um bom dia. E tempo para ouvir a resposta ao seu adeus. Ainda assim não teve direito ao sorriso da praxe que todos os outros rapazes do correio recebiam. O espanto tinha sido demasiado.

Genial

Caderno de Palermo. Teria continuado a ler, mas não havia mais nada.

(via a origem das espécies)

01 setembro 2009

Mudanças

Mudei de casa uma data de vezes até hoje. Em média, de três em três anos, mais coisa menos coisa. E ainda continuo a achar mudar de casa divertidíssimo. É um bocado mais complicado não ter os pais a tratar de tudo (e a limpar, e a arrumar, e a tratar das burocracias), e o fim da mudança fica sempre mais longe (da última vez demorei um ano até terminar de desencaixotar tudo). Mas adoro tornar um conjunto de divisões na minha casa. Transformar quatro paredes brancas na minha sala, ou no meu quarto. Fazer experiências com a mobília. Trocar as lâmpadas e (mandar) colocar candeeiros. Já mudei tantas vezes de casa, que uma das mudanças mais giras até hoje tinha sido quando mudámos para uma casa do outro lado da rua, teria eu uns dez anos. (É assim que situo certos acontecimentos na minha vida, estão ancorados à casa onde vivia na altura.) Mas hoje, mudei de casa outra vez, e desta vez foi ainda mais especial. Mudar para o apartamento de baixo não acontece a toda a gente. Nem sequer a todas as empresas de mudanças. (Aos nossos homens fortes e musculados (e giros! e novos! e simpáticos!) que andaram a carregar a mobília nunca lhes tinha calhado.) Não é preciso camião. Nem bloquear a rua. E teve piada ver coisas a descer de uma varanda para a outra. E a piéce de resistance... A Telekom quase que nos tramou. No apartamento novo nao tenho nem internet nem telefone até sexta, se tudo correr bem. Felizmente estamos na era do wireless. O telefone continua a emitir lá em cima, e agora é utilizado cá em baixo. A internet a mesma coisa. Ah! Ah!
(Estou que nem posso. E pensar que tive pena de não ir à aeróbica. Doem-me os músculos todos.)

31 agosto 2009

Cura de emagrecimento

Passar o dia a subir e a descer escadas. E a carregar coisas pesadas. Se isto não chegar para abater os gramas que ganhei durante as férias, eles cá ficarão para sempre.

Das vantagens das bibliotecas

não é preciso andar com os livros de um lado para o outro. e as bibliotecas de praia? uma ideia maravilhosa.

Dos livros

Passei uma boa parte da infância enfiada na biblioteca. Comecei pela biblioteca itinerante da Gulbenkian - a carrinha cinzenta que passava de vez em quando - passei pelo que foi a biblioteca municipal (a que não emprestava livros, só permitia a sua leitura no local) e depois mudei-me para o que se tornou a mistura das duas (daquela estante não se podem levar livros para casa, das outras podem-se levar 5 de cada vez). Passei ali muitas manhãs, e muitas tardes, a ler os livros mais pequenos, levava sempre 5 para casa e nas férias de verão e nas outras todos os dias ia trocar por mais uma dose. Lia os meus e a maior parte dos que as minhas irmãs requisitavam, e quando os livros vinham já muito manuseados, às vezes colava-lhes as capas ou uma ou outra folha solta com fita cola. Nunca escrevi nos livros, e que me lembre, não era costume eles virem rabiscados.
Quando ia aos meus avós, tanto de um lado da família como do outro, uma das actividades que levava a cabo enquanto os adultos se abstraíam da minha presença (vá lá, quando eu desaparecia da vista deles sem que eles notassem) era investigar as casas. Na casa dos meus avós paternos rebuscava os quartos e as estantes à procura de tesouros (havia tantos!) e encontrava bichos em álcool, um microscópio, um pífaro que rapidamente desapareceu (hoje desconfio que foi o meu pai, farto de o ouvir, que lhe deu sumiço), livros e mais livros, e componentes eléctricos que na altura não sabia identificar. Na casa dos meus avós maternos rebuscava o quarto da minha tia, que tinha um poster dos ABBA na parede, e gostava de ir ao sótão, onde havia imensas teias de aranhas, alguns buracos na madeira do soalho, e a luz do sol entrava pelas frestas das telhas. A minha avó dizia para não ir lá para cima, que havia ratos, mas eu não só nunca tinha visto nenhum como não tinha medo - suponho que, nessa altura, se algum dia tivesse encontrado um rato ainda o transformava em animal de estimação ou então torturava-o para que aprendesse a voar. E nesta casa não me lembro dos livros, mas lembro-me de encontrar dezenas de revistas juvenis do tempo do antigo regime, que eu li de uma ponta à outra (bem, quase), que tinham histórias por capítulos e me faziam ansiar pelo exemplar que faltava lá no meio.
Quando fui viver para o Porto, já com 18 anos, terminou a minha infância - pelo menos a parte que eu me dava ao luxo de ser infantil 95% do tempo. Não voltei a frequentar bibliotecas por prazer, apenas por necessidade, não voltei a rir às gargalhadas sob o olhar severo da bibliotecária (que nunca acreditou que eu lia os livros que levava para casa, e nem lhe passou pela cabeça que eu também lesse os outros que as minhas irmãs traziam com elas), nem voltei a ler livros velhos em casa de familiares, e a coisa mais parecida com ler livros que passaram de mão em mão era partilhar os livros que comprava com as minhas irmãs e, de vez em quando, pedir um emprestado às amigas.
E depois...
...fui de férias. Encontrei uma estante com livros a chamar por mim. Livros deixados por outros viajantes, uns novos, provavelmente lidos apenas uma vez, outros semi-novos, e outros velhos, de folhas soltas e fita cola a prender a capa. E redescobri o prazer de ler um livro que já foi folheado uma e outra vez, de ler uma história que nitidamente já deu prazer a outras pessoas, de tocar aquelas páginas que já tinham sido tocadas por muitos outros dedos. Tenho saudades da "minha" bibilioteca, que funcionava num edifício antigo, de rés-do-chão e primeiro andar, das escadas que rangiam, do soalho de manteiga, do boneco da máquina de bolas-surpresa na loja do outro lado da estrada que dizia, em espanhol, "holla, como te llamas? quiero ser como tu. a ver se puedes divinar" todo o dia, sem se cansar, sem me incomodar.

(os meus vizinhos têm uma biblioteca imensa na cave. vou começar a levar livros emprestados.)

Entre caixotes

(vazios, que esta mudança vai ser a mais hilariante de sempre, adianto que o tema é "para baixo todos os santos ajudam")

O blogue vai ter que prosseguir em modo post curto. Quase ao estilo do twitter, mas sem ter que me limitar, a não ser pela velocidade dos meus dedos (que é grande, aviso já que os meus dedos a teclar são como um corredor de automóveis fórmula 1). Por um lado, os postes serão curtos porque estou com falta de tempo, roubando uns minutos aqui e ali para vir à net, como uma viciada, por outro lado haverá postes porque simplesmente tenho que escrever.

[Actualização: se as regras são minhas, posso quebrá-las, não é? dizem que a excepção faz a regra, mas eu já estou na dúvida do que será a regra e do que será a excepção.]

30 agosto 2009

Nunca pensei dizer isto

Lentamente, estou a fazer as pazes com os franceses.
Uma pessoa chega do outro mundo, e pensa nas imensas coisas geniais que tinha planeado postar durante as férias, como aquela ideia das memórias mais antigas que se têm, ou o maior susto da minha vida e de como não consegui dormir em condições durante uma semana (e sim, isto nunca me tinha acontecido), ou como ir a uma terra onde nunca se tinha estado e que aparentemente não tem nada de especial pode ser extremamente perturbador (de uma forma diferente da do maior susto da minha vida), ou até o plano de postar a pilha de livros e dvds que tinha planeado atacar antes das férias e da que efectivamente acabei por ler/ver, e ainda sobre o prazer de ler um livro que encontrei a cair aos bocados e colado com fita cola, e o outro livro que encontrei e que já ia a meio quando descobri que era uma auto-biografia e bolas para a miúda que tudo lhe acontecia - e ainda para mais há um segundo livro que conta o resto da história (mas será que ainda lhe podem acontecer mais desgraças?) mas não estava na estante e portanto vou ter que o procurar para poder ler (era perturbador mas não ao ponto de superar a minha curiosidade, e se a mulher escreveu o livro então a história não pode acabar assim tão mal). E havia mais coisas. Só que entretanto comecei a ler blogues (e a lembrar-me de outras histórias, como uma de trelas para crianças, outra de quadros, reproduções, e do pintor com um enorme sentido de humor), verifiquei que me esqueci das passwords do trabalho (e isto não é necessariamente mau), estou com remorsos por não ter ainda começado a encaixotar a minha vida (mas só amanhã é que me vou dedicar aos caixotes), e preocupo-me por estar a correr o risco de ficar sem telefone, internet e televisão por uns dias. apesar de ter acabado de passar duas semanas sem nenhuma destas coisas e nem lhe ter sentido a falta. A vida de todos os dias é estranha.

15 agosto 2009

Oktoberfest

(e sim, este blogue está mesmo fechado até Setembro)

Isto de viver no centro de grandes acontecimentos leva a que, de vez em quando, se recebam uns pedidos de ajuda. Dicas sobre onde ficar, o que fazer, coisas assim. De modo que, como sou uma gaja fixe e gosto de ajudar até desconhecidos, acabo por me obrigar a saber ou investigar certas coisas. É sabido que os hotéis em Munique aumentam os preços durante a Oktoberfest. Até certo ponto, é de esperar. O que eu não imaginava é até onde vai a inflação durante essas duas semanas. Que aumentassem os preços até ao dobro, vá lá, eu até compreendia. E alguns limitam-se a aumentar para o dobro. Mas há outros, que nem são assim nada de especial, que aumentam o preço 5 vezes. Cinco vezes. De 40 para quase 200 euros por noite. Não é que eu perceba grande coisa de hotéis, mas se o preço em Agosto é de 40 euros, não vejo como é que no fim de Setembro o mesmo quarto, no mesmo hotel, com o mesmo pequeno almoço e o mesmo serviço passe a valer cinco vezes mais só porque está a decorrer um festival da cerveja - onde ainda para mais à noite e durante o fim de semana é quase impossível entrar nas tendas. Será que o quarto vem com um Dirndl/Lederhosen para @ ocupante?

Como isto anda...

(e sim, o blogue está fechado até setembro)

A ver televisão, um programa em que, por algum motivo, várias pessoas desmaiavam.
- Isto acontece porque as pessoas se esquecem de respirar.
- Quê? (ou uma versão do grunho a dizer hã?)
- Sim. Estão demasiado concentrados no que estão a fazer, esquecem-se de respirar e desmaiam.

E pronto. De repente algo fez sentido na minha tête. Há uns anos fiz uma operação, e durante a mesma, a melhor coisa que ouvi do médico foi um "respire". Deve ser verdade. Às vezes o cérebro esquece-se de funcionar.

12 agosto 2009

Hoje sinto-me assim

"life is what happens when you're making other plans"

é por isso que não costumo fazer planos. e porque a vida tem tendência a intrometer-se, já devia saber que os planos que faço terão que ser mudados.

Belas fotos

aqui.

(também se podia chamar desportistas nus. ou Lobos nus. ou não-me-importo-se-me-oferecerem-um-calendário-destes.)

08 agosto 2009

É (f) lixado. Com F grande.

Não se faz. Deixam-me assim um vídeo num blog, e eu que até tinha tempo, para variar, fui ver, e sai-me isto:

Tive uma amiga que morava ali, ao pé da ponte da Arrábida. Morava por cima de um café e tinha imensos bichos em casa, dizia ela que era por causa do café. Passei uma noite ali, a estudar com ela, e depois safei-me no exame, por causa daquela ajuda preciosa. A minha amiga era o máximo. Uma força da natureza, pulmões de aço, uma força que nunca mais acabava, mesmo quando a vida lhe corria mal. E uma gargalhada enorme, cheia de vida, contagiante, extraordinária.
Vivi uma data de anos no Porto e nunca vi os barcos rabelos no rio. Dizem que fazem uma corrida todos os anos no S.João. Também nunca fui ao S.João. Mas fui várias vezes ao S.Pedro da Afurada com um amigo, e tive que me abrigar do fogo de artifício, pois havia pedaços a cair do céu ali mesmo, no meio das pessoas. E uma vez atravessei o rio num barquito, éramos dois mais o dono do barco e estava sol, e depois fomos passear. E uma vez entrei por ali numas tasquinhas que tinham pior aspecto que a taberna da aldeia onde vivi quando tinha 4 ou 5 anos, e não comi nada porque tudo me metia impressão. E ainda assim gostei da experiência.
Subi aos Clérigos algumas vezes, com companhias diferentes. E uma das vezes, acho que foi só uma, arrepiei alguém até ao âmago da alma, sem sequer lhe tocar.
Lembro-me da primeira vez que olhei para o Porto ao longe, à noite, de um andar alto num prédio de Gaia. E da primeira noite em que calcorreei aquelas ruas sozinha, de dois concertos de bandas que eu gostava seguidos, e depois ter decorado um número de telefone que recordei durante anos mas que nunca usei.
As viagens de eléctrico até à foz, as tardes de gazeta passadas no Homem do Leme, os velhotes que por ali andavam, o alcatrão na areia. E mais tarde, muito mais tarde, muitos almoços por aquelas esplanadas. E alguns cafés também, e passeios. Bom tempo, nevoeiro, chuva miudinha. Jogging aos sábados de manhã. Risos, amigos, conversas sérias em que decidíamos o que fazer do mundo.
As visitas das amigas, as noites na Ribeira, fechar discotecas, perder-me no caminho para casa. A época de exames e decidirmos sair à uma da madrugada, porque a vida não era só estudar. Os passeios às caves do vinho do Porto. Santa Catarina, Cedofeita, as ruas de paralelos. E aquele restaurantezinho escondido numa rua minúscula, que só estava aberto para o almoço, com a sua meia dúzia de mesas sempre a abarrotar, que servia batatas fritas verdadeiras e comida deliciosa que era preparada por uma senhora e a sua mãe.
E os amigos em casa de quem eu também me sentia em casa e em família. E os concertos no coliseu, e as primeiras idas ao cinema. Os autocarros no Bolhão, e os outros na Batalha. Ver Portugal jogar no Dragão. Ser convidada a deixar os restaurantes, por ser tarde, e depois a mesma cena à porta dos restaurantes. Festejar um aniversário num bar irlandês que eu gostava. A sensação de não se saber o que se andava a fazer, nem por onde se andava.

Fogo.

(E a praia da Madalena. E a de Leça. E outra mais a Norte que descobri sozinha e era a minha favorita. E a estação de S.Bento e a de Campanhã. Viagens de comboio até Espinho, ou Aveiro, ou Coimbra, ou Lisboa, ou o Algarve.)

O Mundo era muito diferente. Ou não, eu é que hoje em dia tenho outra perspectiva. Mas isto tudo por causa de três minutos de imagens. É obra.

07 agosto 2009

Só sei que nada sei.

Ainda assim, às vezes acho que sei muitas coisas (embora tenha sempre a consciência de que há muitas mais que não sei). E outras vezes, nada. Nada de nada. E até aquilo que julgava que sabia questiono. O sol nasce todos os dias - quer dizer, mantém-se mais ou menos no mesmo sítio e a Terra vai rodando. A noite vem todos os dias - quer dizer, todas as noites. No verão a terra explode com frutas e verduras - que o calor não é certo - e de seguida vem o outono, que é quando as folhas caem, e uns tempos depois começa a nevar e é inverno, e depois virá a primavera, que é só quando a neve desaparece e de repente temos mais pássaros a esvoaçar e não só os corvos que nunca vão a lado nenhum. E rebentos, e flores.
E ao mesmo tempo queria saber o que há que seja mais pequeno que um electrão, protão, neutrão, fotão, ou quark, ou o que vier a seguir, e o que há para além do universo que se conhece. O que é que nos faz correr, de onde vêm as paixões, mesmo aquelas pequeninas, por pedras da calçada ou bolotas. E o que é que nos faz parar de correr, ou parar para pensar o que é que andamos aqui a fazer. (E para quê, já agora, porquê e para que é que corremos, paramos, pensamos.)
Daqui a bocado vai deixar de fazer diferença outra vez. Enquanto se corre não há tempo para pensar. Até tropeçar outra vez.

Hardcore

Às sextas tenho um encontro imediato com uma instrutora de aeróbica (parece que agora se chamam assim) vinda do inferno. Que por uma hora nos leva directamente às profundezas flamejantes do dito. Às vezes é apenas uma tortura. Outras vezes é um exercício de imaginação retorcida que nos faz imaginar que nem o inferno pode ser assim tão quente, suado, esforçado e doloroso. Não se pode comer duas horas antes do exercício - se não não se aguenta-, e depois já não há vontade. Não fora a garrafa de água e morreria desidratada. Não vou para lá em antecipação dos exercícios, do aquecimento, nem dos alongamentos para arrefecer. Naquela aula, há duas coisas que são por si um objectivo difícil de atingir: o primeiro, chegar ao fim (sabe tão bem); o segundo, poder dizer que eu sou uma das poucas pessoas que aguenta e continua a ir. (E desde que não faça gazeta às actividades desportivas durante a semana depois quase nem fico com dores de músculos no fim de semana. E se ficar... bem, o único remédio que conheço e resulta é fazer mais exercício.)

06 agosto 2009

Na ponta dos dedos

Estava nervosa, e tremia um pouco, de forma incontrolável. E depois olhou para as mãos dele, que seguravam um papel, e viu-as tremer também. Riu-se interiormente. Se ele estava nervoso, então estava tudo bem. E de repente passou-lhe.

Depressa, com pressa

Tenho medo, muito medo, de morrer amanhã.

Eu só tenho medo de morrer sem ter feito tudo o que queria fazer (e de deixar os miúdos sem mãe antes do tempo). O que é altamente provável (a primeira parte, não a segunda, espero). Mas que pelo menos morra só depois de ter feito as coisas mais importantes que quero fazer. E como tenho a plena consciência que pode ser já amanhã (ou hoje até), aproveito tudo o que há para aproveitar já hoje. E ainda assim, ultimamente tenho desperdiçado algumas oportunidades. Obrigada Sónia, por me lembrares que a vida é curta. Acabei de mudar o meu fim de semana por causa disso. (E vai ser tão bom!)

04 agosto 2009

So long marianne

O Visconde dizia aqui que tinha gostado do So Long Marianne no concerto do Leonard Cohen. Eu, desde que conheci o So Long Marianne dos James que a adoro, mas por causa do Visconde fui ver o original ao youtube. É mais lento e não tem a minha parte favorita:

All the fights with that big kitchen knife
All the lies and the hate that you spat
All those long, long furious nights
All those long, long furious nights
All the tears that we shed
The excitement we had
On the unmade bed with that big kitchen knife
And the crimes we committed at night
Yeah the crimes we committed at night
For a love we could never get right
For a love we could never get right

So long Marianne
So long Marianne
Marianne


(E com isto me apercebo de uma certa obsessão com objectos cortantes - da parte dos James, não da minha.)

03 agosto 2009

chove

O mês de Agosto, quente como só Agosto pode ser, cheio de sol, passou a ser um mito. Deve ser por isso que nesta terra as férias escolares começam no finzinho de Julho, para que depois possa ocorrer a debandada geral, a fuga para os sítios onde, em Agosto, faz sol e calor. E nem ficam assim tão longe, em direcção ao Sul, basta atravessar os Alpes. Em duas horas está-se em Itália, em 5, 6 horas numa praia mediterrânica sem ondas e onde a água parece sopa, de tão quente.
Por outro lado, Agosto é um mês fantástico para se estar na cidade. O trânsito flui sem problemas, as lojas estão meias vazias, os cafés e restaurantes também. Meia vazia, a cidade tem outro encanto.

30 julho 2009

rabos ao sol

e outras coisas. Isto dava um post sobre o que andei a fazer ontem. Eu é que não tenho tempo. Mais logo, talvez.

27 julho 2009

A onda

Estava a ver a MTV e a falar ao telefone ao mesmo tempo quando perdi a noção do que se estava a passar por, de repente, ver um rio verde com surfistas lá dentro. A musiquinha (Make it Mine) é gira, mas o vídeo que eu vi (entretanto descobri que há pelo menos mais uma versão) foi gravado, em grande parte, em Munique. Num dia de sol. Apesar das imagens de cada sítio serem bastante curtas, a melhor, para mim, é a da onda do Isar. Sim, o rio de Munique tem uma onda, singular, num rio. E esta onda artificial é uma das atracções da cidade, pois durante grande parte do ano tem surfistas com fatos de neopreno, e gente a ver o espectáculo da ponte que fica mesmo em frente. Oficialmente é proibido nadar (e consequentemente, o surf também deveria estar proibido). No entanto até os guias oficiais promovem a onda do Isar.
Há uns dias começou a circular o rumor de que a onda do Isar ia ser vendida para exploração privada. Parecendo uma parvoíce (quem é que ia pagar para fazer surf numa onda que nem sequer é assim tão larga), o problema é que a onda pertence ao Jardim Inglês, onde, por uma questão do seguro, é proibido nadar. Se se passasse a onda para outro proprietário o assunto era arrumado. No entanto os privados também não são parvos, e ninguém quis comprar a onda. Agora a cidade equaciona mudar a onda para outro lado. Se eu fizesse surf, acho que ia aproveitar esta onda todos os dias enquanto ainda lá estivesse.

Video: Make It Mine von Jason Mraz - MySpace Video

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O vídeo pode ser descarregado legalmente aqui. Para quem quiser só ver uma foto de um surfista "na onda" ;) basta clicar aqui, o download do vídeo não é automático.

25 julho 2009

Capa dura, capa mole, livros de bolso

gostava de ter uma biblioteca. devia mesmo ter uma biblioteca, estantes onde se vissem as lombadas coloridas de alturas variadas dos livros que já li e dos que ainda não li, mas vou com toda a certeza ler. não tenho é onde criar esse mundo. se tivesse um quarto que pudesse ser uma biblioteca, um labirinto de estantes até ao tecto, com um escadote para chegar às prateleiras mais altas e recantos onde me pudesse sentar a ler - mas não tenho, por isso nem vale a pena pensar nisso. e um corredor? um corredor com ar de quarto pequeno, ou um corredor largo, será que dariam uma boa biblioteca? gostava de ter as paredes do corredor forradas a estantes cheias de livros de cima a baixo. E depois ia olhar para esses livros todos e dizer "hoje vou ler este", e arrumar e catalogar outros com etiquetas que dissessem "estes já li", "este não vale nada mas não tenho coragem de o deitar fora", "este é dos poucos livros que comecei e não acabei", "este nunca mais acabo de ler porque parece um livro da escola, chato como a potassa", "este é fantástico, devia haver igual mas ligeiramente diferente, só para ficar com a mesma sensação no fim de o ler, mas sem ter que ler exactamente a mesma história outra vez". gosto de livros. de os ler e de olhar para eles. de me deixar absorver por eles para dentro de um mundo diferente do meu. de os encher de areia ou de pétalas de flores.

24 julho 2009

Barbie cabeleireira

(ia chamar a este post Anita cabeleireira, mas depois o meu computador interno disse que não podia ser, que na base de dados estava que a Anita não fazia nada, só ia a sítios. a Barbie, no entanto, faz o que quer e lhe apetece, e ainda arranja umas roupas giras para todas as ocasiões.)

A minha filha-mais-linda tem um cabelo que cresceu de uma maneira estranha. Tem madeixas de comprimentos diferentes, pouco cabelo à frente, e tinha, até há uns dias, muito atrás. Tanto que fazia uns caracolinhos giríssimos, e algum calor à minha bonequinha. Eu andei imenso tempo a resistir ao corte do cabelo dela, mas já não podia ser mais. E com medo das tesouras afiadas dos cabeleireiros, e da falta de habilidade da miúda para estar quieta por mais que um segundo, lá me enchi de coragem, peguei numa tesoura de pontas redondas do irmão, e, com a ajuda do papá para segurar a bebé-mais-irrequieta por uns segundos de cada vez, lá me armei em cabeleireira sem curso nem diploma e dei umas tesouradas nas pontas mais compridas daquele cabelinho. Não ficou mal, principalmente se tivermos em conta que nunca tinha cortado cabelo a ninguém e nem sequer alguma vez a bonecas (esfiapar umas madeixas do meu próprio cabelo não conta). Não sei se ficou 100% direito porque o cabelo continua a encaracolar, o que até deve ser bom sinal. O melhor de tudo é que foi... divertido! :D A minha filha está tramada, nos próximos anos quem lhe corta o cabelo sou eu.

22 julho 2009

Primeiro estranha-se...

O que me está mesmo a apetecer... tostas de queijo com chocolate.

(duas fatias de pão centeio barradas por fora com azeite, queijo brie, chocolate 50% de cacau aos pedaços, umas folhas de manjericão por cima. vai à sanduicheira até o queijo começar a derreter. uma delícia)

21 julho 2009

os créditos dos filmes

Deviam ser obrigatórios, os créditos. Mesmo que possa haver quem não tenha pachorra para ouvir a musiquinha do final, ou as cenas não utilizadas, os bloopers, ou apenas uma sequência de letras que segue écran abaixo. Aquele par de minutos deviam ser aproveitados, para se deixar a história acabar de nos atingir, as últimas cenas a pairar ainda na nossa cabeça, ou apenas para jogar o jogo do "quantos apelidos portugueses se encontram". E depois, os créditos da banda sonora do filme podiam-nos fazer mais felizes, o descobrir ali e agora quem é o escritor e intérprete daquela música que havemos de trautear várias vezes. Os créditos são melhores que a publicidade em altos berros (e também são melhores que a maioria da publicidade transmitida com o mesmo volume). Devia ser um direito dos autores, que os créditos fossem obrigatoriamente transmitidos. Todos os créditos, até ao fim (e isto inclui o comentário de que o cão que foi brutalmente atropelado no filme era de borracha e se encontra bem de saúde).

18 julho 2009

All gone

Horas antes de ir de férias tinha um computador de secretária ligado à net, e a funcionar. Quando cheguei, a rede sem fios continuava a funcionar, mas a rede "ligada" estava morta. Pelo menos no desktop. Uma chatice, já que é no desktop que gosto de fazer as coisas "a sério" - este fim de semana contava avancar nos projectos álbum de fotografias do verão e selecção de músicas para o mp3 (que já não cabe lá tudo o que eu queria). Ora, para além de não ter net, o pior é ter que fazer o troubleshooting - uma seca - e ter um mais que tudo que é completamente iletrado nestas matérias. O que significa que a chatice fica toda para mim, e nem vale a pena perguntar-lhe nada (perguntei duas coisas e arrependi-me logo). Ao menos foi-me comprar um cabo novo (o XP dizia que o problema era do cabo), e nem se enganou nem nada (há dois tipos de cabo, perguntou antes de comprar). Infelizmente o problema nao era do cabo. Provavelmente, e depois de todos os testes que já fiz, será da ligação ao cabo que está na motherboard (pois é, fazem umas motherboards com uma data de coisas integradas e depois quando avaria como é?). Ou então do router, mas esse parece funcionar, pelo menos nas ligações wireless. Lá vou ter de comprar uma placa de rede (e antes disso verificar se há espaço na motherboard) e aproveitar para limpar o pó ao pc por dentro durante a sessão de abre-pc/fecha-pc. Para cúmulo, o carregador do portátil estourou (literalmente) - mandou um disjuntor abaixo (na minha casa não há fusíveis) e depois um cheirinho a qualquer coisa queimada... E como amanha é domingo e está tudo fechado, na melhor das hipóteses atrevo-me a usar o netbook do mais que tudo (ele é um amor e deixa) que também tem windows (grrr), e lá continuarei a surfar por mais uns dias. Em último recurso ainda há para aí uma máquina do século passado que posso ligar... (como é que um gajo vivia antes destas coisas, não sei não)

(já agora, para a janela de comandos de DOS não desaparecer depois de se executar um comando/programa, basta executar em primeiro lugar um cmd. só para o caso de tentarem fazer um ping ou um ipconfig e não terem tempo de ler os resultados, como me aconteceu)

[Adenda] Já liguei o cabo ao router e a outro pc. A ligação com fios funciona. O problema não é do router, só pode ser da placa de rede (ou ligação à rede, já que é onboard...)

Coisas que não se dizem

Conheci uma miúda que começou a fumar porque estava convencida que isso a ia fazer emagrecer (ela diz que funcionou, mas eu só a conheci como fumadora e nunca a achei gorda). Isto foi já há uns 15 anos (ah, a velhice é lixada). Hoje em dia fico a olhar para certas pessoas, e leio certas opiniões (como esta), vejo certas reportagens e fico a pensar... sim, a droga é que é.

17 julho 2009

As férias dos outros

O meu amigo vai hoje de férias. Tenho muitos amigos, mas quando falo deles, posso chamar-lhes "o meu amigo", desde que no contexto apenas esteja um dos meus amigos. Sei que não me confundirei, porque os meus amigos são todos diferentes - muito diferentes, diria até.
O meu amigo, dizia eu, vai hoje de férias. 6 semanas. Um mês e meio de férias. 6 semanas com a mulher e as 3 filhas. Sim, que o meu amigo é um homem de mulheres, e parece que sempre quis que assim fosse, ele, a mulher, e as 3 meninas. O meu amigo tem que percorrer a distância mais curta possível entre a casa dele e o local onde vai passar as férias. Por opção própria, e não por condicionalismos externos, o meu amigo vai passar as férias em casa. Entre convidar os amigos e brincar com as miúdas, não compreendo a perspectiva de fazer férias em casa - o que é que será que se pode fazer durante tanto tempo? Eu em casa não consigo ter tempo para as coisas que faço em férias, longe das coisas do costume e dos sítios do costume. Sentir-se em férias em casa deve ser o paraíso. Se o conseguisse, teria férias todos os dias, pelo menos por umas horas. O meu amigo é um sortudo.

(Até consigo imaginar umas coisas que poderiam tornar umas férias em casa muito agradáveis. Mas implicam um certo esforço e planeamento, e em alguns casos, uns vizinhos tolerantes.)

O tanto que eu gosto de música

Esgotaram-se os 20Giga do meu leitor de mp3. Vejo-me obrigada a guardar toda a música no computador e à angústia antecipada de num momento me apetecer ouvir o disco XPTO e não poder, e manter apenas uma selecção. 20 Giga pode parecer muita coisa. Para mim não é. (E o Natal tão longe!)

Pular a cerca

A versão mais popular de pular a cerca é uma banda desenhada/filme. Pelo menos é tudo o que aparece na primeira página de resultados do Google sobre "pular a cerca". Tanto que até fiquei na dúvida e tive que pesquisar "o que significa pular a cerca" para confirmar o que eu já sabia. Pelos vistos, hoje em dia, pular a cerca só no cinema.

(para os mais gráficos, também há desenhos de pular a cerca para colorir)

16 julho 2009

When Harry met Sally

Uma pessoa vem de férias, ainda meia zonza do calor e do sol e das mini-saias (que saudades que tinha de as usar) e dos bikinis, começa a entrar na rotina, a ver os 500 mails e a responder às coisas mais urgentes, e depois faz uma pausa para ler meia dúzia de blogues, que o primeiro dia nunca dá para mais, e depara-se com isto. "Isto" sendo uma discussão sobre o orgasmo feminino (a continuação, que já havia um ou outro post anterior a este), que é coisa da qual se fala e escreve pouco. E onde, meio na brincadeira, se lança a ideia de uma campanha pela masturbação. Porque não. Conhece-te a ti mesmo, já dizia o filósofo.

Balanço

Companhia de férias: Terry Pratchett, Matthew Klein e Maeve Binchy. Pela primeira vez, a questão: os homens escrevem de maneira diferente das mulheres? Ou apenas se põem na pele do que pensam ser o seu género (como as mulheres que escrevem com pseudónimos masculinos e vice-versa)? E não haverá um género híbrido?

De volta

Pela primeira vez regresso de férias e está sol e quentinho. Agora é aproveitar até que venham as próximas.

29 junho 2009

Côco

Nada cheira mais a férias do que côco. Deve ser por ser o perfume de muitos protectores solares.
Ainda não cheguei à praia, mas o cheiro, já o trago comigo.
(o que eu andei para encontrar um perfume que me cheirasse a férias)

27 junho 2009

(enquanto ouvia michael jackson)

estava para aqui a pensar que afinal a música nem sempre é assim tão importante, que a diversão pode ser independente de se estar a ouvir música pimba ou pop ou outra coisa qualquer. mentira, a banda sonora é sempre importante e ajuda a criar ou a mudar o ambiente. uma noite a ouvir schlager (e a pergunta era, mas há um termo para isto em qualquer outra língua? parece-me que na nossa se diria música pimba, mas não garanto a correspondência) intercalada com o summer of 69 e as pessoas a cantar e aos pulos. sim, a música é imporante e altera o estado ou o tipo de diversao. (those were the best days of my life vs a Anita com uma letra desconhecida... claro que é diferente)

26 junho 2009

Noites fantásticas

E um dia apercebo-me que vivo para alguns momentos. Umas horas de cada vez, aquelas que marcam para sempre, criam memórias indeléveis (ou às vezes nem tanto), e uma nostalgia interminável e vontade de as repetir ou recriar. Claro que a vida não é isto, mas se fosse fazer um filme promocional, eram estas as cenas que escolheria. E toda a gente quereria ver o resto. (a vida é uma viagem, e tal, e o caminho para chegar aos pontos altos também é bom, mas chegar ao topo e contemplar o caminho que se fez ou simplesmente sentir o céu mais perto, é maravilhoso. e depois ficar com a memória cheia de risos e sons e cheiros e até sabores, uma caixinha cheia de gavetas de coisas boas para mais tarde - ou logo a seguir - recordar, é bom. muito bom.)

Coisas que merecem ser partilhadas

O álbum novo dos Green Day é fantástico. E já tenho uma música favorita, este Peacemaker (hey hey hey hey hey).

a prova dos nove

quando bebo uns copos a mais posso ficar com dificuldade em equilibrar-me, com os reflexos mais lentos e a falar de coisas parvas, mas, apesar de tudo, continuo a saber fazer contas. pelo que, barmen deste mundo, estais lixados comigo, nada de gorjetas exorbitantes por incompetência da minha calculadora mental (ainda o tipo estava a pensar no quando custava cada bebida já eu tinha feito a conta, preparado o dinheiro e calculado a gorjeta que lhe ia dar. às tantas ele também tinha bebido uns copos.)

24 junho 2009

Imperdível

Hoje descobri um café maravilhoso, que parece uma casa de bonecas antiga em escala humana, com uns bolinhos fantásticos e um ambiente do século passado (de antes de eu ter nascido). É assim como que uma mistura da sala dos meus avós e uma mercearia portuguesa, com as mobílias todas em madeira, e nas vitrinas existem cadeiras e mesas, onde também nos podemos sentar a tomar um café. Além disto é também uma loja - poderia dizer-se de antiguidades ou apenas velharias - onde (quase) tudo o que se vê e se usa se pode trazer para casa. As mesas são grandes, todas de madeira mas de vários feitios, as cadeiras são quase todas diferentes, e apenas têm em comum o serem de madeira, e muitas delas têm o preço agarrado a uma das pernas. Só por curiosidade, a cadeira onde me sentei custava 85 euros. No meio da sala encontra-se uma vitrina onde se exibem as delícias, quer dizer bolos, do dia. Desde gateaux au chocolat (delicioso) ao brownie, passando por diversas tartes e bolos com chantily. Mas o mais engraçado são os cavalinhos de madeira puídos pelo uso e maltratados pelos anos que se encontram na montra, ao lado de uma cama muito curta, como as dos tempos dos reis, e coisinhas pequeninas como bules e panelas que parecem de brincar. As estantes atrás do balcão de madeira em que uma máquina de café antigo faz de conta que é uma balança têm imensas divisões, uma espécie de cubos onde se encontram boiões de tudo e mais alguma coisa. Na estante, brilhantemente enfiada entre duas vitrinas (as tais montras que incluem uma mesa e duas cadeiras, para além de cestos com livros e outros objectos decorativos) de modo a parecer apenas uma parede com reentrâncias forradas a madeira vêem-se frasquinhos pequeninos de compotas bem como garrafas estreitas de vinho e outros vidrinhos que não consegui identificar para que serviriam. Ao fundo, vê-se o mostrador de um relógio gigante, já sem ponteiros e com uma marca horizontal escura, numa das paredes, pintadas de com uma tinta de cor creme e já muito velha. Os soalhos são de madeira escura, uma espécie de tacos na sala propriamente dita, e no chão das vitrinas umas tábuas mais claras e compridas, cheias de marcas do tempo (ou de pregos), que me fazem lembrar o sobrado da casa dos meus avós.
Além de venderem as velharias (pergunto-me se o negócio terá sucesso), também fazem almoços e, por vezes, jantares especiais, à luz das velas, com reserva obrigatória (o próximo é na sexta, e se fosse mais perto da minha casa estava lá caidinha). O café não será o melhor de sempre (embora não seja mau). Mas o ambiente, ah, o ambiente, parece retirado de outro mundo e é absolutamente fantástico.
Só tenho pena de não ter levado a máquina fotográfica comigo. Este vai ser, garanto, garanto, um dos sítios onde vou passar a levar as minhas visitas. E os meus amigos mais especiais.

21 junho 2009

O PG (suspiro)

O PG (suspiro) era o miúdo mais giro da escola. Andava um ou dois anos à minha frente, e passava os intervalos ao sol, no „canto dos queques“. Todas as miúdas da escola tinham um fraquinho pelo PG, que era, provavelmente, o único da escola que era sistematicamente referido pelo nome e apelido.O PG tinha dois irmãos mais velhos que ele, e eram todos diferentes. O mais velho era o menos giro (bem, nem era nada giro), o do meio também era giríssimo, moreno, de olhos castanhos enormes, e parecido com o irmão mais novo. E o mais novo, o PG, loiro de olhos azuis, meiguinho, com lábios grossos, fazia suspirar as meninas todas. Era o filho mais novo de uma família que queria ter tido uma menina, num tempo em que não se sabia o sexo dos filhos antes de eles nascerem, e tinha tido toda a vida um quarto pintado de cor de rosa. Ele não se importava. Aliás, ele foi o primeiro rapaz que algum dia vi usar uma camisola rosa pálido (ou quase isso) muito antes de a moda masculina ditar que os homens também se podem vestir de cor de rosa (embora nem a todos fique bem).
O PG „trabalhava“ na rádio local, e tinha uma voz que só por si derretia corações. Quantas miúdas ouviriam os programas dele, incluindo o programa do sábado à hora do almoço sobre fórmula 1, só para continuarem a suspirar.
Sendo o rapaz mais giro do nosso raio de acção, por onde ele passasse ficávamos a admirá-lo (suspiro). Quando ele arranjou uma namorada que vivia perto de mim, ficava a vê-lo desde o fim da rua até que passava quase à minha porta e depois seguia. Se fosse hoje, o PG provavelmente teria tido centenas de admiradoras que discretamente lhe tirariam fotos com o telemóvel, para depois, embevecidas, olharem e voltarem a adorar o rapaz mais giro que conheciam. (Qual Brad Pitt, o PG é que era.)
Claro que isto já foi há muito tempo. Se bem me lembro, o PG e a última namorada tiveram um bebé ainda antes de eu ter saído da minha terra, e provavelmente devem ter casado, deitando por terra os sonhos de algumas miúdas da zona (mas não os suspiros). Há uns tempos, alguém que nunca soube desta história veio-me contar o que faz agora o PG. Continua a viver no mesmo sítio, e tem um trabalho que implica ir a casa das pessoas resolver problemas. Quando ouvi isto (e não podia perguntar nada) tive logo que telefonar a contar as novidades às minhas irmãs. Sim, o PG ainda existe, e sabemos exactamente onde o encontrar (suspiro). E entretanto já fui à minha terra e passei por ele na rua. Continua tão giro como sempre foi. Deve continuar a arrancar suspiros ao mulherio, e não me admirava nada que certas coisas, em certas casas, „avariassem“ só para que ele tivesse que passar por lá. Ah, o PG (suspiro)!

16 junho 2009

1-2-3

Não me apetece escrever nada. É do tempo (ah o tempo), que tem estado muito mau para a altura do ano, e eu já começo a desesperar a pensar que não vai haver verão. Dizem que não, que o verão vem amanhã (mas por quanto tempo? um dia, dois?), mas eu já não acredito em nada, e arrependo-me de não ter tirado licença sem vencimento em Julho e Agosto para poder ter um verão a sério, num daqueles países onde há verão a sério. Isto do tempo é uma coisa chata, uma pessoa cresce num determinado clima e depois só quer aquilo para o resto da vida e nada se lhe compara. À conta do clima da minha infância, só considero que está "calor" quando as pingas de suor escorrem pelos joelhos abaixo, o que implica alguns graus acima dos trinta, o que não há em todo o lado. E quando me faltam semanas sem uma nuvem, começo a pensar que vem aí o fim do mundo e nunca mais verei o sol - e a planear maneiras de escapar. Como, infelizmente, o último plano que tive para ir apanhar sol correu muito mal (o meu país a deixar-me ficar mal, não se admite), agora ando por aqui a entrar em paranóia, que as férias estão quase a chegar e será que desta vez é que é, e será que quinze dias de sol chegam para me curar. É que Junho já está na recta final e eu continuo tão branca como em Janeiro. Ou Fevereiro. (Ou Março, Abril, ou Maio. Isto está muito mau.)

Para me pôr a pensar em coisas mais felizes, está cá a Rita. Primeiro com a lembrança das Gémeas no Colégio de Santa Clara (ainda há uns dias discutia com as minhas irmãs a Mademoiselle, professora de francês, a quem as alunas chamavam "Mademoiselle Abominable" porque quando não gostava de alguma coisa dizia "C'est abominable!"). Andava a pensar em emprestar esses livros ao meu filho, mas eles foram tão lidos que estão a cair aos bocados, e duvido que sobrevivessem à falta de cuidados do meu rapaz. Mas talvez ainda mude de ideias. (E corra o risco que, a ele também, lhe apeteça fazer piqueniques à meia-noite, que os livros contribuem para acordar os bichos carpinteiros adormecidos.)
E depois, a Joanna. Que é como quem diz, o "só mais uma vez". A minha mãe dizia (ainda diz, quando lhe damos a oportunidade) que "a matemática é como as cerejas, quando puxamos uma vem logo outra agarrada". Mais ou menos isto. Eu diria que a música é como as cerejas, pensamos numa e lembramo-nos logo de outras. Ora o "Só mais uma vez" (amanhã talvez ♪♫) vem agarrado ao "dia de domingo" (da Gal Costa), que por sua vez vem agarrado ao "calhambeque" (pi!pi!♫) do Roberto Carlos, que me faz lembrar da Rosinha dos Limões (um fado, do Nuno da Câmara Pereira, se não estou em erro). E isto tudo traz-me verões passados agarrada ao meu transístor (sim, que aquilo nem era um rádio a sério nem nada), a ouvir a rádio da terra, onde uns rapazes engraçados faziam uns programas divertidos enquanto passavam estas e outras músicas (aquilo à noite melhorava bastante) e se riam pela noite fora com os microfones ligados. E nestas noites quentes e cheias de alegria do lado da emissão ficava a pensar que tinha que crescer mais um bocado, para também poder sair e divertir-me tanto quanto eles. Ainda hoje me custa ficar em casa à noite quando está mesmo calor e parece que se está tudo a passar lá fora (ah, eu bem oiço a música e os risos).

(e depois, um dia, parece que fica tudo sério e falamos sobre o tempo porque já não queremos partilhar o resto, ou porque já não podemos discutir a música que passa na rádio ou os desenhos animados e a rua sésamo, ou porque não temos intervalos para jogar à bola, e namorar nas traseiras do local de trabalho parece suicídio, e nem sequer devemos aparecer de calções e/ou joelhos esfolados durante a semana. e partidas, ah, mas que é isso, se nos atrevemos a mudar a imagem do desktop de alguém somos fuzilados com palavras e olhares, e ficamos sem vontade de partir para algo mais criativo. se calhar é por isso que temos filhos, para poder continuar com a diversão e ler-lhes o pequeno Nicolau. e é por isso que às vezes se levam umas garrafas de álcool para partilhar umas gargalhadas depois do expediente.)

10 junho 2009

Saudades da Mariah

Nunca conheci a Mariah. Lia-lhe o blogue, todos os dias, e os postes enormes até ao fim. Gostava de saber a vida dela, como lhe corriam os dias, das pessoas que encontrava, das coisas que fazia, dos livros que ela lia, as músicas que ouvia. A Mariah falava das suas amigas, das aulas de ginástica, das noites dançantes, dos homens que a queriam e dos que ela rejeitava. A Mariah gostava de marketing, como eu, e gostava de aprender. Fazia cursos de tudo e mais alguma coisa. Andava a ter aulas de guitarra, pouco tempo antes de terminar o blogue, e levava as músicas que queria aprender ao professor, que lhas ensinava, e já ia tocando de ouvido. A Mariah lia livros a metro e contava sempre se tinha gostado, e porquê. Gostava de um autor português, um homem relativamente novo (já me esqueci do nome dele, não faz parte das minhas leituras), e um dia pediu-lhe um autógrafo e depois mandou-lhe alguns emails, aos quais ele respondeu e ela inchou de orgulho (e, provavelmente, algo mais). Tenho saudades dos postes de um metro da Mariah, às vezes mais que um por dia, quer fossem muito alegres quer menos alegres. A Mariah era maquilhadora, e às vezes punha dicas de maquilhagem no blogue e comprava livros sobre o assunto, e ainda indicava sites de maquilhadores (algo que eu nem sabia que existia). A Mariah contava os cêntimos, mas tinha uma vida cheia, andava sempre numa azáfama e fazia imensas coisas. E tinha sempre uma listinha dos livros e CDs que queria comprar logo que tivesse mais algum dinheiro. A Mariah era uma mulher humilde, mas cheia de força e persistência, que nunca se deixava atrapalhar, e com a coragem de perseguir os seus sonhos. A Mariah era brasileira. Provavelmente o seu nome verdadeiro é Maria, mas sei que ela gostava que lho pronunciassem à inglesa, com aquele ah aberto no fim, tudo porque era grande fã da Mariah Carey. Li tanta prosa da Mariah que nunca acreditei que um dia chegasse ao fim, mesmo quando o fim se anunciou. A Mariah deixou de escrever porque mudou de casa, de terra, de trabalho, de vida. E eu, que já tinha visto tantos bloggers anunciar fins e depois regressar à escrita, nunca me convenci que a Mariah, viciada na escrita, deixasse um espaço tão grande vazio para não mais regressar. Já passaram anos, e de vez em quando encontro uma Mariah pela blogosfera, e logo vou espiolhar-lhe o blogue na esperança vã de que seja a mesma Mariah a quem sinto a falta. Não é, nunca é.

08 junho 2009

coisas que eu não sabia hoje de manhã quando acordei

"you have bitchin' legs" é um elogio. Enorme.

(momento twitter)

E agora algo realmente importante

A minha bonequinha toma batidos de morango e banana comigo. A minha bonequinha vai às compras e entretém-se a andar nos carrinhos das lojas (aqueles para crianças não os das compras) enquanto o irmão joga playstation (por cá há umas lojas muito amigas das crianças). Quando a minha bonequinha vai à rua, sorri e diz olá a toda a gente - o que é um bocado estranho para os alemães que não sabem o que é "olá", mas ainda assim lhe sorriem de volta (que aprendam, só lhes faz bem ;)). A minha bonequinha só quer rua, embora diga "brrrua!", e tenta pôr os sapatos e vestir o casaco quando já não aguenta estar em casa nem mais um minuto. E vai buscar os nossos sapatos, e entrega-os ao dono. A minha bonequinha come de tudo, embora cuspa algumas coisas (poucas, tão poucas), e adora feijão como a mãe. A minha bonequinha gosta de experimentar roupa, e de abrir os armários e tirar tudo de lá para fora. A minha bonequinha já tem a sua primeira caixa de Legos mas, para já, só gosta de os desmontar. A minha bonequinha gosta de carros e de carrinhos, e consegue apontar o carro do papá a partir da janela de casa. E anda no carrinho de madeira dela pela casa toda, e nos carrinhos de plástico do biergarten como se estivesse numa pista de corridas. A minha bonequinha não anda, corre, e quando cai põe as mãos no chão e levanta-se outra vez. A minha bonequinha aponta para ela própria quando lhe perguntamos onde está, mas ainda não tem bem a certeza se a mamã é ela ou se sou eu. E sabe onde estão os pés dela, embora lhes chame "pá". A minha bonequinha adora o irmão grande, que lhe ensina malandrices e brinca com ela, e faz tantas coisas que ela também gostava de fazer. E joga à bola com ele. A minha bonequinha entende tudo o que lhe dizemos, e sabe muito bem o que quer e o que não quer. Embora não diga que sim (só abana a cabeça a fazer que sim), quando não quer algo sai-se com um claro "nã, nã". Sempre duas vezes, para ninguém ter dúvidas. A minha bonequinha gosta de brincar com papel e lápis. Ou canetas. Faz uns riscos que podiam ser expostos no museu de arte contemporânea. ;) A minha bonequinha sabe a diferença entre animais e seres humanos. Mas chama a todos os animais "wuf wuf". A minha bonequinha gosta de ver vídeos no youtube. De animais ou de músicas infantis. E de animais e músicas infantis.
A minha bonequinha é muito feliz e traz sempre na cara um grande sorriso. E nós somos felizes com ela.

(100%-62.97%)*31.69%

=11.73%

Mas que grande vitória. Menos de 1 em 8 eleitores votaram nos vencedores. Uma imensa maioria. Já era tempo de os votos brancos, nulos e abstenção significarem, na prática, alguma coisa. Principalmente quando a abstenção é grande a vencedora. Uma maioria absoluta invejável. (Por cá também ganhou a abstenção, outra maioria absoluta.)

(percentagens actuais no momento de escrita do post, com 4259 Freguesias apuradas (de 4260) – 34 Consulados apurados (de 71))

E em Portugal, não há?

O partido pirata sueco elegeu um deputado para o Parlamento Europeu (link). Ora aí está um partido em que eu gostava de ter votado.

04 junho 2009

A caixa

Há uns dias, estava sem nada que fazer, e lembrei-me de guardar os sapatos de bebé que já não servem à minha bonequinha. E para guardar algo tao especial nao podia fazê-lo de qualquer maneira. Aproveitei uma caixa de sapatos vazia, segui as instruções deste site e após muita medição, corte e colagem, voilá, a caixa. Ficou gira, mas deu mais trabalho do que o que vale. Provavelmente a não repetir.

Anis

Ontem à noite cheirei uma garrafa de um licor parecido com anis. Uma e outra vez. E mais um "passa para cá para mais uma snifadela" (beber não). Cheirava a rebuçados. Cheirava à minha infância.

02 junho 2009

Too Busy

Ia começar a queixar-me de que ninguém escreve (ou que a maioria dos bloggers do meu feed andam calados) mas depois lembrei-me que tenho feito o mesmo. Não é que não tenha assunto. Tenho coisas que me andam a moer a cabeça (mas só quando tenho uns minutos em branco), como a história das amigas que não são amigas embora por vezes me possam confundir, coisas curiosas como a incrível sorte do meu rapaz, o distraído-mor, algumas coisas que me andam a atrapalhar a vida, mas só até certo ponto porque mais eu não deixo, e outras coisas que me andam a entusiasmar muito. Entretanto arranjei um hobby novo - chamam-lhe digital scrapbooking, é coisa de dona de casa desocupada (pelo menos parece, a ver pela quantidade do perfis com "stay at home mum") e já me pôs a fazer coisas com o photoshop que nem sabia que se podiam fazer ou que, sabendo da sua possibilidade, não sabia como se podiam fazer - que me ocupa horas e me tira algum do tempo que normalmente deixaria para o blogue. De modos que, com poucas palavras não se contam grandes histórias, e portanto tenho-me ficado por aqui - pelo lado de cá do ecrãn. Entretanto terminei o projecto "forrar uma caixa de sapatos com papel de embrulho grosso e giro do IKEA por dentro e por fora" (sim, ficou muito giro, mas deu demasiado trabalho, devem ter sido umas 4 horas no total a medir, cortar, colar, ajeitar, esperar que seque...) e comecei a magicar o projecto "fazer um livro para a bebé mais linda". Sendo que o problema de fazer livros para bebés se fique pelo material a usar, uma vez que a miúda tem uma certa habilidade para rasgar papel. O conteúdo? Animais. A ver se ela deixa de chamar "cão" a dinossauros, gatos, patos, pássaros...

28 maio 2009

O meu livro de cozinha

(Isto podia dar início a outro blogue.)
De há uns anos para cá que, de vez em quando, encontro umas receitas na net. Umas vezes porque preciso desesperadamente de uma receita de bolo de abóbora e nozes (um bocadinho pesado, mas bom, um bolo de outono) ou uns rissóis de carne especiais (que na verdade ficam com ar de empadas, mas são muito bons), ou ainda porque estou com desejos de comer bolachinhas (estas são deliciosas e não dão demasiado trabalho, como todas as outras que encontrei e experimentei).
Outras vezes encontro-as por acaso, como estes barquinhos de amêndoa (no meu caso saem queques de amêndoa por não ter formas pequenas rectangulares) ou estas queijadas de iogurte (fiz a primeira dose com iogurte natural, e gostei tanto que logo a seguir fiz outra com iogurte de côco, levei tudo o que sobrou para o trabalho e desapareceram num instante entre mmms de satisfação), ou ainda este pato com laranja e gengibre que tive que experimentar e estava delicioso.
E isto são apenas alguns exemplos. Claro que também tenho diversos livros de receitas, mas como cheguei à conclusão de que, por melhor que seja o livro, nunca faço mais do que meia dúzia de receitas de cada um (nem tanto, na maioria dos casos), o meu livro de cozinha favorito é mesmo este que se encontra à vossa frente. Teclado, écran, ligação à net sem fios, computador a arriscar-se a ficar com dedadas gordurosas enquanto experimento mais qualquer coisa. E a surpresa é que quase todas as receitas que encontro nestas navegações quase ao acaso são muito boas. Mais pitada de sal ou pimenta, menos pitada de açúcar, encontro coisas fabulosas que consigo facilmente "melhorar" para melhor se adaptarem ao meu gosto. Não sou, de todo, cozinheira. Mas quando me dá vontade de comer alguma coisa, faço-o com todo o prazer. E estas experiências dão-lhe um toque especial que torna as comidas ainda mais saborosas.

27 maio 2009

Citações na parede

"Think back. Really far. Ten years ago." (Seth Godin)

(Se calhar já postei isto, mas não tem importância. É por isso que está na parede, para ir relembrando.)

26 maio 2009

História de uma flor

Ou "a flor mais grande do mundo". (Mais grande não, maior, diria a minha mãe. E agora eu. Mais grande não, maior.) História de José Saramago, em plasticina, com a voz do próprio, que me fez recordar o quanto gosto de histórias para miúdos, que são as melhores. O vídeo tem cerca de 10 minutos.

via O Caderno de Saramago

As séries da minha vida

Desafiada pelo sniper, aqui fica a minha resposta

Eu tenho séries da minha vida? Deixa cá ver...

Os Simpsons - gostava de ver quando era miúda, depois arranjei um mais que tudo que também gosta, e um filho-mai-lindo que se viciou. O que quer dizer que já transpiro Simpsons mesmo sem querer. (Ah-ah, diria o meu miúdo, na sua imitação do Nelson, e que entretanto começa a também ser imitado pela bebé lá de casa. Sim, os Simpsons são assim importantes)

Lost - Odeio estes gajos. Episódio atrás de episódio deixam uma pessoa agarrada ao televisor, à espera do que virá a seguir. É daquelas séries que preferia ter visto apenas no fim, tudo de enfiada, uma semana inteirinha colada ao sofá, de olhos fixos na caixa mágica.

Sex and the City - para meninas crescidas. Tive a sorte de só lhe achar alguma graça quando já tinha sido tudo transmitido 10 vezes. Depois de ver o mesmo episódio duas vezes, e esperar religiosmente pelos seguintes no canal dois ao sábado à noite, fartei-me e comprei a colecção numa caixinha de sapatos. E depois vi os episódios todos em tempo record.

'allo 'allo - "listen very carefully, i shall say this only once", "a voman of the opposite sex" "you stupid woman" são frases que não se esquecem. E o quadro "the fallen madonna with the big boobies" também não.

league of gentleman - primeiro estranha-se, depois estranha-se ainda mais, e finalmente, entranha-se. "this is a local shop for local people, we don't want strangers here". Um humor... peculiar

Fawlty Towers - já nem sei porque é que gostava tanto disto. Provavelmente por causa do Basil, o estalajadeiro rude. Tenho que rever.

E claro, as séries da minha infância:

Dartacão e os três moscãoteiros
As fábulas da floresta verde
os filmes de cowboys e índios (não é bem uma série, mas não importa)
o KITT
Alf - extra terrestre minorca com sete estômagos mais engraçado dos anos 80
Vickie, a menina robot
A menina da família (disto só me lembro dos totós da miúda, que eu também tinha que ter. Com 8 anos podem-se fazer totós à vontade.)
Rui, o pequeno Cid; Bel e Sebastião; Freddy

E ainda...
Sherlock Holmes
Miss Marple
Crime disse ela
E tudo o que fosse série de advogados e crimes.

E já que quebrei a primeira regra (era suposto responder com 15 séries) vou quebrar a última: quem quiser continuar a corrente esteja à vontade, quem não quiser que vá ver o House (ora aí está outra boa série). Ou outra coisa qualquer.

19 maio 2009

O lixo de um homem é o tesouro de outro

No caso, o lixo da creche pode ser o tesouro da minha coisinha mais fofa.
Há uns tempos compraram uma cadeira de baloiço para crianças pequenas. Coisa barata, dizem as educadoras, e eu acredito, até porque nunca tinha visto uma coisa daquelas. A minha miúda adorou a cadeira. Volta e meia sentava-se nela e "dava umas voltas", que é como quem diz umas baloiçadelas. E zangava-se se a obrigavam a sair de lá. Até que um dia... a cadeira rebentou. Uma das peças (pelo menos) estava a desfazer-se por dentro, a esfarelar. As educadoras mencionaram o facto ao meu mais que tudo, que, com pena de a nossa mafarrica perder o seu brinquedo favorito daquela parte do dia se voluntariou para a arranjar. Sim, que ele tem muito jeito para carpintaria, e não só, e além disso é bom rapaz e gosta fazer as pessoas felizes. Lá trouxe a cadeirinha, viu que a peça que se estava a desfazer precisava de ser reforçada, comprou uma outra peça para o reforço - uma espécie de cilindro estreito e comprido, do qual cortou uma pequena parte - furou a parte estragada, meteu lá a peça nova, aparafusou a cadeira em tudo quanto era junta, só para ter a certeza que não dava de si outra vez e algum dos miúdos se magoava, e devolveu à proveniência.
Passaram algumas semanas, se tanto, e a cadeira teve um acidente. Caiu de uma mesa. E os miúdos não tiveram nada a ver com isso. Um adulto pôs a cadeira em cima da mesa para poder limpar o chão, deu uma cotovelada na cadeira, que caiu, e partiu uma perna. A cadeira, não o adulto, nem a mesa. A educadora, frustrada com a cadeira que já pela segunda vez não mostrava ter a resistência necessária para sobreviver numa creche, achou por bem deitá-la fora. Quando soubemos da história entrámos em pânico. Bem, nem tanto. Mas tentamos logo saber se a cadeira já tinha ido desta para melhor ou se por acaso ainda havia hipótese de salvação. Felizmente ainda fomos a tempo. Mais uma reparação (mas desta não sei os pormenores, não prestei atenção) e a cadeira está como nova. E nós temos uma menina feliz, que não só se baloiça como arrasta a cadeira à frente dela pela casa toda. Whatever makes her happy. Nós também estamos contentes. E a cadeira, aposto que, se pudesse, agradecia ter-lhe saído a sorte grande.


(Quanto à foto: já experimentaram o FotoFlexer? É genial, não me canso de o dizer.)

16 maio 2009

Estão a gozar...

Será que eu sou a única antiquada que compra CDs? Cenário: amazon.uk. A dar a volta às promoções, que já sei que os novos são estupidamente caros e mais tarde ou mais cedo o preço baixa. E depois, reparo nos preços dos downloads em MP3 (possivelmente com DRM que é para tornar a coisa quase inútil). Mas como é possível que o preço do download seja o mesmo do CD físico?! Ou, em certos casos, mais caro? E correndo o risco que um dia um vírus se instale no PC e mande tudo à vida?
A sério, enquanto não houver assinaturas ilimitadas, recuso-me a pagar por downloads de música. Mil vezes encher os gavetões dos móveis do IKEA com CDs. E as estantes. E as mesinhas de cabeceira.

15 maio 2009

Tanta imaginação...

"My Family" era uma das minhas séries preferidas da BBC. Vi-a não sei quantas vezes, algumas repetidas, e não me cansava. No Canal 2, e na BBC. Ou na SIC Comédia/Gold, já não tenho bem a certeza. E agora, alguns anos depois, a RTP gasta dinheiro para a copiar indecentemente. É que até os diálogos me parecem exactamente os mesmos. Algumas expressões traduzidas à letra soam estranhas. Será que os risos enlatados também são os mesmos?
Podiam ter feito uma coisa nova. Deviam ter feito uma coisa nova. Mesmo que fosse má, seria melhor que esta cópia coladíssima ao original. Ainda para mais, não devo ser a única a estar mais que farta que os programas sejam repetidos milhentas vezes. O que é que virá a seguir? Uma Liga de Cavalheiros?

14 maio 2009

Dois satélites, o mundo inteiro a olhar

Há mãos portuguesa a mandar satélites para o espaço. A minha irmã contribui com duas dessas mãos (e um cérebro genial). Sim, eu sei que para uma coisa destas se fazer é precisa muita gente, e qualquer pessoa envolvida é uma pecinha infinitesimal no processo. Mas mesmo assim, estou aqui a rebentar de orgulho. O Herschel e o Planck são lançados às 15h12 (14h12GMT), do outro lado do mundo. E com imensa gente a trabalhar neste lançamento espalhada pelo planeta. Mana, és a maior.

Votar ou não votar

Estou aqui num impasse. Votar ou não votar. Votar nos partidos portugueses ou votar nos partidos alemães. Votar nuns gajos em quem não acredito, ou votar noutros que não conheço, a não ser dos cartazes (alguns bem convincentes). Tenho poucas horas para decidir.
As senhoras dos consulados não ajudaram muito. Esclareceram umas coisas, mas baralharam outras. A do consulado de Estugarda nem me soube dizer se poderia votar em Munique ou se teria que me deslocar a Estugarda para exercer o meu direito de voto. Dream on. Fazer 400km para votar? Só podem estar no gozo.
Ainda tenho umas horas para me decidir a votar nos partidos alemães, convenientemente à porta de casa, isto se eles me deixarem (custa-me a acreditar que basta preencher o formulário, ainda para mais quando me perguntam quando é que dei baixa no meu local de voto, coisa que nem sei se se pode fazer). Ou então a não votar, porque para isso é preciso inscrever-me no consulado, e isso só em Estugarda (boa piada) ou em Munique uma vez por mês, não sei em que dia, e depois há os prazos e as esperas, e mais sabe-se lá o quê.
Eu até gostei de votar, enquanto vivia em Portugal. Hoje em dia parece-me um exercício demasiado trabalhoso, a não ser para as eleições locais e os referendos (engraçadíssimos). Mas depois pergunto-me, para quê? Quando me lembro que nas duas últimas eleições nacionais, os candidatos a primeiro-ministro prometeram ambos não aumentar os impostos e imediatamente a seguir a serem eleitos os aumentaram, começo a sonhar com um candidato que prometa aumentar os impostos, aumentar o desemprego e diminuir o salário mínimo nacional, na esperança que ele faça o contrário. Em relação aos políticos alemães, não sigo muito o que se passa, mas tenho alguns vislumbres de que não devem ser muito melhores... Pois há uns tempos tivemos um referendo engraçado perto do sítio onde eu moro (mas longe demais para eu me poder pronunciar). Perguntava-se qual o nome que se devia dar a uma certa praça/zona da cidade aos residentes dessa área (suponho que fosse escolha múltipla, ou pergunta "isto ou aquilo"). O certo é que os eleitores escolheram um nome, mas os políticos, depois do referendo, rejeitaram-no, dizendo que não se adequava. Se não queriam saber, para que é que perguntaram?
E por coisas assim parecidas, pela primeira vez, questiono-me se realmente valerá a pena o esforço que implica votar. (Para mim, nas minhas circunstâncias. De maneira nenhuma porei em causa a utilidade do voto do povo, que não gosto de ditaduras nem de monarquias.)

PS- O meu colega do lado é sueco e não tem estes dilemas. Pode votar à distância, por voto electrónico. Que inveja.

13 maio 2009

A coisa mais difícil de ter um bebé em casa é continuar a ter momentos a dois. Sair juntos, ir para a borga, ir a uma simples festa. Isto porque a família mora longe, e porque não confiamos a bebé a qualquer um ;). Pois, ela até passa o dia na creche e tal, mas não é a mesma coisa que deixá-la de noite, a dormir, com alguém que ela não conhece bem a tomar conta. 15 meses depois, já tivemos uma ou outra noite (poucas, tão poucas) em que deixamos a miúda ao cuidado dos avós, uma ou outra tarde em que fomos passear e ela ficou com a família. Mas estes momentos são raros, e como tal, preciosos. Apesar de eu nem ser fã de cinema nem de grandes saídas, confesso que tenho saudades de "ir à rua" mais vezes, de ter paz e sossego durante largas horas, não ter que fazer nada por um tempo considerável. E porque estas coisas da falta de nós próprios têm um preço muito alto, procuro as pequenas oportunidades de escapar com o meu mais que tudo para durante umas horas nos lembrarmos como é que é quando estamos só os dois. É que esta vida é muito comprida, e daqui a uns anos, quando os putos forem à deles, convinha que ainda quiséssemos viver um com o outro.

09 maio 2009

Sabemos que chegou a primavera...

...quando vemos um homem velhote bávaro a andar de bicicleta. A equilibrar uma barriga proeminente. Em tronco nu. De calções de nylon curtos. E nem me deu tempo de sacar da máquina fotográfica.

Sabes que tens CDs a mais...

Dou por mim à procura de músicas no Youtube, e depois a confirmar que as tenho no disco rígido, porque comprei o CD e depois guardei a cópia digital para ouvir no carro. Os CDs do carro vão-se estragando, eu nunca os substituo, e um dia quero a ouvir a tal música e nem me lembro de procurar na minha colecção.

(Andava à procura disto. E depois lembrei-me que tenho que por no carro os def leppard, que são dos meus preferidos para conduzir. Eles e os greenday.)

Limpeza de Primavera

Aí está uma coisa que eu gostava de conseguir fazer. Dar a volta à casa toda, de uma ponta à outra, deitar fora o que já não serve ou está estragado, reciclar, e, porque não, limpar tudinho. O problema é que eu sou uma mulher de pormenores. Encontro uma coisa qualquer que já não via há anos e ponho-me a pensar. Será que nunca vou sentir a falta disto? Um dia destes se calhar dá-me jeito, como na ocasião X há anos e anos atrás - que, apesar de ter sido a única situação em que utilizei o tal objecto, ficou para sempre gravado na minha memória, e, como tal, torna-me agora impossível de me apartar de tal bem, que em certa altura foi essencial.
Não sendo capaz de atacar o todo, vou por partes, muito espaçadas no tempo, que há que definir prioridades e a arrumação não é uma delas. Decidi atacar as gavetas da roupa interior. O critério? Imagino que um dia, por algum motivo, tenho que ser internada de urgência no hospital. Nada de grave, mas os médicos querem que fique uma noite para observação. O meu mais que tudo tem que me fazer uma mala com os essenciais. Tudo o que eu não gostaria que ele trouxesse vai fora.

05 maio 2009

Missão impossível

Aperfeiçoar o pudim da minha mãe. Para começar, nem forma tenho...

Não é justo

Uma data de vestidos lindos (na city22, para quem mora cá) e nem uma hipótese de os usar, a não ser no provador. Deixei todos na loja, para grande pena minha. Pode-se ir trabalhar como quem tem um casamento a seguir?

04 maio 2009

Coisas boas

Hoje deu-me para a culinária doçaria. No blogue de uma amiga falava-se de tiramisu de morango, e eu fiquei com água na boca. Encontrei este, fi-lo, e já comi um bocado, mesmo sem esperar as três horas de frigorífico que a receita pede. A lambarice e a impaciência são muito amigas.

(Sim, está muito bom e recomenda-se. Provavelmente irá parar à mesa na próxima festa para a qual eu tiver que fazer alguma coisa.)

(Já agora, uns pistácios partidos devem ficar lá muito bem...)

Coisas que gostava de gostar...

... Espargos. Todos os anos chegam para me torturar. Verdes ou brancos, com ar fresquinho e saudável, a gritarem alto e bom som "come-me". Quase todos os anos lhes dou uma hipótese, e sempre me arrependo. Por outro lado, os espargos anunciam a vinda da época dos morangos. E isso, para mim, já vale a pena.