era menina para me baldar ao trabalho (leia-se tirar um dia de férias) e ir apanhar sol para um parque ou à beira rio, na horizontal que é a minha posição preferida.
Como não sou muito amiga do frio, vou mas é trabalhar. (mas o que eu queria mesmo era passar as próximas 8 horas nas Caraíbas. para quando o teletransporte?)
26 janeiro 2009
22 janeiro 2009
Frase do dia
Ouvida por aí.
"o meu sonho é ver o meu chefe transferido para uma unidade em que o seu trabalho seja testar os altifalantes das emergências"
"o meu sonho é ver o meu chefe transferido para uma unidade em que o seu trabalho seja testar os altifalantes das emergências"
21 janeiro 2009
Hot Hot Hot
...é a única coisa que me vem à cabeça quando vejo o Obama. Ah, fala bem e tal, é presidente e mais não sei quê, anda a pôr o mundo doido (no bom sentido), mas na verdade o homem é giro que eu sei lá e pronto, não há mais nada a fazer a dizer ou a pensar. O resto, o que realmente importa, já foi escrito, reescrito, dito, repetido até à exaustão. Ilusões, desilusões, que é que isso interessa, este é, provavelmente, o presidente mais sexy do mundo. E vai aparecer mais vezes nas televisões que qualquer Brad Pit ou George Clooney. Não estamos nada mal, não.
Pelos caminhos...
Quando eu era pequena, muito pequena mesmo, devia ter bem menos de 6 anos, ia a Chaves frequentemente. Os meus pais tinham lá que fazer, e não tendo com quem deixar as filhas, lá íamos por arrasto. Lembro-me de poucas coisas. De brincar com um disco de plástico verde com uma ranhura do lado, onde enfiava uma palheta também verde que impulsionava o disco a voar. De fazer contas e mais contas na calculadora do meu pai, aquela à qual ele nunca mudou a pilha, em tantos anos com que brinquei com ela. De brincar com balões e rebentar alguns numa lâmpada. De esperar no carro enquanto o meu pai ia comprar cavacas, e o polícia a mandar vir porque ali não se podia estacionar. E dos rebuçados noivos, que por algum motivo só mos davam ali.
Este Natal, apeteceu-me ir a Chaves. Já não ia lá há muito muito tempo, mais de 20 anos, com toda a certeza, e não me lembrava de nada. Provavelmente o tempo invernoso, a forte geada e nevoeiro, não ajudaram a relembrar nenhum pormenor. Em tantos anos, também é muito provável que tudo tenha mudado muito. E em tudo o que vi neste passeio, só uma coisa me chamou a atenção, ainda lá estava, igualzinha, tão invulgar como sempre deve ter sido, um ponto de referência privado mas acessível à vista de toda a gente que ali passa. Não, não era uma igreja, uma capela, ou um monumento, uma estátua, uma rotunda, nem um semáforo. É a avioneta presa a um poste que desde sempre fez parte do jardim de uma casa, mesmo ao chegar a Chaves. A indicação de que se está mesmo quase a chegar ao destino. O momento a partir do qual podíamos sossegar, já não faltava quase nada. O elemento agora que faz a ligação entre o passado e o presente.
Este Natal, apeteceu-me ir a Chaves. Já não ia lá há muito muito tempo, mais de 20 anos, com toda a certeza, e não me lembrava de nada. Provavelmente o tempo invernoso, a forte geada e nevoeiro, não ajudaram a relembrar nenhum pormenor. Em tantos anos, também é muito provável que tudo tenha mudado muito. E em tudo o que vi neste passeio, só uma coisa me chamou a atenção, ainda lá estava, igualzinha, tão invulgar como sempre deve ter sido, um ponto de referência privado mas acessível à vista de toda a gente que ali passa. Não, não era uma igreja, uma capela, ou um monumento, uma estátua, uma rotunda, nem um semáforo. É a avioneta presa a um poste que desde sempre fez parte do jardim de uma casa, mesmo ao chegar a Chaves. A indicação de que se está mesmo quase a chegar ao destino. O momento a partir do qual podíamos sossegar, já não faltava quase nada. O elemento agora que faz a ligação entre o passado e o presente.
20 janeiro 2009
Não costumo passear por estas paragens, mas este blogue está cheio de gajos bons... e outras paisagens naturais.
19 janeiro 2009
what are you doing?
Pergunta-me o twitter na página principal. Fácil, estou a olhar para um écran de computador, e a pensar nas mensagens de 140 caracteres que valerá a pena mandar. SMSs para a web, para quem as quiser receber, é o que me parece ser. E que não tenciono mandar do telemóvel, que isto de vícios a pagantes não é comigo. (há excepções, sim, mas esta é a regra)
Faz-me lembrar, e muito, os telemóveis. A gente telefona e pergunta logo "onde estás?", e quando por vezes telefona para um número fixo pergunta na mesma "onde estás? Em casa pá, é onde costuma estar o telefone fixo."
O que é que estou a fazer... a teclar. A debitar letras, a aquecer a barriga no netbook, a pensar na morte da bezerra.
Que é que isto interessa. A quem é que isto interessa. Não sei. Nem a mim me interessa o que é que eu estou a fazer. Mas enquanto não me farto, dou-lhe o benefício da dúvida.
Faz-me lembrar, e muito, os telemóveis. A gente telefona e pergunta logo "onde estás?", e quando por vezes telefona para um número fixo pergunta na mesma "onde estás? Em casa pá, é onde costuma estar o telefone fixo."
O que é que estou a fazer... a teclar. A debitar letras, a aquecer a barriga no netbook, a pensar na morte da bezerra.
Que é que isto interessa. A quem é que isto interessa. Não sei. Nem a mim me interessa o que é que eu estou a fazer. Mas enquanto não me farto, dou-lhe o benefício da dúvida.
E pronto. Agora também estou no twitter. Podia dizer-lhes para procurarem em "snowgaze", mas o Find People não está a funcionar. De modo que todo este hype me parece inútil.
18 janeiro 2009
Não gosto muito de redes sociais que funcionam sobre a internet. Soa-me mal, é-me estranho, não me vejo a meter-me em coisas dessas. Recusei imensos convites para o Hi5, Facebook, e outras redes cujos nomes já nem me lembro. Custa-me oferecer de mão beijada os meus dados pessoais e expôr-me a todo o tipo de SPAM. E depois lembro-me dos blogues. Dos chats. Dos MIRCS. Do MOO. Qual é a diferença?
Dei os meus dados SPAMmer unfriendly (nome falso, mail que se livra do SPAM) ao twitter, e logo me arrependi. Estava-me a meter naquilo só para ver como andava a Rita Maria. E logo tinha que tentar entrar nele quando o "Find People" não está a funcionar. Estas coisas fazem-me sentir estúpida. Pior, enganada. Raisparta. Rita Maria, como é que vão essas mudanças?
Dei os meus dados SPAMmer unfriendly (nome falso, mail que se livra do SPAM) ao twitter, e logo me arrependi. Estava-me a meter naquilo só para ver como andava a Rita Maria. E logo tinha que tentar entrar nele quando o "Find People" não está a funcionar. Estas coisas fazem-me sentir estúpida. Pior, enganada. Raisparta. Rita Maria, como é que vão essas mudanças?
15 janeiro 2009
13 janeiro 2009
Paredes em branco
Estive mesmo vai não vai para comprar uma reprodução de um quadro de Van Gogh (o starry night). Gosto do original, e pensei, já que não posso tê-lo, porque não uma cópia. Não um poster, mas uma reprodução feita por outro artista. A ideia não era má. O problema é que devo ter visto demasiados filmes. É que nos filmes, as reproduções são sempre perfeitas, quase indistinguíveis dos originais. Na realidade, as reproduções que encontrei no ebay, tanto deste quadro como de outros de artistas menores (enquanto comparados com Van Gogh) são muito fraquinhas. Mesmo para mim, que não percebo nada de pintura, as diferenças entre os originais e as cópias são enormes. Não haverá por aí algum génio das reproduções que venda uns quadros a preços acessíveis?
12 janeiro 2009
11 meses
2 dentes a espreitar, que ainda não tinha antes do Natal. Estranhamente, são os incisivos superiores, mas não os dois da frente, os dos lados. Quando crescerem mais um bocadinho, se não lhe vierem mais dentes entretanto, vai parecer o drácula. Pelo que já tenho ideia para a máscara de carnaval.
dá 3 passos e depois cai sentadinha. Gatinha a alta velocidade, põe-se de pé, dá voltas à casa agarrada aos móveis, e passeia cadeiras. Um mimo.
ainda tem pouquinho cabelo
olhos cor-de-burro-quando-foge
muito sorrisos de orelha a orelha, o dia inteiro
todas as noites muito bem dormidas
nenhuma doença digna de nota, apesar de nos ter pegado algumas. Andámos bem pior que ela, os três a disputar um lugar na única casa de banho cá de casa.
2 palavras: "olá" e "dá", bem ditos, e com intenção
"diz" adeus
adora comer, principalmente da nossa comida. Não é nada esquisita, mas suponho que com a idade lhe passe.
encosta a cabecinha a nós para fazer miminhos. É um amor de bebé.
dá 3 passos e depois cai sentadinha. Gatinha a alta velocidade, põe-se de pé, dá voltas à casa agarrada aos móveis, e passeia cadeiras. Um mimo.
ainda tem pouquinho cabelo
olhos cor-de-burro-quando-foge
muito sorrisos de orelha a orelha, o dia inteiro
todas as noites muito bem dormidas
nenhuma doença digna de nota, apesar de nos ter pegado algumas. Andámos bem pior que ela, os três a disputar um lugar na única casa de banho cá de casa.
2 palavras: "olá" e "dá", bem ditos, e com intenção
"diz" adeus
adora comer, principalmente da nossa comida. Não é nada esquisita, mas suponho que com a idade lhe passe.
encosta a cabecinha a nós para fazer miminhos. É um amor de bebé.
11 janeiro 2009
Ai o tempo e tal...
Pensava que era só no verão, por causa da falta de notícias, que os "jornalistas" se dedicavam à mais nobre das reportagens: a reportagem sobre o tempo. Afinal enganei-me. É que se há tema que nunca se esgota, é mesmo este.
Ontem à noite vi 7 minutos de um telejornal qualquer. Aqui se vê logo o meu erro, como é que isto foi acontecer, eu que nunca vejo as notícias, como é que que fui parar a um telejornal e não mudei logo de canal. Enfim, às vezes uma pessoa tem a televisão ligada e nem se apercebe do que está a acontecer lá dentro. 7 minutos completamente dedicados ao tempo. Talvez mais, depois mudei de canal. Parece que nevou em Portugal. Em sítios tão impressionantes como o Marão e outras serras, nevou. Aliás, é tão fora do comum, nem sei como é que no distrito de Vila Real existem 6 limpa neves. Os velhotes das zonas das montanhas foram entrevistados. Ah, e tal, está frio. Pois, há canalizações que gelam, e algumas até podem rebentar, mas isso, meus caros acontece todos os anos. A sério. E ninguém, para lá do Marão, se veste como se fosse "para a neve". Depois de Outubro, vejam lá, vêem-se as pessoas a respirar. Sabem o que isso quer dizer?
Quando eu andava na escola :) a neve era um acontecimento. Se nevasse bastante, e como não havia limpa neves, era provável que não houvesse aulas. O frio só, não bastava. Mas lembro-me perfeitamente de ir a pé para a escola, e patinar nuns terrenos alagados que o frio tinha gelado, de botas e tudo. De me entreter a escavacar poças de água congeladas. De a minha mãe tirar o gelo do pára-brisas com água morna. (se estivesse frio mesmo a sério, como em Munique, isso não seria possível) todas as manhãs, em todos os invernos. De enfiarmos gelo pelas camisolas adentro uns aos outros, no intervalo.
Se calhar até esteve um bocado de frio. É natural, é Inverno. Agasalhem-se melhor. Por aqui ouço sempre dizer que não há mau tempo, só roupa inadequada.
Mas agora a sério... em Novembro passei um fim de semana em Lisboa. Uma manhã acordei com uma locutora de rádio a dizer que estava frio. Saí à rua e estavam 18 graus e sol. Eu usava uma t-shirt e casaco. Os locais, andavam de camisa, camisola de lã e casaco.
E depois, isto dos alertas, é ridículo. Se as temperaturas descem abaixo dos 15 graus já aí vem um alerta amarelo. Se sobem acima dos 20, alerta amarelo. Se chove, alerta amarelo. Se chove um bocadinho mais, há logo inundações e alerta laranja. Gente, é só o tempo. É normal que no Inverno faça frio, é normal que chova, é normal que no Verão faça calor e haja alguns incêndios. Se vão começar a usar alertas em situações normais, vão ficar sem cores para as catástrofes.
Frio é um gajo ter que raspar o gelo do lado de dentro do carro. Respirar e sentir as vias respiratórias a enregelar, andar na rua e sentir os olhos a chorar, andar com a cara vermelha e a ponta do nariz como se fosse um cubo de gelo. E há bem pior que isto. Olhem os tipos a quem cortaram o gás que têm temperaturas bem mais baixas que esse país à beira-mar plantado. Em que alerta estarão? Ultra-vermelho?
Ontem à noite vi 7 minutos de um telejornal qualquer. Aqui se vê logo o meu erro, como é que isto foi acontecer, eu que nunca vejo as notícias, como é que que fui parar a um telejornal e não mudei logo de canal. Enfim, às vezes uma pessoa tem a televisão ligada e nem se apercebe do que está a acontecer lá dentro. 7 minutos completamente dedicados ao tempo. Talvez mais, depois mudei de canal. Parece que nevou em Portugal. Em sítios tão impressionantes como o Marão e outras serras, nevou. Aliás, é tão fora do comum, nem sei como é que no distrito de Vila Real existem 6 limpa neves. Os velhotes das zonas das montanhas foram entrevistados. Ah, e tal, está frio. Pois, há canalizações que gelam, e algumas até podem rebentar, mas isso, meus caros acontece todos os anos. A sério. E ninguém, para lá do Marão, se veste como se fosse "para a neve". Depois de Outubro, vejam lá, vêem-se as pessoas a respirar. Sabem o que isso quer dizer?
Quando eu andava na escola :) a neve era um acontecimento. Se nevasse bastante, e como não havia limpa neves, era provável que não houvesse aulas. O frio só, não bastava. Mas lembro-me perfeitamente de ir a pé para a escola, e patinar nuns terrenos alagados que o frio tinha gelado, de botas e tudo. De me entreter a escavacar poças de água congeladas. De a minha mãe tirar o gelo do pára-brisas com água morna. (se estivesse frio mesmo a sério, como em Munique, isso não seria possível) todas as manhãs, em todos os invernos. De enfiarmos gelo pelas camisolas adentro uns aos outros, no intervalo.
Se calhar até esteve um bocado de frio. É natural, é Inverno. Agasalhem-se melhor. Por aqui ouço sempre dizer que não há mau tempo, só roupa inadequada.
Mas agora a sério... em Novembro passei um fim de semana em Lisboa. Uma manhã acordei com uma locutora de rádio a dizer que estava frio. Saí à rua e estavam 18 graus e sol. Eu usava uma t-shirt e casaco. Os locais, andavam de camisa, camisola de lã e casaco.
E depois, isto dos alertas, é ridículo. Se as temperaturas descem abaixo dos 15 graus já aí vem um alerta amarelo. Se sobem acima dos 20, alerta amarelo. Se chove, alerta amarelo. Se chove um bocadinho mais, há logo inundações e alerta laranja. Gente, é só o tempo. É normal que no Inverno faça frio, é normal que chova, é normal que no Verão faça calor e haja alguns incêndios. Se vão começar a usar alertas em situações normais, vão ficar sem cores para as catástrofes.
Frio é um gajo ter que raspar o gelo do lado de dentro do carro. Respirar e sentir as vias respiratórias a enregelar, andar na rua e sentir os olhos a chorar, andar com a cara vermelha e a ponta do nariz como se fosse um cubo de gelo. E há bem pior que isto. Olhem os tipos a quem cortaram o gás que têm temperaturas bem mais baixas que esse país à beira-mar plantado. Em que alerta estarão? Ultra-vermelho?
10 janeiro 2009
Um gajo que percebe pouco de computadores, mas precisa de por uma cena a funcionar, e uma gaja que percebe de computadores, mas não do linguajar deles em alemão, dá o quê?
Um gajo e uma gaja agarrados aos computadores durante horas, ela a fazer pesquisas em inglês e a tentar decifrar o que é que aquilo daria num sistema operativo alemão, e ele, grande ajuda, a olhar. Mas no fundo, no fundo, só deu horas perdidas. É um bocado estranho ser a pessoa que percebe mais de computadores em casa. E, acima de tudo, chato. Estes bichos tendem a dar problemas (que mesmo que sejam simples dão sempre uma trabalheira até que se consiga descobrir o que fazer) e alguém tem que os resolver. Porque é que tinha de me calhar a mim?
Um gajo e uma gaja agarrados aos computadores durante horas, ela a fazer pesquisas em inglês e a tentar decifrar o que é que aquilo daria num sistema operativo alemão, e ele, grande ajuda, a olhar. Mas no fundo, no fundo, só deu horas perdidas. É um bocado estranho ser a pessoa que percebe mais de computadores em casa. E, acima de tudo, chato. Estes bichos tendem a dar problemas (que mesmo que sejam simples dão sempre uma trabalheira até que se consiga descobrir o que fazer) e alguém tem que os resolver. Porque é que tinha de me calhar a mim?
09 janeiro 2009
Como é que se chama mesmo?
Enquanto usava o meu netbook, cliquei num link qualquer que me abriu um programa de email. Ena, esta cena dá para mandar emails, pensei. E depois, claro que dá, não é nada de mais ter um programa de emails... se bem que isso deve ter um nome. E conclui que já uso o gmail há tantos anos que me esqueci que há programas que servem para ir buscar o email e guardá-lo no computador em vez de os deixar no servidor a criar pó e arquivados para um uso do tipo "anytime, anywhere". Quatro anos e pouco é muito tempo. Tempo suficiente para mudar a maneira como uma pessoa pensa e vive. Pelo menos em alguns aspectos.
07 janeiro 2009
Começa bem
Se é que há quem ainda não saiba, o Miguel Esteves Cardoso agora escreve crónicas no Público. Todos os dias, li por aí, até ao fim do ano. A de ontem está aqui (ou estará, por algum tempo, que o Público não é de fiar). Antes de saber disto, antes de se me acabarem as férias, fui repescar à minha estante na casa dos meus pais, que guarda os livros "da comunidade" lá de casa, "As minhas aventuras na República Portuguesa". Recomecei a leitura enquanto o resto da casa andava num rebuliço, e tive paz e sossego para apreciar dois capítulos antes de ter que me pôr a bulir também. Logo me deu uma coisa forte cá por dentro, puxa, este homem escreve coisas lindas, escreve prosa como quem escreve poesia, mas mais bonita ainda, e trouxe o livro comigo. As crónicas serão boas crónicas. Os livros foram bons livros. A entrevista que vi no Youtube há uns meses era fabulosa (ide procurá-a, ide). E isto, meus amigos, é um ano a começar bem.
[Adenda] A crónica de hoje também já lá está.
[Adenda] A crónica de hoje também já lá está.
06 janeiro 2009
Finalmente não estou enganada!
Como eu transitei directamente de 2007 para 2009 (deve haver para aí quem se recorde de há uns meses atrás eu ter atirado com coisas ao lixo porque expiravam em Fevereiro ou Março de 2009), não notei grande diferença na passagem de ano. Ah e tal, finalmente o mundo decidiu que eu tinha razão, era mesmo 2009. Ainda assim, e para variar, tomei uma resolução de ano "novo". A partir de agora vou deixar de fazer o que não gosto, pelo menos o que puder não fazer. A começar pelos brindes. Eu cá brindei ao ano novo com Compal. Champanhe, espumante, sekt, e outros que tais, não são para mim. Mil vezes água, sumo se o houver, que eu já não tenho idade para ceder às manias dos outros. As minhas manias é que são boas.
6 de Janeiro
Por aqui é feriado, mas já estou em casa, a sornar e a pôr as leituras em dias. Parece-me esquisito ver tanta gente no messenger a dizer que está a trabalhar, já tentei telefonar para casa de outras gentes que entretanto cumprem as oito horas diárias (ou mais, eu sei lá), e a neve que está lá fora não chega para cumprir a promessa de hoje irmos todos andar de trenó. Ela virá, que o Inverno ainda agora começou.
Dúvidas que me assolam: será que não é de mau tom enviar postais de natal electrónicos quase quinze dias depois da data? E porque é que o seria, afinal, o Natal é quando um homem quiser...
2007 foi um ano fantástico, 2008 foi fabuloso, e desconfio que 2009 não vai ficar atrás de nenhum deles. Pelo menos nas coisas que eu puder influenciar.
A todos que por aqui passam: que o vosso 2009 seja pelo menos tão bom como o meu vai ser (garanto, garanto).
O blogue prossegue como de costume, que uma pessoa habitua-se a isto e depois não quer outra coisa.
Dúvidas que me assolam: será que não é de mau tom enviar postais de natal electrónicos quase quinze dias depois da data? E porque é que o seria, afinal, o Natal é quando um homem quiser...
2007 foi um ano fantástico, 2008 foi fabuloso, e desconfio que 2009 não vai ficar atrás de nenhum deles. Pelo menos nas coisas que eu puder influenciar.
A todos que por aqui passam: que o vosso 2009 seja pelo menos tão bom como o meu vai ser (garanto, garanto).
O blogue prossegue como de costume, que uma pessoa habitua-se a isto e depois não quer outra coisa.
19 dezembro 2008
Boas festas
Então bom Natal, boas férias (para quem as tem), e até para o ano. Depois dos reis, cá estarei. Entretanto evitarei todo o contacto com a net. Até lá.
18 dezembro 2008
Da vida e da morte
A conversa continua :)
Não acho que o medo da morte seja irracional, pelo contrário, tenho-o como perfeitamente racional já que ninguém sabe o que está para lá da morte (assim com certeza mesmo, absoluta e incontestável) a não ser a morte em si. Parece-me mais irracional o medo da vida eterna (é isso a imortalidade, não é?), que é no fundo uma justificação para a morte (e portanto uma racionalização, e portanto racional, e já me contradisse numa só frase. Porreiro, pá). O medo do desconhecido é perfeitamente natural (e racional?).
Conheço muitos velhos que não se importavam nada de ficar cá para semente ;), vê-se-lhes nos olhos o medo de morrer, mesmo quando estão de perfeita saúde, e a pena que têm de ter que deixar este mundo.
Há uns dias ouvi um homem dizer que gostava de viver até aos 980 anos (mais coisa menos coisa, não me recordo precisamente do valor), porque, dizia, Noé também tinha vivido até essa idade. Quando ouvi aquilo, pensei, porque não 1000, já que estava tão perto? Outras pessoas dizem que gostavam de viver até aos 100, 150, 200 anos. É mais frequente ouvir alguém dizer que gostava de ir para além da esperança média de vida, do que o contrário. Porque será.
Havendo seja o que for (nada ou alguma coisa) depois de morrermos, gosto demais de cá andar para me fartar, e tenho pena de não poder viver (com alguma qualidade de vida, claro, que quando a saúde se acabar já a vida se me pode ter esgotado ainda que o coração possa ser forçado a continuar a bater). Por mais longa que fosse a minha vida, não me parece que me fosse cansar. Criando ou recriando, as possibilidades são infinitas. Quando achamos que descobrimos a partícula mais pequena ainda temos que descobrir do que é que ela é feita. Quando pensarmos que já sabemos os limites do universo, ficará por saber qual a grande caixa que contém essa caixa já enorme. E por mais tempo que aqui passássemos, é duvidoso que ficássemos a saber tudo. Digo eu. Penso eu. E fico à espera que me provem o contrário.
Não acho que o medo da morte seja irracional, pelo contrário, tenho-o como perfeitamente racional já que ninguém sabe o que está para lá da morte (assim com certeza mesmo, absoluta e incontestável) a não ser a morte em si. Parece-me mais irracional o medo da vida eterna (é isso a imortalidade, não é?), que é no fundo uma justificação para a morte (e portanto uma racionalização, e portanto racional, e já me contradisse numa só frase. Porreiro, pá). O medo do desconhecido é perfeitamente natural (e racional?).
Conheço muitos velhos que não se importavam nada de ficar cá para semente ;), vê-se-lhes nos olhos o medo de morrer, mesmo quando estão de perfeita saúde, e a pena que têm de ter que deixar este mundo.
Há uns dias ouvi um homem dizer que gostava de viver até aos 980 anos (mais coisa menos coisa, não me recordo precisamente do valor), porque, dizia, Noé também tinha vivido até essa idade. Quando ouvi aquilo, pensei, porque não 1000, já que estava tão perto? Outras pessoas dizem que gostavam de viver até aos 100, 150, 200 anos. É mais frequente ouvir alguém dizer que gostava de ir para além da esperança média de vida, do que o contrário. Porque será.
Havendo seja o que for (nada ou alguma coisa) depois de morrermos, gosto demais de cá andar para me fartar, e tenho pena de não poder viver (com alguma qualidade de vida, claro, que quando a saúde se acabar já a vida se me pode ter esgotado ainda que o coração possa ser forçado a continuar a bater). Por mais longa que fosse a minha vida, não me parece que me fosse cansar. Criando ou recriando, as possibilidades são infinitas. Quando achamos que descobrimos a partícula mais pequena ainda temos que descobrir do que é que ela é feita. Quando pensarmos que já sabemos os limites do universo, ficará por saber qual a grande caixa que contém essa caixa já enorme. E por mais tempo que aqui passássemos, é duvidoso que ficássemos a saber tudo. Digo eu. Penso eu. E fico à espera que me provem o contrário.
17 dezembro 2008
Já ganhei o dia
A senhora do café perguntou-me quantos anos tinha, se já andaria pelos 27. Digamos que já foi há algum tempo. Mas tendo em conta que acabei por comprar os Legos (só espero que a família não leia isto, para ver a cara deles quando perceberem que o pai Natal me trouxe uma prenda dessas) a minha idade mental ainda anda bem longe dos 27. Estou para aí com uns 7 anos portanto.
(Depois de brincar com a minha caixa de Legos vou guardar tudo muito bem arrumadinho, para a próxima criança. Seja ela a minha menina, ou outra qualquer. Prometo.)
(Depois de brincar com a minha caixa de Legos vou guardar tudo muito bem arrumadinho, para a próxima criança. Seja ela a minha menina, ou outra qualquer. Prometo.)
16 dezembro 2008
Do consumismo, e os meus problemas de consciência
Sou daquelas pessoas que nunca deita um papel ao chão nem que tenha que andar quilómetros com ele no bolso, e que recicla o lixo porque tem que ser, e porque deve ser, mas nem sequer sou particularmente sensível à mensagem "verde" porque tenho a sensação que me andam a esconder metade da história. E metade (pelo menos) da poluição. Irritam-me as iniciativas do género pague lá este saco igualzinho ao que na caixa ao lado é de borla (hipermercados continente), porque acho que há sítios bem mais importantes onde se devia actuar - como na embalagem excessiva das coisas. E não me parece que o princípio do utilizador-pagador ajude alguma coisa, porque desculpabiliza quem paga (se pago o que poluo, então não há razão para me incomodar com a minha poluição, pelo menos enquanto puder pagá-la). Irritam-me as campanhas com criancinhas (não só as da reciclagem, as outras também) e pessoal vestido de uma cor estranha (experimentem sair de casa vestidos de amarelo da cabeça aos pés).
Explicada a minha (in)sensibilidade aos assuntos verdes posso ir directa ao assunto. Este sítio-programa-vídeo. A história das coisas pôs-me a pensar em coisas mais importantes do que a reciclagem, o lixo e o desperdício. Para onde vai a tralha toda que compramos quando deixa de ter utilidade. O que se faz aos objectos que já ninguém quer (nós não queremos), mesmo que estejam em óptimas condições. Porque é que é supostamente proibido emprestar os DVDs que vimos uma vez e nos quais já não temos interesse. Porque é que não se emprestam livros, porque é que as bibliotecas estão vazias. Porque é que as coisas são cada vez mais baratas. Como é que há 10 anos comprava t-shirts por mil paus, e agora as posso comprar por cinco euros. Porque é que cedemos aos miúdos que querem tudo e mais alguma coisa. E porque é que nós próprios temos tralhas a mais. Porque é que não compramos mais em segunda mão, pedimos emprestado, emprestamos. E para quê?
Calhou mal ter visto isto na altura do Natal. Tirou-me um bocado da alegria que tinha em comprar as prendas para a família. E tirou-me o prazer de comprar coisas para mim. Agora (por agora?) não consigo fazer compras por impulso. Continuo a comprar certas coisas em segunda mão (os jogos electrónicos no ebay). Penso duas vezes antes de comprar coisas novas (são mesmo necessárias? posso arranjar em segunda mão?). E quero emprestar tudo o que tenho (mas também nunca tive problemas em emprestar). Não quero deixar um rasto de lixo. Mas também não quero deixar de viver a vida normalmente. Estou lixada.
(inspirado pela Luna)
Explicada a minha (in)sensibilidade aos assuntos verdes posso ir directa ao assunto. Este sítio-programa-vídeo. A história das coisas pôs-me a pensar em coisas mais importantes do que a reciclagem, o lixo e o desperdício. Para onde vai a tralha toda que compramos quando deixa de ter utilidade. O que se faz aos objectos que já ninguém quer (nós não queremos), mesmo que estejam em óptimas condições. Porque é que é supostamente proibido emprestar os DVDs que vimos uma vez e nos quais já não temos interesse. Porque é que não se emprestam livros, porque é que as bibliotecas estão vazias. Porque é que as coisas são cada vez mais baratas. Como é que há 10 anos comprava t-shirts por mil paus, e agora as posso comprar por cinco euros. Porque é que cedemos aos miúdos que querem tudo e mais alguma coisa. E porque é que nós próprios temos tralhas a mais. Porque é que não compramos mais em segunda mão, pedimos emprestado, emprestamos. E para quê?
Calhou mal ter visto isto na altura do Natal. Tirou-me um bocado da alegria que tinha em comprar as prendas para a família. E tirou-me o prazer de comprar coisas para mim. Agora (por agora?) não consigo fazer compras por impulso. Continuo a comprar certas coisas em segunda mão (os jogos electrónicos no ebay). Penso duas vezes antes de comprar coisas novas (são mesmo necessárias? posso arranjar em segunda mão?). E quero emprestar tudo o que tenho (mas também nunca tive problemas em emprestar). Não quero deixar um rasto de lixo. Mas também não quero deixar de viver a vida normalmente. Estou lixada.
(inspirado pela Luna)
15 dezembro 2008
Testando a sorte do rapaz
Estão a ver aqueles papelinhos das rifas de feira, aqueles bem enroladinhos? E se eu disser que passei várias horas a enrolar cerca de 125 com a ajuda de um palito? Quanto tempo é que um miúdo (ou graúdo) demorará a desenrolar um número de papelinhos suficiente para encontrar o único que lhe dá a informação que ele precisa? Muito, espero eu. 3 horas comigo a enrolar papelinhos (e a cortar, e a escrever mensagens parvas neles, e a carimbar desenhos noutros) têm que dar para entreter o miúdo por mais de 5 minutos. Até lá, vou fazendo figas.
Brincar às casinhas
A amazon devia deixar de me mandar mails. Às vezes até dá jeito, quando me vêm dizer que saiu mais um livro do meu autor favorito, ou um jogo novo dos que eu colecciono coleccionava (porque tempo para jogar não há), mas isto é demais. Só porque andei a ver Legos (que nem comprei), agora mandam-me avisos de que baixaram os preços, uma e outra vez, e agora têm daquelas casinhas que eu gosto com 30% de desconto e tudo. Não se faz, pá. O miúdo não liga a Legos, e a miúda é pequena demais, eu não tenho tempo nem desculpas para comprar uma caixa de Legos, pô-la debaixo da árvore e fazer de conta que não sei de nada e que realmente o pai Natal existe (neste caso, a mãe Natal, que eu ainda não mudei de sexo). Está mal. Ainda para mais tenho 3 dias para me tentar, porque eles entregam quase no dia seguinte (dois dias depois no máximo). Ando a resistir a uma destas casinhas giras, 3 em 1, milhões em 1 na realidade, há mais de um ano, quando as vi pela primeira vez na loja da Lego cá num centro comercial. Será que ainda me aguento?
13 dezembro 2008
Volta e meio deparo-me com coisas assim
"imagine life without death. everyday you would want to kill yourself"
mais aquela história da velha muito velha a quem já toda a família e amigos tinham morrido e que passava os dias a infernizar quem dela tratava, e continuava a vida miserável a que estava condenada a sobreviver a tudo e a todos
- e penso "tretas". Tretas de quem precisa de se resignar com a morte. Há para aí alguém que não tenha amigos mais novos? Que não chegue aos 30, 40, 50, 60, 70, e ainda encontre pessoas (até aí desconhecidas) no elevador a quem convidar para um café? A idade será mesmo determinante para definir os nossos amigos, as pessoas com quem convivemos, e quem nos estimula (intelectualmente e não só). Nem que eu viva 500 anos, e nem que vivesse para sempre, não me convencem que a imortalidade seria uma coisa má. Por mais que pareça que um dia hei-de esgotar o que tenho a dizer, a fazer, a ouvir, sei muito bem que isso não é verdade. Por mais comprida que fosse a vida, haveria sempre gente a criar coisas para as quais eu nunca teria tempo de experienciar. E só por isso posso dizer com certeza "tretas".
"imagine life without death. everyday you would want to kill yourself"
mais aquela história da velha muito velha a quem já toda a família e amigos tinham morrido e que passava os dias a infernizar quem dela tratava, e continuava a vida miserável a que estava condenada a sobreviver a tudo e a todos
- e penso "tretas". Tretas de quem precisa de se resignar com a morte. Há para aí alguém que não tenha amigos mais novos? Que não chegue aos 30, 40, 50, 60, 70, e ainda encontre pessoas (até aí desconhecidas) no elevador a quem convidar para um café? A idade será mesmo determinante para definir os nossos amigos, as pessoas com quem convivemos, e quem nos estimula (intelectualmente e não só). Nem que eu viva 500 anos, e nem que vivesse para sempre, não me convencem que a imortalidade seria uma coisa má. Por mais que pareça que um dia hei-de esgotar o que tenho a dizer, a fazer, a ouvir, sei muito bem que isso não é verdade. Por mais comprida que fosse a vida, haveria sempre gente a criar coisas para as quais eu nunca teria tempo de experienciar. E só por isso posso dizer com certeza "tretas".
12 dezembro 2008
A vida é bela
Nunca cessarei de admirar a maneira como tantas pessoas se põem à disposição dos outros. Dentro do que podem, do que lhes sai da alma, das mãos, do cérebro, dos seus talentos, do que sabem fazer melhor. E nisso, a internet é uma fonte inesgotável de genialidade. Depois da roda, e depois da imprensa, terá sido provavelmente a maior invenção de sempre. Por causa dela, e de todos os que nela dão um bocadinho de si, todos os dias me enriqueço mais um bocadinho. Desde as imagens disponibilizadas por artistas fabulosos, pelo que fazem e pela facilidade com que oferecem o seu trabalho, e que uso para fazer etiquetas de presentes ou brincadeiras para o meu filho ou até embelezar as paredes, aos utilíssimos vídeos que ensinam a fazer uma data de coisas, à wikipedia, dicionários e outros sites que nos tiram dúvidas num instantinho, aos blogues de todos os géneros, aos sites e blogues de culinária onde de vez em quando lá vou tirar uma receita de mais bolinhos, e claro, o meu primeiro amor internautico, o email, que não serve só para mandar e receber mensagens dos amigos (e SPAM) mas também para me ajudar a gerir a minha própria vida (quem é que nunca mandou um mail a si próprio para se lembrar de fazer qualquer coisa).
Ando há quase um mês a preparar pistas para uma enorme e fabulosa caça ao tesouro para o meu menino mais lindo. Claro que não passo os dias a pensar nisso, mas de vez em quando tenho uma ideia nova e tomo nota, para a ir preparando logo que tenha algum tempo livre. Já imprimi imensas imagens de cogumelos (para a pista do "segue os cogumelos"), já me inspirei em coisas escritas pelos blogues, já pesquisei imagens de casinhas para colocar pistas nas janelas. E hoje, depois de tanto trabalho (ainda incompleto) e tanta coisa retirada deste mundo de bits e bytes, estou como o outro, maravilhada. O meu obrigada a todos os que tornam a vida melhor e mais fácil.
Ando há quase um mês a preparar pistas para uma enorme e fabulosa caça ao tesouro para o meu menino mais lindo. Claro que não passo os dias a pensar nisso, mas de vez em quando tenho uma ideia nova e tomo nota, para a ir preparando logo que tenha algum tempo livre. Já imprimi imensas imagens de cogumelos (para a pista do "segue os cogumelos"), já me inspirei em coisas escritas pelos blogues, já pesquisei imagens de casinhas para colocar pistas nas janelas. E hoje, depois de tanto trabalho (ainda incompleto) e tanta coisa retirada deste mundo de bits e bytes, estou como o outro, maravilhada. O meu obrigada a todos os que tornam a vida melhor e mais fácil.
10 dezembro 2008
Coisas que me lixam
Chegam aos 5000 habitantes, e pensam, ena, tanta gente, devíamos ser cidade. Começam pelos semáforos, para regularem a meia dúzia de carros que passam nos dias de feira. Depois pelos GNR muito sérios, que isto agora já não é como nas aldeias, a multar o pessoal que não atravessa na passadeira. Mantêm a hora de almoço dos establecimentos comerciais porque afinal os donos já são velhos e não sabem nada dessas coisas do progresso, mas entretando abriram os Lidls e Ecomarchés, e os chineses, ai os chineses, e o pessoal até pode fazer compras à hora do almoço, mais à noitinha e até ao domingo, apesar dos veementes protestos do padre da terra e da associação de comerciantes, os tais velhos ultrapassados que costumavam comandar as horas de expediente das lojas todas (apesar do jeito ocasional que o ti António do minimercado fazia aos vizinhos) e ainda a feira anual do padroeiro da terreola, aproveitada como montra de exposição das alfaias agrícolas e local de espectáculo para os cantores pimba do momento, que por muito que se esforçem não puxam ninguém a mexer-se, que ali não há grandes motivos para cantar e abanar o capacete, deve ser por se terem esquecido de montar barraquinhas de bebidas alcoólicas e se terem limitado ao café e à KAS. Ah, e pela quantidade de velhos, de idade e de espírito.
Depois tem que vir mais progresso, fazem-se uns arruamentos e muitas rotundas, porque parece bem e sempre dá que fazer ao ti Manel, contratam-se uns jardineiros para tratarem das flores e limparem canteiros, compram-se mais enfeites de Natal e aumenta-se a dose de fogo de artifício do Natal e também a da festa do santo, que agora a terra já é grande, uma cidade como deve ser. Mas isto não chega, porque a cidade não pode parar, mesmo que esteja esquecida no meio do nada, onde nem o diabo se lembra de ir atentar as pessoas, e alguém tem a ideia peregrina que, já que a agricultura não dá nada, não há condições, os campos são pequenos e os donos velhos, e os filhos mudaram-se todos para longe e na terra ninguém quer saber de sujar as mãos, então vamos mas é virarmo-nos para o turismo. E então dão um jeito às aldeias, fazem mais umas estradinhas, limpam as fachadas das igrejas e capelas, fazem uns anúncios-reportagens na televisão e dizem aos turistas, venham até cá ver a nossa bela terra, com esta bela paisagem, e onde se podem aborrecer de morte em 3 dias que aqui a única sala de cinema é tão grande como a sala de jantar do Jaquim e por muito que queiram ir às compras, só terão sorte se vierem à cooperativa durante a semana e adquirirem o nosso azeite que é mesmo o melhor do mundo e o vinho que também não é mau.
E como não há turismo que se preze sem água, trata-se logo de promover a água mais próxima, seja ela um rio, uma barragem ou uma piscina-tanque na pensão da terra. E se não houver, vai-se para o meio do monte, onde costumava haver uma paisagem linda e gafanhotos e giestas à fartazana, mas que agora é dominada por meia dúzia de geradores eólicos que mais ninguém queria, e faz-se lá um buraco e põe-se a madeira ou a pedra da região à volta e chama-se-lhe spa, que é o que os turistas gostam. E se houver rios, pois que se façam passeios de barco, e campeonatos de jetski, que estas águas aqui estavam limpinhas de mais e os locais não merecem tomar banho em tanta limpidez. E já agora, com tanta terra abandonada, faz-se também um campo de golfe, que o golfe é que está a dar e já que não há mar, ao menos que haja golfe, sempre é uma actividade compatível com a ideia de calma e sossego que as pessoas têm do campo, mesmo que nesse campo esteja uma cidade. E para os que não gostam da calma, pode-se alugar umas motas, ou moto quatro que agora estão na moda, para darem uns passeios e assustarem as galinhas d'água e os javalis.
E o terreno onde se fazia a feira anual pode-se aproveitar durante todo ano, passa a chamar-se parque de exposições e podem-se ir fazendo mais feiras temáticas, a ver se o turista vem, que aqui não se passa mesmo nada, os restaurantes estão vazios, os cafés só dois ou três é que se safam e os comércios a mesma coisa, e o resto é paisagem, que só não fecha porque o dono tem que se ocupar com alguma coisa e já não tem idade para mais e afinal nem tem que pagar renda.
E as pessoas andam contentes, que o próximo projecto é que vai ser (nunca é), agora é que isto vai andar para a frente (fica sempre no mesmo sítio), os turistas vão vir (alguns até vêm) e nunca mais vão querer ir para outro sítio (fartam-se logo da pacatez e do frio ou calor extremos, e fogem para o bule-bule da cidade deles), e vai haver mais dinheiro (não vai), e a prosperidade chegará (não chega). E apesar de tudo, as coisas vão ficando na mesma, continua a haver feira, o mercado continua a atrair a mesma gente de sempre, a senhora da sapataria continua a apenas encomendar um número de cada modelo de sapato, o retornado a vender roupa caríssima e a fazer saldos de no máximo 30% e a começá-los apenas na altura da antiga lei ou até depois, no inverno continua a sentir-se o cheiro a lenha das lareiras, no verão continua a fazer um calor de morrer, as silvas continuam a dar amoras nos terrenos por construir e os prédios enormes continuam vazios por dentro e a tapar o gerador eólico e o resto da paisagem ao longe.
E os filhos da terra, os que se foram embora (os filhos da mãe que se atreveram a abandonar aquele pedaço de fim de mundo e ainda se atrevem a voltar a pôr lá os pés), de cada vez que regressam sentem que mais um bocado lhes foi arrancado, com cada semáforo, cada rotunda, cada café passado de mãos, cada escola primária remodelada, cada fonte abrilhantada, cada casa antiga substituída por um prédio enorme que ficará meio vazio, cada gerador eólico no horizonte. E perguntam-se, será que ainda há algum sítio onde não se passe mesmo nada?
Depois tem que vir mais progresso, fazem-se uns arruamentos e muitas rotundas, porque parece bem e sempre dá que fazer ao ti Manel, contratam-se uns jardineiros para tratarem das flores e limparem canteiros, compram-se mais enfeites de Natal e aumenta-se a dose de fogo de artifício do Natal e também a da festa do santo, que agora a terra já é grande, uma cidade como deve ser. Mas isto não chega, porque a cidade não pode parar, mesmo que esteja esquecida no meio do nada, onde nem o diabo se lembra de ir atentar as pessoas, e alguém tem a ideia peregrina que, já que a agricultura não dá nada, não há condições, os campos são pequenos e os donos velhos, e os filhos mudaram-se todos para longe e na terra ninguém quer saber de sujar as mãos, então vamos mas é virarmo-nos para o turismo. E então dão um jeito às aldeias, fazem mais umas estradinhas, limpam as fachadas das igrejas e capelas, fazem uns anúncios-reportagens na televisão e dizem aos turistas, venham até cá ver a nossa bela terra, com esta bela paisagem, e onde se podem aborrecer de morte em 3 dias que aqui a única sala de cinema é tão grande como a sala de jantar do Jaquim e por muito que queiram ir às compras, só terão sorte se vierem à cooperativa durante a semana e adquirirem o nosso azeite que é mesmo o melhor do mundo e o vinho que também não é mau.
E como não há turismo que se preze sem água, trata-se logo de promover a água mais próxima, seja ela um rio, uma barragem ou uma piscina-tanque na pensão da terra. E se não houver, vai-se para o meio do monte, onde costumava haver uma paisagem linda e gafanhotos e giestas à fartazana, mas que agora é dominada por meia dúzia de geradores eólicos que mais ninguém queria, e faz-se lá um buraco e põe-se a madeira ou a pedra da região à volta e chama-se-lhe spa, que é o que os turistas gostam. E se houver rios, pois que se façam passeios de barco, e campeonatos de jetski, que estas águas aqui estavam limpinhas de mais e os locais não merecem tomar banho em tanta limpidez. E já agora, com tanta terra abandonada, faz-se também um campo de golfe, que o golfe é que está a dar e já que não há mar, ao menos que haja golfe, sempre é uma actividade compatível com a ideia de calma e sossego que as pessoas têm do campo, mesmo que nesse campo esteja uma cidade. E para os que não gostam da calma, pode-se alugar umas motas, ou moto quatro que agora estão na moda, para darem uns passeios e assustarem as galinhas d'água e os javalis.
E o terreno onde se fazia a feira anual pode-se aproveitar durante todo ano, passa a chamar-se parque de exposições e podem-se ir fazendo mais feiras temáticas, a ver se o turista vem, que aqui não se passa mesmo nada, os restaurantes estão vazios, os cafés só dois ou três é que se safam e os comércios a mesma coisa, e o resto é paisagem, que só não fecha porque o dono tem que se ocupar com alguma coisa e já não tem idade para mais e afinal nem tem que pagar renda.
E as pessoas andam contentes, que o próximo projecto é que vai ser (nunca é), agora é que isto vai andar para a frente (fica sempre no mesmo sítio), os turistas vão vir (alguns até vêm) e nunca mais vão querer ir para outro sítio (fartam-se logo da pacatez e do frio ou calor extremos, e fogem para o bule-bule da cidade deles), e vai haver mais dinheiro (não vai), e a prosperidade chegará (não chega). E apesar de tudo, as coisas vão ficando na mesma, continua a haver feira, o mercado continua a atrair a mesma gente de sempre, a senhora da sapataria continua a apenas encomendar um número de cada modelo de sapato, o retornado a vender roupa caríssima e a fazer saldos de no máximo 30% e a começá-los apenas na altura da antiga lei ou até depois, no inverno continua a sentir-se o cheiro a lenha das lareiras, no verão continua a fazer um calor de morrer, as silvas continuam a dar amoras nos terrenos por construir e os prédios enormes continuam vazios por dentro e a tapar o gerador eólico e o resto da paisagem ao longe.
E os filhos da terra, os que se foram embora (os filhos da mãe que se atreveram a abandonar aquele pedaço de fim de mundo e ainda se atrevem a voltar a pôr lá os pés), de cada vez que regressam sentem que mais um bocado lhes foi arrancado, com cada semáforo, cada rotunda, cada café passado de mãos, cada escola primária remodelada, cada fonte abrilhantada, cada casa antiga substituída por um prédio enorme que ficará meio vazio, cada gerador eólico no horizonte. E perguntam-se, será que ainda há algum sítio onde não se passe mesmo nada?
09 dezembro 2008
A Amazon é fixe
(quantas vezes já terei escrito isto?)
Já compro coisas na amazon há muitos anos, desde a altura em que só havia amazon.com e nunca mas nunca me chateei com eles. Se há sitio onde o cliente tem sempre razão, é ali. Se há sítio onde os erros, sejam eles de quem forem, são imediatamente corrigidos, é na melhor lojaonline do mundo. As entregas rápidas, o preço em geral abaixo do das lojas reais e outras online (sim, eu comparo), a facilidade de devolução (com a devolução também, da parte deles, dos portes de envio), são apenas alguns dos aspectos que fazem da amazon aquilo que é: um sítio onde dá gosto fazer compras.
Isto para dizer que há ano e meio ofereceram-me uma máquina fotográfica digital que foi comprada na amazon, com garantia de 2 anos (1 da marca, e o segundo da amazon). Há pouco tempo, um dos pixeis da máquina passou a estar sistematicamente vermelho, quando fazia filmes (nas fotos continuava a funcionar normalmente). Telefonámos para a marca para saber o que fazer, dado que ainda estava na garantia. E como já tinha passado a garantia normal de um ano, disseram-nos para enviarmos ao vendedor que nos tinha oferecido mais um ano. Devolvemos à amazon. Um dia depois (um dia!) recebemos a mensagem de que nos tinham creditado o valor pelo qual a máquina foi comprada na conta, e que podíamos comprar outra com esse valor. Por outras palavras, vou ter uma máquina mais actualizada porque a amazon é fixe. E nem é por ser (quase) Natal! Eu já disse o quanto gosto da amazon? ;)
Já compro coisas na amazon há muitos anos, desde a altura em que só havia amazon.com e nunca mas nunca me chateei com eles. Se há sitio onde o cliente tem sempre razão, é ali. Se há sítio onde os erros, sejam eles de quem forem, são imediatamente corrigidos, é na melhor loja
Isto para dizer que há ano e meio ofereceram-me uma máquina fotográfica digital que foi comprada na amazon, com garantia de 2 anos (1 da marca, e o segundo da amazon). Há pouco tempo, um dos pixeis da máquina passou a estar sistematicamente vermelho, quando fazia filmes (nas fotos continuava a funcionar normalmente). Telefonámos para a marca para saber o que fazer, dado que ainda estava na garantia. E como já tinha passado a garantia normal de um ano, disseram-nos para enviarmos ao vendedor que nos tinha oferecido mais um ano. Devolvemos à amazon. Um dia depois (um dia!) recebemos a mensagem de que nos tinham creditado o valor pelo qual a máquina foi comprada na conta, e que podíamos comprar outra com esse valor. Por outras palavras, vou ter uma máquina mais actualizada porque a amazon é fixe. E nem é por ser (quase) Natal! Eu já disse o quanto gosto da amazon? ;)
04 dezembro 2008
'tadinha da menina ;)
Deixa cá esclarecer: é evidente que a minha bebé vai receber presentes. Só não vou ser eu a comprar-lhos, há os avós, as tias, e os amigos da família que com certeza lhe vão dar mais coisas do que as que ela precisa - e, lá está, de momento ela não "precisa" de nada. Quem tem 9/10 meses e tem brinquedos, roupa, comida, e brincadeira, precisa mais do quê?
Não penso que ela precise de ter tantas prendas como o irmão, pela tal questão da igualdade. Eles não são iguais, um é grandinho, a outra é muito pequenina. Mas também acho que ele não precisa de nada! :) (também não comprei prendas nenhumas ao meu rapaz, mas vou-lhe dar uma nota para ele juntar para a prenda que ele quer ter e eu acho demasiado cara - a minha menina dá tanto valor a uma nota como a uma folha de papel de embrulho ou de jornal)
Por outras palavras, a "igualdade" deve ser apropriada à idade. Quando a minha bebé tiver a idade do irmão terá com toda a certeza o mesmo tipo e quantidade de presentes que ele tem agora. Ah, mas a igualdade é uma utopia, todos os que têm irmãos ou irmãs sabem disto muito bem. Todos os irmãos mais velhos se queixam que os irmãos mais novos tiveram esta ou aquela coisa (ou direito ;)) muito mais cedo na vida do que os pobres, esforçados e batalhadores irmãos mais velhos. Todos os pais se debatem com a questão da igualdade, esforçando-se ao máximo para não darem mais a um filho que aos outros - e depois falham na mesma, de uma forma ou de outra. É que os filhos não são iguais, não têm necessidades iguais, e à medida que o tempo passa e os pais se tornam mais experientes (mais sábios!) mudam de opinião em relação a alguns assuntos.
O meu menino, quando era bebé, tinha sempre prendas a mais no Natal. Por um lado, porque toda a família queria mimar o menino e dar-lhe (muitos) presentes, por outro lado também porque há muita família e amigos que gostam de dar prendas no Natal uns aos outros, e principalmente às crianças. E o que acontecia era que na noite de Natal ele via uma árvore enorme com tantos presentes debaixo dela, a grande maioria para ele, que depois de abrir dois ou três ele já não tinha interesse em mais nenhum. E foi por esta razão que uns anos mais tarde eu tive a brilhante ideia (eu não sou de falsas modéstias, esta é mesmo uma ideia brilhante) de, em vez de ele apanhar uma seca a abrir aqueles presentes todos na noite de Natal, organizar uma espécie de caça ao tesouro com as prendas todas, e assim ele entretém-se durante uma hora ou mais a procurar as coisas pela casa. Tem a enorme vantagem de assim criar uma tradição boa que ele recordará pela vida fora, e ao mesmo tempo evitar estar a dizer às pessoas para não lhe darem prendas. Claro que dá muito mais trabalho do que ir a uma loja e comprar-lhe um brinquedo. Mas este é o meu presente para ele, sei que é o favorito dele e tem muito mais importância do que as coisas que ele recebe. Tanto que quando lhe dizemos para fazer uma carta ao pai Natal, ele diz que só quer a "caça às prendas" e que as prendas não importam, podem ser gomas ou rebuçados.
Numa família em que normalmente se abrem os presentes à meia noite, dificilmente a nossa bebé estará acordada (sim, a nossa bebé é bem comportada e de noite dorme) para se aperceber do que se está a passar. E, em sobrando apenas os presentes dela para abrir no dia seguinte, é provável que ela nem entenda que os outros receberam coisas, e pense que aquelas prendas são só para ela e mais ninguém teve nada. Claro que podíamos alterar a nossa maneira de fazer as coisas, e guardar os presentes para a manhã de Natal. No entanto, é a minha opinião que os bebés se devem adaptar à família onde chegam. Além de que somos todos demasiado impacientes para esperar pelo dia 25. Em breve a nossa menina conseguirá ficar acordada até mais tarde, e nessa altura divertir-se-á tanto ou mais que todos nós. Até lá, terá que abrir os presentes no dia de Natal, como muitos outros meninos. E está muito bem assim.
(evidentemente, ou não, reservo-me o direito de mudar de ideias a qualquer momento e sem aviso prévio. tudo depende das circunstâncias. e eu fico mais sábia ;) a cada minuto que passa)
Não penso que ela precise de ter tantas prendas como o irmão, pela tal questão da igualdade. Eles não são iguais, um é grandinho, a outra é muito pequenina. Mas também acho que ele não precisa de nada! :) (também não comprei prendas nenhumas ao meu rapaz, mas vou-lhe dar uma nota para ele juntar para a prenda que ele quer ter e eu acho demasiado cara - a minha menina dá tanto valor a uma nota como a uma folha de papel de embrulho ou de jornal)
Por outras palavras, a "igualdade" deve ser apropriada à idade. Quando a minha bebé tiver a idade do irmão terá com toda a certeza o mesmo tipo e quantidade de presentes que ele tem agora. Ah, mas a igualdade é uma utopia, todos os que têm irmãos ou irmãs sabem disto muito bem. Todos os irmãos mais velhos se queixam que os irmãos mais novos tiveram esta ou aquela coisa (ou direito ;)) muito mais cedo na vida do que os pobres, esforçados e batalhadores irmãos mais velhos. Todos os pais se debatem com a questão da igualdade, esforçando-se ao máximo para não darem mais a um filho que aos outros - e depois falham na mesma, de uma forma ou de outra. É que os filhos não são iguais, não têm necessidades iguais, e à medida que o tempo passa e os pais se tornam mais experientes (mais sábios!) mudam de opinião em relação a alguns assuntos.
O meu menino, quando era bebé, tinha sempre prendas a mais no Natal. Por um lado, porque toda a família queria mimar o menino e dar-lhe (muitos) presentes, por outro lado também porque há muita família e amigos que gostam de dar prendas no Natal uns aos outros, e principalmente às crianças. E o que acontecia era que na noite de Natal ele via uma árvore enorme com tantos presentes debaixo dela, a grande maioria para ele, que depois de abrir dois ou três ele já não tinha interesse em mais nenhum. E foi por esta razão que uns anos mais tarde eu tive a brilhante ideia (eu não sou de falsas modéstias, esta é mesmo uma ideia brilhante) de, em vez de ele apanhar uma seca a abrir aqueles presentes todos na noite de Natal, organizar uma espécie de caça ao tesouro com as prendas todas, e assim ele entretém-se durante uma hora ou mais a procurar as coisas pela casa. Tem a enorme vantagem de assim criar uma tradição boa que ele recordará pela vida fora, e ao mesmo tempo evitar estar a dizer às pessoas para não lhe darem prendas. Claro que dá muito mais trabalho do que ir a uma loja e comprar-lhe um brinquedo. Mas este é o meu presente para ele, sei que é o favorito dele e tem muito mais importância do que as coisas que ele recebe. Tanto que quando lhe dizemos para fazer uma carta ao pai Natal, ele diz que só quer a "caça às prendas" e que as prendas não importam, podem ser gomas ou rebuçados.
Numa família em que normalmente se abrem os presentes à meia noite, dificilmente a nossa bebé estará acordada (sim, a nossa bebé é bem comportada e de noite dorme) para se aperceber do que se está a passar. E, em sobrando apenas os presentes dela para abrir no dia seguinte, é provável que ela nem entenda que os outros receberam coisas, e pense que aquelas prendas são só para ela e mais ninguém teve nada. Claro que podíamos alterar a nossa maneira de fazer as coisas, e guardar os presentes para a manhã de Natal. No entanto, é a minha opinião que os bebés se devem adaptar à família onde chegam. Além de que somos todos demasiado impacientes para esperar pelo dia 25. Em breve a nossa menina conseguirá ficar acordada até mais tarde, e nessa altura divertir-se-á tanto ou mais que todos nós. Até lá, terá que abrir os presentes no dia de Natal, como muitos outros meninos. E está muito bem assim.
(evidentemente, ou não, reservo-me o direito de mudar de ideias a qualquer momento e sem aviso prévio. tudo depende das circunstâncias. e eu fico mais sábia ;) a cada minuto que passa)
03 dezembro 2008
Presentes para uma menina de 9 meses (quase 10)
Ela não precisa de nada. E como tal, vou-lhe dar isso mesmo, nada (a não ser que mude de ideias nas próximas 3 semanas). Segundo a minha bonequinha, que terá 10 meses no Natal, a lista de preferências (não necessariamente por esta ordem) vai para:
1 - garrafas plásticas de água, de preferência vazias (são mais fáceis de manejar)
2 - chupetas formato anatómico, para cuspir a longa distância (ela quer quebrar o seu próprio record)
3 - revistas e jornais sobre temas variados (parece que o papel sabe bem)
4 - cabos eléctricos (a chata da mãe nunca a deixa, mas ela bem queria mordê-los)
5 - controlos remotos, quantos mais botões melhor (fazem cócegas nas gengivas). O telefone também serve.
6 - caixas de supermercado (as que usamos para trazer as compras) (fazem uns belos comboios e dão para se sentar lá dentro)
7 - roupa pendurada num estendal (para passar por baixo e puxar, e depois brincar às escondidas)
8 - e por fim, cabelos da mãe. Fazem cócegas na cara dela e são mesmo bons para puxar com toda a força.
Gastar dinheiro para quê?
1 - garrafas plásticas de água, de preferência vazias (são mais fáceis de manejar)
2 - chupetas formato anatómico, para cuspir a longa distância (ela quer quebrar o seu próprio record)
3 - revistas e jornais sobre temas variados (parece que o papel sabe bem)
4 - cabos eléctricos (a chata da mãe nunca a deixa, mas ela bem queria mordê-los)
5 - controlos remotos, quantos mais botões melhor (fazem cócegas nas gengivas). O telefone também serve.
6 - caixas de supermercado (as que usamos para trazer as compras) (fazem uns belos comboios e dão para se sentar lá dentro)
7 - roupa pendurada num estendal (para passar por baixo e puxar, e depois brincar às escondidas)
8 - e por fim, cabelos da mãe. Fazem cócegas na cara dela e são mesmo bons para puxar com toda a força.
Gastar dinheiro para quê?
3 de dezembro
Ora aí está um belo dia para terminar as compras de Natal. Não tivesse sido apenas hoje informada que do convidado extra na ceia de Natal e estavam as prendas arrumadas. Assim sendo, para além dos embrulhos e organização de actividades para a noite de Natal - que isto não pode ser só comer e beber, há que merecer as prendas! - estou quase a acabar. Mas ainda tenho muito com que me entreter até à consoada.
A emissao prossegue dentro de momentos
Entretanto podem ir vendo o blogue da Blogotinha. Eu já nao ia lá há mesmo muito tempo e nem sei porquê. Os meus posts favoritos são... os da musiquinha do dia. Porque é que será ;)
29 novembro 2008
O Futuro é azul
Um dia destes vamos acordar, e vai haver internet de banda larga (a sério, não aquela treta de 500Kbps) sem fios em todo o lado, e o pessoal vai deixar de descarregar mp3 e passar a ouvir musica online a qualquer hora, em qualquer lugar.
Só pode ser esta a explicação para o google não ter uma pesquisa de mp3 decente. Para o youtube ter imensos vídeos de música cuja imagem consiste em fotos ou sequências de imagens paradas, ou até uma única imagem. E para os sites de música que descarregam directamente do youtube.
Só pode ser esta a explicação para o google não ter uma pesquisa de mp3 decente. Para o youtube ter imensos vídeos de música cuja imagem consiste em fotos ou sequências de imagens paradas, ou até uma única imagem. E para os sites de música que descarregam directamente do youtube.
Procuram-se
18 músicas (mp3) para um CD novo para o carro. Que não estejam ainda em outros CDs no mesmo. Aceitam-se sugestões. Se acertarem em músicas que haja cá em casa em CD, melhor.
28 novembro 2008
Parece que não mas...
Um gajo pensa que jogar ping pong consiste em ficar em frente a uma mesa e ir mexendo o braço de vez em quando. Pois. Apesar da área em que se joga ser relativamente reduzida (mas hoje fui parar às barreiras várias vezes) e o braço também não poder ir longe, estou toda partida. Segunda há mais. E terça. E quinta. E sexta. Vai ser uma semana dura.
27 novembro 2008
No semáforo vermelho
Duas pessoas dentro de um carro a agredir-se mutuamente. E só reparei porque o tal carro estava exactamente à minha frente e a abanar muito. Pois, experimentem andar à porrada dentro de um carro a ver se não abana. Podiam ser marido e mulher, pai e filho, avô e neto, não sei. Fiquei a pensar se não devia decorar a matrícula e telefonar à polícia. Sei lá se andar à porrada dentro de um carro é crime público na Alemanha.
(e dizer o quê? ah, senhores guardas, estavam duas pessoas num carro a bater-se, mas quando o semáforo ficou verde viraram para outro caminho e por isso não sei se acabaram por bater contra uma árvore, atropelar alguém, ou simplesmente continuaram a sessão dentro de quatro paredes.)
(e dizer o quê? ah, senhores guardas, estavam duas pessoas num carro a bater-se, mas quando o semáforo ficou verde viraram para outro caminho e por isso não sei se acabaram por bater contra uma árvore, atropelar alguém, ou simplesmente continuaram a sessão dentro de quatro paredes.)
26 novembro 2008
Pão
O rapaz giro, na fila do supermercado atrás de mim, com uma miúda que não parava de falar. Os dois em inglês, e eu a tentar perceber qual deles é que se estava a exprimir numa língua estrangeira. Era ela. No cesto das compras tinham massa, queijo, camarões (imensos), vinho, polpa de tomate, pão. E consideravam levar um monte de gomas, todos os pacotes que estavam em exposição mesmo antes da caixa, só porque estavam ali, e talvez lhes apetecesse fazer uma coisa doida. E eu ia deitando umas olhadelas ao rapaz (tão giro!), e apetecia-me perguntar-lhe donde vinha, só para saber (que eu de rapazes giros estou bem servida), e olhava para a miúda e queria perguntar-lhe onde é que tinha desencantado tamanho deleite para os olhos. Só por curiosidade. O telemóvel dela tocou, e enquanto ela dizia coisas que não ouvi, aproveitei para dar mais uma espreitadela ao rapaz, que pelo olhar dele devia estar a pensar "é pena, mas já estou ocupado". Pois, eu também.
Paguei, fui-me embora (não antes de deitar outra olhadela ao rapaz), e decidi que afinal há algo em Lisboa que vai para lá da comida, do tempo, dos portugueses, e das lojas abertas ao fim de semana e à noite.
Paguei, fui-me embora (não antes de deitar outra olhadela ao rapaz), e decidi que afinal há algo em Lisboa que vai para lá da comida, do tempo, dos portugueses, e das lojas abertas ao fim de semana e à noite.
25 novembro 2008
Dos blogues
A minha história, que nem é bem uma história, com Saramago começou com "todos os nomes". Abri-o numa livraria, li umas páginas, gostei, levei-o e ofereci à minha mãe. Depois comprei "o evangelho segundo jesus cristo", li umas páginas, detestei, e fiquei por ali. Não só o estilo da escrita me incomodou, como a história também - e não por motivos religiosos, longe disso.
Quando soube que Saramago (gosto deste nome) tinha um blogue tive que ir espreitar. Tenho lido quase todos os postes. E gostado. E por isso trouxe, de uma livraria, sem pensar muito nem espiolhar umas páginas antes de largar o pilim, "a viagem do elefante". Espero gostar. E agora que penso nisso, a minha mãe está a dever-me o empréstimo de "todos os nomes" há anos.
Quando soube que Saramago (gosto deste nome) tinha um blogue tive que ir espreitar. Tenho lido quase todos os postes. E gostado. E por isso trouxe, de uma livraria, sem pensar muito nem espiolhar umas páginas antes de largar o pilim, "a viagem do elefante". Espero gostar. E agora que penso nisso, a minha mãe está a dever-me o empréstimo de "todos os nomes" há anos.
24 novembro 2008
O tamanho é importante
Em Munique, chamam "gigantes" aos camarões que em Portugal serviriam para acompanhar cervejas. Em Portugal, chamam gambas "normais" a algo tão grande que aqui teriam que inventar novas palavras para descrever tal enormidade. De modos que me habilitei a fazer figura de parva ao pedir para ver a gamba "normal" para poder julgar com os meus próprios olhos se era suficientemente grande. E provavelmente fiz mesmo figura de parva ao ver a tal gamba "normal" e imediatamente salivar como o cão do Pavlov. Só faltou começar aos pulos na cadeira. Faltou muito pouco. (já para saltar na cama do quarto de hotel faltou altura ao quarto. eu bem tentei, mas era demasiado arriscado)
700km/h
E assim se passa de um sítio com 20 graus (t-shirt) para outro com neve. Por outras palavras, interrompi (por um fim de semana) o inverno. E gostei.
21 novembro 2008
Raisparta
Eu que nunca vou a Lisboa, pá... tinham logo que me brindar com um simulacro de terramoto mal o meu avião aterre? Não podiam esperar? Um tremor de terra a sério ainda se admite, agora brincarem aos tremores de terra nas parcas horas que tenho para enfardar todos e quaisquer bolos de creme de ovo que me aparecerem à frente (pastéis de Belém incluidos), comprar todas as revistas cor de rosa que encontrar, e apanhar todo o sol e calor que puder enquanto não me metem no avião de volta para os não-sei-quantos-graus-negativos-e-forte-nevão que vai haver aqui durante o fim de semana, isso é imperdoável. Vejam lá se se portam bem, e não me atrapalham a vida, que eu não tenho tempo para essas coisas e ainda me aborreço, e depois nunca mais volto aí. (Ai, se houvesse vôos directos para o Porto...)
Coisas que fazem diferença na vida de uma gaija
O meu gmail tá lindo. Ainda pensei em dar-lhe um look à anos 90 (até 94), assim um verde e preto do tempo dos terminais X, mas depois pensei, que se lixe, afinal estamos noutro milénio, quero é coisas bonitas para me animar o dia (e a noite). De modos que até o SPAM ficou mais bonito. Como é que os senhores do gmail não pensaram nisto há mais tempo? (ah, deviam estar muito ocupados com o gtalk, ou a aumentar as caixas de correio, ou a filtrar o SPAM ou outras coisas assim...)
(eu já disse que adoro o gmail?)
(eu já disse que adoro o gmail?)
20 novembro 2008
Como é que isto me escapou
Ando demasiado ocupada para ter tempo de escrever. Mas ainda vou tendo tempo para ler. E encontrei um blogue fabuloso, que devia fazer parte dos meus favoritos desde o dia em que começou. Mais vale tarde do que nunca, e vivam os arquivos. Vão lá ver o não compreendo as mulheres.
18 novembro 2008
O Universo devolve
Atrasado, mas devolve. A máquina de uma das estações de comboios de Munique ficou-me com as moedas que usei para pagar qualquer coisa que ela não me deu. Hoje, uns meses mais tarde, outra máquina deu-me duas barras de amendoins pelas moedas de uma. Obrigadinha.
Digital
Para quem diz que o trabalho é 10% inspiração e 90% transpiração.
A transpiração é a parte para a qual precisas de um administrador porque não tens permissões.
A transpiração é a parte para a qual precisas de um administrador porque não tens permissões.
O Futuro
As pens USB como suporte de software. Os CDs e DVDs estão ultrapassados. Quero todos os ficheiros guardados numa coisa que ocupa o espaço de um dedo. Ou menos.
17 novembro 2008
sempre na lembrança
"meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las."
A minha avó despediu-se do meu pai. Disse-lhe adeus com os olhos, que as palavras já não podiam sair de outra maneira.
Eu nem sequer fui ao cemitério. Nem irei. Trago-a mais perto ainda.
A minha avó despediu-se do meu pai. Disse-lhe adeus com os olhos, que as palavras já não podiam sair de outra maneira.
Eu nem sequer fui ao cemitério. Nem irei. Trago-a mais perto ainda.
14 novembro 2008
Partida
O meu filho, que não é uma pessoa que aprecie manhãs (as de escola, pelo menos), costuma ter dificuldade em despertar e manter uma conversa coerente na primeira hora desde que se levanta. Ora hoje, no meio dessa altura crítica, desata a rir-se sozinho. Tanta graça se achou, que teve que partilhar a piada.
Ontem, uns meninos disseram à professora que estava na hora de sair. Ela dizia que eram 3 menos 10, eles mostraram-lhe os telemóveis que indicavam 3 e 10 (que era a hora de saída daquela aula). Rendida às evidências, a professora caiu no truque mais velho do mundo, desde que há escolas. Saíram todos 20 minutos mais cedo. Estou para ver se ela tem sentido de humor quando tiverem a próxima aula.
Ontem, uns meninos disseram à professora que estava na hora de sair. Ela dizia que eram 3 menos 10, eles mostraram-lhe os telemóveis que indicavam 3 e 10 (que era a hora de saída daquela aula). Rendida às evidências, a professora caiu no truque mais velho do mundo, desde que há escolas. Saíram todos 20 minutos mais cedo. Estou para ver se ela tem sentido de humor quando tiverem a próxima aula.
13 novembro 2008
A sério...
Estando num ponto da vida em que um mestrado ou doutoramento não me adiantaria de nada (se é que alguma vez adianta) em termos profissionais, mas que, se o assunto realmente me interessasse me poderia dedicar a uma coisa dessas, fui à procura de mestrados no google. Para quem não tem ilusões sobre potenciais ganhos monetários com a coisa (nulos, para não dizer negativo se formos a contar o investimento em tempo, livros e dinheiro) a pesquisa tem que versar sobre o que realmente se poderá lucrar com tamanho projecto: diversão. Infelizmente, ninguém se interessa por coisa engraçadas ou divertidas, pelo que continuarei a ocupar os meus tempos livres a ler blogues e a brincar com os meus filhos.
Para quem tiver dúvidas, aqui ficam os resultados de mais uma ideia das minhas, vá lá, para quê ser modesta, ideias brilhantes:
No results found for "masters degree in something funny".
Para quem tiver dúvidas, aqui ficam os resultados de mais uma ideia das minhas, vá lá, para quê ser modesta, ideias brilhantes:
No results found for "masters degree in something funny".
12 novembro 2008
Não há nada como ser expulso de um restaurante. Quando os empregados já todos jantaram, todas as cadeiras (menos as nossas) já estão viradas em cima das mesas, e finalmente percebemos que estamos a estorvar. Pagamos e saímos pachorrentamente, mas ficamos à porta, ao frio, porque a conversa tem impreterivelmente que continuar, e corremos o risco que os pobres moradores da zona, arrancados do sono por gargalhadas espalhafatosas - que não há conversas animadas sem elas-, chamem a polícia, as horas infindas a discutir "mas para onde é que vamos agora" e ninguém a arredar pé nem com intenções de ir para lado nenhum. Podia medir graus de felicidade assim. Quanto mais tarde, mais frio, mais gargalhadas, mais feliz.
(inspirado aqui)
(inspirado aqui)
Um café e um bagaço (mas sem o bagaço)
Diz-se que o homem é uma criatura de hábitos - por outras palavras, estamos tão habituados a ser lixados, que quando a coisa corre bem temos tendência a repeti-la até à exaustão. E se um dia, por acaso prevaricamos - como eu, que hoje fui tomar café a um sítio onde já não ia há muito tempo - arrependemo-nos imediatamente - já bebi água suja com melhor sabor que aquele "café" - e prometemo-nos logo ali nunca mais voltar a repetir aquele gesto. (Antes rapar frio e ir ao italiano que leva o dobro, mas cujo café se pode beber, apesar de vir com borra.) É por isso que quando vamos de férias para um sítio novo jantamos invariavelmente no primeiro restaurante que nos serviu relativamente bem, e é por isso que vamos sempre ao mesmo café, e nem notamos que o serviço já foi melhor e que em frente àquela esplanada agora passam 1000 carros por hora.
Por outro lado, "o homem é uma criatura de hábitos" - assim mesmo, com aspas - só tem 46 ocorrências no google. Se calhar não somos assim tanto de hábitos.
Por outro lado, "o homem é uma criatura de hábitos" - assim mesmo, com aspas - só tem 46 ocorrências no google. Se calhar não somos assim tanto de hábitos.
11 novembro 2008
O dia das luzes
11 de novembro, ora aí está o dia em que se ensina aos miúdos a reivindicar os seus direitos, desde os mais bebezinhos até aos mais graúdos. Todas as escolinhas organizam uma manifestação assim que escurece, para a qual os meninos devem levar uma lanterna, de modo a estarem devidamente apetrechados para protestarem contra a falta de iluminação na cidade nesta altura do ano tão crítica. Afinal de contas, nesta escuridão não há manif que se veja se uma pessoa não levar a sua própria luz. Não é que resulte (o protesto), mas os miúdos não desistem, e todos os anos repetem a façanha. Talvez acreditem no ditado "água mole em pedra dura...".
Eu cá preferia um magusto. Sempre podia fazer umas correrias atrás de uma vítima para enfarruscar (só são vítimas as que fogem, quem não foge é um compincha e tem pelo menos a obrigação de tentar enfarruscar-nos de volta (isto diz-se?)). E comia umas castanhas assadas.
Eu cá preferia um magusto. Sempre podia fazer umas correrias atrás de uma vítima para enfarruscar (só são vítimas as que fogem, quem não foge é um compincha e tem pelo menos a obrigação de tentar enfarruscar-nos de volta (isto diz-se?)). E comia umas castanhas assadas.
10 novembro 2008
Atarantada
Deparei-me com isto, e fiquei a pensar, durante uns minutos, mas que raio é que eu fazia se soubesse que ia morrer dentro de 10 minutos. Dez minutos não são nada. Não dão para nada. De modos que se eu soubesse que ia morrer dentro de 10 minutos iria muito provavelmente passá-los desesperadamente a tentar não morrer. Ou morrer a tentar não morrer.
07 novembro 2008
Raisparta este tempo
Só me apetece comer chocolate. Rausch 47% (de entre umas 10 variedades que eles têm, sendo esta a mais difícil de encontrar). Ferrero Noir à caixa. Ritter Sport chocolate de leite com amêndoa. Lindt chocolate de leite. E uns bombons de uma loja artesanal aqui em Munique que agora não me lembro o nome e me fica muito fora de mão também marchavam.
04 novembro 2008
Small world?
Não é o mundo que é pequeno. Nós é que nos movemos em círculos.
(Isto dava uma série. E este primeiro post diria "hoje encontrei uma amiga, por vias travessas. Já não me lembrava dela - mas lembrava, de vez em quando, por causa de coisas que não interessam ao público em geral. E foi o máximo encontrá-la. E voltei a lembrar-me que gostava que a minha vida tivesse mais tempo, dias de 48 horas e semanas de 14 dias, embora nunca consiga utilizar o meu tempo livre nas coisas que gostaria de fazer porque passo demasiado tempo nos meus vícios mesmo quando tenho tempo livre. De onde deduzo que tenho que acabar com os meus vicíos. Ou libertar-me um bocadinho deles.)
(Isto dava uma série. E este primeiro post diria "hoje encontrei uma amiga, por vias travessas. Já não me lembrava dela - mas lembrava, de vez em quando, por causa de coisas que não interessam ao público em geral. E foi o máximo encontrá-la. E voltei a lembrar-me que gostava que a minha vida tivesse mais tempo, dias de 48 horas e semanas de 14 dias, embora nunca consiga utilizar o meu tempo livre nas coisas que gostaria de fazer porque passo demasiado tempo nos meus vícios mesmo quando tenho tempo livre. De onde deduzo que tenho que acabar com os meus vicíos. Ou libertar-me um bocadinho deles.)
et voilá
Os velhos, muito velhos, aqueles que têm filhos e netos e às vezes bisnetos e tudo, fazem parte de um cenário antiquado. Vivem em casas velhas e frias e escuras, com cozinhas velhas, cheias de naperons, castanhas ou brancas mas ainda assim com pouca luz, fogões com os quais mais ninguém sabe trabalhar, pratos de alumínio ou pelo menos travessas de alumínio e uns talheres que ninguém sabe de onde poderão ter vindo, as suas salas são também escuras e cheias de louças antigas (e louceiros) e mais naperons, e rendas por todo o lado, e sofás do antigamente, às vezes um piano, velho, preto, desafinado, mobílias escuras e mais rendas nas cortinas, e bibelots por todo o lado, e fotografias, muitas fotografias.
E quando um dia os velhos se revoltam, viram a casa de pernas para o ar, compram mobílias modernas e deitam fora os naperons e as cortinas, deixam de viver em casas escuras e se envolvem em cores claras, deixam de ser tão velhos assim de repente, e parecem mais alegres e vivos, e fazem os novos invejar-lhes o tempo livre e as casas brilhantes de tectos altos, e o piano (já afinado) e as chávenas de chá tão bonitas que foram para o lixo sem dó nem piedade, e invejam a liberdade de passar a ser outra pessoa, sem deixar de ser quem se é.
Quando vejo isto fico a pensar se um dia serei a velha da casa (velha) castanha e escura, ou a velha da casa (velha mas renovada) colorida que de vez em quando deita tudo fora mesmo que no fundo pense que se calhar já só vai viver poucos anos e poderá não usufruir das coisas suficientemente. E daí, sei lá se chego a velha.
E quando um dia os velhos se revoltam, viram a casa de pernas para o ar, compram mobílias modernas e deitam fora os naperons e as cortinas, deixam de viver em casas escuras e se envolvem em cores claras, deixam de ser tão velhos assim de repente, e parecem mais alegres e vivos, e fazem os novos invejar-lhes o tempo livre e as casas brilhantes de tectos altos, e o piano (já afinado) e as chávenas de chá tão bonitas que foram para o lixo sem dó nem piedade, e invejam a liberdade de passar a ser outra pessoa, sem deixar de ser quem se é.
Quando vejo isto fico a pensar se um dia serei a velha da casa (velha) castanha e escura, ou a velha da casa (velha mas renovada) colorida que de vez em quando deita tudo fora mesmo que no fundo pense que se calhar já só vai viver poucos anos e poderá não usufruir das coisas suficientemente. E daí, sei lá se chego a velha.
03 novembro 2008
mais uma ideia...parva
No meio das minhas fantasias com comediantes, saiu-me mais esta:
Parece que o Queiroz, desde que rapou o bigodinho, não consegue fazer nada da selecção. E todos nós sabemos que a imagem de marca da selecção portuguesa é o bigode do treinador. Posto isto, quem é que deixou crescer o bigode, quem foi? O Zé Diogo Quintela. De modos que estou mesmo a vê-lo a liderar a nossa selecção.
- Pessoal, quinze voltas ao campo.
-ó mister, isso não é nada, o mister Queiroz fazia-nos dar 50 voltas de manhã e outras 50 à tarde.
- sim, mas eu estou a falar do campo do adversário. O último a chegar à Albânia não joga.
- ó mister, e temos mesmo de ir vestidos de, vá lá, gaijas?!
- sim, que é para correrem mais depressa. E dêem-se por satisfeitos de não terem que por maquilhagem e depilar as pernas, que eu hoje estou bem disposto.
Parece que o Queiroz, desde que rapou o bigodinho, não consegue fazer nada da selecção. E todos nós sabemos que a imagem de marca da selecção portuguesa é o bigode do treinador. Posto isto, quem é que deixou crescer o bigode, quem foi? O Zé Diogo Quintela. De modos que estou mesmo a vê-lo a liderar a nossa selecção.
- Pessoal, quinze voltas ao campo.
-ó mister, isso não é nada, o mister Queiroz fazia-nos dar 50 voltas de manhã e outras 50 à tarde.
- sim, mas eu estou a falar do campo do adversário. O último a chegar à Albânia não joga.
- ó mister, e temos mesmo de ir vestidos de, vá lá, gaijas?!
- sim, que é para correrem mais depressa. E dêem-se por satisfeitos de não terem que por maquilhagem e depilar as pernas, que eu hoje estou bem disposto.
02 novembro 2008
dimensão paralela
se alguém te quiser dar um tiro, respondes com outro tiro, ou dizes "PUM!"?
(e se esta pergunta viesse de um gajo que ganha a vida a fazer rir os outros?)
(e se esta pergunta viesse de um gajo que ganha a vida a fazer rir os outros?)
31 outubro 2008
Essas coisas do demo...
A cidade de Munique proibiu as festas de Halloween. Mais precisamente, todos os bares ou discotecas que forem apanhados em festejos de Halloween serão fustigados e obrigados tirar as fantasias alusivas a esse festejo do demo e a imediatamente ir pôr velas e flores em todas as campas do cemitério mais próximo. Estou a exagerar. Só os locais onde houver festas (suponho que as casas particulares estejam fora desta regra, mas nesta terra nunca se sabe) depois da meia noite de hoje estarão apenas sujeitos a multa de 10000€ e, provavelmente, ao término abrupto da brincadeira. Como resultado, os foliões satânicos alteraram a data dos festejos, apaziguando assim os católicos que nos governam.
30 outubro 2008
29 outubro 2008
netbooks
(o meu assunto recorrente)
Se uma das enormes vantagens dos netbooks era não virem com o M$ vista (não conheço ninguém que não fuja do vista como o diabo da cruz), esses dias devem estar a acabar. A Micro$oft prepara-se para lançar um novo sistema operativo (outro? pois... para o caso de já estarem habituados ao último...) que deverá correr nos netbooks. Para mim não faz diferença, tenho o meu a correr linux e adoro, mas quem quiser uma máquina com windows (por mais 50€ que a mesma máquina a correr linux) ponha-se a pau, que um dia destes acaba-se o XP e depois quem sabe quais serão os novos problemas deste novo sistema operativo, principalmente quanto posto a correr num computador low cost.
Entre os meus amigos, anda tudo a comprar destas coisas. Outro dia havia uma promoção no Aldi (ou seria no Lidl?) que um deles também aproveitou. Pois, são giros e tal, ocupam pouco espaço e pesam pouco, ligam-se à net facilmente e dão jeito para estar no sofá a ver vídeos no youtube. E o mais engraçado é que aparentemente os brancos vendem como água. De todos os meus amigos que compraram um destes brinquedos, 100% foram para o branco. Tendo em conta que, em geral, a outra única opção é preto, não é de admirar. Já ouvi alguém confessar que como o netbook tem tão bom aspecto, tem a vantagem colateral de a mulher dele não o chatear se deixar o bichinho à balda pela casa...
E já que estou numa de computadores, acho que ainda não tinha dito nada quanto ao Magalhães, e aqui vai. É uma pena não terem posto esse brinquedo a trabalhar com linux. Uma oportunidade perdida para os miúdos, que não têm medo de experimentar o bicho papão. De resto, é uma "mala" gira, e tomara eu ter tido um Magalhães quando era pequena. Ou mais crescida.
Se uma das enormes vantagens dos netbooks era não virem com o M$ vista (não conheço ninguém que não fuja do vista como o diabo da cruz), esses dias devem estar a acabar. A Micro$oft prepara-se para lançar um novo sistema operativo (outro? pois... para o caso de já estarem habituados ao último...) que deverá correr nos netbooks. Para mim não faz diferença, tenho o meu a correr linux e adoro, mas quem quiser uma máquina com windows (por mais 50€ que a mesma máquina a correr linux) ponha-se a pau, que um dia destes acaba-se o XP e depois quem sabe quais serão os novos problemas deste novo sistema operativo, principalmente quanto posto a correr num computador low cost.
Entre os meus amigos, anda tudo a comprar destas coisas. Outro dia havia uma promoção no Aldi (ou seria no Lidl?) que um deles também aproveitou. Pois, são giros e tal, ocupam pouco espaço e pesam pouco, ligam-se à net facilmente e dão jeito para estar no sofá a ver vídeos no youtube. E o mais engraçado é que aparentemente os brancos vendem como água. De todos os meus amigos que compraram um destes brinquedos, 100% foram para o branco. Tendo em conta que, em geral, a outra única opção é preto, não é de admirar. Já ouvi alguém confessar que como o netbook tem tão bom aspecto, tem a vantagem colateral de a mulher dele não o chatear se deixar o bichinho à balda pela casa...
E já que estou numa de computadores, acho que ainda não tinha dito nada quanto ao Magalhães, e aqui vai. É uma pena não terem posto esse brinquedo a trabalhar com linux. Uma oportunidade perdida para os miúdos, que não têm medo de experimentar o bicho papão. De resto, é uma "mala" gira, e tomara eu ter tido um Magalhães quando era pequena. Ou mais crescida.
28 outubro 2008
Daqui até ao Natal
a noite fica cada vez mais comprida. Um gajo tem que jantar mais cedo porque já é noite, e depois fica com uma noite mais longa que dantes, mas acaba por adormecer no sofá antes da hora de deitar. E depois acorda a meio da noite, quer dizer, de madrugada, e muda de poiso do sofá para a cama, e quando de manhã se levanta percebe que dormiu vestido. Daqui até ao Natal bem que se podia hibernar... Eu cá não me importava, acordava só nos dias de muito sol (sim, que os vai havendo) e ia às compras, e depois voltava para a caverna. A falta de luz dá-me sono.
27 outubro 2008
Da net e coisas assim
Há pouco mais de um ano, encontrei no blog da Rita um link para um blogue de culinária de uma senhora austríaca, que escrevia as receitas em inglês. Onde estava a receita de um bolo de chocolate e avelã (e maçã) absolutamente divinal, que a senhora dizia ter encontrado numa revista qualquer. Se não estou em erro. Não fora a minha mania de imprimir as receitas (principalmente as de doces) e guardar num arquivo que fica na cozinha, não tinha ontem podido fazer esta maravilha com a ajuda preciosa do meu amor, e comê-lo depois, com uma bola de gelado de baunilha. O bolo chama-se "choco nut-e cake". Já me fartei de procurar na net para o poder recomendar e não o encontro. De modos que me dou por feliz de não guardar estas coisas em bookmarks ou outros suportes electrónicos. Papéis A4, relativamente protegidos numa folha plástica, sempre à mão e com manchinhas de massa de bolo, são estas as páginas do meu livro de culinária favorito.
23 outubro 2008
Terei ouvido bem?
A Manuela Ferreira Leite a dizer na televisão "as piquenas e médias empresas"...ia jurar que a "piquena" disse mesmo isso...
22 outubro 2008
Rat in the Kitchen
No meu tempo, as aulas de música consistiam em copiar para um caderno pautado a pauta que o professor tivesse no quadro, Dois anos disto. Ninguém nas minhas aulas tocava nenhum instrumento, naquela aula, embora houvesse alguns sortudos que tinham aulas na escola de música e portanto sabiam minimamente o que se passava ali, na aula da escola preparatória. No fim, quem tivesse o caderno mais bonito tinha 5, e o resto era corrido a 4 e a 3, conforme o estado do dito caderno.
O meu miúdo tem aulas de música a sério, na escola dele. Realmente aprendeu alguma coisa: a ler pautas, por exemplo, mas também os tipos de instrumentos, como funciona uma orquestra, a vida de alguns compositores. Mesmo assim, este ano a nova professora queixa-se que os miúdos não sabem nada (porque não lhes ensinaram não sei bem o quê que ela acha que lhes faz falta saber) e ameaça que vai correr tudo a notas más. Adiante. Andei a inspeccionar o material de estudo do miúdo e descobri que andaram a falar de reggae. Perguntei se tinha ouvido alguma música desse género, o que ele negou (nas como é possível falar de um género musical numa aula de música e não pôr os miúdos a ouvi-lo? o miúdo devia estar a gozar comigo...). Recordei algumas canções do famoso Bob Marley, que na verdade nunca foi dos meus favoritos (o que para o caso não tem importância nenhuma), e tratei de pôr a família a ouvir/ver vídeos dele no youtube à hora do jantar. Foi giro, mas quem gostou mais foi a piolhita. Fica já preparada para as aulas que terá quando for grande. Depois da sessão, tive que mostrar aos meus amores o reggae mais divertido que conheço.
there's a rat in my kitchen what am I gonna do
there's a rat in my kitchen what am I gonna do
I'm gonna fix that rat that's what i'm gonna do.
I'm gonna fix that rat...
(podia passar a noite nisto - ah, passei mesmo a noite a cantar isto)
O vídeo, aqui.
O meu miúdo tem aulas de música a sério, na escola dele. Realmente aprendeu alguma coisa: a ler pautas, por exemplo, mas também os tipos de instrumentos, como funciona uma orquestra, a vida de alguns compositores. Mesmo assim, este ano a nova professora queixa-se que os miúdos não sabem nada (porque não lhes ensinaram não sei bem o quê que ela acha que lhes faz falta saber) e ameaça que vai correr tudo a notas más. Adiante. Andei a inspeccionar o material de estudo do miúdo e descobri que andaram a falar de reggae. Perguntei se tinha ouvido alguma música desse género, o que ele negou (nas como é possível falar de um género musical numa aula de música e não pôr os miúdos a ouvi-lo? o miúdo devia estar a gozar comigo...). Recordei algumas canções do famoso Bob Marley, que na verdade nunca foi dos meus favoritos (o que para o caso não tem importância nenhuma), e tratei de pôr a família a ouvir/ver vídeos dele no youtube à hora do jantar. Foi giro, mas quem gostou mais foi a piolhita. Fica já preparada para as aulas que terá quando for grande. Depois da sessão, tive que mostrar aos meus amores o reggae mais divertido que conheço.
there's a rat in my kitchen what am I gonna do
there's a rat in my kitchen what am I gonna do
I'm gonna fix that rat that's what i'm gonna do.
I'm gonna fix that rat...
(podia passar a noite nisto - ah, passei mesmo a noite a cantar isto)
O vídeo, aqui.
oh lucky day
a uns dias do fim da validade encontrei (por acaso) um vale de compras de 20 euros que pensava perdido. as voltas que já tinha dado à procura daquele papelinho. as ofertas são para se aproveitar. amanhã é dia de festa ;)
21 outubro 2008
Estou a planear um fim de semana de eventos lúdicos e culturais para contribuir para melhorar a economia (a de algumas lojas e locais de lazer, pelo menos), e ainda com conversa da treta ("A" conversa da treta). Lisboa não é dos meus locais favoritos, mas tem vôos directos e lojas abertas ao domingo, além de que faz parte de Portugal e em Portugal come-se bem e fala-se português, que línguas estrangeiras já me chegam as que falo todos os dias. De modos que queria aqui encomendar ao São Pedro um fim de semana de sol, ó fachavor, lá para o fim de Novembro. Sim, em Lisboa, Portugal, para os outros sítios pode mandar chuva ou o que mais lhe aprouver. Muito obrigada.
16 outubro 2008
A Zara já sabia
Quando o comum mortal (ou a comum mortal) já em Julho-Agosto viu as primeiras peças da colecção de outono-inverno da Zara, com aquele preto todo, mais o cinzento e o roxo, devia ter intuido que a crise estava aí a chegar, a toda a velocidade. Pelo menos, a crise de cores.
Posso dizer que as peças novas do meu guarda-roupa de coadunam perfeitamente com este sentimento de fim do mundo a chegar a qualquer momento mas só para alguns.
Posso dizer que as peças novas do meu guarda-roupa de coadunam perfeitamente com este sentimento de fim do mundo a chegar a qualquer momento mas só para alguns.
15 outubro 2008
Andar à roda
Há uma data de anos atrás, quando eu era uma teenager inconsciente - quando ouvi pela primeira vez as palavras teenager inconsciente, momento que correspondeu à invenção da expressão teenager inconsciente no meu imaginário - ah, e a palavra imaginário também era usada a torto e a direito - há esse tempo todo, usavam-se as palavras farfalota pimpinela e via-se um concurso ao fim da tarde no canal 1. Isto no tempo em que só havia dois canais, pelo menos na minha casa, embora na casa anterior tivéssemos apanhado também um canal espanhol, onde víamos o Espinete do barrio Sésamo, apesar de não percebermos grande coisa (isto no tempo em que não conseguia ler as legendas dos filmes porque não tinha tempo para ler as palavras todas antes que desaparecessem).
Há uma eternidade, portanto.
Ora eu não sei porque é que via aquilo, nem porque é que tanta gente via aquilo, pelo menos entre os meus colegas, mas desconfio que era um fenómeno nacional, que atingia todos os que estivessem em casa entre as 7 e as 8 da tarde/noite. (E isto já foi alguns anos depois de eu jogar futebol no ciclo com os rapazes, com uma bola de ténis, em que no último intervalo, antes da última aula, durante o inverno já era de noite e era dificílimo ver sequer por onde a bola andava, quanto mais marcar um golo nas balizas que eram bancos de betão. A última aula era das 6 às 7. Da tarde/noite.) Nesse tempo, por causa desse programa e das palhaçadas do seu apresentador, houve muitas expressões que se tornaram populares, muitas frases que toda a gente repetia (digamos do género do "o papel? qual papel?" dos malcheirosos ;)) e que faziam rir, mesmo não tendo piada nenhuma, por força da repetição. No século passado as coisas eram diferentes, não havia internet em casa e computadores só no instituto da juventude (lembro-me de ter feito um "curso" de MS-DOS, sim, o sistema operativo, e como aproveitava sempre que tinha tempo livre para ir para a sala de computadores "experimentar", um dia ter-me surgido uma dúvida: porque é que só se podia criar um determinado número de directorias filhas umas das outras (e ainda eram bastantes, o caminho da última ocupava duas linhas no monitor), apesar de não ter criado ficheiros e a disquette de 5 e 1/4" não estar cheia. Quando perguntei isto na aula, o professor exclamou "ah! então foste tu!!!", mas respostas, nada...), naturalmente que sendo as oportunidades de entretenimento menos diversificadas, as pessoas acabassem por passar mais tempo em frente à televisão do que hoje em dia, e havendo poucos canais, teriam todas que estar a olhar para (quase) a mesma coisa.
Resumindo, e concluindo. Eu pensava que o pessoal via aquilo por causa das piadas do Herman. A sério. Tanto os mais novos como os mais velhos. (Mas eu também gostava de ver os três dukes quando tinha oito anos e nunca pensei que a Daisy tivesse alguma coisa de especial, pois o melhor daquilo era o carro cor de laranja em que se entrava pelas janelas. Sou muito inocente portanto.) Até ontem. Confrontado com o puzzle do tema "título", cuja resposta seria "O Fio da Navalha" (e que adivinhei mal apareceu o N, pois já tinha lido o livro, apesar de os concorrentes continuarem a mandar tiros ao lado durante algum tempo), fiquei à espera que terminassem o puzzle para ouvir o que seria dito sobre o tal livro, até porque acho que seria uma leitura óptima para este momento (e sim, claro que foi um livro que gostei). Mas mal termina, o meu miúdo muda de canal. E porquê? Porque o puzzle tinha acabado, o resto não interessa. Hoje em dia é assim. O que importa não é a conversa, não são as piadas, não são as brincadeiras. Se o programa é um concurso, o que interessa é o jogo. Guardem as piadas para os programas de piadas.
(e sim, este post podia ter sido dividido em muitos posts mais pequenos. mas não temos tempo.)
Há uma eternidade, portanto.
Ora eu não sei porque é que via aquilo, nem porque é que tanta gente via aquilo, pelo menos entre os meus colegas, mas desconfio que era um fenómeno nacional, que atingia todos os que estivessem em casa entre as 7 e as 8 da tarde/noite. (E isto já foi alguns anos depois de eu jogar futebol no ciclo com os rapazes, com uma bola de ténis, em que no último intervalo, antes da última aula, durante o inverno já era de noite e era dificílimo ver sequer por onde a bola andava, quanto mais marcar um golo nas balizas que eram bancos de betão. A última aula era das 6 às 7. Da tarde/noite.) Nesse tempo, por causa desse programa e das palhaçadas do seu apresentador, houve muitas expressões que se tornaram populares, muitas frases que toda a gente repetia (digamos do género do "o papel? qual papel?" dos malcheirosos ;)) e que faziam rir, mesmo não tendo piada nenhuma, por força da repetição. No século passado as coisas eram diferentes, não havia internet em casa e computadores só no instituto da juventude (lembro-me de ter feito um "curso" de MS-DOS, sim, o sistema operativo, e como aproveitava sempre que tinha tempo livre para ir para a sala de computadores "experimentar", um dia ter-me surgido uma dúvida: porque é que só se podia criar um determinado número de directorias filhas umas das outras (e ainda eram bastantes, o caminho da última ocupava duas linhas no monitor), apesar de não ter criado ficheiros e a disquette de 5 e 1/4" não estar cheia. Quando perguntei isto na aula, o professor exclamou "ah! então foste tu!!!", mas respostas, nada...), naturalmente que sendo as oportunidades de entretenimento menos diversificadas, as pessoas acabassem por passar mais tempo em frente à televisão do que hoje em dia, e havendo poucos canais, teriam todas que estar a olhar para (quase) a mesma coisa.
Resumindo, e concluindo. Eu pensava que o pessoal via aquilo por causa das piadas do Herman. A sério. Tanto os mais novos como os mais velhos. (Mas eu também gostava de ver os três dukes quando tinha oito anos e nunca pensei que a Daisy tivesse alguma coisa de especial, pois o melhor daquilo era o carro cor de laranja em que se entrava pelas janelas. Sou muito inocente portanto.) Até ontem. Confrontado com o puzzle do tema "título", cuja resposta seria "O Fio da Navalha" (e que adivinhei mal apareceu o N, pois já tinha lido o livro, apesar de os concorrentes continuarem a mandar tiros ao lado durante algum tempo), fiquei à espera que terminassem o puzzle para ouvir o que seria dito sobre o tal livro, até porque acho que seria uma leitura óptima para este momento (e sim, claro que foi um livro que gostei). Mas mal termina, o meu miúdo muda de canal. E porquê? Porque o puzzle tinha acabado, o resto não interessa. Hoje em dia é assim. O que importa não é a conversa, não são as piadas, não são as brincadeiras. Se o programa é um concurso, o que interessa é o jogo. Guardem as piadas para os programas de piadas.
(e sim, este post podia ter sido dividido em muitos posts mais pequenos. mas não temos tempo.)
Bandeira ao Vento
Nao podendo escrever assim, fico contente à mesma quando leio posts destes. Assim a dar para o humor negro, só ligeiramente, provocando um sorriso, criando a imagem na minha mente, e, vá lá um bocado de inveja, pronto, eu gostava mesmo de ter escrito um post como este.
(ainda aí estais a fazer o quê??? ide, ide ler o post, que vale a pena)
(ainda aí estais a fazer o quê??? ide, ide ler o post, que vale a pena)
14 outubro 2008
sem pachorra, sem nada
A miúda vai para a creche, apanha uma coisa qualquer que um dia a faz vomitar. Uma vez. Ela fica logo fina. O resto da família fica de molho. Pai, mãe, filho mais velho. A miúda ri-se para (de) todos, a gozar o panorama. Tem graça, não teve?
10 outubro 2008
09 outubro 2008
Hábitos
Quando eu era miúda e ficava sozinha* em casa aproveitava esses minutos para fazer todas as "asneiras" que podia. Desde lutas de água, em que despejavamos água por cima umas das outras, ou no chão da cozinha para depois patinarmos em cima dele, batalhas de morangos (ah, bons tempos), fazer tendas de cobertores e cadeiras, e, uma das brincadeiras favoritas, passear pela casa em cima do aquecedor a óleo, que tinha rodinhas. Tudo coisas proibidissimas. O meu pai, que costumava chegar antes da minha mãe ou ao mesmo tempo, de cada vez que chegava a casa, tocava sempre à campainha, usando um toque característico. Para mim, era o momento de arrumar tudo a alta velocidade (principalmente se fosse o aquecedor a óleo) ou fazer de conta que estava a limpar a cozinha.
Só há algum tempo é que me apercebi do que provavelmente estaria por detrás deste toque à campainha do meu pai. E isto, porque faço o mesmo com o meu filho. Quando eu não estou em casa, assumo que ele vai aproveitar para fazer todas as coisas que não pode, ou que estão restritas. Muito provavelmente vai aproveitar par jogar na playstation apesar de ser proibido durante a semana. E eu prefiro fazer de conta que não sei, e desde que ele faça os trabalhos de casa nem me importo. Mas toco à campainha. Quando abro a porta, são horas de fazer outras coisas. A campainha assinala o fim do que quer que ele estivesse a fazer, sem "só mais um minuto" ou "deixa-me só acabar este jogo". E ainda lhe dá o gostinho de pensar que esteve a fazer alguma coisa proibida.
*sozinha = sem os pais, mas não necessariamente só
Só há algum tempo é que me apercebi do que provavelmente estaria por detrás deste toque à campainha do meu pai. E isto, porque faço o mesmo com o meu filho. Quando eu não estou em casa, assumo que ele vai aproveitar para fazer todas as coisas que não pode, ou que estão restritas. Muito provavelmente vai aproveitar par jogar na playstation apesar de ser proibido durante a semana. E eu prefiro fazer de conta que não sei, e desde que ele faça os trabalhos de casa nem me importo. Mas toco à campainha. Quando abro a porta, são horas de fazer outras coisas. A campainha assinala o fim do que quer que ele estivesse a fazer, sem "só mais um minuto" ou "deixa-me só acabar este jogo". E ainda lhe dá o gostinho de pensar que esteve a fazer alguma coisa proibida.
*sozinha = sem os pais, mas não necessariamente só
07 outubro 2008
Diferenças (2)
Há uns anos (poucos, muito poucos), ia-se a Espanha, e as gasolineiras tinham todas preços diferentes. Atravessava-se o país e os preços podiam variar 10 cêntimos, ou quase. Hoje em dia não é assim. Os preços são praticamente fixos, a variação mínima, os únicos locais que diferem do "preço geral" (aquele cuja variação é de mais meio cêntimo, menos meio cêntimo) são alguns supermercados que vendem combustíveis.
Olhando para tudo isto, só tenho uma questão: quando é que a GALP entrou no mercado espanhol?
Olhando para tudo isto, só tenho uma questão: quando é que a GALP entrou no mercado espanhol?
Diferenças
Podia falar de muitas diferenças entre Portugal e Espanha, mas agora lembrei-me desta (por causa de um artigo que li não sei onde sobre os saldos de verão em Portugal este ano terem sido ... fraquinhos). Enquanto que, ainda em Julho, numa loja em Espanha os saldos estão a 70% do preço original (algumas coisas até a menos que isso), na mesma loja, em Portugal, em Agosto, o máximo de desconto que se vê é de 40%. Deve ser da crise...
06 outubro 2008
Biscotti italianos
(de fair trade, não por princípio mas porque eram as únicas bolachas/biscoitos/bolinhos de jeito naquela lojinha)
Raios, tinha logo que os comprar 20 minutos antes do almoço. De modos que ou vou almoçar j sem fome, ou fico aqui a aguar até ao lanche. Que coisas boas...
Raios, tinha logo que os comprar 20 minutos antes do almoço. De modos que ou vou almoçar j sem fome, ou fico aqui a aguar até ao lanche. Que coisas boas...
Prosseguimos a emissão dentro de momentos
Entretanto, fiquem com esta.
Num cruzeiro, um engraçadinho encontrao capitão do navio e pergunta-lhe:
- É verdade que, se acontecer algum problema, o senhor é o último a abandonar o barco?
Diz-lhe o capitão:
- Se isto afundar, sim, mas se explodir vamos todos ao mesmo tempo.
Num cruzeiro, um engraçadinho encontrao capitão do navio e pergunta-lhe:
- É verdade que, se acontecer algum problema, o senhor é o último a abandonar o barco?
Diz-lhe o capitão:
- Se isto afundar, sim, mas se explodir vamos todos ao mesmo tempo.
30 setembro 2008
Citação do dia
A woman will leave her husband before she leaves a good hairdresser.
(+/- isto: é mais fácil uma mulher deixar o marido do que deixar de ir a um bom cabeleireiro)
(+/- isto: é mais fácil uma mulher deixar o marido do que deixar de ir a um bom cabeleireiro)
Verde
Tanta conversa por causa de pagar sacos (sim, bem sei que isso já foi, mas acabo de lutar com a embalagem de uma pen e agora deu-me para isto), mas o que eu queria ver era alguém a dizer a quem vende as tralhas que a gente compra no supermercado e não só, que acabem com as embalagens excessivas. É que não há pachorra para as coisas minúsculas que vêm embaladas num montão de plástico e papel ou cartão. Ele é pens USB que vêm com mais plástico de embalagem do que a pen propriamente dita, ele é chupetas enfiadas numa data de plástico que só cortando com uma tesoura é que aquilo se desmancha, produtos de maquilhagem que vêm em pacotes que davam para 10 vezes a quantidade que se comprou, e isto são apenas pequenos exemplos. Outra é a querida amazon, sempre a anunciar que tem embalagens amigas do ambiente e tal e coiso, mas o meu computadorzinho que foi a última coisa que lá comprei vinha embalado em duas caixas de cartão, duas, em que a segunda além da primeira, só continha papel grosso. E sim, na primeira caixa vinha perfeitamente acondicionado e o espaço estava mais ou menos bem aproveitado.
Isto causa um enorme desperdício, que não é provocado pelos consumidores (pois se eu tenho que comprar as chupetas, não tenho culpa que venham com meio quilo extra de plástico e papel de que nao preciso e até agradecia que não viesse estorvar), no fim, quem paga, em todos os sentidos da palavra, é ele mesmo, o tal consumidor. E depois fala-se em pagar sacos de plástico, mas quanto aos excessos de plástico de embalagens, ninguém diz nada. Raios.
Isto causa um enorme desperdício, que não é provocado pelos consumidores (pois se eu tenho que comprar as chupetas, não tenho culpa que venham com meio quilo extra de plástico e papel de que nao preciso e até agradecia que não viesse estorvar), no fim, quem paga, em todos os sentidos da palavra, é ele mesmo, o tal consumidor. E depois fala-se em pagar sacos de plástico, mas quanto aos excessos de plástico de embalagens, ninguém diz nada. Raios.
28 setembro 2008
Fim de semana em comida
Por motivos bons e maus aqui fica a memória alimentar deste fim de semana.
1. Pão de queijo.
Eu gosto (gostava?) de pão de queijo. Tanto que andei a ver umas receitas na net, e um dia convenci-me que tinha que fazer pão de queijo em casa. Este verão, lá encontrei o ingrediente mais difícil (uma farinha típica do Brasil) num hipermercado, juntamente com receita e tudo, e trouxe para casa. Digamos que, embora o pão de queijo saiba a pão de queijo, nunca mais na vida vou fazer esta receita. A partir do momento em que juntei a tal farinha aos outros ingredientes (abri o pacote e logo depois fiz a mistura) espalhou-se pela casa todinha um cheiro horroroso. Assim tipo a ovos podres, para pior. Estive vai não vai para deitar tudo rapidamente ao lixo, mas contive-me. O resultado não foi mau, como disse, mas o pivete será para sempre recordado.
2. Mousse de chocolate.
Depois de uma experiência traumatizante, é sempre bom meter algo garantidamente bom à boca. Como mousse de chocolate.
125g de manteiga derretida com 200gramas de chocolate meio amargo (usei um com 50% de cacau, mas podia ter sido um pouco menos), 6 ovos (as gemas junta-se ao chocolate derretido com manteiga, as claras batem-se em castelo com 6 colheres de açúcar, e depois mistura-se tudo - envolver é a palavra chave).
Uma delícia. Já quase esqueci o pão de queijo.
1. Pão de queijo.
Eu gosto (gostava?) de pão de queijo. Tanto que andei a ver umas receitas na net, e um dia convenci-me que tinha que fazer pão de queijo em casa. Este verão, lá encontrei o ingrediente mais difícil (uma farinha típica do Brasil) num hipermercado, juntamente com receita e tudo, e trouxe para casa. Digamos que, embora o pão de queijo saiba a pão de queijo, nunca mais na vida vou fazer esta receita. A partir do momento em que juntei a tal farinha aos outros ingredientes (abri o pacote e logo depois fiz a mistura) espalhou-se pela casa todinha um cheiro horroroso. Assim tipo a ovos podres, para pior. Estive vai não vai para deitar tudo rapidamente ao lixo, mas contive-me. O resultado não foi mau, como disse, mas o pivete será para sempre recordado.
2. Mousse de chocolate.
Depois de uma experiência traumatizante, é sempre bom meter algo garantidamente bom à boca. Como mousse de chocolate.
125g de manteiga derretida com 200gramas de chocolate meio amargo (usei um com 50% de cacau, mas podia ter sido um pouco menos), 6 ovos (as gemas junta-se ao chocolate derretido com manteiga, as claras batem-se em castelo com 6 colheres de açúcar, e depois mistura-se tudo - envolver é a palavra chave).
Uma delícia. Já quase esqueci o pão de queijo.
22 setembro 2008
Os testes dele, no meu calendário, para eu não me esquecer de o mandar estudar quando for tempo disso. Dizem que com as meninas é mais fácil, mas eu sei que não tem nada a ver com ser menina ou menino, há uns que são organizados, outros que não, mesmo que sejam irmãos (ou irmãs) e tenham tido a mesma educação (pensam os pais), saem todos diferentes, uns tão fáceis, outros tão complicados, outros uma mistura de coisas complicadas e outras fáceis.
Hoje andei o dia à nora, mais uma vez, porque ele perdeu a carteira, e pior que perder a carteira é perder todos os cartões que lhe fazem falta, em especial o do autocarro. E depois claro, eu é que tenho que andar para trás e para a frente à procura do papel (qual papel?) afinal são dois papeis, e já não vai ter um bilhete normal mas um de tarifa reduzida que no fim do ano é reembolsado (mas então para que é que interessa ter a tarifa reduzida?). Mas o melhor de tudo é que no meio desta confusão (e de outras confusões) encontro uma mãe que me diz, deixa lá, não te aflijas, que a minha filha (a dela), com 19 anos e também é assim, uma cabeça no ar. E eu fico mais descansada, vai tudo continuar a correr bem, o miúdo ainda é o meu miúdo, ele é que me habituou mal ao ser na maior parte do tempo um amorzinho bem comportado. E entretanto, se perder a carteira (qual carteira, agora não tem nenhuma) outra vez durante este ano lectivo, não preciso de preencher mais papeis.
Hoje andei o dia à nora, mais uma vez, porque ele perdeu a carteira, e pior que perder a carteira é perder todos os cartões que lhe fazem falta, em especial o do autocarro. E depois claro, eu é que tenho que andar para trás e para a frente à procura do papel (qual papel?) afinal são dois papeis, e já não vai ter um bilhete normal mas um de tarifa reduzida que no fim do ano é reembolsado (mas então para que é que interessa ter a tarifa reduzida?). Mas o melhor de tudo é que no meio desta confusão (e de outras confusões) encontro uma mãe que me diz, deixa lá, não te aflijas, que a minha filha (a dela), com 19 anos e também é assim, uma cabeça no ar. E eu fico mais descansada, vai tudo continuar a correr bem, o miúdo ainda é o meu miúdo, ele é que me habituou mal ao ser na maior parte do tempo um amorzinho bem comportado. E entretanto, se perder a carteira (qual carteira, agora não tem nenhuma) outra vez durante este ano lectivo, não preciso de preencher mais papeis.
21 setembro 2008
Festas de/so' com rapazes
(ainda com teclado alemao configurado para ingles, e portanto a ter que adivinhar onde estao os caracteres, sem acentos, e com o z e y trocados, e ainda sem ter instalado o dicionario portugues, a minha vida nao e' isto...)
A proposito disto.
Tendo um miudo em casa, a experiencia de festas de anos so' com rapazes ou com algumas raparigas (poucas) e' sempre, hum, interessante. A festa (note-se o singular) so' com rapazes (talvez houvesse uma unica rapariga, ja' nao me lembro, mas se houve, nao me recordo de ela se ter metido nestes assados, ou, pelo menos, de os ter iniciado), em casa, foi uma experiencia que nunca esquecerei - felizmente, porque so' se estivesse doida e' que me metia noutra igual. Meia duzia de manfios que so' nao me destruiram a casa porque, na altura, nao havia nada a destruir. Desde as correrias pela casa toda (tudo bem), a jogarem 'as escondidas ca' dentro (nada contra), ate' espalharem papel higienico pela casa (ao menos estava limpo), fazerem batalhas de gelatina e misturarem mousse nas bebidas dos outros, e ainda, pegarem nuns apitos que por ai andavam e buzinarem com toda a forca que tinham. Tive que os por fora de casa (tudo para o parque brincar) apesar de o tempo nao estar grande coisa, guardei a cassete de video para nunca mais me esquecer, e prometi a mim mesma que festas de criancas na minha casa, nunca mais.
Dito isto, nas outras festas, as com mais meninas, ignorei (mas fiquei mal impressionada) as queixinhas (ele fez isto! ela fez aquilo!) e jurei que se alguma vez tivesse uma menina, nao iria tolerar mariquices. A ver vamos.
A proposito disto.
Tendo um miudo em casa, a experiencia de festas de anos so' com rapazes ou com algumas raparigas (poucas) e' sempre, hum, interessante. A festa (note-se o singular) so' com rapazes (talvez houvesse uma unica rapariga, ja' nao me lembro, mas se houve, nao me recordo de ela se ter metido nestes assados, ou, pelo menos, de os ter iniciado), em casa, foi uma experiencia que nunca esquecerei - felizmente, porque so' se estivesse doida e' que me metia noutra igual. Meia duzia de manfios que so' nao me destruiram a casa porque, na altura, nao havia nada a destruir. Desde as correrias pela casa toda (tudo bem), a jogarem 'as escondidas ca' dentro (nada contra), ate' espalharem papel higienico pela casa (ao menos estava limpo), fazerem batalhas de gelatina e misturarem mousse nas bebidas dos outros, e ainda, pegarem nuns apitos que por ai andavam e buzinarem com toda a forca que tinham. Tive que os por fora de casa (tudo para o parque brincar) apesar de o tempo nao estar grande coisa, guardei a cassete de video para nunca mais me esquecer, e prometi a mim mesma que festas de criancas na minha casa, nunca mais.
Dito isto, nas outras festas, as com mais meninas, ignorei (mas fiquei mal impressionada) as queixinhas (ele fez isto! ela fez aquilo!) e jurei que se alguma vez tivesse uma menina, nao iria tolerar mariquices. A ver vamos.
20 setembro 2008
A democracia é (supostamente) para todos
Ora isto de ir votar a Estugarda (que o consulado português em Munique é assim uma coisa tipo, vêm cá fazer-nos o jeito, às quintas de manhã, e uma vez por mês é que há cônsul, por isso duvido muito que se possa votar aqui, e Estugarda é o consulado "a sério" mais perto), que fica a uns 400km, mais coisa menos coisa, é para ficar aí nuns 100 euros, dependendo se se vai de carro, em carpool é capaz de dar isso, ou de comboio aí nuns 140 euros, que isto de votos é sempre ao domingo e aos domingos nao se arranjam os bilhetes de comboio baratos (também ficava aí por uns 60 euros no mínimo, e sem lugar sentado, 29 euros para ir e 29 euros para voltar, se houvesse esses tais bilhetes "baratos" em segunda classe - que para viagens ao domingo são o equivalente a uma miragem no deserto). De modos que, para a meia dúzia de portugueses que aqui vivem, ou se acabou a democracia, ou o governo alemão, através dos impostos como o IVA e o ISP, vai ganhar ainda mais uns cobres à custa deles. Everybody wins.
Quando eu for grande...
...e já não ouvir rádios decentes, porque não tenho pachorra para a publicidade (caso PT) ou porque não tenho pachorra para a conversa ininterrupta (hence, no music, caso DE), ou não tenho pachorra para a música com 30 anos que essa já a ouvi nos anos anteriores (caso DE outra vez), quero encontrar alguém que goste de músicas que eu potencialmente gostarei também, depois de as ouvir. E quando o encontrar, vou-lhe deixar aqui o meu muito obrigada.
(já está. sniper, já te disse que tens muito bom gosto? continua com a música do dia, pleaseeeeeeeeeeeeeee)
(já está. sniper, já te disse que tens muito bom gosto? continua com a música do dia, pleaseeeeeeeeeeeeeee)
Adoro Linux
Quase duas semanas depois (passou assim tao depressa?) e nao podia estar mais contente com o meu AA1. Arranca e desliga rapidamente, liga-se 'a net num instante nas redes wireless que experimentei, pu-lo a funcionar em ingles e encontrei montes de sitios onde descobrir como fazer mais coisas giras com ele. Claro que nao e perfeito, mas e' muito divertido. Podia ja' ter instalado o dicionario de portugues, mas estive mais preocupada em instalar jogos... porque sera'?
Podera' ser da versao do Linux que vem com o brinquedo - tambem chamada de Linux for dummies pelos geeks - mas a verdade e' que isto e' bem mais simples do que eu imaginava. Um mimo.
Podera' ser da versao do Linux que vem com o brinquedo - tambem chamada de Linux for dummies pelos geeks - mas a verdade e' que isto e' bem mais simples do que eu imaginava. Um mimo.
18 setembro 2008
Aos sete meses, a minha bonequinha bate palmas, e eu bato-lhe palmas de admiração. Parece-me cedo, mas não sei. Vai (tem andado a ir) para a creche, e adora os meninos, as educadoras, a animação. Temos lá ficado, os pais, à vez, para que ela não estranhe antes que aquilo se entranhe, mas parece-me que não fazemos lá falta nenhuma. A maior aprendizagem desta semana tem sido ver como adultos. alguns mais velhos que eu, têm por função aturar os filhos dos outros, e como o fazem com tanta dedicação, carinho, e infantilidade. Não era trabalho para mim, sei-o bem. E agradeço do fundo do coração haver pessoas assim, que gostam de ver e ajudar a crescer pirralhinhos ranhosos, chorosos, choramingões, brincalhões, e risonhos.
15 setembro 2008
Evil
O que fazer com dois adultos que trabalham juntos e se comportam como duas crianças, daquelas que se pegam por tudo e por nada, gritam, e batem com as portas?
a) separá-los. pô-los a trabalhar em coisas diferentes de modo a que não tenham que interagir.
b) juntá-los. castigá-los forçando-os a aturarem-se durante o espaço de tempo mais longo possível, até que se dêem bem ou se matem.
Prefiro a alternativa b). Dessa forma, não há nada a perder. É pena não ser eu a mandar... mas vou sugerir. :D
a) separá-los. pô-los a trabalhar em coisas diferentes de modo a que não tenham que interagir.
b) juntá-los. castigá-los forçando-os a aturarem-se durante o espaço de tempo mais longo possível, até que se dêem bem ou se matem.
Prefiro a alternativa b). Dessa forma, não há nada a perder. É pena não ser eu a mandar... mas vou sugerir. :D
USB stuck
Já alguém matou uma pen USB? Assim uma daquelas memórias que se ligam na porta USB do computador? Ou toda a gente usa aquela funcionalidade de windows para retirar o hardware de forma segura?
Não sei se foi da pen, do windows, ou sequer se tirei aquilo do sítio antes de dar o berro. Mas deu. E nunca antes me tinha passado pela cabeça que um stick pudesse morrer assim tão depressa, sem um ai nem um suspiro.
Não sei se foi da pen, do windows, ou sequer se tirei aquilo do sítio antes de dar o berro. Mas deu. E nunca antes me tinha passado pela cabeça que um stick pudesse morrer assim tão depressa, sem um ai nem um suspiro.
Raios
Além de ter saído sem casaco de Inverno (um pequeno casaquinho de malha teve que me proteger do frio horroroso e dos chuviscos), a juntar à tortura tenho um par de sapatos novos. E bolhas nos pés novas. Há dias em que imitar os alemães (tirar os sapatos ou usar chinelos com meias em público) não parece má ideia. Vou ali esbofetear-me e já volto.
Chegou, de um dia para o outro, o Inverno. Abruptamente, sem dar tempo a que uma pessoa se habituasse a dias menos quentes, chegam o frio, com alguma chuva a acompanhar. Felizmente já cá estou há duas semanas, e desde o primeiro dia que venho a antecipar um cenário destes. Por incrível que (me) pareça, fiquei com pena dos bávaros que vieram hoje ou ontem de férias. Há lá maior balde de água fria (literalmente) que apanhar um tempo destes logo a seguir a umas férias num destino paradisíaco (todos onde haja sol e calor)?
09 setembro 2008
one
O meu brinquedo novo é muito fixe. Vem com Linux, é muito fácil de usar, arranca em super velocidade, comparando com o computador de secretária (o "a sério"), liga-se à net bem mais depressa, e tem tudo o que me faz falta para andar, literalmente, em cima do joelho.
Já não usava Linux há uns 8 anos. Nem sequer me lembrava como se editavam ficheiros, nada de nada. Ainda assim, isto não custa nada. Mudar a configuracao do teclado (para alemão) foi a coisa mais difícil que fiz até agora, mas com a ajuda da internet, a partir desta pequena maravilha, foi um instante. O melhor de tudo, em relacao aos computadores que se compram nesta terra, foi que pude escolher a linguagem do sistema operativo. Fantástico. Por menos 50 euros do que custaria o mesmo bichinho com o windows (em alemão, sem escolha possível)que mais tarde ou mais cedo trataria de por o sistema a arrastar-se como se fora um caracolito.
Os últimos dois dias passei-os em fóruns sobre Linux, a ver quais eram as opiniões sobre o aspire one, enquanto ele não vinha. Já percebi que há imensas pessoas a usar esta coisinha linda e que se podem fazer imensas coisas que não vêm pré-instaladas. De repente, o disco de 120GB parece-me enorme. Isto é giro, tem bom aspecto, e não tem a marca do Bill - sempre que penso em windows vêm-me à memória dois computadores que precisam de uma limpeza geral que vai ser penosa e extremamente demorada.
Eu já disse que estou contente? Next step, emprestar o netbook ao puto. A ver como ele se dá com o bicho.
*ainda me falta instalar o corrector de português, para ter as cedilhas. mas isso é brincadeira de crianca.
Já não usava Linux há uns 8 anos. Nem sequer me lembrava como se editavam ficheiros, nada de nada. Ainda assim, isto não custa nada. Mudar a configuracao do teclado (para alemão) foi a coisa mais difícil que fiz até agora, mas com a ajuda da internet, a partir desta pequena maravilha, foi um instante. O melhor de tudo, em relacao aos computadores que se compram nesta terra, foi que pude escolher a linguagem do sistema operativo. Fantástico. Por menos 50 euros do que custaria o mesmo bichinho com o windows (em alemão, sem escolha possível)que mais tarde ou mais cedo trataria de por o sistema a arrastar-se como se fora um caracolito.
Os últimos dois dias passei-os em fóruns sobre Linux, a ver quais eram as opiniões sobre o aspire one, enquanto ele não vinha. Já percebi que há imensas pessoas a usar esta coisinha linda e que se podem fazer imensas coisas que não vêm pré-instaladas. De repente, o disco de 120GB parece-me enorme. Isto é giro, tem bom aspecto, e não tem a marca do Bill - sempre que penso em windows vêm-me à memória dois computadores que precisam de uma limpeza geral que vai ser penosa e extremamente demorada.
Eu já disse que estou contente? Next step, emprestar o netbook ao puto. A ver como ele se dá com o bicho.
*ainda me falta instalar o corrector de português, para ter as cedilhas. mas isso é brincadeira de crianca.
Assalto à moda alemã*
Há uns dias ouvi uma história, em segunda mão, de um assalto a um banco que se verificou há umas semanas no Sul da Alemanha. Um indivíduo de uma terra pequena decidiu assaltar um banco de outra terreola vizinha. Mas não pensem que este indivíduo era um meliante qualquer. Em primeiro lugar, utilizou uma máscara para cobrir a cara. Até aqui, parecerá ao leitor que este assaltante não se distingue dos outros, mas a verdade é que a história deste assalto é muito diferente das que normalmente ouvimos nos (tele)jornais. Pois o meliante chega ao banco a meio do dia, e está uma velhinha a ser atendida. E o que é que ele faz? Começa aos gritos, brandindo a arma e ordenando a entrega de todo o dinheiro que por ali houver? Não. Este bandido é bem educado. Espera pacientemente a sua vez, e só quando o empregado acaba de atender a velhinha é que se aproxima do balcão, e pede que por favor lhe entreguem o dinheiro que por ali houver. Entretanto, um dos empregados pergunta a outro se já carregou no botão, o qual responde afirmativamente. Ao mesmo tempo, no piso superior um funcionário alertava o informático que tirasse umas fotos com as câmaras de vídeo. O informático estava ocupado “a fazer umas coisas”, pelo que repondeu que já ia (calma, calma), mas quando lhe explicaram que estava a decorrer um assalto, executou imediatamente a tarefa de tirar as fotos. Entretanto o assaltante apressa-se a guardar o dinheirinho, e põe-se a andar dali para fora. E qual o meio de fuga utilizado? Ali não havia metro nem comboio nem transporte público, pelo que o meliante escolheu usar ...uma bicicleta. A polícia ainda demorou algum tempo, e como ao chegar já não havia rasto do ladrão (devia ser um ciclista profissional), enviaram um helicóptero, que também não consegui encontrar o homem. Posteriormente veio-se a saber que ele teria um carro escondido a uns kilómetros de distância, perto da floresta (é o que não falta por aí, é floresta para um gajo esconder um carro), que usou para continuar a fuga.
Ora um ladrão desta envergadura, educado e amigo do ambiente, para onde é que vai depois de um assalto a um banco? Para as Bahamas? Para a República Domicana? Para as Maldivas? Não. Um gajo destes só podia ir... para casa da mamã.
No dia seguinte, a mãe vê a notícia do roubo num jornal local. Apesar da cara tapada, ela reconhece o filho pelas roupas que ele usava. O que é que esta mãe faz: avisa o filho, ou ele se entrega à justiça ou ela terá que o denunciar. E assim acaba a história, com o assaltante de bancos a entregar-se na esquadra mais próxima por ordem de sua mãe.
* título largamente exagerado, até porque é o único assalto de que ouvi falar em pormenor, mas dado a minha exposição exagerada a noticiários portugueses nos últimos meses, perfeitamente aceitável
Ora um ladrão desta envergadura, educado e amigo do ambiente, para onde é que vai depois de um assalto a um banco? Para as Bahamas? Para a República Domicana? Para as Maldivas? Não. Um gajo destes só podia ir... para casa da mamã.
No dia seguinte, a mãe vê a notícia do roubo num jornal local. Apesar da cara tapada, ela reconhece o filho pelas roupas que ele usava. O que é que esta mãe faz: avisa o filho, ou ele se entrega à justiça ou ela terá que o denunciar. E assim acaba a história, com o assaltante de bancos a entregar-se na esquadra mais próxima por ordem de sua mãe.
* título largamente exagerado, até porque é o único assalto de que ouvi falar em pormenor, mas dado a minha exposição exagerada a noticiários portugueses nos últimos meses, perfeitamente aceitável
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