16 julho 2013

Silly season

Passa-se o ano inteiro dentro de quatro paredes - casa, trabalho, casa, trabalho - vê-se televisão e revistas no cabeleireiro ou na sala de espera dos médicos, e acha-se que sim, estamos gordas, gordíssimas, ainda para mais sabendo que agora as revistas até usam o photoshop para engordar as modelos que fotografam que é para o comum dos mortais não declarar guerra aberta à magreza extrema. Há sempre qualquer coisa que está mal, que não é perfeita, porque os nossos corpos têm vontades próprias e não dependem só do que comemos (e comemos sempre mal), da quantidade de água que bebemos (é sempre pouca), do exercício que fazemos (nunca chega), e, em suma, porque não nos parecemos assim tanto como as modelos das revistas ou as mulheres que aparecem na televisão (ok, aqui há excepções, não exageremos que na televisão vai aparecendo de tudo um pouco).
Chega Abril, Maio, meses das dietas loucas em tudo quanto é jornal e revista, nunca estamos bem estejamos como estivermos, e quando me começo a lembrar da malta que (sobre)vive à custa de bebidas verdes que eu nem morta meteria nos lábios penso que prefiro ser como sou e comer o que como, a andar para aí a comer cenas que não lembram ao diabo para ficar um pau de virar tripas. A sério, eu como sopa se a houver, salada e legumes, mas não me tirem as batatas, o arroz, a carne, o marisco, os ovos, o leite, os iogurtes, o queijo, os doces, um ou mais deste grupo, não, não me tirem a comida de que eu gosto. Não sinto necessidade nenhuma de pesar 50 quilos, obrigada, e prefiro carregar dois ou três quilitos a mais do que deixar de comer as coisas que me põem um sorriso na cara. Posso não ser magra, mas sou feliz. Feliz com um frango de churrasco à frente (adoro), uma torta de ovos, um café com açúcar, uma sopa de agriões, um bacalhau com batatas e legumes cozidos.
Vindo o verão, a praia, nunca estamos suficientemente morenas, e depois ficamos morenas demais, mas pensamos por uns instantes nos quilitos a mais, até que se chega lá. À praia. A praia é democrática, dá para toda a gente. Gordos, magros, novos e velhos, gulosos e virtuosos. E está cheia de portugueses, com a mesma genética que eu. É como se de repente tivesse aberto uma revista viva, com gente de todos os tamanhos, uns mais bonitos, outros menos, uns de formas mais abonadas, outros menos, uns mais resistentes ao sol, outros menos. E só posso sentir-me bem na minha pele, que vai ficando dourada do sol. Está tudo lindamente, estou lindamente, e agora vou mas é dar um mergulho, que a água hoje está completamente calma pois quase não há ondas. Por cá não há baleias, somos todos golfinhos.

15 julho 2013

Uma mala Chanel

Estava na praia a pensar na vida - a praia é um sítio genial, mesmo no pico do Verão e cheia de gente, dá para fazer imensas coisas para as quais normalmente não se tem tempo ou disposição. Pensar na vida, por exemplo, dormir umas sonecas durante o dia (mesmo que haja meia dúzia de miúdos aos berros), descontrair, deixar-se ir. Observar pessoas, desde as famílias de pais e filhos ou avós e netos, adolescentes com os amigos, pares de namorados de todas as idades, e vendedores de tudo e mais alguma coisa. A bem-regressada bola de berlim com creme já marchou várias vezes - uma pessoa resiste ao primeiro vendedor que passa, resiste ao segundo, e quando passa o terceiro ou o quarto desiste, afinal já fez uma caminhada ou nadou um bom bocado no mar, aquela bolinha vem mesmo a calhar. E, desta vez, uma novidade para mim, reparo que há vendedores de malas Luis Vuiton. (Podia ir ver se escrevi bem ou mal, mas não interessa, pois é evidente que malas das verdadeiras, cujos preços são superiores a dois ou três salários mínimos, não se vendem na praia.)
Primeira questão que me ocorre - qual a velocidade a que o tipo consegue correr quando avistar a polícia. É que enquanto andam a vender óculos de sol de plástico, a questão é se têm licença para vender na praia, há-de ser uma coisa, quando começam a vender produtos contrafeitos, o problema já é outro, provavelmente mais grave.
Lembro-me da história da mala Chanel. No Inverno, na altura do Natal, até me podia parecer razoável, a ideia de ter uma mala cara, boa, que dure uma vida. Com certeza que haverá situações em que seja completamente apropriado usar uma carteira de óptima qualidade, bonita, apresentável.
No entanto, a meio de Julho, a ideia de gastar uma enormidade numa carteira parece-me incrível. Mesmo que me saísse o euromilhões, duvido que fosse capaz de gastar tanto dinheiro numa coisa deste género, por muitas qualidades que a carteira possa ter. De cada vez que olho para as malas Luis Vuiton do mercador ambulante penso: o original equivale a quinze dias de férias com a família. Ou um carro em segunda mão. E ainda, mas quem é que anda com uma coisa tão valiosa na rua? (Depois lembro-me de Cannes, mas isso é outro mundo.)

13 julho 2013

Halibut

(Isto também se poderia intitular "porque é que ninguém me avisou".)

O Halibut - pomada com óxido de zinco, para as assaduras das fraldas nos bebés entre outros usos possíveis - cheira a peixe. Se calhar é daí que lhe vem o nome, embora o peixe que vem indicado nos ingredientes seja o bacalhau (óleo de fígado do dito) e não halibute.

(Se eu soubesse isto, não o tinha comprado.)

11 julho 2013

Conselho para a vida

Homem, indiano:
"I should have married the woman of my parents' dreams" (devia ter casado com a mulher dos sonhos dos meus pais)
- The best exotic Marigold hotel


Muito bom.

Estão verdes

Anda para aí um rapaz que tem uma mota Triumph, preta, linda que só ela. Pneus largos, mota larga, assento bem baixinho. Estava eu a passar e a babar com a mota, sai-me um "que mota tão gira, mas não dava para mim, parece-me mais pesada que a minha, de certeza que a deixava cair". O rapaz riu-se. Eu também me riria, se não tivesse mesmo deixado a minha mota cair duas vezes, duas, ambas as vezes  da posição de parada. Isto contado ninguém acredita, como me falhou o balanço e deixei a mota cair em câmara lenta, duas vezes. Duas. Uma para a esquerda, outra para a direita, para equilibrar. Entretanto mandei baixar o assento e não me voltou a acontecer, mas já passou imenso tempo e ainda me dói. Tadinha da mota, ainda tem uns riscos para que eu não me esqueça.

10 julho 2013

Raios

Sai uma pessoa da praia a horas recomendáveis, pouco depois do meio dia, para apanhar um escaldão logo a seguir. E como é que isto sucede, perguntam vocês, e como é que eu sei que não foi mas é na praia? Ora, no caminho a pé para casa (5 minutos, senhores!) parei para comprar laranjas. Parei, à sombra, uns minutinhos para comprar laranjas na rua (laranjas portuguesas, que o continente só estava a vender laranjas estrangeiras e eu acho mal e portanto não comprei), e quando cheguei a casa estava um bocadito vermelha no nariz. Pensava eu que era só o nariz, até que virei alvo de chacota por causa das minhas costas e frente. E eu pensei, raios, pus protector mas depois fui à água e tramei-me, deve ter saído e nem dei por nada, mas depois vi-me ao espelho, e o que é facto é que tenho a bela da marca do biquini e da t-shirt. Como não uso t-shirt na praia, concluo que aqueles 5 minutos a pé depois da praia da manhã são a parte mais perigosa do dia todo. A partir de hoje saio da praia a tempo de chegar a casa ao meio dia. Já não tenho idade para apanhar escaldões - que é nunca, mas sabem como era antigamente, quando não havia propriamente protector solar, nesses tempos apanhei realmente uns escaldões que nem quero que me lembre. Hoje fiquei um nadinha vermelha, amanhã quando acordar não vai ser nada, mas era escusado, fica-me de emenda.

09 julho 2013

Azul, azul e mais azul


O Inverno foi duro e cinzento, a primavera praticamente não existiu, o verão, para mim, começa agora. Faz-me falta o azul quando não o há por muito tempo.

07 julho 2013

E faz-se luz

Os meus pais andam a aprender inglês. Usam um programa de computador que lhes mostra coisas e vai dizendo as palavras que estão escritas no écran. Eu acho a ideia de uns velhotes com mais de 60 anos cada um andarem a aprender inglês absolutamente deliciosa. São uns queridos os meus pais. As coisas que eles fazem por causa das escolhas das filhas. Mas uma coisa é a ideia, outra coisa é a prática. Isto de aprender línguas, ainda para mais numa idade avançada (mais de 18 anos, diria eu ;)) não é nada fácil. E usando um programa de computador, em vez de ter aulas com um professor, poderá não ser a melhor ideia... ou talvez a dificuldade seja o facto de haver tantas maneiras de falar inglês correctas - porque em cada país de língua oficial inglesa, há vários sotaques regionais, e não se pode, na minha opinião, dizer que algum deles é "errado".
Estava eu a apreciar os meus pais na sua aula de inglês - e eles tão orgulhosos dos seus progressos (e eu deles) , quando comecei a ter dificuldade em entender o que estava a ser dito, no computador.
"Put the lettuce in the right order", entendi eu, mas afinal era "put the letters in the right order". Sim, porque é que alguém diria para ordenar a alface, eu também não estava a perceber o sentido. A minha mãe insistia que o meu pai dizia "sex" em vez de "six", e, ouvindo o programa, aquilo não era bem "six" que dizia... Mais uns exemplos, e fez-se luz. Pai, mãe, sois os maiores.


I've been so sad
Since you said my accent was bad
He's wearin' a frown
This Caledonian clown

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

Some days I stand
On your green and pleasant land
How dare I show face
When my diction is such a disgrace

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

You say that if I want to get ahead
The language I use should be left for dead
It doesn't please your ear
And though you tell it like a leg-pull
It seems you're still full of John Bull
You just refuse to hear

Oh what can I do
To be understood by you
Perhaps for some money
I could talk like a bee dripping honey.

I'm just going to have to learn to hesitate
To make sure my words
On your Saxon ears don't grate
But I wouldn't know a single word to say
If I flattened all the vowels
And threw the 'R' away

You say that if I want to get ahead
The language I use should be left for dead
It doesn't please your ear
And though you tell it like a leg-pull
I think you're still full of John Bull
You just refuse to hear

06 julho 2013

04 julho 2013

Taxar as impressoras

Estou pasmada com esta notícia do DN (impressoras podem ser tributadas para direitos de autor). (press release aqui)

Tenho uma impressora em casa, ligada ao meu computador. Imprimo meia dúzia de folhas por ano, normalmente cartas oficiais, por exemplo para a seguradora, documentos privados criados em word ou excel por mim, e ocasionalmente bilhetes de avião. Pensando bem, o único documento que habitualmente imprimo e do qual não detenho o direito de autor é o ocasional bilhete de avião. No entanto não é esse tipo de documento que está em questão.

O tribunal europeu de justiça, na sequência de julgamentos em tribunais alemães, decidiu que os Estados membros poderão impôr taxas de direitos de autor sobre as impressoras ligadas a um computador. Cabe aos Estados decidir como e quanto, e se haverá excepções.
Em conversa com a jonasnuts no twitter, percebo que a ideia, em Portugal, é que muita gente fotocopia livros e como tal faria sentido cobrar direitos de autor sobre as impressoras. No entanto, tenho que argumentar que, se é essa a razão, então apenas se deveria taxar as fotocopiadoras industriais. Ninguém imprime em casa um livro, sai muitíssimo mais caro que fotocopiar e demora imenso tempo. Além do mais há na net serviços de impressão de pdf em formato livro que cobram pouquíssimo, comparando com o custo de impressão doméstico. 
O artigo fala em "imprimir uma página" como violação de direitos de autor. Penso que isto é um argumento falacioso, e que imprimir uma única página até poderá não infringir nenhum direito de autor, dependendo do documento em causa.
Não gosto de ser tratada como criminosa à partida, e ainda menos de ser tratada como criminosa independentemente de haver ou não provas de que não cometi o crime. Nem sequer se assume que somos inocentes até ser provada a culpa, qualquer pessoa que compre uma impressora é imediatamente culpado independentemente de nunca vir a ofender o direito de autor de ninguém.

E já agora, quem é que me vai pagar a minha parte dos direitos de autor, já que alguém (eu e outros) com toda a certeza irão imprimir documentos cujo direito de autor me pertence?

01 julho 2013

Um dia de sol na Baviera

Sentada a ver o mundo passar, a apanhar sol, deparo-me com esta cena. Um velhote a fumar na soleira da porta de um edifício com ar antigo, tectos muito altos, janelas enormes. Ao  lado da porta, um sinal indicativo das empresas que ali funcionam, mais os médicos de medicina interna. Acho sempre estranho ver pessoas a fumar à porta dos edifícios onde funcionam estabelecimentos de saúde.
Mais uns minutos, aparece um rapaz. Só o vi por trás,  e não estava nada à espera do que vi. Sabem daquela "moda" de andar com as calças no fundo do rabo? Normalmente as calças a cair vêm acompanhadas de boxers compridos por dentro. Estas tinham em falta esse componente essencial, pelo que fui brindada com uma tira de rabo tão larga que até se notava o redondo. E pronto, a minha mente de miúda de 15 anos achou que isto tinha que ser partilhado. Agora riam-se comigo. Acrescento que enquanto o rapaz passou em frente ao velhote, entrou pela porta do edifício e subiu as escadas interiores, o velhote ficou a segui-lo com o olhar o tempo todo. Portanto não sou só eu a depravada. Pronto, está bem, sou, o velhote olhava com um olhar altamente reprovador, mas no fundo se calhar até estava a admirar a paisagem, mas é...