26 dezembro 2012

Sorte

1. Corremos para apanhar o autocarro. Foi por pouco.
2. Esqueci-me da mochila no comboio.
3. Controlo de segurança no aeroporto. Apercebo-me de que me esqueci da mochila no comboio e entro em pânico. Costumo guardar os bilhetes de identidade e cartões de embarque na mochila. Felizmente, desta vez tinha-os na carteira, que ainda estava comigo. Uma sorte no meio do azar.
4. Contacto os serviços de perdidos e achados dos comboios (não havia tempo para voltar atrás). Dizem que vão procurar.
5. No avião. Passo a viagem a pensar na mochila. Computador, DVDs, prendas que tinha lá dentro. Pen USB e modem USB. Phones. Roupa de emergência para o caso de me perderem a mala. Documentos oficiais de difícil substituição. Faço uma lista do que me lembro que lá estava. Nunca tinha perdido uma mochila na vida, nunca tinha perdido nada tão importante. (OK, relativamente importante, não é o fim do mundo.)
6. Lisboa. Enquanto trocamos de avião, recebo uma chamada de Munique. Encontraram a mochila e perguntam se posso mandar alguém a buscá-la. Posso.
7. Porto. A mochila já foi resgatada. As prendas serão entregues depois do Natal. Não sei se o conteúdo está lá como o deixei, mas aposto que sim. Confirmo no ano novo.

Tenho uma sorte que nunca mais acaba. A sério.

24 dezembro 2012

É Natal, é Natal!

Natal na terrinha. Paz e sossego nas ruas, não andasse a malta com caixas de bolo rei nas mãos e nem se notava a diferença.
Ainda há bocado fui num instante (a pé) comprar uma prenda de última hora. Nem filas, nem atropelos, nem trânsito.  Planos para a tarde? Comprar a última prenda que me falta (há sempre alguma coisa que fica para o último dia), decidir entre fazer leite creme ou bolo de chocolate. Ou os dois. E comer rabanadas da minha mãe a seguir ao almoço.
Adoro o Natal.

17 dezembro 2012

Natal no centro de Munique


Finalmente la' fui, eu também, 'as compras de Natal. na rua, como deve ser, num dia relativamente quente (graus positivos - t-shirt, cachecol e casaco), que e' como eu prefiro. Muita gente, muitas decorações, lojas cheias. La' despachei as ultimas prendas que me faltavam (os homens, são sempre eles que ficam para o fim, que não há orçamento para as coisas que eu sei que eles iam gostar - robots e helicópteros e coisas assim). E no fim ainda tive que ir 'a loja de chocolates, a loja de chocolates. Tem graça, pois fica ao lado de uma loja da Neuhaus, que supostamente e' boa. Mas a Neuhaus estava 'as moscas, enquanto que a loja estava cheia e com fila que se prolongava por uns metros pela rua fora. Quatro senhoras la' dentro aviavam os clientes o mais depressa que podiam, e eu ia tirando fotos, vendo o mail, mandando SMS, conversando com as pessoas que esperavam também, e ouvindo  o violinista que fazia serviço publico com o seu repertório (no meio da confusão acabei por me esquecer de ir la' agradecer no final, 'a próxima tenho de me lembrar). Ainda pensei em ir 'a minha vida, que tinha outros afazeres, e voltar mais tarde, mas ainda bem que o não fiz, pois quando finalmente sai da loja com o meu saquinho a fila la' fora tinha duplicado de tamanho. Suponho que só termine no dia 24 'a hora de fechar.


Por este ano, acho que e' tudo. Despachei a maioria das compras de Natal online e o resto foi hoje. Por agora, chega de "rua", lojas, comércios, mercados, para mim.

15 dezembro 2012

O meu avô

O meu avô foi emigrante em França e na Suíça durante alguns anos. Não falava muito desses tempos, mas contava duas histórias repetidas vezes, ambas sobre mal entendidos. Num dos sítios para onde foi trabalhar ao almoço perguntaram-lhe se queria pêra. Ou ele assim entendeu. E o meu avô respondeu, em português que era a única língua que sabia, "Que venha a pêra , o que vem, morre!". Deram-lhe uma cerveja.
A outra  história passou-se num supermercado. O meu avô viu uma lata de algo que pensou que fosse carne, e perguntou a uma empregada se aquilo era bom. A empregada disse que sim, o meu avô pagou e levou para casa, para o jantar. Era comida de gato. Ele nunca contou se descobriu o que era antes ou depois de abrir a lata...
Penso no meu avô muitas vezes.
Naquela altura não havia internet. Os telefonemas eram caros e as pessoas não tinham telefones em casa, telefonava-se a uma hora marcada para a mercearia ou o café da terra. Não havia tv cabo nem satélites que lhe valessem, e provavelmente nem o jornal apanhava.
Mandavam-se cartas que demoravam a chegar.
Não me consigo imaginar no lugar do meu avô naquele período. O que me custa a mim, com televisão, internet, chamadas em flat rate para Portugal, viagens baratas, fins de semana no meu país, verões na praia do estrangeiro que é o Algarve. Revistas, jornais, notícias, tremoços, bolacha maria, sumol, bacalhau e até cerelac no supermercado.
E como o meu avô, tantos outros passaram por tantas dificuldades. Hoje é tão mais fácil.

07 dezembro 2012

Regresso ao passado

Estou a ter um curso com um sósia do Vasco Granja. Espero que a qualquer momento o homem comece a desenhar. Ate' agora não tive sorte nenhuma.

05 dezembro 2012

Bolachinhas

É quase Natal, e isso traduz-se em experiências a fazer bolachas. Desta vez, umas com imensos frutos secos, que eu adoro, e que não obrigam a estender a massa com um rolo da massa, nem a cortar figuras, que eu detesto porque dá mais trabalho do que valem as bolachas.
Ficaram ligeiramente tostadas demais (é o que dá abandoná-las no forno e ir fazer outras coisas, mas eu não gosto da cozinha e às vezes nem o alarme me salva as experiências culinárias), mas são deliciosas.
A receita foi do flagrante delícia.. Pronto, as minhas não ficaram tão redondinhas e ainda para mais alargaram no tabuleiro (acho que as devia ter esfriado no congelador em vez de no frigorífico), mas sabem bem, que é o que interessa. Ah, e só deu 12, e não 48, e estão a desaparecer muito rapidamente... O que  vale é que são muito fáceis de fazer pelo que sou capaz de, logo que me apeteça, tratar de fazer mais. Nham nham.


É Natal, é Natal!

Chegou a árvore. O vizinho tocou-nos à campainha depois do jantar e entregou-a (os meus vizinhos do lado são muito simpáticos - e úteis!). Os miúdos (a miúda, vá) puseram-se aos saltos de roda dela, todos contentes. O grande faz um ar incrédulo, e pergunta se a árvore de Natal é verdadeira. Levou logo com um "claro!", seguido de um "que é que queres dizer com isso?". Ora bem, no ano passado fiz, pela primeira vez na minha casa, a experiência de comprar uma árvore daquelas que crescem numa floresta (também conhecido por viveiro). Não correu nada bem - passados uns dias estava murcha e os ramos começaram a descair, e quanto mais o Natal se aproximava mais a árvore murchava. Diz que é preciso pôr-lhe água todos os dias (é por isto que gosto de cactos). Portanto, este ano regressámos ao modelo "árvore de Natal feita com plástico e arame", a verdadeiríssima árvore de Natal que aguenta qualquer condição climatérica. Agora tenho que ir comprar bolas, que as que tenho usado no passado são muito poucas. É isso ou amarfanhar papel de cores e atirar lá para cima,  ver se alguém nota.

Quanto aos pinheiros propriamente ditos, era o que os meus pais costumavam ter lá em casa. Tenho imensa pena de ter falhado o famoso Natal, em que, em pleno jantar de Natal, alguém reparou que a árvore estava a mexer-se. Foram ver,  e tinha bichos lá pelo meio (não sei quais, não estava lá), que deviam ser grandinhos para fazer a árvore abanar. Desde aí, até o resto da família se rendeu às árvores artificiais, ao menos estas não começam a abanar furiosamente a meio da ceia.