31 março 2009

Os gajos de calções relativamente compridos e pernas e sobrancelhas depiladas

Se é para perderem (ou empatarem que é quase a mesma coisa) com tudo quanto lhes aparece à frente, mais vale não porem os pés no próximo evento internacional (parece que é o mundial). É que as gajas podem-se derreter por qualquer gajo musculado e menos feio que lhes apareça à frente, mas ninguém tem paciência para perdedores. Não, a sério. Desgraçadinhos ainda vá lá. Agora gente que ganha milhões num sítio e faz figura de urso quando está a ganhar um 'cadinho menos... nah...

29 março 2009

Manda chuva

O optimismo dos alemães é surpreendente. Há semanas sem fim que não se vê por aqui um dia de sol. Ontem deve ter sido o dia mais soalheiro com umas 5 horas de sol - que terminaram por volta das duas da tarde, que de manhã é que se deve aproveitar o dia, e não dormir. Há semanas que olho para a previsão do estado do tempo para os 15 dias que se seguem, sem que se vislumbre um dia sem nuvens. E hoje, pela primeira vez, aparece um dia com sol. Exactamente de hoje e oito dias. Se a previsão não falhar. E o comentário, do site da metereologia? "A primavera aproxima-se a passos largos. Apesar de algumas nuvens no sul, o sol brilhará com força brevemente." A sério. Just shoot me.

26 março 2009

Paridade

Diz que há partidos com dificuldades para cumprir quotas de mulheres (link). Que não seja por isso - eu ofereço-me já. Não podem é pôr-me no fim da lista. Nem dizer-me o que fazer (dizer podem, mas não esperem que eu faça o que me disserem). Nem obrigar-me à filiação no partido.
(pois... estou a ver... assim é capaz de ser difícil... mas não podem querer tudo! afinal de contas quem tem necessidades não pode ser esquisito.)

25 março 2009

This is who I am

Já deve ter dado para reparar que cada vez escrevo mais palavras estrangeiras neste blog supostamente português. E a verdade é que me tenho andado a reprimir, eu devia escrever ainda mais palavras e expressões estrangeiras. Para quem passa o dia a falar inglês, a ouvir alemão (e arranhá-lo também), e mais uma cacofonia de línguas, é difícil restringir-me a uma.
Recordo há alguns anos ter feito uma viagem de autocarro, em que três miúdos tagarelaram animadamente durante horas em três línguas. Mudavam de língua a meio das frases. Entendiam-se, e riam-se. Os adultos observaram a cena, admirados e até com alguma inveja. Geniais, os pirralhos.
Penso que nunca chegarei a esse ponto. Mas a partir de agora, vou deixar-me de tretas. Se o diria em inglês, I'll write it. E o mesmo serve para o alemão, francês, espanhol, ou o que calhar. Punkt.

my luck strikes again*

Passei horas concentrada numa árdua tarefa, fazer uma asneira bestial. E, pouco antes de a enviar para o mundo, apercebi-me da porcaria que tinha feito. Sim, perdi umas horas de vida que não serão recuperadas. Mas poupei-me à vergonha de a mostrar ao mundo. E aprendi uma lição. kids: always double check.


*trocadilho com uma música dos smiths

24 março 2009

19 março 2009

O futuro é pequeno. Bem vindo.

Há uns anos atrás, um visionário lembrou-se de criar um portátil pequeno e robusto, que servisse as pessoas em meios rurais e subdesenvolvidos. Houve logo que copiasse a ideia, talvez por uma questão de mercado, ou por solidariedade (ahah, como se eu acreditasse nesta), ou porque achasse que todo o mundo deveria ter um computador, mesmo que fosse movido a pedais - os da bicicleta acoplada ao gerador que carrega a bateria. (No meio disto fiquei sem saber de onde vem a ligação à net, porque não basta ter um portátil numa aldeia remota para se ficar automaticamente ligado ao mundo, mas isso são outros quinhentos.)

Algumas das pessoas por trás destes projectos apareceram na televisão. Falaram das suas ideias, pediram apoios. Levaram os tais computadores às tais crianças, às tais aldeias remotas, e sentiram-se bem consigo próprias. E um dia, alguém se lembrou que não é só nas aldeias remotas que as crianças não têm computadores. E quem diz crianças, diz adultos. Ou se calhar, alguém que andava a distribuir estes mini portáteis giríssimos (já viram o verde, do programa One Laptop per Child?), pensou "eu também gostava de ter um"...

O que é certo é que, quase de repente, apareceram os netbooks. E deve ter sido no momento certo, porque foram (são) um enorme sucesso. Algo excitante, que se quer partilhar com os amigos _ refiro-me à ideia de ter um netbook, não o netbook em si, que estes brinquedos são mais pessoais que qualquer computador pessoal. Umas máquinas pequenitas, que realmente se podem ter ao colo, ao contrário dos "portáteis" cada vez maiores e pesadões. E baratas, mais baratas que um telemóvel topo de gama. E, em alguns sítios pelo menos, subsidiadas pelas operadoras de comunicações móveis. (A sério - um acer aspire one 150X cá custa 1 euro, com ligação à net "flat rate", e contrato de dois anos por menos de 40€/mês.) Uns bichinhos tão amigos da nossa bolsa que de vez em quando são vendidos nos supermercados (Lidl e afins) como promoção da semana.

Um netbook é um vício que se espalha rapidamente, mesmo entre aqueles que nunca foram fãs de portáteis. O amigo traz para mostrar, e há logo quem compre um. Só precisa de ligação à net - em casa ou por todo o lado, consoante o tipo de utilização - e faz tudo e mais alguma coisa. Pesa cerca de um quilo. Um quilo. Arranca num instante, porque ou é linux (fabuloso, 16 segundos ao arranque!) ou, mesmo sendo windows, não se pode ter muita coisa instalada. A limitação tem as suas vantagens. Num netbook não se acumula lixo. Vê-se o mail do google, usa-se o office.org (grátis) para documentos privados ou sensíveis, usa-se o googledocs para documentos partilhados (com a família, os amigos...). Ouve-se música online - não se guarda nada no disco - mas pode-se manter uma playlist num dos muitos sites onde nós somos o DJ de serviço (por exemplo, o blip). Pode-se usar o skype para falar com os amigos - mas o mais certo é usar um messenger ou o twitter, que não ocupam espaço em disco.

1MB de RAM pode parecer muito pouco hoje em dia, bem como o processador de 1,6GHz, mas para a net é mais que suficiente - e também é suficiente para, em modo offline, trabalhar com documentos, ouvir música, ou ver vídeos. E depois, a net é um mundo de possibilidades. Podem-se editar fotos online no fotoflexer. Jogar jogos sem ter que ir comprar um processador/placa gráfica/RAM novos - pelo menos desde que sejam os pré-instalados ou jogos online (eu gosto dos do miniclip para quando não quero estar muito tempo a jogar, e outros jogos em rede mais complexos para outras alturas. E instalei alguns jogos linux que correm muito bem). Passar horas no youtube. Ler o jornal e os blogues. Pode-se levar a maquineta para todo o lado, pois tudo o que precisa é de uma ligação à net, que hoje em dia é relativamente comum em quase todo o lado. A partir de uma coisinha assim pequenina e simples, tem-se o mundo nas palmas das mãos. Nas pontas dos dedos. Num écran pequenino.

Será bom sinal?

Estou a ficar especialista em não ouvir quando não quero saber da conversa. E continuar a fazer outras coisas. People who talk to me, beware.

(por outro lado ando a ser perseguida por chatos que não se calam. e não deslargam. equaciono comer cebolas cruas para os afastar.)

12 março 2009

Falhas

"Eis que a falha humana voltou. Ficou a saber-se por estes dias que foi uma 'falha humana' que semeou um ror de asneiras nos jogos instalados no computador Magalhães, jóia da coroa do 'choque', do plano e do 'pacto' tecnológicos."
João Paulo Guerra, "Diário Económico", 12-03-2009
(da página principal do público)

Era capaz de apostar que esta é mesmo uma falha do computador (de software). É que os erros que são apontados ao Magalhaes soam a tradução automática. Das mazinhas. Pior que qualquer humano.

(em última análise, mesmo as falhas do software são falhas humanas. mas mesmo assim...)

o ponto de não retorno

Estou num impasse. Um tipo, com quem costumo passar tempo (em grupo), tem convicções com as quais discordo por completo. Até aqui, tudo bem. Eu respeito quem não pensa como eu, mas tudo tem um limite. E, para este tipo, o limite foi ultrapassado. Uma coisa é ser-se contra o aborto. É pá, tudo bem, acreditamos em coisas diferentes, a lei é para todos e o que ele pensa não interfere com a minha vida. Outra coisa é ser-se desumano. Quando alguém afirma convictamente que no caso da menina de 9 anos violada pelo padrasto desde os seis que o aborto dos gémeos que trazia foi feito utilizando uma desculpa esfarrapada, é o fim. Não haver justificação nenhuma plausível naquela cabeça para este aborto em concreto, ironizar com a vida de uma menina de 9 anos, é mais do que me apetece ouvir. Já deixei de falar com pessoas por menos que isto. E os meus amigos (o grupo) que me desculpem, mas vou-me deixar de certas actividades em conjunto. Há pessoas que me dão a volta ao estômago, e eu prefiro evitá-las. Eles que façam como quiserem. Eu não vou mais por ali.

Alguém me explique

eu até "vou para a neve", ou melhor, vivo no meio dela, mas não faço a mínima ideia... que raio é isso do "forfait"? É o "passe", o "bilhete" para poder usar as cadeirinhas ou aquelas coisas horrorosas em que um gajo sobe a montanha a deslizar agarrado a um pau (é quase isso)? ou é outra coisa qualquer?

11 março 2009

10 março 2009

be careful what you wish for...

Vinha no carro, a admirar a matrícula de um gajo (o que é que tinha de diferente dos outros? ah, era um português) e a pensar que se tivesse um acidente com ele ao menos havíamos de nos entender, mais berro menos berro, até que nos cruzámos com um carro da polícia. Primeiro vinha com calma, depois com pressa, depois havia mais trânsito e um semáforo, e eu ia observando o carro da polícia e pensando, aquela barra verde e azul, onde estão as luzes intermitentes, será que na parte do meio aparece texto se quiserem mandar parar alguém?
Segundos depois, uma camioneta mais à frente faz pisca à direita, e pára antes de virar, para deixar um peão atravessar. O carro atrás dela pára, e o seguinte ultrapassa. A camioneta lá avança, e o trânsito atrás dela, e o carro da polícia, que vinha mesmo atrás de mim, acelera rua acima - deve ter acelerado até aos 70km/h, isto dentro da cidade. E eu a pensar para os meus botões, estes gajos são doidos, ora vêm com uma calma do catano, ora se aceleram como se estivessem aflitos para ir à casa de banho. Dois semáforos à frente, o painel entre as luzes azuis acendeu-se. Só vi aquilo a dizer STOP, o gajo que tinha ultrapassado a parar, e quando passei por eles, olhei bem para a cara dos polícias (nada bem dispostos), que saíam do carro para se dirigir ao condutor que tinha ultrapassado a camioneta mais atrás. E pensei, mas que é que o gajo fez de errado? (que depois me apercebi ter sido ultrapassar num cruzamento) Mas às tantas, aquilo tudo só aconteceu para eu ficar a saber que sim, o painel entre as luzes azuis pode mostrar texto.

09 março 2009

Mais uma ideia... ;)

IF...
...desde que há banda larga, as pessoas descarregam coisas da net... (downloadam, parece que também se diz assim)
...a banda é cada vez mais larga, os downloads cada vez mais ilimitados, e não há assim tanta coisa legal que se possa descarregar que realmente utilize a velocidade ilimitada (até ao infinito!) e os downloads ilimitados (limitados apenas pela velocidade - mais pela do server que da do client)...
...e tendo em conta o que me contou o meu amigo dinamarquês, que na Dinamarca os CDs graváveis pagam uma taxa alta que vai para pagar os copyrights infringidos (verdade ou mentira, não vem ao caso)...

THEN...
...então porque é que não se faz com a internet como com a tvcabo? Ali há copyright de muita gente envolvida, podemos ver (pagamos para isso), e gravar os programas para ver mais tarde ou passar aos amigos ou familiares (em DVD se for preciso, e com os anúncios cortadinhos e tudo, por isso é que inventaram a publicidade dentro dos programas). Já que há gente a ganhar com os downloads ilegais - e estou a falar dos ISPs, porque quem é que precisaria de internet a 500 Megas se não fosse para ir à net buscar "coisas"? - porque é que esses "facilitadores" não contribuem para os tais copyrights perdidos?

(sim, eu sei porquê... there´s a lot of business around the business... mas mesmo assim... um gajo pode sonhar acordado)

(disclaimer: eu acho que a telekom me anda a roubar quando aumenta a velocidade e "mantém" o preço da net. é que eu não preciso de net mais rápida. já preços mais baixos...)

Resolução do dia

Parar de procrastinar. Agora mesmo. Fazer logo aquilo que deve ser feito (ou que quero fazer).

(e se tiver que interromper o que estou a fazer para não adiar outra coisa qualquer? a ver vamos. este é o verdadeiro teste)

twitter

Um mês e tal depois, estou completamente viciada no twitter. Mais coisa menos coisa. De modos que às vezes nem me apetece escrever nada aqui - estou-me a especializar em mensagens de 140 caracteres. Para quem não sabe o que é ou para que serve, vejam este post do 100nada. Experimentem. Não dói nada. (e se quiserem fazer perguntas, há sempre gente disponível para responder, em tempo real. quer as perguntas sejam sobre o twitter ou um pedido de ajuda sobre qualquer outro assunto.)

06 março 2009

A recepcionista

Guardo ainda na agenda o endereço e telefone, e as indicações de como chegar por transporte público, de um médico onde costumava ir. O primeiro onde fui nesta terra. O médico simpático com um nome esquisito, que falava inglês, e nunca me mandou uma conta. Uma vez perguntei-lhe porquê. Ele respondeu-me que quando precisasse de um carro novo me mandaria as contas todas juntas. Muito estranho. Mas não foi por isso que deixei de lá ir. Nem por ficar completamente fora de mão. Foi por causa da recepcionista. Uma vez, mandou-me preencher um formulário e depois gozou comigo. Tipo rir-se de mim, em frente aos outros pacientes. Achei estranho, mas nem percebi bem o que se estava a passar, pelo que passei à frente. Mas não esqueci. O pior era que, na terra da pontualidade, nunca me atendiam à hora marcada. Aparecia para a minha consulta, e se estivessem 4 pessoas à espera tinha que esperar que essas pessoas fossem despachadas. Podia ter-me queixado. Podia ter perguntado porque é que era assim. Mas não tinha paciência para aquilo. Mudei para outro médico, bem mais perto, meu conhecido, que me atende sempre a horas e nem quis saber porque é que eu tinha deixado o outro. E cujas recepcionistas são relativamente simpáticas.

05 março 2009

as paredes têm ideias

as minhas ideias desenhadas - o meu aborrecimento, a minha atenção cerebral num sítio e a manual noutro.
as ideias de outros, impressas numa folha para me inspirar.
as minhas ideias em letras, o que vou fazer, o que gostava de fazer, o que seria genial fazer.
um desenho copiado para um post it.
flores a caneta azul e vermelha feitas enquanto estive ao telefone.
a fotografia do verão, da água azul e palha no campo.
o cartoon da indecisão.
o calendário de eventos desportivos.
o calendário de eventos laborais.
um mote: "no fim as coisas acabam sempre em bem, pelo que se as coisas ainda não estão bem, ainda não é o fim"
e tinta branca. a ser tapada por mais ideias.

04 março 2009

Há coisas fantásticas

A minha máquina fotográfica nova é tão boa, mas tão boa, que...
... já a tenho há mais de dois meses e pensei que tinha perdido o carregador. Lembro-me de me ter esquecido dele em casa no Natal, e ter usado outro para carregar a bateria. E depois disso, um grande vazio. Depois de muitas voltas a todos os locais onde costumamos guardar os carregadores, estava pronta a desistir. E umas horas depois da desistência, lembrei-me que talvez, por algum milagre, o carregador estivesse na caixa original. Sei lá, por engano. E não é que estava mesmo? Ainda embrulhadinho, nunca o tinha utilizado. A máquina é tão boa que a bateria dura, dura, dura, e eu nem tinha dado por nada.

01 março 2009

A miúda em mim

A parte melhor de ter filhos é podermos dar-nos ao luxo de ser miúdos outra vez. Termos desculpa para andar de trenó numa colina à beira da estrada (será que aquilo tem dono? deve ter, mas ninguém parece incomodar-se com isso. o dono podia deixar um bidão com uma caixinha a fazer a colecta). Ou deslizar colina abaixo sem trenó nem nada. Deixarmo-nos cair na neve só porque não dói, e fazê-los rir, e fazer-nos rir. Fazer batalhas de neve, ou enfiar gelo pela camisola de alguém abaixo. Comprar brinquedos giros e montá-los, e depois deixá-los destruir as coisas (se eram de montar, também eram de desmontar). Vê-los arrancar pernas a bonecas, ou abrir brinquedos para ver o que está lá dentro. Fazermos corridas parvas (quem chegar primeiro ao poste ganha). De nos lembrarmos do que gostávamos há muitos anos atrás e podermos fazer-lhes o mesmo. Andar pela mão dos tios e saltar poças de água. Ir ao café e brincar nas máquinas de jogos, mas sem moedas. Beber sumo de pêssego (nem gostava) e ouvir os crescidos falar. Ouvir bandas de garagem, ir ao parque infantil (vazio), subir o escorrega ao contrário. Saltar na cama, e esconder debaixo da cama, ou da mesa. Andar às cavalitas. Virar bancos ao contrário e fazer de conta que eram carrinhos de choque. Fazer de conta que se lavava o chão da cozinha para poder patinar. Andar de baloiço. Comer bolachas integrais com tulicreme, e esmagar uma contra a outra e ver sair minhoquinhas castanhas. Roubar rebuçados da despensa, e pôr a culpa no pai. Inventar jogos de tabuleiro, e fazê-los. Inventar jogos de bola e bicicletas com os amigos, jogar ténis em campos improvisados, jogar à bola contra a parede (e com regras!). Recordar a primeira vez que pudemos ir sozinhos para casa e nos sentimos crescidos. E ter desculpa para ir à net buscar as músicas da rua sésamo, para mostrar aos pequenotes.